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domingo, 8 de dezembro de 2024

A Comédia Humana - Honoré de Balzac (5)



Refeição Cultural 

"Balzac [...] nos dá, em A comédia humana, a história mais maravilhosamente realista da société francesa [...] descrevendo sob forma de crônica de costumes, quase de ano a ano, de 1816 a 1848, a pressão cada vez maior que a burguesia ascendente exercia sobre a nobreza que se reconstituíra depois de 1815 e que, tant bien que mal, na medida do possível, levantava outra vez a bandeira da vielle politesse française..."* (p. 49)

* Carta de Friedrich Engels a Margaret Harkness em Londres, abril de 1888. (N.E.)


Hoje retomei a leitura de Balzac, iniciada meses atrás. O Volume 1 de minha coleção começa com uma biografia do escritor, feita por Paulo Rónai. 

Na parte que estou, Rónai descreve o quanto Balzac era de direita e conservador. Mesmo assim, sua condição pessoal não prejudicou ou interferiu na qualidade de sua produção textual. 

Uma prova disso é a avaliação que o marxista Engels faz da monumental obra A Comédia Humana, décadas depois do falecimento de Balzac. 

Enfim, vamos terminar o ano lendo e aprendendo mais sobre literatura. 

William Mendes 


domingo, 29 de setembro de 2024

A Comédia Humana - Honoré de Balzac (4)



Refeição Cultural 

"Comparado com Walter Scott, seu discípulo assinala-se por uma particularidade bem francesa, de que, aliás, tinha plena consciência. O romancista escocês idealiza a paixão. Por temperamento ou para agradar a um público maior, desconhece o amor sexual e faz intervir em suas narrativas mulheres sublimes e pálidas, quase figuras de altar. O romancista francês, desde seu primeiro verdadeiro romance, explora todas as riquezas da mina das paixões. 'A paixão é toda a humanidade!', escreverá anos depois no prefácio de A comédia humana, ao reconhecer a sua dívida para com Walter Scott." (p. 41)


Seguindo na leitura da biografia de Honoré de Balzac, Paulo Rónai nos conta que o escritor escocês, Walter Scott, se tornou a referência para ele, pois seus romances históricos eram baseados em documentos, pesquisas e viagens investigativas nos locais que seriam cenários de seus livros. 

A diferença é que ao invés de romances históricos, Balzac atuaria com foco na história dos costumes da sociedade francesa da primeira metade do século XIX, período conhecido como Restauração. 

Walter Scott é outra de minhas lacunas culturais... ainda não li nenhuma obra sua. Tenho que viver bastante para ler autores e obras clássicas que nunca li.

William 


quinta-feira, 12 de setembro de 2024

A Comédia Humana - Honoré de Balzac (3)



Refeição Cultural 

"(...) Teremos a ocasião de mostrar que nem por isso A comédia humana, este grandioso fresco da sociedade da Restauração, ficaria manchada de parcialidade, pois o gênio do autor felizmente sobrepujou as tendências de seu espírito. Mas o homem nunca se libertaria desse deplorável esnobismo que lhe faria buscar as rodas aristocráticas, estragando-lhe a felicidade." (p. 36)


É muito interessante conhecer a biografia de figura tão singular da literatura universal do século XIX.

Paulo Rónai vai aos poucos nos apresentando não só as características do escritor francês Honoré de Balzac, como a sociedade francesa das primeiras décadas do século XIX. 

"As tendências monarquistas de Balzac originadas em seu esnobismo (lembre-se o caso da partícula 'de'!) devem ter sido fortalecidas pela atmosfera geral da época, em que era moda entre os jovens literatos ser favorável à Restauração - da qual precisamente o futuro apóstolo republicano, Victor Hugo, era o poeta oficial -, pelo exemplo de certos amigos e, principalmente, de certas amigas..." (p. 35)

O biógrafo nesta parte que li nos apresenta alguns casos amorosos do jovem Balzac. Dois deles, com mulheres mais velhas que ele. A principal delas, a sra. de Berny - a "Dilecta" -, e também a duquesa de Abrantes.

Por fim, a última curiosidade, Balzac publicou em escala "industrial" romances ruins sob pseudônimos, ele tentava se sustentar através da literatura. 

"(...) é que não punha seu nome em nenhum deles, mas publicava-os sob pseudônimos - Lord R'hoone (anagrama de Honoré), Horace de Saint-Aubin etc. - ou anonimamente. Mais tarde, embora necessidades de dinheiro o tenham forçado a negociar outra vez os direitos dessas obras, não as quis jamais reconhecer expressamente." (p. 31)

É isso! Legal essa preparação para mergulhar em A Comédia Humana

William 


sábado, 7 de setembro de 2024

A Comédia Humana - Honoré de Balzac (2)



Refeição Cultural 

"(...) Surgiam novos poderes: o capital, a imprensa, a publicidade. Patenteava-se a ascensão prodigiosa do dinheiro, que reivindicaria um papel cada vez maior em todos os domínios. Estavam, pois, aparecendo e desenvolvendo-se as forças que passariam a moldar todo o período da história europeia até a Primeira Guerra Mundial. Esboçavam-se, desde então, os tipos humanos que as novas possibilidades não deixariam de produzir. A comédia humana de Balzac contém uma imagem fiel e pormenorizada de toda essa fermentação, de seus resultados visíveis e de suas consequências conjeturáveis; embora concluída em 1850, é um espelho de todo o século XIX. (p. 14/15)


Lendo a biografia do escritor francês Honoré de Balzac, vemos o quanto é válido o esforço e a transpiração, pois de pessoa sem grandes talentos na infância e adolescência, Balzac se tornou um grande escritor dos romances de costumes.

TRATADO DA VONTADE 

"(...) Com uma vontade de ferro realizaria de fato um milagre sem analogias na história das literaturas: de autor péssimo, abaixo de medíocre, que seria até quase os trinta anos, de repente se tornaria um escritor grandioso, criador do gênero mais importante da literatura moderna, o romance de costumes." (p. 23)

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Paulo Rónai nos conta que cada experiência do jovem Balzac serviria anos depois de referência para os romances que desenvolveria. 

