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sábado, 9 de janeiro de 2021

Ainda as veias abertas...



Refeição Cultural

"No asistimos en estas tierras a la infancia salvaje del capitalismo, sino a su cruenta decrepitud. El subdesarrollo no es una etapa del desarrollo. Es su consecuencia. El subdesarrollo de América Latina proviene del desarrollo ajeno y continúa alimentándolo." (GALEANO, 2014, p. 363)


Sábado, 9 de janeiro do ano 02 do Covid-19. Osasco, cidade da região metropolitana da grande São Paulo. Brasil, o país transformado em pária do mundo após o suicídio coletivo cometido pelo povo ao colocar no poder um fascista genocida envolvido com milicianos. O único lugar do planeta no qual o governo tem como estratégia de manutenção do poder estimular o avanço da pandemia mundial do novo coronavírus que já matou 1.924.004 pessoas, tendo contaminado até agora 89.516.439 vítimas (dados da Johns Hopkins University).

Meses atrás, terminei a leitura do clássico do escritor Eduardo Galeano, As veias abertas da América Latina, publicado pelo pensador em 1970. Hoje li um anexo ao livro escrito por ele em 1978, "Siete años después". Os acréscimos feitos por Galeano na forma de itens enumerados nos contam, dentre outras coisas, dos golpes de Estado no Chile, na Argentina, no Uruguai, todos eles organizados pelos Estados Unidos da América. Mais ditadores passaram a somar crimes contra os países latino-americanos e seus povos, como já ocorria com o Brasil dos ditadores desde 1964 e diversos outros em Nuestra América.

A leitura do livro de Galeano se deu num dos momentos mais trágicos da história do povo brasileiro. Li a primeira metade de As veias abertas durante o processo de golpe de Estado no Brasil em 2016. A outra metade li em 2020, já com o Brasil sendo desfeito pelo criminoso colocado no poder por fraudes diversas e com o patrocínio da burguesia mais abjeta e lesa-pátria do planeta, a brasileira.

Séculos se passam e os povos latino-americanos não conseguem se libertar da exploração e destruição causadas pelos países imperialistas. Décadas se passam desde que Galeano nos mostrou As veias abertas da América Latina e a gente continua sem conseguir se libertar tanto da elite canalha e vil dos países de Nuestra América quanto do jugo dos países do Norte. 

Cinquenta anos se passaram de minha vida, e neste curto tempo de uma vida humana, vi e vivi a miséria e a violência contra o povo durante a ditadura nos anos 70 e 80, a miséria e a violência da destruição econômica e antinacional do neoliberalismo dos anos 90, disfarçada sob a forma de democracia liberal burguesa e tive um gostinho de viver os anos Lula e Dilma (PT), governos cuja prioridade era o povo trabalhador, incluído no orçamento do Estado, com mais oportunidades para todos os povos excluídos por séculos. Depois tudo voltou ao que era antes: novos golpes de Estado patrocinados pelos EUA, golpes no Brasil e outros países, entrega de patrimônio nacional, povo na miséria sem direito a nada etc.

Como vamos mudar essa história de exploração e expropriação dos povos latino-americanos? 

Uma coisa é certa: 1% dos humanos detém praticamente todos os meios de produção através da ideologia e da força. Os outros 99% chafurdam na lama e disputam entre si os restos dos meios na tentativa de sobreviver, e vivem adormecidos e não têm consciência da realidade. Se tivessem e se organizassem eliminavam o 1% capitalista e mudavam a história dos humanos e da vida na Terra, que caminha para o fim sob a destruição irracional do modo de produção capitalista.

Como vamos interromper esse processo rumo ao fim da humanidade e dos seres vivos? O que eu posso fazer neste momento? O que podemos fazer, pergunto a vocês que leem minhas postagens?

William


Post Scriptum:

É tão revoltante e humilhante a impotência que sentimos ao ver as injustiças cotidianas no Brasil. Mortes e mais mortes, miséria e mais miséria e tudo responsabilidade do regime fascista no poder... 202.631 pessoas mortas pelo Covid-19 e 8.075.998 infectadas com risco de morte ou com sequelas causadas pelo vírus. E o genocida no poder com apoio da elite vil e canalha atuando para que não haja vacina, para que as pessoas não usem máscara e não respeitem as orientações de saúde dos órgãos científicos. 


Bibliografia:

GALEANO, Eduardo. Las venas abiertas de América Latina. 1ª ed. 14ª reimpr. Buenos Aires: Siglo Veintiuno editores, 2014.


segunda-feira, 19 de outubro de 2020

7. Las venas abiertas de América Latina - Eduardo Galeano



"Es mucha la podredumbre para arrojar al fondo del mar en el camino de la reconstrucción de América Latina. Los despojados, los humillados, los malditos tienen, ellos sí, en sus manos, la tarea. La causa nacional latinoamericana es, ante todo, una causa social: para que América Latina pueda nacer de nuevo, habrá que empezar por derribar a sus dueños, país por país. Se abren tiempos de rebelión y de cambio. Hay quienes creen que el destino descansa en las rodillas de los dioses, pero la verdad es que trabaja, como un desafío candente, sobre las conciencias de los hombres. Montevideo, fines de 1970." (GALEANO, 2010, p. 337)


Refeição Cultural - Cem clássicos

Terminei hoje a leitura desta obra clássica monumental, Las venas abiertas de América Latina (1970), do escritor e jornalista Eduardo Galeano, que faleceu em abril de 2015. A obra tem a idade de uma vida humana, a minha, por exemplo. A leitura é angustiante, apesar de necessária. 

