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terça-feira, 3 de março de 2026

O sentido da vida (20)



Preservar a história coletiva dos trabalhadores


O momento histórico é de tráfego de bombas no céu, bombas que matam crianças, civis e autoridades políticas de países. 

Momento de mortes que atestam o baixo valor da vida no mundo onde tudo é mercadoria. Fim dos direitos. 

Ser do sexo feminino, ter pele não branca, ser periférico e pobre: perfis com baixo valor no capitalismo vigente. Risco alto de morte.

O sentido da vida talvez seja lutar para seguir vivendo para compartilhar a esperança na luta coletiva, na história da luta de classes. 

Passar dias nos locais de trabalho compartilhando com os novos trabalhadores o que todos já construíram juntos é uma razão para viver.

Salvar a humanidade tão incrível enquanto espécie e enquanto possibilidades é um sentido para a vida.

É necessário viver... e seguir lutando.

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sábado, 25 de outubro de 2025

Instantes (14h56)



Refeição Cultural

Acordei neste sábado com o corpo moído, cansado. Está claro que meu corpo não acompanha mais meu espírito. Bastou três dias seguidos de atividades políticas para cansar fisicamente. Por décadas, minha resistência não tinha fim... agora tem (risos irônicos).

Sabendo que meus sistemas cardíaco, muscular e endócrino estão sob risco, mantive minha disciplina de tentar fazer atividades físicas e saí para uma corridinha. Corri menos do que queria, mas acolhi o pedido do meu corpo. Sem ele, não seria nem estaria aqui.

HOMENAGEM A VLADIMIR HERZOG 

Se eu ouvisse somente os desejos do espírito (meu cérebro, o verdadeiro criador de tudo), teria um evento político para ir hoje, dia que nos lembra os 50 anos do assassinato do jornalista Vladimir Herzog, morto pelos trogloditas da extrema-direita que deu um golpe de Estado em 1964. Estarei na Sé presente em pensamento. Vladimir Herzog, presente!

Preciso descansar. Sou novo na idade, mas meu corpo é como um carro de aplicativo: rodou por muitos percursos e trilhas, algumas bem difíceis, e agora o motor está meio capenga.

Sigo como posso.

Will i am 

25/10/25

segunda-feira, 13 de outubro de 2025

O sentido da vida (12)



Ser às vezes o ombro amigo


Encontrou uma vizinha no ponto de ônibus. Parou para conversar com ela até que viesse o ônibus. Sempre que se encontram, ele a ouve com atenção. Ela tem mais de oitenta anos. Ela desabafou chorando... ingratidão e falta de respeito familiar. 

Dias atrás, ele ficou um tempão com uma pessoa muito querida ao telefone. Ela também chorou e desabafou... a ingratidão e desrespeito familiar estavam lhe fazendo muito mal.

Ele havia ido aos Correios postar suas Memórias para três amigos. A vida é um instante, seu desejo era deixar algumas unidades daquelas histórias reunidas em livro em alguns cantinhos do mundo.

Ao chegar da rua, soube pelas redes sociais do falecimento de um grande companheiro que viveu com ele muitas daquelas histórias de lutas sindicais no Banco do Brasil e na categoria bancária. Ficou triste demais. 

A vida é um instante. Se pudermos ao menos ser o ombro amigo de alguém por um instante, será um ato de solidariedade, um ato de amor.

José Michelena, presente!

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domingo, 21 de setembro de 2025

Diário e reflexões


Bem-acompanhado: a juventude militante de Osasco

Refeição Cultural

Domingo, 21 de setembro de 2025.


O Brasil viveu um dia bom. O povo brasileiro foi para as ruas se manifestar como não fazia faz tempo. Fiquei feliz de ver a participação e a alegria no rosto das pessoas. Senti um clima bom, e digo isso porque sempre participei das movimentações de rua. Conheço manifestações de todos os tamanhos e tipos de público.

Os brasileiros atenderam ao chamado de ocupar as ruas por causa do abuso dos parlamentares canalhas que compõem o Congresso Nacional. Ocuparam as ruas em defesa da soberania nacional, em busca de direitos como a redução da jornada de trabalho e a escala 6x1, por isenção de imposto de renda para quem ganha menos - a imensa maioria do povo ganha até 5 mil reais por mês -, pela tributação dos ricos e para que aqueles canalhas do Congresso não votem anistia para golpistas e impunidade para eles mesmos.

Foi um dia importante para o povo e para o nosso país. Um dia importante para quem preza a democracia e a soberania popular.

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REFLETINDO...

Pensei em escrever várias vezes nos últimos dias e acabei não escrevendo. Não sei, acho que preciso dar um tempo.

São tantas coisas acontecendo no mundo, no Brasil, em minha vida, tantas coisas!

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Hoje foi o Dia Nacional da Luta das Pessoas com Deficiência, 21 de setembro. Dias atrás, viemos do interior de SP conversando com o Carlos Eduardo, uma pessoa com deficiência visual, e durante algumas horas pudemos conhecer um pouco da realidade das pessoas com essa deficiência. Carlos é um dos poucos deficientes visuais no Brasil com um cão-guia, o Chicó. Ficamos encantados com eles e eu fiquei pensativo desde aquele dia. Nós temos que fazer algo por milhões de deficientes visuais e pessoas com outras deficiências. Estou com isso na cabeça há dias. 

A política deveria servir para isso, para ajudar as pessoas, e não para uns fdp f... a vida de milhões de pessoas e a natureza em benefício próprio. Que ódio dessa gente canalha e mau-caráter que ocupa o mundo humano prejudicando a vida da maioria e o planeta!

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Ao assistir ao vídeo de despedida do canal Tempero Drag, de Guilherme Terreri, e a pausa nas aulas da personagem drag queen Rita von Hunty, fiquei deprimido, triste de verdade. Guilherme já foi até tema de um capítulo de meu livro de memórias sindicais (aqui) por sofrer os malditos processos de cancelamento na época das eleições de 2022 por se posicionar sobre uma questão básica: votar no primeiro turno em candidaturas que representavam o que ele acredita. Ao falar da questão do genocídio do povo palestino e a continuidade dessa tragédia neste momento da história humana eu também me identifiquei de alguma forma com o que Guilherme partilhou conosco. 

