Mostrando postagens com marcador Leitura em voz alta. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Leitura em voz alta. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 21 de agosto de 2026

Diário e reflexões


Paralisação no BB Verbo Divino. Foto: Sindicato 

Refeição Cultural

Sexta-feira, 21 de agosto de 2026.


ELEIÇÕES 

O calendário de campanha das eleições brasileiras teve início nesta semana. Serão eleições duríssimas para nós da classe trabalhadora e das classes subalternas e populares, a base da pirâmide econômica da sociedade.

Na minha leitura, baseada na experiência política que adquiri ao organizar e representar os trabalhadores por muitos anos, as eleições serão as mais complicadas desde a redemocratização do país e vigência da Constituição Federal de 1988. 

Há uma guerra explícita contra a reeleição do presidente Lula e para que o Congresso Nacional não seja renovado com uma representação maior do povo pobre e trabalhador. Os donos do poder farão de tudo para manter a maioria esmagadora de parlamentares vinculados a eles.

Em SP, voto Luna Zarattini 1302, Marcolino 13310, Marina 180, Tebet 400, Haddad 13 e Lula 13. 

Se vocês, leitores do blog, puderem, participem da campanha e me ajudem a pedir votos aos nossos candidatos e candidatas.

---

CAMPANHA SALARIAL DOS BANCÁRIOS

Ontem, participei da paralisação nacional da categoria bancária. Estive com as companheiras e companheiros do Sindicato na concentração do Banco do Brasil da Verbo Divino, na região Sul da cidade. A participação dos trabalhadores foi excelente!

Na próxima semana, o Comando Nacional dos Bancários se reunirá novamente com os banqueiros e esperamos que os bancos façam propostas que atendam às reivindicações da categoria.

À noite, estive no aniversário da companheira Deise Recoaro, militante com quem aprendi muito no movimento sindical. Encontrei muita gente querida, amigas e amigos de longas jornadas de lutas.

---

LEITURAS E ESTUDOS

Estou tentando ler e estudar diariamente. É só lendo e exercitando nosso cérebro, verdadeiro criador de tudo, como nos ensina o neurocientista Miguel Nicolelis, que podemos seguir evoluindo como seres humanos e como seres incompletos que somos, como ensina o professor Paulo Freire.

Li Machado de Assis e as memórias de José Dirceu. No final desta sexta-feira, li em voz alta o conto "Entre santos", de 1886, do Bruxo do Cosme Velho.

Sigamos lutando por um mundo melhor.

William

terça-feira, 10 de agosto de 2021

Lendo Espumas Flutuantes, Castro Alves



Refeição Cultural

Hoje comecei um novo projeto de leitura de poesias em voz alta. Agora vou ler os poemas de Espumas Flutuantes (1870), de Castro Alves. 

A leitura é feita diariamente, alguns poemas por dia, de forma declamada, e depois escolho um e declamo em vídeo. Calculo ler o livro em onze dias. São 55 textos, incluindo o prólogo e a dedicatória, em forma de poesia também.

No início da pandemia mundial de Covid-19, em 2020, fiz a leitura em voz alta do livro de Drummond, A Rosa do Povo (1945). Foi uma experiência muito interessante! A obra teve muita sintonia com o momento histórico que vivemos. Isso me envolveu muito na leitura.

CALIBRANDO O CÉREBRO PARA LER POESIAS

Para ler poesias o primeiro passo é acertar o foco mental no estilo de poesia que vamos ler. 

Isso às vezes é necessário porque senão lemos como se não estivéssemos lendo nada... palavras, palavras, palavras... como diria Hamlet.

Sair de uma leitura de poesia épica como Odisseia (Homero) na tradução do maranhense Odorico Mendes para uma poesia romântica de Castro Alves requer uma adaptação das ondas mentais. 

A leitura em voz alta contribui para essa "calibragem" da leitura de poesia porque podemos ouvir e acertar a cadência ideal, aqueles ensinamentos que aprendemos sobre ritmo, pausas, tom de voz etc.

Enfim, comecei a conhecer o poeta brasileiro Castro Alves. Daqui a onze dias saberei um pouquinho mais que hoje, serei menos ignorante nessa lacuna cultural.

Li o "Prólogo", a "Dedicatória", "O Livro e a América", "Hebreia" e "Quem Dá aos Pobres Empresta a Deus". 

