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sábado, 10 de janeiro de 2026

Instantes (13h21) - Leituras: José Genoino



Refeição Cultural 

LEITURAS

"Foi nesse momento crucial que um dilema existencial se impôs, deixando marcas profundas e atormentando-me: dedicar-me aos estudos e alcançar o título de doutor para, assim, libertar minha família da labuta rural e da pobreza, ou trilhar o caminho da política, visando o bem-estar da sociedade como um todo?" (José Genoino, em Uma Vida Entrevista, p. 22)


Me identifiquei com essa passagem das memórias do companheiro José Genoino. Na hora, me lembrei dos momentos de angústia pessoal que viveria a partir de 2002, quando virei dirigente sindical dos bancários e um ano antes havia me tornado aluno da Universidade de São Paulo. 

Ao mesmo tempo, me peguei na condição de realizar um sonho antigo de me tornar um intelectual, um acadêmico, quiçá um professor, e me vi eleito dirigente político de um dos maiores sindicatos do país, me sentindo com a responsabilidade de ser o melhor representante que pudesse ser de meus colegas bancários que estavam sofrendo péssimas condições de trabalho na categoria. 

Somente meus diários antigos, minhas lembranças e algumas pessoas próximas sabem o quanto sofria por não conseguir conciliar todo estudo que teria que fazer para ser um bom aluno de Letras e para ser um bom dirigente de classe. 

Prevaleceu o compromisso com a classe trabalhadora e com a coletividade, com a luta pela mudança social da classe à qual sempre pertenci na sociedade brasileira. Não fui professor. Tentei ser um bom dirigente sindical. 

Felizmente, tive o privilégio e a sorte de ter boas referências como, por exemplo, essa figura extraordinária de nossa história, José Genoino. 

William 

10/01/26

domingo, 19 de outubro de 2025

Livro: Desafios do Sindicalismo no Brasil Contemporâneo - Luiz Azevedo



Refeição Cultural

Encontrei o companheiro Luizinho Azevedo na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp) em 19/09/25, no dia da sessão que relembrou os 40 anos da histórica greve dos bancários em 1985. Luizinho foi um dos líderes protagonistas nessa história. 

Naquele dia, recebi de presente do Luizinho o livro "Desafios do Sindicalismo no Brasil Contemporâneo - Entre Transformações e Resistências", de sua autoria. 

Estudioso das questões do mundo do trabalho e estrategista de primeira linha, Luizinho segue sendo referência para todos nós que lutamos por um mundo mais inclusivo e sustentável. 

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TRANSFORMAÇÕES NO TRABALHO 

"A teoria materialista da história enfatiza as relações sociais como o motor primário do desenvolvimento histórico e da formação das ideias. Segundo Marx, as ideias não surgem de forma isolada ou independente, mas são moldadas e influenciadas pelas condições materiais e sociais em que as pessoas vivem e trabalham." (p. 19)


No primeiro capítulo, Luizinho apresenta um panorama geral das mudanças no mundo do trabalho organizado pelo modo de produção capitalista. 

Relembrou o ludismo do início do século XIX, passou pelo fordismo no início do XX e abordou o toyotismo, que flexibilizou a produção e facilitou as etapas atuais de terceirização, uberização e pejotização.

O movimento sindical tem desafios enormes para organizar e representar os trabalhadores nesse cenário atual, que ainda conta com o avanço tecnológico das IAs, eliminando boa parte do trabalho tradicional humano. 

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A RESISTÊNCIA SINDICAL NO PERÍODO RECENTE 

"As transformações no mundo do trabalho descaracterizaram de tal forma as identidades de categoria e de classe, que grande parte dos trabalhadores não se identifica nem como classe em si, quanto mais avançar para se sentir parte de uma classe para si, fator essencial para a organização sindical e política." (p. 27)


Luizinho apresenta de forma sucinta as causas e consequências da atual situação do mundo do trabalho no Brasil. 

O golpe de Estado contra Dilma Rousseff, a prisão de Lula para darem seguimento ao golpe, as reformas de Temer e Bolsonaro, e até a dificuldade das lideranças sindicais em unificar demandas para fortalecer a classe trabalhadora são fatores analisados pelo autor no 2° capítulo do livro.

Luizinho, no entanto, não perde a esperança no planejamento estratégico para reverter o processo desagregador das classes. Temos que apostar mais na organização de fato dos trabalhadores para depois lutar pela representação de direito, até para questões de financiamento sindical (p. 24)

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HÁ MUITA FORÇA PARA SER DESPERTADA 

Neste capítulo, Luizinho apresenta os desafios atuais do movimento sindical. 

A sindicalização da classe trabalhadora é a menor dos últimos tempos: 8,4% de 100 milhões de pessoas ocupadas. 

"As Centrais Sindicais, e a CUT em particular, precisam se organizar e fazer uma discussão com as direções de cada sindicato, entidade por entidade, sobre a necessidade de romper com o passado, dele aproveitando apenas as forças acumuladas, e iniciar uma operação efetiva de adensamento sindical, buscando valorizar as negociações coletivas e viabilizar financeiramente as entidades sindicais." (p. 33)

Comentário do blog: nas questões analisadas por Luizinho, percebem-se as dificuldades atuais para a autonomia e independência dos sindicatos em relação a partidos e governos, um dos objetivos do novo sindicalismo nascido no final dos anos setenta e início dos oitenta. 

No Brasil e no mundo, na atual conjuntura, todo partido tem relação mais estreita com uma agremiação sindical. (p. 33)

O reconhecimento das Centrais Sindicais em 2008, com a participação nas contribuições sindicais à época (10%), estimulou as divisões políticas no movimento sindical. 

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TENTANDO ROMPER O CERCO NEOLIBERAL 

"Na base, a perda de credibilidade e o crescimento do individualismo dificultam o surgimento de uma nova geração de dirigentes. Ou seja, sem inovar na organização e nas ações não haverá militantes disponíveis para fazer a renovação nas direções." (p. 46)


Neste capítulo, o autor faz diagnósticos dos desafios dos movimentos sindicais e nos atualiza sobre as propostas em debate para fortalecer o sindicalismo. 

Autorregulação no sindicalismo, adensamento sindical e campanhas de sindicalização são alguns dos eixos em debate no movimento. Além, é claro, das formas de sustentação financeira da estrutura sindical. 

Luizinho fala da ideia de organizar "brigadas digitais" na questão de disputa nas redes na internet, mas a adesão até agora foi aquém do ideal por parte dos sindicatos. 

O estudioso Luizinho cita as boas experiências em comunicação que o Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e região vem fazendo em relação a aplicativos para celular e comunicação virtual com associados. (p. 44)

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APONTAMENTOS FINAIS

Luizinho diz ao final de suas reflexões e sugestões que fazer é mais complexo do que escrever, como ele fez.

Entretanto, o blog lembra aqui que as análises e reflexões do autor devem ser recebidas por todos nós como um esforço honesto e necessário de um grande pensador e alguém que participou de toda a história de nossas lutas desde o final dos anos setenta. 

