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domingo, 2 de agosto de 2026

Leitura: Tal Pai Tal Filho



Refeição Cultural

Já faz alguns anos, meu pai me entregou um caderno de textos, organizados por ele mesmo, reunindo textos meus e textos dele. O caderno se chama Tal Pai Tal Filho.

Já li trechos do caderno várias vezes, mas nunca li o caderno inteiro. A gente tem o costume ruim de fazer isso com as pessoas queridas, amigos e familiares. Tudo no cotidiano é mais urgente e importante que as nossas relações de afeto.

Quando acordei neste domingo, uma semana antes do domingo dos pais, tive um impulso de pegar o caderno que meu pai idoso fez pra mim e lê-lo completamente, corretamente. É o mínimo que eu já deveria ter feito desde quando ele mo presenteou.

A primeira metade são textos meus retirados do blog Refeitório Cultural, textos que tratam de minha relação com os pais e com meu filho. São textos sobre pais e filhos. Alguns são incríveis! São declarações de amor, agradecimentos, reflexões em momentos de dor e angústia. 

Durante um curto período, meu pai passou a escrever bastante, já depois dos setenta anos. Até antes: "Divagando pela vida", ele finaliza aos 67 anos, no dia de seu aniversário. Ele conseguiu mexer com computador e internet até o período da pandemia mundial, já perto de seus oitenta anos. Naquele momento, meus textos tinham ao menos um leitor: meu pai!

A coletânea que ele fez pra ele e pra mim é incrível! Ao me entregar aquele caderno, anos atrás, meu pai pode ter querido dizer várias coisas, várias! Respeito por mim, amor, orgulho pelo filho que teve. Um pedido de socorro, por solidão em um ambiente de desentendimento na própria casa. Um chamado para que eu visse a história incrível da vida dele, que nunca havia sabido de forma tão organizada. 

De meus textos, ao relê-los, fiquei estupefato. Não me lembrava com detalhes daqueles acontecimentos e sentimentos. 

Escrevi um sobre idosos, estando na UTI com meu pai infartado em 2012. Imagino que seja um de meus melhores textos sobre a importância de se amar os idosos.

Meu pai reuniu textos nos quais falo de meu filho, de minha mãe, de mim e ele com nossas duras vidas vividas.

Aí começa a história da vida dele. Incrível! Dá vontade de ler em voz alta numa roda de amigos e familiares. De parar a cada parágrafo e comentar sobre aquela vida, aquela gente, aquele mundo de onde nós viemos. Qualquer pessoa minimamente conhecedora do Brasil do século vinte, sabe que aquela narrativa é sobre todos nós.

Enfim, neste momento, apenas comecei a leitura da história da vida de meu pai, de meus pais, dessa gente de onde viemos, de muitos de nós. 

A vida é um instante. Enquanto me afogo no catarro de uma gripe insistente, posso deixar de existir num instante. O mesmo com meu velho pai, próximo de completar 84 anos. O mesmo com meu filho, que num rolê com algum exagero na bebida, pode se pôr em risco desnecessário...

Fiz muitas das coisas que meu pai fez na juventude. Meu filho, idem. Bebemos mais do que o saudável. Meu pai ainda fumou por 37 anos. Cada vida é única. Cada história de vida, também. Os contextos e o mundo nunca são os mesmos, apesar das escolhas serem talvez parecidas.

Sou grato por estarmos vivos neste domingo. 

William 

02/08/26

terça-feira, 25 de novembro de 2025

Evocações



Refeição Cultural

Ontem, reli o capítulo 38 de meu livro de memórias sindicais, "Evocações". No texto está a essência de minha história e formação política. 

Aquelas lembranças foram inspiradas nas memórias de Aleida March, companheira de Ernesto Che Guevara. O livro dela me escolheu numa rua de Havana.

Nosso grupo de brasileiros estava andando por Havana Velha com o senhor Luis Caballero quando olhei o livro numa portinha de livros usados. Aquela foto de Aleida e Che me encantou.

No capítulo 38 de "Memórias de um trabalhador politizado pelos bancários da CUT" vou buscando as lembranças assim como fez Aleida depois de décadas de silêncio. O passado sendo tratado com ternura.

A vida humana é definida diariamente, independentemente dos planejamentos que as pessoas fazem em seus sonhos e utopias. Olho para trás e vejo isso claramente. E tudo bem!

As veredas, as veredas da vida. Veredas que definem caminhos, caminhos que determinam a vida vivida. E tudo bem se não rolou o que você queria. Se a vida foi vivida com uma ética humanista, valeu a pena.

As veredas são oportunidades incríveis... quando vi era dirigente sindical. Quando percebi estava mudando o mundo junto com meus companheiros e companheiras, o meu e o nosso mundo do trabalho à época. 

Quando vi, Aleida e Che me encantaram numa rua de Cuba. Do nada, me senta no assento ao lado no ano seguinte, num voo de volta a Cuba, a queridíssima Conceição Evaristo, e passamos horas conversando até Havana.

Falei a ela de Aleida March, disse que lhe daria o livro de presente. Achei agora a versão em português e quero entregar à nossa querida escritora das escrevivências as lembranças de Aleida March. E, modestamente, lhe presentear também com as memórias do bancário.

O capítulo 38 traz lembranças de um fazer sindical com uma ética toda aprendida com lideranças sindicais de grande valor, que me inspiraram e me fizeram ser a pessoa que fui, e que sou.

Espero entregar a Conceição Evaristo as evocações de Aleida March. Espero que minhas evocações testemunhem o efeito revolucionário da formação política e sindical, lições de vida que me trouxeram até aqui.

William 

25/11/25

segunda-feira, 27 de outubro de 2025

Minha história com Lula



Refeição Cultural

Parabéns pelos 80 anos, presidente Lula! O senhor é efetivamente o filho do Brasil!

27/10/25


É uma alegria ver nosso presidente Lula completar 80 anos de idade no dia de hoje, com saúde e em plena atividade política, buscando diariamente benefícios para o Brasil e o povo brasileiro e focado em agendas globais como a questão do combate à fome, a preservação ambiental e o fim das guerras.

Eu não tenho uma foto ao lado do presidente Lula, como tem a maioria das pessoas que conheço do meio político. Não tenho! Ao longo das duas décadas de mandatos de representação sindical até tive algumas oportunidades, mas não deu certo fazer a foto com Lula. 

Não tenho foto com Lula, mas Lula é uma referência em minha vida desde quando eu não sabia disso e ele é uma referência política para mim até hoje, após ser politizado pelos bancários da CUT.

Quando fiz 18 anos e tirei meu título de eleitor, votei no Partido dos Trabalhadores pela primeira vez, e ajudei a eleger Luiza Erundina prefeita de São Paulo. No ano seguinte, 1989, votei em Lula pela primeira vez para presidente da república, em primeiro e segundo turno. 

Antes dos votos em Erundina e Lula, eu havia sido trabalhador braçal desde criança. Da maioridade em diante, votei em Lula e no PT como bancário e sempre tive aquela leitura básica que trabalhador vota em trabalhador.

