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segunda-feira, 4 de março de 2024

Vendo filmes (XIV)



Refeição Cultural

Caminhos e veredas na eterna busca pela liberdade


Quem não está em busca da tão sonhada liberdade? Eu estou.

Ainda hoje sigo tentando me libertar do sofrimento que sinto pelo cancelamento e desprezo por parte da entidade sindical para a qual dediquei minha vida. 

O conceito de liberdade ou libertação é amplo, aberto, difuso. No momento, gostaria de me libertar do sofrimento que ainda sinto por questões de relação política e sindical. Não consegui apagar meus sentimentos não correspondidos pelo movimento ao qual fiz parte a maior parte de minha vida. Tenho avaliado que esse sofrimento é causado por vaidade. Ou seja, ainda não consegui me libertar da vaidade, esse pecado capital que dizem ser o preferido do Diabo para tentar os pobres mortais. Ainda não consegui me libertar...

Os três filmes que vi recentemente têm de alguma forma a questão da liberdade como pano de fundo. Se não têm de maneira formal, eu posso fazer a ligação com o tema usando a capacidade que os escritores devem ter de completar as lacunas que faltam numa história qualquer. Afinal de contas, quando a gente conta alguma coisa e não conhece tudo sobre ela - e ninguém conhece toda a história das coisas - a gente pode inventar um pouco, preencher as lacunas. Isso é ficção. Isso somos nós, humanos, animais que contam coisas. Ficção não é mentira, ficção é criação e arte, quando se deixa isso claro, quando não se conta ficção como se verdade fosse.

O primeiro filme é sobre um roteirista que gostaria de ser escritor. Viajando por Paris, ele tem a oportunidade de se libertar de um destino mais ou menos programado e daí temos um filme encantador. Adorei o filme de Woody Allen "Meia-noite em Paris" (2011).

O segundo filme é pesado, mas é considerado um dos melhores filmes de todos os tempos sobre Batman. A ficção poderia ser considerada um filme sobre o Coringa, extraordinária interpretação do jovem Heath Ledger. A estória é sobre a busca da comunidade de Gothan City pela liberdade, pela libertação do povo do crime organizado, que tomou conta da cidade. Cara, como não gosto de filmes de super-heróis, me surpreendi!

O terceiro filme é a pura busca pela liberdade, pela libertação daquilo que a pessoa nem sabe direito o que é, mas quer se libertar daquilo que vai dentro dela. E cada um busca de sua maneira as formas de se encontrar, de se libertar de algo que vai n'alma. O filme "Livre" tem esse enredo. Se eu parar para pensar, minhas longas caminhadas há décadas têm um pouco dessa forma de busca por autoconhecimento e libertação de algo que queima dentro e não sabemos como nos livrar daquilo.

Enfim, gostei dos filmes que cito abaixo, vistos em contextos distintos, em casa por escolha aleatória, num voo atravessando o continente e num horário de jogo de futebol para não sofrer com os gritos da vizinhança (risos).

Todos os caminhos e veredas levam a destinos procurados ou ignorados. Seguimos caminhando. Sigo buscando a liberdade.

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FILMES

Meia-noite em Paris (Midnight in Paris, 2011) - Direção: Woody Allen. Com Owen Wilson, Rachel McAdams e um elenco de excelentes atores e atrizes. Sinopse: Gil (Owen Wilson) sempre idolatrou os grandes escritores e artistas das primeiras décadas do século XX, gostaria de ser um escritor, mas acabou se tornando um roteirista de sucesso em Hollywood, o que lhe traz certa frustração. Por acaso, acaba indo a Paris com sua noiva Inez (Rachel McAdams) e lá Gil volta a se questionar sobre os rumos de sua vida.

COMENTÁRIO: Eu quase não conheço os filmes de Woody Allen. Esse filme fez sucesso e me lembro de me sugerirem vê-lo à época. Pois é, só agora fui conhecer a estória. Adorei! No enredo, Allen nos coloca em contato com diversas personalidades daquela época e o filme é muito divertido. Imaginem se eu não fiquei encantado com Ernest Hemingway (Corey Stoll)! É um filme leve, que nos apresenta de forma elogiosa a cidade de Paris e o personagem principal, Gil, se verá numa condição de decidir sobre seguir o roteiro definido para sua vida ou alterá-lo encarando alguma nova vereda que se apresente a ele.

