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sábado, 25 de outubro de 2025

Instantes (14h56)



Refeição Cultural

Acordei neste sábado com o corpo moído, cansado. Está claro que meu corpo não acompanha mais meu espírito. Bastou três dias seguidos de atividades políticas para cansar fisicamente. Por décadas, minha resistência não tinha fim... agora tem (risos irônicos).

Sabendo que meus sistemas cardíaco, muscular e endócrino estão sob risco, mantive minha disciplina de tentar fazer atividades físicas e saí para uma corridinha. Corri menos do que queria, mas acolhi o pedido do meu corpo. Sem ele, não seria nem estaria aqui.

HOMENAGEM A VLADIMIR HERZOG 

Se eu ouvisse somente os desejos do espírito (meu cérebro, o verdadeiro criador de tudo), teria um evento político para ir hoje, dia que nos lembra os 50 anos do assassinato do jornalista Vladimir Herzog, morto pelos trogloditas da extrema-direita que deu um golpe de Estado em 1964. Estarei na Sé presente em pensamento. Vladimir Herzog, presente!

Preciso descansar. Sou novo na idade, mas meu corpo é como um carro de aplicativo: rodou por muitos percursos e trilhas, algumas bem difíceis, e agora o motor está meio capenga.

Sigo como posso.

Will i am 

25/10/25

domingo, 6 de julho de 2025

Instantes (17h27)



Refeição Cultural

Hoje exerci parcialmente meu direito de votar no Partido dos Trabalhadores. Porém, a burocracia partidária tirou das eleições meus candidatos: Heber, Gabi e Matheus, do Coletivo JuntOz. Democracia incompleta quando impedem as pessoas de votarem e serem votadas.

Soube que fizeram isso também com a companheira Dandara, deputada federal de Uberlândia, cidade onde cresci. Todos perdem com isso, o partido e a democracia. 

Terminei a leitura do livro do neurocientista e professor Miguel Nicolelis - Nada mais será como antes (2024). Ficção científica com base nas tendências distópicas e disruptivas da realidade atual. O ser humano e a sociedade humana como existem hoje podem estar com os dias contados.

O tempo e a natureza seguem seu ritmo tic-tac, tic-tac, tic-tac. A morte de nós todos seres vivos está à espreita. Num instante estamos aqui vivos, no outro, não mais. 


Estou sentado vendo o pôr do sol numa tarde fria em Osasco. Acabei de fazer uma hora de musculação. Meu corpo cansou da jornada de dez anos a mil. Cansou. Minha razão está firme por consciência. Enquanto puder, farei minha parte para viver. Ainda tenho responsabilidades com pessoas queridas. 


Seguimos estudando, registrando, sendo útil de alguma forma e buscando aproveitar as oportunidades de estar vivo.

William 

06/07/25


Post Scriptum: hoje votei também no plebiscito popular dos movimentos sociais pelo fim da escala 6x1 e por isenção de imposto de renda para quem ganha até 5 mil reais. 

sexta-feira, 14 de fevereiro de 2025

Diário e reflexões



Refeição Cultural 

Osasco, 14 de fevereiro de 2025. Sexta-feira. 


Saí de manhã para caminhar no Parque Continental, ver o estrago da tempestade de ontem e comprar algumas coisas no mercado.

Algumas árvores caíram na região, inclusive na frente de nosso condomínio. Lá no Parque caiu uma árvore gigante, partindo ao meio um poste de luz.

Ao descer para casa, vindo da Vila Yara, pensei no quanto minha saúde e condição física regrediram. O peso das compras agora importa, antes eu nem sofria. Sou novo, não é uma questão de idade. Talvez seja a intensidade com que vivi a vida.

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Meus problemas no quadril parecem apontar um futuro breve tenebroso. Quis o destino assim. Posso chamar a situação como "destino", casualidade. Sou o resultado da intensidade de tudo na minha vida. São as veredas que entrei e percorri.

Sobre meu sistema locomotor, tenho quase certeza que a volta ao Kung Fu aos 50 anos foi a causa da aceleração da destruição do meu quadril. Todo movimento repetitivo foi muito intenso, isso fodeu geral meu sistema articular. Destino? Acaso?

Voltar a praticar arte marcial foi uma decisão racional. Vejam as cenas nos noticiários de jovens espancando e matando pessoas mais velhas sem nenhum remorso ou receio. É um mundo bárbaro. Entendo que temos que estar preparados para não deixarmos nos matarem assim, na mão, de forma torpe. Treinei uns dois anos. É meu dever não deixar que me matem na porrada.

Sou teimoso, persistente. Ninguém pode me acusar do contrário. Posso ter sido pusilânime em vários momentos da vida, mas minha natureza é aguerrida, insistente quando persigo um objetivo. Foi assim para ser aluno de arte marcial aos 50 anos. Mas acho que paguei o preço.

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Neste momento, estou na academia do condomínio, escrevendo enquanto treino. Tenho conhecimentos na área de saúde, sei que musculação é importante para as pessoas. Estudei Educação Física e fui gestor de saúde. Tudo por acaso, mas esse saber faz parte de meu percurso de vida.

Ainda sobre saúde, tem uma história esquisita a minha vida: até uns 45 anos, eu não cuidava da saúde de forma preventiva, fazia esporte, mas não tinha consciência de saúde. Comia sal na mão tomando cerveja, bebia pra caralho, comia muita porcaria.

Nunca gostei de ir ao médico ou consultas e hospitais. Minha família só se fodia quando precisava de um atendimento ou salvamento em algum caso agudo. Meu pai e minha mãe quase morreram algumas vezes por não terem atendimento adequado. Meus pais são crônicos desde seus quarenta anos. Uma vez, fomos até os jornais denunciar que meu pai não conseguia atendimento numa crise renal.

Quando passei a ter acesso a atendimento médico como funcionário de banco público, tinha um mal-estar terrível pelo privilégio: por que eu tinha plano de saúde e meus pais e minha irmã não? Fiquei praticamente dos 22 aos 45 anos sem fazer nada preventivo, só usei a Cassi em casos agudos. E fazia os exames médicos do banco. 

Virei gestor de saúde, passei a dar exemplo como liderança dos trabalhadores nos exames preventivos, descobri que tinha pressão alta e me cuidei na última década. Talvez isso tenha me salvado a vida, evitado um infarto e ou AVC. Meu pai já teve tudo isso. Acaso? Destino?

Respondo a essas perguntas retóricas: acaso. Não acredito nessas narrativas das abstrações humanas.

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Escrevi essas lembranças do passado talvez porque esteja com uma impressão ruim do presente e do futuro. 

