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segunda-feira, 28 de abril de 2025

Globo: inimiga do Brasil e dos brasileiros

Comentário do blog:

Compartilho abaixo, texto do jornalista e escritor Fernando Morais, que enumera 60 fatos marcantes a respeito da história da emissora da família Roberto Marinho, emissora e grupo que há décadas se utilizam de seus veículos de comunicação para favorecer a si mesmos, as elites originárias das casas-grandes e para impedir que o Brasil e o povo brasileiro avancem política, econômica e socialmente.

Faço coro com Fernando Morais, a Globo é inimiga do Brasil e do povo brasileiro. É meu direito constitucional à opinião.

Ficarei feliz o dia que esse grupo de comunicação não existir mais ou existir sob controle de um grupo que use suas mídias em benefício do povo e do país.

William

---

Imagem que usamos nas lutas populares
contra o golpe apoiado pela Globo em 2016.

Por: Fernando Morais (de sua página no Facebook)

As Organizações Globo e a família Marinho são inimigas do Brasil e dos brasileiros e assim devem ser tratadas.

1960-1970 (Gênese da Globo e apoio ao regime militar)

1.⁠ ⁠Firmou um acordo ilegal com o grupo Time-Life (1962–67)
2.⁠ ⁠Apoiou o golpe militar de 1964
3.⁠ ⁠Silenciou sobre a repressão no regime militar
4.⁠ ⁠Divulgou propaganda favorável ao AI-5 em 1968
5.⁠ ⁠Censurou jornalistas e políticos críticos à ditadura
6.⁠ ⁠Minimizou a importância da Passeata dos Cem Mil (1968)
7.⁠ ⁠Endossou o slogan "Brasil: Ame-o ou Deixe-o" (1970)
8.⁠ ⁠Promoveu o Milagre Econômico, ignorando a desigualdade
9.⁠ ⁠Ocultou mortes causadas por tortura nos anos de chumbo
10.⁠ ⁠Excluiu opositores da cobertura política durante a ditadura
11.⁠ ⁠Omitiu informações sobre corrupção nas grandes obras da ditadura
12.⁠ ⁠Consolidou um controle monopolista sobre o mercado de TV

1980-1990 (Ditadura e transição para a democracia)

13.⁠ ⁠Desconsiderou os primeiros comícios das Diretas Já (1984)
14.⁠ ⁠Blindou a eleição indireta de Tancredo Neves
15.⁠ ⁠Manipulou pesquisas Proconsult para prejudicar Brizola
16.⁠ ⁠Boicotou o governo Leonel Brizola e suas obras sociais
17.⁠ ⁠Endossou os primeiros planos econômicos do governo José Sarney contra a hiperinflação
18.⁠ ⁠Apoiou maciçamente a candidatura de Fernando Collor e criminalizou os líderes populares como Brizola e Lula
19.⁠ ⁠Manipulou a cobertura do debate eleitoral Lula x Collor (1989) no Jornal Nacional

1990-2000 (Redemocratização e ascensão neoliberal)

20.⁠ ⁠Defendeu o confisco da poupança no Plano Collor
21.⁠ ⁠Promoveu a abertura indiscriminada da economia brasileira
22.⁠ ⁠Escondeu escândalos durante o governo Collor até o impeachment
23.⁠ ⁠Veiculou o caso Escola Base (1994) sem verificar informações
24.⁠ ⁠Exaltou o Plano Real sem questioná-lo (1994)
25.⁠ ⁠Blindou as privatizações de FHC
26.⁠ ⁠Defendeu os bancos e o Proer durante a crise financeira
27.⁠ ⁠Apresentou apoio velado à Reforma da Previdência neoliberal de FHC
28.⁠ ⁠Ignorou o movimento "Fora FHC" no final dos anos 1990
29.⁠ ⁠Aceitou a emenda da reeleição de FHC e omitiu críticas ao câmbio artificial
30.⁠ ⁠Escondeu greves e protestos sociais durante os anos 90
31.⁠ ⁠Ignorou denúncias sobre trabalho escravo no campo
32.⁠ ⁠Criminalizou sistematicamente movimentos sociais

2000-2010 (Oposição ao governo Lula)

33.⁠ ⁠Liderou uma campanha contra Lula nas eleições de 2002
34.⁠ ⁠Estigmatizou o MST e outros movimentos sociais
35.⁠ ⁠Distorceu a cobertura do "mensalão" (2005)
36.⁠ ⁠Perseguiu figuras históricas do PT, como José Dirceu, José Genoino, entre outros
37.⁠ ⁠Favoreceu candidatos tucanos nas campanhas de 2006 e 2010

2010-2025 (Impeachment da Dilma e ascensão da extrema direita)

38.⁠ ⁠Rotulou manifestantes de 2013 como "vândalos"
39.⁠ ⁠Apoiou Aécio Neves à candidatura presidencial
40.⁠ ⁠Exaltou misoginia contra Dilma Rousseff durante a posse presidencial
41.⁠ ⁠Reforçou a narrativa favorável ao impeachment de Dilma Rousseff
42.⁠ ⁠Deu apoio irrestrito à operação Lava Jato
43.⁠ ⁠Divulgou os vazamentos seletivos da Lava Jato
44.⁠ ⁠Fortaleceu a narrativa anti-PT e criminalização do partido
45.⁠ ⁠Tratou o juiz Sergio Moro como um herói, ignorando sua parcialidade
46.⁠ ⁠Deu amplo espaço ao PowerPoint de Dallagnol
47.⁠ ⁠Chamou a tragédia de Brumadinho de "acidente"
48.⁠ ⁠Vazou conversa gravada ilegalmente entre Dilma Rousseff e Lula
49.⁠ ⁠Apoiou indiscriminadamente a prisão de Lula, que o excluiu da eleição de 2018
50.⁠ ⁠Ignorou o conluio entre Moro e Dallagnol e a Vaza Jato
51.⁠ ⁠Defendeu a Reforma Trabalhista e da Previdência de Temer
52.⁠ ⁠Endossou a entrega do pré-sal ao capital estrangeiro
53.⁠ ⁠Se aproximou oportunisticamente de Bolsonaro
54.⁠ ⁠Fez apologia ao agronegócio e ignorou sua destruição ambiental
55.⁠ ⁠Omitiu informações sobre as fake news nas eleições de 2018
56.⁠ ⁠Deu espaço a discursos antivacina e negacionistas
57.⁠ ⁠Continuou contratos publicitários com governos investigados
58.⁠ ⁠Apoiou a venda de estatais, como a Eletrobras, BR Distribuidora e refinarias
59.⁠ ⁠Fez campanha pelo Banco Central independente
60.⁠ ⁠Nunca fez uma autocrítica verdadeira sobre seu monopólio midiático

Fonte: Facebook de Fernando Morais

segunda-feira, 3 de março de 2025

Poema 20: Ainda estou aqui


AINDA ESTOU AQUI


Eunice Paiva vê notícias de Rubens na TV,

seu olhar antes distante, reconhece o instante. 

Marcelo percebe o momento de Eunice:

ainda estou aqui.


Há dez anos, Marcelo dividiu conosco

a história de Eunice e de sua família.

Graças à Comissão da Verdade e Dilma

as novas gerações puderam saber

a verdade da ditadura que não passou na TV.


Fernanda Torres e Selton Mello deram vida

nas telas do cinema à história de Eunice,

Rubens, Marcelo Paiva e família.

Na direção, Walter Salles mostrou ao mundo

os olhares de nossas divas fernandas.


Agora o mundo conhece 

Fernanda Torres e Eunice Paiva.

