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sábado, 11 de janeiro de 2025

Leitura de poesia (41) - O poeta, Álvares de Azevedo



O POETA - ÁLVARES DE AZEVEDO

              Un souvenir heureux est peut-être sur terre

                      Plus vrai que le bonheur!

                              A. de Musset


Era uma noite - eu dormia

E nos meus sonhos revia

As ilusões que sonhei!

E no meu lado senti...

Meu Deus! por que não morri?

Por que do sono acordei?


No meu leito - adormecida,

Palpitante e abatida,

A amante de meu amor!

Os cabelos recendendo

Nas minhas faces correndo

Como o luar numa flor!


Senti-lhe o colo cheiroso

Arquejando sequioso;

E nos lábios, que entr'abria

Lânguida respiração, 

Um sonho do coração 

Que suspirando morria!


Não era um sonho mentido;

Meu coração iludido 

O sentiu e não sonhou:

E sentiu que se perdia

Numa dor que não sabia...

Nem ao menos a beijou!


Soluçou o peito ardente,

Sentiu que a alma demente

Lhe desmaiava a tremer:

Embriagou-se de enleio,

No sono daquele seio

Pensou que ele ia morrer!


Que divino pensamento, 

Que vida num só momento 

Dentro do peito sentiu...


Não sei... Dorme no passado

Meu pobre sonho doirado...

Esperança que mentiu!


Sabem as noites do céu 

E as luas brancas sem véu

As lágrimas que eu chorei!

Contem do vale as florinhas

Esse amor das noites minhas!

Elas sim... eu não direi!


E se eu tremendo, senhora, 

Viesse pálido agora 

Lembrar-vos o sonho meu,

Com a fronte descorada

E com a voz sufocada

Dizer-vos baixo - Sou eu!


Sou eu! que não esqueci

A noite que não dormi,

Que não foi uma ilusão!

Sou eu que sinto morrer

A esperança de viver...

Que o sinto no coração! -


Riríeis das esperanças,

Das minhas loucas lembranças,

Que me desmaiam assim?

Ou então, de noite, a medo

Choraríeis em segredo

Uma lágrima por mim?

---

COMENTÁRIO:

Terminei a leitura dos 43 poemas da 1a parte da "Lira dos vinte anos" do jovem paulistano Álvares de Azevedo, que viveu pouco mais de dez anos como adulto, se considerarmos sua infância e adolescência, entre 1831 e 1851.

Enquanto lia os poemas, fiquei pensando várias coisas. Mesmo não sendo o tipo de poesia e poética que me agradam, pensar na produção poética do rapaz lá naquele mundo miserável do Brasil de meados do século 19, me faz respeitar absurdamente um escritor como ele!

O vocabulário do poeta, as condições materiais da época, a gente inculta e aculturada na religião e nas crendices, imaginem o cenário, o contexto e o mundo de Álvares de Azevedo...

E pensar que no meu mundo, o dia 11 do mês de janeiro do ano de 2025 do século 21, temos uma humanidade dominada por crendices e mentiras em escala global, uma população escravizada e trabalhando umas 18 horas por dia, sem tempo de se educar e sem conhecimentos básicos de quase tudo...

Enfim, enquanto lia o eu-lírico dos anos 40 do século 19, clamando a Deus, suspirando de amor etc, fiquei pensando se o mundo andou pra frente ou pra trás...

(Post Scriptum: não é problema algum a fé das pessoas em qualquer tipo de metafísica, a visão de mundo de cada um é questão pessoal. Entretanto, a religião somada ao Estado queimou gente por séculos e pode ser que volte a queimar. Essa é a minha preocupação)

Sobre este poema, "o poeta", gostei dele.

Mas estou pensativo...

William 


Bibliografia:

AZEVEDO, Álvares. Lira dos vinte anos. Coleção Vestibular, O Estado de São Paulo. Klick Editora: São Paulo, 1999.


quarta-feira, 25 de dezembro de 2024

Leitura de poesia (25) - Lembrança de morrer, Álvares de Azevedo



LEMBRANÇA DE MORRER - ÁLVARES DE AZEVEDO 

          No more! o never more!

                       Shelley


Quando em meu peito rebentar-se a fibra

Que o espírito enlaça à dor vivente,

Não derramem por mim nem uma lágrima 

              Em pálpebra demente.


E nem desfolhem na matéria impura

A flor do vale que adormece ao vento:

Não quero que uma nota de alegria 

Se cale por meu triste pensamento. 


Eu deixo a vida como deixa o tédio

Do deserto, o poento caminheiro 

- Como as horas de um longo pesadelo 

Que se desfaz ao dobre de um sineiro;


Com o desterro de minh'alma errante,

Onde fogo isensato a consumia:

Só levo uma saudade - é desses tempos

Que amorosa ilusão embelecia.


Só levo uma saudade - e dessas sombras 

Que eu sentia velar nas noites minhas...

De ti, ó minha mãe! pobre coitada

Que por minha tristeza te definhas!


De meu pai... de meus únicos amigos,

Poucos - bem poucos - e que não zombavam

Quando, em noites de febre endoidecido,

Minhas pálidas crenças duvidavam.