Tenho pensado na forma como o tio Léo adoeceu e faleceu, um homem forte como um touro, perdeu a força nas pernas e ficou numa cadeira de rodas; no meu pai que reclamava de dores crônicas desde antes de ter um plano de saúde, as dores eram no quadril; nas pessoas queridas que estão com alguma doença ou dificuldade física e querem melhorar... meu quadril bichado tem me feito pensar muita merda. 

Por falar em gente insistente e teimosa, meu pai é outro cara turrão pra caralho. Por isso que temos tantas discussões ruins. Acho que é de sangue isso... E minha mãe? Temos um trato que já dura uma vida inteira: eu me esforço pra viver e ela se esforça pra viver porque precisamos uns dos outros.

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Aí fico pensando no mundo no qual estamos enfiados, na falta de sinais de mudança de tendência do tempo escatológico no qual nos metemos: destruição da natureza pelos homens do capitalismo, a esquerda que não luta mais contra o capitalismo, eu que não caibo mais na esquerda que me politizou... tudo isso é foda!

Pra finalizar essas elucubrações do dia - depois que terminei minha série e me sentei sob o calor do sol de fim de tarde - fiquei pensando a vida... tem horas que penso naqueles objetivos que tinha traçado quando era outra pessoa, décadas atrás... quando se é jovem, os desejos e utopias são bem mais claros do que depois que ficamos velhos.

O que quero para esses dias? para fevereiro? para este ano? O que estou perseguindo agora? Vale querer o meu quadril de volta?

Queria e ainda quero um mundo mais justo para as pessoas. Saúde. Conhecimento e cultura. Amor. Ver as pessoas felizes (talvez até eu mesmo). Consideração. Me sentir parte de um projeto de mundo.

Caraca... pqp. Tenho a impressão que não vou alcançar meus objetivos...


(aquela cena do ciclista morrendo com um tiro por dois imbecis por causa de um celular... vai tomar no cu com esse mundo! Poderia ser eu ou você. Que merda de mundo é esse? Por causa de um celular?!)


Aí fico pensando se deixasse de existir de forma estúpida assim de um minuto para o outro... o que eu gostaria de fazer agora?


William 


domingo, 9 de fevereiro de 2025

Poema 12: Enquanto comia em silêncio


ENQUANTO COMIA EM SILÊNCIO


Pensava no quanto se perde

de pensamentos e reflexões

por não se comer em silêncio

durante nossas refeições. 


Eu mesmo viajei nas ideias 

sobre meu livro, o que fazer,

pra quem enviar, o que dedicar;

pensei nomes, lembrei-me de histórias, 

referências de lutas, modelos que segui.


Mudei no passado pelas oportunidades que tive.

Os nomes que por minhas lembranças passaram, 

frearam instintos e o novo homem moldaram. 

As instituições de classe, idem.


De Marcos Martins a Deise Lessa,

de Sérgio Rosa a gente à beça,

fui mudando pela prática e ensinamento

de amigos feito Recoaro e Carlão: bom exemplo!


Até no abraço de despedida,

Alicinha me mudou na vida.


Num almoço em silêncio, 

sem o inferno do zumzum da política,

lembrei-me de muita gente

que ainda hoje considero querida.


William 

09/02/25


quarta-feira, 5 de fevereiro de 2025

Poema 9: Mudança


MUDANÇA


Acordei com desejo de mudança.

E olha que tenho trauma de mudança 

de endereço físico. 

Durante a vida proletária

mudei uma dezena de vezes

por necessidades. Foi foda!


Há um clamor por mudança.

Meu corpo pede, o contexto impõe, o coração reclama. 

O caos do mundo sugere

que a gente mude pra seguir adiante. 


Quero mudar para ajudar na mudança

necessária à manutenção da vida diversa e plural.


Já estou mudando. 

Vou mudar muito mais. 

Tenho esperança de contribuir ainda

para mudar o mundo. 


Outro mundo é possível!

Mudemos o mundo mudando nós mesmos.


William 

05/02/25


segunda-feira, 3 de fevereiro de 2025

Poema 8: O Brasil não é um país laico


O BRASIL NÃO É UM PAÍS LAICO

 

          "sob a proteção de Deus..." (CF 1988)


Preâmbulo


Nós, representantes do povo brasileiro,

reunidos em Assembleia Nacional Constituinte

para instituir um Estado democrático,

destinado a assegurar o exercício

dos direitos sociais e individuais,

a liberdade, a segurança, o bem-estar,

o desenvolvimento, a igualdade e a justiça

como valores supremos

de uma sociedade fraterna,

pluralista e sem preconceitos,

fundada na harmonia social

e comprometida,

na ordem interna e internacional,

com a solução pacífica das controvérsias,

promulgamos,

sob a proteção de Deus,

a seguinte Constituição

da República Federativa

do Brasil.


Laico? Em nome de Deus?

O Brasil é uma piada pronta!


William

03/02/25


terça-feira, 5 de novembro de 2024

Opinião - Os significados por trás das desfiliações partidárias e sindicais



Os significados por trás das desfiliações partidárias e sindicais


Opinião

O peso de uma desfiliação na vida pessoal e da instituição que perdeu aquela militância


1a parte

Fiquei refletindo por um tempo para avaliar a melhor forma de abordar a simbologia da perda de um companheiro valoroso de nosso Partido dos Trabalhadores nesta semana. O amigo e colega do Banco do Brasil, Daniel Kenzo, presidente do Diretório Zonal do Butantã, informou ontem que se desfiliou do Partido. Entendo que sua saída foi uma perda imensa para o PT. 

Quem de nós militantes sindicais ou partidários já não pensou alguma vez em se desfiliar do sindicato ou do partido por motivações diversas? Quando uso o termo "militante" estou indo um pouco além da relação formal entre a pessoa e a instituição à qual se associou. Militância é um grau acima na relação. Já tem coração envolvido naquela filiação, tem sentimento de pertencimento.

Até mesmo as motivações para se filiar ao sindicato ou ao partido são diversas, é verdade. Algumas são até descompromissadas, episódicas, sem um conteúdo ideológico. No entanto, avalio que uma das questões centrais de uma filiação seja o sentimento de confiança nos propósitos, nas práticas e nas pessoas que lideram aquela instituição de luta política. (falarei a respeito disso na 2ª parte desta reflexão)

Como afirmo em minhas reflexões, sempre recorro às experiências que acumulei na luta política para analisar e tentar compreender o mundo. Respeito as avaliações teóricas baseadas nos estudos, acredito na ciência e na capacidade da mente humana em analisar situações e criar soluções para os problemas do mundo.

O peso da experiência - No entanto, tem um ditado muito válido que aprendi no movimento sindical que carrego comigo desde o contato com ele: "a prática como critério da verdade". Desde que compreendi a ideia por trás desse conceito, tentei exercer os mandatos de representação baseados nesse princípio ético.

