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terça-feira, 7 de julho de 2026

Livro: Esquerdismo, doença infantil do comunismo - Vladímir Ilitch Lênin



Refeição Cultural

LITERATURA POLÍTICA


INTRODUÇÃO 

As reflexões e ensinamentos do grande líder revolucionário russo Vladímir Ilitch Lênin, que além de ser um homem da práxis era um intelectual orgânico do movimento de esquerda internacional, sempre foram referências para nós da esquerda brasileira. 

A minha formação política não foi revolucionária, devo registrar essa questão logo de cara em meus comentários sobre a leitura do livro Esquerdismo, doença infantil do comunismo, texto escrito por Lênin em 1920. Fui politizado pelo movimento sindical bancário, na corrente política Articulação Sindical da CUT, corrente surgida em meados dos anos oitenta. 

Quando virei dirigente sindical da CUT, no início dos anos dois mil, já tinha mais de trinta anos de idade e uns doze anos de categoria bancária. Mesmo assim, foram necessários alguns anos de sindicalismo cutista para compreender o que eu era e representava, nossas concepções e práticas sindicais. 

O Novo Sindicalismo surgido nos anos setenta e oitenta, liderado por figuras como Lula dos metalúrgicos, Gushiken e Augusto Campos dos bancários, e outras lideranças da classe trabalhadora brasileira, tinha na sua práxis muito do que li nesta clássica obra de Lênin, mesmo não sendo um movimento revolucionário. 

A CUT nasceu com outra concepção sindical, principalmente sua corrente hegemônica, a Articulação Sindical. Os sindicatos tinham como prioridade conquistar direitos e melhores condições de trabalho e não o foco na revolução socialista, como um braço do partido revolucionário. 

Enfim, essa obra de Lênin sobre o esquerdismo infantil sempre balizou o nosso sindicalismo, principalmente no que diz respeito as estratégias e táticas para se alcançar os objetivos, tanto imediatos quanto históricos da classe trabalhadora. O que li não foi diferente do que ouvi, aprendi e pratiquei enquanto dirigente sindical cutista. 

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POR QUE LI AGORA O TEXTO DE LÊNIN?

Recentemente, em um evento internacional, o presidente Lula afirmou para lideranças políticas de grandes países, que nunca foi "esquerdista". Isso gerou diversas reações aos mais diversos espectros políticos que existem. 

Pela vivência e experiência ao ser militante cutista por décadas, entendi perfeitamente o que Lula disse, e é exatamente isso: Lula nunca foi um "esquerdista", num sentido muito parecido ao que Lênin desenvolve em seu texto: não fazer frentes com grupos diferentes mais à direita e ao centro; não disputar parlamentos e eleições burguesas; não fazer composições com pelegos para fazer parte de sindicatos etc.

A CUT e o PT também nunca foram "esquerdistas" no sentido leninista de táticas e estratégias. É a minha opinião. São de esquerda, mas construíram suas histórias de lutas e conquistas fazendo mobilizações com frentes amplas, compondo com forças políticas diferentes, participando de parlamentos e direções sindicais conservadores e "pelegos" em composições de chapas, organizando movimentos e negociando avanços para seus representados - a classe trabalhadora -, sempre construindo reivindicações que congregam questões imediatas e históricas e de interesse das classes populares. 

Comecei a ler o livro através de uma edição digital, no Kindle, e acabei comprando uma edição impressa, na qual finalizei a leitura. 

Aliás, edição espetacular a da série "Armas da crítica", Arsenal Lênin, da Boitempo, 2025. Recomendo!

Foi muito bom ler Esquerdismo, doença infantil do comunismo, de Vladímir Ilitch Lênin. 

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Apresentação 

O texto inicial de Atilio Borón na edição que adquiri da Boitempo foi muito esclarecedor sobre as ideias marxistas-leninistas.

Li a apresentação após o fim de minha leitura do livro e ensaio de Lênin no Kindle. São 30 páginas que agregam muita informação. 

Estava terminando a leitura na edição virtual quando decidi ter o livro "de verdade" rsrs, em edição impressa. 

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Apêndice - Sobre a doença infantil do "Esquerdismo" e o espírito pequeno-burguês

Texto de maio de 1918. Excelente e muito atual para pensarmos a China que chegou até aqui, na minha opinião.

Lênin aborda bastante o Capitalismo de Estado, etapa necessária para se chegar ao Socialismo de Estado. Algo assim, nas minhas palavras. 

Alguns excertos:

Correlação de forças 

"(...) Quando éramos representantes de uma classe oprimida, não adotávamos uma atitude leviana perante a defesa da pátria na guerra imperialista, negávamos por princípio essa defesa. Quando nos tornamos representantes da classe dominante que começou a organizar o socialismo, exigimos que todos tivessem uma atitude séria perante a defesa do país. E ter uma atitude séria perante a defesa do país significa preparar-se a fundo e ter rigorosamente em conta a correlação de forças. (...) Mas entre os 'comunistas de esquerda' não existe o menor indício de que compreendam a importância da questão da correlação de forças." (p. 162)

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Capitalismo ou Socialismo de Estado

"O socialismo é inconcebível sem a grande técnica capitalista baseada nas últimas descobertas da ciência moderna, sem uma organização estatal planificada que submeta dezenas de milhões de pessoas à mais rigorosa observância de uma norma única na produção e na distribuição dos produtos. Nós, marxistas, sempre falamos sobre isso, e não vale a pena perder nem sequer dois segundos conversando com gente que não compreende nem sequer isso (os anarquistas e uma boa parte dos socialistas-revolucionários de esquerda)." (p. 169)

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"(...) Pois o socialismo não é outra coisa senão o passo em frente seguinte a partir do monopólio capitalista de Estado. [...] O capitalismo monopolista de Estado é a mais completa preparação material do socialismo, é a sua antecâmara, é o degrau da escada da história sem nenhum degrau intermediário entre si e o degrau chamado socialismo.*" (p. 171/172)

*A catástrofe que nos ameaça e como combatê-la (1917), de Vladímir Ilitch Lênin 

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"De qualquer ponto que se aborde a questão, a conclusão é uma e só uma: o raciocínio dos 'comunistas de esquerda' sobre o 'capitalismo de Estado' ser uma ameaça é um completo erro econômico e uma prova clara de que eles são prisioneiros absolutos da ideologia pequeno-burguesa." (p. 172)

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Marx e a grande produção 

"(...) Marx tinha a mais profunda razão quando ensinava aos operários a importância de preservar a organização da grande produção para facilitar a transição ao socialismo..." (p. 174)

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"(...) Os operários não são pequenos burgueses. Não temem o grande 'capitalismo de Estado', apreciam-no como um instrumento seu, proletário, que o seu poder soviético utilizará contra a desagregação e desorganização dos pequenos proprietários." (p. 179)

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"(...) o socialismo é impossível sem aproveitar as conquistas da técnica e da cultura pelo grande capitalismo..." (p. 180)

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Lênin termina o texto explicando que os revolucionários russos precisaram naquele momento da história (1918 a 1920) dos conhecimentos dos capitalistas para aprenderem a técnica, coisa que os chineses fizeram por umas três décadas no final do século, até dominarem a economia mundial como vemos no século XXI.

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Comentário final 

Enfim, feita a leitura deste grande clássico da literatura política. Fiz mais três postagens no blog durante a leitura.

A obra de Lênin trouxe muitas explicações para o mundo que eu conheço na atualidade. Incrível!

Sigamos lendo e tentando conhecer a história e compreender o mundo. 

William 

06/07/26


Bibliografia:

LÊNIN, Vladímir Ilitch (1870-1934). Esquerdismo, doença infantil do comunismo. Tradução: Edições Avante!. 1. ed. - São Paulo: Boitempo, 2025.

sábado, 20 de junho de 2026

Sobre esquerdismo (2) - Lendo Lênin



Refeição Cultural

A importância do partido e dos sindicatos


Nesta postagem com alguns excertos do texto de Vladimir Lênin sobre a questão do Esquerdismo, doença infantil do comunismo (1920), vemos um dos líderes da Revolução Russa afirmar ser estupidez abrir mão da participação nos sindicatos considerados pelegos ou sob controle de burocracias ligadas às classes dominantes. Segundo Lênin, é fundamental disputar e conquistar sindicatos para politizar e influenciar as massas da classe trabalhadora.

O mesmo diz Lênin sobre a importância de um partido bem organizado e disciplinado, com apoio e confiança das massas, para derrotar as classes dominantes, não somente as elites da burguesia mas, sobretudo, os pequenos burgueses, que são muitos e que têm o hábito e as ideias da elite. Sindicatos e partido são essenciais para fazer a disputa ideológica no seio das massas proletárias e populares.

Bem interessante as explicações de Lênin. A primeira parte de minhas anotações pode ser lida aqui.

Eu mudei palavras do português de Portugal para o português brasileiro na hora de fazer as citações.

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EXCERTOS DE LÊNIN

Capítulo V - O comunismo 'de esquerda' na Alemanha. Chefes, Partido, Classe, Massas


"Os comunistas alemães, de quem vamos falar agora, não se chamam de 'esquerdistas', mas de 'oposição de princípio', se não me engano. Mas, pelo que se segue, pode-se ver que têm todos os sintomas da 'doença infantil do esquerdismo'."

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"Todo bolchevique que tenha participado conscientemente do desenvolvimento do bolchevismo desde 1903, ou que o tenha observado de perto, não poderá deixar de exclamar imediatamente, depois de haver lido tais opiniões: 'Que velharias conhecidas! Que infantilidades de 'esquerda'!"

Comentário: Lênin vai fazer algumas citações de um panfleto do grupo que se coloca como oposição ao Partido Comunista da Alemanha da época, 1920.

O grupo faz um questionamento separando o partido e a classe proletária, a transição entre o capitalismo e o socialismo, através da ditadura do proletariado, deveria ser conduzida por um ou outro...

