Mostrando postagens com marcador Brasília. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Brasília. Mostrar todas as postagens

sábado, 28 de fevereiro de 2026

Diário e reflexões - Fevereiro



Refeição Cultural

Sábado, 28 de fevereiro de 2026.


FEVEREIRO

AGENDA POLÍTICA

Passei a semana em Brasília, capital federal do país. 

Minha estadia na cidade foi para participar do processo eleitoral do Sindicato dos Bancários. Vim contribuir com o debate na base social da entidade e ao longo da semana fiz campanha nos locais de trabalho do Banco do Brasil, junto com outros companheiros e companheiras. Nós apoiamos a chapa 1, liderada por Rodrigo Britto, a chapa cutista que representa a unidade nacional.

Quando cheguei, no início da semana, estava cheio de expectativas e incertezas. Eu tinha receio se ainda conseguiria fazer o que fiz boa parte de minha vida: conversar com a categoria bancária, desenvolver boas falas nos locais de trabalho e ter alguma atenção dos trabalhadores. Após reflexões coletivas com a militância que apoia a chapa 1, posso concluir que deixei a minha contribuição para o processo democrático. Fico feliz por isso.

Por ter sido convidado, participei de algumas reuniões do movimento sindical bancário no mês de fevereiro, assim como ocorreu em janeiro e dezembro. Tenho o compromisso ético com o movimento sindical cutista de estar sempre à disposição, porque a CUT influenciou decisivamente na formação política que tenho hoje.

-

CULTURA

Li apenas um livro no mês de fevereiro, o livro "Fidel Castro, comandante invicto", de Norberto Escalona Rodríguez (comentário aqui). O escritor e jornalista cubano nos conta a respeito da participação dos músicos do Quinteto Rebelde na luta de libertação do povo. Também aborda a participação das mulheres na Revolução Cubana: o Batalhão das Marianas fez história e influenciou as políticas de igualdade que fizeram parte da construção da República Socialista de Cuba.

Estou editando um livro com as poesias que escrevi ao longo da vida. O manuseio do material textual do livro foi um processo interessante. A editora Cleusa Slaviero está me ajudando com o material. 

Encadernei poesias, crônicas e textos da professora e amiga Marili Santos. Foi um processo prazeroso de leitura. Presenteamos a escritora e passamos um dia delicioso com a família dela. 

FILMES - Vi alguns filmes no mês e só não escrevi as minhas impressões e sentimentos sobre eles porque não tive tempo e os textos que faço dão muito trabalho. 

Vimos "Sonhos de trem" (2025, EUA), de Clint Bentley; "A vida invisível" (2019, BRA), de Karim Aïnouz; "O agente secreto" (2025, BRA), de Kleber Mendonça Filho; "Hamnet: a vida antes de Hamlet" (2025, Reino Unido e EUA), de Chloé Zhao. 

Todos os filmes são excelentes e me deixaram pensativo. Todos! Hamnet me fez chorar.

-

A VIDA E O MUNDO

A notícia do último dia do mês de fevereiro foi o bombardeio do Irã e o assassinato de dezenas de crianças. Os assassinos são os estados terroristas Estados Unidos e Israel. Eles não vão parar, assim como Hitler e a Alemanha nazista não pararam no passado.

Os terroristas dos Estados Unidos atacaram no início do ano a Venezuela e sequestraram seu presidente e a esposa. Mataram dezenas de pessoas. Vergonhosamente, nenhum dos principais países do mundo exigiram a libertação imediata de Nicolás Maduro e Cilia Flores. Nem o meu país, o Brasil. Sinto vergonha e uma decepção indescritível por essa atitude brasileira.

O império fascista do Norte está matando a população de Cuba de fome, falta de medicamentos e itens básicos para a subsistência. Os genocidas do Norte querem que Cuba vire uma estância balneária dos ricos norte-americanos, o mesmo projeto que têm para a Faixa de Gaza, na Palestina.

Estava olhando da janela do quarto do hotel a bela imagem da cidade de Brasília e pensando a respeito das consequências de ninguém reagir e fazer nada contra os fascistas de Israel e EUA. Eles podem decidir bombardear nosso país, matar nosso presidente e invadir nossa terra para tomarem os recursos naturais que temos. Ninguém vai fazer nada a respeito. Nada.

Esse é o valor da vida humana e dos seres vivos neste momento da história, dia 28 de fevereiro de 2026, pelo Calendário Gregoriano.

Isso não é natural e não deveria ser aceito por nós. Se é para sermos assassinados e explodidos por bombas a qualquer momento, deveríamos ter as nossas bombas para persuadirmos os fascistas a não nos atacarem e para nos defendermos caso nos atacassem para roubar os nossos recursos naturais.

William

domingo, 5 de janeiro de 2025

Diário e reflexões - Companheiro Cezinha, presente!



Refeição Cultural

Domingo, 5 de janeiro de 2025.