Escolhi fazer o vídeo do "Prólogo" (ver aqui), mas gostei bastante do poema sobre o livro. Quem sabe depois eu grave vídeo dele também.

É melhor ler os clássicos do que não ler os clássicos, como nos ensina o escritor italiano Italo Calvino.

William


Bibliografia:

ALVES, Castro. Espumas Flutuantes. O Estado de São Paulo/Klick Editora, 1997.


sexta-feira, 18 de dezembro de 2020

Leitura: Uma Hora e Mais Outra - Drummond


 

Post Scriptum: rápida leitura analítica

Ao reler o poema, fiquei buscando sentidos... ("pois a hora mais bela/surge da mais triste.")

É um poema bem Drummond. Estrofe única com 127 versos, direto e sem parar, só com os respiros do ritmo da poesia moderna, o ritmo é do poeta, os versos ou as linhas do texto vão mudando na conveniência dos sentidos e não de acordo com formas ou normas preestabelecidas.

O Eu lírico começa assim:

"Há uma hora triste
que tu não conheces."

E então, ele descreve que "Não é a da tarde", "Não é a da noite", "e também não é a/do nascer do sol".

E continua enumerando qual não é a hora triste que ele quer dizer: "não a da comida", "nem a da conversa", "não a do cinema"...

E vai sem limites no que tem que dizer: "nem essa hora flácida/após o desgaste/do corpo entrançado/em outro..."

"nem a pobre hora/da evacuação:"

Até aqui, o poema enumerou momentos no tempo relacionados ao tempo físico, da natureza; e também enumerou tempos de horas cotidianas nas ações humanas. Horas necessárias na natureza humana!

Tarde, noite, manhã; comida, conversa, cinema; sexo e evacuação.

Já estamos com 60 versos... 60 versos. A hora tem 60 minutos, um minuto tem 60 segundos. 60 versos...

O Eu lírico não quis dizer que as horas que já enumerou não são tristes: "Pois hora mais triste/ainda se afigura;" (versos 61 e 62)

E aponta a condição humana mais triste, talvez, a hora em que estamos sós: "te colhe sozinho/na rua ou no catre". 

E sozinho, te resignas e desiste de lutar: "já não te revoltas/e nem te lamentas,"

O Eu lírico reforça a imagem de solidão e resignação quando enumera que estamos sem apoio, material e psicológico: "sem nenhum apoio/no chão ou no espaço,".

E assim, só, resignado, sem apoio, vives como um zumbi, um robô, "tu vives: cadáver,/malogro, tu vives,/rotina, tu vives".

O Eu lírico, diante de toda essa imagem de desânimo e resignação daquele ao qual ele se dirige (nós), aponta o que gostaria de fazer:

"que pegar quisera
na mão e dizer-te:
Amigo, não sabes
que existe amanhã?"

Aqui temos a chave do poema.

Com a mão amiga, o Eu lírico nos reanimou, nos tirou do marasmo. Nos deu sentido, que não estávamos encontrando sozinhos (entre os versos 97 e 101). E segue a partir do verso 102:

VAMOS JUNTOS!

"Exato, amanhã
será outro dia.
Para ele viajas.
Vamos para ele."

Drummond tem essa característica fantástica. Apesar das imagens que nos remetem a duras realidades, ele abre esperanças e recomeços.

E agora o Eu lírico nos coloca caminhando juntos a outros, já não estamos sós. "Teu passo: outros passos/ao lado do teu."

Nesse momento do poema, nessa hora, já caminhamos por caminhos diversos, "pés no barro, pés/n'água, na folhagem." e o poeta nos lembra "mas tudo é caminho."

E terminamos por encontrar a hora mais bela da união e do caminhar juntos a partir da hora mais triste em que estávamos sós, desanimados e sem reação. 

No momento em que tivemos uma mão amiga para nos apoiar, encontramos a hora mais bela.

"mas tudo é caminho.
Tantos: grossos, brancos,
negros, rubros pés,
tortos ou lanhados,
fracos, retumbantes,
gravam no chão mole
marcas para sempre:
pois a hora mais bela
surge da mais triste."

Obrigado, Drummond! Obrigado!

William


Bibliografia:

ANDRADE, Carlos Drummond de. A Rosa do Povo. 19ª edição. Rio de Janeiro: Record, 1998

terça-feira, 15 de dezembro de 2020

Leitura: Anoitecer - Carlos Drummond de Andrade



Este poema de Drummond, do livro A Rosa do Povo, é um dos poemas que tenho apreciado ao refletir sobre as configurações do tempo em narrativas e poesias. O poema é muito significativo. 