Lênin vai falar da importância do Partido e dos sindicatos

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"Todos sabem que as massas se dividem em classes, que só é possível opor as massas às classes num sentido; opondo-se uma esmagadora maioria (sem dividi-la de acordo com as posições ocupadas no regime social da produção) a categorias que ocupam uma posição especial nesse regime; que as classes são geralmente e na maioria dos casos (pelo menos nos países civilizados modernos), dirigidas por partidos políticos; que os partidos políticos são dirigidos, via de regra, por grupos mais ou menos estáveis, integrados pelas pessoas mais prestigiosas, influentes ou sagazes, eleitas para os cargos de maior responsabilidade e chamadas de chefes. Tudo isso é o ABC, tudo isso é simples e claro. Que necessidade havia de trocar isso por tais confusões, por essa espécie de volapuk?*" 

* Volapuk - Idioma Internacional artificial inventado por Schleyer, em 1879. (Nota de Ediciones en Lenguas Extranjeras)

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"No fim da guerra imperialista e depois dela, manifestou-se em todos os países com singular vigor e evidência o divórcio entre 'os chefes' e 'a massa'. A causa fundamental desse fenômeno foi explicada muitas vezes por Marx e Engels, de 1852 a 1892, usando o exemplo da Inglaterra. A situação monopolista, desse país originou o nascimento de uma 'aristocracia operária' oportunista, semi-pequeno burguesa, saída da 'massa'. Os chefes dessa aristocracia operária passavam-se frequentemente para o campo da burguesia, que os sustentava direta ou indiretamente. Marx foi alvo do ódio, que lhe honra, desses canalhas, por havê-los qualificado publicamente de traidores."

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"A vitória do proletariado revolucionário torna-se impossível sem a luta contra esse mal, sem o desmascaramento, a desmoralização e a expulsão dos chefes oportunistas social-traidores; essa política, exatamente, foi a aplicada pela III Internacional."

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"Negar a necessidade do Partido e da disciplina partidária: eis o resultado a que chegou a oposição. E isso equivale a desarmar completamente o proletariado, em proveito da burguesia."

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"Suprimir as classes significa não só expulsar os latifundiários e os capitalistas - isso nós fizemos com relativa facilidade - como também suprimir os pequenos produtores de mercadorias; estes, porém, não se pode expulsar, não se pode esmagar; é preciso conviver com eles, e só se pode (e deve) transformá-los, reeducá-los, mediante um trabalho de organização muito longo, lento e prudente."

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"Para fazer frente a isso, para permitir que o proletariado exerça acertada, eficaz e vitoriosamente sua função organizadora (que é sua função principal), são necessárias uma centralização e uma disciplina severíssimas no partido político do proletariado."

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"A força do hábito de milhões e dezenas de milhões de homens é a força mais terrível. Sem partido férreo e temperado na luta, sem um partido que goze da confiança de tudo que exista de honrado dentro da classe, sem um partido que saiba tomar o pulso do estado de espírito das massas e influir nele é impossível levar a cabo com êxito essa luta."

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"No IX Congresso de nosso Partido (abril de 1920) houve uma pequena oposição que também se pronunciou contra a 'ditadura dos chefes', a 'oligarquia', etc. Não há, portanto, nada de surpreendente, nada de novo, nada de alarmante na 'doença infantil do 'comunismo de esquerda' entre os alemães."

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Capítulo VI - Os revolucionários devem atuar nos sindicatos reacionários?


"Obtém-se, no conjunto, um dispositivo proletário, formalmente não comunista, flexível e relativamente amplo, poderosíssimo, por meio do qual o Partido está estreitamente ligado à classe e às massas, e através do qual se exerce, sob a direção do Partido, a ditadura da classe. É claro que nos teria sido impossível governar o país e exercer a ditadura, já não digo dois anos e meio, mas nem sequer dois meses e meio, se não houvesse a mais estreita ligação com os sindicatos, seu apoio entusiasta, seu abnegadíssimo trabalho tanto na organização econômica como na militar."

Comentário do blog: lembrando que o texto de Lênin é de 1920 e a Revolução havia ocorrido em outubro de 1917.

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"Consideramos que o contato com as 'massas' através dos sindicatos não é suficiente. No transcurso da revolução criou-se em nosso país, na prática, um organismo que procuramos manter a todo custo, desenvolver e ampliar: as conferências de operários e camponeses sem partido, que nos possibilitam observar o estado de espírito das massas, aproximarmo-nos delas, corresponder a seus desejos, promover aos postos do Estado seus melhores elementos, etc."

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"Depois, por meio desses sindicatos de indústria, será iniciada a supressão da divisão do trabalho entre os homens, a educação, instrução e formação de homens universalmente desenvolvidos e universalmente preparados, homens que saberão fazer tudo. O comunismo marcha e deve marchar para esse objetivo, que será atingido, embora somente dentro de muitos anos."

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"O desenvolvimento do proletariado, porém, não se realizou, nem podia realizar-se, em nenhum país de outra maneira senão por intermédio dos sindicatos e por sua ação conjunta com o partido da classe operária."

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"Mas sustentamos a luta contra a 'aristocracia operária' em nome das massas operárias e para colocá-las ao nosso lado; sustentamos a luta contra os chefes oportunistas e social-chauvinistas para ganhar a classe operária. Seria tolice esquecer esta verdade mais que elementar e evidente. E é essa, precisamente, a tolice cometida pelos comunistas alemães 'de esquerda', que deduzem do caráter reacionário e contrarrevolucionário dos chefetes dos sindicatos que é necessário... sair dos sindicatos!!, renunciar ao trabalho neles!!, criar formas de organização operária novas, inventadas!! Uma estupidez tão imperdoável, que equivale ao melhor serviço que os comunistas podem prestar à burguesia."

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"(...) Não atuar dentro dos sindicatos reacionários significa abandonar as massas operárias insuficientemente desenvolvidas ou atrasadas à influência dos líderes reacionários, dos agentes da burguesia dos operários aristocratas ou operários aburguesados' (ver a carta de Engels e Marx em 1858 a respeito dos operários ingleses).

"O Comitê Executivo da III Internacional deve, na minha opinião, condenar abertamente e propor ao próximo Congresso da Internacional Comunista que condene, de modo geral, a política de não participação nos sindicatos reacionários (explicando pormenorizadamente a insensatez que essa não participação significa e o imenso prejuízo que causa à revolução proletária)

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Comentário final

Não foi preciso ler essa obra de Lênin durante minha vida de representação sindical do campo cutista para ver na prática toda essa discussão que o líder revolucionário aborda em relação aos "esquerdistas" dentro do próprio movimento comunista de sua época.

Sigamos lendo o clássico de Vladimir Lênin.

William

20/06/26

quinta-feira, 18 de junho de 2026

Sobre esquerdismo (1) - Lendo Lênin



Refeição Cultural

Dias atrás, o presidente Lula disse a um grupo de líderes do G7, e a conversa foi captada pelos microfones, que nunca foi "esquerdista" e essa afirmação gerou algum tipo de discussão a respeito da questão.

Eu tenho a minha leitura sobre o sentido do que Lula disse, por minha experiência política de décadas de representação como dirigente da classe trabalhadora, como cutista e como petista.

Motivado por isso, acabei tendo a curiosidade de ler uma obra que nunca li de Vladimir Lênin: Esquerdismo, doença infantil do comunismo, de 1920.

Para entender Lula e o Novo Sindicalismo que surgiu nos anos setenta, e consequentemente a CUT e o PT, um dos livros que mais contribuíram para minha compreensão foi o da jornalista Denise Paraná, Lula, filho do Brasil, editado pela Perseu Abramo em 2003. A primeira edição foi em 1996 pela Editora Xamã.

Enfim, enquanto leio o livro de Lênin, vou recortando alguns trechos que acho interessantes. Já li até o capítulo 4.

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EXCERTOS DE LÊNIN

Os poucos recortes que fiz abaixo são dos capítulos I a IV, com os títulos:

I - Em que sentido podemos falar do significado internacional da Revolução Russa?

II - Uma das condições fundamentais do êxito dos Bolcheviques

III - As principais etapas da história do Bolchevismo

IV - Quais foram os inimigos que o Bolchevismo enfrentou, dentro do movimento operário, para poder crescer, fortalecer-se e temperar-se?


“É possível que os revolucionários russos já tivessem derrubado o czar há muito tempo se não fossem obrigados a lutar, ao mesmo tempo, contra o aliado deste, o capital europeu.” (de “Esquerdismo: Doença Infantil do Comunismo” por “Vladimir Ilitch Ulianov Lênin, UTL”)

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“Como Karl Kautsky escrevia bem, há dezoito anos!” (idem)

Comentário: Lênin diz isso em referência a uma avaliação que Kautsky fez em 1902. A frase que citei acima é dele.

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A NECESSIDADE DA DITADURA DO PROLETARIADO

“A ditadura do proletariado é a guerra mais severa e implacável da nova classe contra um inimigo mais poderoso, a burguesia, cuja resistência está decuplicada, em virtude de sua derrota (mesmo que em apenas um país), e cuja potência consiste não só na força do capital internacional, na força e na solidez das relações internacionais da burguesia, como também na força do costume, na força da pequena produção.” (idem)

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“infelizmente, continua a haver no mundo a pequena produção em grande escala, e ela cria capitalismo e burguesia constantemente, todo dia, a toda hora, através de um processo espontâneo e em massa. Por tudo isso, a ditadura do proletariado é necessária, e a vitória sobre a burguesia torna-se impossível sem uma guerra prolongada, tenaz, desesperada, mortal; uma guerra que exige serenidade, disciplina, firmeza, inflexibilidade e uma vontade única.” (idem)

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“a centralização incondicional e a disciplina mais severa do proletariado constituem uma das condições fundamentais da vitória sobre a burguesia.” (idem)

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COMO MANTER A DISCIPLINA DO PARTIDO, DO MOVIMENTO E DO PROLETARIADO?

