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segunda-feira, 30 de dezembro de 2019

Leitura: Cacau (1933) - Jorge Amado




Refeição Cultural

"Tentei contar neste livro, com um mínimo de literatura para um máximo de honestidade, a vida dos trabalhadores das fazendas de cacau do sul da Bahia.
     Será um romance proletário?" (Nota no início do romance de J. Amado. Rio, 1933)


A leitura deste romance de Jorge Amado, cuja estória se passa no início dos anos trinta, se deu num contexto de muita identificação da realidade brasileira atual com o enredo retratado no livro. A condição de miséria absoluta dos trabalhadores nas plantações de cacau volta a ser um retrato do país após o golpe de Estado de 2016.

Enormes contingentes de homens e mulheres trabalhando no eito em condições insalubres, recebendo soldos que não são suficientes sequer para pagarem a conta de suas próprias alimentações, adquiridas nas fazendas mesmo, e quanto mais tempo ficam trabalhando para os fazendeiros, mas ficam devendo. 

É um regime de escravidão, ontem e hoje. O que era a prática dos anos trinta volta a se repetir com mais intensidade no século 21, sob novo regime político, posterior ao golpe de Estado; regime que passou a vigorar a favor de banqueiros, empresários e ruralistas e totalmente subserviente aos Estados Unidos; trata-se dos governos de Temer e do clã Bolsonaro.

A realidade dos pobres no Brasil só foi diferente em séculos durante um curto intervalo de tempo: os governos do Partido dos Trabalhadores, em três mandatos presidenciais - com Lula e Dilma -, quando os pobres foram incluídos no orçamento do Estado, com políticas definidas e voltadas para melhorar a vida do povo. Isso acabou quando corruptos de colarinho branco, ocupando cargos nos 3 poderes, cassaram o mandato do PT e então voltamos à barbárie.

PARA POBRES, ANOS 80 ERAM COMO OS ANOS 30: O VIVER DAS GENTES É QUASE NA CONDIÇÃO DE BICHO

"Nove horas da noite o silêncio enchia tudo e a gente se estirava nas tábuas que serviam de cama e dormíamos um sono só, sem sonhos e sem esperança. Sabíamos que no outro dia continuaríamos a colher cacau para ganhar três mil e quinhentos que a despensa nos levaria. Aos sábados íamos a Pirangi por o sexo em dia. Alguns levavam meses sem sair da fazenda e se satisfaziam nas éguas da tropa. Mineira, a madrinha da tropa, era viciada e disputada. Os meninos desde garotos se exercitavam nas cabras e ovelhas." (AMADO, 1981, p. 47)

Eu cresci em Minas Gerais, já nos anos oitenta, e me lembro de toda essa miséria quando convivia com primos e conhecidos no Triângulo Mineiro. Apesar de vivermos em região urbana, tinha familiares que trabalhavam em fazendas e roças. Não era a minha rotina, mas cheguei a ir com eles capinar e fazer serviços por empreitada. Duríssimo o trabalho de sol a sol na roça, no mato, sem protetor solar e coisas do tipo.

Ao vivermos na cidade, os trabalhos disponíveis eram duros, porém acho que eram menos pesados ou insalubres que os das fazendas. Era o trabalho em construções, de servente ou de ajudante geral. Eu fui ajudante de encanador, quebrava concreto e paredes. Era ruim o serviço: me marcou bastante lidar com marreta, ponteiro e talhadeira, bolhas nas mãos e cheiro de merda dos outros.

"Nós ríamos. E não sei por que a riqueza não nos tentava muito. Nós queríamos um pouco mais de conforto para a nossa bem grande miséria. Mais animais do que homens, tínhamos um vocabulário reduzidíssimo onde os palavrões imperavam. Eu, naquele tempo, com os outros trabalhadores, nada sabia das lutas de classes. Mas adivinhávamos qualquer coisa." (AMADO, 1981, p. 48)

VIOLÊNCIA CONTRA OS DESPOSSUÍDOS DE RECURSOS

"Foi numa dessas carreiras que um garoto bateu num cacaueiro e derrubou um fruto verde. O coronel, que olhava da varanda, voou em cima do menino, que ante o tamanho do seu crime parara boquiaberto. Mané Frajelo suspendeu o criminoso pelas orelhas:
     - Você pensa que isso aqui é de seu pai, seu corneta? Comem e só fazem destruir as plantações, gente desgraçada.
     Uma tábua de caixão, abandonada perto, serviu de chicote. O garoto berrava. Depois, dois pontapés.
     Colodino fechava os olhos e cerrava os punhos. Mas ficávamos todos parados, sem um gesto. Era o coronel quem batia e demais o castigado derrubara um coco de cacau. De cacau... Maldito cacau..." (AMADO, 1981, p. 87)

CONSCIÊNCIA DE CLASSE

"- Por que você não matou Colodino? Porque queria bem a ele?
     - Eu gostava de Colodino... Mas eu não queimei o bruto porque ele era alugado como a gente. Matá coroné é bom, mas trabaiadô não mato. Não sou traidô...
     Só muito tempo depois soube que o gesto de Honório não se chamava generosidade. Tinha um nome mais bonito: Consciência de Classe." (AMADO, 1981, p. 121)

ESPERANÇA

O final da estória é um sinal de esperança, da ação de esperançar, haja vista que entre o amor carnal e o amor pelo próximo, pela causa dos companheiros de labuta e de destino, as personagens do eito optam pela luta, pelo amor aos seus pares. Nem tudo está perdido.