DE BANCÁRIO SINDICALIZADO A DIRIGENTE DO SINDICATO CUTISTA

Entre 1988 e 2002 fui um trabalhador da categoria bancária sem uma formação política mais aprofundada. Eu sabia mais ou menos o que não queria, o que era ruim para mim e meus pares da classe trabalhadora. Votar em candidatos dos patrões e dos ricos era uma certeza do que não deveria fazer.

Ao participar das eleições do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e região na chapa cutista em 2002 e ser eleito representante de meus colegas na direção do maior sindicato da categoria, tive a oportunidade de conhecer a nossa história e aí passaria a entender melhor quem era Lula e quem éramos enquanto movimento político da classe trabalhadora.

Ao começar essa nova fase de minha vida de trabalhador brasileiro - ter um mandato de primeiro grau dos colegas bancários - eu já tinha mais de trinta anos, estava com 33 anos de idade. 

Se, por um lado, eu já tinha me envolvido em diversas lutas estudantis desde adolescente, ajudando a organizar movimentos reivindicatórios no ensino médio, na 1ª faculdade (FEAO-FITO), na 2ª faculdade (Náutico Mogiano), que não concluí, e na 3ª faculdade, a FFLCH-USP, por outro, nunca tinha tido formação política orgânica, de correntes políticas.

Notem que o trabalhador sindicalizado há anos ainda não tinha formação política sindical e partidária, e passaria a conhecer e entender melhor a história da luta de classes no Brasil, a categoria bancária, o Novo Sindicalismo surgido após a ditadura de 1964-85, a criação do Partido dos Trabalhadores, a Central Única dos Trabalhadores etc.

LULA, O PT E A CUT

Foram necessários, para mim, vários anos de militância e estudos por interesse próprio para que eu compreendesse melhor quem era essa figura humana extraordinária chamada Luiz Inácio Lula da Silva, o filho de Dona Lindu, retirante nordestino e garoto que se tornou metalúrgico, sindicalista e depois presidente do Brasil.

Mais que conhecer quem era Lula, desde o primeiro dia de diretor do Sindicato, principalmente depois que fui liberado do dia a dia no caixa do Banco do Brasil e passei a fazer trabalho de base e ações sindicais, eu precisava saber quem eu era, quem era o sindicalista que representava os bancários de um sindicato com uma história extraordinária como o nosso.

Eu já estava no movimento sindical há algum tempo quando li o livro "Lula, o filho do Brasil", escrito por Denise Paraná e lançado pela Fundação Perseu Abramo, em 2002. A base da biografia são entrevistas com Lula, familiares e amigos nos anos noventa e depois a autora faz uma espécie de análise sociológica na segunda parte do livro.

E qual é a minha história com Lula e as instituições de classe que ele ajudou a construir?

Desde 2002, vinha buscando conhecer a história dos bancários, as lutas no banco no qual trabalhava, a história da corrente política à qual pertencia no campo cutista - Articulação Sindical -, coisa que fui entender tempos depois de estar no dia a dia do movimento.

As entrevistas contidas no livro de Denise Paraná foram muito esclarecedoras para mim, muito. Óbvio que eu lia muita coisa, jornais antigos do movimento, cartilhas, livros, documentos, tudo que aparecia na minha frente. Mas o livro foi um documento sistematizado para entender o Lula, o PT, a CUT e a Articulação Sindical.

Minha edição é toda rabiscada! Eu lia um trecho e pensava "essa fala é para fazer formação sindical sobre comunicação" ou "caramba, preciso mostrar isso aos companheir@s para eles entenderem melhor a Articulação e a CUT" etc.

Me chamou a atenção algumas falas do Lula nas quais ele explicava o que a gente não queria ser, o que a gente sabia que não queria copiar de outras forças políticas, sindicais, partidárias etc. 

Ao pensar o Partido e a Central, e até o país que queríamos, nossas referências não seriam o que se conhecia no campo da esquerda da época: URSS, China, Cuba e outras experiências socialistas não eram nossas referências.

Lula sempre foi muito enfático ao falar em democracia, em pluralidade sindical e partidária, ao falar em livre pensamento e liberdade de expressão, em direito à oposição, em melhorar a vida da classe trabalhadora não só pensando o futuro (objetivos históricos), mas pensando o cotidiano, os objetivos imediatos da classe.

Sei lá, após ler o livro sistematizando aquelas entrevistas de Lula e seus familiares, e olhando tudo o que vinha estudando, vivendo e experimentando como sindicalista seguindo fielmente as concepções e práticas sindicais da Articulação Sindical e da CUT, compreendi bem melhor quem eu era e passei a lidar melhor com as contradições da política.

Para fechar essa reflexão e minha alegria ao parabenizar Lula por seu aniversário, diria que não tenho uma foto com o companheiro Lula talvez por ter sido disciplinado demais durante minha militância com mandatos.

Uma das vezes nas quais eu poderia ter tirado a minha foto com Lula, ele estava reunido com a direção do Sindicato no Auditório Azul e eu até queria ir àquela reunião.

Mas nós do Banco do Brasil tínhamos uma assembleia um ou dois dias depois e como havíamos ido mal na assembleia anterior, nós da corrente Articulação Sindical da CUT tínhamos que fazer uma convocação muito amarrada com os bancários para ganhar aquela assembleia.

Eu era o responsável pelo Complexo São João do Banco do Brasil, eram 22 dependências e uns dois mil bancários ali. Convocações bem-feitas na região central definiam uma assembleia na Quadra dos Bancários, ao lado da Praça da Sé.

Não deu outra, eu foquei na convocação dentro do prédio e não fui à reunião com o presidente Lula... mas tivemos uma boa assembleia e tenho certeza que esse era o meu papel principal naquele momento.

Presidente Lula, parabéns e felicidades!

William Mendes 


Instantes (16h22)



Refeição Cultural

"Tipo mofino era o velho Quinca Epifânio, ossudo, inquieto, cara de fome, sovina até nas palavras. Guardava a despensa na loja: barricas bem cobertas, defendidas contra os ratos. De manhã um moleque se chegava ao balcão, a cesta pendurada no braço. O avarento destapava os esconderijos, pesava e media longamente a ração miserável: duzentos gramas de charque, dois dedos de toicinho, um pires de feijão. Privava-se disso e despedia o portador, gaguejando." (G. RAMOS. Infância, 1995, p. 49)


A cena me lembrou a infância, mesmo tendo sido criança nos anos setenta e oitenta, quase um século depois da infância do personagem, Graciliano Ramos, na virada do século XIX para o XX.

Antes dos dez anos, vivi numa cidade grande, São Paulo, e a padaria Cinco Quinas, no Rio Pequeno, nos anos setenta, era mais moderna que a mercearia do cenário. 

Ao chegar ao bairro Marta Helena, em Uberlândia, nos anos oitenta, me vi no cenário da infância de Graciliano Ramos: no balcão do Seu Walter ou Seu Pedro, se comprava tudo a granel, pesado na hora; o moleque ia com a listinha da mãe ou da avó e voltava com as compras na cesta.