“A primeira pergunta que surge é a seguinte: como se mantém a disciplina do partido revolucionário do proletariado? Como é ela comprovada? Como é fortalecida? Em primeiro lugar, pela consciência da vanguarda proletária e por sua fidelidade à revolução, por sua firmeza, seu espírito de sacrifício, seu heroísmo.” (idem)

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“Segundo, por sua capacidade de ligar-se, aproximar-se e, até certo ponto, se quiserem, de fundir-se com as mais amplas massas trabalhadoras, antes de tudo com as massas proletárias, mas também com as massas trabalhadoras não proletárias.” (idem)

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“Finalmente, pela justeza da linha política seguida por essa vanguarda, pela justeza de sua estratégia e de sua tática políticas, com a condição de que as mais amplas massas se convençam disso por experiência própria.” (idem)

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OS REVOLUCIONÁRIOS DE INTERNET ("DE BOCA")

“E se os bolcheviques conseguiram tal resultado foi exclusivamente porque desmascararam impiedosamente e expulsaram os revolucionários de boca, obstinados em não compreender que é necessário recuar, que é preciso saber recuar, que é obrigatório aprender a atuar legalmente nos mais reacionários parlamentos e nas organizações sindicais, cooperativas, nas organizações de socorros mútuos e outras semelhantes, por mais reacionárias que sejam.” (de “Esquerdismo: Doença Infantil do Comunismo” por “Vladimir Ilitch Ulianov Lênin, UTL”)

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“os bolcheviques. Estes nunca teriam conseguido eliminar os mencheviques, caso não houvessem aplicado uma tática justa, combinando o trabalho ilegal com a utilização obrigatória das "possibilidades legais". Na mais reacionária das Dumas, os bolcheviques conquistaram toda a bancada operária.” (idem)

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“a república 'operária-camponesa' soviética é melhor que qualquer república democrático-burguesa, parlamentar. Sem essa preparação prudente, minuciosa, sensata e prolongada não teríamos podido alcançar nem manter a vitória; de Outubro de 1917.” (idem)

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OS PEQUENO-BURGUESES

“0 pequeno-burguês 'enfurecido' pelos horrores do capitalismo é, como o anarquismo, um fenômeno social comum a todos os países capitalistas. São por demais conhecidas a inconstância e a esterilidade dessas veleidades revolucionárias, assim como a facilidade com que se transformam rapidamente em submissão, apatia, fantasias, e mesmo num entusiasmo 'furioso' por essa ou aquela tendência burguesa 'em moda'.” (idem)

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“Em 1908, os bolcheviques 'de esquerda' foram expulsos de nosso partido, em virtude de seu empenho em não querer compreender a necessidade de participar num 'parlamento' ultrarreacionário. Os 'esquerdistas', entre os quais havia muitos excelentes revolucionários que depois foram (e continuam sendo) honrosamente membros do Partido Comunista, apoiavam-se, principalmente, na feliz experiência do boicote de 1905.” (de “Esquerdismo: Doença Infantil do Comunismo” por “Vladimir Ilitch Ulianov Lênin, UTL”)

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“0 boicote dos bolcheviques ao 'parlamento' em 1905, enriqueceu o proletariado revolucionário com uma experiência política extraordinariamente preciosa, mostrando que, na combinação das formas de luta legais e ilegais, parlamentares e extraparlamentares, é, às vezes, conveniente e até obrigatório saber renunciar às formas parlamentares. Mas transportar cegamente, por simples imitação, sem espírito crítico, essa experiência a outras condições, a outra situação, é o maior dos erros” (idem)

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COMENTÁRIO FINAL

Até aqui na leitura, eu fiquei pensando nas entrevistas de Lula para a jornalista Denise Paraná, lá no início dos anos noventa.

Lula não era um "esquerdista" e esse foi um dos motivos pelos quais seu irmão Frei Chico, um "esquerdista", e seus companheiros pensaram na possibilidade de Lula entrar no movimento sindical dos metalúrgicos.

Me marcou muito como estudioso do movimento sindical cutista e como militante do PT ver o Lula dizer que aquele movimento sindical e partidário que estava surgindo no final dos anos setenta e início dos oitenta tinha claro o que NÃO queria como referência: nem a URSS, nem a China, nem Cuba, não queriam saber de partido único, de movimento sindical atrelado ao partido e ao governo e que não podia fazer greve etc.

Enfim, sigamos na leitura.

William

18/06/26

domingo, 1 de fevereiro de 2026

4. Hitler mostra sua força



Refeição Cultural

Coleção 70º Aniversário da II Guerra Mundial (1939-1945)


4. Hitler mostra sua força

* A "guerra estranha" no Ocidente

No início de 1940, a guerra havia arrefecido. Durante o inverno, particularmente intenso, ambos os lados pouco fizeram além de patrulhar, manter os treinamentos e tentar sobreviver ao frio. Esse período ficou conhecido como "guerra estranha".

* As invasões da Dinamarca e Noruega

Em 30 de novembro de 1939, a União Soviética invadia a Finlândia. Josef Stálin queria evitar que os finlandeses permitissem a entrada dos alemães para atacar Leningrado e o vital ponto ártico de Murmansk.

* Os homens que decodificaram o Enigma

Agentes poloneses capturaram uma máquina Enigma e a entregaram aos britânicos que, sob as ordens de Alastair Denninston, quebraram seu código.

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COMENTÁRIO

Ganhei de um vizinho do condomínio uma coleção de DVDs sobre os 70 anos da II Guerra Mundial. A produção é da Abril Coleções, de 2009. São trinta DVDs e só estão faltando dois.

É interessante rever a história do nazifascismo neste momento da história humana com Donald Trump na presidência dos Estados Unidos. Ele pretende construir um novo Reich em sua busca de "espaço vital". 

É triste perceber que pouca gente no mundo liga para história ou para qualquer tipo de conhecimento e cultura. Estamos na era do incentivo à ignorância e a idiotice é premiada com milhões de seguidores em redes sociais e rios de dinheiro por views e likes.

No Ocidente, milhões de pessoas - crianças, jovens, adultos e idosos - estão com suas mentes capturadas por bichinhos, dancinhas, bets, pornografia, pastores empresários sofistas, fake news e temas de violência e ódio. 

Os dias de existência das massas são desperdiçados dentro das grades das celas dos celulares, as prisões dos humanos atuais com seus cérebros em desfazimento. Já vivemos em um mundo de zumbis digitais...

Pensei nas big techs de hoje (parceiras de Trump e Netanyahu) ao assistir ao documentário sobre a máquina alemã Enigma, que codificava mensagens e que por um acaso foi descoberta (o imponderável) e isso permitiu aos cientistas britânicos, liderados pelo matemático e cientista da computação Alan Turing, descobrir o segredo daquele sistema de criptografia e surpreender os ataques nazistas. Quem vai parar os algoritmos e as "IAs" dos parceiros do presidente dos EUA?

Vendo os episódios deste DVD, também fiquei pensando sobre a atualidade ao me lembrar do pacto de não agressão feito entre Hitler e Stálin em 23/08/39, permitindo aos nazistas se concentrarem em seus objetivos de ataque naquele momento - França e Inglaterra - e aos soviéticos prepararem o Exército Vermelho para enfrentarem os nazistas quando fossem a bola da vez na expansão nazista em busca de seu "espaço vital" (a invasão ocorreu uns dois anos depois).

O Reich de Trump está na fase megalomaníaca de submeter todo o continente americano, o "quintal do império", e seu "espaço vital" inclui a Groelândia e outros países também. Venezuela, Cuba e Colômbia são alvos a qualquer momento; México e Brasil estão na mira. O Führer do Norte já conta com as maiores tecnologias para neutralizar e manipular seus alvos: as big techs.

As presidências de Brasil e México tentam algum acordo de não agressão com o pseudo-imperador, mas não há garantia alguma. Os dois países não têm exércitos nem armamentos para serem respeitados e não sofrerem agressões e interferências para mudanças de governos, colocando-se governos fantoches submetidos ao Reich do Norte.

Dureza!

William

01/02/26

sexta-feira, 8 de agosto de 2025

Leitura: Breves notas sobre a ecologia como limite absoluto ao capital em Mészáros - Ivan Lucon Jacob



Refeição Cultural

Artigo: Breves notas sobre a ecologia como limite absoluto ao capital em Mészáros. Ivan Lucon Jacob, doutorando em Desenvolvimento Econômico (IE/UNICAMP) e pesquisador do IBEC

Leitura para reflexão antes de uma aula sobre o tema (em 09/08/25)

Aula III (manhã) - Papel do Estado na aceleração do fim do mundo

Objetivo: textos de apoio para o curso de extensão "Como impedir o fim do mundo: colapso ambiental e alternativas", organizado e ministrado por IBEC, Unesp e demais parcerias

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A postagem é uma espécie de fichamento feito pelo autor do blog. Qualquer interpretação divergente do texto original é de responsabilidade deste leitor que comenta o texto.

Abaixo algumas palavras-chave ou ideias que gostei no referido texto.