Fiquei pensando sobre minha própria impotência e a validade das coisas que escrevo. Meus milhares de textos nesta plataforma são só mais uma fonte de dados para serem roubados sem citação para treinar as IA dos desgraçados das big techs que estão acabando com a inteligência humana e a vida na Terra. Leitores de verdade dos meus textos, deve ser uma parcela ínfima dos milhares de acessos mensais nos três blogs nos quais escrevo.

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Como disse, minha cabeça está a mil, a milhão... não quero registrar mais nada por hoje do que vai no meu "coração": o curso sobre o capitalismo e o colapso ambiental, curso fantástico no qual estou participando, me deixou pensativo pra caralho: como impedir o fim do mundo? (sinto que não vai rolar só na "paz e amor" das manifestações de rua); a sempre difícil relação pessoal com meu passado sindical e presente fora da política; as questões de família; minha saúde indo pro beleléu etc.

Chega.

William

terça-feira, 2 de setembro de 2025

Instantes (19h24)



Refeição Cultural

AMARGO

Acordei com a notícia do falecimento do jornalista Mino Carta, aos 91 anos de idade. Fiquei triste, amargo.

Nesses dias, faleceram Luis Fernando Verissimo e Jaguar. Três grandes jornalistas, escritores, pintores e cartunistas brasileiros. 

Essas perdas me fizeram pensar na morte como uma realidade inevitável a todos nós. Num momento, estamos aqui, noutro, não existimos mais. 

Após a notícia triste, não havia outra coisa a fazer que não fosse fazer a minha parte para alongar a minha permanência na Terra. Fazer uma atividade aeróbica para retardar a bomba-relógio de minha genética. 

(Fazer, fazer, fazer... a aliteração pode ser uma estilística, mas não uma solução...)

Durante a caminhada acelerada, pensei tanta coisa, mas tanta coisa, que nem poderia registrar! Deve ter sido a boa oxigenação no cérebro...

Aí, pensando a respeito da morte, tenho que engolir o fato repugnante de que aquele verme genocida está sendo julgado hoje por outro de seus crimes, por tentativa de golpe de Estado, e não pelo genocídio planejado de centenas de milhares de brasileiros... é muito injusto isso!

Bolsonaro não tem nenhum processo pela morte planejada de centenas de milhares de pessoas ao longo de sua gestão como presidente do Brasil durante a pandemia de Covid-19. O cara nem é mais lembrado por isso, pelos 700 mil mortos sob sua regência...

Amargo... estou amargo.

Todos os corruptos se dão bem no mundo! Todos, com raras exceções. Um tá cumprindo pena num apto de 600 m2. A canalha responsável pelo suicídio do reitor de Santa Catarina está aposentada com proventos integrais de 50 mil dinheiros...

Só pobre, pretos, miseráveis que se fodem nessa sociedade humana de merda!

Tô amargo pra caralho!

Aí quando vejo a notícia da morte do Mino Carta, fiquei pensando no livro dele na estante de casa que queria porque queria ter lido com o autor ainda vivo...

É aquela culpa que carrego como um pecado original por não ter lido um monte de livros e autores que gostaria de ter lido e não li... porra, quando foi pra ser leitor de dezenas de livros, optei por aceitar a missão de ser sindicalista... caralho! Não podia fazer de conta que era sindicalista, tinha que ser de verdade, aí o curso de Letras foi pro saco, pro inferno.

Fazer, fazer, fazer... fiz o que tinha que ser feito. Mas hoje não sou porra nenhuma! Não sou professor, não tenho profissão nenhuma. E como não sou mais sindicalista, não sou nada!

Estou amargo hoje. É muita gente que admiro morrendo, gente que ensinou, educou, politizou, transmitiu valores que estão se perdendo. Fico triste de ver partir intelectuais que dedicaram a vida a evoluir a espécie humana e a sociedade. 

Mino Carta, Verissimo, Jaguar, sempre presentes! Obrigado por tudo! Vocês melhoraram o mundo!

William 

02/09/25

segunda-feira, 28 de julho de 2025

O sentido da vida (4)



Ser ainda o complemento de outros

Deitado no sofá, tentando cochilar alguns minutos, ficou sentindo o bater compassado de seu coração através de seu ouvido direito encostado na almofada. Tum... tum... tum... o motor da vida.

Se a vida cessasse naquele instante, uma possibilidade absolutamente real e natural, o mundo mudaria no instante seguinte para as pessoas de sua relação cotidiana. Essas mudanças ocorrem o tempo todo há milhões de anos na vida dos seres vivos.

Ao se perceber que aquela vida já não existia mais, a vida de duas, três, cinco pessoas, ao menos, teria necessariamente que ser reinventada. Algumas ausências afetam uma quantidade enorme de vidas. Outras, talvez não sejam sequer percebidas. Ou ainda, afetam de forma intensa algumas vidas.

Talvez o sentido da vida - para um ser vivo e os outros de sua relação - seja essa condição de complementaridade que sua existência gera, a interdependência com outros seres.

Ele tinha essa consciência e por isso queria viver. Só essa condição já justifica o esforço do viver. Amor, talvez...

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sexta-feira, 27 de junho de 2025

Diário e reflexões



Refeição Cultural

Osasco, 27 de junho de 2025. Sexta-feira.


Enquanto aqueles jovens avaliavam minha boca hoje pela manhã, eu fiquei pensando naqueles momentos do passado, quando estudava corpos humanos nas aulas de anatomia na graduação de Educação Física no Náutico Mogiano. Me lembrei de algo que queria à época e avaliei que até hoje seria uma ideia interessante: doar meu corpo para ser utilizado por estudantes de medicina. Por dois anos, tratei com muito respeito todos os corpos nos quais aprendi noções sobre o corpo humano.

Se devemos esperançar, nos jovens devemos depositar nossas esperanças. O presente da sociedade humana e do planeta Terra insiste em nos deixar sem esperança alguma porque "tá difícil" ter esperança num amanhã melhor! Mas estamos aqui, a humanidade ainda está aqui, e na humanidade tem muita gente correta, muita gente lutando por mudar a tendência de fim do mundo ou pelo menos estudando e aprendendo coisas novas diariamente, e ler e estudar já abre portas, já gera oportunidades de conscientização de pessoas. Paulo Freire nos lembra que "só se ensina gente!".

Minha passagem pela comunidade humana nessas décadas de existência me faz acreditar nas premissas que a esquerda e os segmentos progressistas afirmam ao longo da história social dos homo sapiens, que as oportunidades mudam a vida das pessoas. Olhando em retrospectiva as etapas de minha vida, vejo o quanto fizeram diferença as oportunidades que foram aparecendo nas veredas por onde caminhei. Ao ver jovens que estão em suas jornadas, me vejo em vários exemplos comuns de todos eles.