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"O tilintar de xícaras em pires e o baque suave de pratos com lanches parecem soltar mais os corações e abrir melhor os ouvidos da alma. Ou, ao menos, o fazem em simplicidade e velocidade maiores do que todos os esboços de conselhos que o proprietário da panificadora já experimentara fazer." (S. SEDREZ. Sussurros metropolitanos, 2024, p. 18)


Fechando o primeiro quarto do século XXI, estive dias atrás numa padaria semelhante à descrita por Sandro Sedrez, soltando o coração e abrindo os ouvidos da alma, ao tomar um café com um grande amigo.

A literatura tem dessas belezas: das palavras às imagens, das imagens às memórias, e daí aos sentimentos. A vida!

Sigamos lendo para nos mantermos humanos. 

William 

27/10/25

segunda-feira, 7 de abril de 2025

Poema 24: Ao modo Mario Quintana


AO MODO MARIO QUINTANA


A vida foi assim:

Quando vi, era criança feliz no Jardim Ivana.

Quando vi, era criança infeliz no Marta Helena.

Quando vi, era ódio e vontade de morrer.

Me vi mudado, organizando o mundo.

Quando fui ver, estava cancelado, por quê, não sei.

Faria diferente se outra oportunidade tivesse?

Não! Fiz o melhor que pude do meu tempo.


William Mendes

15/01/25 (Diálogo com o poema "Seiscentos e sessenta e seis)


segunda-feira, 16 de dezembro de 2024

Natais - 1981


Meu minuto no paraíso: Parque do Sabiá.

Refeição Cultural

Uberlândia, 16 de dezembro de 2024. Segunda-feira.


Vim visitar meus pais e familiares alguns dias antes do Natal deste ano. Nossa porção paulista não virá a Minas Gerais como fizemos nos dois últimos anos.

Felizmente, pude rever a abraçar pais, irmã e cunhado, sobrinhos e família, tia e primo. Tenho muitos familiares na cidade, mas a correria dos afazeres que tento encaminhar quando venho aos meus pais dificulta fazer outras visitas a tios e primos. Mas sei que estão bem, é o que nos deixa feliz.

Vim pensando muito nas questões da temporalidade da vida e no instante presente, que é único. Estou ainda com a frase que ouvi de uma entrevista antiga de Fernanda Montenegro, ao responder sobre medo da morte e dizer que tem pena de morrer, porque viver é poder ver o céu azul, estar com pessoas que se ama, ter acesso a conhecimento e cultura etc.

É isso, querida Fernanda Montenegro, pode acreditar que ontem, ao passar por uma floreira cheia de borboletas coloridas em festa, sob um céu azul intenso, parei e fiquei lá vários minutos VIVENDO...

Viver é a oportunidade de ver um céu azul e 
flores e borboletas coloridas num instante único.

Outra coisa que me preocupa sobre a efemeridade da vida é a questão da memória, da essência do que nós seres humanos somos, nossas memórias e nossa identidade, guardadas em nossa mente, em nosso cérebro de bilhões de neurônios que nos fazem ser o que somos, a partir do aculturamento que cada um de nós teve ao longo da vida.

Tenho um desafio enorme como cada semelhante nosso: viver o presente e o amanhã, caso ele exista para mim.

Honestamente, avalio que as relações humanas estão ruins, em todos os âmbitos sociais, aqui e acolá, e não podemos desistir de mudar o comportamento humano individualista, intolerante e sem paciência alguma para a alteridade e a diversidade de pensamentos e características pessoais. A mesmice em qualquer espécie é a morte dela.

Tenho tanta coisa nas ideias para falar sobre isso que vou fazer o contrário, não vou rabiscá-las aqui.

Conversando com minha mãe ontem, só poderia dizer que ambos lamentam nossas experiências e pequenas sabedorias não servirem para nada para as pessoas que amamos. A gente vai se cansando de tentar passar alguma coisa de boa que aprendemos por sobreviver neste mundo duro que sobrevivemos. Ninguém quer saber de nossa opinião, nem no ambiente familiar, nem nos grupos onde um dia convivemos socialmente.

Eu tenho consciência sobre as coisas do mundo. Burro não diria que sou. Sei do meu lugar no mundo. E sei que no momento atual desse mundo nenhum de meus conhecimentos e acúmulos tanto pessoais como coletivos serve para nada, sequer para as pessoas mais próximas a mim. Isso é um fato e a vida de todo mundo segue neste minuto e no seguinte, até não seguir mais.

Enfim, tenho a impressão nesta véspera de mais um Natal que há um espírito de pouca solidariedade entre as pessoas, tenho a leitura que algumas daquelas recomendações do cristianismo estão fora de moda: o perdão de forma gratuita, acolher a quem pensa diferente, não querer ao outro o que não se quer para si mesmo e vários ensinamentos que o homem Jesus Cristo pregou em sua passagem por este mundo.

Eu sou ateu há mais de duas décadas, mas por três décadas fui criado e aculturado na ambiência do cristianismo da igreja católica. Às vezes, acho que sou hoje mais dogmático e seguidor das palavras de Jesus do que muita gente que se diz religiosa e só usa o nome de Deus e do Cristo para arrotar ódio, violência, vingança, individualismo, intolerância e manifestações demoníacas do tipo, caso houvesse demônios por aí.

Enfim, estou procurando equilíbrio, algum sentido para a vida minha e de todos nós, e acredito na inteligência humana e na educação e formação política. Não sou determinista. Nós podemos criar e mudar tudo porque é da nossa natureza humana fazer isso.

Sigamos tentando viver, contribuir para o mundo e as pessoas no mundo e lutando por salvar o próprio mundo, a natureza onde todos nós vivemos.

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NATAL DE 1981

Nosso Natal deve ter sido em Uberlândia (MG), para onde nos mudamos desde o início do ano anterior. 

A gente morava numa casa de fundo na Av. Comendador Alexandrino Garcia, no Marta Helena. Na casa da frente, a proprietária era a Dona Nenzinha, benzedeira da região. 

Me lembro que ela me dava uns trocados para copiar rezas em folhas de papel para ela dar aos fiéis. Ela me benzia de "espinhela caída". 

Fiz da 5ª a 8ª série na E. E. Hortêncio Diniz. 

Foi um tempo de mudanças para mim. Me lembro da casa pequena e do quintal com pés de frutas. 

É incrível como meu mundo de criança mudou! Tirando bolinhas de gude, que segui jogando e ganhando latas de bolinhas - que em MG se chamavam bilocas -, eu não empinei mais pipas porque ninguém brincava disso e de outras coisas que fazíamos em São Paulo. 

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Mundo

Tenho uma leve lembrança dos atentados que Ronald Reagan (EUA) e o Papa João Paulo II sofreram em 1981. Eles foram baleados. 

Ainda na política, sei que os desgraçados dos milicos iriam promover um atentado num festival de MPB para culpar a resistência civil e democrática na véspera do dia dos trabalhadores, mas se ferraram, a bomba explodiu no colo de um dos fdp. 

O evento é conhecido como Atentado do Riocentro.