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- Falência dos dois modos estatais de controle e regulação do capital: o modelo keynesiano, responsável pelo welfare state, e o "tipo soviético", que mesmo tendo partido de uma revolução política, acabou por ser, segundo Mészáros, um "sistema sociometabólico do capital"

- Mészáros avalia estarmos chegando a um "limite estrutural do capital" devido ao seu caráter incontrolável de destruição da natureza

- Diz Ivan Jacob "Marx definiu o trabalho em si em uma concepção de metabolismo, dado que 'trabalho é, antes de tudo, um processo entre o homem e a natureza, um processo em que o homem, por meio de suas próprias ações media, regula e controla seu metabolismo com a natureza"

- Em seu caráter social, quando o homem age sobre a natureza e a modifica, modifica a si mesmo, sua própria natureza, é uma relação metabólica

- Falar de suposto controle ou estabilidade do capitalismo é uma mentira cínica, é enganar quem não conhece a natureza expansiva e acumuladora do capital

- Mészáros afirma que o controle social é "a condição prévia necessária para qualquer relação sustentável com as forças da natureza"

- As "soluções" apresentadas pelas corporações monopolistas do capital, a invenção falaciosa do "desenvolvimento sustentável" nada mais são que a continuidade da destruição do mundo como está se dando agora

- A solução para o mundo não é a reprodução do modelo estadunidense de destruição da natureza e do planeta, no qual 5% da população global consomem 25% dos recursos energéticos disponíveis

- A ciência e a tecnologia poderiam alterar o processo atual de destruição do mundo em função do modelo capitalista? Não, pois o uso vem sendo em função da própria acumulação de capital e em desfavor do planeta e da sociedade humana em geral (p. 47 do artigo)

- "Portanto a questão que se coloca 'não se restringe a saber se empregamos ou não a ciência e a tecnologia com a finalidade de resolver nossos problemas' - dada a obviedade da resposta: sim! - 'mas se seremos capazes ou não de redirecioná-las radicalmente, uma vez que ambas estão estritamente determinadas e circunscritas pela necessidade de perpetuação do processo de maximização dos lucros' (diz Mészáros)

- De novo, só o controle social pode alterar a lógica estabelecida hoje, definindo como produzir e o que produzir, na relação sociometabólica com a natureza

- Se a humanidade deseja sobreviver, é preciso superar a fragmentação social e encontrar a unidade para superar o modo de produção capitalista (destruição incontrolável e consumista da natureza para acumulação de capital)

- Ivan Jacob cita Mészáros e Marx ao abordar a questão do desenvolvimento tecnológico e produtivo para reduzir as horas de trabalho humano, mas com benefício da própria sociedade humana, e numa relação metabólica natureza e sociedade mais equilibrada e sustentável (p. 50, item IV do artigo). Esse seria um objetivo do comunismo

- "Marx argumenta que uma sociabilidade advinda de produtores livremente associados deve existir no âmbito do metabolismo prescrito pelas leis naturais da própria vida, assegurando as condições de existência para as gerações presente e futura" (Ivan Jacob)

- Ivan Jacob cita Clark e Foster (autores de referência no artigo), concluindo o texto: "há uma síntese necessária entre Marx e Mészáros, na formulação de uma concepção de transição para um sistema sustentável de reprodução metabólica social. Tanto a igualdade substantiva quanto a sustentabilidade ecológica são os pilares de uma sociedade livre dos ditames e da lógica do capital..."

- Por fim, é urgente também a "necessidade histórica da criação do movimento dos produtores visando a mudança radical nas formas atuais de controle social visando sua emancipação. A necessidade, portanto, do comunismo." (Ivan Jacob)

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Fecho minha resenha e leitura do artigo, concordando com Ivan Jacob, Clark, Foster, Mészáros e Marx... 

Urge a necessidade do comunismo!

Leitura feita por,

William Mendes

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Professor Ivan Jacob


Post Scriptum, após a aula em 09/08/25:

O papel do Estado na aceleração do fim do mundo

O prof. Ivan começa lendo o poema "Congresso Internacional do Medo", do livro Sentimento do Mundo (1940), de Carlos Drummond de Andrade.


Congresso Internacional do Medo

Provisoriamente não cantaremos o amor,
que se refugiou mais abaixo dos subterrâneos.
Cantaremos o medo, que esteriliza os abraços,
não cantaremos o ódio porque esse não existe,
existe apenas o medo, nosso pai e nosso companheiro,
o medo grande dos sertões, dos mares, dos desertos,
o medo dos soldados, o medo das mães, o medo das igrejas,
cantaremos o medo dos ditadores, o medo dos democratas,
cantaremos o medo da morte e o medo de depois da morte,
depois morreremos de medo
e sobre nossos túmulos nascerão flores amarelas e medrosas.

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- Algumas teorias afirmam que vivemos o período geológico antropoceno, período no qual as ações humanas impactaram sobremaneira nos ecossistemas do planeta Terra

- Nunca estivemos num grau tão grande de risco para o planeta, um "estado não análogo'

- Crise estrutural do capitalismo (Mészáros)

- Dos anos setenta pra cá as taxas de lucro dos capitalistas vêm caindo, ou seja, vem diminuindo a capacidade de acumulação do capital

- Há uma crise que permeia todos os setores do capital, uma crise global

- Celso Furtado: já nos anos noventa nos alertava sobre a dimensão da crise do capital. Não só as periferias seriam afetadas pela crise, mas também os centros hegemônicos iriam sofrer como as periferias

- A crise é permanente, não é cíclica como até os anos setenta, é uma crise rastejante, a crise atingiu os seus limites incontornáveis. Ex.: meio ambiente e ecologia limitam a expansão do capital

- Taxa de utilização decrescente das mercadorias: não funcionam mais as soluções de gestão do Estado capitalista como ocorreu ao longo do tempo

- Antes: o modo keynesiano (Welfare State), o Estado era mediador da relação K vs T, com as políticas macroeconômicas que permitiam acumulação de K, pois parte da taxa de lucro era usada para bens e direitos sociais

- Mesmo durante o Welfare State, o "Estado de bem-estar social", havia limites temporais e geográficos, os benefícios não eram para todos, eram para alguns escolhidos e privilegiados: os trabalhadores da Europa e dos EUA e durou três décadas

- Enquanto isso, o pau comia nas demais regiões exploradas e vítimas do capitalismo, África e Américas do Sul e Central, por exemplo

- A partir das décadas de 70 e 80 o neoliberalismo iniciou a destruição do Estado de bem-estar social pós-guerra, com Reagan e Thatcher

- No Brasil, a rede de proteção social conquistada a duras penas e com todas as lutas dos anos oitenta (a CF 1988) - e com os governos do PT - começou a ruir com os movimentos organizados a partir de 2013

- Importante registrar que mesmo os direitos da CF 1988 eram para um segmento da sociedade, para o trabalho formal, o restante ficava de fora, o que não é muito diferente do cenário na Europa e EUA com os imigrantes e indocumentados

- Alerta aos reformistas: a crise atual do capital não permite mais a reconstrução do Estado de bem-estar social ou qualquer rede de proteção social, acabou!

- Vejam o que tem acontecido com os avanços dos segmentos de extrema-direita na atualidade: a regra é desfazimento de qualquer direito social, civil ou político e cada um por si, se virem!

- Marx e os órgãos das máquinas: 1º motor, 2º transmissão/energia, 3º ferramentas, 4º os controles automáticos/robotização (Bacchi). A fase atual torna desnecessária a força de trabalho humana:

Citação do meu resumo do texto (aqui) do prof. Fábio Campos: "- O 4º órgão... "Segundo Bacchi (2020), nos anos 1960 foi introduzido o quarto órgão daquela máquina que Marx (2013) descrevera no cap. 13 do Livro I de O Capital. Além do motor, a transmissão e a máquina ferramenta do século XIX, surge o 'quarto órgão de controle' que introduz 'a máquina programável' e, com ela, o que determinou a crise estrutural" (p. 106)

- Quando vêm os robôs são expulsos os humanos que geram valor, que geravam a mais-valia, por isso as taxas de lucro vêm diminuindo: mais máquinas, menos humanos, taxas de lucro menores

- Além da queda nas taxas de lucro com a expulsão do trabalho humano, a massa salarial é reduzida e com isso o consumo é menor

- Temos ainda a obsolescência programada para reduzir a vida útil das mercadorias, que hoje não duram nada, são uma porcaria

- Eis aí a taxa decrescente de utilização das mercadorias, gerando um ponto de sobrecarga insuportável para a natureza, o planeta. É a grande aceleração do uso de recursos naturais dos anos setenta adiante

- Não há saída dentro do sistema capitalista, ou mudamos a relação dos humanos com a natureza ou acaba tudo

- O Estado é a muleta de reprodução do capital atual, é só analisarmos como se dão as coisas nas políticas dos países do mundo

- Para piorar mais ainda, temos o complexo industrial militar dos EUA, que são empresas privadas que recebem encomendas do Estado. Essa "mercadoria" - armas - é feita e estocada sem ser utilizada em sua totalidade, sendo assim uma espécie de K perfeito: tem o Estado por trás, uma fonte inesgotável de dinheiro

- E o Estado norte-americano tem ainda a moeda que domina o mundo capitalista, ou seja, o mundo financia o complexo industrial armamentista dos EUA, tanto por vender mercadorias ao mundo (em dólares), quanto por receber de volta o dólar no investimento de seus papéis da dívida

- Os EUA emitem papéis da dívida, o mundo investe nesses papeis, e o mundo financia o déficit descomunal do país. O dólar vai e volta, financiando o déficit interno

- O braço armado do Estado sempre foi essencial para o capitalismo

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Comentário final do blog:

A aula do prof. Ivan Jacob foi espetacular!

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quinta-feira, 9 de janeiro de 2025

Livro: Maiakóvski: poemas - B. Schnaiderman, Augusto e Haroldo de Campos



Refeição Cultural 

Janeiro de 2025


"COME ANANÁS

Come ananás, mastiga perdiz.

Teu dia está prestes, burguês."


A leitura do livro de poemas de Maiakóvski organizado pelos irmãos Campos e por Boris Schnaiderman me permitiu conhecer um pouco da poética do poeta revolucionário e todo o contexto de sua época, as primeiras décadas do século 20.

Neste caso, a diferença de compreensão ao ler primeiro os poemas e depois reler cada um deles após os textos críticos e de esclarecimento por parte dos organizadores da edição especial foi algo central.

O texto de Boris Schnaiderman - "Maiakóvski: Evolução e Unidade" - é fundamental para uma boa leitura dos poemas de Maiakóvski. 

O texto "Eu Mesmo - Maiakóvski" também é muito interessante para conhecermos o poeta. 

