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segunda-feira, 13 de outubro de 2025

Entrevista: Leonardo Boff (2005)



Refeição Cultural

A Fundação Perseu Abramo publicou em abril de 2006 o livro "Leituras da crise - Diálogos sobre o PT, a democracia brasileira e o socialismo". À época, a entrevista da filósofa Marilena Chaui foi fundamental para mim, dirigente sindical da categoria bancária. 

Estávamos no ano de eleições presidenciais e o primeiro governo Lula havia enfrentado uma crise política motivada principalmente pelas questões de financiamento de campanhas eleitorais, crise batizada pelos nossos inimigos de classe como crise do "mensalão", uma invenção do deputado Roberto Jefferson (PTB) em entrevista à Folha de S. Paulo, à Renata Lo Prete, em junho de 2005. 

A crise trouxe à público a questão do "caixa dois", prática de uso de recursos não contabilizados formalmente pelos partidos. Dirigentes do PT e aliados tiveram que responder a processos referentes a isso.

Feita a contextualização do momento no qual o livro foi lançado, registro a atualidade dos pensamentos e reflexões de Leonardo Boff, ao rever a entrevista. Mais ainda, a leitura de "A Carta da Terra", aprovada em 14/03/2000 pela Unesco, me fez lembrar o quanto é antigo e urgente o tema do colapso social e ambiental. O documento deveria ser adotado por todas as instituições da sociedade humana. 

Enfim, eu não teria condições de destacar na postagem tudo que considerei relevante, são dezenas de páginas de reflexões e ideias extraordinárias. 

Cito alguma coisa e sugiro aos leitores do blog que leiam na íntegra as 4 entrevistas do livro. Vocês vão se surpreender com a atualidade das reflexões de Chaui, Stedile, Wanderley Guilherme e Boff.

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UTOPIA

"A utopia pertence à realidade. A realidade nunca é apenas o dado empírico. Ela contém dentro de si infindas virtualidades e possibilidades."

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IMPORTÂNCIA DA BASE

"Ligados organicamente às bases, os políticos são continuamente educados, reeducados pelo povo e nele encontram mil razões para continuar a lutar por causas justas que atendam às demandas desse povo."

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INDIVÍDUO E REVOLUÇÃO 

"A revolução, para ser radical (mudança de rumo na história para atender às demandas da população sistematicamente negadas), precisa envolver todo o homem e todos os homens." (A palavra homem está aqui como genérica de homens e mulheres)

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"Cada sujeito deve ser envolvido nesse processo e ele mesmo mudar. Se não mudar, a revolução em algum momento mostrará seu impasse. Foi por não ter tido cuidado com esse processo global, que inclui o sujeito concreto e pessoal, que o socialismo, no meu entender, abortou seu projeto libertador."

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"O sujeito não pode ser entendido nos moldes do liberalismo e da visão burguesa da sociedade, em seu esplêndido isolamento e independência. O sujeito é sempre e concretamente um nó de relações, não apenas sociais (a tendência do pensamento de Marx), mas de relações totais e em todas as direções, até aquelas que incluem o transcendente e a sede de infinito."

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"Não basta que sejam transformadas apenas as relações sociais. Cada sujeito deve ser envolvido nesse processo e ele mesmo mudar."

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"Viva de tal maneira que aquilo que você vive possa ser válido para todos os demais seres humanos." (Kant)

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Sobre o PT 

"Pretendeu, na linha de Paulo Freire, fazer dos pobres e excluídos, uma vez conscientizados e organizados, os sujeitos do processo de libertação."

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TEOLOGIA DA LIBERTAÇÃO 

Nesta parte da entrevista, Boff explica o que é a Teologia da Libertação, fala sobre o papa Wojtyla (João Paulo II, inimigo da Teologia da Libertação) e Ratzinger (Depois Bento XVI), sobre marxismo e socialismo real etc. Muita informação relevante. 