O livro foi escrito no final de 2024, após o avanço da direita e da representação conservadora nos executivos e legislativos das cidades brasileiras, ou seja, após nossa derrota nas bases da classe trabalhadora. 

Pensar novas estratégias de organização do povo trabalhador é pensar formas de nos sairmos melhor nas eleições de 2026.

"A guerra híbrida atacou a imagem dos sindicatos. A superação deste desgaste depende de muita dedicação, presença na base, compromisso com as reivindicações tal e qual são sentidas pela base. Mas, sem mudanças substanciais nas formas de se organizar, de representar e de se comunicar não conseguirá recuperar ou construir laços de confiança com a base." (p. 55)

Luizinho sugere ousadia para organizar os trabalhadores que não estão na forma tradicional da carteira de trabalho. 

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COMENTÁRIO 

Excelente leitura! 

Luizinho é uma referência para mim e para todos nós que o conhecemos como um militante que congrega em sua vida a prática e a teoria no fazer político, nas lutas de classe. 

Sigamos na luta por um mundo melhor para o povo trabalhador. Um mundo mais sustentável ambientalmente e que supere o capitalismo. 

William Mendes 


Bibliografia:

AZEVEDO, Luiz. Desafios do Sindicalismo no Brasil Contemporâneo - Entre Transformações e Resistência. 1a edição. Florianópolis, SC: Ed. do Autor, 2024.


domingo, 5 de outubro de 2025

Diário e reflexões



Refeição Cultural

Domingo, 5 de outubro de 2025.


FORMAÇÃO NA UNESP

No sábado, concluímos um curso de extensão universitária que iniciamos em julho. O curso "Como impedir o fim do mundo - Colapso ambiental e alternativas", promovido por IBEC, Unesp e demais parceiros, superou nossas expectativas - minhas e de meu filho.

Como admiro o papel social desempenhado pelas pessoas que se dedicam à educação e cultura! Ensinar e transmitir conhecimentos é uma das funções mais nobres e importantes da espécie humana.

Foram 50 horas de aulas com professoras e professores de altíssimo nível, compartilhando conosco conceitos e conhecimentos das áreas de economia, política e meio ambiente, tendo como referência as obras de Karl Marx e estudiosos marxistas como István Mészáros. Curso espetacular! 

Estou muito reflexivo por causa desse curso.

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ATO CONTRA O GENOCÍDIO DO POVO PALESTINO

Estive em diversas manifestações nas últimas semanas, mas estava muito cansado hoje para participar do ato na Avenida Paulista em defesa da causa palestina e pelo fim do genocídio em Gaza. Minhas energias corporais estão diferentes de outras épocas. 

Todo apoio à causa do povo palestino!

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CADERNOS DOS BLOGS

Não tenho conseguido avançar no trabalho de sistematização de minha produção cultural ao longo das últimas duas décadas. Já fiz bastante coisa, mas estou longe de acabar.

Queria terminar a confecção dos cadernos neste ano, mas não darei conta. São mais de seis mil registros. Pode ser vaidade o desejo de salvar os textos, mas ali contém um pouco de nossa história coletiva também. Tenho dó de deixar se perder tudo que está registrado naquelas páginas digitais. 

MEMÓRIAS

Estava pensando nestes dias: já recebi as unidades que editei de meu livro de memórias sindicais, registros retirados de um dos blogs. Agora que tenho o livro em mãos, estou em dúvida sobre o que fazer com eles. Enviei dois a amigos e presenteei mais dois a pessoas de minhas relações. 

Apesar de conter passagens interessantes da história das lutas da categoria bancária, não sei se alguém perderia tempo lendo isso. Os textos foram escritos no blog durante a pandemia de Covid-19 e uma coisa é disponibilizar minhas memórias num lugar para quem quiser lê-las, outra coisa é dar a alguém um conjunto de textos como se estivesse obrigando a pessoa a ler aquilo...

Enfim, estou cheio de dúvidas meio bestas, que não mudam nada o colapso atual da sociedade humana. 

William 

quinta-feira, 28 de agosto de 2025

Livro: Memórias de um trabalhador politizado pelos bancários da CUT - William Mendes



Refeição Cultural

Ler minhas Memórias em formato de livro foi uma experiência bem diferente da leitura dos capítulos no blog. 

O trabalho de equipe da Editora ComPactos tornou a experiência bastante agradável, na minha opinião. 

Escrevi as Memórias entre o final do ano de 2021, auge da pandemia, e agosto de 2023. A base principal de consultas para a confecção dessas Memórias foi os milhares de textos de meu blog sindical: A Categoria Bancária - InFormação e História.

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A importância da História 

Por muito tempo fiquei me perguntando como foi possível as lideranças da República Socialista de Cuba resistirem a décadas de bloqueio e tentativas de mudança de regime por parte do vizinho, os Estados Unidos. 

A compreensão veio após passar a estudar um pouco a respeito da história de Cuba e da Revolução Cubana para visitar o país. Tive a oportunidade de ir a Cuba duas vezes e a experiência me ajudou a formular uma explicação para tamanha resistência: Educação e História.

A educação do povo cubano baseada nos ensinamentos de José Martí há mais de um século e a importância que o governo revolucionário cubano dedica à história são fundamentais para a manutenção do espírito altivo e patriótico das pessoas, geração após geração de cubanos desde 1959. A professora Maria Leite, especialista em Cuba, nos fala de cubanidad e cubanía para expressar esse sentimento que o povo tem de amor à sua pátria.

Sem Educação e sem História um povo não consegue resistir à ideologia do capitalismo e suas ferramentas cada vez mais avassaladoras na captura de corações e mentes. 

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O nascimento da edição impressa das Memórias

Ao aceitar a sugestão de transformar em livro as dezenas de capítulos de memórias que fiz em meu blog sindical durante a pandemia mundial de Covid-19, sugestão da editora Cleusa Slaviero, os textos foram ganhando outra leitura e a sistematização no formato de livro me permitiu ler e reler e reler e fazer textos acessórios para apresentar as minhas Memórias.

Enfim, diria hoje que organizar uma edição de livro é uma oportunidade interessante de manusear e refletir sobre os próprios textos que o autor fez sem aquela intensão inicial de editar um livro.

Um dos motivos para realmente decidir reunir os textos em uma edição impressa é a questão muito atual da guarda de produção cultural da humanidade em "nuvens", em formas digitais e virtuais majoritariamente guardadas nos servidores de poucas big techs que dominaram o planeta Terra em sua área. 

Há tempos venho alertando leitoras e leitores de meus blogs para que não depositem toda a sua produção cultural nessas tais "nuvens" dos inimigos da humanidade, as corporações capitalistas que fizeram da internet e da tecnologia da comunicação uma máquina de manipulação da humanidade.

Imprimir e presentear alguns conhecidos é uma forma de deixar em algumas estantes e locais dispersos do mundo um pouco da história de um militante de uma categoria de trabalhadores que faz parte da luta de classes entre os capitalistas e nós o povo explorado por eles, no Brasil e nos demais pontos geográficos do mundo.