Vejam essa afirmação de Maiakóvski a respeito de seus primeiros contatos com livros na infância:

"Primeiro livro

Não sei que Passarinheira Agáfia. Se tivesse então encontrado alguns livros daqueles, deixaria de ler para sempre. Felizmente, o segundo livro foi Dom Quixote. Isto é que é livro! Fiz uma espada de madeira e armadura e aniquilava tudo ao redor." (p. 57)

Simplesmente fantástico!!!

Depois o poeta diz que leu Júlio Verne.

Foi preso três vezes durante o regime czarista, escreveu na terceira prisão:

"Tendo lido os contemporâneos, despenquei-me sobre os clássicos. Byron, Shakespeare, Tolstói. Último livro: Ana Karênina. Não cheguei ao fim. De noite me chamaram "à cidade com as suas coisas". E fiquei sem saber, até hoje, como acabou aquela história dos Karênin." (pag. 64)

Maiakóvski, eu também não terminei aquela história. Ana morre no final.

Em 1915, após ser convocado para a 1a GM:

"(...) Publiquei 'A Flauta-Vértebra' e a 'Nuvem'. A nuvem saiu muito limpinha. A censura soprou nela. Umas seis páginas só de pontos. 

     Daí data o meu ódio aos pontos. E às vírgulas também." (pag. 71)

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MAIAKÓVSKI, 50 ANOS DEPOIS - Augusto de Campos 

O livro traz no Apêndice presentes aos leitores, como esse texto de A. de Campos. 

Entendi melhor a relação do poeta com seu grande amor, Lília Brik, e as várias passagens da vida nas quais Maiakóvski abordou a questão do suicídio. 

"O poema em que discute o suicídio de Iessiênin, em 1926, terminando com as linhas 'nesta vida/morrer não é difícil/o difícil/é a vida e o seu ofício' (na esplêndida recriação de Haroldo de Campos), parecia prevenir qualquer recidiva. O poeta lutava consigo mesmo?" (p. 259)

Possíveis motivos ou questões que impactavam a vida do poeta:

"Causas possíveis do suicídio? Os Charters resumem: o tratamento dado a Maiakóvski pelos 'escritores proletários'; a desilusão política; o fracasso do seu caso com Tatiana; a recusa de Nora em casar-se com ele; a ausência de Lília; problemas físicos com sua voz. Mas a ideia do suicídio sempre o perseguira..." (p. 258)


POEMA-ANEL

Vejam que legal a explicação de Augusto de Campos sobre esse poema-anel a Lília Brik:

"Todas as homenagens que o poeta rendeu a Lília (em poemas como 'Lílitchka!', 'A Flauta-Vértebra', 'O Homem', 'Disto') se resumem numa única palavra que ele transformou no que hoje chamaríamos de poema concreto. Maiakóvski fez gravar num anel, que deu a ela de presente, as letras 'L', 'IU' e 'B' - as iniciais do nome completo de sua amada: Lília IÚrievna Brik. Em disposição circular elas formam a palavra LIUBLIÚ (amo). Também no título de um poema de 1923 as letras são grafadas separadamente (L IU B L IU), embutido na palavra 'amo' o nome de Lília." (p. 259/260)

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Me sensibilizei bastante com a biografia do poeta futurista e revolucionário Vladímir Maiakóvski. 

A incompreensão da qual foi vítima, seus últimos dias e o suicídio em 14 de abril de 1930 após concluir o poema "A Plenos Pulmões" me comoveram muito.

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POETA NÃO SEGUE REGRAS, ELE CRIA REGRAS 

"Justamente por renegar a poética tradicional, com a contagem de sílabas e de pés, exigia de si e dos poetas modernos em geral um esforço maior. 'Eu não forneço nenhuma regra para que uma pessoa se torne poeta, para que escreva versos. E, em geral, tais regras não existem. Damos o nome de poeta justamente à pessoa que cria estas regras poéticas' - escreveu em seu famoso ensaio." (p. 31, Boris Schnaiderman)

O poema que abre esta postagem - "Come Ananás" - é um exemplo de poesia de luta, nos explica Boris Schnaiderman. 

Este poema abaixo também é uma posição firme de Maiakóvski sobre sua poética revolucionária na poesia:

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O LIVRO BOM É NECESSÁRIO 

(...)

Logo

      que se eleve

                a cultura do povo!

Uma só,

             para todos.

O livro bom

                é claro

                           e necessário

a mim,

          a vocês, 

                     ao camponês 

                             e ao operário


Do poema "Incompreensível para as massas".

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COMENTÁRIO FINAL

A leitura do livro Maiakóvski: poemas foi a descoberta de um grande poeta da cultura humana. 

Os textos complementares do livro, de Boris Schnaiderman, Haroldo de Campos e Augusto de Campos, deram a mim o suporte necessário para compreender e apreciar a poética de Maiakóvski. 

Saio da leitura menos ignorante no tema. E isso é bom.

Sigamos vivendo com o desejo de aprender coisas novas todos os dias. 

William 


Bibliografia:

MAIAKÓVSKI, Vladimir. Poemas. Tradução: Boris Schnaiderman, Haroldo de Campos, Augusto de Campos. Ed. especial rev. e ampl. - São Paulo: Perspectiva, 2017.


sábado, 4 de janeiro de 2025

Leitura de poesia (34) - A extraordinária aventura vivida por Vladímir Maiakóvski no verão na Datcha



A EXTRAORDINÁRIA AVENTURA VIVIDA POR VLADÍMIR MAIAKÓVSKI NO VERÃO NA DATCHA


(Púchkino, monte Akula, datcha de Rumiántzev, a 27 verstas pela estrada de ferro de Iaroslávi)


A tarde ardia com cem sóis.

O verão rolava em julho.

O calor se enrolava

no ar e nos lençóis 

da datcha onde eu estava.

Na colina de Púchkino, corcunda,

o monte Akula,

e ao pé do monte

a aldeia enruga

a casca dos telhados.

E atrás da aldeia, 

um buraco

e no buraco, todo dia,

o mesmo ato:

o sol descia

lento e exato.

E de manhã 

outra vez

por toda parte

lá estava o sol

escarlate.

Dia após dia 

isto

começou a irritar-me

terrivelmente. 

Um dia me enfureço a tal ponto

que, de pavor, tudo empalidece.

E grito ao sol, de pronto:

"Desce!

Chega de vadiar nessa fornalha!"

E grito ao sol:

"Parasita!

Você, aí, a flanar pelos ares,

e eu, aqui, cheio de tinta,

com a cara nos cartazes!"

E grito ao sol:

"Espere!

Ouça, topete de ouro,

e se em lugar

desse ocaso

de paxá

você baixar em casa

para um chá?"

Que mosca me mordeu!

É o meu fim!

Para mim

sem perder tempo 

o sol

alargando os raios-passos

avança pelo campo.

Não quero mostrar medo.

Recuo para o quarto.

Seus olhos brilham no jardim.

Avançam mais.

Pelas janelas,

pelas portas,

pelas frestas,

a massa

solar vem abaixo 

e invade a minha casa.

Recobrando o fôlego, 

me diz o sol com voz de baixo:

"Pela primeira vez recolho o fogo,

desde que o mundo foi criado.

Você me chamou?

Apanhe o chá, 

pegue a compota, poeta!

Lágrimas na ponta dos olhos

- o calor me fazia desvairar -

eu lhe mostro

o samovar:

"Pois bem,

sente-se, astro!"

Quem me mandou berrar ao sol

insolências sem conta?

Contrafeito 

me sento numa ponta

do banco e espero a conta

com um frio no peito.

Mas uma estranha claridade

fluía sobre o quarto

e esquecendo os cuidados

começo 

pouco a pouco 

a palestrar com o astro.

Falo

disso e daquilo, 

como me cansa a Rosta*,

etc.

E o sol:

"Está certo, 

mas não se desgoste,

não pinte as coisas tão pretas.

E eu? Você pensa

que brilhar

é fácil?

Prove, pra ver!

Mas quando se começa

é preciso prosseguir 

e a gente vai e brilha pra valer!"

Conversamos até a noite 

ou até o que, antes, eram trevas.

Como falar, ali, de sombras?

Ficamos íntimos, 

os dois.

Logo,

com desassombro,

estou batendo no seu ombro.

E o sol, por fim:

"Somos amigos 

pra sempre, eu de você, 

você de mim.

Vamos, poeta, 

cantar,

luzir

no lixo cinza do universo.

Eu verterei o meu sol

e você o seu

com seus versos."

O muro das sombras,

prisão das trevas, 

desaba sob o obus

dos nossos sóis de duas bocas.

Confusão de poesia e luz,

chamas por toda parte. 

Se o sol se cansa

e a noite lenta

quer ir pra cama,

marmota sonolenta,

eu, de repente, 

inflamo a minha flama

e o dia fulge novamente. 

Brilhar pra sempre,

brilhar como um farol,

brilhar com brilho eterno,

gente é pra brilhar, 

que tudo o mais vá pro inferno,

este é o meu slogan

e o do sol.


* Agência telegráfica onde o poeta trabalhou fazendo cartazes. 

Tradução: Augusto de Campos

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COMENTÁRIO:

Imagem sensacional! O poeta recebe a visita do sol após uma provocação. 

O sol chega de boa, diz que o poeta também é um sol e que eles são amigos para sempre.

Metáfora muito legal!

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"gente é pra brilhar,"

Sigamos lendo poesia, mesmo sendo em dias tristes.

Dedico este poema ao companheiro Cezinha, que agora é uma estrelinha a brilhar no céu. 

William 


Bibliografia:

MAIAKÓVSKI, Vladimir. Poemas. Tradução: Boris Schnaiderman, Haroldo de Campos, Augusto de Campos. Ed. especial rev. e ampl. - São Paulo: Perspectiva, 2017.


terça-feira, 31 de dezembro de 2024

Jornada nas Estrelas (Star Trek) - 1ª Temporada (1966-67)



Refeição Cultural

Após uma vida sem ter conhecido os episódios da clássica série Jornada nas Estrelas (Star Trek) que fez sucesso e marcou o mundo da cultura de ficção científica antes de eu nascer, acabei motivado a conhecer as aventuras da tripulação da USS Enterprise.