"A Teologia da Libertação é uma teologia militante. Não se contenta em pensar a ortodoxia apenas como se faz normalmente nas faculdades de teologia. Quer a ortopráxis, quer dizer, incentiva uma prática que nasce do capital religioso do cristianismo, mas visa transformar a realidade social por considerá-la dissimétrica (analiticamente), injusta (eticamente) e pecaminosa (teologicamente). Essa libertação tem de ser libertação mesmo, quer dizer, não pode ser assistencialista e paternalista - que faz para os pobres, mas não se dá conta da força histórica dos pobres. Ela somente é libertadora se tiver os oprimidos (que são pobres e simultaneamente cristãos) como sujeitos de sua libertação, libertação com os pobres e a partir dos pobres. A igreja é apenas aliada e fornece os espaços institucionais aos pobres."

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Uma alternativa ao capitalismo 

"No fundo se pensava: o capitalismo não ocupa todo o espaço, há um antipoder, uma alternativa possível de organização das sociedades humanas, com limitações e avanços que não se podem desconhecer. Defendia-se não tanto o socialismo real, mas a oposição ao capitalismo."

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"A derrocada do socialismo atingiu a Teologia da Libertação, pois sabíamos que sem ele começaria a barbárie do capitalismo."

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A Teologia da Libertação e Marx

"A Teologia da Libertação nunca teve Marx como pai nem como padrinho. Ela bebeu primeiramente de sua própria fonte, que é a tradição judeu-cristã, que sempre deu centralidade aos pobres, ao tema da libertação do cativeiro egípcio e babilônico e à prática histórica de Jesus, que foi pobre e disse 'felizes de vocês pobres e ai de vós ricos'. E que não morreu tranquilamente na cama como um piedoso rabino cercado de discípulos, mas na cruz, fruto de um juízo político-religioso que o condenou com o castigo dado a revoltosos sociais."

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"Mas ela encontrou em Marx as boas razões para entender por que o pobre não é pobre, e sim um explorado e injustiçado. Ele é um empobrecido, feito pobre por fatores de ordem econômica, social e cultural, que hoje ganham corpo especialmente no capitalismo."

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Natureza e ambientalismo

"Precisamos de outro paradigma de civilização, que inaugure outro tipo de relação, não contra a natureza, mas em sinergia com ela."

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RETOMAR O CONTATO VIVO COM AS BASES

"Os membros do PT encontrarão mil razões para viver, para continuar no PT, quando se ligarem à vida concreta do povo."

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"A insensibilidade social dos estratos poderosos de nosso país é simplesmente criminosa."

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A LUTA PELA SUPERAÇÃO DAS DESIGUALDADES 

"O que escandaliza no Brasil não é tanto a pobreza mas a desigualdade social, porque ela esconde uma grave distorção política e ética da sociedade. Politicamente, significa que a sociedade não foi pensada para todos, mas fundamentalmente para atender às demandas das elites e dos incluídos no sistema de acumulação. Eticamente, significa uma falta perversa de humanidade, de solidariedade social e de compaixão para com a desgraça dos demais concidadãos."

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"Tudo o que se fizer para salvar vidas que estão sob risco não é assistencialismo nem paternalismo mas humanitarismo básico, em grau zero. Se falto a esse gesto me torno inumano e me faço inimigo de minha própria humanidade."

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Fé-libertação 

"O povo é pobre e religioso. Durante séculos vivia uma fé-resignação. A partir dos anos 1960 começou a viver uma fé-libertação."

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DEMOCRACIA SEM FIM E ÉTICA 

"Em ética não podemos ser ambíguos nem tergiversar. É de sua natureza a inteireza e a transparência."

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"Neste ponto prefiro ser kantiano: 'Age de tal maneira que tua ação possa ser válida para todos'. Se o PT aceitar o jogo da ética dominante, utilitarista e a serviço de interesses não coletivos, ele jamais inaugurará uma ruptura ética na política e perpetuará a sociedade que queremos exatamente superar..."

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CRISE ECOLÓGICA GLOBAL 

"A grande maioria da humanidade não se conscientizou suficientemente da singularidade do momento histórico que estamos vivendo. Nunca uma civilização como a nossa se propôs como meta explorar a Terra e seus recursos de forma ilimitada como no capitalismo..."