Ao reler pela enésima vez os 39 capítulos e o pequeno livro anexo com a história dos bancários nos primeiros anos do governo do Partido dos Trabalhadores, e com o olhar de estudioso que tenho (não posso negar isso), concluo que ali contém informações relevantes no que diz respeito a um recorte do tempo de nossa categoria bancária, do segmento dos funcionários do Banco do Brasil, da corrente política majoritária no campo cutista e do próprio Brasil durante a fantástica experiência vivida pelo povo brasileiro através dos governos do PT, de Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff.

O trabalho de confecção dessas Memórias, dessas histórias, foi grande. A releitura foi trabalhosa. Mas entendo que foi necessário editar o livro. Os textos não têm só informações históricas, têm momentos de emoção, de alegrias e de tristezas, afinal de contas o autor é um militante, é um ser humano como todos os demais.

Por fim, afirmo a vocês que os textos são sinceros, é o que posso garantir aos leitores que já os leram no blog e aos que por acaso venham a lê-los editados na forma de livro nessas minhas Memórias

O nome comprido do livro é o que tinha que ser, pois o autor realmente é hoje o resultado real de seu mundo do trabalho, um trabalhador que passou a ser outra pessoa depois do convívio com os bancários da maior central sindical do país, a nossa querida Central Única dos Trabalhadores e Trabalhadoras.

Agora que reli o boneco final do livro, é imprimir algumas unidades e lançá-las ao mundo.

William Mendes

Dia dos Bancários

Aniversário da CUT

28/08/25

terça-feira, 26 de agosto de 2025

Instantes (10h24)



Refeição Cultural

Acordei pensando nas reflexões do personagem Winston, do clássico livro de George Orwell, "1984". Ele refletia sobre o esforço necessário para não se deixar apagar a verdade verdadeira e como resistir à "verdade" de mentira que o regime implantava diariamente, reescrevendo o passado. 

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"Quem controla o passado, controla o futuro;

quem controla o presente, controla o passado."

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Aí pensei no presente do meu tempo. O passado está sendo apagado. O presente está sendo registrado em "nuvens" (dos inimigos) e, com isso, no futuro, não teremos mais nem o passado (o presente), nem perspectivas de futuro. 

Eu fico com dó da gente, dos seres humanos... temos histórias tão bonitas pra contar... a dos bancários, por exemplo, são muitas histórias bonitas da categoria que enfrenta nada mais nada menos do que os donos do capital.

E no meio das lutas de classes diárias, tem as lutas diárias pessoais, dos trabalhadores. Meus blogs e meus registros são isso, memórias de nosso passado coletivo, registros de nossos acertos e erros, sentimentos e ações. 

Onde fui ler que meu pai infartou em fevereiro de 2012, e que o dirigente sindical escreveu um poema na UTI do hospital, decepcionado com as privatizações dos aeroportos brasileiros naquele momento? No meu blog...

Winston reflete sobre a verdade verdadeira e se desespera ao saber que ao morrer, morrerá com ele a verdade, e ficará registrada só a "verdade" mentirosa, reescrita pelo regime. 

Preciso terminar de vez a revisão de meu livro de memórias e imprimir algumas unidades para presentear pessoas conhecidas. Recebi o boneco da edição e relendo os textos me surpreendi com o conteúdo. Não está ruim. São nossas histórias ali, não são só minhas. 

Nosso sindicato e nossas entidades de classe têm histórias bonitas para serem contadas, e devem ser preservadas por nós que as vivemos. Um futuro que não tenha referência no passado coletivo que construímos é um futuro distópico.

Tenho que seguir resgatando o nosso passado, é minha obrigação como ser social, minha e de todos nós da classe trabalhadora explorada e subjugada pelos donos do capital, e dos meios de produção, incluídas as "nuvens" que guardam nosso presente e nosso passado.

William Mendes


Post Scriptum: aqui pode ser lido artigo que fiz em fevereiro de 2012 sobre o tema "1984", de George Orwell.

sexta-feira, 14 de março de 2025

Diário e reflexões - Os cadernos dos blogs



Refeição Cultural

Osasco, 14 de março de 2025. Sexta-feira. 


(Nesta data, dois seres humanos referenciais para nós faleceram: Karl Marx em 1883 e Marielle Franco em 2018. Eles vivem em nós que lutamos pela libertação dos seres humanos da exploração capitalista. Marielle Franco, presente! Karl Marx, presente!)


O QUE FAZER? (não é sobre a revolução... é só sobre mim mesmo)

Em minhas reflexões e digestões culturais nos últimos dias, pensava a respeito de escolhas que tenho que fazer diariamente, nós humanos temos decisões a tomar sobre as veredas que escolhemos o tempo todo. Faço isso ou faço aquilo? Tenho opções sobre o que fazer? Eu tenho opções, sou um homem de sorte. (muitos não têm opções...)

Sempre gostei de estudar, ler, conhecer coisas novas. Por décadas, lamentei em minhas reflexões o fato de não ter tempo adequado para ler e estudar. Trabalhei desde criança, e conciliar a sobrevivência com os estudos formais dificultou a possibilidade da leitura por prazer. Quando conseguia ler, estava sempre cansado.

Foi nos dilemas do percurso de minha vida que comecei e não terminei várias coisas. O desejo me instava a fazer a coisa, a iniciativa. A realidade me obrigava a cair na real e acabava deixando o que iniciava. Tinha iniciativa, mas não era "acabativo".

Adolescente, optei por um curso técnico de eletrônica e não terminei. Meio por acaso, entrei em Ciências Contábeis e concluí o bacharelado. O desejo me fez iniciar a graduação de Educação Física, sempre amei esportes e seria professor. Não pude concluir por falta de condições financeiras. Passei na Fuvest e tentei novamente uma graduação para ser professor. Por virar sindicalista, o curso de Letras ficou em segundo plano e só o concluí muito depois do início.

Assim a vida seguiu entre os vinte e os cinquenta anos. Não fui professor. Fui bancário e sindicalista. 

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A BUSCA POR SENTIDOS

A vida é uma coisa intrigante. Sim, tão intrigante que os humanos acabam lidando com as cotidianidades inventando diversas explicações para conviver com as situações que o viver vai encontrando diariamente. 

Enquanto a vida só é para as demais espécies viventes no planeta, a espécie homo sapiens sente a necessidade de dar sentido às coisas e pensar sobre a vida. Qualificar a existência.

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A VIDA É UMA COISA INTRIGANTE

Esta reflexão é para registrar o dilema pessoal do momento. Estudar e aprender coisas novas neste instante mais curto de minha existência ou sistematizar décadas de tudo que produzi de textos, e que estão sempre em risco de se perderem por estarem em máquinas dos inimigos da humanidade: as nuvens das big techs?

E para complicar mais ainda as escolhas: por que me meter em novos estudos se eu passei décadas querendo ler e não conseguia e agora tenho pilhas de livros para ler, ali na estante, ao meu alcance, e eu não li tudo que acumulei já estando há seis anos fora da rotina de vender meu corpo e minhas horas de vida para sobreviver? 

(o ser humano é um bicho complicado!)

Ainda sobre a vida ser uma coisa intrigante. 