A Rosa do Povo traz uma sequência impressionante de poemas que abordam temáticas como as debatidas por Mircea Eliade em Mito do eterno retorno: mudança de um período de tempo para outro, mitos de criação e regeneração, passagem do tempo etc.

Fiz essa leitura durante o início da quarentena e isolamento social devido à pandemia mundial do Covid-19. Na época, li o livro todo em voz alta e gravei a leitura de alguns dos poemas.


quinta-feira, 26 de novembro de 2020

10. A Rosa do Povo - Carlos Drummond de Andrade



Refeição Cultural - Cem clássicos

Seguindo na contagem de minhas leituras clássicas, hoje vou refletir sobre a leitura recente de um dos livros mais densos de nosso poeta maior, Carlos Drummond de Andrade. Segundo o autor "obra que, de certa maneira, reflete um 'tempo', não só individual mas coletivo no país e no mundo". Os 55 poemas do livro foram escritos durante os anos cruciais da 2ª Guerra Mundial.

Aliás, estou às voltas com a temática do "tempo", das configurações do tempo nas diversas formas de narrativas e poesias, através de minha participação na disciplina de Literatura Comparada II, ministrada pela professora Viviana Bosi, e não consegui definir ainda o tema e o autor de meu trabalho final. Talvez eu vá de Drummond.

A leitura completa de A rosa do povo (1945) se deu num contexto absolutamente diferente da normalidade. Li o livro entre o dia 3 de junho de 2020 e o dia 13 de junho do ano da pandemia mundial de Covid-19. Estávamos no auge da quarentena aqui no Brasil e em isolamento social. Decidi, então, ler em voz alta 5 poemas por dia, durante 11 dias, e ainda gravava o vídeo de um dos cinco lidos a cada dia. Foi uma experiência muito intensa!

A Rosa do Povo é uma criação poética que nos causa estranheza, que nos instiga e incomoda ao passar por seus poemas; não é possível ficar indiferente a ela. O poeta diz que ela é marcada por um tempo: a 2ª GM e suas consequências. No entanto, diria que ela é atemporal, porque lida hoje é perfeita para o contexto que vivemos. Um pouco da explicação está em seus poemas.

Os dois primeiros poemas do livro, "Consideração do Poema" e "Procura da Poesia", são uma espécie de contrato entre o poeta e os leitores. Ele estabelece sua poética e acaba por explicar porque seus poemas ficarão para a posteridade, se mantendo instigantes e provocadores, fazendo seus leitores explodirem em sentimentos independente da época e local da leitura.

Em "Procura da Poesia" o poeta nos revela sua poética e talvez o segredo da atemporalidade de sua criação poética, talvez a explicação para o fato de suas poesias perdurarem no tempo, se universalizando:

"Não faças versos sobre acontecimentos."; "As afinidades, os aniversários, os incidentes pessoais não contam."; "Não faças poesia com o corpo,"; "O que pensas e sentes, isso ainda não é poesia.".

E segue:

"A poesia (não tires poesia das coisas)

elide sujeito e objeto."

E nos conta a fonte de sua poesia, de sua poética, o "reino das palavras", palavras que lá estão em "estado de dicionário".

Na "Consideração do Poema", Drummond afirma ser "Poeta do finito e da matéria/cantor sem piedade, sim, sem frágeis lágrimas," e diz que todas as palavras lhe convêm.

Ao longo do livro, veremos vários poemas abordando o "tempo", a passagem do "tempo", tanto o tempo físico, cronológico, quanto o tempo psicológico e histórico. O livro é demais!

William


Bibliografia:

ANDRADE, Carlos Drummond de. A Rosa do Povo. 19ª edição. Rio de Janeiro: Record, 1998.

quinta-feira, 25 de junho de 2020

Leitura: O direito de resistência - Pedro Serrano


Leituras em voz alta

Recomendo a reflexão acerca do artigo do jurista e professor de Direito Constitucional Pedro Serrano. O artigo foi publicado na revista Carta Capital, edição 1.092, de 12/2/20. A tese sobre o direito de resistência dos povos contra as tiranias é muito adequada em face do que estamos vivendo em países como o Brasil, que vive um estado de exceção desde o golpe à democracia em 2016.