Se eu tivesse que indicar somente um livro para os jovens latino-americanos, um só, eu indicaria este livro. Sem dúvidas, ele despertaria nos jovens com algum grau de consciência política e patriotismo o desejo de lutar por Nuestra América, como dizia José Martí.

Ganhei esta edição de minha companheira em 2015, quando era dirigente nacional de uma entidade de saúde de autogestão, por sinal uma entidade que representa tudo aquilo que Galeano aborda em seu maior clássico: uma associação de trabalhadores sul-americanos que tenta sobreviver de forma sustentável e solidária em meio a um mercado capitalista de saúde, mercado imperialista, com concorrência desleal por parte do setor que tem ainda o apoio dos governantes de plantão.

Como já descrevi nas postagens que faço, o livro de Galeano era mais um dos diversos livros que leio ao mesmo tempo, que inicio e nunca termino. O meu livro tem uma peculiaridade: ele viajou comigo por aí. Foi comigo à terra natal do autor, Uruguai, a Montevidéu e Colônia de Sacramento. 

A leitura havia se dado em 2016, o ano do golpe de Estado no Brasil. Naquele momento, eu havia lido os capítulos um e dois da primeira parte - "La pobreza del hombre como resultado de la riqueza de la tierra" - e a descrição que ele fazia era como se estivesse descrevendo o que estava ocorrendo no Brasil sob golpe com os mesmos atores de sempre, os Estados Unidos e as burguesias vira-latas de séculos. Foi demais pra mim! Era muito deprê... Acabei parando a leitura.

Ao retomar a obra de Galeano agora, com o Brasil e o continente Sul-Americano destroçados por golpes de Estado e sob domínio do império americano, foi necessário resgatar muita força de vontade interior e seguir lendo e estudando; afinal de contas, só o conhecimento nos liberta do jugo da ignorância e nos faz pessoas melhores e mais conscientes, mesmo que não possamos mudar o mundo e a realidade sob domínio da violência do necrocapitalismo.

O livro de Eduardo Galeano é um livro que congrega diversos gêneros discursivos e literários, é um livro de Economia, de História, de Geografia; é um livro de Antropologia e Geologia. Não deixa de ser um romance histórico e uma autobiografia, sobretudo porque é uma autobiografia dos povos originários, de criollos e de latino-americanos. É um senhor clássico da literatura universal.

Antes, eu fazia postagens demasiadamente trabalhosas, com diversas citações da obra lida. Não vejo mais sentido nisso hoje. Está feito o registro do quanto o livro é fantástico e necessário. Aos que se interessarem, leiam e se libertem do jugo ideológico do capitalismo imperialista que nos escraviza e nos destrói.

William


Bibliografia:

GALEANO, Eduardo. Las venas abiertas de América Latina. Siglo Veintiuno Editores, Buenos Aires, 2010.


segunda-feira, 26 de junho de 2017

"Me dei conta de que era um caçador de palavras" - Eduardo Galeano



Obrigado, Eduardo Galeano, pelo
produto de sua "caça de palavras".

Refeição Cultural

"Después me levanté y caminé. Sentía la arena en las plantas de los pies descalzos y las hojas de los árboles me tocaban la cara. Había salido del hospital hecho un trapo, pero había salido vivo, y se me importaba un carajo el temblor del mentón y la flojera de las piernas. Me pellizqué, me reí. No tenía dudas ni miedo. El planeta entero era mi tierra prometida.

Pensé que conocía unas cuantas historias buenas para contar a los demás, y descubrí, o confirmé, que escribir era lo mío. Muchas veces había llegado a convencerme de que ese oficio solitario no valía la pena si uno lo comparaba, pongamos por caso, con la militancia o la aventura. Había escrito y publicado mucho pero me habían faltado huevos para llegar al fondo de mí y abrirme del todo y darme. Escribir era peligroso, como hacer el amor cuando se lo hace como debe ser.

Aquella noche me di cuenta de que yo era un cazador de palabras. Para eso había nacido. Ésa iba a ser mi manera de estar con los demás después de muerto y así no se iban a morir del todo las personas y las cosas que yo había querido.

Para escribir tenía que mojarme la oreja. Yo sabía. Desafiarme, provocarme, decirme: 'No podés, a que no'. Y también sabía que para que nacieran las palabras yo tenía que cerrar los ojos y pensar intensamente en una mujer"

(Os sublinhados são destaques feitos pelo Blog)


Li pela manhã esse excerto de Eduardo Galeano, em seu livro "Días y noches de amor y de guerra" (1986) e fiquei emocionado.

Saí para o trabalho. Voltei para casa no fim da tarde e estava lendo até agora há pouco (depois das 22h) a grande quantidade de textos técnicos da área de gestão em saúde que compõem as deliberações de minha reunião de Diretoria Executiva de amanhã cedo.

Peguei novamente o livro de Galeano e reli o trecho. Que coisa linda! Em suas reminiscências, o escritor uruguaio lembrou de uma de suas mortes - "Mi segunda muerte fue así" - quando teve duas malárias em um mês, estando como exilado em um país sul-americano. Os tempos eram de ditaduras militares sangrentas nas Américas.

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"Aquella noche me di cuenta de que yo era un cazador de palabras. Para eso había nacido"
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E que belo escritor nos saiu Eduardo Galeano!

Estou lendo seus livros agora, já entrando minha madurez. Galeano tem me inspirado muito com suas palavras.

E tenho pensado muito na militância, na vida, na dedicação às causas e nos sacrifícios que impomos a nós mesmos e nossos entes queridos.

Aprendi com a frase famosa de Galeano que a Utopia serve para seguirmos sempre em frente, por mais que andemos e a Utopia se afaste do mesmo tanto.

É isso! Obrigado por sua vida dedicada à caça das palavras, Eduardo Galeano!