Se uma lágrima as pálpebras me inunda,

Se um suspiro nos seios treme ainda,

É pela virgem que sonhei... que nunca 

Aos lábios me encostou a face linda!


Só tu à mocidade sonhadora

Do pálido poeta deste flores...

Se viveu, foi por ti! e de esperança

De na vida gozar de teus amores.


Beijarei a verdade santa e nua,

Verei cristalizar-se o sonho amigo...

Ó minha virgem dos errantes sonhos,

Filha do céu, eu vou amar contigo!


Descansem o meu leito solitário 

Na floresta dos homens esquecida,

À sombra de uma cruz, e escrevam nela:

- Foi poeta - sonhou - e amou na vida. -


Sombras do vale, noites da montanha 

Que minh'alma cantou e amava tanto,

Protegei o meu corpo abandonado,

E no silêncio derramai-lhe um canto!


Mas quando preludia ave d'aurora

E quando à meia-noite o céu repousa,

Arvoredos do bosque, abri os ramos...

Deixai a lua pratear-me a lousa!

---

COMENTÁRIO:

Alguns poetas, poemas e poéticas vão melhor nos meus entendimentos. Outros são bem mais desafiadores pra mim.

Li quase a primeira parte inteira da "Lira dos Vinte Anos" para escolher esse poema.

As primeiras duas estrofes posso declamá-las por mim mesmo, pois nada quero que digam depois que não mais existir.

Minha mãe foi também confidente e cúmplice décadas atrás, quando perdido estava no começo da vida adulta. À época, a morte se lembrava de mim o tempo todo. Passou.

Enfim, eis aí o poema do dia.

William Mendes


Bibliografia:

AZEVEDO, Álvares. Lira dos vinte anos. Coleção Vestibular, O Estado de São Paulo. Klick Editora: São Paulo, 1999.


sexta-feira, 6 de dezembro de 2024

Leitura de poesia (6) - Ai Jesus!, Álvares de Azevedo



AI JESUS! - ÁLVARES DE AZEVEDO 


Ai, Jesus! não vês que gemo,

Que desmaio de paixão 

Pelos teus olhos azuis?

Que empalideço, que tremo,

Que me expira o coração?

               Ai Jesus!


Que por um olhar, donzela,

Eu poderia morrer

Dos teus olhos pela luz?

Que morte! que morte bela!

Antes seria viver!

               Ai Jesus!


Que por um beijo perdido 

Eu de gozo morreria 

Em teus níveos seios nus?

Que no oceano dum gemido

Minh'alma se afogaria?

               Ai Jesus!

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COMENTÁRIO:

Amores reais ou platônicos, em sociedades do passado ou do presente, entre iguais ou divergentes, amores, humanos sentimentos, abstrações criadas pela mente humana. 

Ao ler sobre o poeta brasileiro Manuel Antônio Álvares de Azevedo, fiquei pensando na vida do autor. O paulistano morreu aos 21 anos de idade! Mal teve vida adulta.

Ele viveu suas duas décadas de vida naquele Brasil dos anos 1831 e 1853, entre São Paulo e Rio de Janeiro. São Paulo, a cidade no morro, lá em cima no planalto, que tinha cerca de 15 mil habitantes, ladeiras de barro pra lá e pra cá. 

Pelo que li na seção de informações da edição que tenho - "É Help" - quase toda a criação poética e literária de Álvares de Azevedo foi reunida e publicada após sua morte.

Os críticos classificam sua criação poética no período do Romantismo brasileiro. 

A leitura de poemas como os da poética de Azevedo é uma leitura gostosa por causa das rimas, da sonoridade. 

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É isso! Seguimos lendo poemas neste mês de dezembro. Não tenho muita coisa nova em casa, vou continuar a leitura dos livros dos autores que tenho e que iniciei neste mês.

O tempo é curto também. O importante é um pouco de contato diário com poesia. Só para atiçar a mente e o coração.

William Mendes


Bibliografia:

AZEVEDO, Álvares. Lira dos vinte anos. Coleção Vestibular, O Estado de São Paulo. Klick Editora: São Paulo, 1999.


segunda-feira, 19 de junho de 2023

Os miseráveis - Victor Hugo (5)



Refeição Cultural

Osasco, 19 de junho de 2023. Madrugada de segunda-feira.


PRIMEIRA PARTE - FANTINE

LIVRO 1: UM JUSTO

V. Como Monsenhor Bienvenu fazia suas batinas durarem muito tempo

"Como ele fazia suas batinas durarem muito tempo e não queria que ninguém notasse isso, nunca saía pela cidade sem sua capa violeta, o que o incomodava um pouco no verão." (p. 58)


Neste curto capítulo, duas frases me deixaram pensando sobre elas, ambas na página 57:

"Como todos os velhos e como a maior parte dos homens que pensam, ele dormia pouco."

E sobre o tempo que lhe sobrava após todo o tempo dedicado aos pobres:

"(...) ora cavava em seu jardim, ora lia e escrevia. Usava uma única palavra para esses dois tipos de trabalho: jardinar. 'O espírito é um jardim', dizia."