Hoje foi o velório e sepultamento do companheiro Cezinha. Grande ser humano, um militante histórico da classe trabalhadora. Encontrei pessoas com as quais compartilhei duas décadas de vida, pessoas queridas.

Cezinha estará sempre em nossos corações como uma daquelas pessoas imprescindíveis nas lutas por um mundo melhor e mais justo para os trabalhadores. 

Cada amigo e companheiro de lutas do Cezinha acabou contando algum "causo" que viveu com ele nas atividades sindicais, pois sua presença sempre foi muito contagiante em qualquer ambiente onde ele se encontrava.

Minha lembrança com o Cezinha é daquelas boas de se recordar. Estávamos na 1ª caravana da classe trabalhadora a Brasília em 2004 para reivindicarmos uma política de valorização e aumento real do salário mínimo. Choveu muito e estávamos ensopados.

Cezinha honrou essa bandeira!

Nossa história foi a seguinte: estávamos com muitos companheiros idosos, os velhinhos da companheira Glória Abdo, como chamávamos carinhosamente as caravanas organizadas pela Glorinha.

Entramos na Catedral Metropolitana de Brasília - aquela do Oscar Niemeyer - para que o pessoal pudesse ir ao banheiro. 

De repente, o padre responsável barrou o pessoal e de forma arrogante informou que em dia de atividades populares na Capital do país, ele mandava fechar os banheiros.

Cezinha e eu começamos a discutir com o padre e tentar um acordo com ele para deixar pelo menos os mais idosos utilizarem o banheiro.

O padre bateu o pé e disse que ninguém utilizaria os banheiros naquele dia. Nossos companheiros ficaram revoltados.

Cezinha e eu usamos de todos os argumentos possíveis, até relembrando os evangelhos e as palavras de Cristo... o homem era de coração empedernido, um burocrata da fé.

Alguns companheiros idosos revoltados ameaçaram até mijar nas paredes já que o padre não permitia usar os banheiros naquele dia.

Enfim, o evento todo virou um "causo" para ser contado depois.

A companheirada teve que achar outro local para usar os banheiros. A burocracia é assim, burocrata algum se preocupa com o povo, em primeiro lugar vêm sempre as coisas mundanas, o mundo material.

Grande Cezinha! Estará sempre em nossas lembranças, meu amigo! Foi muito bonito ver as bandeiras da CUT, do PT e do Sindicato junto ao militante histórico.

Nossa solidariedade aos seus filhos e familiares. Companheiro Cezinha, presente!

William Mendes


domingo, 9 de junho de 2024

15 de 100 dias



15. Sigo em busca de mudanças, de sentidos para a existência. Estou sem pertencimento às coisas. Para seguir existindo, aliás, tenho que fazer a minha parte em relação ao meu corpo, o condutor de minha pessoa, de minha personalidade. Como o meu envelhecimento tem se mostrado desafiador, pois acredito que abusei do meu organismo animal, estou em busca de diagnósticos para identificar se tenho apenas desgastes nos quadris e mais alguns envelhecimentos de sistemas internos ou se tenho algo a mais para tentar resolver. Tenho uns exames em andamento para identificar meu estado de saúde. Estranho dizer que estou me acostumando a viver com dores... (que merda, isso!).

Como é de responsabilidade exclusivamente minha revigorar meu organismo, sei que tenho que fazer um pouco de musculação para recuperar a massa muscular perdida (sarcopenia) e tenho que atuar com periodicidade para manter e melhorar minhas capacidades cardiorrespiratória, musculoesquelética e circulatória, é minha obrigação manter esses sistemas em bom funcionamento. Correr, andar e pedalar são as minhas preferências em relação a isso, atividades aeróbicas. Desde que iniciei esse período de 100 dias, pratiquei atividades físicas em 9 dias, sendo 3 corridas, 4 dias de musculação e 2 de caminhadas. Estou atento a isso.

---


Em relação aos materiais de educação e formação política e sindical, estou separando mídias que podem ser úteis às lideranças sindicais que me disseram que têm interesse nos materiais que estou separando para doar.

Hoje assisti a dois vídeos muito bons, que nos emocionam pelo que retratam.

TODAS AS LETRAS

O primeiro vídeo é sobre o projeto de alfabetização de jovens e adultos "Histórias e Sonhos com Todas as Letras". O documentário aborda a experiência entre os anos de 2005 a 2008 e os depoimentos de educandos e educadores nos tocam profundamente. Durante o projeto, mais de 200 mil pessoas tiveram a oportunidade de se alfabetizarem.

1º DE OUTUBRO DE 1981 - DIA NACIONAL DE LUTA (DF)

O segundo vídeo é um documentário histórico feito pelos companheiros de Brasília sobre o 1º de outubro de 1981, um dia de lutas organizativo para a Conclat na Praia Grande. No vídeo, nos emociona ouvir depoimentos e ver imagens daquele período.