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"Escribir era peligroso, como hacer el amor cuando se lo hace como debe ser"
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Fecho a refeição cultural com a frase do excerto comparando o perigo em escrever e fazer amor. Genial!

E por falar em amor, eu diria nos diversos amores:

- Filho, eu te amo! Sinta meu amor e meu apoio mesmo estando longe de ti no dia a dia. Tamo junto!

William
Um leitor

sexta-feira, 15 de julho de 2016

Diário - 150716





Estou em Osasco, São Paulo. Hoje é sexta-feira.

Estive no Uruguai, viajando a passeio com a esposa por alguns dias. Também estive lendo a obra imprescindível do grande escritor uruguaio Eduardo Galeano, As veias abertas da América Latina. Já li a metade do livro escrito e publicano no início dos anos setenta. Gostaria que meu filho e todos os jovens do mundo o lessem, os jovens dos países imperialistas e os jovens dos países vítimas do imperialismo. Gostaria que os adultos e os apoiadores do golpe fascista no Brasil o lessem.

É muito nojento o papel histórico das burguesias latino-americanas vira-latas em intermediar a exploração de nossas gentes a troco de uns vinténs por parte dos imperialistas. Quando vejo em andamento a pauta dos golpistas e lembro o quanto isso é antigo, dá uma revolta, um nojo, que é difícil não ter náuseas. É difícil não ficar triste e revoltado.

Estou reflexivo, cismando com tudo que vivencio e que terei pela frente a partir de segunda-feira, quando voltar para o campo de batalha em que se situa a existência minha e de todos nós da classe trabalhadora mundial, num mundo voltando aos períodos de maiores barbaridades sociais.

Eu me solidarizo com todas as vítimas e entes queridos envolvidos no massacre ocorrido ontem em Nice, na França, quando uma pessoa assassinou dezenas de pessoas com um caminhão. Me solidarizo com gente, com pessoas, mas estou amargo mesmo é com tudo que está acontecendo embaixo de nossos narizes aqui no Brasil e por aí no mundo capitalista "civilizado". 

Como suportar a barbaridade diária de viver sob um Golpe de Estado onde até o mundo mineral sabe a intenção dos desgraçados, da parcialidade contra nós povo trabalhador e movimentos sociais e a favor da cleptocracia secular? Como fazer cara de paisagem para aqueles ao meu redor que compartilham dessa merda toda? Inclusive os pobres, os trabalhadores e os remediados manipulados pela máquina totalitária dos meios de comunicação dos golpistas?

Ao ler a história de nossos países da América Latina, eu fui revendo coisas que já conheço e fui agregando novos conhecimentos sobre a nossa história de explorados, de povos assassinados barbaramente, ao mesmo tempo que também assassinados lentamente pela fome, pela miséria e pela dor invisível de milhões de pessoas, gente insignificante para os meios de comunicação manipuladores de massas, todos todos dos donos do poder capitalista, parceiros dos imperialistas e latifundiários que tudo podem.

A gente carrega tanta responsabilidade nos ombros pelos papéis sociais que exercemos e, ao mesmo tempo, sabemos que podemos fazer tão pouco frente ao massacre das máquinas burocráticas dos endinheirados e seus asseclas e lacaios, colocados nas posições adequadas nas máquinas que tentamos disputar e gerir em nome dos trabalhadores, que vamos sendo consumidos física e psicologicamente quando não aceitamos nos dobrar ao "modus operandi" do patrimonialismo secular que pouco liga e se importa com gente, com trabalhadores, com humildes.

Ainda para piorar, tudo que vemos no campo em que atuamos, o campo popular, dos trabalhadores, da esquerda e dos movimentos sociais, tudo o que vemos é cisão, personalismos, comportamentos não adequados à gravidade que a classe trabalhadora vive, precisando desesperadamente de unidade contra os ataques mais agressivos que já vivemos nas últimas décadas, tanto no Brasil, como nas Américas e também no mundo, ao pensarmos nós povo todo fora do circuito dos 2 a 5% que tudo detém na aldeia global.

Até que ponto podemos lutar contra o sistema hegemônico desses 2 a 5% detentores de tudo, e em pleno movimento de ataque no tabuleiro nacional e mundial, sem remorso algum pelas iniquidades públicas e veladas praticadas, quando o nosso lado está todo esfacelado e desunido?

Este ator social que vos fala, por mais que sinta certa solidão pelas fraturas de meu campo social, vai seguir trabalhando diuturnamente pela Cassi, pelos associados que representa, pelo modelo de saúde que acredita e entende ser o melhor para todo o sistema e, de antemão, peço perdão à minha família pela ausência e falta de tempo que seguirei tendo com eles por causa de meu compromisso com o mandato que exerço. Apenas me dedico do jeito que deveria ser feito por qualquer um em papel de representação semelhante.

William

domingo, 3 de julho de 2016

As veias abertas da América Latina sangram...




Refeição Cultural

"Incorporadas desde siempre a la constelación del poder imperialista, nuestras clases dominantes no tienen el menor interés en averiguar si el patriotismo podría resultar más rentable que la traición o si la mendicidad es la única forma posible de la política internacional..." (Eduardo Galeano)


Está acabando o final de semana. É tão curto que mal dá pra gente descansar um pouco.

Além de ficar quietinho em casa em Brasília com a esposa, e correr um pouco no sábado e pedalar neste domingo (ver AQUI), o que fiz de mais interessante foi pegar o livro de Eduardo Galeano e ler umas sessenta páginas.