Estamos precisando muito desses gestos e desse despertar nos milhões de trabalhadores do novo eito, as pessoas invisíveis dos call center e dos aplicativos que se arriscam por aí em bicicletas, em velhas motos e em seus próprios carros ou alugados servindo como motoristas, os novos escravos sem direito a nada, que seguem gastando pra comer mais do que ganham pra trabalhar.

Cacau é ontem, Cacau é hoje.

William

Bibliografia:

AMADO, Jorge. Cacau. 37ª edição. Editora Record: Rio de Janeiro, 1981.

sábado, 26 de agosto de 2017

Leitura: Olhos D'Água (2014) - Conceição Evaristo




(atualizado às 14h24, de 14/12/19)

Refeição Cultural

"O nosso povoado infértil morria à míngua e mais e mais a nossa vida passou a desesperançar...

(Ayoluwa, a alegria de nosso povo, conto de Conceição Evaristo)


Tive meu primeiro contato com a obra da autora mineira Conceição Evaristo em maio deste ano de 2017. Após ler uma matéria no site da revista Carta Capital a respeito de uma exposição dela, comprei alguns livros de sua autoria. Li Ponciá Vicêncio (2003) e achei a leitura profunda. (comentário AQUI)

Semanas atrás, refleti que não poderia continuar no ritmo de leituras literárias neste semestre como consegui no anterior, por causa de dificuldades diversas já previstas em minha agenda neste período. Decidi focar na leitura de ao menos um livro clássico e muito citado como referência naquilo que seriam as relações sociais em nosso País. Trata-se de Casa-grande & Senzala (1933), de Gilberto Freyre. A empreitada será lenta e já estou nela (comentário AQUI).

Após mais uma cansativa e produtiva semana de trabalho na gestão e defesa de nossa Cassi, estou sozinho em nossa casa em Osasco, neste fim de semana. Como não dá para ficar carregando para lá e para cá um livrão daqueles (do Freyre), levo a tira-colo um livrinho mais leve para oportunidades de alimentos d'alma. Foi o caso do livro de Evaristo que acabei de ler nesta manhã de sábado.

O livro Olhos D'Água é um livro que reúne 17 contos da autora. Li os primeiros em voos por aí. As estórias são duras, muito duras. Nos levam às lágrimas. Nos dão socos no estômago. Mas são leituras necessárias, haja vista que retratam a mesma realidade que vemos ou fazemos de conta que não vemos ao nosso redor - sobre pessoas carentes, em condição de miséria, em sua maioria negros e negras.

Ao ler os contos "Di Lixão" e "Lumbiá", lembrei-me das denúncias sociais do nosso querido autor baiano Jorge Amado, em Capitães da areia (1937): comentário AQUI. Em relação à tristeza que perpassa todas as estórias de Olhos D'Água, pensei muito na semelhança da condição social das personagens do fantástico livro do autor mexicano Juan Rulfo, Pedro Páramo (1955). Tenho alguns comentários sobre esta obra no Blog (ler AQUI).

A condição para a qual caminha o nosso querido Brasil e o seu sofrido povo nos toca mais ainda ao ler cada conto trágico que Conceição Evaristo nos apresenta. 

Mas, ao mesmo tempo em que a tônica das leituras nos leva à condição do título da obra "Olhos D'Água", algumas estórias nos despertam a esperança. Eu adorei e fiquei refletindo muito na possibilidade despertada na personagem Cida em "O cooper de Cida". 

"Mas naquele dia, a semidesperta manhã inundava Cida de um sentimento pachorrento, de um desejo de querer parar, de não querer ir. Sem perceber, permitiu uma lentidão aos seus passos e pela primeira vez viu o mar..." (EVARISTO, 2017, p. 67)

Também nos dá um sentimento de obrigação de resistir e lutar e vencer a desesperança quando lemos o conto "Ayoluwa, a alegria de nosso povo".