E a literatura se firmava junto ao público do século XIX com aquilo que chamaríamos de romance moderno.

"Lembremos que agora o romance não constitui para nós apenas uma diversão. É um importante instrumento de conhecimento indireto, abre ambientes e perspectivas que nunca teríamos oportunidade de conhecer, fornece uma visão prática e real do mundo..." (p. 25)

Seguimos conhecendo um pouco de Honoré de Balzac. 

William 


terça-feira, 3 de setembro de 2024

A Comédia Humana - Honoré de Balzac



Refeição Cultural 

A Comédia Humana é composta por 89 obras de Honoré de Balzac. 

A edição que vou ler é a da Editora Globo, cuja 1ª edição é de 1946-1955. Minha coleção é a 3ª edição, de 2012, organizada sob a regência de Paulo Rónai, intelectual húngaro naturalizado brasileiro. 

Tenho 9 dos 17 volumes previstos para a coleção, da Biblioteca Azul. Os livros foram um presente de minha companheira Ione.

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A VIDA DE BALZAC, POR PAULO RÓNAI

A primeira parte do primeiro volume é uma introdução abordando a biografia do escritor Honoré de Balzac, que nasceu em 1799 e faleceu aos 51 anos, em 1850.

Ao falar sobre estudos biográficos, Rónai afirma que as gerações futuras acabam conhecendo mais os autores do que seus contemporâneos. Concordo com ele.

Cito um esboço rápido do escritor:

"(...) Jovem derrotado logo nos primeiros encontros com o destino, marcado pelo resto da vida com o estigma da incapacidade. Homem já feito, arrastando complexos de inferioridade e procurando compensar a consciência da inata vulgaridade por um esforço desesperado para atingir os cumes brilhantes da vida, a beleza, a nobreza, a fortuna. Velho antes do tempo, esgotado por milhares de noites de trabalho feroz, abatendo-se no limiar da felicidade almejada. Vemos-lhe os olhos em brasa, as faces rechonchudas, o papo do pescoço, os membros sem graça, a gesticulação exuberante, as vestes berrantes..." (p. 12)

Vejam se não é uma das imagens clássicas de Balzac.

A Comédia Humana em uma avaliação de Paulo Rónai:

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"a maior fusão já conseguida na literatura com a vida real"

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Interessante essa observação do crítico. Poderei concordar ou não com ele após ler algumas dezenas de obras de Balzac.

Por enquanto, só conheço o romance "A mulher de trinta anos", que gostei bastante. 

É isso. Começamos com o Balzac também. 

William 


segunda-feira, 24 de maio de 2021

Balzac: A obra-prima ignorada e Um episódio durante o Terror



Refeição Cultural

Nesta segunda-feira 24, li um pequeno livro de Honoré de Balzac com duas narrativas bem interessantes. Estou nuns dias de pausa das obras clássicas que estou lendo.

A primeira narrativa - "A obra-prima ignorada" - se passa na França do século XVII, numa noite fria de dezembro de 1612. É uma estória sobre pintura e arte. Balzac é muito detalhista em suas descrições textuais. Ele mescla personagens ficcionais com personagens da vida real e assim foi criando A Comédia Humana, com 89 romances. Nesta estória ocorre o mesmo, vida real e ficção se misturam para vermos Balzac nos falar sobre a arte da pintura.

A segunda narrativa - "Um episódio durante o Terror" - se passa na França revolucionária, no período em que milhares de pessoas foram decapitadas, entre idas e vindas dos grupos que se alternaram no poder momentâneo após a Revolução Francesa e a execução do rei deposto Luís XVI em 1793.

As duas narrativas são um belo aperitivo para aqueles e aquelas que se aventurarem pela extensa obra balzaquiana. Eu li um romance dele, faz muito tempo - A mulher de trinta anos. Gostei do livro à época. 

Eu tenho a metade da coleção A Comédia Humana, uma belíssima coleção que saiu no Brasil - são 9 volumes. Ganhei a coleção de minha esposa. A bichona está lá na estante à espera da coragem para lê-la.

É isso, mais uma manhã de leitura literária para ir sobrevivendo ao vírus mortal Sar-Cov-2, ao nazifascismo no país onde vivo e ao capitalismo que está acabando com a vida na Terra.

William


domingo, 24 de julho de 2016

Ilusões Perdidas - O fútil ontem e hoje como costume





Refeição Cultural

Olá querido pai, que sempre me lê de sua residência em Uberlândia, e querid@s leitores deste blog. 

Estamos num domingo brasileiro em tempos de exceção ao estado democrático de direito. Nosso país sofreu mais um Golpe de Estado, aplicado sempre por uma plutocracia brasileira vira-latas e lesa-pátria (Não, não é o governo do simpático cachorrinho Pluto, mas dos filhos das Plutas dos ricos), Golpe que já mostra a ditadura que nos espera, apoiada pelas corporações e governos imperialistas que sempre deram uns trocos a essa plutocracia para foder o Brasil, a América Latina e nós povos latino-americanos.

No ócio de ficar umas horinhas à toa, lendo, olhando pela janela ou andando em meio às árvores das alamedas de Brasília, a gente pensa tanta coisa sobre a vida, sobre o andamento das coisas, sobre perdas e danos a nós causados sempre pelos mesmos burgueses e seus lacaios, e sobre oportunidades, e sobre o amanhã que pode vir ou não vir. Lembro aqui de dizer ao meus pais e entes queridos que eu os amo muito, apesar de lhes dedicar pouco tempo.

Vou citar umas passagens da obra ficcional Ilusões Perdidas, de Balzac, que faz parte do projeto de uma vida toda do autor francês, A Comédia Humana (89 romances). Esse negócio da prevalência da imagem, da aparência, da futilidade dos costumes burgueses se sobrepor ao conjunto de coisas que realmente importam para o povo de cada sociedade é bem antigo, como estamos acostumados a ver. A obra é da primeira metade do século 19 e nós estamos na primeira metade do século 21.