A obra fantástica "Las venas abiertas de América Latina" foi publicada em 1971 e sua atualidade nos assusta, nos intimida, nos humilha por saber que, se por um lado, iniciamos um período de enfrentamento soberano ao modo aniquilador de exploração dos imperialismos europeus e americano com governos mais populares da metade dos anos noventa até bem pouco tempo, por outro lado, agora estamos de novo sofrendo uma reviravolta com golpes de estado como em Honduras, Paraguai e Brasil, além da eleição da direita na Argentina e no Peru.

É de dar nojo o que os espanhóis e portugueses fizeram com os povos que aqui estavam e suas nações constituídas há centenas de anos. O massacre e o volume de pessoas exterminadas covardemente, com armas desproporcionais é semelhante ao número de mortos nas guerras mundiais do século XX. Foram exterminados dezenas de milhões de seres humanos. Mas aqui nas Américas não foi guerra de exército contra exército, foi extermínio puro e simples.

Começou aqui faz séculos, nossa história colonial de exploração para acumulação de capitais para europeus e americanos. Passados séculos, havíamos iniciado aqui nas Américas do Sul e Central governos mais progressistas, populares, oriundos do próprio povo trabalhador ou originário da terra, soberanos e focados nos próprios povos, mas durou pouco. Já neste momento os imperialistas retomam suas colônias de exploração através de golpes e intervenções canalhas para derrubar os governos populares.

Quando vejo figuras como essas que estão à frente do Golpe de Estado no Brasil, figuras que já têm em seu currículo crimes de entrega de nosso patrimônio aos estrangeiros a preço de nada, ou corrupção da grossa mesmo, encoberta porque eram eles e eles sempre puderam, com os imperialistas estrangeiros só pagando a eles umas gorjetas, umas propinas como aconteceu nos anos noventa, eu sinto ao mesmo tempo um ódio mortal por esses lesa-pátrias e assassinos de nosso povo, assassinos pelas mortes diárias através da miséria que eles querem ver de volta. Mas sinto também um desprezo tão grande por todos os alienados que de qualquer forma apoiaram o Golpe que aí está...

Pensem vocês que esses desgraçados, passados séculos, estão para destruir os poucos direitos trabalhistas que conquistamos com sangue, suor e lágrimas. Querem foder nossos direitos em aposentadoria, e eles praticamente vivem de nos explorar, sem trabalhar. Querem entregar nossas riquezas de novo para alguns capitalistas estrangeiros. Cortar todas as políticas afirmativas e sociais. Tirar o país do povo novamente.

E por que o povo não se revolta? Porque há um sistema midiático de pão e circo. E esse sistema com meia dúzia de dominadores há décadas segue intocável. Por que aceitamos? Por que milhões deixam que uns poucos nos manipulem, nos coloquem na condição de nada (nihil) contra o sistema hegemônico?

Vou parar por aqui. Estou muito revoltado em ver que não há reação do povo à altura do ataque desferido ao Brasil e ao próprio povo, que segue curtindo o futebol, a Globo, lendo os jornais e revistas dos desgraçados e, se mandarem nos pegar (aqueles que se revoltam ou reagem), é comum que o próprio povo explorado avise aos buldogues da polícia deles onde estamos.

Será que o povo dessas veias abertas da América Latina merece o que os seculares exploradores fazem conosco?

Será que nossa negritude, nossa mestiçagem, nossa origem nestas terras, sem nome difícil de falar, sem termos olhos claros, a pele branquinha com cabelos escorridos loiros, nossa mescla índio negro cafuzo cabelos não lisos sangue e pobreza de origem nos faz piores que esses exploradores europeus e americanos seculares?

William

quinta-feira, 8 de outubro de 2015

8 de outubro - Los Tres (Eduardo Galeano)


Para pensarmos, deixo esses acontecimentos do dia 8 de outubro, relembrados por Eduardo Galeano em "Los hijos de los días".




Los Tres

En 1967, mil setecientos soldados acorralaron al Che Guevara y a sus poquitos guerrilleros en Bolivia, en la Quebrada del Yuro. El Che, prisionero, fue asesinado al día siguiente.


En 1919, Emiliano Zapata había sido acribillado en México.


En 1934, mataron a Augusto César Sandino en Nicaragua.


Los tres tenían la misma edad, estaban por cumplir cuarenta años.


Los tres cayeron a balazos, a traición, en emboscada.


Los tres, latinoamericanos del siglo veinte, compartieron el mapa y el tiempo.


Y los tres fueron castigados por negarse a repetir la historia.



Eduardo Galeano (1940-2015)

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

A GALINHA DEGOLADA (La gallina degollada) - Quiroga


Quiroga: foto de 1900.

Leitura Crítica: “La gallina degollada”

Conto de Horacio Quiroga


(Atenção: o texto desvenda a estória)


Síntese da história:

A cena inicial apresenta quatro crianças com idiotismo, entre 8 e 12 anos, que passam o dia inteiro sentadas em um banco, próximo a um muro do quintal, inertes, e que só se animam ao entardecer quando o Sol se põe e o céu toma aquela coloração avermelhada característica ou quando ouvem o barulho do bonde.

Todas ficaram com idiotismo entre o primeiro e o segundo ano de vida, devido às heranças paternas.

Os pais tiveram, depois de um tempo, uma filha perfeita.

Em uma linda manhã, após uma noite de discussão (o matrimônio do casal estava bastante comprometido devido às acusações recíprocas sobre quem era o responsável pelas más crias), resolvem sair após o almoço para passear. Antes disso, por ser um dia radiante, os filhos com idiotismo, que se animaram com a bela manhã, saem de seu banco e presenciam a empregada degolando uma galinha lentamente na cozinha. São escorraçados para o quintal. Mas... aquela imagem!