Através da leitura, cultura e pela sétima arte,

fica o alerta ao perigo da atualidade:

Ditadura nunca mais! Sem anistia pra golpista!


William 

03/03/25

(Uma homenagem a Eunice e família e ao cinema brasileiro pelo Oscar)

quarta-feira, 29 de maio de 2024

4 de 100 dias



4. Vivo um dilema pessoal sobre como levar meus dias. As circunstâncias me permitiriam gozar os dias que tenho pela frente. Gozar num sentido lhano, aproveitar os dias de vida fazendo o que gosto depois de trabalhar quase quarenta anos de minha vida.

Gosto de ler, estudar, escrever. Por décadas de vida adulta, não pude ler e estudar como gostaria porque a vida de trabalhador me consumia as energias na luta diária pela própria sobrevivência. Além de não me ver realizado como pessoa em diversos trabalhos que fiz antes de me tornar trabalhador de empresa pública de economia mista, acabei não fazendo o que pensei fazer na vida.

Quem faz o que gosta e coincide em fazer o que gosta sendo algo bom para a sociedade humana e ou para o planeta Terra deve se sentir bem. Acho que só me senti bem fazendo meu trabalho algumas vezes na vida. 

Quando olho para trás, avalio que atendi decentemente as pessoas nos quase dez anos que atuei nas agências do Banco do Brasil. Também avalio que fiz um trabalho honesto e com repercussão positiva para a vida das pessoas quando fui sindicalista e quando fui gestor de nossa Caixa de Assistência.

Desde que saí da empresa pública onde passei o maior tempo de minha vida adulta, fiz um esforço para preencher meus dias com atividades que me dessem um pouco de prazer pessoal. O tal gozo que disse no início da reflexão. Li algumas dezenas de livros, de diversos temas e áreas do conhecimento humano. E essa atividade cultural foi boa, valeu a pena. 

Entretanto, de alguma forma, esse ganho pessoal não me trouxe felicidade. A consciência do mundo ao meu redor só fez aumentar a minha infelicidade. Talvez esteja me sentindo tão infeliz quanto fui infeliz nos piores momentos do viver. 

É uma infelicidade misturada com gratidão por ser um privilegiado, uma pessoa de sorte. Eu posso fazer hoje as coisas básicas da cidadania, coisas que TODAS as pessoas deveriam poder fazer, mas meus pares da classe trabalhadora não podem. Isso me mata!

De tão deslocado, me sinto infeliz. Talvez por isso fico arrotando revoluções proletárias que sei que não ocorrerão. Talvez por isso fique puto por ver os movimentos organizados do meu lado da classe serem o que são, serem o mesmo que fui, não-revolucionários, reformistas ou conciliadores com os adversários e inimigos. E como os tempos não são mais de conciliação, descarrego minha impotência arrotando revoluções que não estão no cenário político.

Que foda! Que merda!

Ao não me sentir com pertencimento aos movimentos conciliatórios aos quais eu mesmo militei a vida toda, ao perceber que acho quase inútil despender energia convidando a classe trabalhadora para acreditar na política como ela é no Brasil e na democracia de mentira montada pelos donos do poder da casa-grande, vejo que não posso seguir vendendo ideias que acho ilusórias. 

Desde o golpe sem um tiro sequer que depôs a nossa presidenta Dilma Rousseff, uma mulher honesta, aguerrida e democrática, desde aquele fatídico dia 17 de abril de 2016, eu não acredito mais em democracia "liberal", "representativa", nos moldes das democracias do Brasil e dos Estados Unidos, que nada mais são que plutocracias. Não acredito mais nessas democracias de faz-de-conta.

Desde o impeachment de nossa presidenta Dilma, sem luta nas ruas, sem enfrentarmos aquela gente fascista odiosa e cuzona, porque fascistas são cuzões, só em bando se fazem de corajosos, mas são cuzões, desde aquela armação kafkiana "com o Supremo com tudo" eu não acreditei mais na democracia, não queria mais saber dessa mentira do voto.

Avalio que o maior erro de minha vida política foi seguir na política representativa depois daquele impeachment ridículo, com o meu lado da classe trabalhadora aos gritos de frases de autoengano "não vai ter golpe!" "não vai ter golpe!", sabendo que o golpe estava rolando e não estávamos fazendo nada efetivo para impedir o golpe, como o povo venezuelano fez quando deram o golpe em Chaves e o povo o libertou em 48 horas, percebi o quanto nós mesmos éramos também uns sonhadores (ou cuzões), ou péssimos em avaliação de conjuntura.

Eu não deveria ter participado mais de processos eleitorais depois do golpe de 2016. Eu fiz tudo que se deve fazer como representante da classe trabalhadora, mas no fundo eu sabia que os mandatos de nosso lado não eram mais respeitados pelos nossos inimigos. 

Tínhamos que pensar alternativas para lutar pela manutenção dos direitos e conquistas do povo brasileiro de forma mais contundente. Nós deixamos os inimigos abusarem tanto que viramos piada, chacota deles. Montavam lawfare contra nossas lideranças e não sofriam nada com os abusos. Depois de Dilma foi a vez de nosso companheiro Lula passar o que passou e nós de novo não impedimos o que fizeram com nossa liderança que nunca roubou uma agulha, deixamos Lula ser preso e humilhado como "ladrão". O povo tirou Chaves das masmorras em 48 horas. Nós deixamos Lula 580 dias naquela masmorra de merda em Curitiba.

Enfim, acabei lendo, estudando e escrevendo um pouco mais depois que saí de meu dia a dia na empresa pública para a qual dediquei o melhor de minha vida adulta. Mesmo assim, sinto uma coisa esquisita em ficar lendo, estudando e escrevendo e a desgraceira toda rolando ao meu redor contra o povo trabalhador que amo e respeito. Essa impotência me dilacera.

Que fazer nessa centena de dias que vai até dois de setembro (invenção minha de viver de 100 em 100 dias)? Ficar lendo, estudando e escrevendo e seguir vendo as humilhações que estão impondo a Lula naquele antro do parlamento brasileiro? Essa merda aqui não é democracia, nunca foi! Se aqueles trastes votarem a volta da escravidão ou transformarem a Amazônia e o Pantanal em pasto e cimento, a gente vai cumprir a porra da "lei"?

Vai pra casa do caralho com essa palhaçada de ficar discutindo esse lero-lero de fim de mundo imposto a nós por uma ínfima parcela de animais irracionais humanos mortais!

Essas são minhas reflexões ao final do 4º dia dos 100 dias que pensei dias atrás em ver o que faria dessa centena de dias de minha hipotética vida até dois de setembro. Sei lá se minha mente ainda é criativa para mudar o rumo de alguma coisa ao menos na minha vida.

William

segunda-feira, 11 de março de 2024

Cuba (IV)


Heróis cubanos: Cuba preserva seu passado.

Refeição Cultural

Osasco, 11 de março de 2024. Segunda-feira.


DIFERENTE DO BRASIL, EM CUBA O GOVERNO FALA DA HISTÓRIA DA INDEPENDÊNCIA DO PAÍS TODOS OS DIAS!

Cuba e Brasil, Brasil e Cuba. Dois países com histórias seculares de dominação imperialista, dois países com uma violenta história de escravidão dos povos do continente africano, dois países com histórico de extermínio dos povos originários. Cuba e Brasil, países que mexem com o meu coração, com os meus sentimentos.