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COMENTÁRIO FINAL 

Enfim, amig@s leitores, a resenha ficou grande, e deu trabalho fazê-la. 

Como digo a vocês, leiam a entrevista inteira. Nem parece que foi feita há 20 anos, de tão atual.

Sigamos estudando e compartilhando conhecimento. 

Podemos salvar a humanidade e o planeta através da educação, ciência e cultura. 

William 

quinta-feira, 13 de junho de 2024

19 de 100 dias



19. Uma das coisas que sei que devem ser mais frequentes na minha vida é estar com pessoas presencialmente. Nos próximos dias estarei com meus pais e familiares de Minas Gerais. Isso é imprescindível.

Dentro do conceito de "carpe diem", avalio que devemos estar sempre que possível com pessoas queridas e que acrescentem algo positivo em nossa existência.

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FREI BETTO

Na estrada, lendo a biografia do dominicano Frei Betto, na parte na qual ele e companheiros estão como presos políticos no presídio paulista de Presidente Venceslau, no Natal de 1972, tem uma cena emocionante quando a advogada Eny Moreira promove um abraço aos 400 presos, durante a Missa do Galo (p. 203). 

Eu me lembrei de minha palestra em Curitiba, em 2019, quando promovi também um abraço coletivo para despertar os participantes do encontro - era um final de tarde e o pessoal estava cansado pelos debates do dia. 

Nada como um bom e carinhoso abraço para energizar as pessoas!

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O capítulo "Libertad aplazada", termina com a liberdade dos dominicanos, após cumprirem pena de prisão política, e com Frei Betto recebendo a notícia em agosto de 1974 da morte de Frei Tito, na França. O suicídio foi a única maneira que a vítima encontrou de se ver livre de seu torturador Sérgio Paranhos Fleury.

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O capítulo seguinte é muito didático ao falar sobre a Teologia da Libertação (TdL): "La Teología de la Liberación y la nueva Iglesia".

Frei Betto desenvolveu uma prática em seu cotidiano no cárcere que o auxiliou em suas reflexões e descobertas pessoais: a produção de cartas para o contato com o mundo exterior. 

Estou ficando sem luz solar no ônibus ao final de tarde na estrada. Vou encerrar a leitura e a postagem sobre meus dias de buscas.

Não consigo fazer citações do livro sobre Frei Betto. 

Gostei de uma passagem do capítulo que explica a essência da Teologia da Libertação, que coloca a injustiça social como pecado praticado por aqueles que exploram o povo. 

Houve uma conferência católica na Colômbia em 1968 que definiu as bases da TdL. Os irmãos Leonardo Boff e Clodovis Boff foram importantes formuladores da TdL.

Os cristãos devem se empenhar em combater as estruturas sociais que causam a miséria do povo.

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Enfim, pôr do sol na estrada. Vamos abraçar os familiares em Uberlândia. 

William 


Post Scriptum: é a primeira vez que faço postagem diretamente do celular, não tinha esse hábito. 


segunda-feira, 5 de dezembro de 2022

Leitura: O casamento entre o céu e a terra - Leonardo Boff



Refeição Cultural

Osasco, uma aldeia do mundo, 5 de dezembro de 2022. Segunda-feira de tempo nublado e quente.


A leitura dessa obra inspiradora e reflexiva foi precedida por uma apresentação sobre ela pelo próprio autor - o professor, teólogo, filósofo, escritor e defensor dos direitos humanos Leonardo Boff - no Instituto Conhecimento Liberta (ICL) no dia 9 de novembro deste ano. Por ser morador da região metropolita de São Paulo e ser associado ao ICL tenho tido a oportunidade de frequentar aquele espaço de cultura e conhecimento.

Foi a primeira vez que estive num evento presencial com Leonardo Boff. Que figura fantástica! O intelectual nos falou um pouco a respeito do livro, nos falou sobre histórias vividas por ele ao redor do mundo, nos revelou algumas sabedorias sobre o planeta Terra e as mais diversas formas de vida. Que figura inspiradora!