Trabalhei com um grande gestor em saúde que é apaixonado pela série Star Trek. Falo de meu amigo Sandro Sedrez, que também é escritor. Fomos funcionários do Banco do Brasil, a "comunidade imaginada" que nos uniu por pertencimento. (Comunidade imaginada é um conceito de Benedict Anderson)

Conheci neste ano de 2024 outras pessoas que adoram a série, os professores Enrique e Marili. Estivemos juntos na Praia Grande por alguns dias em janeiro na Colônia de Férias do Sinpro São Paulo. Entre os diversos intercâmbios de cultura, falamos sobre Star Trek como uma série que marcou gerações de pessoas.

Como disse, nunca assisti Jornada nas Estrelas, sou leigo na questão. Por ter amig@s que falam tão bem da série, e por ela estar disponível em um dos streaming que assino - a Netflix -, decidi ver alguns episódios da primeira versão dos anos sessenta. 

São bem interessantes, ainda mais quando penso como deve ter sido a repercussão dos temas tratados para aquela época.

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PRIMEIRA TEMPORADA (1966-1967)

Pelo que já consegui de informação, a primeira temporada foi exibida entre os anos de 1966 e 1967. 

O que a Netflix apresenta como 1º Episódio "Pilot: The Cave" foi um episódio gravado bem antes, em 1965, e que não foi aprovado à época. Ele foi apresentado bem depois, nos anos oitenta.

O que ficou sendo um segundo "piloto" foi o "Where No Man Has Gone Before", que está como o 4º episódio na Netflix e já com a equipe da USS Enterprise liderada pelo Capitão James T. Kirk. 

Mas na numeração da série Star Trek em outras fontes, o episódio "Onde nenhum homem jamais esteve" seria o 3º em 29 episódios daquela 1ª temporada dos anos sessenta.

Então, em respeito ao local onde assisti e conheci a série clássica Star Trek, vou manter a numeração da Netflix, sabendo que em outras fontes há um episódio a menos na numeração: são 29 episódios da 1ª temporada, sendo 30 na Netflix por incluir o piloto "The Cave" como nº 1.

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EPISÓDIOS DA 1ª TEMPORADA

1. PILOTO: A JAULA ("THE CAVE")

Assisti em 22/3/24

SINOPSE: O Capitão Christopher Pike é preso e submetido a testes por alienígenas que têm o poder de projetar ilusões incrivelmente realistas.

COMENTÁRIO: Durante a Guerra Fria o tema do controle da mente era algo muito falado quando se pensava em temáticas científicas. Queiramos ou não, as big techs acabaram por conseguir parte desse poder no primeiro quarto do século XXI. Poucos humanos donos dessas empresas podem manipular o comportamento de bilhões de seres humanos... (perdemos?)

Neste primeiro episódio, não é o Capitão Kirk que atua ainda. Este piloto não foi aprovado pela produção e só viria a público nos anos oitenta.

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2. O SAL DA TERRA ("THE MAN TRAP")

Assisti em 23/3/24

SINOPSE: A Enterprise chega ao planeta M-113 para procedimentos de rotina e contatos com o casal Crater. O Dr. Leonard McCoy teve um relacionamento antigo com Nancy Crater. Os tripulantes são perseguidos por uma criatura mutante que mata os humanos sugando todo o sal de seus organismos. A criatura é trazida à bordo acidentalmente e o Dr. McCoy terá de tomar uma decisão difícil em relação a ela. 

A partir desse 2º episódio da Netflix (que é considerado o 1º em outras fontes), o capitão da USS Enterprise passa a ser James T. Kirk (William Shatner).

COMENTÁRIO: Como no 1º piloto da série, a ideia de um ser com capacidade de iludir a visão e a mente das pessoas é tema do episódio. Imaginem como essa questão era desejo naquela época! Hoje, os algoritmos dos conglomerados donos de todos os meios (mídias) de comunicação (as big techs) conseguem fazer milhares de pessoas verem coisas que só elas veem e nem adianta querer convencê-las do contrário. (perdemos?)

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3. O ESTRANHO CHARLIE ("CHARLIE X")

Assisti em 24/3/24

SINOPSE: O poderoso vidente adolescente Charlie sobe à bordo. Embora queira agradar, o jovem começa a atacar a tripulação e só será detido se o Capitão Kirk descobrir o segredo de seus poderes.

COMENTÁRIO: O episódio aborda a questão de um jovem que não aprendeu a conviver com a negativa para seus desejos. Um "não" pode ser fatal para a pessoa que o desacatou porque ele tem poderes paranormais muito poderosos. Eu diria que a temática da ficção é a mesma: controle da mente e do desejo das pessoas, só acrescentando o poder de destruir coisas por parte do "vilão" da história.

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4. ONDE NENHUM HOMEM JAMAIS ESTEVE (PILOTO 2: "WHERE NO MAN HAS GONE BEFORE")

Assisti em 26/3/24

SINOPSE: Enquanto Spock e Kirk investigam uma tragédia, um amigo do Capitão Kirk, tripulante na USS Enterprise, adquiri poderes divinos. Para detê-lo, Kirk apela para um plano arriscado.

COMENTÁRIO: A pouca variação no tema de controle da mente das pessoas e poderes paranormais de interferir no mundo físico com o poder telecinético demonstra a fixação da época. Os cientistas já haviam criado bombas com poder de destruição em massa, mas ainda não sabiam como manipular milhões de pessoas. Era um desejo de Estado do período da Guerra Fria. O episódio repete a temática.

A questão das mulheres: nos primeiros episódios, fica evidente a forma como os homens tratam as mulheres de maneira chula, machista e sexista. Não é sem motivo a cultura do estupro ser tão antiga. Pelo que se percebe nos roteiros, as mulheres são coisas, corpos a serem apreciados e talvez abusados pelos homens. Foda isso!

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5. TEMPO DE NUDEZ ("THE NAKED TIME")

Assisti em 28/3/24

SINOPSE: Um vírus faz com que a tripulação da USS Enterprise perca o autocontrole. Por causa disso, Sulu ameaça os colegas com uma espada, enquanto Dr. McCoy corre atrás de um antídoto.

COMENTÁRIO: Primeira variação de tema, desta vez não é um ser consciente que domina o comportamento das pessoas, mas um vírus, que faz a mesma coisa, como as drogas que liberam os sentimentos reprimidos que cada pessoa tem, que tira a máscara social. O episódio é humorado. Veremos também um planeta próximo do fim.

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6. O INIMIGO INTERIOR ("THE ENEMY WITHIN")

Assisti em 11/4/24

SINOPSE: Com defeito, o transportador da USS Enterprise leva à bordo da nave uma versão maligna do Capitão Kirk. Sulu e outros tripulantes estão presos em um planeta congelante e o tempo está correndo para salvar a vida da tripulação em solo.

COMENTÁRIO: Achei o episódio interessante. Ao duplicar o ser que passou pelo transportador - um animal local e o Capitão Kirk - a cópia concentrou as características mais selvagens e agressivas do ser. Com o passar das horas, Spock percebe que o Capitão Kirk original, o bom, está perdendo o poder de liderança e de decisão. A teoria de Spock é que um líder precisa conciliar os dois grupos de caracteres que estão separados nas duas pessoas: os bons e os ruins. Achei uma ideia boa para reflexão.

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7. AS MULHERES DE MUDD ("MUDD'S WOMEN")

Assisti em 17/4/24

SINOPSE: O Capitão Kirk e sua tripulação resgatam Harry Mudd e três mulheres muito bonitas de seu serviço de casamento. Mudd tenta evitar que Kirk o entregue à justiça.

COMENTÁRIO: É o segundo episódio desse primeiro ano de Jornada nas Estrelas que traz no roteiro algum tipo de poção que deixa as pessoas com aparências diferentes das reais. As três "beldades" do episódio são três mulheres lindas, mas cujas personagens são tratadas como mercadorias para comércio por parte do tal Mudd. Um episódio desses hoje pegaria muito mal porque todos os personagens masculinos da tripulação da USS Enterprise se portam como uns idiotas, tarados, homens fora de controle por verem mulheres bonitas. Enfim...

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8. E AS MENINAS, DO QUE SÃO FEITAS? ("WHAT ARE LITTLE GIRLS MADE OF?")

Assisti em 21/4/24

SINOPSE: À procura do noivo da enfermeira Chapel - renomado exobiologista Roger Korby -, no planeta deserto Exo III, o Capitão Kirk e sua equipe correm perigo após descobrirem que as duas pessoas que estão com o cientista são robôs e que Korby pode duplicar pessoas.

COMENTÁRIO: Este episódio abordou temática interessante sobre androides, tema que viria a ser destaque nas décadas seguintes em ficções como o filme "Blade Runner" (1982). Seria possível migrar uma consciência humana para um robô? Robôs podem ter sentimentos? É o que veremos na estória.

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9. MIRI ("MIRI")

Assisti em 25/4/24

SINOPSE: Depois de descobrir o que parece ser uma duplicata do planeta Terra, o Capitão Kirk e seu grupo de desembarque encontram uma população devastada por uma doença, que parece afetar somente adultos.

COMENTÁRIO: Vendo o episódio, fiquei pensando que Star Trek deve ter influenciado muito os roteiros do cinema nos anos posteriores à série. Nesta estória com as crianças, fiquei me lembrando do filme "Mad Max III - Além da Cúpula do Trovão" (1985). Bom roteiro.

SONOPLASTIA

Observação sobre todos os episódios: a sonoplastia é a essência da série. Praticamente todos os efeitos futuristas são feitos simplesmente com sons: o raio das armas, as portas e movimentos das coisas, e o suspense de cada episódio.