"Ninguém se assustou. Sabíamos que estávamos parindo em nós mesmos uma nova vida. E foi bonito o primeiro choro daquela que veio para trazer a alegria para o nosso povo. O seu grito, comprovando que nascia viva, acordou todos nós. E partir daí tudo mudou. Tomamos novamente a vida com as nossas mãos..." (EVARISTO, 2017, p. 114)


Amig@s leitores, assim como na ficção literária, que se confunde com a nossa realidade muitas vezes, eu alimento todos os dias a esperança que, de um instante ao outro, as pessoas acordem para a dura realidade de destruição de nosso mundo por parte dos golpistas que tomaram de assalto o nosso País e a reação popular comece em cadeia, retomando na luta o Estado para o povo brasileiro.

Os contos de Evaristo me tocaram profundamente.

William


Bibliografia:

EVARISTO, Conceição. Olhos d'água. 1ª edição, 4ª reimpressão - Rio de Janeiro: Pallas: Fundação Biblioteca Nacional, 2017.

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Post Scriptum (14/12/19):

Reli o livro de Conceição Evaristo. Que obra tocante! Que momento para ler os contos deste livro! O Brasil de agora é o Brasil da volta ao mapa da fome, da miséria explodida, com metade da população - mais de 100 milhões de pessoas - "quase-vivendo" com cerca de 400 reais por mês. Com o golpe de Estado em 2016, com o novo regime iniciado com as fraudes eleitorais em 2018, que deram num governo da milícia, da morte, tanto na República quanto em diversos Estados, "quase-vivemos" numa realidade de governadores mandando darem tiros na cabecinha, metralharem favelas de cima, dos helicópteros... nesse cenário de 2019 adiante, as personagens de "Olhos d'água" são as nossas vítimas reais: Ágatha (do complexo do Alemão - RJ), Lucas (de Santo André - SP)... são tantos e tantos personagens de tragédias reais que se confundem com as tragédias ficcionais!

terça-feira, 24 de janeiro de 2017

Leitura: Mar Morto (1936) - Jorge Amado


Jorge Amado. Acervo Fundação Casa de Jorge Amado.

Refeição Cultural

"Do mar vem a música, vem o amor e vem a morte..." (Mar Morto, Jorge Amado)


Dentre as leituras que escolhi para este mês de janeiro - estou em férias -, além das fáusticas, elenquei alguns autores e contextos relacionados ao Nordeste brasileiro. Já li João Cabral de Melo Neto e li nesta segunda-feira (23) dois livros clássicos de Manuel Bandeira: Libertinagem (1930) e Estrela da Manhã (1936). São livros que marcam mudanças na poética de nosso querido poeta pernambucano.

Eu havia lido o romance Mar Morto, de Jorge Amado, quando era adolescente. Foi um dos períodos mais marcantes de minha vida. O contexto miserável de nosso país nos anos oitenta recheia aquela época de minha primeira leitura.

Reli entre os dias 15 e 21 de janeiro esta obra da primeira fase da carreira de Jorge Amado, fase de forte denúncia social, e novamente fiquei muito tocado por ela. Comecei a leitura olhando para o mar de Porto de Galinhas, em Pernambuco, e fui terminar de lê-la em Brasília.

Na leitura de alguns poemas de Manuel Bandeira, vieram-me à mente as histórias e causos dos marítimos, daqueles que vivem do mar. A obra de Bandeira é contemporânea do romance de Jorge Amado. No livro Estrela da Manhã (1936), temos os poemas "Marinheiro Triste" e "D. Janaína".


"D. JANAINA

D. Janaína
Sereia do mar
D. Janaína
De maiô encarnado
D. Janaína
Vai se banhar.

D. Janaína
Princesa do mar
D. Janaína
Tem muitos amores
É o rei do Congo
É o rei de Aloanda
É o sultão-dos-matos
É S. Salavá!

Saravá saravá
D. Janaína
Rainha do mar!

D. Janaína
Princesa do mar
Dai-me licença
Pra eu também brincar
No vosso reinado."

(Estrela da Manhã, 1936, Manuel Bandeira)

Consegui ler a mesma edição
que li décadas atrás.
Meu primo deu ela pra mim.

DESTINOS IGUAIS (E IMUTÁVEIS)

"E, se numa noite, lhe viessem trazer a notícia de que Guma estava no fundo do mar e o Valente vagava sem rumo, sem leme, sem guia? Só então ela sentia toda a dor de Judith, se sentiu totalmente sua irmã, irmã também de Maria Clara, de todas as mulheres do mar, mulheres de destinos iguais: esperar numa noite de tempestade a notícia da morte de um homem."


DESPEDIDAS SÃO LONGOS ADEUSES

"Quando se despedem das mulheres não dão rápidos beijos, como os homens da terra que vão para os seus negócios. Dão adeuses longos, mãos que acenam, como que ainda chamando."


IEMANJÁ DOS CINCO NOMES - Iemanjá, dona das águas, senhora dos oceanos; Janaína, dos canoeiros; Inaê ou Princesa de Aiocá, dos pretos, seus filhos mais diletos; e Dona Maria, como a tratam as mulheres do cais.