Me lembro que dormi pouco a vida toda. Porque não podia dormir mais. Ou porque queria ficar acordado para estudar ou porque queria fazer algo além de trabalhar como um burro de cargas para algum capitalista desde menino.

Temos no romance de Victor Hugo, um narrador que tudo sabe e até cita o autor do livro.

Ao falar do personagem Myriel, o narrador deixa claro que conta a história dele já sabendo do desfecho, é um narrador em terceira pessoa onisciente, um demiurgo.

"Era letrado e um tanto quanto erudito. Deixou cinco ou seis curiosos manuscritos, entre os quais uma dissertação sobre o versículo do Gênesis..." (p. 58)

E:

"Em outra dissertação, examina as obras teológicas de Hugo, bispo de Ptolémaïs, tio-bisavô do autor deste livro..." (idem)

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COMENTÁRIO

Ainda pensando sobre as frases que citei acima...

O pouco dormir: minha condição me permitiria hoje ficar curtindo o prazer da cama e do sono. Nunca me esqueço do quanto queria dormir um pouco mais durante a vida de trabalho e estudo e não podia.

As coisas mudam. Hoje, sigo sem ficar curtindo o prazer da cama e do sono. No entanto, os motivos são outros. É o tempo de vida que resta que escorre pela ampulheta da vida como a água que escorre pelas mãos em concha.

A forma de olhar o presente e o amanhã muda para algumas pessoas. Mudou para mim. 

Com o quadril danificado, uma caminhada ou corrida ganhou outro sentido... e se eu não puder mais fazer isso amanhã?

Tenho tantos livros em casa que gostaria de ler... e se amanhã eu não puder mais ver?

A forma de ver o tempo e a forma de imaginar o tempo que tenho talvez faça um pouco essa coisa de não ficar à vontade na cama quando acordo após dormir poucas horas e ainda ter vontade de dormir mais.

Sobre jardinar e espírito nem tenho muito o que pensar, nem considero essa questão de ter um espírito que se manterá após a morte de meu organismo animal.

Como gostaria de acreditar nesse conforto das místicas que nossos cérebros humanos criam como abstrações na relação do animal que somos com o mundo material no qual vivemos... gostaria! 

Me lembro exatamente as delícias e os terrores de crer nessas abstrações quando era crente. As religiões dão um conforto danado ao ser humano! Conformam tudo na trágica existência...

Falando em dormir pouco, vamos dormir que o sono pegou pesado e já é 1h43 da madrugada...

William


Post Scriptum: ver aqui a postagem anterior. A postagem seguinte pode ser lida aqui.


Bibliografia:

HUGO, Victor. Os miseráveis. Tradução de Regina Célia de Oliveira. Edição especial. São Paulo: Martin Claret, 2014.

sábado, 10 de junho de 2023

Os miseráveis - Victor Hugo (1)



Refeição Cultural

Osasco, 10 de junho de 2023. Sábado.


"ENQUANTO, por efeito de leis e costumes, houver proscrição social, forçando a existência, em plena civilização, de verdadeiros infernos, e desvirtuando, por humana fatalidade, um destino por natureza divino; enquanto os três problemas do século - a degradação do homem pelo proletariado, a prostituição da mulher pela fome, e a atrofia da criança pela ignorância - não forem resolvidos; enquanto houver lugares onde seja possível a asfixia social; em outras palavras, e de um ponto de vista mais amplo ainda, enquanto sobre a terra houver ignorância e miséria, livros como este não serão inúteis." (Victor Hugo, no prefácio de Os miseráveis)


Os miseráveis... os miseráveis. Só pela expressão já sabemos o quão atual e necessária é a temática ficcional e histórica abordada pelo escritor francês Victor Hugo. Os miseráveis...

Victor Hugo foi romancista, poeta, dramaturgo, desenhista, pintor e político. Victor Hugo registrou de forma ficcional nesta obra, em 1862, fatos históricos a respeito da sociedade humana sob a égide do regime capitalista.

Os miseráveis acabaram sendo o resultado da revolução burguesa ocorrida décadas antes na França. Dito de outra forma, a miséria da maioria esmagadora da população foi o resultado da revolução burguesa. Era pra ser outro o resultado da Revolução... era. 

Liberdade, Igualdade, Fraternidade... Os burgueses deram um jeito de transformar os lemas da Revolução Francesa em um só: Liberdade. Igualdade e Fraternidade viraram peças de propaganda e manipulação das massas. Até hoje é assim!

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COMENTÁRIO

Inicio a leitura da obra monumental de Victor Hugo, Os miseráveis. Não posso adiar mais a leitura desse clássico. O prefácio já diz tudo. Vivemos numa época de plena "proscrição social". 

Um século e meio depois da denúncia de Victor Hugo sobre os efeitos do capitalismo sobre a sociedade humana, o que temos no mundo é um número inimaginável de miseráveis, e com viés de aumento na tendência a termos cada dia mais miseráveis numa sociedade global capitalista falimentar.

Os miseráveis...

Serão meses de leitura, meses. Dessa vez não vou parar a leitura. Vou ler até o fim. 

Como diz Victor Hugo "enquanto sobre a terra houver ignorância e miséria, livros como este não serão inúteis".