---

Passando adiante essas mídias, espero contribuir de alguma forma para que elas encontrem pessoas que se interessam por nossa história da classe trabalhadora brasileira. Estes dois DVDs eu tenho repetidos, ficarei com um deles para meu cedoc e doarei a cópia.

William


sábado, 7 de agosto de 2021

34. Distraídos venceremos - Paulo Leminski



Refeição Cultural - Cem clássicos

"razão de ser

     Escrevo. E pronto.
Escrevo porque preciso,
     preciso porque estou tonto.
Ninguém tem nada com isso.
     Escrevo porque amanhece,
e as estrelas lá no céu
     lembram letras no papel,
quando o poema me anoitece.
     A aranha tece teias.
O peixe beija e morde o que vê.
     Eu escrevo apenas.
Tem que ter por quê?
"


Reli os poemas de Leminski contidos no livro Distraídos venceremos, de 1987. Tomei contato com a poesia dele quando ganhei o livro Toda poesia (2013), um tempo atrás.

O poeta morreu aos 44 anos de idade. Morreu cedo. Ele foi um fenômeno da natureza. Estou lendo trabalhos em prosa dele e o cara é muito bom. Ele fez um livro sobre a história da Revolução Russa porque a filha havia perguntado a respeito da questão. E o texto é muito denso e escrito de forma leve. O foco do livro é Trótski e a história da Rússia.

Eu aprendi a gostar de poesia depois dos trinta anos de idade e ainda sou um aprendiz do gostar dessa forma de linguagem. Não sou nenhum especialista no tema. Sou esforçado e quero aprender a ler poesia. Mas vai longe esse aprendizado ainda. Vai até o fim de minha existência.

CENAS INTERESSANTES

O poema "Arte do chá" nos transmite uma imagem fantástica. Coisa maravilhosa, e quase utópica. Duas pessoas se encontram pra ficarem em silêncio e tomarem um chá. Cara, que demais! Poucos sabem o quanto o silêncio comunica. Quantas pessoas já ficaram horas em silêncio, só olhando e curtindo?

"arte do chá

     ainda ontem
convidei um amigo
     para ficar em silêncio
comigo

     ele veio
meio a esmo
     praticamente não disse nada
e ficou por isso mesmo
"

Adorei esse poema, essa ideia.

O poema "claro calar sobre uma cidade sem ruínas (ruinogramas)" me deixou saudoso de Brasília. Quem já passou por lá sabe o que Leminski está falando. Outra bela imagem poética da cidade cravada no Planalto Central.

"(...)

     Em Brasília, admirei.
O pequeno restaurante clandestino,
     criminoso por estar
fora da quadra permitida.
     Sim, Brasília.
Admirei o tempo
     que já cobre de anos
tuas impecáveis matemáticas.
"

Resumindo, dos 67 poemas contidos no livro, citaria mais alguns que me pegaram e nos encaixamos na imagem e na linguagem: "bem no fundo", "como pode?", "desencontrários", "litogravura", "merda e ouro", "pareça e desapareça", "rimas da moda", "rosa rilke raimundo correia", "sem budismo", "último aviso", "um metro de gritos (máquinas líquidas)", "voláteis" e "volta em aberto".

É isso! Vamos lendo, vamos lendo os livros que temos em casa. A vida é um instante, e uma oportunidade. É melhor ler do que não ler.

William


Bibliografia:

LEMINSKI, Paulo. distraídos venceremos. 1ª edição. São Paulo: Companhia das Letras, 2017.


sábado, 24 de julho de 2021

Leitura: O Caminho da Vitória


Refeição Cultural

Sexta-feira, 23 de julho de 2021, Osasco.

Peguei na estante o livro O Caminho da Vitória - Imagens históricas da trajetória política de Lula da Silva. O livro foi lançado em 2003, numa parceria da Publisher Brasil e Veraz Editores, impresso em Porto Alegre, RS. Os textos do livro são de Jéferson Assunção e a edição está em Português, Inglês e Espanhol.

Que saudade! Que momento histórico de nossas vidas e de nosso país a vitória de Lula e do Partido dos Trabalhadores nas eleições presidenciais de 2002. Participei ativamente daquela campanha como dirigente do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e região.

Fotos são instantes registrados nas nossas histórias pessoais e coletivas, são registros de épocas.

1º de janeiro de 2003, um dia inesquecível em minha vida

Em 2002, era funcionário do Banco do Brasil já fazia uma década. Por participar da organização e mobilização dos bancários paulistanos acabei compondo a chapa sindical eleita em abril daquele ano. Minha vida daria uma guinada total a partir de então.

Fui liberado do dia a dia do atendimento dos clientes no caixa do Banco do Brasil para me dedicar exclusivamente ao mandato sindical, ao movimento de lutas dos trabalhadores, a partir do dia 5 de agosto. 