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OS POVOS INDÍGENAS E SUAS LÍNGUAS

"A classificação mais comum que se faz dos povos é pelas línguas que falam. Entre os povos indígenas do Brasil há uma das proliferações linguísticas mais significativas da história da humanidade. Em 1500, ao aportar Pedro Álvares Cabral em terras brasileiras, havia cerca de 5 milhões de indígenas, agrupados em 1.400 povos, falando 1.300 línguas. Hoje, devido à dizimação ocorrida em mais de quinhentos anos, restam apenas 180 línguas, havendo, portanto, uma perda de mais de mil (85% delas)..." (p. 206)

Esse dado que Boff nos apresenta é muito chocante, nos deixa triste, mas nos deixa também com um sentimento de urgência que nos impele a querer fazer alguma coisa para contribuir para a causa dos povos originários, para a causa dos seres humanos e dos seres vivos, para a aldeia única chamada Terra. É de nós que estamos falando.

Leonardo Boff, no ICL.

CONTOS E NARRATIVAS DOS POVOS INDÍGENAS

A primeira parte do livro é de uma leveza incrível. Comecei lendo uma ou duas narrativas por dia e agora no final li uma dezena delas para completar a leitura. 

São estórias, mitos, explicações de mundo, são sabedorias para se ler para sempre, para se ler para outras pessoas. Eu fiquei refletindo muito após várias narrativas. Fiquei vendo meu passado, minha vivência no interior de Minas Gerais. Me lembrei das viagens pelo Brasil todo, pois tive a oportunidade de conhecer todas as capitais do país.

CONTRIBUIÇÕES DOS POVOS INDÍGENAS

A segunda parte é mais informativa, por isso é a parte que nos deixa conscientes do quanto é grave o que está acontecendo no mundo, no nosso mundo, aos nossos povos originários. Temos que fazer alguma coisa para interromper a destruição em andamento porque o fim será de todos nós e não somente das culturas que estamos dizimando. A aldeia é única, vivemos na mesma "maloca", é a Pacha Mama.

LIÇÕES PARA NÓS: VIVÊNCIAS MILENARES

"Por isso, é extremamente ofensiva à sua dignidade a forma como o Estado brasileiro, com suas políticas indigenistas, os trata - como se fossem primitivos e infantis. Na verdade, eles guardam uma integralidade que nós, não indígenas, perdemos, reféns de um paradigma civilizacional que divide, atomiza e contrapõe para melhor entender e mais dominar. Eles são guardiães da unidade sagrada e complexa do ser humano, mergulhado com outros na natureza da qual somos parte e parcela. Eles conservam a consciência bem-aventurada de nosso pertencimento ao todo e da aliança imorredoura entre o céu e a terra, origem de todas as coisas." (p. 212)

Em nota, Leonardo Boff nos diz que, segundo dados da ONU, estima-se que existam cerca de 300 milhões de indígenas no mundo. No Brasil, só restam cerca de 300 mil. A maior parte deles vive na China, Índia e Austrália. Na América Latina são mais de 30 milhões de indígenas.

É urgente aprendermos as lições desses povos e seus ancestrais! Por milhares de anos, eles conviveram com os diversos biomas da Terra sem ameaçar a própria biodiversidade no planeta. Nós, com o advento do capitalismo, em pouco mais de 300 anos colocamos em risco a existência de todas as formas de vida na nossa única aldeia, a Terra.

VIVÊNCIA SUSTENTÁVEL

Vejam um exemplo de convivência harmônica de uma etnia com o seu meio ambiente: os Yanomami.

"Os Yanomami sabem aproveitar 78% das espécies de árvores de seus territórios, tendo-se em conta a imensa biodiversidade da região, na ordem 1.200 espécies numa área do tamanho de um campo de futebol.