Trabalho infantil e desgastante, morar em casebres e lugares ruins, ambientes repletos de baratas e inadequados, ódio do mundo e da vida, humilhações impostas por pessoas em posição de poder, tudo que vejo no dia a dia de milhões de jovens e adultos em nosso país e no mundo fez parte de minha jornada pela sobrevivência até aqui. Por isso avalio que sou um homem de sorte, a Lucky Man.

Durante um período da vida, tive até a felicidade de ser útil coletivamente aos meus irmãos e irmãs da classe trabalhadora. Foi outra oportunidade que a vida me deu que me moldou decisivamente na pessoa que sou hoje e isso após quase três décadas de uma existência mais focada em mim mesmo e não na coletividade de nossa espécie. A Lucky Man.

O mundo tá foda, é verdade! No entanto, a inteligência humana e as possibilidades que a educação e a cultura criam em nossa espécie não me permitem desistir de acreditar na capacidade humana de mudar o mundo e de ainda construirmos uma sociedade global mais solidária e justa para todas as espécies que habitam o único planeta no universo com condições tão diversas de abrigar formas de vida. E os jovens podem nos ajudar a mudar o mundo.

A vida pode ser melhor coletivamente!

William Mendes

27/06/25 (13h51)

sábado, 31 de maio de 2025

Diário e reflexões



Refeição Cultural

Osasco, 31 de maio de 2025. Sábado.


O MUNDO E A VIDA PODEM SER MELHORES

E mais um mês do ano vai terminando. O tempo segue avançando nos relógios do mundo humano. Marcação de tempo é uma invenção do animal homo sapiens. O restante dos elementos da natureza só estão por aí, estão, são, se transformam ou são transformados em outros elementos. No fundo, nós humanos também só estamos, somos, estamos por aí, por aqui.

Faleceram neste mês alguns seres humanos que eu os tinha como pessoas que contribuíram positivamente para a comunidade humana; morreram, não estão mais entre nós. 

Pepe Mujica estará por muito tempo nos corações das pessoas progressistas; esperemos que suas palavras e seu exemplo inspirem as pessoas que caminham pela Terra. Marcos Martins, nosso companheiro de Osasco, me inspirou a ser um bom sindicalista; ele fez o bem para muita gente em nossa cidade e Estado. O professor Evanildo Bechara foi um progressista no trato da Língua Portuguesa na questão da inclusão dos diversos falares de nosso povo. Sempre teve o meu respeito. Uma referência também. Sebastião Salgado foi e será por muito tempo um ser humano que inspira e exemplifica o quanto podemos ser melhores para o mundo.

O tempo segue na nossa vida de animais humanos que marcam o tempo... tic tac tic tac.

O mundo poderia e pode ser muito melhor para o conjunto da população e para a biodiversidade da Terra. Nós temos uma capacidade inacreditável de criar soluções para as coisas, os homo sapiens são seres vivos de grandes possibilidades. A questão que acompanha a nossa caminhada pelo planeta é: por que o mal está sempre prevalecendo na sociedade humana se somos seres dotados de inteligência? Como mudar isso?

Educar massivamente a população com princípios éticos e solidários é uma forma de melhorar a sociedade humana. Educação, cultura, ciência com ética, conhecimento voltado ao bem coletivo... elementos característicos das possibilidades da natureza do animal humano. Podemos mudar o mundo verdadeiramente se reunirmos as condições adequadas para tal mudança. Uma coisa é fato: nossa espécie desenvolveu tecnologia para fazer a vida no planeta Terra ser melhor para nós e para a biodiversidade. Desenvolvemos, sim.

Com atitude e estratégia adequadas, nós as pessoas de boa vontade pelo bem comum, podemos mudar a tendência atual do fim das condições de vida na Terra.

Eu sei que neste momento, neste exato momento, fim do dia 31 do mês de maio do ano de 2025 no Brasil e no mundo, as coisas estão ruins para o bem da humanidade e da biodiversidade. Eu sei. Genocídio do povo palestino e aumento dos miseráveis e gente sem-chão - expulsos pelos poderosos -, extrema-direita avançando, o capitalismo acelerando o lucro fácil e encurtando o amanhã de todos, as pessoas de boa vontade dispersas em pequenas bolhas e desunidas. Eu sei.

Eu não acreditei ser possível mudar o mundo e as pessoas até bem perto dos trinta anos de existência pela Terra. Nem viver eu queria, mesmo tendo importância para as pessoas de nosso meio social. Ao sobreviver às primeiras décadas, o caminhar encontrou veredas que me mudaram como pessoa, e nessas veredas acessei tudo aquilo que muda pessoas e o mundo: educação, cultura, ciência com ética, grupos éticos e solidários. Mudei porque os humanos podem mudar. Somos seres inteligentes.

Enfim, aos 56 anos de idade, estando ainda por aqui, sabendo que passaram pela Terra pessoas como Machado de Assis, lá no passado da escravidão no Brasil, vendo tanta gente boa nos locais mais simplórios do mundo, na região mesmo onde vivo, não tenho o direito de achar que o mundo não tem mais jeito, mesmo estando num cenário muito adverso para o bem comum. Meu percurso pela Terra exige de mim acreditar na vida e na inteligência humana.

Vem aí o mês de junho no meu mundo e no mundo todo. Vamos nos esforçar por viver decentemente, sem fazer mal a ninguém, e fazendo ações que possam de alguma forma melhorar a vida humana. Compartilhar pensamentos como esse é minha singela forma de defender que acreditemos que é possível fazer o mundo melhor. 

Não represento ninguém, já representei e tentei representar decentemente. Mas, no fundo, sou um exemplo de uma pessoa que foi modificada pelas oportunidades da educação, da cultura, da ciência, do acolhimento e da solidariedade das pessoas.

William


 
Com Pirulla, em 19/9/22.

Post Scriptum: estou na torcida pela recuperação do Pirulla, figura do bem, dessas que citei acima, que sofreu um AVC nessa semana. O pessoal mais próximo a ele pede apoio, pois ele cuida de seus pais idosos e não há previsão sobre sua condição de voltar ao trabalho de divulgação científica. 