"Lívia pensa com raiva em Iemanjá. Ela é a mãe-d'água, é a dona do mar, e por isso, todos os homens que vivem em cima das ondas a temem e a amam. Ela castiga. Ela nunca se mostra aos homens a não ser quando eles morrem no mar (...) a mãe-d'água é loira e tem cabelos compridos e anda nua debaixo das ondas, vestida somente com os cabelos que a gente vê quando a lua passa sobre o mar."


IEMANJÁ MORA NA BAHIA

"O oceano é muito grande, o mar é uma estrada sem fim, as águas são muito mais que metade do mundo, são três quartas partes, e tudo isso é de Iemanjá. No entanto, ela mora é na pedra do Dique do cais da Bahia ou na sua loca em Monte Serrat. Podia morar nas cidades do Mediterrâneo, nos mares da China, na Califórnia, no mar Egeu, no golfo do México. Antigamente ela morava nas costas da África, que dizem que é perto das terras de Aiocá. Mas veio para a Bahia ver as águas do rio Paraguaçu. E ficou morando no cais, perto do Dique, numa pedra que é sagrada. Lá ela penteia os cabelos (vêm mucamas lindas com pentes de praia e marfim), ela ouve as preces das mulheres marítimas, desencadeia as tempestades, escolhe os homens que há de levar para o passeio infindável no fundo do mar. E é ali que se realiza a sua festa, mais bonita que todas as procissões da Bahia, mais bonita que todas as macumbas, que ela é dos orixás mais poderosos, ela é dos primeiros, daqueles de onde os outros vieram..."


COSMOGONIA BAIANA

"Iemanjá é assim terrível porque ela é mãe e esposa. Aquelas águas nasceram-lhe no dia em que seu filho a possuiu. Não são muitos no cais que sabem da história de Iemanjá e de Orungã, seu filho. Mas Anselmo sabe e também o velho Francisco. No entanto, eles não vivem contando essa história, que ela faz desencadear a cólera de Janaína. Foi o caso que Iemanjá teve de Aganju, deus da terra firme, um filho, Orungã, que foi feito deus dos ares, de tudo que fica entre a terra e o céu. Orungã rodou por estas terras, viveu por esses ares, mas o seu pensamento não saía da imagem da mãe, aquela bela rainha das águas. Ela era mais bonita que todas e os desejos dele eram todos para ela. E um dia, não resistiu e a violentou. Iemanjá fugiu e na fuga seus seios romperam, e assim, surgiram as águas, e também essa Bahia de Todos os Santos. E do seu ventre, fecundado pelo filho, nasceram os orixás mais temidos, aqueles que mandam nos raios, nas tempestades e trovões..."


ANOS 30... NA ESPERANÇA DE UM FUTURO MELHOR

" - Você nunca imaginou esse mar cheio de saveiros limpos, com marítimos bem alimentados, ganhando o que merecem, as esposas com o futuro garantido, os filhos na escola não durante seis meses, mas todo o tempo, depois indo aqueles que têm vocação para as faculdades? Já pensou em postos de salvamento nos rios, na boca da barra? Às vezes eu imagino o cais assim..."

COMENTÁRIO: com políticas públicas e vontade política, vimos isso no início do século 21 e sabemos que é possível melhorar a vida do povo mais pobre e humilde, dependente do Estado.


A ETERNA QUESTÃO DA CULTURA DA RAÇA BRANCA

" - É só você pedir a Rufino.
- Aquele? E quero lá filho de negro! Estou precisando de um filho de gente mais branca do que eu para melhorar a família..."


TRAGÉDIAS COTIDIANAS DO DIA A DIA DO MAR

"Alcançavam a boca da barra. Destroços de três saveiros boiavam. O temporal tentava naufragar os que vinham salvar. Pessoas seguravam-se em pedaços de tábua, nos cacos dos saveiros. E gritavam, choravam, menos Paulo que era mestre de um dos saveiros naufragados e segurava uma criança nos braços. Os tubarões já tinham pegado dois e de um terceiro arrancaram a perna. Mestre Manuel começou a recolher gente no seu saveiro. Outros faziam o mesmo, mas nem sempre era fácil, os saveiros iam e vinham, alguns náufragos se soltavam das tábuas onde se seguravam e não tinham tempo de alcançar o saveiro, desapareciam no fundo da água. Paulo entregou a criança a Manuel. Quando entrou para o saveiro disse:

- Era cinco. Só ficou esse..."


Comentário Final

MAR MORTO? NAVEGAMOS NA POLÍTICA DE INCLUSÃO E NAUFRAGAMOS... E AGORA, JOSÉ?

Nesta quadra da história em que estamos, no pós crash do subprime de 2008, no pós golpe de estado no Brasil, com alguns magnatas e suas corporações que detêm a riqueza da metade da população mundial, "pessoas" jurídicas que desconsideram a existência de países, povos e ecossistemas, na era da pós-verdade, determinada pela capacidade dos detentores de maior poder de imposição/influência de seus desejos sobre a maioria, onde pouco importam as verdades factuais, enfim, que posso esperar para o amanhã dos milhões e bilhões de humanos não incluídos no 1% que brinca com o tabuleiro-mundo?

