Mostrando postagens com marcador Partidas. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Partidas. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

Crônica: Morreu o Dógão, meu pangasius


Esta terça-feira, 29 de janeiro, foi um dia muito triste pra mim. Morreu meu peixe pangasius, carinhosamente chamado de Dógão por nós em casa.

Estou na faixa dos quarenta anos de idade e tive na minha vida dois animais de estimação. O cachorro pequinês Leique me acompanhou por uns treze anos, ou seja, toda a minha infância. Meu peixe pangasius esteve comigo uns treze anos também, desde o início dos anos dois mil.

Sempre gostei de aquarismo. Eu tenho aquários desde os vinte anos de idade.


Ao fundo, vemos meu pangasius em dezembro de 2012.

A famosa frase de O pequeno príncipe - "você é responsável por aquilo que cativa" - talvez esteja intimamente ligada ao fato de eu ter passado toda a vida adulta curtindo peixes e aquários, pois ter aquário requer uma certa rotina e disciplina para manter os aquários em boas condições para se ter peixes saudáveis e longevos.

Ou seja, ter e cuidar de peixes ornamentais é ir no sentido contrário à velocidade do mundo contemporâneo. Vou sentir muito a falta do meu Dógão. Sou dirigente sindical e militante político há uns dez anos e a nossa vida é uma coisa completamente extenuante e sem rotina.


Olha lá meu pangasius com casa cheia.
Meu filho tinha uns 7 anos. Ele, uns 3 anos.


Nos primeiros anos de movimento sindical, eu pelo menos atuava sempre na mesma região e não viajava. Depois de 2006, quando entrei para a Contraf-CUT, passei a viajar com frequência e nos últimos anos quase não sobrava tempo para estar em casa. Acabei jogando parte da responsabilidade de cuidar dos aquários para minha esposa.

Mas uma coisa tive que fazer religiosamente ao longo da vida adulta: fazer manutenção em aquário aos finais de semana, pelo menos a cada quinze dias. Além do prazer de ficar ali lidando com água e peixes e o gostoso que é vê-los saudáveis, também existe a obrigação de "cuidar daquilo que eu cativo" e isso me fazia dar um tempo na mente e no corpo.

Conforme os anos foram passando, eu já me perguntava quem de nós dois iria primeiro, porque nunca poderia imaginar um peixe ornamental durar tanto tempo. 


Até março de 2009, o Dógão tinha companhia.
Depois disso, deu alguma doença na água e os
balasharks morreram e o pangasius albino também.


Meu peixe sobreviveu a todos os peixes que chegaram e morreram no aquário. Sobreviveu várias vezes às doenças que pegou. Sobreviveu às pancadas nos vidros que esta espécie normalmente dá. 

Incrivelmente, sobreviveu a um tombo de um metro e meio de altura quando pulou do aquário em 2011 e fez a minha esposa superar o maior pavor doméstico que tinha na vida (medo dele) e ela teve a coragem de pegá-lo sozinha no chão e salvá-lo.

Sério, cheguei a pensar que esse peixe não morreria antes de mim! Pesquisei algumas vezes para saber quanto tempo viveria um peixe pangasius de aquário ornamental, mas não achei resposta. Normalmente, eles morrem quando crescem por se baterem no aquário.


Meu pangasius em julho de 2010. Eu viajo muito,
mas era muito legal ver os hábitos do Dógão
conforme o horário do dia, quando em casa.


Vou sentir muita falta dele. Da rotina de cuidar do aquário e dele nos finais de semana.

Nos últimos meses, eu ficava muito tempo curtindo ele nos poucos momentos em que estava em casa. Estava muito legal vê-lo comer de noite. Era uma festa suas manobras embaixo da cachoeirinha pegando comida.

As leituras na minha cadeira de praia na sala era uma rotina: ler e olhar pro meu aquário...