PS 2: Torço pelas pessoas que conheço que estão na luta por suas condições de saúde e vida. São pessoas boas e que sempre praticaram o bem comum.


segunda-feira, 26 de maio de 2025

Instantes (23h10)


Com Marcos Martins em 29/03/25.

Refeição Cultural

Um dia triste. Estive no velório do querido companheiro Marcos Martins, liderança histórica de Osasco e do Partido dos Trabalhadores. Fui prestar minha homenagem ao político que foi inspiração e referência para mim desde que o conheci no final dos anos oitenta, época na qual ele organizava os bancários como funcionário do nosso Sindicato. Eu trabalhava no Centro Administrativo do Unibanco (CAU) na Rodovia Raposo Tavares e por influência do Marcão e sua equipe me envolvi com o Sindicato.

Um dia triste pela partida de um líder popular que inspirou e agregou pessoas para as causas de nossa gente, um povo explorado e sofrido, povo de um país desigual, com uma elite má, perversa e canalha. Marcos Martins era um político diferente da maioria que conhecemos por aí. Era um cara simples, solidário, preocupado com o próximo. Transmitia uma humildade e uma firmeza de propósito que encantava a gente. Eu sempre vi o Marcão como via minha tia Alice, minha mãe e as pessoas simples que conheço. 

Até a forma simples de se vestir no dia a dia nas bases sociais que representava foi uma referência para mim quando fui sindicalista. Não é a roupa que define as pessoas e sim suas ações, pensamentos e práticas.

Companheiro Marcos Martins, presente! Obrigado por tudo!

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Mais um dia de mortes de crianças, mulheres, de um povo sendo trucidado pelo exército assassino de Israel. O que fazer para parar o genocídio do povo palestino? Só nesta semana os sionistas massacraram mais de setecentas pessoas na Faixa de Gaza! O mundo humano do século XXI assiste sem tomar uma atitude que faça parar o morticínio dos irmãos e irmãs tão humanos como qualquer um de nós.

É insuportável passar o dia sabendo que estão matando um povo e não podermos fazer nada!

Essa miséria toda da humanidade só faz aumentar meu sentimento de privilégio por estar em um teto, com comida disponível, num lugar sem a guerra acontecendo. E olha que a extrema-direita quer fazer a guerra chegar até onde estou. Mas ainda estamos aqui!

Sinto vergonha como ser humano. Mas sinto que como ser humano podemos mudar o mundo. Só nós podemos fazer isso! 

Gostaria que a gente da minha classe parasse de defender o capitalismo e se propor a administrar a manutenção do regime de destruição do mundo, regime dos capitalistas. 

A única chance para o mundo é lutar pelo fim do capitalismo e dos capitalistas! Olho ao meu redor e sinto uma solidão profunda! Não vejo as pessoas de meu meio querendo mudar o mundo.

Parem de matar o povo palestino!

William

26/05/25

domingo, 25 de maio de 2025

Instantes (15h46)



Refeitório Cultural

Quando fui comer um pão de queijo que trouxe da padaria para o café, fiz uma prece ao Deus dos palestinos para que ele interceda por seu povo que está morrendo de fome neste momento na Faixa de Gaza sendo ocupada pelo exército de Israel, que mata crianças, mulheres, idosos e civis diariamente e o mundo não faz nada para interromper esse genocídio. Mais cedo, ao tomar um copo de iogurte e comer uma banana, também me senti mal ao pensar na fome dos palestinos em Gaza. Que mundo é esse? O que posso fazer para mudar essa realidade? Estou com vergonha da minha espécie animal.

Ao caminhar no Parque Continental, uma região ainda arborizada da cidade e do Estado governados por dois humanos que representam a morte e a destruição da natureza em benefício de seus parças capitalistas, minha mente esperançava utopias contrariando minha razão que me deixa com cara de cu para a existência humana. Na caminhada com dores no quadril esperançava que ainda posso melhorar minha condição física, quase acreditando em milagres. Ao redor a natureza: que insiste em viver, mesmo sob ataque feroz dos humanos, que insistem em matar a vida de tudo. Até borboletas e flores multicores enfeitaram meu caminho.

Os filhotes da fauna e os brotos da flora são sempre a esperança da vida. Sempre. Sementes da esperança os filhotes, as crianças e as plantas. Até o quentinho do sol insiste em fazer a gente acreditar no amanhã.

Que o Deus dos palestinos e os deuses de todos os povos (os que pregam o amor e não o ódio) prevaleçam e a gente possa ter um amanhã.

William

25/05/25

terça-feira, 13 de maio de 2025

Poema 29: Pepe Mujica, presente!


PEPE MUJICA, PRESENTE!


Hoje nos deixou Pepe Mujica.

Mujica nos deixou o exemplo,

nos deixou sábias palavras,

ensinamentos sobre a vida.


Papa Francisco e Mujica se foram.

Segue a luta pela paz e contra a fome:

temos Lula, Claudia Sheinbaum e mais.

Temos a juventude chegando e agindo.


Minha esperança não se apaga

ao ver a luta de Luna Zarattini,

a juventude do Coletivo JuntOz:

Heber, Gabi e Matheus em Osasco.


Mujica, és inspiração para os jovens.

O presidente Lula defende noite e dia

um mundo mais justo e solidário, sem fome.

Esperanço com a juventude! Sigamos!


Companheiro Pepe Mujica, presente!


William

13/05/25


sexta-feira, 18 de abril de 2025

Livro: A morte de Ivan Ilitch - Lev Tolstói



Refeição Cultural 

"'Aí está, morreu; e eu não' - pensou ou sentiu cada um. Quanto aos conhecidos mais próximos, os assim chamados amigos de Ivan Ilitch, pensaram então involuntariamente também que precisavam, agora, cumprir umas obrigações muito cacetes, ir às exéquias, e também fazer uma visita de pêsames à viúva." (A morte de Ivan Ilitch, Lev Tolstói, 2015, p. 9)


Peguei Lev Tolstói para ler novamente a história de Ivan Ilitch.

Estou me sentindo meio Ivan Ilitch. Deve ser por isso que peguei Lev Tolstói. 

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O primeiro capítulo já começa contando aos leitores que Ivan Ilitch morreu. Deu no jornal. 

As pessoas da relação cotidiana no trabalho de Ivan Ilitch souberam da notícia e tiveram que fazer as exéquias ao morto e família. 