De que vale a frescura da etiqueta social como diferencial entre classes sociais, se ao final, a gente morre ou o nosso ente querido morre e o mais importante deveria ser viver pela felicidade de estar bem, de estar juntos, com saúde, e todos na sociedade terem os seus direitos básicos respeitados e oportunidades iguais e não a histórica e incentivada opulência do modelo capitalista, onde uns poucos devem ter tudo para si, num sistema de produção e exploração predatória, enquanto a natureza é exaurida inviabilizando o planeta, e os zilhões de seres humanos não passam de um nada para os poucos que dominam tudo, com suas etiquetas e posses?

Quando a gente é mais jovem, quando começamos a estudar o mundo em nossa militância social, somos movidos pela própria energia da juventude de nossos corpos, pela nossa capacidade de indignação com as iniquidades da sociedade em que estamos, e pelas esperanças de nossas utopias. Permanecer no bom caminho já é consequência do próprio viver nessa luta diária. 

Pelo que tenho visto e vivido de novo nos últimos dois ou três anos, fico bastante pensativo sobre o valer e não valer a pena prosseguir nas próximas décadas envolvido nas lutas sociais. A gente já sacrifica tudo de nossa individualidade, até a presença e o afeto dos entes queridos, em troca de grãos de areia de nossas argamassas para os alicerces e paredes de nossos projetos em prol da coletividade (meio que ilusória). Parece que ao final é sempre o repeteco de sempre, a plutocracia retoma o controle e o nosso lado combatente dos movimentos sociais se pega afundando em cisões internas e fratricidas. É melancólico e deprimente. Hoje, onde pisamos, há grupos antagônicos no campo dos movimentos sociais... e a plutocracia comemora em seus rega-bofes articulando a nossa destruição e a de nosso mundo.

Enfim, era uma introdução me posicionando contra a futilidade do ter e da aparência em lugar do ser e da verdadeira importância que a vida das pessoas deveria ter.



Ilusões Perdidas - o fútil ontem e hoje como costume

O rasgado falando do remendado, "amores" que se decidem pela roupa

Estamos falando de dois personagens amantes, de classes sociais distintas, que acabam de fugir de uma província do interior francês para se refugiarem na capital Paris. Lá chegando, em dias, ambos já olham e comparam os costumes dos cidadãos da metrópole e concluem que eles próprios estão ridículos e provincianos demais no vestir, no comportamento, e no próprio romance, achando que as oportunidades de posição social serão melhores se largarem um ao outro... tão antigo e tão atual...


"(...) Luciano reconhecia vagamente nesse velho elegante a superioridade do homem do mundo a par da vida parisiense; sentia-se sobretudo envergonhado de lhe dever seus prazeres. Ali, onde o poeta se sentia inquieto e constrangido, o antigo secretário privado se achava como um peixe na água..."


Luciano começa a observar aqueles que estão acima dele na escala social, e agora vai começar a analisar costumes e gentes em Paris.


"(...) Alargava-se o círculo, a sociedade tomava outras proporções. A vizinhança de diversas parisienses bonitas, muito elegantes, e deliciosamente vestidas, fez-lhe notar o anacronismo da indumentária da sra. de Bargeton, apesar de sofrivelmente pretensiosa: nem as fazendas, nem o feitio, nem as cores estavam na moda. O penteado que tanto o seduzia em Angoulême pareceu-lhe de gosto horrível comparando às graciosas invenções pelas quais se destacava cada uma das outras mulheres. 'Irá ela continuar assim?'..."


Tão antigo e tão atual. Bastou o jovem amante da sra. de Bargeton sair apaixonado de sua província para achá-la "de gosto horrível" na metrópole Paris. Alguém já viu isso com algum casal que sai de sua terra e chega à cidade grande?


"Na província não há escolha nem comparação a fazer: o hábito de ver as fisionomias dá-lhes uma beleza convencional. Transportada para Paris, uma mulher que passa por bonita no interior não desperta a menor atenção, porque não é bela senão pela aplicação do provérbio: Em terra de cegos, quem tem um olho é rei. Os olhos de Luciano faziam a comparação que a sra. de Bargeton fizera na véspera entre ele e Du Châtelet. Esta, por sua vez, permitia-se estranhas reflexões sobre o seu amado. Não obstante sua rara beleza, o pobre poeta não tinha garbo. Sua sobrecasaca de mangas muito curtas, as feias luvas provincianas, o colete repuxado tornavam-no prodigiosamente ridículo ao lado dos jovens postados no balcão: a sra. de Bargeton achava-lhe um jeito lastimável. Du Châtelet, ocupando-se dela sem ostentação, velando por ela com cuidados que traíam uma paixão profunda; Du Chatêlet, elegante e à vontade como um ator de volta ao palco de seu teatro, reconquistou em dois dias o terreno que perdera em seis meses. Apesar de o vulgo não admitir que os sentimentos mudem repentinamente, o certo é que dois amantes separam-se mais depressa do que se ligam. Preludiava-se na sra. de Bargeton e em Luciano um desencantamento mútuo cuja causa era Paris. A vida adquiria nela mais vastas dimensões ao olhos do poeta, tal como a sociedade tomava novo aspecto aos olhos de Luísa..." (página 203)


Bem legal, heim!

Tão igual a hoje... que valem eu, você e outrem, se nossa vestimenta não nos enfeitar para a futilidade dessa sociedade idiotizada pela ditadura da burguesia vira-latas?

Gente, não dou conta disso! Nunca dei! Desculpem, aí! Sigo sendo o que sou.

William
Leitor e cidadão

sábado, 23 de julho de 2016

Ser invisível e insignificante na cidade grande - Balzac





Leitura de Ilusões Perdidas, d'A Comédia Humana, de Honoré de Balzac.

"As pessoas que, no interior, gozam de certa consideração, e que ali a cada passo encontram provas de sua importância, não se acostumam de modo algum a essa perda total e súbita de seu valor. Ser algo em sua terra e nada ser em Paris são dois estados que requerem transições; e aqueles que passam muito bruscamente de um para o outro caem numa espécie de aniquilamento" (página 201)


Essa descrição dos costumes franceses da primeira metade do século 19 é algo que não mudou na sociedade atual, nem cá no Brasil, nem em lugar algum.

A coisa mais difícil para as pessoas que estão no poder, que são o centro das atenções, famosos e ricos e que-tais, é sair de seu reino ou pseudo-domínio e de uma hora para outra ser só mais um na multidão num grande centro, de maneira que possa se sentir "alone in the crowd".

