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domingo, 18 de abril de 2010

Refeição Cultural 49

Foto de William Mendes: Plaza de Toros, Madrid, set/09.
Mariátegui, Fidel e Che, Minority Report e caminhada

(Atualizado em 14/6/10)

Pelo menos, não posso reclamar que não li nada hoje, pois li 54 páginas do livro sobre a vida e obra de Mariátegui e li um capítulo do livro sobre Che e Fidel –mais 28 páginas-, livro que ganhei de meus amigos da segunda turma do curso de formação de dirigentes sindicais bancários, curso finalizado na última semana.

Caminhei umas duas horas hoje na "hora" do almoço – almoço dos outros, ou seja, entre uma e três da tarde – e pensei sobre muitas coisas. Pensei sobre o que fazer de minha vida para deixar de ser tão infeliz pessoalmente. Pensei sobre o rumo que dei na minha existência pessoal, estudantil e profissional. Pensei sobre alguma perspectiva futura palatável à minha existência pesada.

Lendo biografias como a desses revolucionários e intelectuais de esquerda que citei acima, vejo o quanto a minha caminhada foi totalmente distinta da deles. Estou com mais de quarenta anos e só estou na militância mais organizada há dez. Tenho buscado conhecer melhor o que somos e de onde viemos, para poder seguir os princípios, premissas e práticas daqueles da geração que me antecedeu.

Mas, ao mesmo tempo que estou nisso – a militância-, vejo o quanto a minha vida pessoal continuou caótica. Sim, porque seria mentira se eu dissesse que foram o movimento e a militância que tornaram a minha vida caótica. Ela sempre o foi, em todos os sentidos – pessoal, estudantil e profissional.

Lendo o livro que ganhei de amigos e que fala da amizade de Fidel Castro e Ernesto Che Guevara, acabo percebendo que eu estou no caminho certo em querer prestar mais atenção a minhas amizades, pois eu não cuido e nunca cuidei de preservar as boas amizades que tenho.

Porém, esse cultivo da amizade que quero fazer me traz problemas domésticos, pois em casa sempre pensam que todos os relacionamentos humanos são movidos a paixões e desejos carnais – problemas acarretados pelo mal-estar do ciúmes. Que coisa triste e inconveniente o ciúmes, mas bastante real em minha vida atual.

Sobre o ato de ler em si mesmo, eu sugiro aos raros leitores de minhas reflexões que LEIAM COMO ATO COTIDIANO E COM ATENÇÃO REFLEXIVA. Acredito piamente que a leitura pode mudar a vida das pessoas, e além de tudo, a leitura pode mudar o mundo. Só a educação para a libertação da mente pode CRIAR GERAÇÕES QUE TRANSIJAM PARA UMA SOCIEDADE SOCIALISTA, MAIS JUSTA, DEMOCRÁTICA E IGUALITÁRIA COM O RESPEITO ÀS DIFERENÇAS.

Não será a educação atual, pública e privada, ocidental e oriental, domesticadora e adestradora que se tem por aí, que mudará a tragédia global de miséria humana e falta de solidariedade e distribuição da grande riqueza material produzida por muitos e retida por poucos, tragédia global que impera no planeta.

Sobre o filme Minority Report – a nova lei, tenho a dizer que acho bem interessantes esses filmes que pensam o futuro, mesmo quando viajam muito na maionese. Algumas coisas já são realidade como, por exemplo, a leitura da retina como identificação das pessoas. Fico pensando em uma das obras futuristas que mais admiro: Admirável mundo novo, de Aldoux Huxley, de 1931, o livro é demais!


TAGS: AMAUTA, MARIÁTEGUI, FIDEL CASTRO, ERNESTO CHE GUEVARA, BIOGRAFIAS, REFEIÇÃO CULTURAL, ESPORTE E SAÚDE, LEILA ESCORSIM

quarta-feira, 8 de julho de 2009

Mariátegui, vida e obra - Leituras e estudos


(atualizado em 18/04/10)

Mariátegui está na Itália no início da década de 20 do século XX.

O PSI - Partido Socialista Italiano - se reúne em Livorno para o XVII Congresso. Três correntes disputam o controle. A comunista, a reformista e a centrista.

A Centrista de Menotti Serrati conquista a maioria e recusa-se a aceitar apenas 2 condições das "21 condições" que a Terceira Internacional exigia para reconhecer os partidos vinculados a ela.

(As 21 condições para o ingresso na Internacional Comunista foram estabelecidas no II Congresso da IC - 9 de julho a 7 de agosto de 1920. A IC foi criada em 1919 e estimulava o rompimento das frações comunistas nos partidos socialistas, socialdemocratas ou operários)

As duas condições são: a denominação do partido ser "Comunista" e não "Socialista" e a condição de expulsar as minorias reformistas. Ambas foram recusadas pelo PSI.