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No segundo capítulo, conhecemos a história de Ivan Ilitch: 

"um homem capaz, alegre, bonachão, comunicativo, mas um severo cumpridor daquilo que considerava seu dever; e considerava como seu dever tudo aquilo que consideravam como tal as pessoas mais altamente colocadas. Não era um adulador quer quando menino, quer já homem feito..." (p. 18)

Ivan Ilitch cresceu profissionalmente, casou-se, formou família. 

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"(...) Quando a instalação ia em meio, já superava a sua expectativa. Compreendeu o caráter comme il fault, elegante, nada vulgar, que tudo assumiria depois de pronto. (...) De uma feita, subiu numa escadinha, a fim de mostrar ao forrador de paredes, que não o estava compreendendo, como ele queria o serviço, tropeçou e caiu, mas, sendo forte e ágil, conseguiu segurar-se e chocou-se apenas de lado com o ressalto de uma moldura. O machucado lhe doeu, mas a dor passou logo. Durante todo esse tempo, Ivan Ilitch sentia-se particularmente alegre e com saúde..." (p. 30/31)

E então, certo dia, Ivan Ilitch sofre um pequeno acidente doméstico, uma queda. Aparentemente, sem consequências, deixando nele um pequeno hematoma na região. 

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Os prazeres 

"(...) Quanto aos prazeres de Ivan Ilitch, consistiam nos pequenos jantares, para os quais ele convidava senhoras e cavalheiros de elevada posição social, e essa maneira de passar o tempo com eles assemelhava-se à maneira habitual pela qual estes o passavam, de tal modo como a sua sala de visitas assemelhava-se a todas as salas de visitas." (p. 34)

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As alegrias 

"(...) As alegrias no serviço eram alegrias do amor-próprio; as alegrias em sociedade eram alegrias da vaidade; mas as verdadeiras alegrias de Ivan Ilitch eram as do uíste..." (p. 34/35)

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A doença 

"- Nós, doentes, provavelmente fazemos ao senhor muitas vezes perguntas inconvenientes. Num sentido genérico, é uma doença perigosa ou não?...

O médico olhou-o com severidade, com um olho só, por trás dos óculos, como se dissesse: acusado, se o senhor não se mantiver nos limites das perguntas que lhe são apresentadas, serei obrigado a tomar providências para o seu afastamento da sala das sessões..." (p. 38)

Com o passar do tempo, Ivan Ilitch se torna uma pessoa irritadiça, com certo gosto amargo na boca e indisposição às refeições. 

Isso afeta as relações de todos na família. 

Ivan Ilitch sente na consulta com o médico famoso o que imagina (agora na condição subalterna) sentir as pessoas sob seu crivo quando está exercendo sua autoridade de juiz: um bosta.

Saiu da consulta sem saber se era grave ou não o que tinha.

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Caio é mortal... mas Ivan também?

"O exemplo do silogismo que ele aprendera na Lógica de Kiesewetter: Caio é um homem, os homens são mortais, logo Caio é mortal, parecera-lhe, durante toda a sua vida, correto somente em relação a Caio, mas de modo algum em relação a ele. Tratava-se de Caio-homem, um homem em geral, e nesse caso era absolutamente justo; mas ele não era Caio, não era um homem em geral, sempre fora um ser completa e absolutamente distinto dos demais, ele era Vânia (diminutivo de Ivan), com mamãe, com papai..." (p. 49)

Os médicos divergiam quanto ao diagnóstico da doença de Ivan Ilitch (lembrando que estamos na década de 1880).

Segundo alguns diagnósticos, o problema poderia ser no ceco. 

O ceco é uma das partes do intestino grosso, órgão composto pelos cólons ascendente, transverso, descendente, sigmoide, reto e ânus. O ceco fica ao lado do apêndice. Imaginem o tratamento do sistema digestório no século XIX...

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Acolhido pelo mujique Guerássim

"(...) via que ninguém haveria de compadecer-se dele, porque ninguém queria sequer compreender a sua situação. Guerássim era o único a compreendê-la e a compadecer-se dele..." (p. 56)

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O silêncio constrangedor (e o blá blá blá da mentira)

"No meio da conversa, Fiódor Pietróvitch lançou um olhar a Ivan Ilitch e calou-se. Os demais olharam o doente e calaram-se também. Ivan Ilitch dirigia para frente os seus olhos brilhantes, provavelmente indignação com todos. Precisava-se consertar isto, mas não havia nenhum jeito de consegui-lo. Devia-se de algum modo romper aquele silêncio. Ninguém se decidia, e todos estavam com medo de que de repente fosse rompida a mentira decente, e se tornasse claro a todos aquilo que na realidade existia..." (p. 64)

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O fim

A novela caminho para o fim, ou seja, o início: a morte de Ivan Ilitch. 

O ser humano moribundo vivência seus últimos momentos na Terra. 

Tolstói descreve de maneira única e sensível os últimos dias de um moribundo. 

Eu fico por aqui na postagem. A riqueza de detalhes fica para cada leitor(a).

Foi minha terceira leitura de "A morte de Ivan Ilitch" (1886).

Ando me sentindo meio Ivan Ilitch... espero viver bastante e ter um fim diferente do fim do personagem clássico.

William 


Bibliografia:

TOLSTÓI, Lev. A morte de Ivan Ilitch. Tradução, posfácio e notas de Boris Schnaiderman. Texto em apêndice: Paulo Rónai. São Paulo: Editora 34, 2009 (2a edição).

Poema 26: Quando o corpo cansa


QUANDO O CORPO CANSA


Toquei em silêncio as árvores

do fundo do condomínio.

Elas não sabem que podem morrer.

Só nós sabemos da morte.


Sem ânimo pra falar de política,

de filmes, de livros, da vida.

Apesar de pertencer às coisas, 

não sinto pertencimento a nada.


Filmes sobre velhice e senilidade.

Os personagens: espelhos de todos nós.

O tempo chegou para meus pais...


Pior que não é só o tempo que chega.

Tem a genética, o percurso, a vida vivida.

Sei disso... Meu corpo cansou também.


William

18/04/25


quarta-feira, 19 de março de 2025

Diário e reflexões



Refeição Cultural

Osasco, 19 de março de 2025. Quarta-feira.


"- É desta massa que nós somos feitos, metade de indiferença e metade de ruindade." (Ensaio sobre a cegueira, José Saramago)


Li um artigo hoje que me deixou reflexivo, artigo anunciando uma grande guerra em breve. De certa forma eu tenho a mesma leitura de cenário, mesmo sem ter o conhecimento que o articulista tem, vivendo na Alemanha. As fábricas de automóveis alemãs estão sendo fechadas por crise econômica e vão virar fábricas de armas para abastecer a guerra adiante.