Na adolescência, quase poderia ter sido professor de arte marcial, Kung Fu, pois pratiquei o esporte por anos e parei quando fui embora da casa de meus pais aos 17 anos. 

O abandono do Kung Fu foi uma coisa mal resolvida na minha vida. Que foda isso! Voltei ao esporte aos 50 anos de idade e fiz aulas por quase dois anos, evoluindo rápido nas faixas. Veio a pandemia e eu parei. 

Talvez o azar da pandemia tenha sido sorte para mim. O esforço e a carga que fiz pelos exercícios e pelos movimentos de perna foram tão intensos que destruí meu quadril... a vida é uma coisa intrigante! 

Pode ser que o desejo de terminar algo que iniciei na juventude tenha me tirado o sonho de treinar e correr uma maratona... Talvez não possa nem levar uma vida normal em breve... (e correr é/era uma das coisas mais importantes de minha vida!)

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O QUE EU SEI É... 

Sobre gostar de estudar e ler - e depois peguei gosto em escrever -, acabei sendo um dirigente sindical que se dedicou a ler e estudar pra caralho! 

Durante os 16 anos de exercício de mandatos eletivos estudei tudo que pude sobre o sindicato e a categoria na qual trabalhei, a central sindical e o partido político aos quais dediquei o melhor de minha vida adulta, e depois estudei como um louco a autogestão em saúde à qual me colocaram como candidato para ser gestor e fui eleito.

Como tomei gosto em escrever o que fui aprendendo e refletindo, acabei por criar páginas na internet que chamamos de blogs (diários) e fui escrevendo nos blogs aquilo que conceitualmente é chamado de "WIKIPEDIA".

O que é "WIKIPEDIA"? É o compartilhamento de forma gratuita daquilo que a pessoa sabe. É uma espécie de biblioteca livre. Eu sempre quis ser alguém do mundo do saber e partilhar conhecimento para melhorar as pessoas e o mundo.

Ou seja, seus conhecimentos ou uma coletânea de textos seus partilhando o que você sabe. What I Know Is (WIKI).

Então, passei os últimos vinte anos fazendo isso: compartilhando o que eu sei ou o que li ou o que eu aprendi ou o que eu pensava a respeito de algo.

Acumulei mais de cinco mil textos nos dois blogs que administro há duas décadas. É uma vida escrevendo honestamente o que aprendi na minha jornada de existir. 

E por mais que meus textos já tenham desempenhado um dos objetivos de um texto, ser lido por alguém, e já foram mais de 2,5 milhões de acessos aos textos, eu preciso sistematizar e organizar tudo que escrevi em minha vida. Nem eu me lembro de tudo que escrevi. E tem muita coisa boa quando releio.

Escrevi quando estava no auge de minha capacidade intelectiva e sendo uma liderança nacional de uma importante categoria profissional de trabalhadores. Tanto o blog com a história sindical quanto o blog de cultura contêm textos de alguém politizado e que fala a partir de um lado definido da sociedade humana: um homem de esquerda, humanista e amante da leitura.

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ESTUDAR FORMALMENTE OU BUSCAR SENTIDOS E CRIAR SENTIDOS EM MINHAS TRILHAS INTELECTIVAS?

Os impulsos de minha natureza curiosa e desejosa de novos conhecimentos arrefeceram com a experiência de vida... arrefeceram um pouco, quero dizer. 

Mesmo neste ponto de minha existência, quando relaxo a vigilância, já me inscrevi em algo para iniciar nova jornada de estudos... imaginem que pensei em fazer Fuvest para voltar à USP e fazer História o ano passado! Vi que isso era um devaneio e me contive. 

Cochilei, e quando vi estava inscrito na Pós ICL... eu gosto de estudar, é verdade! Mas uma pós-graduação é uma coisa puxada, com carga formal de estudos a fazer. Óbvio que isso define o tempo de uma pessoa ao longo de um período. 

O dilema de sempre já me cobra o juízo. O que é prioridade? Minha produção de uma vida ou os novos conhecimentos da Pós? "Deixa de ser mole, William... faz as duas coisas!" Meu corpo cansou sem combinar comigo. 

E minhas pilhas de livros que gostaria de ler? Os clássicos, pelo menos? Os Miseráveis, Guerra e Paz, Doutor Fausto, A Divina Comédia...

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A URGÊNCIA DA VIDA AGORA

Há poucas semanas, senti uma urgência em trabalhar a sistematização de minha produção cultural. A urgência é uma espécie de percepção da emergência do instante no qual estou vivo e podendo fazer isso. Não sei do amanhã. Do meu amanhã.

Ao reler e sistematizar os 141 textos produzidos no blog A Categoria Bancária entre os anos de 2020 e 2025 (ilustração), eu tenho a exata consciência de que aquele conteúdo não deveria ser desprezado porque ali contém história de nossa classe social, da comunidade de trabalhadores do Banco do Brasil, da militância de esquerda que estuda e pensa o país e o mundo. 

CASSI/BB - Sinceramente, acho pouco provável, de verdade, que alguém já tenha escrito tanto sobre a Cassi como eu nos 80 anos da Caixa de Assistência dos Funcionários do Banco do Brasil. Difícil. São centenas de textos técnicos e políticos de alguém que tem lado, textos escritos na última década. 

Deixo isso se perder? Por mais que os que estejam no poder momentâneo façam questão de desconsiderar a história da Cassi contida ali? Tenho esse direito? Só sei o que sei sobre a Cassi porque me elegeram para estar lá um dia.

...

É isso. Ainda estou por aqui. Sigo refletindo sobre tudo.

Tenho consciência de que minha coletânea de texto (minha wikipedia) contém uma partezinha da história de nossa classe.

William


domingo, 5 de janeiro de 2025

Diário e reflexões - Companheiro Cezinha, presente!



Refeição Cultural

Domingo, 5 de janeiro de 2025.


Hoje foi o velório e sepultamento do companheiro Cezinha. Grande ser humano, um militante histórico da classe trabalhadora. Encontrei pessoas com as quais compartilhei duas décadas de vida, pessoas queridas.

Cezinha estará sempre em nossos corações como uma daquelas pessoas imprescindíveis nas lutas por um mundo melhor e mais justo para os trabalhadores. 

Cada amigo e companheiro de lutas do Cezinha acabou contando algum "causo" que viveu com ele nas atividades sindicais, pois sua presença sempre foi muito contagiante em qualquer ambiente onde ele se encontrava.

Minha lembrança com o Cezinha é daquelas boas de se recordar. Estávamos na 1ª caravana da classe trabalhadora a Brasília em 2004 para reivindicarmos uma política de valorização e aumento real do salário mínimo. Choveu muito e estávamos ensopados.

Cezinha honrou essa bandeira!

Nossa história foi a seguinte: estávamos com muitos companheiros idosos, os velhinhos da companheira Glória Abdo, como chamávamos carinhosamente as caravanas organizadas pela Glorinha.

Entramos na Catedral Metropolitana de Brasília - aquela do Oscar Niemeyer - para que o pessoal pudesse ir ao banheiro. 