Também é por causa disso que quase ninguém quer largar o osso quando se encontra nos espaços de poder. É o esquecimento e perda de importância no dia seguinte ao fim de sua posição ocupada antes.

Seria algo para se rir, se não fosse trágico ver o quanto essa necessidade do ego prejudica projetos coletivos, pessoas e os espaços sociais.

William

domingo, 26 de junho de 2016

A antiga produção de papel - Ilusões Perdidas, Balzac





Refeição Cultural - A antiga produção do papel


Terminei a leitura da primeira parte do romance Ilusões Perdidas, de Honoré de Balzac, obra escrita entre 1835 e 1843.

Ilusões Perdidas é um dos romances mais volumosos dos 89 contidos n'A Comédia Humana. A primeira parte é "Os dois poetas" e vai até a página 190. Tem passagens muito interessantes e descritivas do mundo retratado, ou seja, a França da primeira metade do século 19, que inclui o período pós Revolução Francesa, o período do terror entre 1793/94 e o período de Napoleão.

Agora é encarar a segunda parte do romance... que vai da página 191 até a 568. Iremos num ritmo lento, lento e tranquilo, porque minha vida tem pouco espaço para o deleite literário. Sem contar que estou o tempo todo lendo outras literaturas de interesse e relendo meus escritos nos blogs para torná-los definitivos e revistos (até nova revisão...)

Vou transcrever aqui um trecho desta parte que me chamou muito a atenção: a história da produção do papel. Balzac nos dá uma aula falando a respeito do material utilizado, onde é feito, vantagens e desvantagens de acordo com a qualidade e origem etc. É muito interessante! 

Hoje, achamos bem simples e quase todo mundo sabe que aqueles desertos verdes de florestas de eucaliptos são para a produção de papel. Mas imaginem a história deste invento humano...


Ilusões Perdidas, A Comédia Humana - Balzac

O papel, origem e materiais na confecção e a impressão

"O papel, produto não menos maravilhoso que a imprensa, à qual serve de base, existia há muito tempo na China quando, pelos condutos ignorados do comércio, chegou à Ásia Menor, onde, por volta do ano de 750, segundo algumas tradições, se fazia uso de um papel de algodão triturado e reduzido a pasta. A necessidade de substituir o pergaminho, cujo preço era excessivo, fez com que se encontrasse, por uma imitação do papel bombyx (tal era o nome do papel de algodão no Oriente), o papel de trapos, dizem uns que em Basileia, em 1170, por gregos refugiados; afirmam outros que em Pádua, em 1301, por um italiano chamado Pax. Assim, o papel se aperfeiçoou lenta e obscuramente; mas o certo é que já no tempo de Carlos VI fabricava-se em Paris a cartolina para cartas de jogar. Quando os imortais Faust, Coster e Guttemberg inventaram O LIVRO, artesãos, desconhecidos como tantos grandes artistas dessa época ajustaram o fabrico do papel às necessidades da tipografia. Nesse século XV, tão vigoroso e tão simples, os nomes dos diferentes formatos de papel, bem como os nomes dados aos caracteres tipográficos, levaram a marca da ingenuidade do tempo. Assim o Raisin, o Jesus, o Colombier, o papel Pot, o Ecu, o Coquille, o Couronne, tomaram esses nomes do cacho de uvas, da imagem de Nosso Senhor, da coroa, do escudo, do pote, enfim da filigrana marcada no meio da folha, como mais tarde, sob Napoleão se pôs uma águia: daí o papel chamado Grande Águia. Assim também se chamaram aos caracteres Cícero, Santo Agostinho, Grande Cânon, segundo os livros de liturgia, as obras teológicas e os tratados de Cícero nos quais esses caracteres foram pela primeira vez empregados. O itálico foi inventado pelos Aldos, em Veneza: daí seu nome. Antes da invenção do papel mecânico, cujo comprimento é ilimitado, os maiores formatos eram o Grande-Jesus e o Grande-Colombier, embora este último servisse quase só para atlas ou para gravuras. Sem dúvida, as dimensões do papel de impressão estavam subordinadas às das prensas. Na época de que David falava, a existência do papel de bobina parecia uma quimera na França, embora já Denis Robert d'Essonne houvesse, em 1799, inventado, para o fabricar, uma máquina que Didot-Saint-Léger tentou posteriormente aperfeiçoar. O papel velino, inventado por Ambroise Didot, data somente de 1780. Este rápido bosquejo demonstra insofismavelmente que todas as grandes aquisições da indústria e da inteligência são feitas com excessiva lentidão e por agregações despercebidas, exatamente como procede a natureza. Para chegar à sua perfeição, a escrita, a linguagem talvez... passou pelo mesmo tatear que a tipografia e a fabricação do papel...". (páginas 146/147)


Comentário final

Essa aula foi do próprio narrador das Ilusões Perdidas, Balzac. O casal de personagens enamorados estava conversando quando David Séchard falou de problemas futuros na produção do papel francês. Aí o narrador pediu uma licença ao leitor (cara, isso é muito moderno!) e começou a narrar a explicação acima. Vejam como foi:

"A uma pergunta da jovem operária, que não sabia o que significava 'pasta', David lhe deu sobre o papel explicações que não estarão desfocadas numa obra cuja existência material se deve tanto ao papel como à imprensa; mas esse longo parêntese entre um enamorado e sua amada ganhará sem dúvida em ser aqui resumido". (página 146)

Minha vontade é fazer nova postagem, agora dando a palavra ao personagem impressor, David Séchard, explicando os problemas da produção do papel e os efeitos para a tipografia francesa na primeira metade do século 19. É outra bela parte da história do papel e da impressão.

Amig@s leitores, postagens como essa dão trabalho, mas para o autor do blog, valem a pena.

Abraços,

William

segunda-feira, 13 de junho de 2016

Diário - 130616



Olho mais a natureza hoje que antes. Talvez seja a questão
do tempo em nossas vidas. O entardecer em Brasília é algo
a se observar. Este acima foi no sábado 11/6.