Aqueles meses do segundo semestre de 2002 foram muito intensos. Nossa dedicação se dividia entre a organização da campanha salarial da categoria, cuja data-base é setembro, e a campanha política e eleitoral de outubro, que definiria o futuro do país e da classe trabalhadora brasileira. Nossa agenda de lutas era de manhã, tarde, noite, algumas madrugadas e finais de semana.

Vitória de Lula! Vitória do povo brasileiro!


COMO FUI PARAR EM BRASÍLIA NO DIA DA POSSE?

No final daquele ano eu estava esgotado! Era meu primeiro ano como dirigente sindical e político. Apesar da euforia pela vitória de Lula e os preparatórios para a posse - havia toda uma programação das caravanas que iriam pra Brasília -, eu decidi que passaria o Natal e Ano Novo com meus pais em Uberlândia, MG.

Dia 31 de dezembro. Todos os meios de comunicação não falavam de outra coisa que não fosse a posse do retirante nordestino, metalúrgico e sindicalista Lula. Na reunião da família, estávamos nos preparativos para o Réveillon.

Meu coração começou a apertar. A cada hora que passava, mais agoniado eu me sentia. A família percebeu meu estado. Segurei as pontas enquanto foi possível. Meia-noite. Festejos, abraços, emoção! Um novo Brasil nascia naquele momento.

Eu não cabia mais em lugar algum naquela festa em família. Se continuasse lá, iria ter um treco. Pedi desculpas para todos. Pedi que alguém me levasse até a rodoviária de Uberlândia. Era loucura! Noite de Ano Novo, fazer o que na rodoviária uma hora daquelas? Tive a compreensão de esposa e filho, pais e familiares. Fui embora logo após a meia-noite.

Começou na rodoviária a minha saga. Perguntei em cada guichê que encontrava aberto como poderia fazer para chegar a Brasília. Uma sugestão me levou até Araguari, uma cidade próxima a Uberlândia. Me disseram que ali passaria na madrugada um ônibus pra Brasília, vindo de Santos, SP.

Cheguei a Araguari. Estava com a roupa do corpo e sem blusa. Que frio passei naquela rodoviária. Finalmente, chegou o ônibus e consegui embarcar pra Brasília. O ônibus estava cheio de gente que tinha história parecida com a minha. Decidiram ir de última hora.

Chegamos a Brasília por volta de 11 horas da manhã. Eu mentalizei que precisaria achar a delegação do Sindicato. Parecia uma tarefa impossível. No livro que acabei de ler, está dito que havia mais de 150 mil pessoas em Brasília naquele dia. Um mar vermelho tomou a Capital Federal para a posse de Lula.

Depois de algumas horas, acho que umas duas horas, encontrei o companheiro Rafael Matos. Foi uma alegria só. Não larguei mais do cara porque senão eu não teria como encontrar a delegação e os ônibus do Sindicato.

Uma cena me faz chorar toda vez que me lembro dela nesses 20 anos, é uma imagem que parece uma cena que vi numa minissérie na TV, não sei, mas talvez em O tempo e o vento, de Érico Veríssimo.

Estávamos eu e o Rafael indo junto com a multidão na direção do Palácio do Planalto e quando olhei aquela multidão descendo pelo gramado para os espelhos d'água, vi o companheiro Genésio dos Santos, descendo com uma bandeira na mão, e assim como a multidão, ele chorava como uma criança...

Aquilo foi muito bonito, juro pra vocês!

Tudo correu bem naquele dia! Encontrei as companheiras e companheiros do Sindicato. Participamos de todos os eventos da posse de Luiz Inácio Lula da Silva. Choramos muito! A multidão era de gentes de todas as formas e de todos os lugares. Com seus trajes típicos. Era o povo brasileiro.

Voltamos na caravana de alma lavada. O pessoal me deixou na estrada, do lado da casa de meus pais, que moram perto da rodovia (BR) que vai de Uberlândia a Brasília.

Até hoje estou devendo ao Rafael uma cópia da foto minha, dele e do Genésio. Está em algum lugar e não a encontrei ainda. 

Aquele ano foi um Ano Novo, aquele dia marcou uma vida nova para milhões de brasileiros. A vida foi melhor. O país foi melhor. O povo foi feliz como nunca antes na história do Brasil.

-------------

PRECISAMOS TRILHAR O CAMINHO DA VITÓRIA NOVAMENTE

Hoje vivemos um momento difícil, o pior momento da história do povo brasileiro e do Brasil. Genocídio da classe trabalhadora. O país tomado pelo crime organizado e milícias. Um regime que prega o mal, a morte, o ódio. Um regime de gente mentirosa. A banalidade do mal tomou conta do Brasil.

Mas estamos lutando. Isso vai mudar. Não há mal que dure para sempre. O Brasil vai se libertar dessa desgraça toda que nos colocaram através de mais um golpe de Estado. O povo vai voltar a ser feliz. Lula está aí de novo para se colocar à disposição do povo e do país.

