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domingo, 29 de janeiro de 2023

Vendo filmes antigos (I)



Refeição Cultural

Osasco, 29 de janeiro de 2023. Domingão.


Dias atrás peguei alguns filmes antigos para assistir. Tenho um monte de filmes gravados em fitas VHS, a forma como víamos filmes antes dos DVDs e dos filmes totalmente virtuais e digitais como hoje em dia nas plataformas de streaming.

A ideia é me desfazer de dezenas e dezenas de fitas antigas. Eu não sou tão exigente a ponto de ficar incomodado com a qualidade maior ou menor das imagens etc. Nunca fui. 

Acumulei essas mídias durante a vida toda no intuito de ver os filmes e documentários e aprender algo com eles, contudo nunca tive tempo livre pra isso por causa do trabalho e estudo e os materiais foram se acumulando. Poderia só me livrar de tudo? Poderia. No entanto, não me parece certo jogar fora algo que nunca foi usado.

Tenho a mesma dificuldade para dispor de centenas de revistas, livros, apostilas e materiais escolares sem nunca ter usufruído de parte desse material por absoluta falta de tempo. Parece um desperdício imperdoável. Até pensando a natureza.

Porém, como já refleti diversas vezes, morro qualquer hora dessas e tudo que acumulei de mídia de cultura vai pro lixo. Tudo. Quem vai querer coisa "velha" com algum tipo de conhecimento ou cultura num mundo onde se incentiva a ignorância, o aqui agora, e o apagamento total do passado, qualquer que seja ele?

Enfim, que dilema eu vivo ao ver minhas coisas de cultura acumuladas por uma vida sem tempo e que agora entulham o meu mundo.

Para dificultar o objetivo que eu tinha de ver várias fitas em VHS, o videocassete parou de funcionar e não se consegue consertá-lo por ser coisa sem peças de reposição. Ou eu consigo um outro aparelho ou não tenho mais onde ver as fitas que tenho... que foda!

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OS FILMES QUE VI

- Corpo em evidência (1993) - Filme dirigido por Ulrich Edel e estrelado por Madonna no auge de sua carreira e demais atores e atrizes conhecidos. Eu achei o enredo interessante. Uma bela mulher se faz irresistível para dominar os homens numa sociedade na qual quem a domina são os homens. A caça se torna caçadora usando o corpo e o sexo como arma. Se não tiver spoiler, o espectador pode se surpreender com o final da trama. Mas até o trailer oficial dá spoiler...

- Lua de fel (1992) - Filme dirigido por Roman Polanski e estrelado pela exuberante Emmanuelle Seigner e demais atores e atrizes. O enredo coloca num mesmo cenário um casal inglês pacato e tradicional com um casal que viveu as maiores extravagâncias na vida sexual. Na trama, o espectador vai conhecer Mimi e sua história com Oscar, o marido bem mais velho que ela e paraplégico. O final também é surpreendente!

- Dom (2003) - Filme dirigido por Moacyr Góes e estrelado pela bela Maria Fernanda Cândido e pela dupla Marcos Palmeira e Bruno Garcia. A história é uma versão moderna do clássico machadiano Dom Casmurro. Bento reencontra Ana, chamada por ele de Capitu na infância, e eles se apaixonam loucamente e se casam. Para completar o enredo, temos o amigo do casal, e com ele vêm o ciúme e a dúvida (antiga na cabeça do Bentinho de Machado) se Capitu o traiu ou não. Achei bem-feita essa adaptação do clássico.

- Irmãos gêmeos (1988) - Filme dirigido por Ivan Reitman e estrelado por Arnold Schwarzenegger e Danny DeVito e demais atrizes e atores. No enredo cientistas criam um bebê com as melhores características de diversas pessoas através de eugenia e durante o parto nasce um segundo bebê que não era esperado. Eles são criados longe um do outro e um dia o homem perfeito e ideal sai em busca de seu irmão gêmeo, que é uma pessoa bem diferente dele em todos os sentidos. 