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10. O PUNHAL IMAGINÁRIO ("DAGGER OF THE MIND")

Assisti em 07/05/24

SINOPSE: Durante uma missão de abastecimento, um médico louco foge de uma prisão planetária e acaba na USS Enterprise. Ao investigar, o Capitão Kirk sofre uma lavagem cerebral do diretor maníaco da colônia.

COMENTÁRIO: O episódio trabalha o tema do apagamento da memória das pessoas. Para não sair do comum, temos a questão da mulher vista de forma inadequada, como objeto do desejo de algum personagem masculino, no caso o próprio Kirk.

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11. O ARDIL CARBOMITE ("THE CARBOMITE MANEUVER")

Assisti em 20/05/24

SINOPSE: A USS Enterprise é ameaçada por uma nave alienígena gigante, cujo comandante condena a tripulação à morte. A nave inimiga parece superpoderosa e seu comandante recusa qualquer tipo de negociação e contato, forçando Kirk a utilizar uma estratégia pouco ortodoxa para salvar sua nave.

COMENTÁRIO: Spock não consegue achar soluções lógicas do jogo de xadrez na batalha com a espaçonave adversária de Balok que aprisionou a USS Enterprise, mas o Capitão Kirk usa outro estratagema, as técnicas do jogo de pôquer: blefar. Há uma lição moral no episódio: os humanos são de paz e querem resolver os conflitos sem guerra e sem eliminar o inimigo... (seria ótimo se fosse verdade!)

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12. A COLEÇÃO - PARTE 1 ("THE MENAGERIE")

SINOPSE: Spock sequestra a USS Enterprise para levar seu desabilitado antigo capitão, Christopher Pike, para o planeta proibido de Talos IV. Ele então enfrenta uma Corte Marcial onde usa os eventos do episódio "The Cage" para contar a história de como Pike foi prisioneiro no planeta anos antes.

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13. A COLEÇÃO - PARTE 2 ("THE MENAGERIE, PART II")

Assisti ao episódio duplo em 11/06/24

SINOPSE: Spock continua detalhando no tribunal os acontecimentos no planeta Talos IV. Ele se diz testemunha dos poderes mentais de ilusão dos talosianos. O Capitão Kirk percebe que Spock quer retornar Pike para Talos IV, onde poderá viver o restante de sua vida com saúde (ele perdeu todos os movimentos do corpo e está em um aparelho).

COMENTÁRIO: Mais um episódio envolvendo extraterrestres com poderes de ler a mente e iludir os humanos. Era uma obsessão dos humanos à época: manipular a mente das pessoas. Já é possível isso hoje em dia. Os negacionistas acreditam em qualquer maluquice ou informação mentirosa que digam a eles. Chegamos ao futuro.

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14. A CONSCIÊNCIA DO REI ("THE CONSCIENCE OF THE KING") 

Assisti na madrugada de 03/07/24

SINOPSE: (essa e outras são mesclas de informações da Wikipedia e Netflix, com alterações do blog): enquanto visita um velho amigo, o Capitão Kirk suspeita que um ator shakespeariano possa na verdade ser Kodos, assassino procurado por massacre na Colônia de Tarsus IV. Kirk é uma das poucas testemunhas da época que poderiam identificar Kodos. O Capitão convida a companhia de teatro para se apresentar a bordo da USS Enterprise para poder investigar. Porém, tentativas de assassinato começam a ocorrer na nave.

COMENTÁRIO: Episódio bem desenvolvido! Gostei da trama. As ações levam os telespectadores a pensarem numa solução para o caso e ao final surpresas acontecem. Óbvio que não poderia faltar a porção machista insuportável de se colocar mulheres deslumbrantes (neste episódio, a atriz Barbara Anderson no papel de Lenora, filha de Kodos). Repito, a estória foi uma das melhores até agora.

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15. O EQUILÍBRIO DO TERROR ("BALANCE OF TERROR")

Assisti em 18/08/24

SINOPSE: Uma espaçonave romulana destrói bases da Federação, e a USS Enterprise a persegue. Os romulanos têm um dispositivo de camuflagem muito bom. As duas naves entram numa batalha estratégica como num jogo de xadrez. As semelhanças entre os romulanos e os vulcanos acaba provocando preconceito contra Spock.

COMENTÁRIO: O tema da discriminação dos tripulantes em relação a Spock por ter aparência semelhante à dos inimigos foi interessante. Se até hoje o tema é bandeira de luta identitária, imaginem nos anos sessenta, quando até as leis discriminavam as pessoas em países como os EUA e a África do Sul com seu regime de Apartheid.

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16. A LICENÇA ("SHORE LEAVE")

Assisti em 09/09/24

SINOPSE: A tripulação da USS Enterprise vai passar as férias em um belo planeta em tese desabitado no sistema Omicron Delta, mas Sulu e Bones (Dr. McCoy) são atacados por um samurai e um cavaleiro sanguinário. O planeta está sugando a energia da nave.

COMENTÁRIO: Primeiro, tripulantes da nave veem o coelho apressado e a pequena Alice correndo atrás dele. Depois, Don Juan. Um samurai ataca Sulu. Era para ser uns dias de férias para toda a tripulação, mas ao identificar coisas estranhas, o Capitão Kirk interrompe a descida da tripulação. O episódio se desenvolve ao inconfundível efeito das sonoplastias - efeito central na série - e o final surpreende o telespectador. Episódio interessante! 

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17. O PRIMEIRO COMANDO ("THE GALILEO SEVEN")

Assisti em 12/09/24

SINOPSE: Spock e outros tripulantes são atacados por gigantes mortais em um planeta. Spock arrisca a vida de todos por uma chance mínima de resgate.

COMENTÁRIO: Episódio interessante ao abordar o embate entre uma suposta racionalidade sem pitada alguma de emoção - tudo seriam análises probabilísticas -, como seria o caso de Spock, e seu oposto, um cotidiano de decisões humanas normalmente influenciadas por impulsos movidos a paixões e emoções arbitrárias: sentimentos bem típicos dos humanos. (no comando, as decisões que Spock precisa tomar são parecidas com aquelas que socorristas têm que tomar ao escolher quem tem mais perspectivas de salvamento e tempo de vida)

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18. O SENHOR DE GOTHOS ("THE SQUIRE OF GOTHOS")

Assisti em 03/10/24

SINOPSE: Quando um alienígena imaturo e admirador de Napoleão captura a USS Enterprise, o Capitão Kirk oferece a sua vida em troca da liberdade da tripulação.

COMENTÁRIO: Trelane é um excêntrico habitante de um planeta órfão à deriva no espaço. Ele tem poderes incríveis. Ao perceber a proximidade de uma espaçonave, começa a brincar com a tripulação. No final, Kirk sobrevive por interferência dos pais do terrível Trelane, que não passava de um imaturo de uma espécie muito mais poderosa que a dos humanos. Tiveram dó do capitão e sua tripulação: os pais de Trelane disseram que não sabiam que os humanos eram tão frágeis... 

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19. ARENA ("ARENA")

Assisti em 21/12/24

SINOPSE: A USS Enterprise é atacada por alienígenas desconhecidos - os Gorns - enquanto investiga a quase destruição da colônia de Cestus III. Outra raça, os Metrons, captura Kirk e o gorn e obriga que eles lutem entre si para libertar o vencedor e sua nave e destruir o perdedor. Kirk se recusa a lutar nessas condições.

COMENTÁRIO: Episódio interessante. O capitão Kirk está sedento de vingança ao ver que a população de Cestus III foi dizimada pelos Gorns, de forma impiedosa. Como "polícia" do espaço, Kirk está decidido a atacar e eliminar os Gorns para que não cometam mais os atos que cometeram. Spock tentou convencer Kirk a não atacar os Gorns, mas obedeceu ao Capitão. O final traz uma esperança de que num futuro distante, uns mil anos à frente, nós humanos sejamos um pouco menos violentos como espécie que resolve tudo na base da guerra e morte.

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20. AMANHÃ É ONTEM ("TOMORROW IS YESTERDAY")

Assisti em 21/12/24

SINOPSE: Uma estrela negra manda a USS Enterprise de volta à Terra dos anos 60. Antes de voltarem, porém, o Capitão Kirk e a tripulação terão de eliminar todas as evidências de sua visita.

COMENTÁRIO: Achei um dos melhores episódios que vi até o momento. A questão a ser resolvida pelos tripulantes da USS Enterprise foi realmente complexa. Ao serem vistos por uma pessoa dos anos sessenta, e precisar levá-la a bordo, não podiam devolver alguém que soubesse do futuro, pois isso colocaria em risco o próprio futuro. Aí se desenvolve a trama de como fazer para resolver o problema. Muito bom!

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21. CORTE MARCIAL ("COURT MARTIAL")

Assisti em 24/12/24

SINOPSE: Um oficial da USS Enterprise é morto em um acidente estranho, e os registros do computador indicam que o Capitão Kirk é o culpado.

COMENTÁRIO: Um dos melhores episódios da série. Este e o anterior ganharam muito em complexidade e qualidade no enredo. O episódio coloca em debate a questão que seria o futuro da humanidade: o computador erra? Ele é infalível? Pode um homem ser julgado e condenado baseado somente na certeza de uma máquina? E olha que o episódio é anterior ao clássico "2001 - Uma odisseia no espaço", de 1969. Muito bom!

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22. A HORA RUBRA ("RETURN OF THE ARCHONS")

Assisti em 25/12/24

SINOPSE: Ao chegar a um planeta em que uma nave da Frota Espacial desapareceu anos atrás, a tripulação da USS Enterprise descobre um computador tirano que domina o povo.

COMENTÁRIO: Uma sociedade perfeita, que vive em paz e sem conflito. Sem alma. Humanos como autômatos. Neste episódio, Capitão Kirk, Spock e Dr. McCoy tentam enfrentar "Landru", o governo invisível, e libertar o povo. A diversidade ainda é a melhor alternativa para a sociedade, é o que concluo da estória. 