De repente, o padre responsável barrou o pessoal e de forma arrogante informou que em dia de atividades populares na Capital do país, ele mandava fechar os banheiros.

Cezinha e eu começamos a discutir com o padre e tentar um acordo com ele para deixar pelo menos os mais idosos utilizarem o banheiro.

O padre bateu o pé e disse que ninguém utilizaria os banheiros naquele dia. Nossos companheiros ficaram revoltados.

Cezinha e eu usamos de todos os argumentos possíveis, até relembrando os evangelhos e as palavras de Cristo... o homem era de coração empedernido, um burocrata da fé.

Alguns companheiros idosos revoltados ameaçaram até mijar nas paredes já que o padre não permitia usar os banheiros naquele dia.

Enfim, o evento todo virou um "causo" para ser contado depois.

A companheirada teve que achar outro local para usar os banheiros. A burocracia é assim, burocrata algum se preocupa com o povo, em primeiro lugar vêm sempre as coisas mundanas, o mundo material.

Grande Cezinha! Estará sempre em nossas lembranças, meu amigo! Foi muito bonito ver as bandeiras da CUT, do PT e do Sindicato junto ao militante histórico.

Nossa solidariedade aos seus filhos e familiares. Companheiro Cezinha, presente!

William Mendes


sábado, 21 de dezembro de 2024

Diário e reflexões



Reminiscências (1) 

1. Olhando papéis velhos, li uma matéria sobre um encontro de associados da Cassi e Previ, organizado pela Afabb-SP, em 27 de novembro de 2017, em parceria com outras entidades representativas, ocorrido em Ribeirão Preto (SP), no qual fiz grande esforço para participar porque a empresa aérea havia cancelado o voo. Dei um jeito e fui. O público me aguardou. Fiz esse trabalho de base por 4 anos, pouco dormi, e era acusado pelos adversários políticos de não trabalhar. Foi um reconhecimento que registrei no meu blog à época (ler aqui), os associados me aguardaram duas horas. Nosso mandado foi muito fiel aos princípios éticos que aprendemos durante nossa vida de sindicalista da CUT. 

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2. Em outro momento, a nossa Afabb-SP, gentilmente, abriu espaço em sua revista, edição 154 de maio/junho de 2018, para fazermos uma avaliação do período no qual estivemos à frente da Diretoria de Saúde da Cassi. Os avanços políticos e técnicos na gestão do modelo de saúde foram reconhecidos por boa parte das dezenas de entidades representativas e dos associados da autogestão. Fomos reconhecidos até por instituições relevantes como ANS e OPAS. No entanto, a questão econômico-financeira - o déficit - ocupou o foco das atenções à época. Pautou as eleições, inclusive. Fizemos o que foi possível ser feito na área da saúde, mesmo sem recursos adequados. 

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3. Estava olhando o conteúdo de uma grossa apostila de estudos para concursos públicos, mais ou menos do ano 1999/2000, e fiquei impressionado comigo mesmo. Eu estudei aquilo tudo e não foi à toa que tive capacidade técnica de enfrentar os grandes debates que enfrentei como gestor da Cassi entre 2014/2018 e os patrões banqueiros por mais de uma década. Acumulei grande conhecimento que me foi útil como dirigente da classe trabalhadora. Direito tributário, constitucional, comercial, auditoria, contabilidade, economia, SFN etc. Quando enfrentei o lawfare que inventaram para me impedir de defender os direitos dos associados da Cassi ao final do mandato (cartinha anônima) peitei até o canalha da auditoria que agiu de má-fé e fora das normas para participar do conluio armado contra mim. Enfim, estudei muito nesta vida... conhecimento sempre tem sua valia. (post scriptum: doei a apostila)

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Sempre que olho para trás, sinto que contribuí para as grandes questões da classe trabalhadora.

Foi a coisa certa a ser feita.

William Mendes

21/12/24

quarta-feira, 28 de agosto de 2024

95 de 100 dias


Dois bancários de muitas lutas no currículo. 


95. Almocei com o amigo Élcio, comemos uma tradicional feijoada paulista nesta quarta-feira fria.

Hoje é um dia especial para a classe trabalhadora brasileira, dia de aniversário de 41 anos da criação de nossa Central Única das e dos Trabalhadores (CUT). A nossa Central é estratégica para as nossas causas do mundo do trabalho. Desejo vida longa e combativa a CUT.

Hoje também é um dia especial para a nossa categoria profissional, 28 de agosto é dias das bancárias e bancários. Fiz parte de décadas de lutas da categoria, primeiro no Unibanco e depois no Banco do Brasil. 


Ao longo de duas décadas, representei dezenas de milhares de colegas da ativa e aposentados do BB em mandatos eletivos. O que sou como pessoa e cidadão é fruto dessa história de lutas.

Dos 101 anos de existência de nosso Sindicato e dos 41 anos de história de nossa Central, podem me incluir em três décadas das lutas e conquistas (e derrotas) que o movimento sindical lida no dia a dia de busca por mais direitos no mundo do trabalho e na sociedade como um todo.

FENABAN E BANCÁRIOS 

E por falar em lutas por direitos, a categoria bancária está em negociações com banqueiros e governo pela renovação da Convenção Coletiva de Trabalho e aditivos por bancos e até hoje o patronato que mais ganhou dinheiro no Brasil não apresentou proposta com índices e direitos que permitam apreciação da categoria em assembleias. 

É isso! Parabéns às bancárias e bancários e à nossa CUT!

William Mendes 

Em São Paulo, peço voto e apoio a Luna Zarattini 13131 e Boulos 50


domingo, 30 de junho de 2024

36 de 100 dias



36. Hoje vi mais alguns vídeos sobre temas da luta sindical. O material que assisti faz parte da mídia audiovisual que estou organizando para um pequeno centro de documentação. Vamos ver o quanto vou avançar em meu cedoc durante os 100 dias.

Estou mexendo em tipos variados de materiais. Como já disse em meus textos que abordam o meu desejo antigo de ser menos ignorante, fui acumulando textos e temas de áreas diversas do conhecimento humano porque queria de verdade ler e passar a saber sobre aqueles temas estudados. Não foi possível, claro. Tinha que fazer as obrigações de meus contratos sociais.

Um amigo do banco, que é muito mais prático que eu, me diz para me desfazer dos meus acervos sem dó, pois os materiais já serviram ao seu propósito ao me auxiliarem a ser o dirigente sindical que fui. Se eu pensar bem a respeito do argumento dele, diria que ele tem razão, ao menos em parte, no que se referiria aos materiais relacionados à política e ao sindicalismo. Ficariam os materiais ligados à cultura, literatura etc.

Já pensei nisso várias vezes. E quando chega a hora H, vacilo, e não me desfaço dos materiais que têm relação com o período de minha existência no qual eu mais experimentei a sensação de ter significado alguma coisa na sociedade humana. É foda!

Chega por hoje. Feito o registro de meus trabalhos.

William


Cedoc do Refeitório Cultural (3)



Refeição Cultural

Estou organizando meu centro de documentação (cedoc). Ao longo de minha existência como membro das classes subalternas do Brasil, nascido no seio da classe trabalhadora, fui sobrevivendo de bicos e trabalhos precários desde a infância até que me fixei no mundo do trabalho como bancário de um banco público, o Banco do Brasil.