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Os milicos em 2022 - A história no Brasil é um treco bem jabuticaba, só aqui mesmo. Décadas depois de impunidade e anistias a fdp golpistas, não é que meses atrás, uns milicos de merda, junto com um "presidente" de merda (ele é cagão mesmo), organizaram um novo golpe de Estado até com listinha de assassinatos de autoridades da República! Iam explodir o Aeroporto de Brasília, matar Lula, Alckmin e um ministro do STF etc. Esse mundo é um lugar velho... as coisas são antigas e vêm de longe.

William Mendes


Post Scriptum: o texto anterior desta série pode ser lido aqui.


sexta-feira, 29 de novembro de 2024

Diário e reflexões - Partindo de Ushuaia (ARG)



Refeição Cultural 

Ushuaia (ARG), 29 de novembro de 2024. Sexta-feira.


Estamos de saída da Terra do Fogo, do assentamento humano mais austral do continente americano, segundo os argentinos. Chilenos contestam porque a cidade de Puerto Williams (CHI) está mais ao Sul, do outro lado do Canal de Beagle, mas é um assentamento bem pequeno. 


Ushuaia é considerada a "Terra do fim do mundo", o cu do mundo (rsrs). Não sou eu quem diz isso, são os locais. Vejam na placa acima: "Culo del Mundo".

Não basta um self hoje em dia, os turistas
"emporcalharam" a placa de adesivos...

Chegamos aqui no domingo e fizemos alguns passeios durante a semana. Eu gosto de estudar e conhecer a história dos lugares que conheço. Vou ler mais a respeito de Ushuaia.

Foto que tirei na Secretaria dos
Povos Originários do governo local. 

O livro sobre o primeiro assentamento dos colonizadores (invasores) europeus que adquiri é para ver como a questão tem sido tratada pela comunidade local (foto que abre a postagem).


Gostamos do passeio. É muito legal conhecer outras culturas, comunidades humanas e lugares distintos do nosso.

O Farol do Fim do Mundo.

Eu sinto uma fraternidade imensa por nossos irmãos e irmãs de Nuestra América. Sou humanista, de esquerda e contra as diversas formas de imperialismo. 


Senti o quanto é sensível para uma pessoa argentina a questão das Ilhas Malvinas, e me solidarizo com los hermanos.

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Enfim, voltando ao Brasil, nosso país sul-americano. 

William Mendes 

29/11/24


terça-feira, 15 de outubro de 2024

Dia das professoras e professores


Colégio Adolfino.

Refeição Cultural

Quarta-feira, 15 de outubro de 2024.


PROFESSOR(A): A PROFISSÃO MAIS NOBRE DO MUNDO!

Minhas lembranças

Eu gostaria de ter sido professor. Entendo que educar as pessoas seja uma das funções mais importantes e nobres da espécie humana. Paulo Freire diz que só se educa gente. Espero que possamos continuar educando as pessoas.

Pelo que me contam, minha primeira professora foi a Jamila, do colégio Adolfino, no Rio Pequeno. Se colocar a memória para funcionar, vou me lembrar de muitos professores e professoras que passaram por minha vida de estudante.

Do Adolfino em São Paulo, só sei da professora Jamila, que me alfabetizou. Não tenho lembrança de outra professora. E é impossível me esquecer das correrias quando alguém gritava "olha a loira do banheiro!"... a molecada saía mijando pelo chão, de medo. Estive dias atrás no Adolfino, é uma nostalgia incrível estar ali nas salas de aula e no pátio onde vivi.

Hortêncio Diniz.

Do Hortêncio Diniz, já em Uberlândia, me lembro do professor Jaime, de Física. Ele era gago e os alunos eram cruéis com ele. Me lembro do rosto dele até hoje, o cara era muito legal, um professor doce e gentil. Nunca me esqueci do Jaime com o apagador na mão explicando o Movimento Retilíneo Uniforme... Professor Jaime, perdoe a todos nós que éramos jovens maus. E nossa professora de Português era a Geni, e ela também sofreu na mão dos alunos.

Me lembro até hoje de uma lição do professor Glicério, de Química. Ele nos dizia para prestarmos atenção nas perguntas e lê-las várias vezes, porque a resposta poderia estar na pergunta. Não me lembro se ele era do Hortêncio, ou do Estadual de Uberlândia (Museu), ou do Américo René Giannetti, as outras escolas onde estudei lá até os 17 anos.

Colégio Daniel.

De volta a São Paulo, em 1987, não achei vaga no Adolfino e tive que me matricular no Daniel Verano Pontes para terminar o colegial, o 3º ano. Não me lembro de nenhum professor ou professora de lá, eu era um jovem muito revoltado e não me dediquei aos estudos naquele ano.

Uns anos depois, 1991, acabei entrando no vestibular da FEAO-FITO, onde me formei em Ciências Contábeis. Dos professores, me lembro do PC, de Matemática. Ele tomava até cerveja com os alunos. Gostava dele. Ele me desafiava a tirar 10 nas provas, e quando eu acertava tudo, ele me tirava alguma coisa da casa da vírgula para não dar 10 redondo, detalhes como, por exemplo, a seta numa reta (risos). 

Nunca me esqueci de uma fala dele dizendo que lá na Fito o professor destrinchava equações na lousa e que, se fosse na USP, seria diferente. O aluno teria uma lista de referências bibliográficas e, então, que estudasse aquilo por conta própria. Mais ou menos isso. Eu tirei minhas conclusões depois que entrei na USP (risos). Me lembro que eu desenvolvia exercícios de Matemática que ocupavam a lousa inteira. Eu era bom naquilo.

Anos depois da Faculdade em Osasco, me peguei estudando de novo. Daquela vez, estava estudando em Mogi das Cruzes, Educação Física, no Náutico Mogiano. Me lembro das aulas de alguns professores. De Anatomia, de Bioquímica e Nutrição, e de História. E me lembro do professor Waltely, de Português. Fazíamos aniversário no mesmo dia. Ele dizia em sala de aula que nota 10 era para Deus, 9 para a mãe dele, 8 para ele e 7 para os melhores alunos (risos).

O respeito pelos corpos e órgãos que estudávamos foi uma lição que nunca me esqueci. A professora falando da percepção da consistência do nosso cocô para sabermos da saúde do corpo e o que comemos também ficou para sempre. E o professor de História falando dos Jogos Olímpicos da antiguidade também foi inesquecível. 

Não me lembro direito dos nomes de todos os professores e nem sei se estou escrevendo corretamente os nomes que me lembro.

Letras, na FFLCH.

Aí, estando eu com mais de trinta anos de idade, acabei decidindo que queria estudar na Universidade de São Paulo, na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH). Depois de assistir aulas de literatura como ouvinte, a convite de um amigo do BB, o Sérgio, fiquei apaixonado por aquele ambiente universitário. Fazer História ou Letras? Acabei optando por Letras.

Foram muitos os professores e professoras que me marcaram na vida estudantil da FFLCH. Difícil citar só alguns. A professora Maitê, de Língua Espanhola, foi um "encontro" legal, pois eu estudava espanhol com ela em um curso que gravei da televisão. Lógico que ter sido aluno do Pasta, do Wisnik e do Medina foi um ponto alto em minha vida de estudante uspiano. Ter visto aulas magnas de Antonio Candido e Marilena Chauí também.