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Batman - O Cavaleiro das Trevas (The Dark Knight, 2008) - Direção: Christopher Nolan. Com Christian Bale no papel de Bruce Wayne/Batman, Heath Ledger no papel do Coringa. O filme tem um super elenco que inclui Morgan Freeman, Gary Oldman, Aaron Eckhart como Harvey Dent/Duas-caras, Michael Cane como o mordomo e Maggie Gyllenhaal como Rachel Dawes, amiga de infância de Bruce Wayne e uma das poucas pessoas que sabe quem é o Batman. 

Sinopse: O filme é uma continuação de Batman Begins (2005). Após o surgimento de Batman, os criminosos de Gothan City passaram a ter dificuldades para dominarem a cidade. Com a ajuda do tenente Gordon (Gary Oldman) e do promotor público Harvey Dent (Eckhart), Batman luta contra o crime organizado. É neste cenário que aparece um novo criminoso mascarado, o Coringa, que se oferece aos criminosos para eliminar Batman.

COMENTÁRIO: Não tenho muita afinidade com filmes de super-heróis. Estava em um voo de várias horas e, apesar de cansado, decidi escolher um filme para ver. Era a oportunidade de assistir ao famoso Batman, de Nolan. Amig@s, que filme! Nem vi passar o tempo de duas horas e meia de filme. Cenas icônicas do início ao fim! Eu já estava fascinado com o Coringa, de Joaquin Phoenix (2019), e então conheço o famoso Coringa interpretado por Heath Ledger. Cara, ele rouba a cena do herói no filme! Olha, não fiquei tão interessado em conhecer as outras versões de Batman, mas quero ver as outras interpretações do personagem Coringa, a começar pela de Jack Nicholson.

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Livre (Wild, 2014) - Direção: Jean-Marc Vallée. Com Reese Witherspoon. Sinopse: Cheryl Strayed vive momento conturbado em sua vida após a morte de sua mãe, um divórcio e uma fase de autodestruição repleta de drogas e promiscuidade. Para se libertar dessa bad toda, ela decide fazer uma imersão na natureza selvagem e parte para uma trilha gigantesca de milhares de quilômetros pela costa do Pacífico nos Estados Unidos.

COMENTÁRIO: Fiquei dias vendo esse filme disponível na Netflix. Me lembro de quando meu filho chegou em casa com o livro no qual o filme é baseado. A história de Cheryl Strayed me chamou a atenção porque essa temática das longas caminhadas faz parte da minha vida desde sempre. Para se ter uma ideia, sempre que o coração aperta, que algo me faz mal e me deixa nervoso ou irritado, a primeira solução é sair e caminhar, caminhar até cansar, até esgotar o que vai queimando por dentro. Não li o livro do meu filho, mas assisti ao filme com Reese Witherspoon. Gostei da interpretação e da história. Evidente que não recomendaria isso para ninguém (essas porraloquices). Mesmo sendo um andarilho, não recomendaria para ninguém essas longas caminhadas.

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É isso! Essas foram as reflexões a partir de filmes que vi recentemente.

Caso haja interesse de ver outras postagens desse tema, é só clicar aqui e ver a anterior.

Abraços e vejam filmes!

William Mendes


sexta-feira, 17 de novembro de 2023

Vendo filmes (IX)



Refeição Cultural

Filmes que me fizeram refletir sobre o comportamento humano e que me deixaram em alerta sobre o presente e o futuro da sociedade humana e do planeta Terra.

Um dos filmes está em cartaz e assisti no cinema, dirigido por Martin Scorsese, sobre a história de assassinatos e manipulações do povo indígena Osage na região de Oklahoma, EUA, no início do século vinte.

O outro filme é do final da primeira década dos anos dois mil, dirigido por Clint Eastwood, e retrata um dos momentos da vida de Nelson Mandela, já liberto e eleito presidente da África do Sul.