Até antes do golpe de Estado de 2016 contra a presidenta honesta Dilma Rousseff (PT), mesmo sendo um homem politizado de mais de quarenta anos de idade, eu tinha uma certa inocência política daquela mais comum no movimento organizado e nas pessoas no campo da esquerda, aquela inocência que prefere acreditar que nada de mal vai acontecer ao invés de analisar friamente a realidade e os dados materiais e se preparar para o golpe, a guerra, a morte lutando.

NO BRASIL, ACREDITA-SE DEMAIS NAS "INSTITUIÇÕES DEMOCRÁTICAS" E ELAS PARTICIPARAM DO GOLPE DE ESTADO EM 1964 E 2016

04/03/16, nas ruas defendendo
o governo Dilma.
 

Meu campo político no Brasil até que lutou contra a nova fase de golpes contra governos democráticos nas Américas e Caribe do último período, ficou nas ruas em pequenos grupos gritando "Não vai ter golpe!", duvidando que fossem prender o Lula, não acreditando que Bolsonaro poderia ser presidente do país. 

Boa parte da esquerda brasileira acreditava e segue apostando que as instituições vão funcionar e que não haverá golpe ou ruptura democrática de novo...

31/03/16, nas ruas contra o golpe,
52 anos depois de 1964.

Eu sigo com a leitura que tenho desde 2022 e 2023 de que nosso governo Lula terá dificuldade de terminar o mandato sem sofrer nova tentativa de golpe de Estado ou algum tipo de atentado contra o próprio presidente Lula. Concordo até com o jornalista Brian Mier (ouvi dele a ideia hoje na TV247) que o governo brasileiro deveria se informar com os governos cubano e venezuelano a respeito de proteção contra golpes e atentados, já que esses governos enfrentam isso com frequência.

17/04/16, nas ruas contra o golpe,
as instituições não funcionaram...

NO BRASIL, A ESQUERDA "PAGA PAU" PRA JUIZ DE DIREITA... ACHO ISSO UM EQUÍVOCO!

As pessoas do meu campo da esquerda até viraram tietes de um certo ministro da Suprema Corte colocado lá pelos traidores da pátria em 2016 e chamam ele por apelido... acho isso ridículo, um absurdo! 

O cara (o juiz apelidado) enfrentou os bolsonaristas em 2022 para salvar a própria pele, a pele deles daquela Corte, que aliás endossou o golpe de 2016 que desgraçou o país e a vida do povo brasileiro e manteve Lula preso numa masmorra por 580 dias. Mas somos assim aqui no Brasil.


EM CUBA, JOSÉ MARTÍ É A REFERÊNCIA, MARTÍ E FIDEL

Estátua de José Martí, em batalha pela
libertação de Cuba do domínio espanhol.

O povo cubano, desde o século 19, sofrendo os mesmos males e violências de todos os povos explorados das Américas e Caribe, se organizou e se rebelou para lutar por sua liberdade e autonomia em 1868, depois mais algumas vezes até 1895, quando morreu em combate uma das figuras intelectuais mais brilhantes que a espécie humana já produziu - José Martí -, e em 1898 os cubanos se libertaram dos espanhóis e já se deram conta de que não haviam se libertado do imperialismo. 


Nova luta de libertação começava, desta vez contra o mais novo império do Norte - os Estados Unidos da América -, que já estendiam suas garras sobre a maior das ilhas das Antilhas, Cuba.

EDUCAÇÃO CUBANA - Na minha opinião, várias coisas separam a história do povo cubano da história do povo brasileiro, a considerar do século 19 adiante: a Educação é uma delas. 

Os ideais martianos de liberdade e autonomia são a base da educação cubana há 150 anos. E após a Revolução, a história e a cultura fazem parte da pedagogia da educação no país.

Quando os jovens liderados por Fidel Castro se organizaram e decidiram que era a hora de enfrentar a ditadura de Fulgencio Batista em 1953 - Batista havia dado um golpe de Estado em 1952 e era bancado pelos Estados Unidos da América -, os jovens cubanos universitários eram martianos. 

Revolución es sentido del momento histórico...

Os jovens estudantes tinham como referência José Martí e a história das lutas de libertação do povo cubano desde o século anterior. E aquele processo de lutas martianas lideradas pelos jovens de 1953 no ataque ao Quartel Moncada culminou com as lutas revolucionários a partir da Sierra Maestra entre 1956 e 1º de janeiro de 1959, quando triunfa a Revolução Cubana.

Patria o muerte!

A HISTÓRIA FAZ PARTE DO COTIDIANO CUBANO

Eu acompanho as notícias de Cuba com mais atenção desde que me preparei para conhecer o país em 2023. É evidente que a forma como faço para ler do Brasil as notícias diárias da Ilha me dá a versão de um lado da história - a do regime socialista - porque leio e ouço os veículos de comunicação do governo cubano e do Partido Comunista Cubano. Mas leio críticas ao regime também, quando leio figuras como Leonardo Padura, escritor cubano importante.

No entanto, para ler e ouvir o outro lado - as versões antirrevolucionárias -, basta olhar o restante da mídia hegemônica e as mídias que os algoritmos das big techs do imperialismo apresentam a todos nós. Sempre será desproporcional a guerra cultural entre a fala da esquerda e ou dos pequenos grupos contrários ao sistema capitalista e as narrativas que falam para bilhões através das mídias do grande capital. 

O ódio à esquerda é o que mais dá likes e monetização para os direitistas e lucro para elas, as big techs.

Museu da Denúncia em Havana, Cuba.

CONHECER E ESTUDAR A HISTÓRIA É ESSENCIAL PARA A LIBERTAÇÃO DO POVO COM PASSADO COLONIAL

Enfim, o tema que me deu vontade de comentar ao refletir sobre os dois países que mexem com o meu coração - Brasil e Cuba - é a questão do momento - os 60 anos do golpe de 1964 no Brasil e os 65 anos da Revolução Cubana em 1959 - sobre falar ou não falar do passado, da história, de acontecimentos que marcaram para sempre a vida de um povo após ideias e fatos que mudaram a história.

No Brasil, o nosso governo decidiu e defende a ideia de que não se deve fazer manifestações e eventos institucionais e ou das principais organizações sociais de nosso campo da esquerda em relação aos 60 anos do golpe de Estado que colocou o país e o povo brasileiro por mais de duas décadas sob uma ditadura violenta, financiada e apoiada pelos Estados Unidos da América e pela elite do país.

Para ser médico revolucionário ou
revolucionário, tem que haver Revolução! (CHE)

Eu considero essa atitude um equívoco do nosso governo neste momento da história. O presidente Lula é a nossa maior liderança política em toda a história do Brasil e eu sei porque o presidente acha melhor contemporizar com as forças conservadoras e de extrema-direita no país, pois Lula sabe que sua correlação de forças é muito aquém do que precisaria para seguir governando e entregando minimamente aquilo que se comprometeu a fazer, e está fazendo, por mais que a comunicação do governo não consiga se sobrepor à comunicação dos inimigos, que têm o suporte das big techs com eles.

Em Cuba, todos os dias - eu disse TODOS OS DIAS - os veículos de comunicação do país trazem matérias, reportagens, efemérides sobre os heróis do povo cubano, sobre datas históricas que mudaram a vida do povo de alguma forma, não há uma escola no país que não tenha o busto ou um quadro destacando a figura de José Martí, Apóstolo da Independência do país, e isso faz toda a diferença na construção de uma mentalidade ativa e altiva do povo cubano desde a mais tenra idade. 

Lançamento do livro de Maria Leite em 2023.