Mariátegui assistiu aos eventos de Livorno e se identificou com os comunistas, que em 21 de janeiro de 1921 fundaram o PCI. O diário L'Ordine Nuovo passa a ser o órgão oficial do partido.

Pouco tempo depois, Serrati expulsa os reformistas do PSI e mais adiante ingressa no PCI.

Mariátegui vê no Fascismo: "é a ação ilegal das classes conservadoras, temerosas da insuficiência da ação legal do Estado, em defesa da sua subsistência. É a ação ilegal burguesa contra a possível ação ilegal socialista: a revolução" p.89

É impressionante a visão de Mariátegui sobre o fascismo, pois, apesar de morrer em 1930, ele já previa a forte ascensão do fascismo em Portugal, Espanha, Alemanhã, Itália e Áustria.

Ele define o fascismo como uma reação antibolchevique, financiado pelas burguesias europeias.

É muito forte a crítica que Mariátegui faz ao servilismo dos intelectuais ao poder. Critica a adesão de Gentile, D'Annunzio, Marinetti e Pirandello ao fascismo.

"A inteligência é essencialmente oportunista. O papel dos intelectuais na história resulta, na realidade, muito modesto. Nem a arte, nem a literatura, apesar de sua megalomania, dirigem a política; dependem dela, como outras tantas atividades menos sofisticadas e menos ilustres. Os intelectuais constituem a clientela da ordem, da tradição, do poder, da força etc. e, em caso de necessidade, do porrete e do óleo de rícino" (Mariátegui, 1975a: p.27) p.91 de Escorsim.

Mariátegui observa uma tendência dos intelectuais que em geral são "refratários à disciplina, ao programa e ao sistema. Sua psicologia é individualista e seu pensamento é heterodoxo. Neles, sobretudo, o sentimento da individualidade é excessivo e transbordante" (Mariátegui, 1975a: p.154) p. 92 de Escorsim.

COMENTÁRIO: lembrei-me de um livro fantástico que li em 2008 do intelectual Edward W. Said - "Representações do intelectual". O livro é uma aula de humanismo e do verdadeiro papel que os intelectuais deveriam desenpenhar para a melhoria das sociedades e da vida dos homens.

Bibliografia:
ESCORSIM, Leila. Mariátegui - Vida e Obra. Editora Expressão Popular. 1a edição, Rio de janeiro, 2006.

terça-feira, 2 de junho de 2009

Leitura de Mariátegui, vida e obra - Leila Escorsim



Refeição Cultural

Lendo o capítulo III

As concepções marxistas de Mariátegui

Mariátegui considera o Tratado de Versalhes (ver aqui) um "Tratado de guerra" pois "a paz de Versalhes é o ponto de partida de todos os problemas econômicos e políticos de hoje (1923). O Tratado de Paz de Versalhes não deu ao mundo a tranquilidade nem a ordem que dele esperavam os Estados. Ao contrário: trouxe novas razões de inquietude, de desordem e de mal-estar. Nem sequer pôs definitivamente fim às operações bélicas. Essa paz não pacificou o mundo. Depois de firmá-la, a Europa continuou em armas - e até enfrentando-se e ensanguentando-se parcialmente. Assistimos hoje mesmo à ocupação do Ruhr (ver aqui), que é uma operação militar e cria entre a França e a Alemanha uma situação pré-bélica. O Tratado não merece, portanto, o nome de tratado de paz. Merece, sobretudo, a designação de tratado de guerra" (Mariátegui)

Mariátegui tem uma clareza fantástica de que é o poder econômico que estabelece o poder político.

"O poder político é uma consequência do poder econômico. A plutocracia europeia e norte-americana não tem nenhum medo dos exercícios dialéticos dos políticos democratas. Quaisquer dos trustes ou dos carteis industriais da Alemanha e Estados Unidos influem na política de sua respectiva nação mais que toda a ideologia democrática..." (Mariátegui)

(e essa visão ele já a tinha na década de 20, heim!)

O limite da democracia esbarra em não mexer com o poder dos poderosos.

"atualmente, a intensificação da luta de classe, o agravamento da guerra social, acentuou esta crise da democracia. O proletariado tenta o assalto decisivo ao Estado e ao poder político para transformar a sociedade. Seu crescimento nos parlamentos ameaça a burguesia. Os instrumentos legais da democracia resultaram insuficientes para conservar o regime democrático. O conservadorismo necessita apelar à ação ilegal, aos meios extralegais" (Mariátegui)

Sempre vimos isso. As classes dominantes em geral têm o controle dos "processos democráticos". Quando o povo subverte "a ordem" e elege mais do que o tolerado, logo se organiza uma forma de derrubar os governos e parlamentos mais representativos do povo e acaba-se com essa "brincadeira" de democracia.