  Para eles a Terra não é, como para o nosso modelo de civilização, um baú de recursos espantosos que podemos explorar ao nosso bel-prazer. A Terra é mãe do indígena, como dizem enfaticamente muitos deles. Ela é viva e por isso produz todo tipo de seres vivos. Deve ser tratada com a reverência e o respeito que se deve às mães. Nunca se há de abater animais, peixes ou árvores por puro gosto, mas somente para atender necessidades humanas. Mesmo assim, quando se derrubam árvores ou se fazem caçadas e pescarias maiores, organizam-se ritos de desculpas para não violar a aliança de amizade entre todos os seres." (p. 232)

Demais!

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COMENTÁRIO FINAL

O livro aguçou minha consciência a respeito de nossos povos originários. Aqui nesta aldeia chamada Brasil todos fomos paridos pelas mulheres indígenas e africanas ao longo dessa história de invasões bárbaras pelos povos violentos do Norte.

O que posso afirmar neste momento de minha existência é que não sei o que posso fazer para contribuir com a causa dos indígenas e da Pacha Mama, não sei como poderia usar o resto do tempo que tenho para lutar pela preservação da vida, das diversas formas de vida dessa aldeia comum e única na qual passamos por um breve instante.

William


Bibliografia:

BOFF, Leonardo. O casamento entre o céu e a terra - Contos dos povos indígenas do Brasil. Ilustrações de Daniela Ramos. São Paulo: Planeta do Brasil, 2022. 


quarta-feira, 9 de novembro de 2022

Leonardo Boff: inspiração!



Refeição Cultural

Osasco, 9 de novembro de 2022. Quarta-feira.


Hoje estive mais uma vez no Auditório Paulo Freire, do Instituto Conhecimento Liberta, o ICL, aqui na capital paulista. Por morar na grande São Paulo tenho tido a oportunidade de comparecer às aulas e eventos presenciais na sede do instituto, uma realização revolucionária em prol da educação libertadora e do compartilhamento do conhecimento humano.

O evento desta quarta-feira 9 foi o relançamento do livro de Leonardo Boff - O casamento entre o céu e a terra - Contos dos povos indígenas do Brasil. A tarde foi de muito proveito e reflexão.

Eu ainda não havia estado em um evento com o professor, teólogo, filósofo e escritor Leonardo Boff. Que figura extraordinária! Ainda tivemos o privilégio de estar por algum tempo com o padre Júlio Lancellotti, que chegou junto com Boff antes de seguir para outros compromissos.

Ao ouvir as intervenções dos professores Suze Piza, Lindener Pareto e Eduardo Moreira e as histórias e reflexões de Leonardo Boff fiquei pensando tanta coisa! Que ser humano inspirador! O teólogo nos falou muito sobre o planeta Terra, sobre os povos indígenas e originários e a sabedoria que eles têm. Falou sobre a destruição acelerada do nosso mundo por parte de nós, os brancos que vivem sob a hegemonia do sistema capitalista.

Muita reflexão! Muita inspiração! A gente sai do evento pensando em como ressignificar a nossa existência, pensando em como podemos contribuir para de alguma forma proteger a natureza e interromper a destruição e aniquilação de todas as formas de vida em nosso planeta por parte da espécie humana. 

Boff nos falou que vivemos o período antropoceno, a era geológica caracterizada pelos impactos do homem na Terra. Mas que já estamos entrando numa nova era no planeta: a era do fogo! O piroceno... porque aquecemos tanto o planeta que tudo está se desfazendo pelo calor, pelo fogo, pelo aquecimento global.

O que posso fazer para me engajar na defesa do planeta e das mais diversas formas de vida na Terra? O que podemos fazer? Se temos consciência do que está acontecendo temos que fazer alguma coisa! Os povos indígenas sabem o que fazer, mas eles não são ouvidos por nós...

O que fazer para não permitir que o capitalismo que a espécie humana destrua o nosso único mundo?

Estudar é um passo importante, é verdade! A ciência, o saber, o combate à ignorância são passos centrais. Mas temos que fazer algo para evitar o fim de tudo por causa da estupidez humana...

Muita reflexão a partir do contato com Leonardo Boff e com a temática da vida no planeta e a sabedoria dos povos originários com milênios de saber e conservação dos biomas da Terra.

William