Por fim, um filme do início do século, dirigido por Steven Spielberg, sobre um jovem norte-americano que acabou virando um dos maiores falsários e estelionatários dos Estados Unidos, e sua perseguição pelo FBI.

Os três filmes são baseados em fatos reais. Eu gostei de todos eles.

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FILMES

Assassinos da Lua das Flores (2023) - Direção: Martin Scorsese. Com Robert De Niro (interpreta o poderoso "político" William Hale), Leonardo DiCaprio (interpreta Ernest Burkhart, sobrinho de Hale) e Lily Gladstone (no papel da osage Mollie Kile). O filme é baseado numa história real dos anos 1920, em Oklahoma, história relatada em um livro de David Grann. Os indígenas da etnia Osage descobrem petróleo em suas terras e a partir daí os brancos farão de tudo para se apropriarem do ouro negro e das terras indígenas.

COMENTÁRIO: Assistimos ao filme no cinema e a história é tão envolvente que nem percebemos as mais de 3 horas de duração da sessão. A cada novo filme sobre a história dos norte-americanos e a essência do que seria a "América", mais me convenço do quanto os Estados Unidos não são referência alguma para a sociedade humana que vislumbro no planeta Terra. Senti a mesma coisa ao assistir ao filme de Scorsese O irlandês (comentário aqui). 

A violência no trato com o outro e a xenofobia, o desprezo pela vida humana e o foco absoluto na acumulação de propriedades ao invés de valorização dos seres humanos são bases sólidas da cultura norte-americana. Para aquele povo ou a maioria dele, tudo tem seu preço, tudo. Fiquei pensando na violência dramática que nós brancos invasores praticamos ao contatar povos originários em qualquer lugar do mundo. Triste demais o enredo do filme, principalmente porque sabemos que o genocídio de indígenas se deu ao longo de séculos de invasões. A direção de Scorsese é sensacional e as interpretações de DiCaprio, De Niro e Gladstone estão excelentes, dignas de premiação.

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Invictus (2009) - Direção: Clint Eastwood. Com Morgan Freeman no papel de Nelson Mandela e Matt Damon no papel do jogador de Rúgbi François Pienaar. Com o fim do regime racial do Apartheid, com eleições nacionais incluindo a participação de todos - brancos e negros -, a África do Sul elege Nelson Mandela presidente da república. O líder sul-africano enfrenta uma situação de crise em todas as áreas do país, incluídas as áreas econômica, política e social, e o racismo segue alimentando o ódio entre brancos e negros. Mandela vê no Rúgbi, um esporte nacional, uma oportunidade para unificar o país e quebrar a barreira racial do povo sul-africano.

COMENTÁRIO: Demorei para ver esse filme. Confesso que assistir em 2023 a esse filme que nos apresenta uma história real de Mandela me fez sentir um aperto no coração, me deixou emocionado e chorei algumas vezes. Por que? Além de ter lido a autobiografia de Mandela e passar a conhecer com mais detalhes a vida e a luta de Madiba e do povo negro sul-africano reunido através do Congresso Nacional Africano (CNA), avalio que homens pacifistas como Mandela, Gandhi e Lula, ainda vivo e maior estadista global, não teriam ou têm, no caso de Lula, espaço num mundo de humanos surdos e robotizados pela mudança de comportamento mental ocorrida nas últimas duas décadas pelas máquinas de redes sociais e suas parafernálias algorítmicas usadas em escala global para alterar o comportamento da espécie humana. 

Com a mudança de comportamento humano, o diálogo e a política que fizemos por milênios, ou pelo menos por séculos - que só ocorrem com humanos que ouvem, que se toleram, que estão abertos ao convencimento -, vão se esgotando. As relações humanas tendem a acabar, as amizades, o amor, a solidariedade, os sentimentos nobres. 