Ao ler o livro da professora Maria Leite - Cuba insurgente: identidade e educação (2023), no qual a especialista apresenta estudos de quatro décadas sobre a pedagogia cubana, fica claro para mim que sem o estudo da história o povo cubano jamais teria resistido até hoje às seis décadas de bloqueio criminoso por parte dos EUA para causar miséria e humilhação ao povo que se negou a ser uma ilha de exploração dos ricos e da máfia estadunidense. Ler sobre o livro aqui.

Fidel Castro e os revolucionários
eram seguidores das ideias de
liberdade de José Martí.

Já estive em Cuba duas vezes, por duas semanas em cada vez que estive lá, e conversando com o povo cubano percebe-se com facilidade que eles têm uma educação com saber histórico anos-luz à frente do saber histórico de nosso povo brasileiro, para o qual sempre foi negada a educação libertadora defendida por Paulo Freire e outras figuras importantes da educação brasileira.

Homenagem a Che Guevara, 
em Santa Clara. O passado faz
parte da história das lutas do povo.

Quando vejo o meu governo defendendo que não falemos sobre a história, sobre a trágica história do golpe de Estado de 1964, que quase se repetiu com sucesso em 8 de janeiro de 2023, com Lula já eleito contra toda uma máquina de dinheiro e fraudes para que Bolsonaro e sua casta de militares e empresários seguissem no poder, quando vejo um equívoco desse em nosso governo, me dá um aperto no coração, uma dor no peito, que não me mata porque me acostumei a isso ao viver entre lutas, vitórias e derrotas por quase três décadas de movimento sindical e político.

José Martí,
Apóstolo da Independência.

Não se pode negar ou esconder o passado, ainda mais quando vivemos uma era onde as falsas narrativas estão vencendo o tempo inteiro porque os meios pelos quais a população mundial tem acesso a informações e desinformações são os meios concentrados das big techs, que fazem parte da guerra cultural mundial do 1% contra os 99%.

Museo de la Denuncia, La Habana.

Viva Cuba e sua aposta na educação e na preservação da história de lutas de seu povo!

Aliás, não deixem de visitar em Havana o Centro Fidel Castro Ruz e o Memorial da Denúncia, são espaços fantásticos de educação e história.

Centro Fidel Castro Ruz, Havana.

E viva o Brasil e o povo brasileiro, viva o presidente Lula, que tenho como a maior figura política de nossa história!

Viva Lula e o povo brasileiro!
Foto: Ricardo Stuckert.

Mas temos que falar e refletir sobre a história para aprender com ela e a partir das referências históricas nos organizarmos para enfrentar os novos desafios pela manutenção dos direitos do povo e pela manutenção de algo que se possa chamar de democracia, não a democracia dos donos do poder econômico, pois isso nunca foi democracia.

William Mendes


Post Scriptum: na minha opinião, o governo Lula está sob ataque organizado da extrema-direita neste momento (guerra híbrida) e acho que Lula tem que ir pra cima e nos chamar para os embates com a direita fascista. A economia cresceu, direitos sociais estão voltando, emprego aumentando e a democracia está sendo exercida. Pra cima deles, Lula!

Post Scriptum II: o texto anterior sobre as viagens a Cuba pode ser lido clicando aqui.


quarta-feira, 17 de janeiro de 2024

Livro: LulaLivre * LulaLivro (2018)



Refeição Cultural

Osasco, 18 de janeiro de 2024. Quarta-feira de calor cozinhante.


O primeiro livro do ano me trouxe muitas emoções, recordações e reflexões sobre as coisas dos homens. Dos humanos é o sentido geral do que quero dizer, no entanto "dos homens" é apropriado porque via de regra a sociedade humana é patriarcal, machista, misógina e dominada pelo universo masculino.

O livro LulaLivre * LulaLivro foi confeccionado e publicado em julho de 2018, no calor do processo kafkiano do qual o presidente Lula foi vítima, sendo ele acusado, julgado e condenado num tempo absurdamente rápido para os padrões normais do judiciário brasileiro, processo forjado pela quadrilha da chamada "República de Curitiba", uma organização liderada por um juiz considerado suspeito pelo STF. 

Lula foi preso no dia 7 de abril e passou 580 dias naquela masmorra. O objetivo político daquela tal operação Lava Jato foi alcançado, Lula foi retirado do processo eleitoral em 2018 e o monstro fascista foi eleito presidente para destruir o país e os direitos do povo nos quatro anos seguintes.

Prédio da Polícia Federal, onde 
mantiveram Lula preso (PR).

Durante os 580 dias de prisão política do presidente Lula, o líder do povo brasileiro - preso sem crime algum - ouvia de manhã, na hora do almoço e no final da tarde uma multidão de apoiadores gritarem "Bom dia, presidente Lula!", "Boa tarde, presidente Lula!", "Boa noite, presidente Lula!". Estive no Acampamento Marisa Letícia no dia 25 de abril de 2018, dias depois da criação da Vigília Lula Livre e pude acompanhar o coro de militantes no "- Boa tarde, presidente Lula!".

Lula foi solto no dia 08 de novembro de 2019, após o STF corrigir o abuso inconstitucional que ele mesmo permitiu anteriormente, levando uma pessoa à prisão antes de condenação definitiva como estabelece a Constituição Federal de 1988. O que vimos até então, desde o golpe contra a presidenta Dilma Rousseff, foi uma Suprema Corte covarde e omissa em relação às ilegalidades cometidas contra Dilma e Lula.

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GANHEI O LULALIVRE * LULALIVRO DE PRESENTE

"Seja bem-vind@!!!
Este é um pequeno carinho da Fetec-CUT/PR para você.
"


Quando cheguei a Curitiba, Paraná, em 28 de junho de 2019, para participar do Encontro Estadual do BB e Caixa (postagem aqui), ganhei um dos melhores presentes do mundo, um livro, da dirigente Dani, em nome da Fetec-CUT/PR. O livro é maravilhoso!!!

A edição é da Fundação Perseu Abramo, e foi organizado por Ademir Assunção e Marcelino Freire. 

"Joseph K., o conhecidíssimo personagem de Franz Kafka, se vê enredado em um processo judicial, cujas origens desconhece e cujo desenrolar vai se tornando cada vez mais obscuro, sórdido e absurdo.

O processo a que assistimos no Brasil contemporâneo, contra uma figura pública central da história política dos últimos 40 anos, guarda semelhanças e dessemelhanças com o enredo kafkiano: se o seu desenrolar expõe uma lógica absurda, suas origens e fins são muito delineáveis..."

Assim começa a apresentação do livro. É um livro-manifesto, dizem os organizadores.

"Os 90 poetas, prosadores e cartunistas aqui reunidos - de todas as regiões do país - atenderam ao chamado, na urgência dos fatos em curso no Brasil, para manifestar seu inconformismo com a prisão política do ex-Presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva."

É uma delícia cada um dos 90 textos!

O livro é tão bom, que ficaria difícil apresentar aqui alguns dos poemas que adorei!

Amig@s leitores, à medida que vamos lendo cada poema, crônica, cartum, quadrinho, carta, memória, saudação, depoimento, documento, tudo relativo a Lula e sua história conosco, a história do Brasil de Lula e seu povo trabalhador, a gente vai se sentindo representado por aquele ou aquela autora do texto.

E mais!

Os textos são visionários! São registros da certeza que tínhamos da injustiça e da armação que estava ocorrendo naquele momento.

O tempo é o senhor da razão, dizem os ditos populares...

Lula é o Presidente do Brasil pela terceira vez! Aquela gente lesa-pátria, aquela quadrilha da República de Curitiba está sendo desmascarada a cada dia que passa.