Manhã de segunda-feira em Brasília, Capital de nosso querido Brasil, que vive momentos indignos por causa da classe política que usurpa nossa democracia e nossos direitos sociais, civis e políticos.

Já comecei logo cedo, 8:30h, a leitura da grande pauta de reunião de Diretoria Executiva que teremos nesta semana na Cassi. Eu estava tão cansado e esgotado na sexta-feira passada que me neguei a começar a ler as súmulas no fim de semana. Precisava de um respiro físico e na minha psique.

Mas o dia de trabalho hoje vai até a madrugada da terça para vencer a leitura da pauta.


Neste fim de semana, sozinho sem a família, li um livro belíssimo que ganhei de presente de minha esposa - Um velho que lia romances de amor, de Luis Sepúlveda (leia comentário AQUI). Assisti ao famoso filme Django, de Quentin Tarantino (comentário AQUI). 

Já no domingo à noite, li um pouco do volume gigante das Ilusões Perdidas, de Honoré de Balzac. Eu ganhei de minha esposa nove volumes da coleção A Comédia Humana. Quem sabe se eu viver até os cem anos possa ler tudo.

Minha corrida no Eixão foi muito prazerosa porque tive o prazer de ver os primeiros ipês com flores roxas. Vi quatro árvores carregadas de flores em cachos, correndo no percurso da quadra 110 Sul sentido aeroporto. Pena que não levei máquina para fotografar para vocês; a imagem está na minha memória.

As flores roxas ou tom lilás são as que abrem a temporada de ipês em Brasília. Só depois virão as outras floradas amarelas, brancas e rosas nas semanas e meses seguintes. Adoro a natureza da Capital do Brasil.


É necessário sermos uma Comunidade e não um mero agrupamento

Me chamou a atenção a reflexão "A ambígua solidão", uma das pensatas do livro "Não nascemos prontos" do filósofo Mario Sergio Cortella, livro que ganhei do amigo Jacy Afonso e que se tornou uma leitura de cabeceira porque sempre leio uma das provocações ao acordar ou ao dormir.

"Há uma imensa diferença entre agrupamento e comunidade; esta pressupõe partilha de interesses e cuidado protetor mútuo, enquanto aquele resume-se a uma simples agregação de pessoas com raros objetivos coletivos comuns, pontuado por sinais de uma filantropia que, no mais das vezes, por ser calculista e interesseira, beira o cinismo utilitarista..."

Desde que me peguei aceitando indicações de pessoas ao meu redor para ser candidato a cargos eletivos, das comunidades em que me inseri ao longo da vida, aceitei por acreditar nesta descrição que o Cortella nos dá de interesses coletivos, de proteção mútua que uma comunidade nos dá.

Fui eleito em salas de aula e escolas e faculdades durante a vida estudantil, depois no condomínio onde vivemos, e depois eleito por trabalhadores primeiro no movimento sindical e agora como gestor da Caixa de Assistência dos Funcionários do Banco do Brasil para fazer o que sempre acreditei: neste momento de minha vida, defender os interesses coletivos de nossos colegas da Comunidade BB na Cassi.

É por isso que tanto me esforço para manter o contato com as bases sociais as quais pertencemos e representamos, para falar de "pertencimento" e para convidar todos a "estarem juntos" e ajudarem tanto na busca de soluções de problemas comuns quanto para desfrutarem dos direitos e deveres das instituições que nossa Comunidade BB, feita por pessoas, construiu ao longo de dois séculos.

Vamos para mais uma semana de trabalho e de luta pelo bem comum.

William Mendes
Diretor de Saúde e Rede de Atendimento da Cassi (eleito)

domingo, 8 de maio de 2016

Diário - 080516



Flores em nome da paz, tratamos bem
as pessoas para recebermos o mesmo.
Não ofereço flores aos fascistas e intolerantes.


Refeição Cultural

"Os dois jovens julgavam a sociedade tanto mais soberanamente quanto mais baixo se achavam nela colocados, pois os homens esquecidos se vingam da humildade de sua posição pela altivez do olhar" (Ilusões perdidas, Balzac)


Domingo, acabou o final de semana. Vou madrugar para começar minha longa jornada de trabalho que só terminará na manhã do sábado que vem.

Hoje, saí para correr à tarde no Eixão com Sol forte e 26º de temperatura. Estava bem vazio. Foi um momento de silêncio e introspecção. Assim como no domingo passado havia corrido a maior distância do ano (9k), neste comecei a corrida com certa preguiça, pensando em correr algo como meia hora e acabei curtindo a pista vazia, o Sol gostoso, o silêncio e depois que embalei decidi fazer um esforço e completar 10k em 62'. Foi bom fazer isso! Estou vivo!

Este foi um domingo das mães que passei longe de minha mãe. Foi um domingo das mães que minha esposa passou longe do filho também. A vida é um constante mudar, renovar, adaptar-se às realidades que nos pegam sem direito a fugas. Mas nos falamos todos, pais mães e filhos, por telefone e por mídias sociais.

Assistimos a um filme que me deixou meio pra baixo agora à noite, A juventude (2016). Filme meio catártico, com belas imagens, com história de muita reflexão a respeito da passagem da idade na vida. Na minha opinião, filme meio deprê.


ILUSÕES PERDIDAS...

Por fim, li um pouco das Ilusões perdidas, de Balzac.

Por que coloquei a citação acima de Balzac, a título de epigrama nesta postagem? Me chamou a atenção a questão da altivez do olhar nas pessoas em posições humildes.

O contexto social em que vivemos em nosso país é dos mais dramáticos que vivi em meus 47 anos de vida. Nesta semana, mesmo sendo ilegal, imoral, e sem escrúpulos, o Senado Federal pode finalizar e completar o Golpe de Estado, via Parlamento, com apoio dos setores da justiça brasileira. O golpe foi tramado por um sindicado de bandidos, corruptos seculares, os mesmos que perpetraram o golpe à democracia brasileira em 1964.

A trama foi construída desde 2010, quando o povo brasileiro elegeu a primeira mulher presidenta do Brasil. Por ela ser do Partido dos Trabalhadores, por ter sido lançada pelo presidente Lula, por ter derrotado a Rede Globo e demais empresários dos meios de comunicação, iniciou-se ali uma trama para tentar interromper os avanços oriundos dos governos do presidente Lula.