Finalizo este primeiro comentário sobre a leitura do livro com a reflexão de Jean Pierre Chauvin, na introdução da edição que vou ler.

"Dir-se-ia que esta obra pretende demover o leitor de seu confortável espaldar, sorvendo o seu café, ao abrigo das intempéries que acontecem nas ruas. O narrador está à beira de sugerir que se tome alguma atitude, com o fito de minorar as dificuldades enfrentadas por aqueles que não frequentam os mesmos ambientes que os próprios leitores, aliás."

Pois é! Meus conhecidos são bancários da ativa e aposentados, são professores, são profissionais liberais e gente da chamada classe média urbana brasileira. Pensando na observação de Chauvin, diria que meus contatos não se veriam na condição de miseráveis...

Eu me pergunto se é suficiente termos votado em Lula em outubro de 2022 e de termos ajudado a interromper o mandato formal do miliciano genocida. Isso foi o suficiente para a gente de minha classe social? Não deveríamos estar nas ruas, todas as semanas, defendendo as pautas pelas quais votamos em outubro de 2022? O Legislativo e o Judiciário não são nossos, são dos burgueses capitalistas. 

Estamos preparados para enfrentar a ofensiva deles para retomar o poder formal do Estado, o Executivo onde está Lula? Estamos preparados para enfrentar nossos inimigos de classe ou ao menos cientes de que a reação deles está em andamento? Era pra estarmos nas ruas em milhões de pessoas, todas as semanas... qualquer dia vem o golpe e não faremos nada... já vimos isso e não aprendemos.

Vou ler Os miseráveis de Hugo e temos que refletir sobre como lidar com o contexto atual do mundo no qual os miseráveis estão aí ao nosso redor, e não estão politizados, são facilmente manipuláveis, fechemos os olhos ou não para essa realidade.

William


Post Scriptum: aos leitores do blog que tiverem interesse, será possível ler os comentários sobre a minha leitura do clássico de Victor Hugo, a partir das postagens que farei. A cada postagem de leitura, deixarei ao final o link da postagem seguinte. A próxima pode ser lida aqui.


Bibliografia:

HUGO, Victor. Os miseráveis. Tradução de Regina Célia de Oliveira. Edição especial. São Paulo: Martin Claret, 2014.


sexta-feira, 20 de agosto de 2021

Espumas flutuantes - Castro Alves



Refeição Cultural

"Por isso na impaciência
Desta sede de saber,
Como as aves do deserto -
As almas buscam beber...
Oh! Bendito o que semeia
Livros... livros à mão cheia...
E manda o povo pensar!
O livro caindo n'alma
É germe - que faz a palma,
É chuva - que faz o mar.
" ("O livro e a América", Castro Alves)


Finalizada a leitura do livro Espumas flutuantes, do poeta Castro Alves, posso dizer ao menos que conheço a poética desse escritor brasileiro. O poeta morreu jovem, aos 24 anos, em 1871.

A leitura foi feita em voz alta. Li os 55 textos assim, incluindo o "Prólogo" e a "Dedicatória". Adotei o método de ler cinco poemas por dia como havia feito antes com A rosa do povo, de Drummond. É uma leitura exigente e que exige disciplina.

Posso e devo ser sincero ao falar dos poemas de Castro Alves e digo que os poemas reunidos em Espumas flutuantes não me agradaram muito. Meu estilo de poemas é outro, de outras poéticas e outras épocas. Isso não quer dizer que eu não valorize a obra e o poeta, só não é o tipo de poesia que gosto.

O autor trabalha muito com a temática do amor e da morte. Acho positivo o fato de o amor, presente em suas poesias, não ser platônico e sim de carne e osso. Ele realmente amou e esteve com as mulheres, é o que dizem as informações sobre ele. 

E sobre a morte idem, ele viveu a expectativa da morte iminente porque tinha tuberculose e para piorar deu um tiro acidental no pé, fato que lhe abreviou mais ainda a vida. Quando reuniu os poemas deste livro, já sabia que não viveria muito.

Como acredito que ler é melhor que não ler um livro e um autor, conheci poemas interessantes de Castro Alves. Inclusive, tive a oportunidade de conhecer sua obra mais famosa, que não consta desse livro. Li "O navio negreiro" e realmente a temática é pra lá de importante para a época e ainda hoje.

Talvez o momento que vivemos não tenha contribuído para que eu tivesse mais prazer na leitura de Castro Alves. Ler em 2021 poemas líricos falando de amor e Deus em uma época na qual o amor quase que morreu e a religião é um dos instrumentos de manipulação e idiotização de milhões de pessoas é uma tarefa difícil. A gente acaba lendo já com certa birra...

Enfim, sigo lendo e preenchendo minhas lacunas culturais. Se estou com o coração empedernido e sem esperança alguma num amanhã melhor para os seres vivos porque não acredito que a maioria de humanos vá derrotar a minoria capitalista, imaginem se eu não lesse e buscasse conhecimento novo como estaria. É muito provável que eu fosse um boçal bárbaro bolsonarista.

Viva a leitura de autores e obras clássicas, viva a educação libertadora e a formação política emancipadora! 