#ForaBolsonaro!

#ForaMourão!

-------------

#LulaLá!

#LulaPresidente!

William


Post Scriptum:

Hoje estou triste. Durante minha vida de dirigente sindical, quando fazia base, nós tínhamos roteiros com determinada quantidade de agências bancárias e departamentos. Na organização de base, com a estratégia adequada, a gente acabava conhecendo todo mundo nos locais de trabalho e quando sentia falta de alguém, dava um jeito de saber o que havia acontecido. Em geral, a pessoa estava em férias, ou doente e afastada, ou havia sido demitida.

Após a mudança drástica em nossas vidas, com a pandemia mundial de Covid-19, com a destruição do Brasil e dos direitos da classe trabalhadora após o golpe de Estado em 2016 e com a volta da miséria e a fome do povo, voltei a ter o cuidado de perguntar o nome dos trabalhadores na minha base atual: a feira, a padaria, os entregadores de refeições etc. Conheço por nome todas as trabalhadoras da padaria perto de casa. Quando sinto falta de alguma delas, dou um jeito de perguntar se está tudo bem. O mesmo com os entregadores mais conhecidos. Foi assim que soube que o rapaz da barraca de pastel da feira, o Alexandre, está se tratando de um câncer; que o senhor Geovani da barraca de bananas faleceu de infarto.

Há dias estava preocupado em não ver algumas das trabalhadoras da padaria. Quando perguntava, era informado que uma delas estava de licença e a outra de folga. Hoje perguntei de novo. Soube que uma delas mudou de horário e a outra trabalhadora não está mais trabalhando para a padaria. Eu percebo que deve haver alguma instrução para não falar nada a respeito. Fico triste porque a trabalhadora pode ter contraído Covid-19 e não estar bem ou pode estar bem de saúde e estar desempregada. A situação das pessoas está difícil. O marido já estava desempregado e eles têm uma criança de seis anos. Que dureza! Multipliquem essa situação por milhões... é o Brasil de Temer e Bolsonaro!

Espero que esteja tudo bem com a trabalhadora em questão e com sua família.

sábado, 26 de dezembro de 2020

261220 - Diário e reflexões



Refeição Cultural

Estamos menos inteligentes. Emburrecendo. Já li alguns artigos falando a respeito disso. Neurologistas e linguistas têm demonstrado preocupação a respeito da perda de capacidade criativa e inventiva dos seres humanos, inclusive nas coisas mais comezinhas do cotidiano. O empobrecimento da linguagem está relacionado a esse processo de emburrecimento. Nós pensamos através da linguagem. Com a linguagem empobrecida e limitada, menos chance temos enquanto espécie de desenvolver o cérebro, as diversas formas de inteligência e as possibilidades imprevisíveis de criatividade.

Tudo está interligado no Universo, nos planetas, no nosso planeta Terra, nas vidas dos seres vivos. Somos um fragmento disso tudo ao nosso redor. A ideia de quem é dono de quem, do que é propriedade do que é uma coisa recente no planeta Terra, pois isso é coisa do animal humano, que tem pouquíssimo tempo de existência neste velho planeta de mais de 4 bilhões de anos. 

Ao analisar o andar da carruagem, essa espécie animal não parece que estará por aqui nos próximos 5 mil anos. Difícil, até porque o modo de produção e consumo capitalista, o neoliberalismo e o egoísmo parecem ter vencido e isso é uma derrota para a espécie humana e para a vida no planeta. De que adiantou nosso cérebro ter se desenvolvido ao longo de milhares de anos e termos nos tornado racionais, dotados de razão, para ao final nos transformarmos nisso que estamos nos transformando? Eu sei, serviu para fazermos o que fizemos até agora. E pode servir para nos exterminar também.

O que fazer para frear o emburrecimento individual e coletivo? Como seres sociais que somos é muito difícil não sermos influenciados pela demência coletiva, pelos medos e ódios que passaram a dominar o ambiente humano como estratégia de poder. Como não emburrecer? Como preservar meu cérebro, meu ser, caso eu siga vivendo mais um dia, mais um ano, o de 2021, por exemplo, que será duríssimo para os seres humanos, muito pior do que foi o de 2020, que ninguém aguenta mais e acha que vai acabar daqui a 5 dias? Como não emburrecer, como não embrutecer mais ainda, como não me tornar a média do que são os animais humanos ao meu redor? Que difícil resposta!

Por acaso, por sorte, eu fui salvo de ser um bárbaro demente agressivo e se achando alguma merda (meritocrata branco de origem pobre) como, por exemplo, são os tucanos e os bolsonaristas ao meu redor; fui salvo por acaso. Poderia ser um deles... 