Ao retornarem do passeio, a menina entra primeiro que os pais e, após subir no muro, com o pescoço apoiado no seu limiar e com as mãos penduradas, chama a atenção dos meninos que estavam imóveis em seu banco como sempre (já ao entardecer, com aquele céu...). Eles olharam para ela fascinados com aquele ser meio pendurado no muro como uma ave... De repente, a pegaram e a levaram para a cozinha como a uma galinha...


TÉCNICAS LITERÁRIAS

No conto de Horacio Quiroga – A galinha degolada – ele trabalha com sumários e cenas. Algumas vezes, sumários um pouco mais descritivos, lentos; outras vezes, mais acelerados.

O uso do tempo verbal no conto é o tradicional em narrativas com estilo indireto livre, na qual o narrador (muitas vezes demiurgo) conhece toda a estória, ou seja, usa o verbo no pretérito imperfeito do indicativo (Era uma vez...). Aqui, usa a técnica principalmente nos momentos de sumário, onde se refletem ações cotidianas das personagens. Mas também usa o pretérito perfeito, separando com bastante clareza as ações definitivas daquelas do dia a dia.

Do primeiro ao quarto parágrafos o sumário é importantíssimo, pois aqui se começa o conto de uma maneira tão envolvente que o leitor não poderá mais se desligar da curiosidade de saber o que se passará com as quatro crianças com idiotismo. Além dos verbos que demonstram como era o dia a dia dos garotos, o autor usa expressões que reforçam a ideia de cotidiano:

“todo el dia...”, “otras veces...”, “horas enteras...”, “casi siempre…”

Após uma entrada empolgante, temos então uma sequência de parágrafos que trabalha bastante com a questão da aceleração do tempo na narrativa. O autor usará nove parágrafos para nos contar sobre os infortúnios do casal com seu primogênito, do nascimento ao idiotismo.

Já para o segundo filho, usará apenas dois, mostrando uma grande aceleração do tempo para narrar a história. Maior ainda será para os gêmeos, no qual o autor, em apenas um parágrafo, nos traça a desgraça destes:

“Del nuevo desastre brotaron nuevas llamaradas de dolorido amor, un loco anhelo de redimir de una vez para siempre la santidad de su ternura. Sobrevinieron mellizos y punto por punto repitióse el proceso de los mayores.”

O leitor atento, chega então, a um trecho da trama que será fundamental para se endender o desfecho. Quiroga, ardente defensor da ideia de que todo autor já deve começar um conto sabendo meticulosamente aonde vai dar, mostra características dos idiotas importantíssimas para serem unidas às imagens construídas no cenário onde se inicia a tragédia, ou seja, a visão que os idiotas têm de sua irmã, Bertita, pendurada como uma galinha no muro com aquela cor avermelhada no céu que tanto os animavam:

“Tenían, en cambio, cierta facultad imitativa...”

Intercalado com essa desaceleração do tempo, sempre onde o autor firma características ou fatos que serão decisivos para o desfecho, vem um trecho onde novamente o autor acelera até o nascimento da filha saudável Bertita.
Ao longo de todo o conto, vamos tendo acelerada a passagem do tempo cronológico da história, onde o que se tem são as situações do dia a dia, com destaque para a crescente falta de respeito entre o casal, intercalada com os momentos onde impera a natureza humana e, por que não dizer animal, de desejos carnais que suplantavam os amargores recíprocos e então, eles se amavam:

“Pero en las inevitables reconciliaciones, sus almas se unían con doble arrebato y locura por otro hijo”

Já nos momentos onde o que mais importa para o entendimento da trama é a nuança de detalhes, o autor se demora de maneira a deixar bem marcados no leitor os porquês do final trágico:

“La luz enceguecedora llamaba su atención al principio, poco a poco sus ojos se animaban…”;

“Animábanse sólo al comer, o cuando veían colores brillantes u oían truenos”;

“Tenían, en cambio, cierta facultad imitativa…”;

“… la sirvienta degollaba en la cocina al animal (uma galinha), desangrándolo con parsimonia… los cuatro idiotas… mirando estupefactos la operación. Rojo… rojo…”;

“Los cuatro idiotas… vieron cómo su hermana… en puntas de pie apoyaba la garganta sobre la cresta del cerco, entre sus manos tirantes…”;

“… uno de ellos le apretó el cuello… la arrastraron de una sola pierna hasta la cocina…”.

O parágrafo que começa por um verbo no pretérito perfeito marca o início do desfecho da trágica estória: “Amaneció un expléndido dia...”

No início do conto, quando nos é dada a descrição dos idiotas, ficamos sabendo que quase nada lhes tirava de sua imobilidade – “... se mantenían inmóviles, fijos los ojos en los ladrillos...” – a não ser quando o sol se ocultava atrás do muro e os animava com aquela “luz enceguecedora... como si fuera comida”. Mais adiante, soubemos de sua qualidades imitativas. Temos aqui, a associação de luz avermelhada e comida. A cor vermelha se destaca no conto do início ao fim.

Nessa última parte, aparecerão todas as características daquele “fatídico e lindo dia”. É de fato uma mistura interessante, se não fosse o contexto. Veja: “um expléndido dia”, depois “El día radiante...”, mais a visão dos garotos vendo ser degolada uma galinha com parcimônia “Rojo... rojo...”.


CONCLUSÃO

A construção da estória é tão bem traçada que não podemos deixar de ver o acaso, a casualidade no desenlace. Não vemos juízo de valores. É um conto de acontecimento fantástico, porém de caráter realista.

O tempo mítico foi importante na trama também. O entardecer está diretamente ligado à imagem dos garotos com idiotismo se animando cotidianamente com o avermelhado do céu.