O companheiro e militante Daniel Kenzo desempenhou na presidência do Partido e nos movimentos populares em nossa região esse princípio ético da prática como critério da verdade. E sob sua liderança, a militância viveu intensamente o sentimento de confiança nos propósitos, nas práticas e nas pessoas que lideram nossas frentes de lutas.

Na última vez que conversamos, no dia da foto acima, lutando para eleger nosso projeto para a cidade de São Paulo, falamos um pouco sobre nossos sentimentos em relação ao Partido e à linha política mais ao centro e liberal que as direções do PT vêm tomando. Não concordamos com o afastamento do Partido dos princípios, concepções e práticas basilares da esquerda e da busca por uma sociedade socialista, ou pelo menos de combate ao capitalismo. 

Partilhei com ele minha opinião de que seria interessante tentar um pouco mais a luta interna pelos rumos do Partido, pois sua liderança poderia nos ajudar pelo respeito que ele tem da militância e dos outros diretórios. Mas só a pessoa para saber os seus limites e o que já vem enfrentando no cotidiano como membro da direção partidária.

Desejo que o amigo Daniel siga firme nas lutas por um mundo mais justo e solidário porque sabemos que ele é um militante de esquerda apaixonado, mas desejo sobretudo que o companheiro encontre um pouco de paz de espírito e alegria na militância, porque queremos mudar o mundo e não deixá-lo como está. Tamo junto, compa! Você tem o meu apreço e carinho e você é um exemplo de liderança!

(Post Scriptum: espero que lideranças partidárias consigam convencer o companheiro a permanecer no Partido)

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2a parte

SINDICALIZAÇÃO E FILIAÇÃO PARTIDÁRIA

"Avalio que uma das questões centrais de uma filiação seja o sentimento de confiança nos propósitos, nas práticas e nas pessoas que lideram aquela instituição de luta política"


Tenho inúmeras lembranças da vida de trabalhador bancário, memórias tanto como trabalhador de base como de dirigente do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e região e da Confederação da categoria, a Contraf-CUT.

No Unibanco, nos anos oitenta, fui sindicalizado pelo pessoal da Regional Osasco do Sindicato. Eu trabalhava no Centro Administrativo (CAU) na Raposo Tavares. Os dirigentes e funcionários do Sindicato me convenceram da importância de ser associado para fortalecer as lutas da categoria. Até ajudei a organizar uma das greves da época. O companheiro Marcos Martins sempre foi minha referência de liderança sindical e política.

Dois anos depois que fui demitido do Unibanco, voltei a ser bancário do Banco do Brasil, entrei por concurso público em 1992. Assim que vi a atuação do Sindicato na região da Lapa, onde trabalhava, voltei a me sindicalizar, e lá se vão mais de três décadas de filiação ao Sindicato de nossa categoria profissional. A companheira Deise Lessa foi a minha primeira referência de liderança sindical e política do BB.

Por ter sido convencido pelas lideranças sindicais, por ter visto a prática cotidiana do Sindicato e por acreditar nos propósitos das lutas coletivas que nós fazíamos, me filiei e passei a ser um incentivador das filiações ao Sindicato. Eu não largava do pé do colega enquanto ele não preenchesse a ficha de sindicalização e me devolvesse, tanto quando estava na base quanto após virar diretor eleito.

As histórias de sindicalização são muitas e dariam crônicas bem legais. Eu gosto de citar a sindicalização de um colega do BB que conheci na agência Pinheiros, ele não gostava de sindicalista nem de sindicato. Não aceitava nem pegar a Folha Bancária. Foi um trabalho persistente de aproximação e construção de confiança no que representávamos. A vida seguiu e um tempo depois eu entro em outra agência em Osasco e ele me chama do fundo da dependência me pedindo uma ficha de sindicalização. Disse que após me conhecer e ver a condução do Sindicato na campanha salarial ele tinha mudado de opinião e aquilo me marcou profundamente. Filiação a um sindicato ou partido é um pouco isso: compartilhar dos propósitos e práticas e confiar nas lideranças!

Minha filiação ao Partido dos Trabalhadores foi uma espécie de formalização de algo que para mim já era um pertencimento de classe. Tirei meu título de eleitor em 1988 e meu primeiro voto foi para eleger Luiza Erundina prefeita de São Paulo. Sempre votei no PT por entender que trabalhador vota em trabalhador e me filiar em 2002, quando o movimento sindical fez uma campanha para fortalecer o partido que tinha acabado de eleger o primeiro presidente vindo das classes populares, o metalúrgico e sindicalista Lula, foi algo mais que natural formalizar a filiação ao PT.

O movimento contrário, desfiliar do partido ou não querer mais ser sócio do sindicato, precisa ser avaliado e considerado com muito peso pelas direções do movimento. Ainda mais quando se trata de um militante, alguém que tem relação mais orgânica com a instituição, como disse no início do texto.

Entendo que evitar uma desfiliação de um militante ou liderança deveria ser algo de extrema relevância pelas instâncias partidárias e sindicais. Não considero adequadas avaliações burocráticas do tipo "vida que segue" ou "isso é assim mesmo, uns entram, outros saem" etc.

Para um militante decidir sair de um movimento ao qual dedica sua vida e suas melhores energias é porque algo não vai bem, porque existe um processo de decepção e sofrimento em curso e muitas vezes a liderança é um reflexo do que muitos militantes estão sentindo. Por isso entendo que nosso Partido e ou nosso Sindicato deveria envidar esforços para acolher lideranças querendo se expressar na instituição, lideranças muitas vezes forjadas nas lutas e com histórico de contribuições coletivas às causas da instituição e do movimento.

A saída do Partido ou de uma corrente política é um processo que causa grande dor e sofrimento, muitas vezes, porque a pessoa tem um forte espírito de pertencimento àquela organização de luta. Sei bem o que é o processo. Mais recentemente, eu fui encontrar pertencimento nas lutas que o Daniel e companheir@s do Butantã e Zona Oeste vinham realizando desde a pandemia mundial de Covid-19. 

Com a saída do Daniel, um amigo de longa data, não sei como ficará minha participação, porque o Diretório não era burocrático, era aberto e acolhia militância para além da formalidade, eu sou de Osasco, por exemplo. Enfim, incertezas...

À ESQUERDA OU À DIREITA?

Para concluir, avalio que o momento histórico pelo qual passa a esquerda no Brasil e no mundo é complexo e todo esforço no sentido de construir unidade deveria ser feito pelas direções partidárias, sindicais e das demais lutas populares. 