A história está seguindo seu curso. Luiz Inácio falou, Luiz Inácio avisou aquele juizeco que um dia a verdade viria à tona...

É isso!

William


terça-feira, 16 de janeiro de 2024

Natais - 1971



Refeição Cultural

Neste momento da história, início do ano de 2024, a sociedade humana vive os seus dilemas como deve ter vivido no início da década de setenta do século passado. 

Estamos cozinhando num mundo superaquecido e nossas crianças e adultos não olham mais para o horizonte, nem precisaríamos mais de visão ocular curvada para perceber o mundo ao redor. Hoje, bastaria uma visão plana para ver uma tela na frente do rosto. Com isso, você pode morrer atropelado mesmo sendo a pessoa mais atenta e cuidadosa do mundo. Mesmo que você olhe, outro não vai olhar e bum... Ninguém olha mais pra frente... até os cachorros vira-latas são mais espertos que boa parte dos humanos andando nos ambientes do mundo.

Se naquela época o mundo vivia sob uma abstração chamada "guerra fria", e o mundo polarizava duas formas de sociedades humanas se organizarem, através de modelos de Estado capitalistas ou socialistas, seja lá o que isso quisesse sugerir à época, hoje o capitalismo venceu o socialismo e temos alguns humanos de carne e osso com riquezas maiores que a soma das misérias de bilhões de humanos no planeta todo. Detalhe: isso é considerado "normal", é normalizado, isso não escandaliza meu vizinho, meu familiar e sequer altera a gana de alguém que se diz de "esquerda" para se engajar mais para mudar essa realidade da sociedade humana. É a minha impressão de observador.

As crianças de nossa sociedade ocidental (acho que no mundo todo) estão sendo aculturadas nos primeiros anos de vida a terem o desejo de serem youtubers ou "influenciadoras", seja lá o que isso queira dizer, e não mais cientistas, professoras, engenheiras, médicas, historiadoras. A ciência não parou de avançar em diversas áreas da sociedade humana. A tecnologia segue sendo alterada. Tudo está cada dia mais rápido no processamento, menor no tamanho, mais automático e instantâneo, e tudo tem contribuído para o ser humano se transformar em outra coisa, em relação às abstrações que nos fazem humanos. Não somos galinhas, jacarés, moscas, pombas, leões, gafanhotos por termos desenvolvido cérebros que nos transformaram em homo sapiens.

Tenho dúvida se seguiremos sendo sábios e se seguiremos existindo nas próximas décadas. Décadas mesmo! Não ousaria especular se estaremos no planeta daqui a alguns séculos, como estivemos séculos atrás.

Pelo que tenho lido e estudado, o ser humano está regredindo rapidamente em suas características mais definidoras daquilo que nos fez seres humanos ao longo da evolução de nossa espécie.

Não sou determinista nem acredito em hipotéticos futuros determinados e definidos. No entanto, toda mudança de rota precisa de um momento de virada de tendência. Ainda não vejo sinais de mudança no horizonte humano.

Teríamos que mudar muita coisa a partir de hoje. 

Quem está a fim de mudança da realidade política, social e econômica do mundo? No passado, tanto capitalismo quanto socialismo tinham visões de uso do planeta como se a natureza fosse inesgotável. Um sistema venceu, outro virou palavrão. Mas a forma de uso do planeta segue a mesma. Consumir até acabar.

É uma reflexão. Talvez tenhamos produzido em uma semana de festas e comemorações de fim de ano em 2023 mais lixo e destruição do que todo o ano de 1971, quando eu tinha meus dois aninhos e pouco de idade. Mesmo considerando as guerras de lá e as guerras de hoje.

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NATAL DE 1971

Como terá sido o Natal de nossa família? Eu não tenho a menor ideia também. 

Sei que o mundo recebia estarrecido as imagens da Guerra do Vietnã. Sei que a classe trabalhadora se fodia no Brasil. O regime autoritário era aliado da elite para enriquecê-la, sugando os recursos do Estado e do povo em benefício de poucos. 

A ditadura brasileira promovida pela elite vira-lata arrepiava pra cima das organizações de resistência e a regra desde o AI5 era sequestrar, torturar e assassinar a militância que lutava para recuperar a democracia no Brasil. 

Uma das vítimas da ditadura foi a nossa querida presidenta Dilma Rousseff. Nessa época, a jovem militante estava presa e sofria tortura... mas resistiu bravamente! Que mulher extraordinária! Ela seria no futuro presidenta do Brasil e sofreria novamente a violência de um país machista, misógino e antipovo.

O militante de esquerda e combatente contra a ditadura, Carlos Lamarca, foi pego pelo regime em uma emboscada em setembro daquele ano, foi fuzilado sem dó.

A imprensa empresarial, boa parte dela, lambia as botas dos milicos e falava mentiras contra a resistência democrática o tempo inteiro. 

Será que meus pais caíam na lorota dos meios de comunicação de massa? Avalio que o poder midiático das imagens e versões narrativas com efeito de "verdade" por parte dos meios televisivos e jornalísticos era muito forte, quase irresistível. Só quem tinha acesso a outras visões de mundo tinha chance de questionar os meios midiáticos do poder político e econômico do país.

Quando me tornei adulto soube que meu pai era brizolista, ufa! Bom sinal! Brizola e Lula eram lideranças da classe trabalhadora que enfrentavam a ditadura financiada pela elite vira-lata tupiniquim. Nosso metalúrgico sindicalista, Lula, iria trilhar uma história única nas décadas seguintes neste canto de mundo chamado Brasil.

Fiquei feliz ao saber que as duas vezes nas quais meu pai foi candidato a vereador, uma em São Paulo, quando era taxista, e outra em Uberlândia, quando era radialista, foram pelo PDT. Ao fuçar nos papéis velhos da família, vi os panfletinhos do Palmério. 

É isso! O Natal de 1971 talvez tenha sido em Uberlândia ou em Goiânia, pelo que pude especular com minha mãe. Na foto, vemos meu tio Jorge, eu no colo da vovó Cornélia, mamãe, e tia Alice com a Telma no colo. Pelo que minha mãe explicou, a cena se passa em MG.

William


Post Scriptum: o texto anterior desta série pode ser lido aqui. O texto seguinte pode ser lido aqui.


sexta-feira, 10 de março de 2023

Leitura: Os sentidos do lulismo - Reforma gradual e pacto conservador (2012) - André Singer



Refeição Cultural

Osasco, 10 de março de 2023. Noite de sexta-feira.


"Enquanto os meios de pagamento cresçam, cada fração de classe pode cultivar o seu lulismo de estimação. Responsável, apesar de algo populista, para os bancos. Nacionalista, ma non troppo, para os industriais. Promotor do emprego, embora precário, para o proletariado. Apoiador do crédito para a agricultura familiar, ainda que relutante quanto a enfrentar o latifúndio, para os trabalhadores rurais. Por isso, o presidente pode pronunciar, para cada uma delas, um discurso aceitável, usando conteúdos diferentes em lugares distintos e, sobretudo, tomando cuidado para que os conflitos não impliquem radicalização e mobilização. Porém, o entusiasmo, capaz de sustentá-lo nos momentos difíceis, como foi o 'mensalão', o lulismo só vai encontrar em meio ao subproletariado, o que está relacionado ao fato de que, como toda solução arbitral, tem como prioridade atender à própria base, a que garante a sua continuidade. Daí que, de todas as políticas adotadas, a integração do subproletariado seja a decisiva." (p. 203)


Terminei hoje a leitura desse ensaio fundamental de André Singer sobre Lula e o fenômeno do lulismo na história do Brasil e do povo brasileiro. O livro é espetacular ainda hoje, mais de uma década após a publicação da tese do jornalista e cientista social.