Horacio Quiroga de fato apresenta em seus contos um embate constante entre o homem e a natureza. Ele pertenceu ao tempo do realismo e do naturalismo. Naquela época, discutiam-se a posição do homem em seu meio. Então, era constante a fatalidade nas desgraças do homem, que sofria desventuras não por ira dos deuses e sim por estar em um meio fora de seu controle. Era a época do positivismo e do cientificismo.

Pela materialidade do conto, não podemos inferir em juízos de valores ou questões metafísicas de ira divina, pois ele é construído de forma a nos mostrar que neste embate homem versus natureza, esta venceu. O que se poderia fazer com circunstâncias tão normais como as imagens trabalhadas no conto (tardes lindas, pores-do-sol, trovões etc) e ao mesmo tempo tão fatais para o caso da família Mazzini-Ferraz?

Se pudéssemos tirar algum proveito ou lição, que penso não ser o caso, seria apenas pelas sequelas advindas dos excessos do avô das crianças, pai de Mazzini.

Fica-nos um grande conto, de um grande autor, e que tanto sentiu na pele os acasos e reveses da natureza.


Bibliografia:

QUIROGA, Horacio. A la deriva y otros cuentos. La biblioteca argentina. Serie clásicos. Editorial Losada, 2001. 

sábado, 18 de fevereiro de 2012

La gallina degollada - Horacio Quiroga

Quiroga em 1900.
Fonte: Wikipedia
LITERATURA HISPANO-AMERICANA (URUGUAIA)

(texto integral)


LA GALLINA DEGOLLADA – Horacio Quiroga


Todo el día, sentados en el patio, en un banco estaban los cuatro hijos idiotas del matrimonio Mazzini-Ferraz. Tenían la lengua entre los labios, los ojos estúpidos, y volvían la cabeza con la boca abierta.

El patio era de tierra, cerrado al oeste por un cerco de ladrillos. El banco quedaba paralelo a él, a cinco metros, y allí se mantenían inmóviles, fijos los ojos en los ladrillos. Como el sol se ocultaba tras el cerco, al declinar los idiotas tenían fiesta. La luz enceguecedora llamaba su atención al principio, poco a poco sus ojos se animaban; se reían al fin estrepitosamente, congestionados por la misma hilaridad ansiosa, mirando el sol con alegría bestial, como si fuera comida.

Otra veces, alineados en el banco, zumbaban horas enteras, imitando al tranvía eléctrico. Los ruidos fuertes sacudían asimismo su inercia, y corrían entonces, mordiéndose la lengua y mugiendo, alrededor del patio. Pero casi siempre estaban apagados en un sombrío letargo de idiotismo, y pasaban todo el día sentados en su banco, con las piernas colgantes y quietas, empapando de glutinosa saliva el pantalón.

El mayor tenía doce años y el menor, ocho. En todo su aspecto sucio y desvalido se notaba la falta absoluta de un poco de cuidado maternal.

Esos cuatro idiotas, sin embargo, habían sido un día el encanto de sus padres. A los tres meses de casados, Mazzini y Berta orientaron su estrecho amor de marido y mujer, y mujer y marido, hacia un porvenir mucho más vital: un hijo. ¿Qué mayor dicha para dos enamorados que esa honrada consagración de su cariño, libertado ya del vil egoísmo de un mutuo amor sin fin ninguno y, lo que es peor para el amor mismo, sin esperanzas posibles de renovación?

Así lo sintieron Mazzini y Berta, y cuando el hijo llegó, a los catorce meses de matrimonio, creyeron cumplida su felicidad. La criatura creció bella y radiante, hasta que tuvo año y medio. Pero en el vigésimo mes sacudiéronlo una noche convulsiones terribles, y a la mañana siguiente no conocía más a sus padres. El médico lo examinó con esa atención profesional que está visiblemente buscando las causas del mal en las enfermedades de los padres.

Después de algunos días los miembros paralizados recobraron el movimiento; pero la inteligencia, el alma, aun el instinto, se habían ido del todo; había quedado profundamente idiota, baboso, colgante, muerto para siempre sobre las rodillas de su madre.

—¡Hijo, mi hijo querido! —sollozaba ésta, sobre aquella espantosa ruina de su primogénito.

El padre, desolado, acompañó al médico afuera.

—A usted se le puede decir: creo que es un caso perdido. Podrá mejorar, educarse en todo lo que le permita su idiotismo, pero no más allá.

—¡Sí!... ¡Sí! —asentía Mazzini—. Pero dígame: ¿Usted cree que es herencia, que...?

—En cuanto a la herencia paterna, ya le dije lo que creía cuando vi a su hijo. Respecto a la madre, hay allí un pulmón que no sopla bien. No veo nada más, pero hay un soplo un poco rudo. Hágala examinar detenidamente.

Con el alma destrozada de remordimiento, Mazzini redobló el amor a su hijo, el pequeño idiota que pagaba los excesos del abuelo. Tuvo asimismo que consolar, sostener sin tregua a Berta, herida en lo más profundo por aquel fracaso de su joven maternidad.

Como es natural, el matrimonio puso todo su amor en la esperanza de otro hijo. Nació éste, y su salud y limpidez de risa reencendieron el porvenir extinguido. Pero a los dieciocho meses las convulsiones del primogénito se repetían, y al día siguiente el segundo hijo amanecía idiota.

Esta vez los padres cayeron en honda desesperación. ¡Luego su sangre, su amor estaban malditos! ¡Su amor, sobre todo! Veintiocho años él, veintidós ella, y toda su apasionada ternura no alcanzaba a crear un átomo de vida normal. Ya no pedían más belleza e inteligencia como en el primogénito; ¡pero un hijo, un hijo como todos!

Del nuevo desastre brotaron nuevas llamaradas del dolorido amor, un loco anhelo de redimir de una vez para siempre la santidad de su ternura. Sobrevinieron mellizos, y punto por punto repitióse el proceso de los dos mayores.