As ferramentas de manipulação de massas estão com os donos do mundo (1%). Eles não só mantêm a massa pacificamente e bovinamente amestrada, criando pautas que encobrem e desviam a atenção, com pão e circo e consumos de porcarias que afagam desejos epicuristas, como também adestram a massa humana para defender a ideologia da classe dominante (o 1%).

E agora, José?


William


Bibliografia:

AMADO, Jorge. Mar Morto. Círculo do Livro. 

domingo, 13 de abril de 2014

Fotografias: Estação da Luz - SP


Quando: 2012

Eu gosto muito de prédios, igrejas e construções antigas em geral. Estas fotos são de um passeio que fiz com minha esposa ao Museu da Língua Portuguesa em 2012. Vou destacar aqui a belíssima Estação da Luz.

A chegada ao prédio. Ele é muito imponente.
Veja a torre do relógio.

Segundo a Wikipédia, a Estação foi inaugurada em 1867. Velhinha, não?

Nossa estação é tão bonita quanto a que vi lá
em Toledo, Espanha.

Observem, abaixo, o quanto o acabamento da construção está bonito e bem cuidado.

Acabamento na parte externa da estação.

A Estação abriga o Museu da Língua Portuguesa. Abaixo, vemos a entrada do Museu.

Entrada do Museu da Língua Portuguesa.

O casal visitando o museu para ver a exposição de Jorge Amado, além da exposição permanente.

Professora Noni e o filho do meu pai.

Agora, vemos da janela do Museu, a Pinacoteca em frente à Estação da Luz. Outra bela construção.

Prédio da Pinacoteca do Estado.

Foto antiga da Estação, da época em que circulavam bondes e carroças no seu entorno.

Foto da Estação exposta no Museu.

Visão interna da Estação mostra o quanto ela está conservada atualmente. A população agradece!

Bela composição das colunas, intercaladas
com tijolinhos e janelas.

Mais uma foto, destacando o acabamento lá em cima.

Outra foto externa, feita da calçada, destacando as portas em arcos, a marquise e a torre do relógio.

Estação da Luz. Visão externa.

Porta em madeira da Estação. Não fica devendo nada para algumas que vi na Espanha e Itália.

Uma das portas da Estação da Luz - SP.

Observem que lindo é o acabamento interno, inclusive, na simplicidade das luminárias.

Parte interna do saguão da Estação da Luz - SP.

Aqui, vemos o acabamento em alto estilo no topo das colunas, além do conjunto em geral.

Olha que colunas, que lustre simples e bonito.
Estação da Luz - SP.

Agora, vemos onde os passageiros acessam aos trens diariamente.

Acesso aos trens na Estação da Luz - SP.

Casal observa as chegadas e partidas dos trens na Estação mais bela de São Paulo.

Noni e William na Estação da Luz - SP.

E, por fim, placa comemorativa lá do ano de 1967, no centenário da Estação da Luz. Conheço uma pessoa que nasceu neste ano...



Nossa Estação da Luz é muito bonita. São Paulo tem muitas obras importantes e imponentes. Falta mesmo é maior cuidado por parte de nossos governantes e de nossa população no uso e preservação do nosso patrimônio histórico.

Recomendo a visita e não deixem de ir ao Museu da Língua Portuguesa, inclusive no último andar do Museu, porque é uma experiência sensitiva diferente com a língua e nossas linguagens.


Post Scriptum (30/1/17):

Depois desta postagem ocorreu uma tragédia na Estação da Luz, o Museu da Língua Portuguesa pegou fogo e tudo foi perdido. Ainda hoje, não há previsão de reconstrução do local.

domingo, 29 de abril de 2012

Visita ao Museu da Língua Portuguesa


Vista da Estação da Luz a partir da entrada
do Museu da Língua Portuguesa.
Foto de William Mendes.

Este sábado foi um dia bem aproveitado para ganhar novos conhecimentos e diminuir minhas lacunas culturais.


Vista da área dos trens metropolitanos. 
Foto de William Mendes.

Fomos visitar o Museu da Língua Portuguesa na Estação da Luz. Tanto valeu pela visita ao museu que está com a exposição do nosso grande escritor Jorge Amado, quanto pela visita à magnífica construção da Estação da Luz, obra arquitetônica de mais de um século feita em estilo inglês e que enche os olhos pela beleza interna e externa.


Vista interna da Estação da Luz, 
na entrada para os trens e o metrô.
Foto de William Mendes.

Para vocês terem uma ideia de quanto minha dívida era antiga para comigo mesmo, o museu foi inaugurado em 2006 e até hoje eu não tinha ido lá. Perdi exposições itinerantes como as de Machado de Assis e Guimarães Rosa, dois autores pelos quais tenho grande admiração.