Ao não sabermos mais conviver com a divergência, voltamos a ser como os animais selvagens na natureza. Os tempos de destruição do cérebro humano são os tempos de canalhas e sofistas manipuladores de gentes ignorantes e abobalhadas, são tempos de trumps, bolsonaros e outros vigaristas como aquele que está disputando as eleições na Argentina neste fim de semana... muito triste tudo isso, vermos o fim de figuras como Mandela e Lula (algum tempo adiante) e não termos reposição de humanos como esses.

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Prenda-me se for capaz (2002) - Direção: Steven Spielberg. Com Leonardo DiCaprio, Tom Hanks, Christopher Walken e demais elenco. O agente do FBI Carl Hanratty (Hanks) persegue de forma obsessiva o vigarista Frank Abagnale Jr (DiCaprio) para colocá-lo atrás das grades. O rapaz é muito esperto e sempre passa a perna no agente do FBI.

COMENTÁRIO: É mais um filme baseado em fatos reais ocorridos nos anos sessenta nos EUA. Achei interessante relembrar como funcionavam os bancos e as formas de pagamento naquela época. O rapaz estelionatário, além de se passar por profissões complexas sem saber nada sobre elas - copiloto de avião, médico pediatra e advogado -, falsificava cheques como ninguém. 

Me lembrei do trabalho de bancário nos anos oitenta e noventa. Nós fazíamos cursos para conhecer sobre assinaturas, sobre formas de falsificar cheques e dinheiro etc. No filme, Frank passava cheques em tudo quanto é lugar sabendo até quanto tempo se demorava para compensar o cheque e descobrir que ele era falso. Nós caixas dos anos noventa tínhamos que saber até se o local de emissão do cheque (a praça) era feriado ou não porque isso influenciava em quantos dias o cheque seria pago ao recebedor daquela ordem de pagamento.

Gostei do filme. O jovem DiCaprio interpreta muito bem os papéis que representa desde quando era garoto.

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As sugestões anteriores sobre filmes podem ser lidas aqui.

É isso! Reflexões culturais compartilhadas.

Abraços aos leitores e leitoras!

William Mendes


sábado, 30 de setembro de 2023

Vendo filmes (VII)


Pôr do sol em Cuba. William.

Refeição Cultural

Osasco, 30 de setembro de 2023. 


Tenho procurado ver alguns filmes que abordem os temas que tenho estudado ultimamente. Essa sequência de filmes que cito abaixo tem essa característica.

Vi dois filmes que se passam na China, país asiático o qual tenho estudado um pouco. Também revi um filme fortíssimo sobre a tragédia da escravidão ao longo de séculos: Amistad

O recente filme O irlandês para mim retrata bem o que são os Estados Unidos. Bom filme!

Completam a lista de filmes um documentário sobre o golpe de Estado no Chile em 1973, golpe que assassinou o presidente Salvador Allende e colocou o país numa ditadura sangrenta. E um filme que se passa na Turquia, na década de setenta.

Os filmes me fizeram refletir bastante.

William

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FILMES

- O grande irmão: O dia que durou 21 anos II (2022) - Direção de Camilo Tavares. Documentário demonstra a participação ativa do governo brasileiro e do governo dos Estados Unidos, através da CIA, no golpe militar promovido no Chile em 1973. A ditadura de Pinochet seria uma das mais sangrentas da América Latina durante quase duas décadas.

COMENTÁRIO - O longa-metragem documentário é surpreendente pela documentação nova que apresenta após 4 anos de pesquisas nos arquivos do Itamarati no Brasil e do consulado brasileiro no Chile. O Brasil foi um agente central no golpe de Estado promovido no dia 11 de setembro de 1973, derrubando o governo de Salvador Allende, democraticamente eleito. Allende foi assassinado, milhares de pessoas foram presas, torturadas e desaparecidas ao longo de 17 anos de ditadura. Além disso, foi aplicado ao país toda a cartilha neoliberal de privatizações e eliminação de direitos sociais. 

Ao ver o documentário no dia 11 de setembro de 2023, 50 anos depois, percebi o quanto estamos num contexto semelhante de ameaça e risco de vivenciar novamente esse terror vivido pelo povo chileno. Na minha opinião, estamos à beira de novos golpes de Estado promovidos pelos Estados Unidos no mundo, incluindo o Brasil do 3º governo Lula, Brasil que já viveu golpe recente em 2016, orquestrado a partir de lá com a operação Lava Jato.