O artigo "A Europa se prepara para a guerra" é do professor aposentado Flávio Aguiar, que também é jornalista e escritor, e está na página do site Vi o Mundo. Tive algumas aulas de literatura na Universidade de São Paulo com o professor Flávio e gosto muito dele. Leio seus artigos desde a antiga página da Carta Maior.

Aí, lendo a carga de textos da primeira semana de aula da pós-graduação do Instituto Conhecimento Liberta (ICL), bibliografia da disciplina "Narrativas da História do Brasil", todos os textos versam sobre guerras, pessoas ou escravizadas ou deliberadamente eliminadas para desocupar o espaço onde viviam. 

Aí, os mais sensíveis (os que se importam) têm que lidar com a transmissão diária do extermínio do povo palestino sem que o mundo faça nada a respeito. Se hoje fosse o ano de 1943 ou 1944, com a tecnologia de transmissão ao vivo, estaríamos assistindo aos fornos dos campos de concentração nazista em pleno funcionamento, soltando a fumaça de judeus queimando e estaríamos exatamente iguais estamos vendo Israel explodir e queimar crianças, mulheres e civis palestinos aos milhares. O mundo não tá nem aí!

É isso que somos... é isso que somos enquanto espécie animal! Estou sendo convencido pelos fatos que nós não demos certo enquanto um dos seres vivos que apareceu neste planeta.

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Dilemas

Estou vivendo um dilema nesses dias. Percebi a urgência em sistematizar toda a minha produção textual publicada em blogs, ou seja, de forma virtual em plataformas nada confiáveis que estão se organizando para dominar o mundo e eliminar seus adversários e isso deveria ser feito não só por este articulista, mas por todas as pessoas e instituições que guardam suas produções culturais nas nuvens dessas empresas big techs inimigas da humanidade. Isso é sério e as pessoas e instituições não perceberam ainda que vão perder toda a sua produção.

Aí, por essa coisa minha de querer estudar e aprender, me peguei inscrito na pós-graduação do ICL e bastou regularizar a matrícula e entrar na plataforma de ensino algumas semanas depois do início do curso para ver que a carga de leitura de uma pós é enorme. A pergunta a mim mesmo é: devo seguir ou isso é outra aventura iniciativa e não "acabativa" que me enfiei na vida? A primeira semana da disciplina tem textos ótimos, mas são 150 páginas de leitura densa.

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Tenho outros dilemas...

Todos temos. 

E essa taxa selic de 14,25% pra foder o país, o governo Lula e o povo?

Estamos em guerra...

E nós estamos desarmados...

Que merda!

William 


terça-feira, 18 de março de 2025

Poema 21: Parem de matar palestinos!


PAREM DE MATAR PALESTINOS!


Quatrocentos mortos de uma vez!

Os sionistas do Estado de Israel

desrespeitaram o cessar-fogo

e explodiram quatrocentas

crianças, mulheres e idosos.


Parem de matar palestinos!

Parem de matar crianças!

Parem de matar mulheres!

Parem de matar idosos!

Parem de matar humanos!


Só os nazistas matavam às centenas!

Os nazistas matavam centenas de judeus!

Matavam queimados em fornos...

Judeus estão matando palestinos...

Explodidos e queimados!


Os fornos nazistas são hoje

a Faixa de Gaza queimando

os corpos palestinos.

Assassinos...

Parem de matar palestinos!


William 

18/03/25


domingo, 16 de março de 2025

Instante (Manguel, Borges cego, tio Léo, minha avó, Chris McCandless)



Refeição Cultural

Alberto Manguel conta em seu livro Uma história da leitura que por dois anos leu para Jorge Luis Borges já quase cego. Manguel era um jovem vivendo em Buenos Aires nos anos sessenta. Borges disse ao rapaz que sua mãe de 88 anos estava com dificuldades de ler para ele.

Tenho pensado muito esses dias no tio Léo. A situação de meu quadril me faz tentar imaginar o que o tio Léo pensava ou sentia ao perceber que suas pernas começavam a falhar e deixá-lo na mão. 

Ouvindo a trilha sonora de Na natureza selvagem, história do jovem "Alex Supertramp", na verdade Chris McCandless, trilha musicada por Eddie Vedder, também fico imaginando em tudo que Chris sentiu e pensou sozinho por meses no Alasca, principalmente quando riscou as últimas palavras no ônibus mágico: "Happiness is only real when shared". Pensei muito nessa mensagem... é verdade!

A foto que está marcando as páginas do livro de Manguel é da minha avozinha Cornélia, mãe do tio Léo e de minha mãe. A vó faleceu já faz alguns anos. Minha vó e o tio Léo, o filho caçula, eram muito apegados à vida.

Borges cego, tio Léo, minha avó, Chris McCandless sozinho no Alasca...

Minha avó caiu num segundo que viu uma oportunidade de andar sozinha quando não tinha ninguém por perto... quebrou o fêmur. 

A vida é tudo isso que viveu tio Léo, minha avó, McCandless, Borges... e nós. 

William 

16/3/25 (2h49)

sexta-feira, 14 de fevereiro de 2025

Diário e reflexões



Refeição Cultural 

Osasco, 14 de fevereiro de 2025. Sexta-feira. 


Saí de manhã para caminhar no Parque Continental, ver o estrago da tempestade de ontem e comprar algumas coisas no mercado.

Algumas árvores caíram na região, inclusive na frente de nosso condomínio. Lá no Parque caiu uma árvore gigante, partindo ao meio um poste de luz.

Ao descer para casa, vindo da Vila Yara, pensei no quanto minha saúde e condição física regrediram. O peso das compras agora importa, antes eu nem sofria. Sou novo, não é uma questão de idade. Talvez seja a intensidade com que vivi a vida.

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Meus problemas no quadril parecem apontar um futuro breve tenebroso. Quis o destino assim. Posso chamar a situação como "destino", casualidade. Sou o resultado da intensidade de tudo na minha vida. São as veredas que entrei e percorri.

Sobre meu sistema locomotor, tenho quase certeza que a volta ao Kung Fu aos 50 anos foi a causa da aceleração da destruição do meu quadril. Todo movimento repetitivo foi muito intenso, isso fodeu geral meu sistema articular. Destino? Acaso?