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Professora Ione e alunos formados.

É NOSSO DEVER DEFENDER A EDUCAÇÃO UNIVERSAL E AS CONDIÇÕES ADEQUADAS A TODAS AS PROFESSORAS E PROFESSORES DO PAÍS

Que função social extraordinária essa de educar! 

Eu tive o privilégio de atuar no movimento sindical na área de formação e conheci grandes educadores e formadores políticos.

Tenho amigas e amigos queridos que dedicam suas vidas à educação de crianças, jovens e adultos.

Minha companheira Ione dedicou a vida a alfabetizar e educar crianças. Me lembro sempre emocionado dos períodos de fechamento de semestres e anos letivos quando seus alunos e alunas e muitos pais de alunos reconheciam agradecidos aquele período de ensinamentos e a evolução percebida ao longo da jornada educativa.

Ver alunas e alunos da professora Ione que ainda hoje a reconhecem e a têm como referência, décadas depois do contato diário da relação alunos-professora é algo gratificante.

Eu sou um grande admirador das pessoas que escolheram dedicar suas vidas à educação. Obrigado professoras e professores, sem vocês nós todos não teríamos a oportunidade de desenvolver nossos potenciais enquanto espécie humana, aquela que pode ser educada, segundo o mestre Paulo Freire.

Parabéns, professoras e professores! É nosso dever cidadão lutar pela educação pública e de qualidade e o acesso universal para todas as pessoas, e os profissionais de educação devem ser valorizados com salários dignos e carreiras que lhes permitam trabalhar e evoluir ao longo de suas vidas, incluindo uma aposentadoria justa ao final de suas jornadas laborais.

William Mendes


segunda-feira, 23 de setembro de 2024

Natais - 1980

 


Refeição Cultural 

Uberlândia, 23 de setembro de 2024. Segunda-feira.


As incertezas que tinha em relação ao Natal em família neste ano se confirmaram. Não haverá reunião e Natal em família com nossa presença paulista em Uberlândia. 

Estamos em setembro e a vida segue cada dia mais imprevisível, tanto em relação à vida privada quanto em relação ao mundo "lá fora", no espaço público. 

O termo "lá fora" é um autoengano comum ao acharmos que a vida de uma pessoa se desenvolve normalmente sem sofrer as consequências da vida pública, coletiva, da sociedade humana. 

Tenho registrado impressões e lembranças sobre os natais em nossa família, uma típica família brasileira pobre que atravessou o século vinte tentando sobreviver e se estabelecer socialmente num dos países mais injustos e violentos do mundo, fruto de séculos de invasões europeias, escravidão forçada de africanos e genocídio dos povos originários.

Sou da geração que nasceu nos anos sessenta e setenta, ainda na ditadura, e que foi adolescente nos anos oitenta e noventa. Anos terríveis para o povo trabalhador do ponto de vista do emprego e renda e de muita luta de classe do ponto de vista social e político. 

As incertezas da vida privada são as comuns. A saúde é a principal delas. Nunca sabemos quais de nós estarão vivos amanhã. E as relações humanas, que estão impossíveis, são outras dificuldades na questão das reuniões e confraternizações. 

As incertezas do espaço público, da vida lá fora, estão aumentando. Existe um novo estado fascista invasor de "espaços vitais" como foi no passado a Alemanha nazista de Adolf Hitler: o Estado de Israel, governado por Netanyahu, líder do regime sionista, racista e xenófobo. Os caras querem uma guerra mundial. 

Como se já não fosse injustificável a expulsão e o extermínio dos palestinos na Faixa de Gaza e toda a Palestina, Israel passou a atacar o Sul do Líbano, usando as desculpas de sempre: extermina e expulsa dois milhões de palestinos por causa do Hamas, e agora ataca e mata civis no Líbano por causa do Hezbollah. Só hoje são centenas de mortos, incluindo mulheres e crianças. 

Sem contar a guerra por procuração dos Estados Unidos contra a Rússia, usando o povo ucraniano como bucha de canhão. O decadente império norte-americano quer o fim do mundo se não for para eles serem os donos desse quintal que gira ao redor do sol.

Tempos duros.

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Eu e Leique, antes de partir de SP

NATAL DE 1980

Como terá sido o nosso Natal em família? Eu não sei ao certo quando fomos embora de São Paulo, provavelmente fomos após o término do ano letivo de 1979, um ano de rupturas, e no ano seguinte estaríamos morando em Uberlândia, o primeiro Natal em MG. 

Minha vida mudaria para sempre. Minha infância em Uberlândia foi o inverso do que era em São Paulo. 

Eu sei que em fevereiro daquele ano, no mundo dos adultos, a classe trabalhadora brasileira fundou o Partido dos Trabalhadores (PT), um marco na história política do país, ainda sob a ditadura civil-militar. 

Lula, a maior liderança do partido, seria decisivo nas lutas populares por décadas, sendo presidente do Brasil duas vezes (2003 a 2010) e ainda voltaria à presidência no início de 2023, após o período mais nefasto da história política do país, um período sob um golpe de Estado "com o Supremo, com tudo", golpe operado por uma tal operação Lava Jato.

Voltemos a 1980...

Nesse ano, o Papa João Paulo II veio ao Brasil inaugurar a Basílica de N. Sra. Aparecida (SP). 

Em julho, seria lançado o álbum de rock "Back in Black", do AC/DC. Eu tenho o vinil até hoje. É um dos mais vendidos e tocados da história do rock. 

A morte de John Lennon, assassinado no dia 8 de dezembro, foi algo que nunca me esqueci. Eu tinha onze anos e até hoje me lembro de um jornal na TV anunciando o fato e a matéria terminando com um óculos redondo caindo e se estilhaçando ao chão ("The Dream Is Over")... 

No meu histórico escolar em Uberlândia, no leque de Educação Geral, vejo as matérias que fiz na 5ª série na E. E. Hortêncio Diniz: L. Port. (81,5); Mat. (83); Hist. (62); Geog. (77); Ciências (90); Ed. Art. (MB); e umas matérias exóticas: Ed. M. e Cívica (B); Ensino Religioso (MB) e Técn. Agrícolas (Ótimo), no leque de Form. Especial.

Nós morávamos numa casinha de fundo lá na Dona Nenzinha, benzedeira do Marta Helena. 

É isso. A vida é mudança, como a própria natureza é. 

William 


quinta-feira, 5 de setembro de 2024

Natais - 1979



Refeição Cultural

Osasco, 5 de setembro de 2024. (60 anos depois...)


Hoje poderia ser um dia de festas, de comemorações, de confraternização. Meus pais estão vivos, fizeram aniversário nesta semana, e a vida deles é muito importante para mim. Meu pai completou 82 anos de idade. Minha mãe completou 78 anos de idade. Hoje faz 60 anos que eles se casaram em 5 de setembro de 1964.