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- A fundação de uma República (2009) - Jian guo da ye, no original. Filme produzido na China e Hong Kong. Direção: Sanping Han e Huang Jianxin e com Tang Guoqiang no papel de Mao Tsé-Tung. Filme baseado em fatos reais sobre a história recente da China (recente ao considerar os milhares de anos da civilização chinesa), a guerra civil opondo o Partido Comunista, liderado por Mao Tsé-Tung, ao Partido Kuomintang, de Chiang Kai-Shek, conflito ocorrido entre 1946 e 1949 e ao final foi fundada a República Popular da China.

COMENTÁRIO: A indicação do filme foi feita pelo professor Elias Jabbour, com o qual fiz o curso "Compreendendo a China" no Instituto Conhecimento Liberta (ICL). Gostei do filme. Percebi que tenho muito que estudar ainda sobre a história da China e do povo chinês, pois se soubesse mais sobre o período abordado no enredo do filme, a experiência seria melhor ao assistir a obra. O filme está na internet e com legenda em português.

- A caminho de casa (2007) - Luo yi gui gen. Outro filme chinês que revi neste mês de setembro é um filme muito bonito e sentimental. Comentário aqui.

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- O expresso da meia-noite (1978) - Direção de Alan Parker e adaptação de Oliver Stone. Com Brad Davis. A história se passa na Turquia nos anos 70 e o filme diz ser baseado em fatos reais. Jovem é pego em aeroporto tentando embarcar cheio de pacotes de droga. Pegou 30 anos de sentença. 

COMENTÁRIO: Um jovem norte-americano comete a estupidez de tentar sair da Turquia com um monte de pacotes de haxixe. Foi pego, lógico! A partir daí, vamos conhecer o que é se ferrar e sofrer numa prisão turca. Dramático! Enquanto assistia ao filme, fiquei refletindo sobre o ser humano... é o único animal racional no reino animal e por mais racional que seja, é o animal que mais comete estupidez e idiotices na natureza. Por que o cara vai fazer uma coisa dessas? Ao conhecer a história de William Hayes (Billy), vemos que ele não precisava fazer uma cagada dessa com a vida dele. Enfim, somos assim, humanos!

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- O irlandês (2019) - Direção de Martin Scorsese. Com Robert De Niro, Al Pacino e Joe Pesci. Filme conta a história do caminhoneiro Frank "The Irishman" Sheeran, sindicalista ligado ao crime organizado. Frank trabalha para a família mafiosa Bufalino (Joe Pesci) e também se torna amigo e apoiador do líder sindical Jimmy Hoffa (Al Pacino). O roteiro é apresentado como um relato das memórias de Frank, já idoso e retirado de cena.

COMENTÁRIO: O filme tem uma grande história e um grande enredo, como o clássico de Mario Puzo e Coppolla (O poderoso chefão). Ao assistir ao filme, uma das coisas que não saíram de minha cabeça foi o que a história deixa claro: o que são os Estados Unidos da América, um país que nasceu e se sustenta até hoje através da violência das armas, e tudo naquele país é uma mentira, uma invenção, um mito. Outra coisa que fiquei pensando... como alguém pode confiar numa pessoa nascida e criada na cultura norte-americana? O momento mais forte do filme, para mim, é o momento no qual vemos que toda vida tem um preço nos EUA, tudo tem um preço, tudo é business... Enfim, atuações brilhantes dos protagonistas!

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- Amistad (1997) - Direção: Steven Spielberg. Com Djimon Hounsou, Matthew McConaughey, Morgan Freeman e Anthony Hopkins. O ano é 1839, um navio parte de Cuba repleto de homens e mulheres sequestrados do Continente Africano e vendidos como escravos. Cinqué (Djimon) lidera uma rebelião no navio e liberta os escravizados. O navio é interceptado por um navio norte-americano e a partir daí veremos um grande debate na justiça dos EUA sobre o destino final daquelas pessoas. 