O Dógão tinha uma rotina para cada hora do dia. Tinha a hora em que ele relaxava e ficava quietinho num canto... tinha a hora em que ele nadava de um lado para o outro, ia no rumo da bombinha, nadava contra as bolhinhas e voltava. Tinha os momentos de ficar embaixo da cachoeira do filtro externo. À tarde, ele gostava de dar voltas no aquário e subir, encher a boca de ar e afundar soltando bolhas pelas guelras...

A coisa mais impressionante do mundo, era ver o pangasius se recuperar fisicamente dos machucados e feridas. O bicho parecia imortal. Sempre sarava e se recuperava de cortes, feridas e doenças comuns em peixes ornamentais.




Vou sentir falta do meu peixe. A sala está um silêncio insuportável. Vazio. O barulho do aquário às vezes incomodava, mas estava no script.

Já se percebe que a gente chamava ele de Dógão porque viveu tanto quanto nossos cachorros de estimação, não era um peixinho comum que vem, fica um tempinho e quando morre no meio dos outros, é só mais um peixinho pra pegar com a redinha e jogar fora.

Ele não foi pra redinha nem pro lixo.

O pequeno príncipe explica isso. Uma flor em meio a várias, é uma flor. Quando você a cativa, ela passa a ser a SUA flor.

O Dógão não era um pangasius. Era o MEU pangasius. Foram muitos e muitos anos.

Nós lhe demos o tratamento respeitoso que merecia.

Estou triste. Mudar a minha rotina de não ter mais a minha rotina com ele vai ser estranho.

Tem uma coisa nas perdas que impactam muito na vida das pessoas, seja a perda de uma pessoa amada, de um animal de estimação, de um trabalho ou uma rotina de vida. Essas perdas quebram a sensação de estabilidade, de vínculo com algo, um voltar, um ter que fazer, que cuidar.


Sinto hoje um grande vazio na minha sala, na minha casa, nas minhas obrigações. No meu voltar, no que cuidar. Vou sentir falta do Dógão.

William

---
Post Scriptum (14/11/13):


O BLOG E A RELAÇÃO COM AS PESSOAS DO MUNDO: A sensação de pertencer a uma rede mundial de comunicação é algo muito legal. Meu blog não é nenhum desses grandes blogs com milhares de acessos e pessoas responsáveis por cuidar dele. Eu o alimento com coisas que eu acho úteis para partilhar e conversar com as pessoas do mundo. Normalmente, esse blog tem uma centena de acessos por dia e isso é gratificante pra quem quer conversar com as pessoas e partilhar ideias e ideologias de uma forma propositiva e pacífica.

A minha postagem sobre meu pangasius que morreu no início deste ano já teve cerca de 500 acessos e, às vezes, tem comentários nas postagens pra liberar. Hoje liberei uma de alguém que chegou em casa e encontrou seu peixe querido morto... Isso torna o nosso diálogo com o mundo uma coisa tão humana e tão rica! Ao mesmo tempo é comovente e nos conforta porque acho que estamos fazendo algo legal... é isso!
---

domingo, 29 de janeiro de 2012

QUANDO PARTIMOS - DIE FREMDE

Poster de divulgação do filme alemão.
QUANDO PARTIMOS – DIE FREMDE
Filme de 2010, dirigido por Feo Aladag

Assisti ontem a este filme de co-produção da Alemanha e Turquia. É um filme duríssimo. É desses que nos dão um soco no estômago.
A história trata principalmente da questão da mulher e das dificuldades inerentes em ser mulher nas sociedades com culturas muito rígidas e tradicionais no que diz respeito aos direitos da mulher.
Não pretendo fazer críticas às sociedades orientais sobre direitos de gênero, raça, orientação sexual etc, pois só acho que vale a pena ir fundo nestes temas se tiver com disposição de descer a lenha também nas sociedades ocidentais capitalistas, pois toda crítica que cabe ao oriente, cabe também ao ocidente.
Quero somente sugerir em poucos parágrafos que vale a pena ver o filme e refletir a respeito, vinculando a história com as nossas histórias e entorno social.