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COMENTÁRIO: Nós já vimos isso em um passado recente com João Goulart no Brasil, com Salvador Allende no Chile etc. Nestes dias (julho de 2009) estamos vendo o golpe militar em Honduras, que depôs Manuel Zelaya. Pelo menos desta vez, nem os EUA estão apoiando os militares golpistas.

Tem uma observação da autora sobre o que Mariátegui afirma a respeito do liberalismo "de fachada" que me faz lembrar os liberais e "democratas" brasileiros representados pelo PSDB, DEM e PMDB.

Ela pede que observemos o que Mariátegui se refere quando diz "Liberalismo e conservadorismo são hoje duas escolas políticas superadas e deformadas*. Atualmente, não assistimos a um conflito dialético entre o conceito liberal e o conceito conservador, mas a um contraste real, a um choque histórico entre a tendência a manter a organização capitalista da sociedade e a tendência a substituí-la por uma organização socialista e proletária" (Mariátegui)

*Isto indica que o liberalismo não tem continuação e atualidade senão em um plano puramente intelectual e filosófico e que, se se desce ao terreno da política prática e concreta, o liberalismo está representado por conservadores, atentos somente à sua técnica administrativa e econômica e carentes de seu espírito revolucionário, obstinados na tarefa reacionária de resistir ao socialismo [...]" (idem)

E aí, não parece estar descrevendo o Serra, Aécio ou outro liberalzinho de fachada?


Bibliografia:

ESCORSIM, Leila. Mariátegui - Vida e Obra. Editora Expressão Popular. 1a edição, Rio de Janeiro, 2006.

quarta-feira, 6 de maio de 2009

O pensamento de Mariátegui, o Amauta



Refeição Cultural

Lendo algumas passagens dos pensamentos de Mariátegui (ler sobre ele aqui), citados no livro de Leila Escorsim, fiquei surpreso com a maturidade do intelectual em afirmar os benefícios civilizatórios advindos do sistema capitalista, mesmo sendo um ícone da esquerda.

Neste debate ideológico entre esquerda e direita, capitalismo e socialismo, as coisas são muito apaixonadas e maniqueístas, de modo que dificilmente vemos nos intelectuais orgânicos estas franquezas a respeito do lado adversário do embate.

"O socialismo pressupõe a técnica, a ciência, a etapa capitalista e não pode implicar no menor retrocesso na aquisição das conquistas da civilização moderna - pelo contrário: tem de implicar na máxima e metódica aceleração da incorporação dessas conquistas na vida nacional" (excertos de Mariátegui no livro de Escorsim).

Aqui, ele faz comentários a respeito de pensar o socialismo no Peru sem deixar de observar a realidade objetiva dos anos de 1920:

"Ele (Valcárcel) quer que repudiemos a corrompida, a decadente civilização ocidental. [...] Nem a civilização ocidental está tão esgotada e putrefata, como Valcárcel supõe, nem - uma vez adquirida a sua experiência, a sua técnica e as suas ideias - o Peru pode renunciar misticamente a tão válidos instrumentos da força humana para regressar, com áspera intransigência, aos seus antigos mitos agrários. A Conquista, perversa [...] foi um fato histórico. Contra os fatos históricos, pouco ou nada podem as especulações abstratas da inteligência ou as concepções puras do espírito. A história do Peru não é senão uma parcela da história humana. Em quatro séculos, formou-se uma realidade nova. Criaram-na os aluviões do Ocidente. É uma realidade frágil. Porém, é, de toda a maneira, uma realidade. Seria excessivamente romântico decidir-se hoje a ignorá-la" (Mariátegui)


Bibliografia:

ESCORSIM, Leila. Mariátegui - Vida e Obra. Editora Expressão Popular. 1a edição Rio de Janeiro, 2009.

Mariátegui, vida e obra - Leila Escorsim



Refeição Cultural


Estou lendo este livro da editora Expressão Popular.

Confesso que até semanas atrás, eu nunca havia ouvido falar deste marxista peruano. São as minhas eternas lacunas culturais.

Bom, agora já sei alguma coisa. Saberei mais à medida em que a leitura avançar.

Vivendo e aprendendo. Buscando conhecimento para mudar a nossa realidade até o fim dos dias.


Bibliografia:

ESCORSIM, Leila. Mariátegui - Vida e Obra. 1a edição, de 2006, Rio de Janeiro.