- O meninão (1955) - Filme dirigido por Norman Taurog e estrelado por Jerry Lewis. Um rapaz ajudante de barbeiro (Wilbur) se vê em apuros quando um ladrão de diamantes coloca a pedra roubada em seu bolso após um assalto num hotel. Para fugir do bandido, Wilbur precisa se disfarçar de menino para embarcar num trem e aí a trama começa. Ele vai parar numa escola só para mulheres e ali ele vira o centro das atenções. No filme vemos Dean Martin, que é o galã da história e namorado da professora que se encantou pelo menino-homem (que só no filme não veem isso). O humor inocente das piadas de Jerry Lewis é de uma época distinta da que vivemos hoje. Eu gostava dos filmes dele.

- O predador (1987) - Filme dirigido por John McTiernan e estrelado por Arnold Schwarzenegger e demais participantes do elenco. A trama é bem interessante na minha opinião. Um monte de brucutus sai em uma missão na selva e lá viram caça de um alienígena que vem à terra para caçar humanos e colecionar seus crânios como troféu. O que pareceria um filme comum com tiros e bombas e excesso de testosterona dos machos alfa se transforma num quase terror com uma sonoplastia de suspense do início ao fim. Acho que foi um dos melhores filmes com a participação de Schwarzenegger (além da série do exterminador do futuro).

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COMENTÁRIO

Os dois filmes dos anos noventa, com Madonna e Emmanuelle Seigner, são muito representativos da época. Mulheres exuberantes em posição de objeto sexual num mundo coisificado pelo capitalismo. Os diretores tentam subverter a ordem colocando no enredo personagens mulheres sedutoras e ou dominadoras. 

No entanto, na ideologia do capital, no mundo dos homens, as mulheres estão com seus destinos traçados... mesmo quando vencem os homens, perdem.

Até quando será assim eu não sei, mas ainda hoje estão destinadas a não ocuparem todos os lugares que querem e fazem por merecer. Quando chegam nas posições principais da sociedade humana, algo interrompe o processo. Que o digam a ex-presidenta Dilma Rousseff e a primeira-ministra da Nova Zelândia, Jacinta Ardern, que renunciou dias atrás.

O filme brasileiro Dom acaba dando o mesmo destino para a personagem feminina, a Capitu do passado e do presente. Quando vence, perde.

Em relação às duas comédias, a dos anos oitenta com Schwarzenegger e Danny DeVito, e a dos anos cinquenta com Jerry Lewis, elas desempenharam o papel de entretenimento esperado. Vi os filmes e deixei de pensar nas merdas da vida durante aqueles momentos.

O filme com o alienígena que caça humanos, mesmo sendo os humanos brucutus cheios de músculos e armas de grosso calibre, gostei. Nós só somos natureza, não somos os donos dela, só estamos nela. Até seres invisíveis e microscópicos nos eliminam com facilidade, vejam os vírus da Covid-19. Nossa soberba é foda! Não somos tudo isso que achamos que somos.

É isso!

William

sexta-feira, 26 de junho de 2009

Crônica - Michael Jackson morreu!




Cara, é estranho.

Eu já não ouvia Michael Jackson. Sou outro. Minha cabeça mudou nos últimos anos. Minha própria relação com a música mudou muito na última década. Aliás, sinto muito por isso, porque a música me acompanhou e marcou os principais momentos de minha vida: minhas alegrias e minhas dores.

As músicas de Michael Jackson fazem parte da minha geração, da minha adolescência. Assim como Madonna. Assim como o meteoro Nirvana. Cazuza. Legião Urbana. E nem é uma questão de gostar ou não gostar de cada um deles.

Morreu Michael Jackson!

Ainda vivem Roling Stones. Aerosmith. Van Halen. AC/DC. Roberto Carlos morre qualquer dia desses. Vivem ainda Michelle Pfeiffer e Linda Hamilton. (minhas eternas musas do cinema!)

Ainda vivem meus pais e minha avozinha Cornélia. Foi chocante perder tios, minha avozinha Deolinda, primo...

Estamos ficando velhos. Começamos a enterrar a nossa geração.

A vida caminha assim.

Muitas mortes e muitos enterros nos esperam.

A cada dia, mais enterros virão!

Desta vez, morreu Michael Jackson!