AS HISTÓRIAS DE VIDA SÃO AS HISTÓRIAS DA VIDA HUMANA
Todo sofrimento passado por Umay (Sibel Kekilli), a protagonista da história, tanto é único para a jovem mulher e mãe Umay, quanto é também para as protagonistas de tantas outras histórias que lidam com o preconceito e a discriminação em relação às mulheres e aos diferentes da maioria.
Da mesma forma, todo drama vivido por Umay e seu lindo filho Cem (Nizan Schiller) é um fragmento dos milhões de dramas que compõem a vida humana de leste a oeste, de norte a sul no planeta Terra. Não consigo deixar de dizer que o mundo é um lugar hostil!
A história de nossa humanidade é toda feita de abusos aos diferentes, de não-respeito às pessoas, tanto por parte dos Estados de forma institucional, quanto por parte dos indivíduos e dos grupos e famílias, naquilo que chamamos de cultura local ou regional.
Quantas vidas sofrem diariamente o preconceito, os maus tratos, e a indiferença por que passaram Umay (e seu filhinho) simplesmente por não agüentarem mais sofrer, apanhar, ser humilhado, não poder ser feliz (ou tentar)?
Além de recomendar este belo filme, também sugiro outras histórias semelhantes que nos põem a pensar que o mundo precisa melhorar muito no que concerne à tolerância, à inclusão social, ao respeito à liberdade e à democracia.
O livro “A cidade do sol” de Khaled Hosseini, aborda também as agruras e sofrimentos de mulheres afegãs.
Para não ficar só nos problemas orientais, é bom que as pessoas vejam que maravilha é a democracia americana, terra da “liberdade” e do “respeito aos diferentes”.
O filme “Preciosa” é um soco no estômago também, é um belo exemplo de como os americanos tratam uma mulher da forma mais intolerante possível (como se gosta de acusar ao Irã, ao Islamismo etc).
Também é uma boa pedida de filme sobre preconceito e intolerância o filme “Milk” sobre a questão da orientação sexual e os direitos civis.
E para finalizar, que tal ver o quanto os judeus são bonzinhos com os árabes e assistir ao filme “Lemon tree”?

UM OUTRO MUNDO É NECESSÁRIO! UM MUNDO SOCIALISTA, DEMOCRÁTICO, LIBERTÁRIO E SUSTENTÁVEL, CUJO FOCO NÃO SEJA O CAPITAL DE UNS POUCOS, MAS AS VIDAS HUMANAS E A EXISTÊNCIA NO PLANETA TERRA.

OU NÃO É DE NOSSA CONTA O DESPEJO DAS FAMÍLIAS DO PINHEIRINHO EM S. J. DOS CAMPOS EM FAVOR DA ESPECULAÇÃO IMOBILIÁRIA E DE CAPITALISTAS BANDIDOS?

sábado, 28 de janeiro de 2012

Releitura: A morte de Ivan Ilitch - Tolstói


Tolstói em foto de 1908.
Fonte da imagem: Wikipedia.

Refeição Cultural - A morte de Ivan Ilitch – Tolstói

CLÁSSICO RUSSO de 1886

Comprei essa edição que tenho em 2008 na feira de livros da FFLCH - USP e li imediatamente. Ela é traduzida por Boris Schnaiderman e tem apêndice de Paulo Rónai. Minha primeira leitura não foi muito boa, pois não foi uma leitura atenta.

Lembro-me de companheiros do movimento sindical falarem de forma entusiasmada sobre esse livro. Não me ficou essa impressão da leitura que havia feito.

Há poucas semanas, quando estive em Uberlândia, na casa de meus pais, também tive a oportunidade de perceber que realmente a minha primeira leitura foi pouco atenta.

Minha sobrinha, que acabava de ser aprovada nos exames para entrar na Universidade Federal de Uberlândia, mostrou-me uma questão da prova que era a respeito do livro.

Ao ler a questão, vi que não me lembrava de nada da obra para iniciar a resposta. Sequer me senti em condições de fazer um bom chute.

Era evidente que precisava ler novamente este clássico da literatura russa e de Leão Tolstói.

Comentários sobre a primeira leitura AQUI.