No PT e na CUT há uma clara divisão entre aqueles que desejam resgatar as bandeiras históricas da esquerda para cobrar do governo e da política avanços para o povo e há aqueles que sugerem que se dobre ao centro e à direita, abandonando qualquer reivindicação histórica em nome de uma ilusória governabilidade e hipotética reeleição de Lula em 2026, algo que só se realizará se as condições políticas estiverem construídas para tal.

William Mendes
Ex-dirigente nacional dos bancários


Post Scriptum (6/11/24):

Trump é eleito nos EUA - Com a vitória da extrema-direita norte-americana, e global, fica o alerta para a necessidade da unidade da esquerda em torno de pautas que representam  a luta de classes. Ir para o "centro" ou para a direita não fará o povo na condição miserável em que se encontra votar no PT e em Lula. Não fará! Unidade entre nós e tolerância para ouvir e aceitar a diferença de ideias na esquerda é urgente para construirmos uma pauta unificada de uma frente ampla de esquerda.

sábado, 2 de novembro de 2024

Diário e reflexões



Refeição Cultural

Osasco, 2 de novembro de 2024. Sábado de Finados. Dia chuvoso.


Opinião


INSTANTES DO VIVER

Corridas

Ontem, dia primeiro, saí para uma corrida de pequena distância na região onde moro. Semanas atrás, aceitei um convite de um amigo corredor e acabei me inscrevendo em uma corrida de 5,1 Km que se realizará na próxima semana na AABB-SP e não estou com o condicionamento físico adequado para tal corrida. O período de militância nas eleições municipais me fez passar mais de um mês sem praticar atividade física. 

Minha ideia de "treinamento" para a participação na prova de nossa associação atlética é tentar fazer uns 3 ou 4 treinos para saber se o corpo aguenta o percurso em trote. Dias atrás, corri 2K e foi tudo bem. Ontem, com forte calor, fiz a corrida de 3K e foi difícil... Olha, como a gente perde rápido a condição física aos 55 anos quando não prática esporte com regularidade! Pretendo fazer mais um trote de 4K daqui a uns dois dias e ver o estado precário no qual me encontro. 

Às vezes, penso nas pessoas em geral, no "corre" de suas vidas, sem tempo para nada de atividades físicas ou intelectuais... e com alimentações bastante prejudiciais à saúde com excessos do que faz mal e nada que faz bem. Foda! 

(a bela árvore, ou o tronco dela, que ilustra a postagem é um admirável ser vivo que namoro toda vez que passo por ele nas caminhadas e corridas no Parque Continental)

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Eleições na Anabb

Faz semanas que recebi pelo correio um material sobre as eleições na Associação Nacional dos Funcionários do Banco do Brasil. Sou associado. Só hoje resolvi folhear a revista e os anexos. O tempo passa, o tempo voa, mas as caras em disputa nas entidades do funcionalismo do BB continuam as mesmas... incrível isso!

A absoluta maioria das candidaturas é de direita e extrema-direita, gente conservadora, reacionária, pessoas e grupos que defendem um tipo de sociedade humana diametralmente diversa da que penso e luto por ela. Um mundo elitista, não igualitário, capitalista, liberal ou neoliberal. Sem direitos sociais, civis e políticos para o povão.

A direção da associação é composta por 21 conselheiros e conselheiras deliberativos eleitos e o CD elege a direção executiva entre os membros eleitos pelos associados. Também são eleitas 3 pessoas para o Conselho Fiscal e representações regionais. Os associados podem votar em até 21 pessoas para o CD, até 3 para o CF e votam em alguém para a regional onde moram.

Para o CD são 70 pessoas concorrentes. Eu fui dirigente eleito de nossa comunidade BB por duas décadas. Mesmo estando afastado das disputas eleitorais há seis anos, conheço a maior parte das pessoas que se colocaram à disposição dos associados. E mesmo estando distante da política do BB, conheço também boa parte das pessoas que concorrem ao CF e nos Estados e DF. Ou seja, a renovação será muito pequena na direção, se houver renovação.

Cadê as mulheres e o pessoal de esquerda?

Ao avaliar as candidaturas à direção da Anabb, fiquei pensando com os meus botões por que quase não tem colegas mulheres concorrendo às eleições. O mesmo em relação às pessoas progressistas e do campo da esquerda. E não é que não tenhamos gente de esquerda no funcionalismo do BB. O que se passa? Desinteresse na gestão da associação? Não acreditam no processo eleitoral em questão? Não saberia dizer.

De 70 pessoas concorrentes ao CD, para se eleger 21 delas e depois as suplências que subirão ao se eleger a direção, só temos 17 mulheres concorrendo. Dessas, nem 5 são de esquerda, ou não são de direita! Do total de candidaturas, pessoas que são conhecidas pelo funcionalismo como do campo progressista, de esquerda e que têm história no movimento sindical ou em defesa de um mundo socialista ou mais igualitário, dá pra contar nos dedos das mãos. 

Questões como essas são questões do nosso tempo. Temos que evoluir e superar essa descrença na política e na mudança. A experiência é muito importante na política, principalmente quando mesclada com a renovação e com novas ideias para o presente e o futuro.

Ah, só para não parecer uma contradição, dias atrás fiz um artigo sobre as eleições brasileiras (ler aqui), afirmando que, na minha opinião, o povo não é nem de direita nem de esquerda, o povo é prático ao se posicionar nas urnas de acordo com determinadas questões locais, culturais, de contexto etc. 

Em eleições da comunidade BB como esta da Anabb, é outra lógica: quando digo que não vejo nem dez pessoas de esquerda é porque conheço há décadas as mesmas figuras que se apresentaram no processo. Uma coisa é o povão, outra são os políticos profissionais de sempre.

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Mundo em disputa: temos algo com isso?

Aproveitando que comentei acima sobre eleições na comunidade Banco do Brasil, sigo no tema da política.

Nos próximos dias, os Estados Unidos vão eleger o seu presidente ou presidenta. É a maior plutocracia do mundo. Não há democracia lá. A escolha da pessoa que vai figurar como presidente(a) é feita pelos bilionários e suas corporações. Nem voto direto existe lá. Para ser candidato(a), então, só se os endinheirados autorizarem. Depois do dia 5/11 saberemos o "resultado". 

Como disse no dia seguinte ao resultado das eleições venezuelanas (ler aqui), vou assistir da poltrona comendo pipoca o comportamento da diplomacia brasileira, não mais "Ativa e altiva". Uma das maiores decepções políticas em relação ao nosso governo foi a posição vergonhosa do Brasil desrespeitando a Venezuela e a nossa Constituição Federal, em seu artigo 4º. 