A oportunidade de ter me tornado bancário foi o divisor de águas em minha vida, ainda mais quando me tornei representante de meus colegas como dirigente sindical eleito por eles. Poderia ter seguido a trajetória da imensa maioria das pessoas de minha classe e ser hoje uma pessoa despolitizada e até de direita. Isso é o mais comum. Por sorte, me tornei uma pessoa de esquerda. Sou um homem de sorte.

Aos poucos, vou catalogando meu acerto de mídias audiovisuais e em outros formatos como livros, revistas, apostilas etc.

Nesta postagem incluo mais vídeos que tenho e cujos conteúdos são muito interessantes e fazem a pessoa que os assiste relembrar momentos importantes de nossas lutas de classes, nossas estratégias e eixos temáticos focados em determinados períodos políticos e sociais do país e que de certa forma foram sementes plantadas por nós nas últimas duas décadas.

William

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FILMES E DOCUMENTÁRIOS

(Audiovisual)

9. SEMINÁRIO ESTADUAL DE COMBATE AO RACISMO (SINDAE - BA)

No vídeo "As questões raciais e o saneamento ambiental", gravado entre os dias 18 e 19 de novembro de 2009, vemos o engajamento do Sind. Trab. em Água, Esgoto e Meio Ambiente no Estado da Bahia com as temáticas centrais do meio ambiente e do combate ao racismo em todas as suas formas.

Me lembro bem do quanto as baianas e baianos são organizados em suas bases sindicais. Quando era secretário de formação da Contraf-CUT tive o privilégio de ser palestrante em eventos do pessoal do campo em Feira de Santana.

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10. DIA MUNDIAL DA ÁGUA - IX GRITO DA ÁGUA 2009

Outro vídeo importante do SINDAE pela temática que aborda. Quinze anos depois do registro dos baianos de suas lutas pela manutenção da água como um bem público, vivemos no Estado de São Paulo uma tragédia com a privatização da SABESP promovida pelo governo estadual e do município de São Paulo. 

Enquanto o mundo se preocupa com a preservação desse recurso reestatizando empresas de água, a extrema-direita paulista foca em esgotar a água enquanto houver o recurso para vender e faturar bilhões para poucos capitalistas.

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11. 7º ENCONTRO NACIONAL SOBRE A MULHER TRABALHADORA DA CUT

Neste vídeo que registra o encontro das companheiras quase duas décadas atrás, ocorrido em Brasília, entre 25 e 27 de novembro de 2005, vemos o quanto a nossa Central foi vanguarda no debate da questão de gênero e nos direitos plenos das mulheres.

Nossa categoria bancária, por exemplo, avançou muito na questão do empoderamento das companheiras nos espaços de representação e decisão em nossas entidades sindicais.

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12. ASSÉDIO MORAL - UM RISCO INVISÍVEL

Vídeo faz registro histórico de nossas lutas de combate ao assédio moral no mundo do trabalho. O evento ocorrido em outubro de 2005 contou com a participação de especialistas na área, como o professor e Dr. José Roberto M. Heloani, e lideranças da classe trabalhadora, unidos para obter avanços que coíbam essa prática criminosa que pode levar pessoas à morte.

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13. TERCEIRIZAÇÃO NO SETOR BANCÁRIO

O vídeo que trata das causas e efeitos da terceirização no Brasil e das relações de emprego, condições de trabalho e ação sindical, principalmente no setor financeiro do país é um registro fundamental para entendermos como atuam os donos do capital e do poder econômico para eliminar qualquer avanço que a classe trabalhadora conquista com sua organização e luta por uma vida mais justa.

O documentário é baseado na dissertação de mestrado de Ana Tércia Sanches, amiga e companheira de longa data do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e região.

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Audiovisual catalogado anteriormente (ver postagem aqui)

1. HISTÓRIAS E SONHOS COM TODAS AS LETRAS (EJA)

2. 1º DE OUTUBRO DE 1981 - DIA NACIONAL DE LUTA (DF)

3. POR DENTRO DO SISTEMA (FINANCEIRO)

4. A GRANDE VIRADA - 30 ANOS DA RETOMADA (BANCÁRIOS DE SP)

5. A DÉCADA DA PERVERSIDADE (BRASIL E RS, DE COLLOR A FHC)

6. MEMÓRIA SINDICAL - AUGUSTO CAMPOS 

7. PALESTRA DE PHA NO LANÇAMENTO DE "O QUARTO PODER"

8. 30 ANOS DEPOIS LULA RELEMBRA A 1ª CONCLAT


Cedoc do Refeitório Cultural


sexta-feira, 21 de junho de 2024

Cedoc do Refeitório Cultural (1)



Refeição Cultural

Ao longo de décadas, o autor deste blog de cultura adquiriu diversos materiais de leitura e estudos das mais diversas áreas do conhecimento humano.

Por quase duas décadas, venho publicando com certa regularidade textos em dois blogs, um de cultura e outro sindical. Tenho ainda um terceiro blog focado em imagens, mas neste a frequência das publicações é bem menor.

Avalio que seja interessante organizar o conjunto dos materiais de mídias culturais que acumulei e produzi ao longo da vida de estudos e buscas por conhecimento. 

Boa parte do que tenho de mídia influenciou de alguma forma o que postei no blog Refeitório Cultural, a partir de 2007, e no blog A Categoria Bancária, a partir de 2006. Passar a escrever de forma pública foi uma oportunidade para me desenvolver enquanto pessoa e como dirigente de uma categoria profissional.

Então, agora, é começar a organização do centro de documentação que foi referência e bibliografia básica daquilo que produzo de textos há bastante tempo nestas páginas de cultura, conhecimento e opinião.

William Mendes

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Paulo Henrique Amorim
e "O quarto poder"

FILMES E DOCUMENTÁRIOS 

(Audiovisual)

Vi nestes dias documentários muito bons e alguns deles com histórias incríveis da classe trabalhadora.

1. HISTÓRIAS E SONHOS COM TODAS AS LETRAS

Documentário apresenta o projeto de alfabetização de jovens e adultos "Todas as Letras" entre os anos de 2005 e 2008. Foram mais de 200 mil pessoas beneficiadas pelo projeto.

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2. 1º DE OUTUBRO DE 1981 - DIA NACIONAL DE LUTA (DF)

Documentário produzido pelos companheiros de Brasília sobre a mobilização organizada por integrantes da Comissão Nacional Pró-CUT formada a partir da Conferência Nacional da Classe trabalhadora (Conclat), realizada em agosto de 1981, na Praia Grande, SP. Há no vídeo depoimentos bem legais.

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3. POR DENTRO DO SISTEMA

O vídeo é um documentário sobre o Sistema financeiro do Brasil, passando pelas principais mudanças estruturais e os impactos sobre o mundo do trabalho e a organização sindical até a criação da Contraf-CUT, em 2006. Eu era secretário de imprensa da nossa confederação. 