Mas por encima de su inmensa amargura quedaba a Mazzini y Berta gran compasión por sus cuatro hijos. Hubo que arrancar del limbo de la más honda animalidad, no ya sus almas, sino el instinto mismo, abolido. No sabían deglutir, cambiar de sitio, ni aun sentarse. Aprendieron al fin a caminar, pero chocaban contra todo, por no darse cuenta de los obstáculos. Cuando los lavaban mugían hasta inyectarse de sangre el rostro. Animábanse sólo al comer, o cuando veían colores brillantes u oían truenos. Se reían entonces, echando afuera lengua y ríos de baba, radiantes de frenesí bestial. Tenían, en cambio, cierta facultad imitativa; pero no se pudo obtener nada más.

Con los mellizos pareció haber concluido la aterradora descendencia. Pero pasados tres años desearon de nuevo ardientemente otro hijo, confiando en que el largo tiempo transcurrido hubiera aplacado a la fatalidad.

No satisfacían sus esperanzas. Y en ese ardiente anhelo que se exasperaba en razón de su infructuosidad, se agriaron. Hasta ese momento cada cual había tomado sobre sí la parte que le correspondía en la miseria de sus hijos; pero la desesperanza de redención ante las cuatro bestias que habían nacido de ellos echó afuera esa imperiosa necesidad de culpar a los otros, que es patrimonio específico de los corazones inferiores.

Iniciáronse con el cambio de pronombre: tus hijos. Y como a más del insulto había la insidia, la atmósfera se cargaba.

—Me parece —díjole una noche Mazzini, que acababa de entrar y se lavaba las manos—que podrías tener más limpios a los muchachos.

Berta continuó leyendo como si no hubiera oído.

—Es la primera vez —repuso al rato— que te veo inquietarte por el estado de tus hijos.

Mazzini volvió un poco la cara a ella con una sonrisa forzada:

—De nuestros hijos, ¿me parece?

—Bueno, de nuestros hijos. ¿Te gusta así? —alzó ella los ojos.

Esta vez Mazzini se expresó claramente:

—¿Creo que no vas a decir que yo tenga la culpa, no?

—¡Ah, no! —se sonrió Berta, muy pálida— ¡pero yo tampoco, supongo!... ¡No faltaba más!... —murmuró.

—¿Qué no faltaba más?

—¡Que si alguien tiene la culpa, no soy yo, entiéndelo bien! Eso es lo que te quería decir.

Su marido la miró un momento, con brutal deseo de insultarla.

—¡Dejemos! —articuló, secándose por fin las manos.

—Como quieras; pero si quieres decir...

—¡Berta!

—¡Como quieras!

Éste fue el primer choque y le sucedieron otros. Pero en las inevitables reconciliaciones, sus almas se unían con doble arrebato y locura por otro hijo.

Nació así una niña. Vivieron dos años con la angustia a flor de alma, esperando siempre otro desastre. Nada acaeció, sin embargo, y los padres pusieron en ella toda su complaciencia, que la pequeña llevaba a los más extremos límites del mimo y la mala crianza.

Si aún en los últimos tiempos Berta cuidaba siempre de sus hijos, al nacer Bertita olvidóse casi del todo de los otros. Su solo recuerdo la horrorizaba, como algo atroz que la hubieran obligado a cometer. A Mazzini, bien que en menor grado, pasábale lo mismo. No por eso la paz había llegado a sus almas. La menor indisposición de su hija echaba ahora afuera, con el terror de perderla, los rencores de su descendencia podrida. Habían acumulado hiel sobrado tiempo para que el vaso no quedara distendido, y al menor contacto el veneno se vertía afuera. Desde el primer disgusto emponzoñado habíanse perdido el respeto; y si hay algo a que el hombre se siente arrastrado con cruel fruición es, cuando ya se comenzó, a humillar del todo a una persona. Antes se contenían por la mutua falta de éxito; ahora que éste había llegado, cada cual, atribuyéndolo a sí mismo, sentía mayor la infamia de los cuatro engendros que el otro habíale forzado a crear.

Con estos sentimientos, no hubo ya para los cuatro hijos mayores afecto posible. La sirvienta los vestía, les daba de comer, los acostaba, con visible brutalidad. No los lavaban casi nunca. Pasaban todo el día sentados frente al cerco, abandonados de toda remota caricia. De este modo Bertita cumplió cuatro años, y esa noche, resultado de las golosinas que era a los padres absolutamente imposible negarle, la criatura tuvo algún escalofrío y fiebre. Y el temor a verla morir o quedar idiota, tornó a reabrir la eterna llaga.

Hacía tres horas que no hablaban, y el motivo fue, como casi siempre, los fuertes pasos de Mazzini.

—¡Mi Dios! ¿No puedes caminar más despacio? ¿Cuántas veces...?

—Bueno, es que me olvido; ¡se acabó! No lo hago a propósito.

Ella se sonrió, desdeñosa: —¡No, no te creo tanto!

—Ni yo jamás te hubiera creído tanto a ti... ¡tisiquilla!

—¡Qué! ¿Qué dijiste?...

—¡Nada!

—¡Sí, te oí algo! Mira: ¡no sé lo que dijiste; pero te juro que prefiero cualquier cosa a tener un padre como el que has tenido tú!

Mazzini se puso pálido.

—¡Al fin! —murmuró con los dientes apretados—. ¡Al fin, víbora, has dicho lo que querías!

—¡Sí, víbora, sí! Pero yo he tenido padres sanos, ¿oyes?, ¡sanos! ¡Mi padre no ha muerto de delirio! ¡Yo hubiera tenido hijos como los de todo el mundo! ¡Esos son hijos tuyos, los cuatro tuyos!