Voltar a praticar arte marcial foi uma decisão racional. Vejam as cenas nos noticiários de jovens espancando e matando pessoas mais velhas sem nenhum remorso ou receio. É um mundo bárbaro. Entendo que temos que estar preparados para não deixarmos nos matarem assim, na mão, de forma torpe. Treinei uns dois anos. É meu dever não deixar que me matem na porrada.

Sou teimoso, persistente. Ninguém pode me acusar do contrário. Posso ter sido pusilânime em vários momentos da vida, mas minha natureza é aguerrida, insistente quando persigo um objetivo. Foi assim para ser aluno de arte marcial aos 50 anos. Mas acho que paguei o preço.

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Neste momento, estou na academia do condomínio, escrevendo enquanto treino. Tenho conhecimentos na área de saúde, sei que musculação é importante para as pessoas. Estudei Educação Física e fui gestor de saúde. Tudo por acaso, mas esse saber faz parte de meu percurso de vida.

Ainda sobre saúde, tem uma história esquisita a minha vida: até uns 45 anos, eu não cuidava da saúde de forma preventiva, fazia esporte, mas não tinha consciência de saúde. Comia sal na mão tomando cerveja, bebia pra caralho, comia muita porcaria.

Nunca gostei de ir ao médico ou consultas e hospitais. Minha família só se fodia quando precisava de um atendimento ou salvamento em algum caso agudo. Meu pai e minha mãe quase morreram algumas vezes por não terem atendimento adequado. Meus pais são crônicos desde seus quarenta anos. Uma vez, fomos até os jornais denunciar que meu pai não conseguia atendimento numa crise renal.

Quando passei a ter acesso a atendimento médico como funcionário de banco público, tinha um mal-estar terrível pelo privilégio: por que eu tinha plano de saúde e meus pais e minha irmã não? Fiquei praticamente dos 22 aos 45 anos sem fazer nada preventivo, só usei a Cassi em casos agudos. E fazia os exames médicos do banco. 

Virei gestor de saúde, passei a dar exemplo como liderança dos trabalhadores nos exames preventivos, descobri que tinha pressão alta e me cuidei na última década. Talvez isso tenha me salvado a vida, evitado um infarto e ou AVC. Meu pai já teve tudo isso. Acaso? Destino?

Respondo a essas perguntas retóricas: acaso. Não acredito nessas narrativas das abstrações humanas.

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Escrevi essas lembranças do passado talvez porque esteja com uma impressão ruim do presente e do futuro. 

Tenho pensado na forma como o tio Léo adoeceu e faleceu, um homem forte como um touro, perdeu a força nas pernas e ficou numa cadeira de rodas; no meu pai que reclamava de dores crônicas desde antes de ter um plano de saúde, as dores eram no quadril; nas pessoas queridas que estão com alguma doença ou dificuldade física e querem melhorar... meu quadril bichado tem me feito pensar muita merda. 

Por falar em gente insistente e teimosa, meu pai é outro cara turrão pra caralho. Por isso que temos tantas discussões ruins. Acho que é de sangue isso... E minha mãe? Temos um trato que já dura uma vida inteira: eu me esforço pra viver e ela se esforça pra viver porque precisamos uns dos outros.

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Aí fico pensando no mundo no qual estamos enfiados, na falta de sinais de mudança de tendência do tempo escatológico no qual nos metemos: destruição da natureza pelos homens do capitalismo, a esquerda que não luta mais contra o capitalismo, eu que não caibo mais na esquerda que me politizou... tudo isso é foda!

Pra finalizar essas elucubrações do dia - depois que terminei minha série e me sentei sob o calor do sol de fim de tarde - fiquei pensando a vida... tem horas que penso naqueles objetivos que tinha traçado quando era outra pessoa, décadas atrás... quando se é jovem, os desejos e utopias são bem mais claros do que depois que ficamos velhos.

O que quero para esses dias? para fevereiro? para este ano? O que estou perseguindo agora? Vale querer o meu quadril de volta?

Queria e ainda quero um mundo mais justo para as pessoas. Saúde. Conhecimento e cultura. Amor. Ver as pessoas felizes (talvez até eu mesmo). Consideração. Me sentir parte de um projeto de mundo.

Caraca... pqp. Tenho a impressão que não vou alcançar meus objetivos...


(aquela cena do ciclista morrendo com um tiro por dois imbecis por causa de um celular... vai tomar no cu com esse mundo! Poderia ser eu ou você. Que merda de mundo é esse? Por causa de um celular?!)


Aí fico pensando se deixasse de existir de forma estúpida assim de um minuto para o outro... o que eu gostaria de fazer agora?


William 


sexta-feira, 24 de janeiro de 2025

Diário e reflexões



Refeição Cultural

Osasco, 24 de janeiro de 2025. Sexta-feira.


"O óbvio é aquilo que nunca é visto até que alguém o manifeste com simplicidade" (Kahlil Gibran)


Na minha cabeça as cismas são relativas a sentimentos diversos, sentimentos que não me fazem bem, é certo. Tenho maturidade e experiência para lidar com sentimentos ruins, pelo menos se comparar com o comportamento que tinha décadas atrás. As oportunidades que tive nas veredas que trilhei me moldaram para não ser pior do que era antes, acho até que melhorei sim com o aculturamento que tive nas últimas etapas da existência.

Na minha cabeça algumas palavras que significam coisas profundas ficam vibrando ando ando, palavras como memória, identidade, liberdade, morte, história, vida, tempo, consideração, responsabilidade, pertencimento, conhecimento e outras palavras ou expressões com significados que qualificam* a experiência do animal humano enquanto existe ou até mesmo que o qualificam após sua passagem pelo planeta Terra.

* Substantivos que dão sentido à existência, é o que quero dizer com qualificar a experiência humana. 

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"O homem atrás do bigode
é sério, simples e forte.
Quase não conversa.
Tem poucos, raros amigos
o homem atrás dos óculos e do bigode.
"

(Poema de sete faces, CDA)

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Em dias como hoje, com dores no quadril e na região lombar, minha consciência acende um sinal de alerta que fica piscando piscando piscando dentro da cabeça, cismando com cenários quiçá catastróficos para a sequência de minha existência. Não sou o homem por trás dos óculos e do bigode, como diz Drummond, mas sou o homem que associa bastante sua vida aos olhos e às pernas, para ler e para caminhar.