(Quero distância de mitos e de quem idolatra mitos, para mim basta conhecê-los, sejam eles os clássicos, que buscam explicar o mundo, ou os mitos falsos como o troglodita no poder em nosso país).

William


Bibliografia:

ALVES, Castro. Espumas Flutuantes. O Estado de São Paulo/Klick Editora, 1997.


sexta-feira, 13 de agosto de 2021

Castro Alves - Espumas Flutuantes



Refeição Cultural

Mesmo com dificuldades para ler nesses dias, não por falta de tempo, mas por falta de cabeça para literatura, poesias e estudos, estou seguindo na leitura diária de 5 poemas de Castro Alves como planejei fazer: declamar para mim mesmo todos os poemas de Espumas Flutuantes, de 1870. 

Hoje foi o 4º dia. Os poemas lidos foram: "O 'adeus' de Tereza", "A volta da primavera", "A Maciel Pinheiro", "A uma taça feita de crânio humano" e "Pedro Ivo".

Li um pouco sobre o personagem Pedro Ivo, que faz parte da história das lutas dos pernambucanos. Ele participou da Revolução Praieira, ocorrida entre 1848 e 1850. O poema é um pouco longo, mas gostei dele. Gravei a leitura da parte 3 (ver aqui).

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No 3º dia de leitura, li: "O fantasma e a canção", "O gondoleiro do amor", "Sub Tegmine Faji", "As três irmãs do poeta" e "O voo do gênio". Desses, fiz o vídeo lendo o gondoleiro (ver aqui).

"O fantasma e a canção

(...)

Bati a todas as portas
Nem uma só me acolheu!..."
- "Entra" - : Uma voz argentina
Dentro do lar respondeu.
- "Entra, pois! Sombra exilada,
Entra! O verso - é uma pousada
Aos reis que perdidos vão.
A estrofe - é a púrpura extrema,
Último trono - é o poema!
Último asilo - a Canção!...
" (p. 36)

Viram que interessante esse final do poema!

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No 2º dia, li os poemas "O laço de fita", "Ahasverus e o gênio", "Mocidade e morte", "Ao dous de julho" e "Os três amores".

Gravei a leitura do Ahasverus (ver aqui) e novamente li um pouco a respeito da história, o 2 de julho de 1823 e a batalha do Pirajá, na Bahia. 

Ahasverus, segundo a nota no livro, é um dos nomes de um judeu errante condenado a vagar pelo mundo sem descanso por ter negado descanso a Jesus na porta de sua casa quando os romanos o levavam ao calvário.

É isso. Vamos lendo um pouquinho de poesia por dia e conhecendo a poética de Castro Alves.

William


Bibliografia:

ALVES, Castro. Espumas Flutuantes. O Estado de São Paulo/Klick Editora, 1997.


terça-feira, 10 de agosto de 2021

Lendo Espumas Flutuantes, Castro Alves



Refeição Cultural

Hoje comecei um novo projeto de leitura de poesias em voz alta. Agora vou ler os poemas de Espumas Flutuantes (1870), de Castro Alves. 

A leitura é feita diariamente, alguns poemas por dia, de forma declamada, e depois escolho um e declamo em vídeo. Calculo ler o livro em onze dias. São 55 textos, incluindo o prólogo e a dedicatória, em forma de poesia também.

No início da pandemia mundial de Covid-19, em 2020, fiz a leitura em voz alta do livro de Drummond, A Rosa do Povo (1945). Foi uma experiência muito interessante! A obra teve muita sintonia com o momento histórico que vivemos. Isso me envolveu muito na leitura.

CALIBRANDO O CÉREBRO PARA LER POESIAS

Para ler poesias o primeiro passo é acertar o foco mental no estilo de poesia que vamos ler. 

Isso às vezes é necessário porque senão lemos como se não estivéssemos lendo nada... palavras, palavras, palavras... como diria Hamlet.

Sair de uma leitura de poesia épica como Odisseia (Homero) na tradução do maranhense Odorico Mendes para uma poesia romântica de Castro Alves requer uma adaptação das ondas mentais. 

A leitura em voz alta contribui para essa "calibragem" da leitura de poesia porque podemos ouvir e acertar a cadência ideal, aqueles ensinamentos que aprendemos sobre ritmo, pausas, tom de voz etc.

Enfim, comecei a conhecer o poeta brasileiro Castro Alves. Daqui a onze dias saberei um pouquinho mais que hoje, serei menos ignorante nessa lacuna cultural.

Li o "Prólogo", a "Dedicatória", "O Livro e a América", "Hebreia" e "Quem Dá aos Pobres Empresta a Deus". 

Escolhi fazer o vídeo do "Prólogo" (ver aqui), mas gostei bastante do poema sobre o livro. Quem sabe depois eu grave vídeo dele também.

É melhor ler os clássicos do que não ler os clássicos, como nos ensina o escritor italiano Italo Calvino.

William


Bibliografia:

ALVES, Castro. Espumas Flutuantes. O Estado de São Paulo/Klick Editora, 1997.


sexta-feira, 4 de outubro de 2019

Leitura III: Los hijos del limo (1974) - Octavio Paz




Refeição Cultural

Após a leitura do prefácio (aqui), fizemos a leitura da primeira parte do capítulo do livro. Ler excertos aqui. Agora vamos terminar o 1º capítulo.