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23. SEMENTE DO ESPAÇO ("SPACE SEED")

Assisti em 26/12/24

SINOPSE: A USS Enterprise encontra uma raça violenta liderada por Khan Noonien Singh, que briga com Kirk pelo controle da nave, colocando um colega de confiança contra a Frota Estelar.

COMENTÁRIO: Episódio tenso. Achei interessante. Sempre que vejo episódios da série, me concentro no fato de saber que foram exibidos nos anos sessenta. Khan é um homem de séculos atrás em relação ao tempo da tripulação da USS Enterprise, dos anos noventa do século XX. Ele é mais forte que os humanos normais porque naquela época, a humanidade estava fazendo eugenia para melhorar a espécie e havia produzido super-homens. Isso deu merda, porque segundo Spock ao se criar homens superiores eles irão querem ser superiores aos demais. A humanidade sucumbiu às guerras e ditadores. Temática bem atual se pensarmos o momento hoje.

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24. UM GOSTO DE ARMAGEDON ("A TASTE OF ARMAGEDDON")

Assisti em 28/12/24

SINOPSE: Ao chegar a um planeta em que a tripulação está condenada à morte, o Capitão Kirk descobre uma guerra virtual em que se comete suicídio para evitar o combate real.

COMENTÁRIO: Um episódio pra lá de interessante! O seriado antecipa em décadas uma possibilidade que viria a ser a realidade no século XXI: um mundo dominado por computadores que simulam a realidade alterando comportamento de populações inteiras. Na estória, dois planetas estabelecem um acordo que já dura 500 anos no qual uma espécie de jogo de batalha naval virtual estabelece que os alvos de um ou de outro planeta foram atingidos e assim, bovinamente, um determinado número de mortos daquele alvo entram em um câmara de desintegração e se suicidam em nome de uma suposta "paz", ou seja, enquanto vão se destruindo alvos virtuais e matando de verdade pessoas em nome desse jogo - 3 milhões de vítimas por ano - se evita uma guerra de verdade nas estruturas dos dois planetas. Uma coisa estúpida, burocrática e que segue por séculos. Bom episódio!

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25. DESTE LADO DO PARAÍSO ("THIS SIDE OF THE PARADISE - FALSCHE PARADIESE")

Assisti em 29/12/24

SINOPSE: A tripulação chega a um planeta em que todos ficam calmos e apaixonados. O Capitão Kirk logo descobre o verdadeiro motivo por trás disso.

COMENTÁRIO: Um planeta inviável para a vida humana e de animais domésticos por causa de um tipo de radiação que mata aos poucos as células. Uma colônia de humanos que vai para esse planeta e de forma inexplicável segue viva. A tripulação da USS Enterprise desce ao local para verificar o que houve e de repente vemos Spock virar um "bicho grilo" apaixonado e sem lógica alguma. Depois a nave inteira fica deserta ao ver a tripulação ir curtir a vida naquele planeta "paz e amor". O segredo era uma planta tóxica que expelia um fungo que alterava o comportamento dos humanos e servia de antídoto aos raios mortais. Episódio doido. Interessante!

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26. O DEMÔNIO DA ESCURIDÃO ("DEVIL IN THE DARK")

Assisti em 30/12/24

SINOPSE: Um monstro mata vários homens em uma mina; Kirk e Spock vão investigar. Spock descobre que a criatura é inteligente e tem um motivo válido para matar.

COMENTÁRIO: Como nos episódios anteriores, a temática foi interessante. Os humanos invadem um planeta para explorar seus minerais colocando em risco uma espécie que vive por lá. Imaginem o que nós humanos fazemos diariamente: destruímos uma Amazônia inteira para uns fdp pegarem um pouco de ouro. A tripulação da USS Enterprise, por ter um ser humano diferente, Spock, que consegue se comunicar com a criatura, consegue firmar uma espécie de acordo, uma convivência entre os colonizadores do planeta e a espécie que lá vive há milhares de anos.

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27. MISSÃO DE MISERICÓRDIA ("ERRAND OF MERCY - KAMPF UM ORGANIA")

Assisti em 30/12/24

SINOPSE: Kirk tenta criar uma base da Federação no planeta dos Organianos. Contudo, quando os Klingons atacam, os Organianos mostram toda a sua evolução.

COMENTÁRIO: O episódio é do final dos anos sessenta, mas a postura imperialista do Capitão Kirk foi a de sempre, os caras se acham donos do mundo, quer dizer, do Universo. A USS Enterprise percebe que um povo guerreiro vai invadir um planeta e decide que os norte-americanos vão intervir e se oferecem para proteger as vítimas, os Organianos (a Federação da série Star Trek é a OTAN da atualidade). Enquanto Kirk insiste com o Conselho dos Organianos para aceitarem a ajuda da Federação, eles dizem que são contra violência e não querem ajuda de ninguém. Episódio muito legal! Ao final, as supostas vítimas são uma raça superior, mais evoluída, e impede os bárbaros da Federação e os Klingons de guerrearem. Kirk faz uma confissão ao Spock, diz que sentiu raiva de perceber que eles não mandam porra nenhuma no Universo, que tem gente bem mais poderosa que eles... (né!!!)

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28. O FATOR ALTERNATIVO ("THE ALTERNATIVE FACTOR - AUF MESSERS SCHNEIDE")

Assisti em 30/12/24

SINOPSE: Kirk conhece Lazarus, um homem que muda constantemente. Lazarus explica que busca constantemente seu eu paralelo no espaço e tempo.

COMENTÁRIO: Episódio fraco e confuso, se pensar os últimos que vi. Quando a estória não ajuda, a gente fica incomodado com as falhas de verossimilhança. Como um sujeito doido, que não pertence à tripulação da USS Enterprise, com crises de doidura, pode ficar perambulando pela nave como o tal Lazarus, que causa curto em painéis de controle, rouba cristais de energia etc. O tema até que era bom, sobre matéria e antimatéria, mas o episódio não foi dos melhores.

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29. A CIDADE À BEIRA DA ETERNIDADE ("THE CITY ON THE EDGE OF FOREVER")

Assisti em 31/12/24

SINOPSE: Bones (McCoy) volta aos anos 30 e, sem querer, destrói o futuro. Para reverter o estrago, Kirk e Spock vão ao passado, e lá, Kirk se apaixona.

COMENTÁRIO: Outro grande episódio envolvendo viagem no tempo. Desta vez, o dilema envolve não interferir no passado na morte de uma pessoa. Esse tema de possibilidade de viagem no tempo foi um sonho dos humanos no auge das descobertas científicas do século vinte. Neste episódio, se uma pessoa não morresse, os EUA teriam adiado a entrada na 2ª GM e Hitler teria vencido a guerra... ou seja, os americanos é que salvaram o mundo... pqp!

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30. OPERAÇÃO: ANIQUILAR ("OPERATION ANNIHILATE - SPOCK AUBER CONTROLLE")

Assisti em 01/01/25

SINOPSE: Alienígenas matam o irmão de Kirk e acabam infectando Spock em outro planeta, mas a tentativa de Bones de curá-lo provoca efeitos colaterais inesperados.

COMENTÁRIO: Um ser que se parece com uma ameba, unicelular, que se apodera das pessoas através de uma dor insuportável que faz a pessoa sucumbir. Em um momento de definição sobre o que fazer para impedir que os organismos tomem outros planetas habitados por humanos - já haviam destruído outras populações -, o Capitão Kirk chega a pensar em eliminar meio milhão de pessoas desse planeta em questão. Felizmente, a última tentativa de eliminar o organismo dá certo...

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AVALIAÇÃO GERAL DA PRIMEIRA TEMPORADA

Ao ver séries do passado nos tempos atuais, é necessário, na minha opinião, um esforço para se colocar ou imaginar como as pessoas daquela época receberam os episódios.

A primeira temporada de Jornada nas Estrelas se deu nos anos sessenta, momento de grandes embates políticos no mundo. Só para lembrarmos algumas questões na pauta dos países e das pessoas: 

- Os jovens revolucionários de Cuba, liderados por Fidel Castro, colocaram para correr o ditador bancado pelos EUA;

- URSS e EUA disputavam corações e mentes no mundo, a tal Guerra Fria entre o socialismo real e o capitalismo; e a Guerra do Vietnã;

- Os jovens do mundo impulsionavam uma revolução cultural com a invenção da pílula anticoncepcional, os shows de Rock and Roll, a luta pelos direitos civis e políticos;

- Os EUA financiavam golpes de Estado e ditaduras sanguinárias em toda a América do Sul e Central;

- URSS e EUA estavam na corrida armamentista e de conquista do espaço. Os soviéticos já haviam mandado para o espaço naves que conseguiram voltar como, por exemplo, a nave Sputnik 2 com a cachorrinha Laika.

- Os EUA investiam pesado na indústria cultural para manipular os desejos e o imaginário dos povos do mundo através do "American Way of Life". Hollywood era parte dessa indústria da narrativa dos norte-americanos.

Enfim, eu imaginei esse cenário ao ver cada episódio de Star Trek. Ao tecer comentários após cada episódio, me lembrei dessas coisas. 

São muito American Way of Life: a forma machista e sexista como se tratava (ainda se trata) as mulheres, a predominância de homens brancos nas posições de poder, a forma arrogante e opressora na qual o Capitão James T. Kirk se apresenta nos episódios etc.

Por outro lado, a série antecipou várias tecnologias que se tornariam realidade no cotidiano das pessoas no mundo. O telefone celular é um exemplo. Transmissões por satélite e instantâneas em qualquer parte do mundo é outro exemplo.

Gostei de ter assistido e conhecido a famosa série Jornada nas Estrelas. Claro que agora vou ver as outras duas temporadas. É inevitável a referência da série quando se fala em ficção científica no mundo do cinema. Vi episódios que anteciparam "2001: Uma odisseia no espaço" e "Blade Runner".

Sigamos conhecendo coisas novas, ainda que as novidades sejam coisas velhas... (rsrs)

William