O livro é dividido em quatro capítulos, além da introdução e de um posfácio.

- Introdução: Alguns temas da questão setentrional

1 - Raízes sociais e ideológicas do lulismo

2 - A segunda alma do Partido dos Trabalhadores

3 - O sonho rooseveltiano do segundo mandato

4 - Será o lulismo um reformismo fraco?

- Posfácio: No meio do caminho tinha uma pedra

Ao longo da leitura dos capítulos fiz postagens com alguns comentários e citações. Sobre a Introdução, ver aqui. A leitura do 1º capítulo comentei nesta postagem aqui. Os comentários do 2º capítulo podem ser lidos aqui. E as impressões do 3º capítulo, aqui.

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O TESTE ELEITORAL DO LULISMO

"A vitória de Dilma Rousseff na eleição de outubro de 2010 mostrou a vigência do realinhamento e garantiu por pelo menos mais quatro anos a extensão do lulismo..." (p. 169)

A eleição de 2010 comprovou o que Singer demonstra ao longo do livro. O perfil dos eleitores de Lula mudou entre 1989 e 2010, inverteu-se, houve um realinhamento. Os muito pobres e subproletários que sempre votaram contra a esquerda até 2002 foram decisivos nas eleições de Lula em 2006 e Dilma, indicada por Lula na eleição seguinte.

LULISMO

É o governo Lula melhorar a vida do povão sem nenhuma arruaça ou revolução.

"A transferência de votos de Lula para Dilma entre os mais pobres e no Norte/Nordeste implica que o projeto político de reduzir a pobreza sem contestar a ordem, particularmente nos bolsões de atraso regional em que a pobreza se fixou ao longo da história brasileira, conquistou corações e mentes, tornando plausível a longa duração para o lulismo que venho supondo desde o início desta exposição." (p. 175)

EXPORTAÇÃO DE COMMODITIES AJUDOU O LULISMO

Singer afirma que a expansão mundial da economia e a valorização das commodities contribuíram para o sucesso dos governos Lula. Mas não foi só isso. As políticas de governo foram mais que centrais.

"Foi a fortuna da conjuntura internacional associada à virtù de apostar na redução da pobreza com ativação do mercado interno que produziu o suporte material do lulismo." (p. 179)

AUMENTO DO EMPREGO E RENDA DO TRABALHO 

"Isso quer dizer que o fator fundamental na redução da desigualdade durante o governo Lula foi o expressivo aumento do emprego e da renda, na qual a valorização do salário mínimo teve rol crucial, e não as políticas compensatórias, fossem elas de corte neoliberal ou não." (p. 184)

ERA PRA SER UM REFORMISMO "FORTE", MAS O POSSÍVEL FOI UM REFORMISMO "FRACO"

Singer explica que o desejo do petismo com "o espírito de Sion", o grupo que criou o PT nos anos 80, era pra termos um reformismo forte, mas a realidade se impôs e após os anos noventa, principalmente a partir de 2002 com a "Carta ao povo brasileiro" - prevaleceu "o espírito do Anhembi" e tivemos um reformismo fraco, sem rupturas e contestação ao capitalismo. 

"As condições para o programa de combate à pobreza viriam da neutralização do capital por meio de concessões, não do confronto. A manutenção da tríade juros altos, superávits primários e câmbio flutuante faria o papel de acalmar o capital. De outro lado, a simpatia passiva dos trabalhadores, para quem a ativação do mercado interno e a recuperação do mercado de trabalho representavam benefícios reais, garantiu a paz necessária para não haver radicalização. Após o 'mensalão' e a emergência do lulismo, sobretudo no segundo mandato, com sustentação social própria formada pelos votos do subproletariado, Lula pôde implantar a fórmula 'ordem e mudança' com maior liberdade e resultados melhores, como vimos no capítulo anterior." (p. 188/189)

Em resumo:

"ao tomar das propostas originais do PT aquilo que não implicava enfrentar o capital como seria o caso da tributação das fortunas, revisão das privatizações, redução da jornada de trabalho, desapropriação de latifúndios ou negociação de preços por meio dos fóruns das cadeias produtivas, o lulismo manteve o rumo geral das reformas previstas, não obstante aplicando-as de forma muito lenta. É a sua lentidão que permite interpretá-lo como tendo um sentido conservador..." (p. 192/193)

REFORMISMO FRACO

"A conversão da segunda alma do PT ao lulismo (o espírito do Anhembi) e seu correspondente ideológico, o desenvolvimento de um capitalismo popular, deixou vazio o lugar do anticapitalismo, hoje disputado por pequenas siglas como o PSOL e o PSTU, já que a esquerda do PT tem impacto dentro do partido, mas pouco fora dele. Essa situação carrega um paradoxo: o de que a esquerda no Brasil ganhou e perdeu, ao mesmo tempo, com a ascensão do lulismo. No momento em que um projeto reformista, mesmo fraco, avança na redução da sobrepopulação trabalhadora superempobrecida permanente, aumentando o contingente proletário, a luta ideológica parece recuar para um estágio anterior ao conflito capital/trabalho." (p. 219)

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COMENTÁRIO

Eu tive acesso à tese de André Singer sobre o lulismo durante o segundo mandato do presidente Lula. Era dirigente sindical dos bancários no Sindicato e na Confederação e achei a tese muito coerente com a realidade que vivíamos no país.

Muitas impressões que tinha a respeito da sociedade brasileira foram confirmadas com os dados que Singer apresentava em relação às eleições presidenciais desde a redemocratização. Os pobres não votavam e não simpatizavam com a esquerda. Exemplo: minha família de pobres e conhecidos pobres. Votaram no Collor, no FHC e na pqp, menos no Lula e no PT.

A eleição de Lula em 2002 teve toda uma conjuntura favorável. O neoliberalismo tinha fodido com o país e com o povão, tinha dizimado a classe média também, parte dela composta por funcionários públicos e ex-públicos - demitidos pelas privatizações -, a classe trabalhadora se ferrou com os tucanos.

Vi, vivi e ajudei a construir os mandatos de Lula e Dilma como dirigente da classe trabalhadora entre 2003 e 2018, tenho em minha pele todas as nossas conquistas do 1º dia do mandato de Lula até o golpe contra Dilma em 2016. Fomos do inferno ao céu com o PT no governo e do céu ao inferno com os bandidos no poder entre 2016 e 2022.

A volta de Lula à presidência do Brasil em 2023 é, na minha opinião, a vitória do lulismo. Não tínhamos outra liderança no país capaz de conquistar os 50,9% dos votos válidos na eleição viciada de 2022 através de uma máquina fraudulenta e corrupta que usou o orçamento público e meios desonestos para tentar manter os milicianos no poder central.

Acho o livro muito atual, mesmo considerando que Singer o escreveu antes das manifestações de junho de 2013, antes da Lava Jato, antes de Aécio e Cunha, antes do golpe e antes da aberração que colocaram no poder em 2018, com Lula preso numa masmorra de forma ilegal e sem poder concorrer.

A leitura já nem teria sentido para mim, recolhido em casa, fora do movimento político por não caber mais nos espaços onde militei por mais de duas décadas. O mundo mudou e as pessoas mudaram, não há mais convívio político se a gente tem personalidade e posição política, e nunca fui de paparicar ninguém.