Los hijos del limo - Del romanticismo a la vanguardia

1. La tradición de la ruptura


O crítico nos fala da questão de passado, presente e futuro nas sociedades primitivas. Muito interessante o ponto de vista que ele apresenta.

O presente e o futuro teriam como modelo a seguir o passado, porque o passado se impõe através de ritos e tradições, de maneira a não se mudar nada. 

"La vida social no es histórica, sino ritual; no está hecha de cambios sucesivos, sino que consiste en la repetición rítmica del pasado intemporal. El pasado es un arquetipo y el presente debe ajustarse a ese modelo inmutable; además, ese pasado está presente siempre, ya que regresa en el rito y en la fiesta..." (p. 28)

Por essas ferramentas dos ritos e das tradições, o passado defende a sociedade das mudanças.

"no es lo que pasó una vez, sino lo que está pasando siempre..."

E Paz finaliza o conceito para entendermos adiante o quanto o tempo para nós é inverso ao tempo para as sociedades primitivas.

"Nada más opuesto a nuestra concepción del tiempo que la dos primitivos: para nosotros el tiempo es el portador del cambio, para ellos es el agente que lo suprime..."

e

"Para los primitivos, el modelo atemporal no está después, sino antes, no en el fin de los tiempos, sino en el comienzo del comienzo. No es aquel estado al que ha de acceder el cristiano, sea para salvarse o para perderse, en la consumación del tiempo: es aquello que debemos imitar desde el principio." (p. 28/29)

As sociedades primitivas veem com horror as variações do tempo, as mudanças não são benéficas, são nefastas. "lo que llamamos historia, es para los primitivos falta, caída".

(comentário: minha nossa, desculpem, mas vi aqui nessas explicações parte dos evangélicos que apoiam toda a desgraça do bolsonarismo!)

"El modelo sigue siendo el pasado anterior a todos los tiempos, la edad feliz del principio regida por la armonía entre el cielo y la tierra..."

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"(...) para los cristianos el tiempo perfecto es la eternidad: una abolición del tiempo, una anulación de la historia; para los modernos la perfección no puede estar en otra parte, si está en alguna, que en el futuro." (p. 30)
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Para os modernos o futuro é a região do inesperado e para os povos primitivos o futuro desemboca no passado.

Para o Ocidente esse tempo do passado primordial e perfeito, da harmonia entre homem e homem e com a natureza se chama Idade do Ouro. Para outras civilizações a pedra Jade era a referência.

Depois de apresentar vários exemplos sobre sociedades e religiões em relação à maneira com que lidam com a questão do tempo e a volta ao passado, o capítulo caminha para sua conclusão.

"Pasado atemporal del primitivo, tiempo cíclico, vacuidad budista, anulación de los contrarios en brahmán o en la eternidad cristiana: el abanico de las concepciones del tiempo es inmenso, pero toda esa prodigiosa variedad puede reducirse a un principio único. Todos esos arquetipos, por más distintos que sean, tienen en común lo siguiente: son tentativas por anular o, al menos, minimizar los cambios." (p. 36)

E ainda:

"A la pluralidad del tiempo real, oponen la unidad de un tiempo ideal o arquetípico; a la heterogeneidad en que se manifiesta la sucesión temporal, la identidad de un tiempo más allá del tiempo, igual a si mismo siempre."

Nossa época rompe com todas as maneiras tradicionais das civilizações de pensar o tempo, o passado, o presente e o futuro.

"Heredera del tiempo lineal e irreversible del cristianismo, se opone como éste a todas las concepciones cíclicas; asimismo, niega el arquetipo cristiano y afirma otro que es la negación de todas las ideas e imágenes que se habían hecho los hombres del tiempo."

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"La época moderna -ese período que se inicia en el siglo XVIII y que quizá llega ahora a su ocaso- es la primera que exalta al cambio y lo convierte en su fundamento. Diferencia, separación, heterogeneidad, pluralidad, novedad, evolución, desarrollo, revolución, historia: todos esos nombres se condensan en uno: futuro. No el pasado ni la eternidad, no el tiempo que es, sino el tiempo que todavía no es y que siempre está a punto de ser." (p. 37)
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Octavio Paz fecha o capítulo contando a visão de um representante de povos originários ao visitar a Inglaterra. Por mais que a sociedade Ocidental desenvolva técnicas e ferramentas, a perfeição não é sentida, ela estaria sempre no futuro: "Nuestra perfección no es lo que es, sino lo que será".

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Segue depois a leitura de outros capítulos.

domingo, 29 de setembro de 2019

Leitura II: Los hijos del limo (1974) - Octavio Paz





Refeição Cultural

Após a leitura do prefácio, vamos começar a leitura do primeiro capítulo do livro. Ler excertos aqui.

Los hijos del limo - Del romanticismo a la vanguardia

1. La tradición de la ruptura

O começo já é um conceito importante a recordar:

"El tema de este libro es la tradición moderna de la poesía. La expresión no sólo significa que hay una poesía moderna sino que lo moderno es una tradición..." (p. 17)

O que seria tradição?