MINHA RELEITURA

Nesta leitura, confesso que senti uma agonia imensa ao longo da história. Que tristeza!

Várias coisas foram passando por minha cabeça.


A FRIEZA BUROCRÁTICA DO SISTEMA DE TRATAMENTO DE SAÚDE

A frieza burocrática do tratamento dado ao senhor Ivan por parte das “autoridades médicas” me lembrou uma discussão moderna da medicina, onde há uma forte crítica pelo fato dos médicos especialistas não tratarem pessoas, pacientes que são seres humanos com dor e com sofrimento pela não-saúde.

Os profissionais e especialistas da medicina moderna tratam de “órgãos” e “partes de um corpo”. Eles não tratam de uma pessoa. Se alguém está sentindo dor e sofrendo com um problema de rim operado, não é problema do médico do rim. Dor é com o anestesista. Não adianta reclamar de dor com um especialista em coração, pois ele vai lhe dizer que não é com ele, ele trata de coração.

Como a descrição do sofrimento do senhor Ivan Ilitch se passa no século XIX da Rússia Czarista, pudemos ver que a questão da frieza no tratamento com as pessoas doentes vem de muito, muito longe.


A SOLIDÃO DOS MORIBUNDOS NA DOENÇA

Outra questão muito forte no livro é a dor profunda e solitária das pessoas no leito de morte.

Essa solidão existe independente da crença ou não-crença de cada um. É uma solidão da dor. É a solidão do medo do desconhecido, do sentir o instante de não mais existir.

A dor do orgulho ferido pelo que pode acontecer fisicamente conosco no fim.

Foi uma tristeza para mim lembrar-me do fim de minha querida tia Alice, que faleceu de câncer em um espaço de tempo muito parecido com o da personagem entre o ir ao médico, perceber-se que há algo errado e o fim. Será sempre muito difícil vivenciar a perda das pessoas queridas.


A DENÚNCIA DA FRIEZA DO ENTORNO SOCIAL

É muito forte a denúncia da hipocrisia da estrutura social quando chega a hora da morte de uma pessoa com boa posição profissional e com nível de chefia no sustento do lar. Isso fica muito claro na obra, quando falamos dos estamentos sociais na burocracia do Estado, na substituição da hierarquia dos cargos, como também na “hierarquia” da família e dos agregados.

A morte de um líder ou pessoa bem posicionada passa a ser oportunidade para os outros na estrutura social e ausência de sustentação financeira na estrutura familiar.

Quantos de nós faremos falta pela ausência da companhia, do amor, do afeto e pela simples presença como seres humanos?

A pensar...

William


Bibliografia:

TOLSTÓI, Lev. A morte de Ivan Ilitch. Tradução de Boris Schnaiderman. Editora 34. 1ª Edição 2006 (1ª reimpressão 2007)

quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

A Partida - 2008, Japão.



Foto de divulgação

A PARTIDA
Um filme dirigido por Yôjirô Takita.
Vencedor do Oscar de melhor filme estrangeiro de 2009.

A beleza deste filme japonês, na minha opinião, só se equipara à beleza do filme americano Uma história real. Leia aqui.
O filme nos traz uma lição de vida a cada caso de morte. Temos a relação entre pais e filhos. Temos a questão da aceitação ou não dos pais que têm os filhos diferentes. Temos muitas questões de preconceito.
O filme é uma bela lição de vida, apesar de ser um filme sobre a morte.

OS MOMENTOS PESAM
Rever o filme A Partida, neste momento, tocou-me profundamente. Vi algumas “partidas” nos últimos meses que me entristeceram muito.
Ver a dona Irene, que nos vendia pãezinhos na frente do condomínio, morrer de câncer em poucas semanas, foi algo triste e chocante.
Ver o meu vizinho e colega Rogério, bancário do Bradesco, morrer na véspera do Natal, de maneira tão boba, após uma cirurgia de estômago, e deixar dois filhinhos de menos de dois anos, é muito triste.
Ver uma família de amigos de infância sofrer pela morte prematura de uma filha de 22 anos, na mesma semana de Natal da morte do Rogério, é também tristeza pura.
Fiquei pensando na família do companheiro Edmundo, ex-presidente do Sindicato dos bancários de Alagoas, que morreu prematuramente neste semestre.
Alguns filmes são feitos para serem vistos várias vezes. A Partida é um deles.