Apesar de tudo que fizeram contra, a presidenta Dilma Rousseff conseguiu se reeleger em 2014. Foi a gota e o limite para a burguesia vira-latas brasileira. Disseram que se ela ganhasse, não governaria. Desde o resultado das eleições, paralisaram o país. Quebraram a economia do país, com o apoio de setores da justiça e com o envenenamento do povo brasileiro via meios de comunicação. Hoje, o ódio domina o país. O clima é o mesmo que viveu a Alemanha nazista desde o início do 3º Reich com Adolf Hitler.

Por que fiz esse histórico? A maior parte da população age hoje sem tolerância alguma, com ódio e agressividade contra aquele que pensa diferente. Especificamente falo da construção criminosa por parte dos meios de comunicação e dos partidos de oposição ao governo Dilma e ao PT. Vivemos um clima de desejo de certos setores da sociedade, estimulados pela mídia, a defender a eliminação da vida pública, dos espaços sociais, de qualquer pessoa que venha do movimento social próximo ao PT, aos sindicatos, principalmente os cutistas, que construíram a quase totalidade dos direitos e avanços sociais dos trabalhadores brasileiros desde os anos oitenta.

Enfim, eu tenho atuado como representante dos trabalhadores que sou, eleito e em mandato em entidade de saúde, com a maior civilidade, tolerância e cordialidade que já tive em minha vida. Mas algumas pessoas em redes sociais insistem em nos ofender, agredir e eu fico dividido entre calar ou responder.

Sempre atuei em meus mandatos com humildade por ser representante, mas com altivez por saber o que defendo e o que represento. A frase acima me fez lembrar isso.

Eu tenho lado, o lado dos trabalhadores, e por mais respeito que tenha a qualquer pessoa e qualquer divergência de opinião, ela deve ser respeitosa. Não vou aceitar calado agressões baixas, estapafúrdias, sem pé nem cabeça, ilações e acusações. A Constituição Federal diz que quem acusa, deve provar. Então peço que as pessoas respeitem uns aos outros e vamos buscar unidade entre nós da classe trabalhadora.

Vamos para mais uma semana de trabalho, até porque trabalhamos muito e isso é público.

William Mendes
Diretor de Saúde e Rede de Atendimento da Cassi (eleito)

sábado, 7 de maio de 2016

Ilusões perdidas, de Balzac (excertos)





Refeição Cultural

A qualidade da construção descritiva dos costumes da sociedade francesa por parte de Balzac é muito refinada. Dá gosto de citar alguns trechos aqui da leitura da primeira parte, Os dois poetas, das Ilusões perdidas.


Volume 7, Estudos de costumes, Cenas da vida provinciana

Primeira parte - Os dois poetas

"O sr. conde de Maucombe envergou assim o humilde avental de um chefe de oficina de província: compôs, leu e revisou os decretos que impunham a pena de morte aos cidadãos que escondessem nobres..." (pág. 31)

A primeira referência que temos, no início da história, é sobre a França dos anos 1819, mas com idas e voltas ao período pós Revolução Francesa como o citado acima, que aborda o período do terror, entre 1793/94.


"A avareza começa onde cessa a pobreza" (pág. 31)

Esta frase profunda é dita ao descrever o velho tipógrafo Jerônimo Nicolau Séchard, tipógrafo que não aprendera a ler nem escrever (fato que conhecemos quando o vemos assumir a tipografia do sr. Bobo em 1793). Anos depois, já em 1802, ele passa a se estabelecer como um burguês por sua avareza, por explorar os outros e por extremo egoísmo, mesmo em relação ao seu único filho, David Séchard.


"EBRIOGRAFIA" foi vantagem para pai explorar o filho

Séchard pai quer passar ao filho recém chegado de Paris a tipografia, cobrando por isso um bom dinheiro para se retirar do trabalho.

"Se não tinha conhecimentos de alta tipografia, em troca passava por ser extremamente forte na arte que os operários, por caçoada, apelidaram de ebriografia, arte muito estimada pelo divino autor do Pantagruel, mas cujo exercício, perseguido pelas sociedades chamadas de temperança, se encontra dia a dia mais abandonado..." (pág. 33)

Mais algumas ironias de Balzac a respeito do velho septuagenário Séchard.

"Era parrudo e bojudo como muitos desses velhos lampiões que consomem mais óleo do que mechas; aliás, os excessos em todas as coisas modelam os corpos segundo suas características. A bebedeira, como o estudo, engorda mais aos gordos e emagrece aos magros..." (pág. 34)

O velho pai se aproveita do filho ao voltar para casa, agora como novo tipógrafo que estudou em Paris, e quer explorá-lo o máximo que puder.

"Essa transformação do sentimento pessoal, ordinariamente lenta, tortuosa e hipócrita nas criaturas bem-educadas, foi rápida e direta no velho Urso, que mostrou quanta vantagem a ebriografia esperta levava sobre a tipografia instruída..." (pág. 35)

Notem que Balzac descreve acima que a transformação naquela nova sociedade burguesa tende a atingir a todos, ela só demora um pouco mais em quem tem boa educação. Fica dito que ao final, a hipocrisia dominará a todos.


O dilema do jovem tipógrafo David perante o velho pai Séchard:

"David percebeu que não havia meio de discutir com o pai. Cabia ou tudo admitir ou tudo recusar, achava-se entre um não e um sim. O velho Urso incluíra no inventário até os cordões do estendedouro. A menor das ramas, as galeras, as escudelas, a pedra e as escovas de lavar, tudo fora apreçado com o escrúpulo de um avaro. O total ia a trinta mil francos, compreendidas nessa soma a patente de mestre impressor e as luvas pela freguesia." (pág. 40)


O jovem Séchard aceita o negócio e na hora o próprio pai explorador já desconfia se o filho vai cumprir por saber que está abusando dele.

"David estimou as possibilidades da patente, da clientela e do jornal, sem se preocupar com os utensílios; julgou poder vencê-las e aceitou as condições. Habituado ao regateio dos camponeses, e nada sabendo dos largos cálculos dos parisienses, admirou-se o velho de tão pronta conclusão.