Vista panorâmica da estação de trens na Estação da Luz.
Foto de William Mendes.

A EXPERIÊNCIA DO TERCEIRO ANDAR

Nós quase deixamos de ir ao 3º andar e felizmente fomos até lá. A sessão é de uns 30 minutos, sendo:


- Auditório: Projeção de um filme de 10 minutos sobre as origens da Língua Portuguesa falada no Brasil e,

- Praça da Língua: Espécie de “planetário da Língua”, composto por imagens projetadas e áudio. Uma antologia da literatura criada em Língua Portuguesa, com curadoria de José Miguel Wisnik e Arthur Nestrovski. 

Tive o privilégio de ser aluno do professor Wisnik em literatura brasileira sobre o modernismo.

O imperdível 3º andar.
Tanto o filme breve quanto a experiência na praça são FANTÁSTICOS! Recomendo aos visitantes que forem visitar o museu que não deixem de ir na sessão do 3º andar. Eu fiquei emocionado do começo ao fim, até porque fui estudante de letras e sou apaixonado pelo mundo da língua e da linguagem.




O SEGUNDO ANDAR

Muita história para aprender sobre 
o diferencial humano da fala...
Foto de William Mendes.

A exposição permanente sobre a história das línguas e sobre a Língua Portuguesa merece mais visitas porque não dá tempo de ler e curtir tudo com a devida atenção.

A EXPOSIÇÃO DE JORGE AMADO

Todos os jorges...
Foto de William Mendes.

Quanto à exposição de nosso grande escritor, fica o desejo de seguir lendo e descobrindo suas obras. Li quase nada dele até hoje: Mar morto (1936) e Capitães da areia (1937), de sua primeira fase de forte denúncia social e A morte e a morte de Quincas Berro Dágua (1959) da fase onde ele mistura a denúncia social com erotismo e humor irônico.

Tenho mais uns quatro livros em casa de Jorge Amado para ler. O problema é minha função social atual que me toma 24 horas da vida.

Final de passeio e promessa de voltas à Estação da Luz!
Foto de William Mendes.


Quanto ao Museu da Língua Portuguesa, TUDO DE BOM!!!


William


Post Scriptum (24/jan/17):

Foi triste reler esta postagem e lembrar que um incêndio de grande proporção destruiu o Museu da Língua Portuguesa, na Estação da Luz. Não sei quando é que voltaremos a ter, e se voltaremos a ter, essa maravilha.

domingo, 8 de abril de 2012

Capitães da Areia - O filme (2011)


Poster do filme.

Seguindo o ritual que prefiro de primeiro ler a obra para depois ver o filme, quando se trata de filmes baseados em obras literárias, assisti ao filme Capitães da Areia baseado na obra homônima de Jorge Amado, de 1937 - que li em janeiro deste ano.

Leia AQUI meus comentários sobre o livro.

O filme é de 2011 e foi dirigido por Cecília Amado, neta de Jorge Amado.

Gostei do filme, gostei da meninada que interpreta os personagens da obra e gostei muito da trilha sonora do filme sob a responsabilidade de Carlinhos Brown.

Esta obra é da primeira fase de Jorge Amado, dos anos 30 e 40, onde o forte é a denúncia social de forma direta e sem disfarce.

Para não ficar só no elogio, acho que talvez falte alguma coisa para o telespectador que não conheça o livro, pois a meninada tem uma história que não fica evidenciada na rapidez natural do filme, que concentra alguns episódios do livro como a aventura a cargo de Pedro Bala em recuperar na cadeia o santo do candomblé; a batalha contra a gangue rival; a prisão e fuga de Bala e Dora etc.

Um dos episódios que mais me tocaram no livro foi sobre Sem-Pernas, que tem inclusive destino diferente no filme em relação ao livro.

FOTOGRAFIA

Belíssima cena do Carrossel!

Gostei bastante da parte visual do filme. A cena do carrossel é maravilhosa!

As cenas dos meninos na cidade de Salvador também são inclusivas, nos colocam lá.

É um filme para ver mais vezes, na minha opinião.

William


sábado, 10 de março de 2012

A morte e a morte de Quincas Berro Dágua (1959) – Jorge Amado


Capa de minha edição.

CLÁSSICO BRASILEIRO de 1959


Li nesta semana (entre idas e vindas em transporte urbano) mais uma obra de Jorge Amado, para ver em seguida o filme brasileiro baseado na história, pois sempre que penso em assistir a um filme baseado em livros, gosto de ler o livro antes.

Tem filmes famosos que não vi até hoje porque não li o livro. Querem exemplos? Moby Dick, As vinhas da Ira etc. Outro exemplo recente é o filme também baseado na obra de Jorge Amado Capitães da areia. Agora já li o livro e posso ver o filme também.