COM A IDADE, TORNA-SE COMUM VER “PARTIDAS”
Tantas Partidas virão em minha vida, pois já estou na fase de ver pessoas próximas e da família, muitas delas mais velhas, partindo – ou morrendo -, haja vista que sou ateu e não acredito em nenhuma sequência, porta ou passagem para outra vida.
A Partida pra mim é só passagem para a volta à natureza.

Recomendo muito a toda pessoa que ainda não tenha visto este filme, que o faça, pois ele é de uma beleza incrível e trata a morte com um respeito absurdo!

sábado, 3 de dezembro de 2011

Refeição Cultural - Antes de partir


Foto divulgação

ANTES DE PARTIR – Bucket list

Este é um belo filme com Jack Nicholson e Morgan Freeman. O filme tem direção de Rod Reiner e estreou em 2007.
Ao tecer comentários sobre filmes em meu blog, gosto de escrever algo que realmente tenha me tocado ou alguma reflexão que o filme tenha me levado a pensar.
O ano de 1996 foi um dos anos mais duros de minha vida. Foi um ano de transições, rompimentos e de desistências. Estive completamente sem motivo de seguir adiante naquela época.
Uma das coisas que fiz para mirar em algo a cada dia quando acordava foi uma lista com algumas coisas que desejaria conseguir ou fazer naquela época, com aquela visão de mundo daquele cara.
Logo se vê que o ato humano de fazer listas de coisas a realizar é muito antigo. Acredito que o que varia são as motivações das listas e não o conteúdo das listas em si, que, via de regra, deve até ser muito parecido.
Não descreverei toda a minha lista de motivações para viver a partir daquele ano. Mas o filme me fez procurá-la novamente, pois fazia tempo que não a visitava.

CASA PRÓPRIA
Lá na lista estão ticadas coisas importantes e difíceis de conseguir para a classe trabalhadora pobre e humilde. Adquiri meu pequeno apartamento de cooperativa e não pago mais aluguel. Consegui ajudar meus pais a terminarem a casinha deles lá em Uberlândia. Nesses últimos quinze anos, muitas pessoas de origem simples conseguiram isso, algo que deveria ser fácil em sociedades justas.
Também está ticado o sonho de fazer uma faculdade pública. Passei na Fuvest e fiz Letras na USP. Eu vinha de uma decepção enorme por largar por falta de condições financeiras um curso de Educação Física em uma faculdade privada, curso que adorava e no qual me destacava nas aulas.

SÃO SILVESTRE
Eu não me lembrava de ter listado que tinha o sonho de correr a famosa corrida de São Silvestre. Realizei esse sonho em 2007 e corri nos anos seguintes. Ou seja, realizei com folga esse objetivo.
Hoje, meu desejo é bem mais difícil, pois sonho em correr e completar uma maratona. Com a vida que levo é completamente inviável treinar e me preparar para uma prova de 42 km.

SALTAR DE PARAQUEDAS
Eu me lembro de ter ficado muito impressionado nos anos noventa quando vi na TV um homem saltar de um avião e sair surfando no ar. Eu nunca havia saído do chão. Eu desejei muito voar e fazer um salto de paraquedas.
No dia 19 de fevereiro do ano 2000, abria-se a porta daquele pequeno avião a uns 4.500 pés e o instrutor me chamava a dependurar-me na asa, seguir as instruções de verificação e soltar as mãos para o vazio...
Após abrir o paraquedas foi um dos gritos de emoção mais libertadores que já dei. Estava vivo e estava voando sozinho junto aos pássaros no céu de Piracicaba. Naquele dia me senti o super-homem.
Depois desse primeiro salto sozinho, fiz mais treze saltos e cheguei a ficar nove minutos em descida lenta no céu, curtindo o barulho do vento nos velames, o silêncio do céu. Foi algo maravilhoso que já fiz.