"(...) la transmisión de una generación a otra de noticias, leyendas, historias, creencias, costumbres, formas literarias y artísticas, ideias, estilos; por tanto, cualquier interrupción en la transmisión equivale a quebrantar la tradición..."

E a tradição da ruptura?

O autor segue no conceito:

"Si la ruptura es destrucción del vínculo que nos une al pasado, negación de la continuidad entre una generación y otra ¿puede llamarse tradición a aquello que rompe el vínculo e interrumpe la continuidad?..."

Paz segue com uma série de indagações que demonstram contradições interessantes. Se o tradicional é por excelência o antigo, como poderia o moderno ser tradicional?

Depois ele diz que:

"Al decir que la modernidad es una tradición cometo una leve inexactitud: debería haber dicho, otra tradición. La modernidad es una tradición polémica y que desaloja a la tradición imperante, cualquier que ésta sea..." (p. 18)

O moderno não se caracterizaria somente pela sua novidade, mas também pela sua heterogeneidade, nos diz o autor: "(...) la modernidad está condenada a la pluralidad: la antigua tradición era siempre la misma, la moderna es siempre distinta".

- Tradição do moderno: heterogeneidade, pluralidade de passados, estranheza radical.

- O moderno não é filho do passado, é sua negação, é ruptura. O moderno é autosuficiente, cada vez que aparece, cria sua própria tradição.

O crítico nos explica sobre as idas e vindas da questão das estéticas. Há épocas em que o ideal estético é a imitação do antigo, e outras em que se exalta o novo e a surpresa.

- Estética da surpresa: "Novedad y sorpresa son términos afines, no equivalentes".

A aliança entre a estética da novidade somada à estética da negação só vai encontrar um caminho efetivo a partir da idade moderna, ao final do século XVIII e início do XIX.

RUPTURA

O que diferencia a modernidade de outras épocas é a ruptura, não somente o novo e o surpreendente. "crítica del pasado inmediato, interrupción de la continuidad. El arte moderno no sólo es el hijo de la edad crítica sino que también es el crítico de sí mismo". (p. 20)

E segue com os conceitos: não basta ser algo novo, tem que ser distinto, mudar a direção, negar o anterior: "el cuchillo que parte en dos al tiempo: antes y ahora". (p. 21)

O que é bem antigo, de milênios, também pode ser base para a modernidade, com ruptura da tradição anterior. "lo antiquísimo no es un pasado: es un comienzo".

MUDANÇA CONTÍNUA

Ou seja, a tradição moderna apaga a oposição entre o antigo e o contemporâneo, entre o distante e o próximo. O ácido que dissolve tudo isso é a crítica, segundo Paz. Mas o conceito fica melhor somando a crítica com a paixão.

"Pasión crítica: amor inmoderado, pasional, por la crítica y sus precisos mecanismos de desconstrucción, pero tambiém crítica enamorada de su objeto, crítica apasionada por aquello mismo que niega. Enamorada de sí misma, no afirma nada permanente ni se funda en ningún principio: la negación de todos los principios, el cambio perpetuo, es su principio." (p. 22)

CONCEPÇÃO DO TEMPO

"(...) para los antiguos el ahora repite al ayer, para los modernos es su negación."

"Para nosotros el tiempo no es la repetición de instantes o siglos idénticos: cada siglo y cada instante es único, distinto, otro."

A tradição do moderno traz um paradoxo maior que a contradição entre o antigo e o novo, o moderno e o tradicional. Essas oposições se evaporam por causa da velocidade do tempo. As distinções entre passado, presente e futuro se apagam ou passam a ser instantâneas, imperceptíveis e insignificantes.

"La aceleración del tiempo no sólo vuelve ociosas las distinciones entre lo que ya pasó y lo que está pasando sino que anula las diferencias entre vejez y juventud. Nuestra época ha exaltado a la juventud y sus valores con tal frenesí que ha hecho de ese culto, ya que no una religión, una superstición; sin embargo, nunca se había envejecido tanto y tan pronto como ahora. Nuestras colecciones de arte, nuestras antologías de poesías y nuestras bibiliotecas están llenas de estilos, movimientos, cuadros, esculturas, novelas y poemas prematuramente envejecidos."

A ÉPOCA MODERNA É A DA ACELERAÇÃO DO TEMPO HISTÓRICO

Octavio Paz nos explica que essas contradições a que vem expondo não são outra coisa senão a aceleração do tempo histórico.

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"Doble y vertiginosa sensación: lo que acaba de ocurrir pertenece ya al mundo del infinitamente lejano y, al mismo tiempo, la antigüedad milenaria está infinitamente cerca... Puede concluirse de todo esto que la tradición moderna, y las ideias e imágenes contradictorias que sucita esta expresión, no son sino la consecuencia de un fenómeno aún más perturbador: la época moderna es la de la aceleración del tiempo histórico." (p. 23)
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E o autor nos explica que não é que os anos e os dias passem mais rápidos, é que acontecem mais coisas. Se passam mais coisas no tempo atual e tudo ao mesmo tempo, não uma coisa atrás da outra, mas tudo simultaneamente.