Eu parabenizo minha mãe e meu pai pela data, por mais que não tenha surgido clima para comemorar a data, pois as relações humanas têm sido muito difíceis, e não só para eles, para todo mundo... repito: para todo mundo!

Fiquei vendo algumas fotos antigas, daquelas dos anos sessenta, setenta, oitenta. Uma família brasileira. Uma família brasileira a nossa. Uma família como milhões de famílias dessa comunidade humana tão contraditória, uma sociedade humana cuja origem é terrível, violenta, uma comunidade na qual a exploração de alguns homens sobre o conjunto das pessoas foi a marca de séculos de relações humanas. O Brasil.

Uma sociedade humana cuja história das relações entre homens e mulheres, entre pessoas de raças e origens tão diversas - brancos europeus, afrodescendentes, indígenas - nos primeiros séculos de constituição do povo brasileiro, eu sintetizaria com a leitura e reflexão de um conto do nosso maior escritor, Machado de Assis: "Pai contra Mãe", publicado pelo Bruxo do Cosme Velho já em seus últimos anos de vida. Nós somos ainda hoje, um século depois, aquilo do conto no que diz respeito às relações humanas. 

Tenho refletido sobre a minha família nos últimos anos. Tenho me esforçado para olhar de forma fraterna para as mulheres e homens que compõem dezenas de anos daquilo que chamamos de família. Faz alguns anos que tenho me esforçado para pacificar meu coração de maneira que possa fazer a minha parte na tentativa de reaproximação com as pessoas que, de uma forma ou outra, estamos unidos por laços sanguíneos e pelo passado comum. 

Eu sei que para além das futricagens seculares comuns às famílias e relações de convivência, nós todos fomos vítimas de experimentos com manipulação humana por parte dos donos dos meios produtivos, os donos do capital, as plataformas das big techs desgraçaram as relações humanas de forma proposital. Para nos dominar, nos dividiram. Eu estudo e reflito sobre isso já faz alguns anos. E como ser pensante, tento usar essa compreensão para me reaproximar das pessoas.

Já escrevi muito aqui no blog sobre essas conclusões que tenho tido após muita leitura e muita observação da realidade. As pessoas estão modificadas, estão diferentes, mas não porque ficaram mais velhas, porque a vida seguiu seu caminho, estão diferentes porque foram modificadas. Ninguém se escuta, ninguém se tolera, ninguém aguenta uma discordância. Não há família ou relação de amor e amizade que resista a esse sistema de modificação do comportamento humano. Não há!

Some-se a isso que descrevi acima, outras crises: a relação de altos e baixos entre pessoas que conviveram juntas uma vida toda, ou a metade da vida no tempo cronológico, ou ainda um pequeno tempo cronológico, mas com consequências para toda uma vida. As relações humanas nessa quadra da história da sociedade humana neste mundo em séria crise econômica, social, política, ambiental e existencial são desafios dos mais importantes para seguirmos a caminhada de nossa espécie sobre a superfície da Terra.

Enfim, com os olhos marejados, aqui em Osasco, centenas de quilômetros de distância da casa de meus pais, que completaram hoje 60 anos de convivência em comum, eu os parabenizo, eu os agradeço, pois eu só existo por causa dessa união. Eu só sobrevivi às fases mais duras da minha vida, quando nem viver queria, por causa deles também. Nosso pacto, mesmo sem ser expresso, sempre foi sobrevivermos uns pelos outros.

Parabéns e obrigado por vocês resistirem ao que o mundo vem fazendo com a gente. Somos vítimas, acreditem um pouco no que digo. Somos vítimas do sistema capitalista, dos meios concentrados na mão de poucos humanos que decidiram foder com tudo em prejuízo de nós todos e gozo de uns poucos fdp.

Como nesta série reflito sobre nossos natais, ainda não sei o que faremos no Natal deste ano. Não sei!

William, filho do casal que hoje completa "Bodas de Diamante" num mundo feito para que nada dure mais que algum tempo de meses ou poucos anos...

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NATAL DE 1979

Como terá sido o nosso Natal desse ano? Era o meu 11º Natal como criança. 

No colégio Adolfino, eu tinha feito o 4º ano primário: tirei 3 conceitos "A" naquelas matérias que citei do ano anterior (ler texto aqui). Já sabia ler e escrever; e já tinha tido contato com Estudos Sociais e Ciências. 

Me lembro que lia muito gibi nessa época, Turma da Mônica, Tio Patinhas, Pateta, Pato Donald etc. Eu desenhava também. Tenho alguns desenhos guardados dessa época, desenhei até uns 11 ou 12 anos. 

É impressionante imaginar que eu fiz aqueles desenhos sendo tão novo! Eu fazia cópia de super-heróis e personagens apenas olhando o desenho. 

No Brasil, assumiu a "Presidência" o ditador Figueiredo, aquele que não gostava de gente e preferia seus cavalos a humanos. O ditador assina a Lei da Anistia (6.683). O Mato Grosso do Sul passa a ser Estado nesse ano também. 

No Reino Unido, a senhora "Dama de Ferro" Margaret Thatcher se torna Primeira-ministra. A mulher seria grande inimiga da classe trabalhadora inglesa. 

Saddam Hussein assume a Presidência do Iraque. 

Em minhas guerrinhas infantis, pelas ruas e campinhos do bairro Rio Pequeno, me lembro de ter levado naquele período pedrada, latada e dentada na cabeça (3 cicatrizes), brincando com os amigos e guerreando com os "inimigos" do Morro Branco, o território do outro lado do córrego do Rio Pequeno (rsrs). 

Vale registrar que a banda inglesa Pink Floyd lançou o álbum "The Wall" no ano de 1979. Um clássico para sempre!

William Mendes

domingo, 11 de agosto de 2024

Natais - 1978



Refeição Cultural 

Uberlândia, 11 de agosto de 2024. Domingo. 


Essas memórias e reminiscências sobre nossos natais em família, que estou produzindo desde 2022, têm um pouco de inspiração na obra da escritora mexicana Margo Glantz. Gosto da poética prosaica dela sobre o passado familiar. 

A obra "Las Genealogías" me abriu novas perspectivas na forma de escrever e contar histórias pessoais e opinativas a partir da história da própria família. A prosa de Glantz é muito interessante. 

Essa informação é só um registro de influência em minha escrita.

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DIA DOS PAIS

No Brasil, é domingo de Dia dos Pais. 

Dias dedicados a mães e dias dedicados a pais são tradições culturais. 

Imagino que o Dia das Mães funcione de forma diferente em relação ao dos pais num país onde mais da metade das famílias são chefiadas pelas mulheres.

O Boletim Especial 8 de Março, Dia da Mulher, feito pelo Dieese em 2023 (fonte: site da CUT) revelou que:

"dos 75 milhões de lares do país, 50,8% tinham liderança feminina, o correspondente a 38,1 milhões de famílias. Já as famílias com chefia masculina somaram 36,9 milhões."

Apesar de vermos movimentações parecidas em redes sociais de apreço e afeto aos pais e às mães, o fato concreto é que cada vez mais aumentam os registros de nascimentos sem constar os nomes dos pais.