Quis o andar dos dias que em certos momentos de minha vida, aos 20 anos e depois aos vinte e poucos, quase 30, eu tivesse contato com os militantes do movimento sindical bancário organizados para enfrentar as desgraças da exploração dos donos do poder sobre nossos corpos e carcaças de proletários. Grande sertão: veredas... (como nos presenteou Guimarães Rosa). 

A vereda que peguei me fez deixar de ser ignorante (um pouco menos, mas reconheço minha ignorância), de ser intolerante em relação às pessoas não-heterossexuais (eu não sabia nada de amor até quase 30 anos de idade! Era um binário como a sociedade havia feito com quase todos nós), me fez ser menos agressivo, me fez entender como somos manipulados pelos sistemas ideológicos do capital como os meios de comunicação empresariais. Que sorte eu tive como membro da classe trabalhadora!

E hoje, observando o cenário deste momento da história do país onde vivo, sei que as pessoas são o que são por causa das vitórias dos canalhas da Casa Grande e seus ideólogos e capitães do mato. A vitória deles é a derrota da sociedade humana e da vida no planeta.

Estamos emburrecendo, estamos nos animalizando, estamos com raiva e medo, e nossas mentes e nossos desejos estão dominados por uns poucos detentores dos meios de produção material e cultural. Somos presas fáceis. Como nos libertarmos dessa máquina, desse sistema, dessa Matrix que nos aprisiona? Não é fácil, e, no entanto, temos que tentar, criar, resistir, libertar os seres humanos, a começar por nós mesmos. A questão é: como fazer isso?

---------

As reflexões fluíram acima. Mas eu queria registrar algumas coisas ainda.

Eu vejo o quanto estamos pouco criativos, pouco inteligentes, ao observar meu comportamento, minhas ações e reações. Fui até a padaria comprar pães. Não tinha pães na hora, mas teria em 20 minutos. Qual foi minha reação: comprei só pão de queijo e voltei pra casa. É uma coisa burra, sem pensar, sem ser racional. Hoje é sábado, pós dia de Natal. Qual o problema em esperar 20 minutos para comprar os pães? Que diferença faz na minha vida não esperar os 20 minutos? Não é inteligente isso que fiz? Só o trabalho de me trocar para ir à padaria, depois ter que fazer aquela merda da higienização por causa da pandemia... que diferença faz a porra dos 20 minutos? Aliás, eu poderia ter andado até o fim da avenida arborizada e voltado e pego os pães. Estamos emburrecendo, não estamos mais pensando. Ao fim e ao cabo, depois de chegar em casa, fazer a higienização e conversar com a companheira, voltei e peguei os pães. Foi muita burrice o que fiz. Mas estamos fazendo isso o tempo todo, muita gente está agindo no cotidiano sem pensar.

Eu desliguei o celular ontem à noite. Não quis ligar o aparelho hoje de manhã. Todo dia, acordo e pego aquele treco e fico quase uma hora olhando as notícias e acontecimentos, algumas manchetes de páginas de notícias e as que o Facebook me autoriza ver, já que aquela merda de empresa totalitária seleciona por algoritmo o que posso ver na minha timeline. O Facebook virou um obituário, mais que um lembrador de aniversários. Nossos amig@s e conhecidos estão morrendo ou tendo familiares mortos por Covid-19, além dos infartos, câncer e outras doenças. É difícil sair dessa bolha porque se sairmos nem saberemos das perdas que estamos tendo (perder amig@s e companheir@s de luta é uma grande perda individual e coletiva). Já estamos tão sós! Enfim, só liguei o celular depois do meio-dia. E a primeira coisa que fiz foi ligar com imagem e voz para minha irmã e para minha mãe. A vida está mais incerta e bem mais instável que antes da pandemia do vírus mortal usado pelo regime fascista no Brasil como estratégia de governo. Eu e as pessoas que amo podemos não estar mais aqui em questão de dias.

É isso. É difícil não falar em morte numa época de morte. Genocídio é o que estamos vivendo. Os brasileiros mortos por Covid-19 foram vítimas de um genocídio organizado por parte do regime no poder. Mais de 200 mil mortos... e sem perspectivas de mudança para o próximo período que chamamos de Ano Novo. Não temos vacina. Não temos um governo apoiando as regras básicas para evitar a expansão da pandemia. Não temos poderes oficiais defendendo os pobres e os trabalhadores. Não haverá nada de regeneração, renascimento, de promissor para o período que segue. Sem derrubar os fascistas e genocidas no poder, através de mobilização e enfrentamento social nada vai mudar. Pelo contrário, o cenário será pior! Desculpem a franqueza. Haverá fome, mais miséria, mais mortes, pois essas são as variáveis no Brasil de Bolsonaro e seus apoiadores do 1% e dos milhões de gentes pobres e idiotizadas que o apoiam.

Esse minuto é o que temos. Hoje já falei com minha mãe e minha irmã. O amanhã no Brasil de Bolsonaro não nos pertence.