COMENTÁRIO: Filmaço! Estou lendo muitos livros e autores para conhecer um pouco mais sobre a história vergonhosa do sequestro e venda de seres humanos no Continente Africano ao longo de séculos. Dois autores que vieram à minha memória durante a história de Cinqué e aquelas dezenas de mulheres e homens foram Luiz Gama e Abdias Nascimento, grandes intelectuais brasileiros negros, um do século 19 e outro do século 20, heróis brasileiros na luta pela igualdade para o povo negro no Brasil. O filme é uma aula de história! Vale rever sempre! É impossível não sentir fortes emoções ao ver tanta maldade e covardia com nossos irmãos. Quando nos lembramos que a escravidão foi real e durou séculos, e ainda hoje não conseguimos resolver a desigualdade oriunda de séculos de exploração, sentimos mais ainda o coração apertado ao assistir ao filme.

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Post Scriptum: clique aqui para ver o comentário anterior sobre filmes.


sábado, 3 de dezembro de 2011

Refeição Cultural - Antes de partir


Foto divulgação

ANTES DE PARTIR – Bucket list

Este é um belo filme com Jack Nicholson e Morgan Freeman. O filme tem direção de Rod Reiner e estreou em 2007.
Ao tecer comentários sobre filmes em meu blog, gosto de escrever algo que realmente tenha me tocado ou alguma reflexão que o filme tenha me levado a pensar.
O ano de 1996 foi um dos anos mais duros de minha vida. Foi um ano de transições, rompimentos e de desistências. Estive completamente sem motivo de seguir adiante naquela época.
Uma das coisas que fiz para mirar em algo a cada dia quando acordava foi uma lista com algumas coisas que desejaria conseguir ou fazer naquela época, com aquela visão de mundo daquele cara.
Logo se vê que o ato humano de fazer listas de coisas a realizar é muito antigo. Acredito que o que varia são as motivações das listas e não o conteúdo das listas em si, que, via de regra, deve até ser muito parecido.
Não descreverei toda a minha lista de motivações para viver a partir daquele ano. Mas o filme me fez procurá-la novamente, pois fazia tempo que não a visitava.

CASA PRÓPRIA
Lá na lista estão ticadas coisas importantes e difíceis de conseguir para a classe trabalhadora pobre e humilde. Adquiri meu pequeno apartamento de cooperativa e não pago mais aluguel. Consegui ajudar meus pais a terminarem a casinha deles lá em Uberlândia. Nesses últimos quinze anos, muitas pessoas de origem simples conseguiram isso, algo que deveria ser fácil em sociedades justas.
Também está ticado o sonho de fazer uma faculdade pública. Passei na Fuvest e fiz Letras na USP. Eu vinha de uma decepção enorme por largar por falta de condições financeiras um curso de Educação Física em uma faculdade privada, curso que adorava e no qual me destacava nas aulas.

SÃO SILVESTRE
Eu não me lembrava de ter listado que tinha o sonho de correr a famosa corrida de São Silvestre. Realizei esse sonho em 2007 e corri nos anos seguintes. Ou seja, realizei com folga esse objetivo.
Hoje, meu desejo é bem mais difícil, pois sonho em correr e completar uma maratona. Com a vida que levo é completamente inviável treinar e me preparar para uma prova de 42 km.

SALTAR DE PARAQUEDAS
Eu me lembro de ter ficado muito impressionado nos anos noventa quando vi na TV um homem saltar de um avião e sair surfando no ar. Eu nunca havia saído do chão. Eu desejei muito voar e fazer um salto de paraquedas.
No dia 19 de fevereiro do ano 2000, abria-se a porta daquele pequeno avião a uns 4.500 pés e o instrutor me chamava a dependurar-me na asa, seguir as instruções de verificação e soltar as mãos para o vazio...
Após abrir o paraquedas foi um dos gritos de emoção mais libertadores que já dei. Estava vivo e estava voando sozinho junto aos pássaros no céu de Piracicaba. Naquele dia me senti o super-homem.
Depois desse primeiro salto sozinho, fiz mais treze saltos e cheguei a ficar nove minutos em descida lenta no céu, curtindo o barulho do vento nos velames, o silêncio do céu. Foi algo maravilhoso que já fiz.