COISAS A FAZER
Uma das coisas por fazer e que necessita de fôlego e tempo está relacionada com meu amor pela leitura e literatura.
Para ticar o item de ler no mínimo cem clássicos da literatura mundial, tenho muita estrada a percorrer. Não fiz uma lista dos clássicos que já li, mas sei que estou longe.
Também sei da questão da dificuldade de se classificar o que seria ou não um clássico da literatura mundial.
Mas alguns clássicos são indiscutíveis. Já percorri obras fantásticas e que me marcaram profundamente como Don Quijote de la Mancha, de Cervantes; Ulisses, de Joyce; A Montanha Mágica, de Mann; O Processo e A Metamorfose, de Kafka; Pedro Páramo, de Rulfo; Vidas Secas, de Graciliano; O Velho e o Mar, de Hemingway; Irmãos Karamázov, de Dostoiévisk; Hamlet, de Shakespeare; Cem Anos de Solidão, de Garcia Marquez; Dom Casmurro e Memórias Póstumas de Brás Cubas, de Machado; Macunaíma, de Andrade; Alguma Poesia, de Drummond... e falta muita coisa que já está em minha estante e só falta sentar e Ler...

O FILME
Voltando ao filme "Antes de partir": gostei do filme. Gostei das atuações de Nicholson e Freeman.
O personagem Carter é encantador. Cole é o inverso. O casamento entre ambos é fruto daquilo que penso a respeito das possibilidades humanas: para o ser humano tudo é possível.
Um ser humano pode mudar a vida de outra pessoa. Nós podemos ser fantásticos. Podemos marcar a vida das pessoas. É ISTO O QUE SOMOS, POSSIBILIDADES!
Assistam ao filme!

(após esta reflexão, saí e fui correr 5 km)

domingo, 9 de outubro de 2011

Pangasius - meu peixe "Dógão"


Este é meu peixe Dógão. É um pangasius com uns 12 anos de idade.

Ele já fez de tudo, inclusive pular do aquário. 

Quando chegou em casa (lá pelo ano 2000), ele tinha o tamanho de meu dedo mindinho.

sexta-feira, 14 de novembro de 2008

Livro - A morte de Ivan Ilitch - León Tolstói (1886)



León Tolstói - foto da Wikipedia.

Refeição Cultural

Pois é, poderia parafrasear assim a máxima popular: "preenchendo lacunas culturais por vias tortas".

Comprei em 2008 este livro de Tolstói vendo-o por acaso sobre um dos trocentos balcões da feira de livros da FFLCH na USP.

Por acaso, também fiquei sabendo da existência deste livro através da história de Chris McCandless, personagem real inspirador do livro e do filme Na natureza selvagem. Era um dos livros que ele carregava consigo no Alaska.

"Instalado de novo no abrigo corroído do Fairbanks 142, McCandless retomou a rotina de caçar e colher. Leu A morte de Ivan Ilitch, de Tolstói, e O homem terminal, de Michael Crichton..." (Na natureza selvagem, de Jon Krakauer)

Por se tratar de Tolstói, é um romance bem pequeno - pouco mais de 70 páginas (na verdade podemos dizer que é uma novela). É considerado, no entanto, uma das obras mais perfeitas da literatura mundial.

Eu o achei bem triste. Profundo. Bem real. Bastante atual.

Engraçado! Estava hoje pensando na superficialidade e vazio das pessoas e das relações humanas neste mundo pós-moderno: NÃO GOSTO DO QUE VEJO AO MEU REDOR. NÃO GOSTO!

Ivan Ilitch descobriu isso em um momento crítico de sua vida. Sofreu muito com isso.

Sigo buscando o conhecimento. Tentando encontrar a sabedoria todos os dias...

William


Bibliografia:

TOLSTÓI, Lev. A morte de Ivan Ilitch. Tradução de Boris Schnaiderman. Editora 34. 1ª Edição 2006 (1ª reimpressão 2007)