Após uma conversa com o amigo e companheiro de tantas jornadas, o mestre Carlindo do Dieese, acabei pegando o livro na mão e toquei a leitura até o fim. Foi bom! Clareei mais ainda minha visão do mundo no qual estamos enfiados.

Basta. Registrada a impressão. André Singer é um cientista político que nos legou uma grande interpretação do povo brasileiro e do Brasil. 

Obrigado, Singer!

William


Post Scriptum (12/3/23): No sábado pela manhã, li o posfácio do livro - "No meio do caminho tinha uma pedra". Nele, André Singer nos fala um pouco de seu percurso formativo, de sua experiência como jornalista e professor no Departamento de Ciência Política da USP e a gênese da ideia do lulismo. O texto é dividido em 3 partes: tempos de esperança, tempos de experiência e tempos de reflexão. Gostei muito do texto. Cito abaixo um conceito de Singer que já conhecia dos tempos de leitura de Edward Said (ler aqui) sobre a questão do papel do intelectual.

"Penso que cabe ao intelectual participar da vida pública de modo peculiar. Justamente por não ser representante, a não ser de si mesmo, ele tem a liberdade de falar o que os profissionais não podem dizer. Deve fazer uso dessa franquia para, com a bagagem do conhecimento acumulado, intervir na agenda pública, usando, sem medo, o senso de perspectiva histórica que o treino intelectual propicia. A sociedade necessita de balizas fundamentadas no mar de eventos encapelados que os jornais, revistas, televisões e páginas de internet oferecem dia a dia." (p. 247)


Bibliografia:

SINGER, André. Os sentidos do lulismo - Reforma gradual e pacto conservador. 1ª ed. - São Paulo: Companhia das Letras, 2012.


quinta-feira, 9 de março de 2023

Lendo: Os sentidos do lulismo (IV) - André Singer



Refeição Cultural

Osasco, 09 de março de 2023. Madrugada de quinta-feira.


A leitura do capítulo 3 - "O sonho rooseveltiano do segundo mandato" - foi lenta, demorou três dias. É meu estado de espírito que não ajudou. Ao mesmo tempo em que leio e aprendo com o livro, e acho espetacular o desenvolvimento da tese de André Singer, que assino embaixo, fico buscando sentidos para este novo conhecimento. Ando achando tudo em vão, até estudar. Pra que? Quem quer saber disso? De certa forma, eu já sei a essência da tese e das coisas da política. Foram mais de duas décadas como dirigente político.

Aqueles que estão no poder ou disputando o poder estão preocupados em estudar e conhecer alguma coisa? O mundo vai sendo dominado por malandros profissionais manipuladores da fé e sofistas que têm boa lábia em redes sociais - em geral pregando o ódio e mentiras -, todos a serviço do capital. Pós-verdade... o que domina o rumo da humanidade e do planeta Terra é a pós-verdade e não necessariamente a verdade, que talvez nem exista, afinal de contas as coisas são como são e as narrativas vão se estabelecendo sobre atos e fatos.

Vamos ao que interessa, algumas leves passagens do capítulo.

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O SONHO ROOSEVELTIANO DO SEGUNDO MANDATO

Singer anuncia o que vai desenvolver no capítulo:

"Todavia, quais as condições reais para transformar em fatos o sonho rooseveltiano da maneira como aparece na descrição de Krugman, ou seja, de acesso a uma vida material 'reconhecidamente decente' e 'similar' num curto espaço de alguns anos'? Para além das peças de campanha, quais as forças sociais e políticas efetivamente a favor de diminuir rapidamente a pobreza e a desigualdade? Em particular, quais classes e quais partidos estão comprometidos com esse objetivo? Por meio de tais perguntas, este capítulo deseja mapear o solo material e político da agenda lulista ao cabo de dois mandatos presidenciais. Examinarei, em primeiro lugar, os avanços na redução da pobreza e da desigualdade; em segundo, os conflitos macroeconômicos que limitaram ou aceleram o ritmo da empreitada; e, em terceiro, as relações de classe envolvidas no processo." (p. 129)

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A POBREZA MONETÁRIA CAI RÁPIDO; A DESIGUALDADE, DEVAGAR

Achei bem interessante a explicação que Singer dá sobre a diferença entre diminuição da pobreza e da desigualdade.

Pobreza - "De acordo com o economista José Eli da Veiga, por exemplo, a pobreza, na linha do prêmio Nobel Amartya Sen, deveria ser entendida como 'privação de capacidades básicas' e 'jamais [...] medida apenas com estatísticas de insuficiência de renda'." (p. 129)

Ao longo do texto, Singer apresenta algumas dificuldades ao se considerar a "renda monetária" para auferir parâmetros de pobreza e desigualdade. Às vezes, 1 (um) centavo muda a categoria de segmentos populacionais e isso não quer dizer nada em relação à vida prática das famílias. No entanto, ele diz que não deve ser desprezado o tamanho dos indicadores de diminuição da pobreza monetária durante os governos Lula.

SEM O GOLPE, PODERÍAMOS TER AVANÇADO ENTRE 2011 E 2020

"Se as diferenças entre o Ipea e a FGV mostram o quanto há de relativo nas medições de pobreza, cabe notar que as medições de ambos apontam na mesma direção: a década 2011-20 pode ser para o Brasil aquela em que a totalidade dos cidadãos passe a usufruir de condição que os organismos internacionais consideram acima da pobreza (monetária) absoluta..." (p. 133)

Desgraçados esses canalhas, canalhas, canalhas da Lava Jato, da casa-grande e da extrema-direita que interromperam os governos petistas por golpe só para que a vida do povo pobre brasileiro não avançasse mais. E regredimos de forma trágica nesses 7 anos de Temer e Bolsonaro, chegamos ao fundo do poço da miséria no país.

PODERÍAMOS TER TIDO O "NEW DEAL TUPINIQUIM..." SEM O GOLPE

"Pode representar que a quase metade da população que não dispunha de renda mínima até meados da década de 1990 passará a dispor de recursos suficientes para assegurar, ao menos, a alimentação. Não será o fim da pobreza, mas talvez seja o fim da pobreza (monetária) absoluta, aquela que impede a pessoa de sequer se alimentar. Poderá significar o ponto de partida para a vida 'decente' do New Deal, porém certamente não a chegada." (p. 133)

CONJUNTO DE MEDIDAS LULISTAS QUE AUMENTARAM O ACESSO AO DINHEIRO POR PARTE DOS POBRES

"Convém recordar que o aumento do acesso ao dinheiro por parte dos pobres no governo Lula não ocorreu apenas por meio do Bolsa Família. Houve um expressivo crescimento do emprego, do valor do salário mínimo e do acesso ao crédito, e seria um erro ignorar tais elementos." (p. 135)

REDUÇÃO DA POBREZA É DIFERENTE DE REDUÇÃO DA DESIGUALDADE

"O Ipea constata, entretanto, que 'o movimento recente de redução da pobreza tem sido mais forte que o da desigualdade'. Enquanto a taxa de pobreza absoluta, medida pelo Ipea, teve uma redução de 36% entre 2003 e 2008, o índice de Gini reduziu-se de 0,58 para 0,55, numa queda de apenas 5% no mesmo período." (p. 139)

COMO OS RICOS TAMBÉM LUCRARAM NO GOVERNO LULA, DESIGUALDADE SE REDUZIU MAIS LENTAMENTE QUE A POBREZA

"Os largos gastos do Tesouro com o pagamento de juros e os altos lucros das empresas durante o governo Lula seriam sinais visíveis do aumento da desigualdade funcional..." (p. 140)

Fechando essa parte do capítulo, Singer diz que a classe média perdeu poder de compra durante o aumento do poder de compra das classes de baixo. Em nota (49), é citado trecho de entrevista com o sociólogo Simon Schwartzman de 2010: "Houve um achatamento do padrão de vida da classe média. Ela sofreu nesse processo, porque depende muito mais dos serviços, cujos preços aumentaram muito, como escolas e saúde privadas." (p. 142)

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A SUAVE INFLEXÃO DO SEGUNDO MANDATO

Nessa parte, Singer aponta outras medidas centrais dos governos Lula como, por exemplo, o Crédito Consignado, as medidas desenvolvimentistas de Mantega, dentre outras.