Fundação Casa de Jorge Amado, 
Pelourinho, Salvador - BA.
Foto: William Mendes, 2011.

A LEITURA

A leitura é uma delícia. É leve e rápida. Como precisei comprar o livro para meu filho usar na escola, acabei pegando e lendo ele primeiro.


“Até hoje permanece certa confusão em torno da morte de Quincas Berro Dágua. Dúvidas por explicar, detalhes absurdos, contradições no depoimento das testemunhas, lacunas diversas. Não há clareza sobre hora, local e frase derradeira. A família, apoiada por vizinhos e conhecidos, mantém-se intransigente na versão da tranquila morte matinal, sem testemunhas, sem aparato, sem frase, acontecida quase vinte horas antes daquela outra propalada e comentada morte na agonia da noite, quando a lua se desfez sobre o mar e aconteceram mistérios na orla do cais da Bahia. Presenciada, no entanto, por testemunhas idôneas, largamente falada nas ladeiras e becos escusos, a frase final repetida de boca em boca, representou, na opinião daquela gente, mais que uma simples despedida do mundo, um testemunho profético, mensagem de profundo conteúdo (como escreveria um jovem autor de nosso tempo)...”


“Não sei se esse mistério da morte (ou das sucessivas mortes) de Quincas Berro Dágua pode ser completamente decifrado. Mas eu o tentarei, como ele próprio aconselhava, pois o importante é tentar, mesmo o impossível.”


Assim começa e termina o primeiro capítulo do livro. Encontramos ali na frase final um EU que se identifica para TENTAR decifrar a ou as mortes de Quincas.

Ladeiras do Pelourinho, Salvador BA. 
Foto: William Mendes, 2011.

AS MORTES DE QUINCAS BERRO DÁGUA

São três as mortes de nosso personagem: “Cometendo uma injustiça (a família), atribuem a esses amigos de Quincas toda a responsabilidade da malfadada existência por ele vivida nos últimos anos, quando se tornara desgosto e vergonha para a família. A ponto de seu nome não ser pronunciado e seus feitos não serem comentados na presença inocente das crianças, para as quais o avô Joaquim, de saudosa memória, morrera há muito, decentemente, cercado da estima e do respeito do todos. O que nos leva a constatar ter havido uma primeira morte, se não física pelo menos moral, datada de anos antes, somando um total de três, fazendo de Quincas um recordista da morte, um campeão do falecimento, dando-nos o direito de pensar terem sido os acontecimentos posteriores – a partir do atestado de óbito até seu mergulho no mar – uma farsa montada por ele com o intuito de mais uma vez atazanar a vida dos parentes, desgostar-lhes a existência, mergulhando-os na vergonha e nas murmurações da rua...”

Igreja de São Francisco, Pelourinho BA. 
Foto: William Mendes, 2011.

A MORTE TRAZ RESPEITO AO MORTO

Quando um homem morre, ele se reintegra em sua respeitabilidade a mais autêntica, mesmo tendo cometido loucuras em sua vida. A morte apaga, com sua mão de ausência, as manchas do passado e a memória do morto fulge como diamante. Essa a tese da família, aplaudida por vizinhos e amigos. Segundo eles, Quincas Berro Dágua, ao morrer, voltara a ser aquele antigo e respeitável Joaquim Soares da Cunha, de boa família, exemplar funcionário da mesa de rendas estadual, de passo medido, barba escanhoada, paletó negro de alpaca, pasta sob o braço, ouvido com respeito pelos vizinhos, opinando sobre o tempo e a política, jamais visto num botequim, de cachaça caseira e comedida.”


Comentário: Cara!, e não é que ao ler esta máxima sobre a morte me lembrei de um monte de gente falecida que para uma boa parte do mundo era um lixo de gente e que após a morte foi reverenciada como a melhor pessoa do mundo!

Até hoje, ninguém entende o ex-presidente Lula da Silva, sacaneado por trinta anos pelo Roberto Marinho, babando elogios ao morto em seu velório...

Belíssima construção da Faculdade
de Medicina de Salvador BA.
Foto: William Mende, 2011.

OS PARENTES

Os personagens parentes de seu Joaquim Soares da Cunha são a filha Vanda, seu genro Leonardo, seu irmão tio Eduardo e a esposa tia Marocas, e a falecida esposa Dona Otacília.

Para Quincas eram jararacas mãe e esposa, saco de peidos a cunhada, e pobre coitado o genro.


OS AMIGOS

Os amigos inseparáveis do paizinho são Curió, Negro Pastinha, cabo Martim e Pé-de-Vento.

Pé-de-Vento vendia anfíbios para a ciência. Ele vivia com uma jia na mão e no bolso. (“sapo não, jia”)

Quitéria do olho arregalado, que “nos momentos de maior ternura, dizia-lhe ‘Berrito’ por entre os dentes mordedores”.

Mestre Manuel, o dono do saveiro.