William


quarta-feira, 23 de setembro de 2020

23/9/15 - Instantes (DF)



INSTANTES... (2h)

Madrugada.
Estava na janela da sala.
O dia foi muito estressante.

Ouvindo o silêncio da madrugada candanga.
Sentindo o cheiro característico da relva seca de 
                   [Brasília.
Aqui, agora, aprendi a olhar mais o céu. Árvores. Sair 
                   [do automático.

Respiração profunda. Sinal de atenção.
Cismando, pensando nos meus, nos propósitos.

Olhando tudo do ponto de vista do agora,
posso ir dormir o sono pesado do cansaço físico.
Posso ir dormir o sono leve da consciência do ser.

Sobrinha, parabéns nesta terça.
Mãe, boa sorte nesta quarta.
Irmã, boa sorte nesta quinta.
Pai, estamos fazendo o possível.
Vocês aí. Eu aqui. Filho e esposa aqui.
Estamos fazendo o possível
por todos os entes queridos.

Madrugada.
Silêncio. Sentido. Relva seca.
Vamos dormir.
O sono leve e pesado
da consciência
do possível
do ser.

William Mendes

sexta-feira, 6 de dezembro de 2019

São Silvestre 2019 - Aos 50 a 10ª participação



(atualizado 31/12/19, às 20h10)

Corrida de 10k

Osasco, sexta-feira. Nove horas da noite. Saí para correr sem compromisso, mais para desestressar. Não foi possível ler nesses dias. A semana foi de limpeza de casa e outros afazeres. Enquanto não leio, estou vendo filmes neste mês. Já vi alguns bem interessantes.

Como disse em outra postagem, decidi voltar a correr a São Silvestre depois de três anos afastado da prova. "Foi decisão baseada na busca de algum sentido pessoal neste instante da vida. Tudo mudou muito e a vida que levei se esvaziou abruptamente". (ler aqui)

Vejamos como são as coisas. A corrida para mim é uma necessidade vital. Ela abaixa minha pressão arterial. Me dá prazer, apesar das dores do corpo. Me faz refletir. Me traz lembranças diversas da vida. Correr é uma necessidade.

Não tem como não lembrar de meus dias em Brasília quando corro. Foi lá que voltei a correr com regularidade no final de 2014 porque estava morrendo de trabalhar na Cassi e por estresse devido ao que enfrentava diariamente na gestão. Passei a correr nas quadras da 110 Sul e isso salvou minha vida na época. 

Depois conheci o que é correr no Eixão aos domingos e feriados. Só de lembrar da sensação e prazer o corpo se arrepia, como agora que escrevo. Enfim, ao correr aqui em São Paulo é como se meu corpo estivesse correndo nas quadras arborizadas de Brasília ou no Eixão. Nosso corpo é assim.

Vejamos como são as coisas ainda. O prazer da corrida pode ser um risco de vida. Eu gosto de correr na rua, não gosto de esteira. Durante os 4 anos de Brasília, corria nas noites candangas, 21h, 22h, corri até mais tarde, o corpo pedia um respiro ao chegar da Cassi estressado. Nunca senti receio por parecer perigoso correr na 110 Sul.

Agora na minha terra de sempre, Osasco e São Paulo, nos tempos que correm, pode ser perigoso correr às 22h. Não sei se é mais perigoso por causa de bandidos ou por causa da polícia. Seria uma merda tomar um tiro nas costas por qualquer desses segmentos, bandidos ou polícias mal treinadas.

Enfim, vamos comer, relaxar e dormir. Meu corpo não é mais o mesmo. Tenho consciência corporal do quanto estou mudado. Corro com o maior cuidado do mundo, sentindo pés, dedos, panturrilha, tendões, joelhos, coxas e principalmente o quadril, todo fodido. Mas o coração e a mente ainda têm aquela chama que queima forte. Não posso parar de correr.

William

----------

Dezembro

Dia 31 - 95ª São Silvestre - Ufa! Completei a prova de 15k com o tempo de 115', num calor de 30º. Deu tudo certo! Sem contusão, sem dores!


Percurso no mês, antes da prova: 49k

18º treino - dia 29 - Caminhada de 4k para relaxar. Estou bem ansioso para a prova. Meu corpo está pedrado, pescoço duro, pernas doloridas. O calor está muito forte esses dias. Será um momento de busca interior...

17º treino - dia 28 - Corri 4k em 25'36", com subida, no Pq. Continental. Dia com muito calor, quase 30º.

16º treino - dia 24 - Corri 5k em 35' no Pq. do Sabiá. Por causa do cansaço, foi um trote bem leve. Está chegando o dia da prova e eu ainda não corri mais que 10k, mas não vai dar pra fazer isso pelo cansaço, porque poderia me contundir.

15º treino - dia 22 - Corri 7,7k em 53'20" no Parque do Sabiá, Uberlândia (MG), num dia quente e úmido 24º. Meu corpo está cansado e sensível. Iria correr mais, mas meu corpo pediu que parasse porque meus músculos posteriores da perna esquerda estavam apitando. E assim vamos vendo o que é possível para a preparação.