Mazzini explotó a su vez.

—¡Víbora tísica! ¡eso es lo que te dije, lo que te quiero decir! ¡Pregúntale, pregúntale al médico quién tiene la mayor culpa de la meningitis de tus hijos: mi padre o tu pulmón picado, víbora!

Continuaron cada vez con mayor violencia, hasta que un gemido de Bertita selló instantáneamente sus bocas. A la una de la mañana la ligera indigestión había desaparecido, y como pasa fatalmente con todos los matrimonios jóvenes que se han amado intensamente una vez siquiera, la reconciliación llegó, tanto más efusiva cuanto infames fueran los agravios.

Amaneció un espléndido día, y mientras Berta se levantaba escupió sangre. Las emociones y mala noche pasada tenían, sin duda, gran culpa. Mazzini la retuvo abrazada largo rato, y ella lloró desesperadamente, pero sin que ninguno se atreviera a decir una palabra.

A las diez decidieron salir, después de almorzar. Como apenas tenían tiempo, ordenaron a la sirvienta que matara una gallina.

El día radiante había arrancado a los idiotas de su banco. De modo que mientras la sirvienta degollaba en la cocina al animal, desangrándolo con parsimonia (Berta había aprendido de su madre este buen modo de conservar la frescura de la carne), creyó sentir algo como respiración tras ella. Volvióse, y vio a los cuatro idiotas, con los hombros pegados uno a otro, mirando estupefactos la operación... Rojo... rojo...

—¡Señora! Los niños están aquí, en la cocina.

Berta llegó; no quería que jamás pisaran allí. ¡Y ni aun en esas horas de pleno perdón, olvido y felicidad reconquistada, podía evitarse esa horrible visión! Porque, naturalmente, cuando más intensos eran los raptos de amor a su marido e hija, más irritado era su humor con los monstruos.

—¡Que salgan, María! ¡Échelos! ¡Échelos, le digo!

Las cuatro pobres bestias, sacudidas, brutalmente empujadas, fueron a dar a su banco.

Después de almorzar salieron todos. La sirvienta fue a Buenos Aires y el matrimonio a pasear por las quintas. Al bajar el sol volvieron; pero Berta quiso saludar un momento a sus vecinas de enfrente. Su hija escapóse enseguida a casa.

Entretanto los idiotas no se habían movido en todo el día de su banco. El sol había traspuesto ya el cerco, comenzaba a hundirse, y ellos continuaban mirando los ladrillos, más inertes que nunca.

De pronto algo se interpuso entre su mirada y el cerco. Su hermana, cansada de cinco horas paternales, quería observar por su cuenta. Detenida al pie del cerco, miraba pensativa la cresta. Quería trepar, eso no ofrecía duda. Al fin decidióse por una silla desfondada, pero aun no alcanzaba. Recurrió entonces a un cajón de kerosene, y su instinto topográfico hízole colocar vertical el mueble, con lo cual triunfó.

Los cuatro idiotas, la mirada indiferente, vieron cómo su hermana lograba pacientemente dominar el equilibrio, y cómo en puntas de pie apoyaba la garganta sobre la cresta del cerco, entre sus manos tirantes. Viéronla mirar a todos lados, y buscar apoyo con el pie para alzarse más.

Pero la mirada de los idiotas se había animado; una misma luz insistente estaba fija en sus pupilas. No apartaban los ojos de su hermana mientras creciente sensación de gula bestial iba cambiando cada línea de sus rostros. Lentamente avanzaron hacia el cerco. La pequeña, que habiendo logrado calzar el pie iba ya a montar a horcajadas y a caerse del otro lado, seguramente sintióse cogida de la pierna. Debajo de ella, los ocho ojos clavados en los suyos le dieron miedo.

—¡Soltáme! ¡Déjame! —gritó sacudiendo la pierna. Pero fue atraída.

—¡Mamá! ¡Ay, mamá! ¡Mamá, papá! —lloró imperiosamente. Trató aún de sujetarse del borde, pero sintióse arrancada y cayó.

—Mamá, ¡ay! Ma. . . —No pudo gritar más. Uno de ellos le apretó el cuello, apartando los bucles como si fueran plumas, y los otros la arrastraron de una sola pierna hasta la cocina, donde esa mañana se había desangrado a la gallina, bien sujeta, arrancándole la vida segundo por segundo.

Mazzini, en la casa de enfrente, creyó oír la voz de su hija.

—Me parece que te llama—le dijo a Berta.

Prestaron oído, inquietos, pero no oyeron más. Con todo, un momento después se despidieron, y mientras Berta iba dejar su sombrero, Mazzini avanzó en el patio.

—¡Bertita!

Nadie respondió.

—¡Bertita! —alzó más la voz, ya alterada.

Y el silencio fue tan fúnebre para su corazón siempre aterrado, que la espalda se le heló de horrible presentimiento.

—¡Mi hija, mi hija! —corrió ya desesperado hacia el fondo. Pero al pasar frente a la cocina vio en el piso un mar de sangre. Empujó violentamente la puerta entornada, y lanzó un grito de horror.

Berta, que ya se había lanzado corriendo a su vez al oír el angustioso llamado del padre, oyó el grito y respondió con otro. Pero al precipitarse en la cocina, Mazzini, lívido como la muerte, se interpuso, conteniéndola:

—¡No entres! ¡No entres!

Berta alcanzó a ver el piso inundado de sangre. Sólo pudo echar sus brazos sobre la cabeza y hundirse a lo largo de él con un ronco suspiro.



Del libro:
Cuentos de amor, de locura y de muerte (1917)