'Será que meu filho enriqueceu?', pensou, 'ou projeta ele, desde agora, não me pagar?'..." (pág. 43)


Balzac sai mais à frente com uma frase ótima comparando característica comum à avareza e ao amor.

"A avareza, como o amor, tem o dom da vidência quanto às contingências futuras, fareja-as, apressa-as" (pág. 46)


Gostei da leitura calma e com prazer feita neste sábado de calor em Brasília (DF).

William

Ilusões Perdidas - Balzac



As Ilusões perdidas e suas 800 páginas de
estudos de costumes da sociedade francesa
burguesa da primeira metade do século 19.

Refeição Cultural


"A avareza começa onde cessa a pobreza" (Ilusões perdidas, Honoré de Balzac)


Nesta semana que passou, recebi um comentário interessante na postagem que fiz dizendo que estava lendo o primeiro volume da coleção A comédia humana, de Honoré de Balzac. O colega Joel Bueno me recomendou algo que ouvi por longos anos dos mestres de literatura na Faculdade de Letras, da USP. Disse para largar o "chato" do Rónai e pegar de vez o Balzac.

Os professores falavam isso para nós nas aulas de literatura, fossem elas portuguesa, espanhola, hispano-americana ou brasileira. Me lembro da professora Maria Augusta Costa Vieira dizendo isso sobre os dois grossos tomos do Don Quijote de la Mancha. Eu acabei pegando uma edição especial e lendo por 3 meses a fan-tás-ti-ca história do cavaleiro da triste figura e seu fiel escudeiro. Até hoje não li as diversas críticas contidas em mais de uma centena de páginas de minha edição especial de comemoração dos 400 anos do lançamento da obra, feita pela Alfaguara.

Como o volume nº 1 da imensa obra balzaquiana não chegou a Brasília e sim lá em Osasco (não estou com ele ainda), olhei, olhei e escolhi o volume 7 de A comédia humana. Escolhi nada mais nada menos que Ilusões perdidas para começar a namorar com ela hoje (sei que minhas jornadas de trabalho e luta não me permitem ler um livrão desses de sentada).


LEITURAS E LEITURAS

Interessante a questão de adequar a onda mental para determinado tipo de leitura. Quando li Os lusíadas, de Camões, gastei várias idas e voltas para entrar no ritmo da leitura e poder navegar por mares nunca dantes navegados. 

Imaginem quando consegui ler até o final as quase mil páginas de Ulisses, de James Joyce. Devo ter recomeçado umas oito vezes até meu cérebro entrar naquele ritmo e deslanchar. Me lembro que cheguei a ler até a página trezentos e voltar ao início porque achei que não estava boa a leitura.

Como na atualidade só leio dezenas de súmulas técnicas a respeito de saúde e coisas do mundo da gestão da saúde e, às vezes, artigos políticos, meu cérebro está destreinado para leitura literária. Fiquei algum tempinho nas primeiras 5 páginas para entender direito o que estava lendo, o contexto da história, o ritmo do autor etc. Não sei se isso acontece com vocês, amantes de leituras.

Enfim, viram a citação acima sobre a avareza e a pobreza? É só um aperitivo do que já vi nas primeiras páginas das Ilusões perdidas. O autor tem um estilo de linguagem ferina. Soube que Machado de Assis teve influências de Balzac. Me pareceu muito o estilo de críticas irônicas e aguçadas à sociedade como costumo ler no Mestre do Cosme Velho, este sim, já de minha afinidade.

Abraços aos meus amigos leitores.

William

quinta-feira, 5 de maio de 2016

Diário - 050516





Refeição Cultural - Balzac

"A obra do escritor não é menos atraente nem - como o pretendemos mostrar - menos enigmática do que a sua vida. Depois de uma estreia pouco promissora, emerge de repente como o criador de um gênero literário importantíssimo, o único que ainda hoje acaso participa da vida de quase todos nós: o romance moderno. Foi ele quem primeiro teve a ideia genial de basear a literatura de ficção em estudos e pesquisas, aplicando à sociedade de seu próprio tempo o método de documentação com que Walter Scott, em seus romances históricos, transfigurava o passado" (Paulo Rónai, Balzac e A Comédia Humana)


Acordei e peguei pela segunda vez o primeiro volume da coleção que ganhei da obra gigante de Honoré de Balzac, A comédia humana

Medi minha pressão arterial antes de pegar o pequeno volume extra que vem com os oito volumes que ganhei de minha esposa, porque o primeiro livro da coleção é de estudos de Paulo Rónai sobre Balzac e sua obra. A triste rotina de medir a pressão já se tornou obrigação nos últimos meses. Deu o mesmo, alta, mesmo tomando remédio regular.

Obras clássicas de séculos passados sempre nos deixam boquiabertos por imaginar o mundo de dificuldades que seus autores tiveram que superar para escrevê-las e publicá-las. 

Quando penso em Miguel de Cervantes escrevendo Don Quijote de La Mancha, num mundo do século 16 para o 17, sem computador, sem caneta e papel apropriado, fico estupefato, por ser algo fantástico.

Balzac passou mais de duas décadas escrevendo sua comédia humana no século 19.

Li uns 45 minutos pela manhã desta quinta-feira, dia de trabalho. Agora é hora de enfrentar os problemas do mundo Cassi até o dia acabar... meu primeiro compromisso de agenda é às 11h.


Meu mundo...

E olha que são tantas coisas que nem dá pra contar. São traições que nos decepcionam, hipocrisias e ilações plantadas no meio em que vivemos e envolvendo pessoas que conhecemos e com as quais temos relações de trabalho e ou políticas... O mundo em que estamos é um mundo que não permite pessoas sensíveis do estômago passarem por ele sem congestões e ânsias de vômito.

Mas o mundo humano tem seus momentos de altos e baixos ao longo dos séculos. O momento é de total inversão de valores, de baixa ética e pouco apego à verdade e ao caráter.

Balzac teria um excelente cenário para repetir seus estudos e sua obra analisando a atual sociedade brasileira do século 21.

William

terça-feira, 3 de maio de 2016

Diário - 030516



Meu presente de aniversário, A comédia humana, de Balzac.
Ai se eu pudesse ler com o tempo e o vagar...