Quero ver como o Brasil vai lidar com eventual contestação interna dos resultados nos EUA. É provável que vá ser da mesma forma que vem se comportando com os países do Norte, com Israel que pode nos humilhar, com a França que não reconhece as eleições no país etc. Não vamos exigir as atas... certeza!

Aliás, não acho correto o presidente de nosso país declarar apoio a candidaturas de lá dos Estados Unidos, é péssimo isso! De novo, me parece que o artigo 4º da CF virou letra morta. Leiam os incisos III, IV e V.

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São alguns instantes de meus pensamentos. Num certo momento do dia, fiquei admirado com a magia de uma aula de geografia, que assisti no Instituto Conhecimento Liberta (ICL). Adoro estudar e conhecer coisas novas todos os dias.

Fico por aqui no registro de instantes.

William


quinta-feira, 31 de outubro de 2024

Diário e reflexões


Nossa homenagem e gratidão a Isabel Suarez,
que faleceu dia 27/10 em Havana, Cuba.
Nossa solidariedade ao amigo Luis Caballero e família.

Refeição Cultural

Osasco, 31 de outubro de 2024. Noite de quinta-feira.


OUTUBRO

Mais um mês se passou em nossas vidas. Mais um mês se passou em minha existência. Como vivi este mês? Espero ter vivido de forma digna e ter tentado contribuir para o bem comum nos 31 dias do mês.

Para tentar mudar o mundo, me uni a diversas pessoas ao longo do mês para abordar cidadãs e cidadãos nos espaços públicos em São Paulo e Osasco no intuito de eleger projetos e representantes políticos com propostas humanistas, inclusivas e que transformariam as comunidades onde vivemos.

Exerci uma militância voluntária em portas de metrôs, feiras e ruas conversando com a população para que o povo paulistano votasse em nossa candidata a vereadora, Luna Zarattini, e Guilherme Boulos para prefeito de São Paulo. A jovem Luna foi eleita e conseguimos levar Boulos para o 2º turno. Infelizmente, não conseguimos maioria no dia 27 e o povo elegeu o candidato que representa tudo o que não queríamos para a maior cidade do país.

Foi bonito ver tanta gente somando para defendermos
nosso projeto de uma cidade mais humana e acolhedora.
A professora Ione passou horas na militância no Rio Pequeno.

Em Osasco, aconteceu a mesma coisa. Nosso projeto para a cidade não foi eleito. Felizmente, elegemos nossa representação para a Câmara Municipal, os jovens do Coletivo JuntOz - Heber, Gabi e Matheus. Ficamos felizes pela conquista dessa candidatura do campo progressista.

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No mês de outubro não consegui me dedicar à saúde. Aliás, foi positivo ter encontrado energia para a dedicação que tive na militância política sem sentir dores na região do quadril e lombar. Não posso reclamar de nada.

A família passou uns sustos, mas estão todos bem. Meu pai e meu cunhado estão bem após sofrerem acidentes de carro lá em Minas Gerais. Minha irmã está se recuperando da cirurgia no ombro. Sigo sendo uma pessoa de sorte.

No dia do resultado das eleições municipais, além da tristeza de ver nossas candidaturas progressistas serem derrotadas em diversas cidades do país, soube do falecimento de nossa querida companheira Isabel Suarez, revolucionária cubana. Ela estava em casa com o senhor Luis quando faleceu. Fiquei muito triste com a perda de nossa amiga e companheira.

A Casa de Isabel sempre acolheu centenas de brasileiros em Cuba e todos nós seremos eternamente gratos a querida Isabel, que estará sempre em nossas memórias e em nossos corações.

Companheira Isabel, presente!

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Consigo apreciar mais o instante do viver?
A florada de um ipê branco é um instante, horas.
Quem tiver a sorte de apreciar esta beleza, que aprecie!

CARPE DIEM

Sinto uma grande necessidade de mudança. Por ter consciência política, por ter alguma experiência de vida, sinto dentro de mim que não podemos desistir do mundo. 

Parece que quanto mais desesperança vejo ao meu redor, mais sinto que é minha responsabilidade fazer algo pela mudança, minha e de todas as pessoas que tiveram a oportunidade de estudar e de evoluir a consciência.

E a mesma consciência que avalio que tenho me lembra o tempo todo que a vida é um instante, que num segundo ela existe, no instante seguinte pode não existir mais. 

Que farei para mudar as coisas a partir das próximas horas do viver? Fiquei pensando nas palavras de Pepe Mujica, em documentário que assisti no ICL agora no final da noite de quinta-feira. 

Não podemos perder tempo com coisas que não são importantes para nós. A vida é muito preciosa para perdermos tempo sem fazer o que nos dá prazer e alegria por estarmos vivos.

Preciso viver cada instante com mais percepção e atenção ao instante vivido. 

O que importa realmente para a minha pessoa neste momento da existência? Como encontrar algum prazer ou motivação no dia que vou vivenciar?

Pense, William! Viva o dia intensamente, mesmo que a intensidade seja observando com prazer uma flor ou uma borboleta. A água que cai do chuveiro em contato com a pele. Um copo de água para matar a sede.

Terminou mais um mês no calendário da vida humana. Começa já um novo dia e um novo instante.

Consigo alguma paz e um Carpe Diem?

William


terça-feira, 15 de outubro de 2024

Dia das professoras e professores


Colégio Adolfino.

Refeição Cultural

Quarta-feira, 15 de outubro de 2024.


PROFESSOR(A): A PROFISSÃO MAIS NOBRE DO MUNDO!

Minhas lembranças

Eu gostaria de ter sido professor. Entendo que educar as pessoas seja uma das funções mais importantes e nobres da espécie humana. Paulo Freire diz que só se educa gente. Espero que possamos continuar educando as pessoas.

Pelo que me contam, minha primeira professora foi a Jamila, do colégio Adolfino, no Rio Pequeno. Se colocar a memória para funcionar, vou me lembrar de muitos professores e professoras que passaram por minha vida de estudante.

Do Adolfino em São Paulo, só sei da professora Jamila, que me alfabetizou. Não tenho lembrança de outra professora. E é impossível me esquecer das correrias quando alguém gritava "olha a loira do banheiro!"... a molecada saía mijando pelo chão, de medo. Estive dias atrás no Adolfino, é uma nostalgia incrível estar ali nas salas de aula e no pátio onde vivi.

Hortêncio Diniz.

Do Hortêncio Diniz, já em Uberlândia, me lembro do professor Jaime, de Física. Ele era gago e os alunos eram cruéis com ele. Me lembro do rosto dele até hoje, o cara era muito legal, um professor doce e gentil. Nunca me esqueci do Jaime com o apagador na mão explicando o Movimento Retilíneo Uniforme... Professor Jaime, perdoe a todos nós que éramos jovens maus. E nossa professora de Português era a Geni, e ela também sofreu na mão dos alunos.