"Aceleración es fusión: todos los tiempos y todos los espacios confluyen en un aquí y un ahora."

COMENTÁRIO: esse conceito me ajuda bastante a entender essa sensação que todos nós dizemos que o tempo estaria passando mais rápido. Muito interessante.

O autor escreveu esta obra nos anos setenta, e nos dá dois exemplos sobre essa questão da aceleração do tempo histórico: a Revolução Soviética e a Revolução Mexicana. Ambas seriam baseadas em rupturas profundas na estrutura e comportamento da sociedade e, meio século depois, já era possível identificar características naquelas sociedades semelhantes àquelas com as quais se pretendiam romper em relação aos regimes anteriores.

E Paz nos mostra o mesmo em relação a arte e a literatura, temas do livro.

"(...) durante el último siglo y medio se han sucedido los cambios y las revoluciones estéticas, pero ¿cómo no advertir que esa sucesión de rupturas es asimismo una continuidad? El tema de este libro es mostrar que un mismo principio inspira a los románticos alemanes e ingleses, a los simbolistas franceses y a vanguardia cosmopolita de la primera mitad del siglo XX." (p. 24)

Ao identificar traços e características que persistem ao longo do tempo nas mais diversas civilizações, independente das distâncias geográficas e históricas, Octavio Paz diz que talvez uma coisa seja a responsável pela permanência de certas características: a natureza humana.

"Tal vez las diferencias culturales e históricas son la obra de un autor único y que cambia poco. La naturaleza humana no es una ilusión: es el invariante que produce los cambios y la diversidad de culturas, historias, religiones, arte." (p. 26)

E para parar a leitura por agora, cito o fim desta parte do primeiro capítulo. 

"La crítica de la tradición se inicia como conciencia de pertenecer a una tradición. Nuestro tiempo se distingue de otras épocas y sociedades por la imagen que nos hacemos del transcurrir: nuestra conciencia de la historia. Aparece ahora con mayor claridad el significado de lo que llamamos la tradición moderna: es una expresión de nuestra conciencia historica. Por una parte, es una crítica del pasado, una crítica de la tradición; por la otra, es una tentativa, repetida una y otra vez a lo largo de los dos últimos siglos, por fundar una tradición en el único principio inmune a la crítica, ya que se confunde con ella misma: el cambio, la historia." (p. 27)

A leitura segue depois...

(É o momento do respiro ideal para sair para correr neste domingo ensolarado e tirar a bunda quadrada da cadeira)

terça-feira, 24 de setembro de 2019

Leitura: Los hijos del limo (1974) - Octavio Paz





Refeição Cultural

Leitura e fichamento da obra

Los hijos del limo - Del romanticismo a la vanguardia


Prefácio

Como se comunicam os poemas? É uma das questões que Paz vai desenvolver na obra, que é uma espécie de continuação da obra anterior dele, de 1956, El arco y la lira.

"Un poema es un objeto hecho del lenguaje, los ritmos, las creencias y las obsesiones de este o aquel poeta y de esta o aquella sociedad. Es el producto de una historia y de una sociedad, pero su manera de ser histórico es contradictoria..." (p. 9)

"el poema no detiene el tiempo: lo contradice y lo transfigura." (p. 9)

Paz nos diz que a contradição entre história e poesia fica bem evidente na idade moderna.

Qual seria a abrangência do termo "do Ocidente" na questão da poesia moderna tratada na obra de Octavio Paz? 

"Apenas si vale la pena aclarar que el término Occidente abarca también a las tradiciones poéticas angloamericanas y latinoamericanas (en sus tres ramas: la española, la portuguesa y la francesa)." (p. 10)

Unidade da poesia moderna ocidental

"Para ilustrar la unidad de la poesía moderna escogí los episodios más salientes, a mi entender, de su historia: su nacimiento con los románticos ingleses y alemanes, sus metaformosis en el simbolismo francés y el modernismo hispanoamericano, su culminación y fin en las vanguardias del siglo XX." (p. 10)

Relações ambíguas entre a poesia moderna e a modernidade

"Desde su origen la poesía moderna ha sido una reacción frente, hacia y contra la modernidad: la ilustración, la razón crítica, el liberalismo, el positivismo y el marxismo. De ahí la ambigüedad de sus relaciones - casi siempre iniciadas por una adhesión entusiasta seguida por un brusco rompimiento - con los movimientos revolucionarios de la modernidad, desde la revolución francesa a la rusa." (p. 10)

Diálogo entre analogia e ironia

"La analogía de los románticos y los simbolistas está roída por la ironía, es decir, por la conciencia de la modernidad y de su crítica de cristianismo y las otras religiones. La ironía se transforma, en el siglo XX en el humor - negro, verde o morado. Analogía e ironía enfrentan al poeta con el racionalismo y el progresismo de la era moderna pero también, y con la misma violencia, lo oponen al cristianismo. El tema de la poesía moderna es doble: por una parte es un diálogo contradictorio con y contra las revoluciones modernas y las religiones cristianas; por la otra, en el interior de la poesía y de cada obra poética, es un diálogo entre analogía e ironía." (p. 11)

Depois vamos ler o primeiro capítulo: "La tradición de la ruptura".