O Brasil registrou mais de 172 mil certidões de nascimento sem o nome dos pais em 2023 (aumento de 24,5% em sete anos). 

Comento isso por ser hoje Dia dos Pais e o Brasil ser um país com milhões de pais ausentes. 

Não é o nosso caso, de minha irmã e eu. O pai está conosco e neste fim de semana pudemos confraternizar com ele, apesar de nosso pai ter se tornado uma pessoa de difícil convivência, infelizmente. 

Registro o meu respeito a todos os pais que exercem seus papéis de pais na plenitude.

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NATAL DE 1978

O Natal de todos nós católicos brasileiros e do mundo seria celebrado pelo novo Papa João Paulo II, o polonês Karol Józef Wojtyla. 

Ele foi eleito Papa após a morte de João Paulo I, que morreu após 33 dias de papado. 

Eu estava com nove anos e minha mãe se esforçou para seguir os ritos e dogmas da igreja católica. 

Frequentei o catecismo na igreja São Patrício, no bairro Rio Pequeno onde morava, mas não completei o curso. 

Tenho pouca lembrança sobre isso, mas suspeito que a culpa por não concluir o catecismo tenha sido minha e não da professora. 

Acho que dei trabalho a ela e deixei de fazer o curso. 

No mundo futebolístico, a Argentina foi campeã da Copa do Mundo de Futebol, realizada no próprio país sob ditadura militar. 

Uma das coisas que me lembro é que o título foi muito suspeito, diziam que o time do Peru entregou o ouro (o jogo), perdendo de 6x0 para a Argentina, tirando o Brasil da final por saldo de gols. 


No meu histórico escolar daquele ano constam 3 matérias de Educação Geral e minha avaliação foi até boa: Comunicação e Expressão (B); Estudos Sociais (A); Ciências (B).

Eu estudava no Prof. Adolfino de Arruda Castanho. Passei lá dia desses. Nossa escola pública está resistindo bravamente até hoje, felizmente! São mais de 600 alunos.

William Mendes 


Post Scriptum: o texto anterior desta série pode ser lido aqui.


sábado, 10 de agosto de 2024

Natais - 1977



Refeição Cultural

Uberlândia, 10 de agosto de 2024. Sábado.


Nas próximas semanas, meus pais farão aniversário, assim esperamos. Meu pai vai fazer 82 anos e minha mãe 78 anos de idade. 

Uma data que seria motivo para grandes comemorações é o dia 5 de setembro, data que marcará 60 anos de casamento dos meus pais. Na cultura brasileira chamaríamos o tempo de união deles de "Bodas de Diamantes".

Seis décadas de convivência não é qualquer coisa, são muito anos de vida em comum. Eu gostaria de fazer algum evento para relembrar a data e rememorar alguns momentos dessa história que uniu duas pessoas, duas famílias e gerou novas famílias.

Os tempos atuais, no entanto, não facilitam a intenção de organizar um evento que relembre a data. As relações familiares me parecem cada vez mais desafiadoras, porque nós todos mudamos demais nas últimas duas décadas. 

Eu até tenho minhas teorias, acho que as big techs (plataformas que dominam o mundo) e suas redes antissociais, de intrigas e ódios, com seus algoritmos manipuladores, abalaram profundamente as relações entre os seres humanos.

Por mais que hoje a convivência de duas pessoas na casa dos setenta e oitenta anos não seja uma relação boa como poderia ser, todos nós da família temos lembranças de momentos nessas décadas passadas que foram de grande superação e até de conquista, por vencer algo que quase nos destruiu, e algumas vezes até tivemos momentos de grandes alegrias, como se espera da convivência familiar.

Eu imagino que muitas famílias estão com dificuldades de relacionamento entre seus componentes, pois reafirmo que as tecnologias do momento afetaram excessivamente a vida das pessoas, e as questões relativas às crises dos ambientes sociais onde as famílias vivem - as cidades e países - também trazem os problemas para o ambiente doméstico. 

Somos uma sociedade humana cindida em quase todos os sentidos sociais. Não à toa, estamos à beira de uma ou várias guerras entre povos e nações, inclusive guerras internas aos países, guerras civis porque ninguém se aguenta mais. A intolerância e a anomia tomaram conta das comunidades humanas neste primeiro quarto do século 21.

Enfim, pelo que já especulei com minha mãe, não faremos nada em relação às datas que se aproximam. Como tenho refletido nesta série sobre os momentos de confraternização dos natais em família, nem sequer consigo vislumbrar o Natal do ano em que estamos.

Provavelmente todos passarão a data num canto por aí. 

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NATAL DE 1977

No Natal, eu já tinha mais de oito anos. É dessa fase que tenho as melhores lembranças da infância, de uns seis até os dez anos de idade (aos dez, fomos embora de São Paulo). 

Eu não me lembro da reunião de família do Natal, mas me lembro que brincava muito na rua, que soltava pipa (que também chamávamos de "quadrado", "peixinho", "maranhão", "raia", dependia do formato) e eu mesmo derretia cola de sapateiro e misturava com vidro moído para fazer cerol (uma loucura!). Me lembro dos postes da rua cheios de linhas secando o cerol. 

Sei que no planeta bola, Pelé se despedia do futebol marcando seu último gol da carreira, jogando pelo Cosmos New York e vencendo o Santos por 2x1 em uma partida amistosa (acho) no Giants Stadium. Pelé é considerado o rei do futebol. 

Anos depois, o rei Pelé veria o Brasil ser desclassificado pela Croácia nas quartas de final da Copa de 2022 e veria também o craque Messi ser, finalmente, campeão do mundo com a seleção Argentina em 18 de dezembro de 2022, batendo a França nos pênaltis. A Copa foi em dezembro por causa do calor do Catar. 

Pelé faleceu dias depois, em 29 de dezembro de 2022, aos 82 anos de idade, vítima de um câncer.

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É isso. Mais uma rememoração de família conjugada com uma referência do mundo onde vivemos.

William Mendes


Post Scriptum: o texto seguinte desta série pode ser lido aqui.


quinta-feira, 8 de agosto de 2024

Natais - 1976



Refeição Cultural 

Uberlândia, 8 de agosto de 2024. Quinta-feira. 


Cheguei ontem à casa de meus pais para fazer a romaria de Uberlândia a Água Suja, região do Triângulo Mineiro. Faço essa caminhada há quase quatro décadas. 

A minha impressão sobre quase tudo no ambiente familiar me deixou bem triste. Melancólico. Vou inclusive decidir nas próximas horas se farei a romaria ou se vou desistir desse dia na estrada, dia de introspecção e monólogo interior sob forte estresse físico e mental como é andar 80 Km.

Ao ver a condição de saúde de meus familiares, a casa, as coisas da casa, e perceber a minha própria condição de saúde, fiquei pensando em palavras que representassem a condição das coisas, da forma como percebo o nosso universo familiar. 

Degenerescência? Decrepitude? Decadência?

O mais triste é que essas palavras poderiam tranquilamente, na minha opinião, descrever a condição do mundo, da sociedade humana, das relações entre as pessoas, da ética e dos valores da sociedade humana neste momento da nossa história na Terra.