Me lembro até hoje de uma lição do professor Glicério, de Química. Ele nos dizia para prestarmos atenção nas perguntas e lê-las várias vezes, porque a resposta poderia estar na pergunta. Não me lembro se ele era do Hortêncio, ou do Estadual de Uberlândia (Museu), ou do Américo René Giannetti, as outras escolas onde estudei lá até os 17 anos.

Colégio Daniel.

De volta a São Paulo, em 1987, não achei vaga no Adolfino e tive que me matricular no Daniel Verano Pontes para terminar o colegial, o 3º ano. Não me lembro de nenhum professor ou professora de lá, eu era um jovem muito revoltado e não me dediquei aos estudos naquele ano.

Uns anos depois, 1991, acabei entrando no vestibular da FEAO-FITO, onde me formei em Ciências Contábeis. Dos professores, me lembro do PC, de Matemática. Ele tomava até cerveja com os alunos. Gostava dele. Ele me desafiava a tirar 10 nas provas, e quando eu acertava tudo, ele me tirava alguma coisa da casa da vírgula para não dar 10 redondo, detalhes como, por exemplo, a seta numa reta (risos). 

Nunca me esqueci de uma fala dele dizendo que lá na Fito o professor destrinchava equações na lousa e que, se fosse na USP, seria diferente. O aluno teria uma lista de referências bibliográficas e, então, que estudasse aquilo por conta própria. Mais ou menos isso. Eu tirei minhas conclusões depois que entrei na USP (risos). Me lembro que eu desenvolvia exercícios de Matemática que ocupavam a lousa inteira. Eu era bom naquilo.

Anos depois da Faculdade em Osasco, me peguei estudando de novo. Daquela vez, estava estudando em Mogi das Cruzes, Educação Física, no Náutico Mogiano. Me lembro das aulas de alguns professores. De Anatomia, de Bioquímica e Nutrição, e de História. E me lembro do professor Waltely, de Português. Fazíamos aniversário no mesmo dia. Ele dizia em sala de aula que nota 10 era para Deus, 9 para a mãe dele, 8 para ele e 7 para os melhores alunos (risos).

O respeito pelos corpos e órgãos que estudávamos foi uma lição que nunca me esqueci. A professora falando da percepção da consistência do nosso cocô para sabermos da saúde do corpo e o que comemos também ficou para sempre. E o professor de História falando dos Jogos Olímpicos da antiguidade também foi inesquecível. 

Não me lembro direito dos nomes de todos os professores e nem sei se estou escrevendo corretamente os nomes que me lembro.

Letras, na FFLCH.

Aí, estando eu com mais de trinta anos de idade, acabei decidindo que queria estudar na Universidade de São Paulo, na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH). Depois de assistir aulas de literatura como ouvinte, a convite de um amigo do BB, o Sérgio, fiquei apaixonado por aquele ambiente universitário. Fazer História ou Letras? Acabei optando por Letras.

Foram muitos os professores e professoras que me marcaram na vida estudantil da FFLCH. Difícil citar só alguns. A professora Maitê, de Língua Espanhola, foi um "encontro" legal, pois eu estudava espanhol com ela em um curso que gravei da televisão. Lógico que ter sido aluno do Pasta, do Wisnik e do Medina foi um ponto alto em minha vida de estudante uspiano. Ter visto aulas magnas de Antonio Candido e Marilena Chauí também.

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Professora Ione e alunos formados.

É NOSSO DEVER DEFENDER A EDUCAÇÃO UNIVERSAL E AS CONDIÇÕES ADEQUADAS A TODAS AS PROFESSORAS E PROFESSORES DO PAÍS

Que função social extraordinária essa de educar! 

Eu tive o privilégio de atuar no movimento sindical na área de formação e conheci grandes educadores e formadores políticos.

Tenho amigas e amigos queridos que dedicam suas vidas à educação de crianças, jovens e adultos.

Minha companheira Ione dedicou a vida a alfabetizar e educar crianças. Me lembro sempre emocionado dos períodos de fechamento de semestres e anos letivos quando seus alunos e alunas e muitos pais de alunos reconheciam agradecidos aquele período de ensinamentos e a evolução percebida ao longo da jornada educativa.

Ver alunas e alunos da professora Ione que ainda hoje a reconhecem e a têm como referência, décadas depois do contato diário da relação alunos-professora é algo gratificante.

Eu sou um grande admirador das pessoas que escolheram dedicar suas vidas à educação. Obrigado professoras e professores, sem vocês nós todos não teríamos a oportunidade de desenvolver nossos potenciais enquanto espécie humana, aquela que pode ser educada, segundo o mestre Paulo Freire.

Parabéns, professoras e professores! É nosso dever cidadão lutar pela educação pública e de qualidade e o acesso universal para todas as pessoas, e os profissionais de educação devem ser valorizados com salários dignos e carreiras que lhes permitam trabalhar e evoluir ao longo de suas vidas, incluindo uma aposentadoria justa ao final de suas jornadas laborais.

William Mendes


quinta-feira, 10 de outubro de 2024

Diário e reflexões



Refeição Cultural

Osasco, 10 de outubro de 2024. Quinta-feira.


Fim de noite. Estou cansado e vou tentar dormir um pouco mais cedo, coisa que raramente faço.

Estive reunido hoje com amigas e amigos bancários numa pizzaria. É muito gostoso encontrar pessoas queridas que conhecemos há muito tempo. O vínculo entre nós é a agência do BB onde todos trabalhamos um dia: a Vila Iara. Nunca trabalhei ao lado deles, mas por duas décadas fui conhecendo e me tornando amigo de cada pessoa que atuou na agência de onde saí para ser sindicalista. Nunca esqueci minha origem e sempre prestei conta a eles como representante sindical.

Ontem, estive na plenária de arrancada do 2º turno das eleições municipais de São Paulo: vamos fazer o possível para elegermos Guilherme Boulos prefeito de nossa cidade. O encontro se deu na Casa de Portugal, na Liberdade, um lugar que me traz grandes recordações. Lá, conduzi e liderei com meus companheir@s a categoria bancária por muitos anos. Dialoguei com milhares de colegas em assembleias decisivas os rumos do movimento bancário.

Ainda nesta semana, estive na unidade de saúde da Cassi da região onde vivo, a CliniCassi Oeste. Compareci às dependências da nossa autogestão por uma convocação de reunião do Conselho de Usuários. Lamentavelmente, cancelaram a reunião sem avisar os participantes pelo mesmo meio convocatório. Para não perder a viagem, me consultei com a nossa médica de família. A Cassi é outra instituição para a qual dediquei o melhor de mim enquanto gestor eleito pelos associados.