COISAS A FAZER
Uma das coisas por fazer e que necessita de fôlego e tempo está relacionada com meu amor pela leitura e literatura.
Para ticar o item de ler no mínimo cem clássicos da literatura mundial, tenho muita estrada a percorrer. Não fiz uma lista dos clássicos que já li, mas sei que estou longe.
Também sei da questão da dificuldade de se classificar o que seria ou não um clássico da literatura mundial.
Mas alguns clássicos são indiscutíveis. Já percorri obras fantásticas e que me marcaram profundamente como Don Quijote de la Mancha, de Cervantes; Ulisses, de Joyce; A Montanha Mágica, de Mann; O Processo e A Metamorfose, de Kafka; Pedro Páramo, de Rulfo; Vidas Secas, de Graciliano; O Velho e o Mar, de Hemingway; Irmãos Karamázov, de Dostoiévisk; Hamlet, de Shakespeare; Cem Anos de Solidão, de Garcia Marquez; Dom Casmurro e Memórias Póstumas de Brás Cubas, de Machado; Macunaíma, de Andrade; Alguma Poesia, de Drummond... e falta muita coisa que já está em minha estante e só falta sentar e Ler...

O FILME
Voltando ao filme "Antes de partir": gostei do filme. Gostei das atuações de Nicholson e Freeman.
O personagem Carter é encantador. Cole é o inverso. O casamento entre ambos é fruto daquilo que penso a respeito das possibilidades humanas: para o ser humano tudo é possível.
Um ser humano pode mudar a vida de outra pessoa. Nós podemos ser fantásticos. Podemos marcar a vida das pessoas. É ISTO O QUE SOMOS, POSSIBILIDADES!
Assistam ao filme!

(após esta reflexão, saí e fui correr 5 km)

domingo, 23 de março de 2008

Edison - Poder e Corrupção (2005)


Poster do filme de 2005.

Refeição Cultural - Edison

Direção: David Burke - 2005

Com: Kevin Spacey (Wallace), Morgan Freeman (Moses Ashford), Justin Timberlake (Josh Pollack), LL Cool J. (Deed), Dylan McDermott (Lazerov) e Piper Perabo (Willow).


O que separaria no jornalismo de hoje um verdadeiro repórter que investiga e busca matérias de um repórter que só faz matéria que o seu chefe ou editor manda?

Qual a diferença entre os principiantes que publicam tirinhas nas colunas sociais e escrevem em espelho o que o chefe manda, de jornalistas e repórteres que vão atrás da notícia e que veem detalhes em fatos que podem revelar o impensável?

Perspicácia...

Curiosidade...

Tino investigativo...

Desejo de ser premiado...

Vontade de aparecer para agradar a namorada...


O simples “- Obrigado” de um réu para um tira (testemunha) em um julgamento leva Josh Pollack, um jornalista em início de carreira (Justin Timberlake), a fazer o que o seu editor-chefe Ashford (Morgan Freeman) não pediu: uma matéria cheia de conjecturas e suspeições sem prova alguma, ao invés do fato: a sentença do julgamento que ele foi cobrir.

Daí adiante, a trama segue com tiras e tiros, drogas e muito dinheiro sujo nos pilares de sustentação de uma sociedade podre.

Além da trilha sonora muito boa nas horas em que Freeman aparece em sua casa, chama a atenção os ensinamentos do velho editor Moses Ashford sobre o que é usar de forma correta o chamado 4º poder, e que, muitas vezes, as decisões que um jornalista deve tomar quando descobre uma verdade podem lhe custar muito caro, incluindo a perda de vidas.

A cena que mais curti foi ver o velho Morgan Freeman dançando sozinho em seu apartamento.

Gostei do filme e recomendo ele para quem gosta do tema jornalismo e reportagem.

Ver aqui detalhes do filme na Wikipedia.

(comentei originalmente em 10.2.07, quando ainda não tinha o blog)