Hoje, acordei cedo e fui medir minha pressão arterial. Eu pensei que ela fosse estar boa, tinha até tomado um chá para dormir à uma hora da manhã e não me sentia estressado demais (ou seja, só o normal para quem tinha trabalhado em 3 turnos no dia).

Quando medi e vi 136 x 105 mm/Hg fiquei entre revoltado e chateado. Pensei um minuto e coloquei um tênis, uma bermuda e saí para correr porque não me conformei com aquela pressão alta. O que fiz foi loucura, pois a atividade física naquele momento poderia me trazer alguma consequência grave.

Acabei saindo da Cassi por volta de 17h. Decidi que hoje só iria trabalhar umas 8 horas.

Durante o almoço com alguns companheiros de trabalho, ainda comentei alguma coisa a respeito desse problema de saúde que adquiri no último ano. O estresse ininterrupto em sua vida, em seu trabalho, acaba por afetar sua condição de saúde com o passar do tempo. 

Sinceramente, eu acredito que o mesmo que se passou comigo, se passa com os trabalhadores do Ramo Financeiro, com os colegas bancários. É por isso que dedico todas as minhas energias para tentar atuar em meu mandato para ampliar a cobertura do modelo de saúde da nossa Caixa de Assistência aos meus colegas bancários. Todos deveriam ter o direito ao acesso a uma equipe multidisciplinar de atenção primária e de acompanhamento de condições crônicas. Eu acredito naquilo que faço na Cassi e nossos funcionários da Cassi também são apaixonados pelo que fazem: cuidar das pessoas.


Bom, vejam a foto do meu presente de aniversário deste ano, quando completei 47 anos de idade. Minha esposa me deu os volumes da grande obra de Balzac, A comédia humana. É uma pena que não consigo mais tempo para ler como gostaria. Cada vez que lembro o quanto desejo dedicar um tempo de minha vida para a leitura dos grandes clássicos, mais me apego a querer viver para ler simplesmente pelo prazer de ler.

Só para fazer algo diferente hoje, parando de trabalhar no final da tarde, fiquei namorando e lendo algumas páginas do primeiro volume da coleção, com coletâneas de textos de Paulo Rónai sobre Balzac e sua obra de uma vida.

Vamos parar por aqui.

William
Amante da leitura sem tempo para o amor

segunda-feira, 25 de abril de 2016

Diário - 250416



Entardecer de domingo
em Brasília, 24/4/16.

Refeição Cultural

Vamos iniciar mais uma semana de trabalho intenso e estressante na empresa em que sou gestor de saúde eleito pelos trabalhadores associados.

Mas este instante é de olhar para o fim de semana que tive e que já ficou para trás.

Meu filho que estuda no interior de São Paulo veio nos visitar. Cumpri meu compromisso com ele e terminamos de assistir a trilogia d"O senhor dos anéis". Vimos o terceiro filme. Ao todo, foram quase dez horas os três filmes. Boa estória.

Terminei a releitura do clássico de mundos distópicos "1984" de George Orwell. Consegui ler fazendo postagens e analogias em meu blog. Caso algum de meus preciosos leitores se interesse, é só olhar na lateral direita do blog, nas categorias e clicar.

Neste feriado, consegui correr na quarta à noite (5k), na sexta à noite (6k) e neste domingo no Eixão (7k). Estou fazendo a minha parte em relação à saúde porque quero estar bem para os projetos de vida que ainda tenho, principalmente o relacionado ao meu sonho de estudos e leituras dos clássicos da literatura mundial. Mas minha pressão alta virou um empecilho preocupante ao projeto de vida.

Li dois contos de Machado de Assis no domingo à noite: O anel de Polícrates e O empréstimo, ambos de 1882. 

Vi um programa de leituras que abordou a obra imensa de Balzac, A Comédia Humana. Me emocionei de desejo de poder ler os grandes autores e suas obras como Thomas Mann, Balzac, Marcel Proust, Shakespeare, o que falta de Machado de Assis, os russos, dentre outros grandes nomes da história da literatura. É o que mais dói em mim, quando vejo o rumo que minha vida tomou.

No sábado foi aniversário de minha esposa e aproveitamos o dia em casa na presença do filho. Eu confesso que não foi legal o tempo que gastei no sábado fazendo um texto de análise sobre um processo eleitoral (Cassi) que havia se encerrado na sexta, mas o bicho político tinha que publicar sua opinião a respeito. Perdoe-me Noni.

Não posso deixar de dizer da tristeza que nos traz o cenário político em nosso querido país. Nesta semana começa a etapa seguinte ao Golpe de Estado em marcha no Brasil, o Senado vai avaliar o impeachment da presidenta Dilma Rousseff, do Partido dos Trabalhadores. Ela não tem crime de responsabilidade algum, é uma lutadora pelo país e pela democracia brasileira desde a adolescência, sofreu tortura nas mãos dos ditadores no Estado de exceção que vivemos entre os anos 60 e 80. Agora, o mesmo consórcio de ladrões e antinacionalistas da época, repetem como farsa a história.

Me sinto no próprio mundo distópico e totalitário do "1984". Estamos nas mãos do Grande Irmão Globo e canalhas parceiros de suas teletelas.

E pensar que tem gente, muita gente, que é do meu espaço de existência humana e social, que apoia o Golpe de Estado e inclusive participa da virulenta campanha fascista para extirpar da sociedade (vaporizar como no "1984") quem é de esquerda, quem tem origem no sindicalismo cutista, quem é militante ou simpatizante do PT e outras insanidades persecutórias plantadas na atualidade, quem é nordestino, gay, negro e até campanhas contra as lutas femininas. Mulher do mundo da direita fascista deve ser "bela, recatada e do lar" como disse a revista mais escrota do país do mesmo P.I.G. a respeito da senhora esposa do vice-presidente golpista do Brasil.

Vamos em frente, com ética, serenidade e muita energia e saúde, porque não deveríamos quebrar fisicamente para cumprir nossa jornada de lutas em defesa dos trabalhadores e do povo brasileiro que pertence ao meu lado, o lado da classe trabalhadora. Mas tá difícil...

William