Renovação: tenho sentido pouco pertencimento às instituições e grupos sociais aos quais me vinculei a maior parte de minha vida. Para não dizer que não me senti partícipe de alguma causa, posso dizer que dei alguma contribuição às renovações parlamentares ocorridas recentemente no Partido dos Trabalhadores. A eleição da jovem vereadora Luna Zarattini em São Paulo com mais de cem mil votos é um alento para todos nós. E a eleição de Heber, Gabi e Matheus, do Coletivo JuntOz, em Osasco, também.

Boulos e Marta: eu acredito que a militância do Partido dos Trabalhadores e dos demais partidos de esquerda e dos movimentos sociais organizados pode conquistar votos suficientes para derrotarmos o bolsonarismo e o reacionarismo conservador de direita em São Paulo. Acredito mesmo! Mas para isso, a militância do nosso campo precisa mergulhar de coração na campanha até o dia 27, principalmente a do PT que não sinto estar envolvida ainda neste início de 2º turno. (a militância da região Oeste, do Butantã, é exceção, está bem engajada e nas ruas)

Me incomoda muito ver na boca e no (des)ânimo de gente do nosso campo afirmações deterministas e pusilânimes de que não teríamos chance de vencer, pois o pilantra do prefake atual está à frente nas pesquisas e conta com o apoio da plutocracia que impede a democracia no Brasil. Cara, se nossa militância arregaçar as mangas e for para a conquista de votos, nenhuma máquina de dinheiro e manipulação midiática ganha da gente. A questão é o envolvimento de nossa militância para criar uma onda vira voto.

É isso. Como disse nos últimos textos de reflexão pessoal, provavelmente eu vá me afastar da cena política após as eleições municipais. Como colocamos Boulos no 2º turno, minha missão cidadã vai até dia 27. Depois disso, vou avaliar o que fazer da vida. Minha decepção com as coisas já superou meu compromisso interno de lutar até morrer nas causas para as quais me incorporo. E daria a minha vida por uma causa. Daria. Mas a burocracia matou e ou está matando a esquerda organizada na qual me politizei desde os anos noventa.

William Mendes

quarta-feira, 28 de agosto de 2024

95 de 100 dias


Dois bancários de muitas lutas no currículo. 


95. Almocei com o amigo Élcio, comemos uma tradicional feijoada paulista nesta quarta-feira fria.

Hoje é um dia especial para a classe trabalhadora brasileira, dia de aniversário de 41 anos da criação de nossa Central Única das e dos Trabalhadores (CUT). A nossa Central é estratégica para as nossas causas do mundo do trabalho. Desejo vida longa e combativa a CUT.

Hoje também é um dia especial para a nossa categoria profissional, 28 de agosto é dias das bancárias e bancários. Fiz parte de décadas de lutas da categoria, primeiro no Unibanco e depois no Banco do Brasil. 


Ao longo de duas décadas, representei dezenas de milhares de colegas da ativa e aposentados do BB em mandatos eletivos. O que sou como pessoa e cidadão é fruto dessa história de lutas.

Dos 101 anos de existência de nosso Sindicato e dos 41 anos de história de nossa Central, podem me incluir em três décadas das lutas e conquistas (e derrotas) que o movimento sindical lida no dia a dia de busca por mais direitos no mundo do trabalho e na sociedade como um todo.

FENABAN E BANCÁRIOS 

E por falar em lutas por direitos, a categoria bancária está em negociações com banqueiros e governo pela renovação da Convenção Coletiva de Trabalho e aditivos por bancos e até hoje o patronato que mais ganhou dinheiro no Brasil não apresentou proposta com índices e direitos que permitam apreciação da categoria em assembleias. 

É isso! Parabéns às bancárias e bancários e à nossa CUT!

William Mendes 

Em São Paulo, peço voto e apoio a Luna Zarattini 13131 e Boulos 50


quinta-feira, 22 de agosto de 2024

89 de 100 dias



ELEIÇÕES MUNICIPAIS

89. A gente procura esperança nas pequenas coisas. No final do dia, ao ir a feira em frente ao condomínio, vi jovens do Partido dos Trabalhadores em campanha para a Câmara Municipal de Osasco. Chegando em casa, fui conferir as propostas de Heber Farias, Matheus Oliveira e Gabi Bueno, da chapa JuntOz 13713, a renovação do PT em Osasco. Adorei esses jovens. Vou ler mais a respeito deles e acompanhá-los. Fiquei feliz em saber da candidatura dessa moçada!

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E vejam o quanto é importante respirar esperança vendo a juventude progressista e humanista se envolvendo com política e se colocando à disposição para ser votada e eleita por nós, a classe trabalhadora. Depois de um tempo sem muito tesão para fazer campanha política conversando com dezenas de pessoas estranhas para convidá-las à participação política, vi o trabalho da jovem mulher Luna Zarattini 13131 e sua garra e firmeza diária me fez esperançar de novo. Às vezes, é quase enxugar gelo lutar contra o dinheiro da plutocracia, mas jovens na política como Luna são a esperança de um presente e futuro melhor. Peço voto e apoio a Luna Zarattini em São Paulo Capital.

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LUTAR CONTRA FASCISTAS E EXTREMA-DIREITA

Se não fossem essas esperanças nas juventudes progressistas, eu não sei se aguentaria tanta injustiça e tanta criminalidade impune como acontece diariamente no Brasil. Canalhas candidatos como um desqualificado condenado por roubar clientes de banco e um embusteiro enganador de pessoas não estarem presos e impedidos de praticar todo o mal que praticam contra milhares de pessoas é desalentador. Antes de ser politizado, eu compartilhava o pensamento comum de fazer justiça com as próprias mãos. Depois me humanizei com o movimento sindical. Mas juro que entendo como as pessoas passam a defender essas ideias de fazer justiça com as próprias mãos ao verem vagabundos como esse "coach" de merda, vagabundos impunes e imparáveis porque o sistema de freios da sociedade não funciona.

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NEM PUBLICO O QUE PENSO DE BANQUEIROS E DA GESTÃO DO GOVERNO PAULISTA

Por fim e ainda na linha de quase não suportar as injustiças, eu nem vou escrever o que penso dos banqueiros e da força de repressão do governo de São Paulo, porque o que eu penso sobre eles é impublicável. Hoje, numa atividade de trabalhadores da categoria bancária aqui em São Paulo, atividade de campanha salarial, a polícia do governador agrediu violentamente nossos companheiros e companheiras, inclusive o nosso deputado estadual Marcolino. Toda a nossa solidariedade ao movimento sindical e à categoria. 