Maria Clara, Doralice, gorda Margô...

Outra bela igreja da região do Pelourinho. 
Foto: William Mendes, 2011.

AS ALCUNHAS

Rei dos vagabundos da Bahia, Cachaceiro-mor de Salvador, Filósofo esfarrapado da Rampa do Mercado, Senador das gafieiras, “o vagabundo por excelência” eis como o tratavam os jornais, onde por vezes sua sórdida fotografia era estampada. O Patriarca da zona do baixo meretrício.

Quincas se via como O velho marinheiro (“Velho marinheiro sem barco e sem mar, desmoralizado em terra, mas não por culpa sua”).

Panorâmica vendo a baía e o Elevador Lacerda. 
Foto: William Mendes, 2011.

O NOME QUINCAS BERRO DÁGUA

(...) Nos bares, nos botequins, no balcão das vendas e armazéns, onde quer que se bebesse cachaça, imperou a tristeza e a consumação era por conta da perda irremediável. Quem sabia beber melhor do que ele, jamais completamente alterado, tanto mais lúcido e brilhante quanto mais aguardente emborcava? Capaz como ninguém de adivinhar a marca, a procedência das pingas mais diversas, conhecendo-lhes todas as nuanças de cor, de gosto e de perfume. Há quantos anos não tocava em água? Desde aquele dia em que passou a ser chamado Berro Dágua.

Não que seja fato memorável ou excitante história. Mas vale a pena contar o caso pois foi a partir desse distante dia que a alcunha de “Berro Dágua” incorporou-se definitivamente ao nome de Quincas. Entrara ele na venda de Lopez, simpático espanhol, na parte externa do mercado. Freguês habitual, conquistara o direito de servir-se sem auxílio do empregado. Sobre o balcão viu uma garrafa, transbordando de límpida cachaça, transparente, perfeita. Encheu um copo, cuspiu para limpar a boca, virou-o de uma vez. E um berro inumano cortou a placidez da manhã no mercado, abalando o próprio elevador Lacerda em seus profundos alicerces. O grito de um animal ferido de morte de um homem traído e desgraçado:

- Águuuuua!”.

Foto noturna do Elevador Lacerda. Até ele
sacudiu com o berro do Quincas.
Foto de William Mendes, 2011.

E AS DERRADEIRAS PALAVRAS?

Há várias versões. Um dos trovadores do mercado diz assim:


No meio da confusão
Ouviu-se Quincas dizer:
“Me enterro como entender
Na hora que resolver.
Podem guardar seu caixão
Pra melhor ocasião.
Não vou deixar me prender
Em cova rasa no chão.”
E foi impossível saber
O resto de sua oração.

Noturna do Elevador Lacerda, com detalhe de pintura.
Foto: William Mendes, 2011.

COMENTÁRIO FINAL

O defunto que não deixou de rir um momento sequer enquanto durou a sacanagem dele em desfazer a tentativa da família de ressuscitar o venerável e respeitável Joaquim Soares da Cunha é um dos pontos altos da história. Sem essa de manter a reputação social da família!

O humor, a ironia e a sensualidade nas obras de Jorge Amado na sua fase após os anos cinquenta são bem diferentes do estilo de forte denúncia social presente nos primeiros vinte anos de obras como Capitães da areia. Não estou dizendo que não há denúncia social em histórias como a de Quincas, mas na primeira fase, as histórias são bem duras.

Lembro-me de como fiquei tocado com a leitura de Mar morto, leitura de minha adolescência. Preciso reler este livro, mas na minha cabeça ficou uma história de marinheiros e mulheres do porto, que sempre vinculo à música de Chico Buarque “Minha História (Gesubambino)”.


“Ele vinha sem muita conversa, sem muito explicar,
Eu só sei que falava e cheirava e gostava de mar,
Sei que tinha tatuagem no braço e dourado no dente,
E minha mãe se entregou a esse homem perdidamente...”


Capa do filme.
O FILME

O filme estreou em 2010 e tem direção e adaptação de Sérgio Machado.

Eu gostei do filme. A interpretação de Paulo José no corpo defunto de Quincas está muito boa. O filme ficou alegre e divertido. A sonoplastia também ficou boa.

A adaptação do Sérgio Machado também é satisfatória, já que ele não segue a história. Mas eu sei que transformar em arte visual obras literárias não é nada fácil.

As técnicas e os efeitos são completamente diferentes. Na literatura, a participação do leitor é obrigatória. Além de ler, cabe ao leitor ser o diretor de fotografia e sonoplastia. Toda a arte visual é dele – leitor - e é única.

Na sétima arte, ganhamos de mão beijada todo o visual. BUUMM! Lá está, é só sentar e ver, ouvir, sentir...


Gostei do filme. Tá bem levinho. É só sentar e assistir!

William


Post Scriptum (24/jan/17):

Releitura da postagem para escrever sobre a releitura de Mar Morto, de 1936.