CRÉDITO CONSIGNADO

"Ter descoberto que com uma quantidade relativamente modesta de recursos e opções que não dependiam do orçamento da União (como o caso do crédito consignado) era possível revitalizar regiões muito carentes, como o interior nordestino, foi o que garantiu, juntamente com a melhora da conjuntura econômica internacional, o sucesso da fórmula lulista." (p. 145)

GUIDO MANTEGA

"Outra fase do governo começa com a ascensão de Guido Mantega ao Ministério da Fazenda, em março de 2006, favorecendo a química com menos neoliberalismo e mais desenvolvimentismo que iria, depois, caracterizar todo o segundo mandato." (p. 146)

GERAÇÃO DE EMPREGOS FOI RETOMADA APÓS INÍCIO DA CRISE DO SUBPRIME

Com o início da crise financeira internacional, as empresas brasileiras começaram a demitir, mesmo desconsiderando as demandas do mercado interno. Contudo, já em 2009 e 2010 o governo Lula havia conseguido retomar com força a geração de empregos. Isso foi central para o sucesso do governo e do povo brasileiro.

"Nessa etapa, que se estende até a irrupção da crise financeira internacional no Brasil (último trimestre de 2008), houve maior valorização do salário mínimo, alguma flexibilização dos gastos públicos e redução dos juros, diminuindo, sem eliminar, a dose do componente conservador na fórmula lulista. Do ponto de vista da fração de classe que sustenta o lulismo, o principal efeito dessa reformulação foi que a geração de empregos se acelerou, passando a ser decisiva no combate à pobreza." (p. 147)

Lembrando que Lula terminou o governo em 2010 com uma taxa de desemprego na casa dos 5,3% (dezembro), quase pleno emprego.

A POLÍTICA DO SALÁRIO MÍNIMO FOI FUNDAMENTAL NA REDUÇÃO DA POBREZA

Singer nos lembra que a chegada de Guido Mantega foi central para as decisões relativas ao aumento do salário mínimo. Em 2006, o aumento real foi de 13%. Nos anos seguintes: 5,1% (2007), 4% (2008), 5,8% (2009) e 6% (2010). 

Imaginem a importância desses aumentos para 17 milhões de aposentados que recebiam à época um salário mínimo como benefício social! Esses recursos movimentaram a economia interna das cidades brasileiras e favoreceram as famílias dos subproletários e proletários.

"É provável que, isoladamente, a valorização do SM tenha sido a decisão mais importante da segunda fase, da mesma maneira que a criação do BF foi da primeira." (p. 148)

A IMPORTÂNCIA DA PETROBRAS

Singer nos lembra da capacidade da empresa Petrobras contribuir para o crescimento do país. Durante o período analisado (2006 e 2008), ela sozinha conseguia investir mais que o governo federal.

"Houve, no mesmo sentido, multiplicação da inversão realizada pelas estatais, cabendo lembrar que a Petrobras, sozinha, tem mais capacidade para tal do que a União em seu conjunto..."  

E cito a nota 63 que dá os números: "(...) Enquanto a média de investimento da União ficou em 0,7% do PIB entre 2006 e 2008, a da Petrobras foi de 1% do PIB no mesmo período." (p. 149)

LULA CRIOU CÍRCULO VIRTUOSO MESMO DURANTE A CRISE MUNDIAL

"As empresas voltadas para dentro incrementaram o investimento para aproveitar as oportunidades, gerando postos de trabalho, os quais por sua vez realimentaram o consumo, num círculo virtuoso que conseguiu, finalmente, tocar na contradição fundamental: a massa miserável que o capitalismo brasileiro mantinha estagnada começava a ser absorvida no circuito econômico formal." (p. 150/151)

POLÍTICA ECONOMICA DO 2º MANDATO DE LULA

"Quatro elementos distinguiram a política econômica do 'segundo período': valorização do salário mínimo, desbloqueio do investimento público, redução da taxa de juros e queda do desemprego." (p. 152)

AUMENTO DO CONSUMO POPULAR DURANTE CRISE DO SUBPRIME

"No Brasil, Lula optou por ampliar o consumo popular mediante aumentos do salário mínimo, das transferências de renda, das desonerações fiscais e do alongamento do crediário." 

E com as medidas tomadas e com os bancos públicos o Estado passou a comandar a economia. Isso lembrou o "milagre econômico" entre os anos de 1967 e 1976.

O Minha Casa Minha Vida (MCMV) contribuiu muito com a 3ª fase do governo Lula.

"Graças a essa medida, o desemprego foi contido, tendo sido gerados 1,3 milhão de vagas em 2009 e 2,5 milhões em 2010 (recorde). Na média do biênio, 1,9 milhão de postos foram criados, igual a 2007 (antes da crise)." (p. 153)

SEGUNDO REAL DO LULA

"Em suma, a rápida recuperação da crise se fez sobre novo ciclo de consumo popular, uma espécie de Segundo Real do Lula, desta feita incidindo sobre bens duráveis, sendo elemento decisivo para o sucesso da candidatura Dilma Rousseff em 2010 e dando algum contorno material ao sonho rooseveltiano de vida decente e similar." (p. 153)

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COALIZÕES DE CLASSE

A postagem já está enorme, já cansei e os pontos importantes do capítulo ainda seriam muitos. Como disse no início, eu já li e absorvi muita coisa interessante.

Vou citar um resumo e encerrar a postagem. Se alguém tiver o desejo de aprofundar o conhecimento sobre o fenômeno "lulismo" leiam André Singer.

"O êxito da candidatura Dilma Rousseff em 31 de outubro de 2010 (à qual voltaremos no próximo capítulo) representou a sobrevivência do lulismo, para além dos mandatos de Lula. Apoiada nos mais pobres, Dilma defendeu a plataforma que interessa à base social subproletária: ampliação da transferência de renda; expansão do crédito popular; valorização do salário mínimo e geração de emprego, tudo sem radicalismo..." (p. 155)

Enfim, Singer nos fala um pouco sobre a questão da "arbitragem" feita por cima, por Lula, para resolver conflitos sem tensão e enfrentamento entre capital e trabalho, sendo isso ideal para aquele perfil de subproletariado e proletariado que quer melhorias, mas sem lutar.

Comenta ainda o quanto o boom das commodities era central naquele período para o Brasil avançar no lulismo. Coisa que deixou de acontecer quando a China reduziu sua atuação no mercado mundial.

Citou ainda o perigo da desindustrialização, sendo necessário sempre uma atuação para equilibrar o peso do setor primário e secundário na economia do país.

Chega por enquanto. Ufa! Que postagem difícil de fazer!

William


P.S.: Para ler comentários sobre o capítulo anterior, é só clicar aqui.


Bibliografia:

SINGER, André. Os sentidos do lulismo - Reforma gradual e pacto conservador. 1ª ed. - São Paulo: Companhia das Letras, 2012.