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William Mendes


segunda-feira, 12 de agosto de 2024

79 de 100 dias


Meu mundo...

79. Voltei de Uberlândia. Cheguei a São Paulo pela tarde. Queria ter chegado a tempo de ir a uma roda de conversa à noite com Frei Betto em homenagem aos seus 80 anos. Não deu tempo. Bom, pelo menos vim no voo lendo a biografia dele, livro que adquiri em Havana, Cuba.

Faltam três semanas desse período de cem dias que iniciei em 26 de maio em busca de sentidos e mudanças para a minha existência atual.

Voltei de Minas Gerais com um fracasso num projeto pessoal: não fiz minha caminhada anual de 80 Km. Não fiz por diversos motivos, avalio. Chegar e encontrar meus pais com a saúde debilitada pesou. Ocupar meu cunhado estando ele com os problemas dele, inclusive de saúde de minha irmã, também. Sentir minha condição do quadril ruim, me deixou pra baixo. Acabei desistindo. Depois, avaliei sem ter estado na estrada que eu estaria ferrado porque não levei roupa adequada para o frio que fez. 

Diria que voltei com mais fracassos da visita aos meus pais. Não tivemos um clima amistoso, meu pai e eu. Depois dos primeiros dias na boa, não aguentei sem falar pra ele sobre o que via o tempo todo na casa. Que clima pouco amistoso da porra! Aff, que difícil as relações humanas hoje!

A parte boa dessa estadia nos meus pais foi ter a oportunidade de passar algumas horas com a pequena filha de minha sobrinha. Interagimos bastante. É muito legal dar atenção a uma criança e ver o desenvolvimento e a inteligência das crianças. 

CRIANÇAS SÃO INTELIGENTES, MÁQUINAS NÃO!

Me lembrei de uma roda de conversa que tivemos com o professor da Universidade Federal do ABC, Sérgio Amadeu (ver aqui), explicando porque as "Inteligências Artificiais" (AI ou IA) não são nem inteligentes, nem artificiais. 

O professor nos explicou que essas "Machine Learning" precisam de milhares e milhares de dados sobre algo para criar padrões, são máquinas que fazem cálculos estatísticos. E precisam de muita gente por trás dessas programações. Não são nem inteligentes, nem artificiais.

Uma criança precisa de duas ou três repetições de alguma coisa (dados) para compreender o padrão e então ela já passa a repetir e criar a partir dali, as crianças são inteligentes e só animais podem criar, a inteligência é analógica, não é digital. 

Observem uma criança de dois ou três anos por alguns dias e vocês verão a inteligência e a criatividade em estado puro...

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E agora, José?

É seguir, andando e escolhendo veredas, ou deixando as veredas me escolherem como aconteceu a vida toda.

William


terça-feira, 30 de julho de 2024

66 de 100 dias



66. Tivemos uma boa assembleia de condomínio hoje. Nossa comunidade tem 25 anos de existência, completados neste mês de julho. Se não fui o primeiro a morar no condomínio, pois não me lembro quem chegou primeiro na semana em que entregaram o prédio, fui um dos primeiros. Mudei na mesma semana em que entregaram as chaves. São 25 anos...

Na assembleia inaugural de nosso condomínio, me pediram para disponibilizar o nome para ser o síndico e tentei ficar fora da administração inicial porque já tinha minhas agendas políticas no movimento do Banco do Brasil. Propus então ficar como subsíndico, assim contribuiria sem ser o principal responsável. 

Aconteceu que o morador que ficou na ata como síndico acabou não indo morar no condomínio e eu acabei assumindo tudo desde o início porque já estava no prédio desde a primeira semana. Assim foi o início da nossa comunidade residencial. Um dos funcionários que contratamos está conosco até hoje. Legal isso, né?

Enfim, hoje tivemos uma boa reunião presencial com os condôminos, foram mais de três horas de trabalhos pensando as questões coletivas de nossa comunidade. Fiquei contente ao ver que resolvemos todos os temas da pauta e o clima da reunião foi de cordialidade entre as pessoas. Ainda é possível fazer política e resolver de forma pacífica as controvérsias.

É isso!

William


sábado, 27 de julho de 2024

63 de 100 dias



63. Sábado. Hoje vou caminhar alguns quilômetros e ler meu corpo e minha energia. Preciso avaliar se tenho condições de fazer a romaria de 80 Km daqui a alguns dias. 

11h06

Escolhi o tênis do ano passado. Já está velho, mas vamos ver se dá certo. Tirei e coloquei ele duas vezes até sentir a pisada confortável. 

Vamos lá. Meu quadril não parou mais de doer. Por isso meu receio. Vamos caminhar enquanto posso.

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6K (1h17')

Primeira caminhada do dia. Calor de 27° e baixa umidade do ar (32%). Ruim pra saúde e condição parecida à da estrada.

Parei pra um café em casa e vamos pro segundo trecho. Vou andar mais de dez quilômetros agora. 

13h32

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Meus pés e pernas. 
Essenciais para um caminhante.

16K (3h30')

Ufa! Fiz uma boa caminhada nesta tarde de sábado. Estou bem. O tênis deu certo e não tive bolhas nos pés.

Estou fazendo uma refeição em casa e vou sair para andar mais uns dez quilômetros. 

Ponte de Osasco.

Fiz um roteiro saudosista. Fui rever o passado. 

Andei pelo Parque dos Príncipes, Vila São Francisco, Vila Dalva, Jardim Adalgisa e Rio Pequeno.

Aqui terminei o Ensino Médio. 

Passei no Colégio onde fiz o 3° ano, o Daniel V. Pontes.

Morei nesta casa à esquerda
até os 10 anos.

Depois fui à rua onde nasci, Sérgio Ruiz de Albuquerque. Passei na padaria Cinco Quinas.

A escola da minha infância. 

Por fim, fui ao colégio onde ne alfabetizei, o Adolfino de Arruda Castanho. 

Por sorte, encontrei meu tio em casa e conversamos por uma hora. O tio está se recuperando de problemas de saúde. Fiquei feliz em vê-lo bem.

Voltando pra casa.

Voltei para Osasco após andar os 16K. 

Hora de sair de novo e sentir um pouco mais minha energia.

19h45

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9,5K (2h05')

Finalizei a caminhada de hoje. Foram 31,5 Km e correu tudo bem.

Meus pés estão ótimos, sem bolhas.

Meu corpo resistiu bem. A dúvida é se eu iria mais 50 Km noite adentro, como ocorre na romaria. 

O ideal seria andar 50K na semana que vem. Mas tudo é mais difícil na cidade. Tem os perigos da violência urbana etc.

Enfim, missão cumprida hoje.

William (um caminhante com receio de perder a mobilidade)