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4. A GRANDE VIRADA - 30 ANOS DA RETOMADA

Documentário organizado pelo Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e região para comemorar os 30 anos da vitória da nossa chapa de oposição nas eleições de 1979. O vídeo original foi produzido em 1989 e foi vencedor do prêmio Vladimir Herzog. Eu fazia parte da direção do Sindicato em 2009.

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5. A DÉCADA DA PERVERSIDADE (BRASIL E RS, DE COLLOR A FHC)

O vídeo foi produzido pelo SindBancários em 2010 abordando a terrível década dos anos noventa fazendo um contraponto com a década de oitenta, sendo esta de grandes manifestações e avanços populares conseguidos através de grandes mobilizações do povo brasileiro.

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6. MEMÓRIA SINDICAL - AUGUSTO CAMPOS

O documentário foi produzido por Crivelli Advogados Associados em parceria com o Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e região em 2014 e traz entrevistas com a grande liderança e figura humana Augusto Campos. Muita emoção neste material. A matriz de meu fazer político e sindical na categoria bancária vem de pessoas como Augusto Campos e Luiz Gushiken.

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7. PALESTRA DE PAULO HENRIQUE AMORIM: LANÇAMENTO DO LIVRO "O QUARTO PODER", NO CEARÁ

É um privilégio ter o vídeo do bate-papo do grande jornalista PHA no Ceará, ocorrido em 18 de setembro de 2015. Eu estava na cidade, em Fortaleza, para participar da VIII Conferência de Saúde da Cassi no Estado e após o encerramento de nosso evento, ainda peguei a parte final da apresentação do jornalista.

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8. 30 ANOS DEPOIS LULA RELEMBRA A 1ª CONCLAT

Uma das preciosidades que tenho em meu cedoc é o vídeo com o presidente Lula comentando a 1ª Conferência Nacional da Classe Trabalhadora, ocorrida em agosto de 1981 na Praia Grande, SP. O documentário foi produzido em 2011 pela CUT e pela Tatu Filmes.

Quando vi pela primeira vez o documentário, senti emoções inesquecíveis. Era secretário de formação da Contraf-CUT e ao ver as imagens e os debates dos trabalhadores que culminaram com a criação de uma Comissão Nacional Pró-CUT, me vi naquelas concepções e práticas sindicais, senti um pertencimento incrível ao que fazia como dirigente de uma categoria nacional 30 anos depois daquele evento divisor de águas no sindicalismo brasileiro.

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Aos poucos, irei organizar o centro de documentação (cedoc) que foi referência e fonte de cultura e informações para o autor dos blogs Refeitório Cultural e A Categoria Bancária.


Post Scriptum: o texto seguinte sobre meu cedoc pode ser lido aqui.


terça-feira, 11 de junho de 2024

17 de 100 dias



17. Uma das coisas que estou fazendo mais uma vez e quem sabe agora eu vá adiante nesses 100 dias de busca de sentidos é manusear e definir o que faço com a grande quantidade de mídias que tenho guardadas em casa sobre a história do movimento sindical e dos trabalhadores do Brasil. Ainda tenho que ver o que farei com as pilhas de materiais xerocados da Faculdade de Letras e com as centenas de revistas que tenho.

Estou apartando um grupo de materiais de formação para enviar a um companheiro de Belém (PA) que demonstrou interesse pelo material que anunciei e estou preparando outro grupo de materiais para um companheiro e amigo do BB de Guarulhos, aqui na região metropolitana de São Paulo. E um amigo do sindicato me pediu o material específico que tenho sobre negociação coletiva.

Seguindo no manuseio das mídias de estudos e cultura do mundo do trabalho, vou organizar um pequeno cedoc próprio, catalogado para facilitar o uso. Parte do que estou avaliando vai ficar neste meu acervo cultural.

Somarei ao cedoc os cadernos dos blogs de cultura e sindical, que tenho revisado e impresso aos poucos. Esse trabalho de organização vai compilar de certa forma minha formação política e cidadã dos últimos vinte e poucos anos de vida, a fase adulta de maior produção intelectual deste homo sapiens.

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A DÉCADA DA PERVERSIDADE (BRASIL E RS, DE COLLOR A FHC)

Hoje vi o vídeo produzido em 2010 pelo SindBancários abordando a terrível década dos anos noventa fazendo um contraponto com a década de oitenta, sendo esta de grandes manifestações e avanços populares conseguidos através das mobilizações do povo brasileiro.

O documentário tem quase uma hora e os depoimentos me fizeram recordar um período duro de nossas vidas de classe trabalhadora. Além de Collor, tivemos os dois governos do Fernando Henrique Cardoso, de privatizações e ataque violento aos direitos do povo trabalhador. Durante aquele período, dezenas de pessoas cometeram suicídio nas empresas públicas que sofreram processos de enxugamento e assédio moral institucional. Foi terrível!

É isso!

William


segunda-feira, 10 de junho de 2024

16 de 100 dias



16. Fiquei sensibilizado com o depoimento de um amigo escritor ao comentar que seu livro lançado no ano passado teve a tiragem de algumas dezenas de unidades. Muito pouco se avaliarmos a excelência do conteúdo. Foi um livro que me fez rir muito e eu considero o livro uma obra de arte. O trabalho que ele teve de pesquisa para produzir a obra é inimaginável para quem não acompanha o dia a dia da produção de uma obra cultural. É decepcionante isso! Deixa a gente desanimado com relação ao mundo humano. Eu fico desanimado com isso. (estou falando do livro do amigo Roberto Buzzo)

Uma das coisas que tenho refletido para a sequência de minha hipotética existência é justamente atuar com a produção de textos, escrever. E tenho noção da história da leitura no Brasil. Nossos principais escritores não viveram de suas produções de cultura para o povo brasileiro. Eram empregados de repartições públicas ou tinham algum tipo de rendimento que lhes permitiam sobreviver sem precisar de um tostão que fosse de suas criações culturais. Aliás, muitos de nossos escritores bancavam edições de suas obras com recursos próprios para presentearem a um pequeno grupo de amigos. Essa é a realidade tristíssima da produção cultural do nosso país.

Por esse motivo e por outros, não pretendo fazer lançamento nem estardalhaço a respeito de uma edição impressa de minhas memórias sindicais, textos que produzi em um de meus blogs durante a pandemia de Covid-19. Gastei boa soma de recursos próprios para confeccionar a edição em livro. Vou fazer algumas unidades e presentear pessoas que demonstrarem interesse em ler o livro.

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MEU CEDOC

Em relação aos materiais sindicais e de formação que estou organizando para doar às pessoas que demonstraram interesse neles, vi hoje mais um vídeo excelente!

O documentário "Por dentro do $istema", feito pela Contraf-CUT em julho de 2006 é uma aula de história sobre o Sistema Financeiro do Brasil, os bancos que atuaram aqui desde 1808 e sobre as lutas da categoria bancária. Que vídeo legal!

É um material muito bom para ser visto e servir como suporte de formação. Como tenho duas cópias, vou doar uma e deixar a outra em meu cedoc.