Meu passado público não existe mais, não tenho passado, até porque passado real não é nada mesmo em tempos de ascensão nazifascista, quando só a manipulação e invenção de passados interessam aos grupos que estão na disputa pela hegemonia total dos ambientes materiais e imateriais. 

Sem passado, meu medo é perder minha memória, minha identidade. Ao menos eu mesmo teria que saber se o que fiz na vida foi real ou se tudo não passa de uma invenção da minha imaginação. Já pensou se uma doença degenerativa apaga minha memória já apagada por outros?

Como não tenho domínio sobre o tempo, assim como não tenho domínio sobre o passado, a vida e a morte, devo exigir de mim mesmo, de minhas faculdades mentais, a definição de prioridades para o presente, o instante, o minuto que vivo estou.

Em face das leituras de realidade que faço, avalio que devo focar meu tempo em resgatar minha história de lutas e estudos e minhas reflexões e contribuições ao mundo registradas em meus blogs o mais rápido que puder. Não sei o dia de amanhã, nem o meu como ser humano mortal, nem o do ecossistema virtual onde estão meus milhares de textos de toda uma vida cultural e política.

Vou parar uns dias e a partir do mês que vem, vou me concentrar na tarefa de minha produção literária de duas décadas. Tenho que seguir relendo, diagramando e encadernando milhares de textos dos dois blogs que mantenho desde 2006.

Também seguirei tentando ler os clássicos da literatura universal porque era um sonho antigo e ainda tenho pilhas de livros para ler. Os desejos de leituras tinham motivações diferentes a cada aquisição de livro desde a adolescência. Agora, a leitura deve ser somente por sede de saber e por prazer.

Às vezes, me envolverei em questões políticas porque político sou, não sou alienado. Nesta semana mesmo, por ter leitura diferente do encaminhamento tomado pelo movimento sindical ao qual militei por décadas, dediquei um tempinho em me informar sobre temas do momento e escrevi minha opinião a respeito da questão no blog A Categoria Bancária.

Mas pretendo focar meu tempo relativamente saudável aos meus textos, leituras e coisas que não me tragam tanto sofrimento quanto os desgostos da política.

Acho que é isso.

A frase que abre esta reflexão, sobre o óbvio, foi um presente que ganhei de funcionários da Cassi nos primeiros meses como gestor eleito da autogestão. Enfrentei absurdos cotidianos com muita coragem, pois pouca gente parecia disposta a dizer o óbvio naquele ambiente no qual militei na defesa de direitos em saúde e na defesa da Caixa de Assistência e seu modelo assistencial.

William


domingo, 5 de janeiro de 2025

Diário e reflexões - Companheiro Cezinha, presente!



Refeição Cultural

Domingo, 5 de janeiro de 2025.


Hoje foi o velório e sepultamento do companheiro Cezinha. Grande ser humano, um militante histórico da classe trabalhadora. Encontrei pessoas com as quais compartilhei duas décadas de vida, pessoas queridas.

Cezinha estará sempre em nossos corações como uma daquelas pessoas imprescindíveis nas lutas por um mundo melhor e mais justo para os trabalhadores. 

Cada amigo e companheiro de lutas do Cezinha acabou contando algum "causo" que viveu com ele nas atividades sindicais, pois sua presença sempre foi muito contagiante em qualquer ambiente onde ele se encontrava.

Minha lembrança com o Cezinha é daquelas boas de se recordar. Estávamos na 1ª caravana da classe trabalhadora a Brasília em 2004 para reivindicarmos uma política de valorização e aumento real do salário mínimo. Choveu muito e estávamos ensopados.

Cezinha honrou essa bandeira!

Nossa história foi a seguinte: estávamos com muitos companheiros idosos, os velhinhos da companheira Glória Abdo, como chamávamos carinhosamente as caravanas organizadas pela Glorinha.

Entramos na Catedral Metropolitana de Brasília - aquela do Oscar Niemeyer - para que o pessoal pudesse ir ao banheiro. 

De repente, o padre responsável barrou o pessoal e de forma arrogante informou que em dia de atividades populares na Capital do país, ele mandava fechar os banheiros.

Cezinha e eu começamos a discutir com o padre e tentar um acordo com ele para deixar pelo menos os mais idosos utilizarem o banheiro.

O padre bateu o pé e disse que ninguém utilizaria os banheiros naquele dia. Nossos companheiros ficaram revoltados.

Cezinha e eu usamos de todos os argumentos possíveis, até relembrando os evangelhos e as palavras de Cristo... o homem era de coração empedernido, um burocrata da fé.

Alguns companheiros idosos revoltados ameaçaram até mijar nas paredes já que o padre não permitia usar os banheiros naquele dia.

Enfim, o evento todo virou um "causo" para ser contado depois.

A companheirada teve que achar outro local para usar os banheiros. A burocracia é assim, burocrata algum se preocupa com o povo, em primeiro lugar vêm sempre as coisas mundanas, o mundo material.

Grande Cezinha! Estará sempre em nossas lembranças, meu amigo! Foi muito bonito ver as bandeiras da CUT, do PT e do Sindicato junto ao militante histórico.

Nossa solidariedade aos seus filhos e familiares. Companheiro Cezinha, presente!

William Mendes


sábado, 28 de dezembro de 2024

Leitura de poesia (28) - Voo rasante, Genésio dos Santos



VOO RASANTE - GENÉSIO DOS SANTOS


Quisera voar

e nenhum deus me deu asas.

Daí eu não poder cantar 

o voo das gaivotas

nem a cor dos céus.

Daí eu não poder cantar 

o pico das montanhas, 

eu, que nem alpinista sou.


Tudo deve ser tão belo

mas minha visão não alcança. 


Meus olhos só veem

o que se passa aqui no chão

que é onde rastejo.

Meus olhos veem fome.

Meus olhos veem sede.

Meus olhos veem guerra. 


Muitas vezes 

eu passo sobre monturos

e com eles me confundo.

Eu os envolvo,

eles me envolvem

e nós nos deterioramos.


O voo das gaivotas,

a cor dos céus, 

o pico das montanhas, 

ficam cada vez mais longe.


A arte de transpor muros

não é tão fácil. 

Ser poeta o é. 


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COMENTÁRIO:

O

Que

Faço 

Para

Parar

A

Matança 

Do

Povo

Palestino?


Meus olhos veem fome.

Meus olhos veem sede.

Meus olhos veem guerra.


William 


Bibliografia:

SANTOS, Genésio dos. Número um. São Paulo: G. dos Santos, 1978.