Ao mesmo tempo, é óbvio que o novo sempre vem, a todo instante, o velho vai sendo substituído pelo novo. A natureza nos ensina a certeza da mudança. Tudo muda o tempo todo. Lembremos: nada se cria, nada se perde, tudo se transforma...

Se prevalecessem as abstrações humanas mais "humanistas" que seriam em tese mais solidárias e que criam direitos universais, as mudanças constantes seriam num sentido. 

Se, no entanto, prevalecem as abstrações humanas do capitalismo neoliberal, como ocorre neste momento global, as mudanças caminham aceleradamente no sentido inverso ao que poderia ser. O fim para nós. 

Comecei esta série de textos sobre os natais pensando em resgatar a história da família num contexto de confraternizações de Natal ao longo de décadas e citando referências de época para situar essa gente brasileira em sua ambiência cultural e histórica.

Avalio que o difícil não será escrever sobre o passado. O difícil será resistirmos até o próximo Natal, o deste ano em curso. Que dirá o Natal seguinte.

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NATAL DE 1976

Naquele Natal eu já estava com sete anos e, olhando para trás, começo a ter memórias dessa época. 

A foto da abertura pode ser de meus primeiros tempos de Adolfino, onde me alfabetizei.

Tenho lembranças boas dessa fase da vida em São Paulo. 

Em algum Natal dessa fase, teve até um papai Noel que entrou na sala do sobradinho no Rio Pequeno falando "ho ho ho". As crianças - eu, irmã e companhia - fingiram que estavam dormindo nos quartos lá em cima, mas estávamos todos olhando pelo canto da escada. Ele colocou os presentes na árvore de Natal na sala e se foi. 

Como disse, eu já estudava na E. E. Prof. Adolfino de Arruda Castanho. Fiz da 1ª à 4ª série lá. Minha avaliação na 1ª série foi "A" em "Comunicação e Expressão". Vi isso numa caderneta antiga.

Na escola, morríamos de medo da loira do banheiro ou loira do algodão, algo assim (medos de crianças, lendas urbanas). Quando algum moleque gritava "olha a loira do algodão!" a gente saia mijando com o pinto na mão. 

Sei que naquele ano faleceu o ex-presidente Juscelino Kubitschek (JK), no mês de agosto, vítima de um acidente de carro na Via Dutra. 

Meu pai e mais um monte de gente sempre falou e fala ainda hoje que JK foi assassinado pela ditadura através da simulação do acidente. Vai saber. Oficialmente, foi acidente.

É isso. O Natal de 1976 da nossa família de trabalhadores se deu num país sob ditadura e prometendo a todos que o futuro seria melhor. 

Não sou determinista e acredito que os humanos são seres capazes de mudar tendências e fazer história. 

Porém, neste momento, após cinco décadas de destruição do planeta Terra pelo capitalismo, nem futuro melhor vislumbramos para o amanhã. 

William Mendes 


Post Scriptum: o texto anterior desta série pode ser lido aqui.


sexta-feira, 28 de junho de 2024

Natais - 1975



Refeição Cultural 

Estamos no final do primeiro semestre de 2024. Na próxima semana, estaremos no semestre do Natal. 

Neste momento, não sei onde vou passar a data, se em São Paulo ou em Uberlândia. A dificuldade será reunir as pessoas mais próximas de nosso núcleo familiar. A data tem essa simbologia de reunião e confraternização.

A sociedade humana está num momento complexo. Imaginar como o mundo estará daqui a seis meses tem se tornado um exercício mais de adivinhação e desejo do que uma leitura de cenário e conjuntura política e econômica como usávamos fazer em outras épocas da humanidade.

Peguemos como exemplo de distopia da sociedade humana as eleições dos Estados Unidos da América, a nação com mais de quatro mil ogivas nucleares e que se mantém como império devido às suas intervenções violentas nos duzentos países que existem no Planeta. Concorrem neste momento dois sujeitos amorais e senis, mentirosos, e provocadores de misérias a milhões de pessoas como presidentes daquele país.

No Brasil, temos uma figura humana extraordinária, o presidente Lula, que é uma voz solitária no globo terrestre falando em paz, em saciar a fome das pessoas, em distribuir riquezas de forma equânime e preocupado com a destruição do meio ambiente. Lula acredita no diálogo e na política, na democracia, num mundo onde a democracia acabou, um mundo onde não há mais espaço para a solução pacífica das controvérsias, como reza nossa Constituição Federal.

Se correr o bicho pega, se ficar o bicho come... já ouviram esse ditado popular? É assim que estamos neste momento no qual termina um semestre e começa o semestre do Natal.

A impressão que tenho é que 25 de dezembro será uma data um pouco triste em nossas vidas. Torço para que as coisas melhorem, mas esperanças sem ações concretas para que mudanças ocorram são esperanças vãs. 

Não vejo ações e movimentos em nossas vidas privadas e nas comunidades humanas em estágio falimentar que me permitam alimentar esperanças concretas de dias melhores nos próximos meses do mundo.

No entanto, sigo envidando esforços atomizados para que nossa família esteja reunida no Natal e para que eu possa contribuir de alguma forma para que as pessoas tenham oportunidade de adquirir conhecimento que incentive elas a melhorarem o mundo. Faço isso escrevendo.

Cada texto que faço penso nisso - compartilhar conhecimento de forma gratuita -, inclusive os textos de cunho pessoal como tenho feito no blog. Eu me exponho como um cidadão comum, com suas fragilidades e potências para humanizar a minha relação com leitoras e leitores.

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NATAL DE 1975

Como será que passamos a data em família? Não sei. 

No Brasil, o regime ditatorial havia transformado a vida do povo pobre e trabalhador num inferno. 

Naquele ano, uma das vítimas do regime foi o jornalista Vladimir Herzog, torturado e assassinado nas dependências do DOI-CODI. A imprensa da casa-grande era, em sua maioria, parceira do regime. Simularam o suicídio de Vlado na cela. A cena ficou marcada para sempre, denunciando a podridão da ditadura. 

O ditador da vez era Geisel. 

Politizados ou não, a vida de meus pais e da família toda de tios, tias e avós deveria estar bem difícil por causa da carestia. 

Se eu não me engano, com essa idade a gente já tinha o Leique, o nosso cachorro pequinês. Foi o único cachorro que tive na vida. Ele morreria lá em Uberlândia nos anos 80, quando a gente morava na casa-barracão no terreno de minha avó. 

Me lembro que ele estava bem velhinho, poucos dentes e cego. Ele sofreu nos últimos dias. Tenho uma foto com ele sentado na escada do sobradinho em São Paulo (ver aqui).

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Na foto acima, estou na porta de casa, na Rua Dr. Sérgio Ruiz de Albuquerque. Lá no fim da rua é a padaria Cinco Quinas, que está lá até hoje, na Av. Rio Pequeno. O molequinho deve ter uns cinco anos, pouco mais ou menos.

William 


Post Scriptum: o texto anterior desta série pode ser lido aqui.