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Outro vídeo que assisti é o documentário do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e região comemorativo dos "30 anos da retomada" do sindicato das mãos dos pelegos no final dos anos setenta, na eleição de 1979, vencida pela nossa oposição.

Que vídeo bacana! Quanta história!

No vídeo original, feito em 1989, vemos Luiz Gushiken, Gilmar Carneiro, Tita Dias, Lucas Buzato e Luizinho Azevedo falando sobre aquela luta histórica.

Num momento, vemos a companheira Tita Dias falando sobre as intervenções do regime ditatorial nos sindicatos dos bancários de São Paulo, metalúrgicos do Abc, metroviários de São Paulo e petroleiros de Campinas.

Material incrível! 

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Vou doar uma parte dos materiais de história e política que acumulei durante anos de representação sindical.

No entanto, decidi ao começar a manusear o material que preciso guardar uma parte comigo. Nunca se sabe o dia de amanhã. Vou catalogar o material de cultura que tenho, incluindo livros e mídias diversas.

No dia em que faltar, até para se desfazer do material, a família terá um conhecimento melhor do que tem. De repente, alguma entidade de classe ou alguma pessoa receba o material de cultura.

William


quarta-feira, 5 de junho de 2024

11 de 100 dias



11. Ao ler a história contada por quem a faz, no livro "A geração que criou a CUT", fico pensando o quanto é importante para alguém que não nasceu em berço de ouro, berço burguês, conhecer a história da classe trabalhadora. Entendo que a história do mundo do trabalho é tão importante para nós quanto os mitos são importantes para as pessoas místicas. As histórias, verdadeiras ou inventadas, dão sentido às coisas do mundo humano. 

Ao ler a história da Central Única dos Trabalhadores contada por alguns bancários entrevistados no livro confirmo o quanto fui um privilegiado em fazer parte dessa categoria de trabalhadores que contribuiu bastante para a história dos direitos do mundo do trabalho no Brasil, direitos sociais, e contribuiu para os direitos políticos e civis do povo brasileiro. Que riqueza a história da categoria bancária!

As histórias mexem com a gente! Só para citar um exemplo nesta postagem, tem a do Luizinho Azevedo, companheiro do Banco do Brasil. Ele nos conta que tomou posse em 1974 na agência da Antônio Agú, em Osasco. A mesma agência na qual vivi um dos momentos mais bonitos de minha vida de sindicalista, em 2010. Em uma reunião com dezenas de colegas, após chorarmos juntos, convenci todo mundo a sair do ponto e entrar naquela greve. Marcou minha vida!

Temos no livro as histórias dos companheiros Gilmar Carneiro, Jacy Afonso, Cyro Garcia e dezenas de outras companheiras e companheiros da classe trabalhadora. Já li e escrevi emocionado sobre Avelino Ganzer, figura histórica da Central Única dos Trabalhadores e da Confederação Nacional dos Trabalhadores da Agricultura (CONTAG). Ler comentário aqui.

Estou refletindo sobre o que fazer de minha vida e talvez eu avalie que ler e escrever seja a maneira de contribuir para a coletividade neste momento de minha existência. Amigas e amigos leitores, conhecimento é fundamental para libertar a classe trabalhadora da alienação e manipulação por parte dos donos do poder político e econômico em nosso mundo.

Entendo ser de muita responsabilidade o papel de cada bancária e bancário que se encontra neste momento participando dos congressos dos bancos públicos BB e Caixa aqui em São Paulo. É só tomarmos conhecimento do papel que os bancários sempre tiveram na vanguarda do movimento sindical brasileiro para compreendermos a responsabilidade de cada um e cada uma na organização das lutas em nossa categoria.

Desejo sabedoria para o conjunto dos participantes dos congressos de trabalhadoras e trabalhadores.

William Mendes


terça-feira, 29 de novembro de 2022

Concepção e prática sindical



Refeição Cultural

Osasco, 29 de novembro de 2022. Terça-feira.


Quando acordei nesta manhã de terça percebi que estava sonhando com o universo do movimento sindical do qual saí faz alguns anos e no qual me transformei na pessoa que sou. O tempo passa e quando me apercebo de mim estou às voltas com aquilo que sou, uma pessoa comum que teve a oportunidade de ser um sindicalista e que voltou ao seu universo dos comuns retirados do dia a dia do mundo do trabalho.

Outro dia, um companheiro do movimento me contatou e me pediu que lhe enviasse alguma coisa, algum material ou algum roteiro formativo a respeito de concepção e prática sindical. Como atuei na área de formação sindical por dois mandatos na confederação dos bancários poderia ter algum material disponível para ser usado como referência ou como um esboço a ser atualizado para os objetivos pretendidos pelo dirigente e seu sindicato.

Material do movimento sindical e da história da categoria bancária tenho um monte, tenho quantidades grandes de materiais com a história de nossa categoria. Depois do contato com o companheiro dirigente dei uma olhada em meus guardados e fiquei ali viajando para o passado de uma categoria que foi muito vanguarda na organização da classe trabalhadora. Os bancários tiveram lideranças criativas e que contribuíram muito na luta entre capital e trabalho e na criação e ampliação de direitos sociais do povo brasileiro.


Ao mesmo tempo em que avaliava um pouco dos materiais que tenho percebia que não tinha algo pronto e sintético a respeito do tema concepção e prática sindical. Para organizar um curso sobre essa temática seria interessante que pessoas do movimento e da área de formação se sentassem juntas e discutissem um pouco a respeito do que querem para o curso, qual o objetivo, qual o público participante e questões do tipo para estabelecer o que seriam as questões centrais no momento atual do mundo do trabalho, sindical e político.

O Dieese seria um excelente parceiro dos dirigentes sindicais para desenvolver um programa de formação a respeito de concepção e prática sindical; o mundo acadêmico também teria contribuições importantes. E lideranças do passado e do presente também podem contribuir muito para juntos com os parceiros da área de educação, história e formação pensarem um programa que preparasse as lideranças da classe trabalhadora para os desafios do momento atual de um mundo com o declínio do trabalho formal e sem direitos sociais e com a redução drástica da necessidade de mão de obra humana em diversas áreas da vida social.

A quantidade enorme de materiais que tenho sobre a construção da estrutura sindical bancária desde o final dos anos setenta e início dos anos oitenta, o chamado período do Novo Sindicalismo, a criação do PT, a criação da CUT e do DNB e depois CNB e atual Contraf-CUT etc seriam subsídios à disposição da parte histórica de um curso de concepção e prática sindical, principalmente no âmbito da CUT e da categoria bancária.

É isso. Ao olhar para trás vejo que fui um trabalhador que teve a sorte ou o acaso de ouvir a militância e os dirigentes sindicais durante as três décadas que passei na categoria bancária e com essa oportunidade que a vida me proporcionou pude me politizar e ter um viver um pouco fora da curva do meio onde nasci e vivi, um ambiente despolitizado e de pessoas que acabaram sendo capturadas pelos donos do poder e se tornaram aquele segmento da classe trabalhadora que apoia a classe dominante. Fui salvo pelo mundo sindical e sou grato por essa oportunidade que tive.

William