14º treino - dia 19 - Corri 4k em circuito no Parque. Fiz em 25'20". Estou muito cansado, com dores no corpo todo, principalmente nos quadris e nos pés. Não sei o que está ocorrendo. Pode ser a tristeza do Brasil que me destruiu. Vai ser difícil percorrer os 15k da prova...

13º treino - dia 17 - Após uma semana só dedicado ao treinamento para o exame de faixa de Kung Fu (deu tudo certo), voltei a correr. Fiz um trote de 2,5k em 15' com calor de 30º.

12º treino - dia 8 - Domingão de preguiça e corpo cansado. Deixei pra dar um trote no final do dia. Saí e comecei de pouquinho e acabei correndo 7k em 46', forçando subidas de novo. Foi bom.

11º treino - Dia 6 - Que corrida! 10k em 65' com duas subidas (1k +1k). Noite fresca, 18º.

10º treino - Dia 1º - Queria correr um longão, mas o cansaço ainda me impediu. Fiz 4,5k em 28'40" 28º. Estou mal fisicamente. Devo encontrar um equilíbrio interior. Tenho exame de faixa na academia daqui a duas semanas e não vou às aulas faz dias. Novembro foi dureza pra mim. Quase desisti de entregar os trabalhos de faculdade. Tenho dores em várias partes do corpo. O dedo do pé que machuquei no kung fu faz tempo não sarou. As dores do desgaste dos ossos do quadril estão fortes... mas não quero desistir de nada. Vou insistir...

Novembro

Percurso no mês: 45k

9º treino - Dia 29 - 4k 24' 24º. Corri após uma semana muito difícil de prova e trabalhos na faculdade. Dormi pouco. Muito estresse. Muito quebrado. Foi só para não dizer que não corri.

8º treino - Dia 24 - 9k 60' 19º. Saí para correr a esmo. Duas subidas grandes (2k). Estou deprimido. Foi muito importante correr hoje. O treinamento me salvou o dia!

7º treino - Dia 21 - 5k 32' 29º. Corrida com muita subida (15' subindo). Não adianta se preparar para a São Silvestre sem treinar subidas puxadas. Tenho que ter atenção com o corpo, ando cansado, física e psicologicamente...

6º treino - Dia 15 - 6k 36' 21º. Corrida foi prazerosa, com subidas/descidas. Precisei descansar bastante, entre uma corrida e outra e uma aula de kung fu. São atividades diferentes e ando cansado. Estou indo bem.

5º treino - Dia 10 - 7,5k 48' 23º. O longão foi em trote leve, com subidas/descidas.

4º treino - Dia 08 - 6,2k 39' (6'20"/Km). Feliz! Fiz 2k de subida. Feliz! #LulaLivre! Alumbramento: ipê amarelo florido em pleno mês de novembro!

3º treino - Dia 04 - 2,5k 14'30" (5'48"/Km). Legal correr abaixo de 6', calor 35º.

2º treino - Dia 02 - 5,0k 32'30" (6'30"/Km) com subida (1k) e descida, calor 32º.

Outubro

1º treino - Dia 31 - 3,5k 21'25" (6'08"/Km) em circuito, calor 27º.


domingo, 7 de julho de 2019

070719 - Diário e reflexões - Corrida 10K no Eixão


Ipês roxos na altura da 114/214 Sul, DF.

Refeição Cultural

"A gente sai de Brasília, mas Brasília não sai da gente" (ditado popular)


Enquanto em nosso Mundo de Oz paulistano (Osasco) fazia frio e o dia estava nublado neste domingo (uns 8º), eu havia colocado calção e tênis e me dirigia para o Eixão no Plano Piloto de Brasília para fazer meu longão de fim de semana. 

O cenário foi de sol e temperatura de 23º e ipês, muitos ipês roxos colorindo o nosso caminho. Brasília é a cidade dos ipês. Primeiro vêm os roxos, depois vêm os amarelos, brancos e rosas. São cerca de 200 mil árvores, segundo a Novacap, órgão que cuida da estrutura distrital.

Morei em Brasília por quatro anos e seria impossível não estabelecer uma relação entre nós, Brasília e eu. Foram anos muito intensos os vividos na Capital do Brasil. Foram anos de trabalho ininterrupto em defesa dos direitos em saúde dos trabalhadores da comunidade BB. Foram anos em que vimos um golpe de Estado derrubar o governo e estabelecer-se o caos e a destruição do país.

Apesar dos anos intensos vividos em Brasília, a relação que estabeleci com a cidade foi fraterna, foi dócil, foi de porto seguro. Brasília concentra o poder do país, que, via de regra, infelizmente depõe contra a cidade por causa dos efeitos da má política. Porém, nem só de política é feita a cidade planejada no meio do Planalto Central.

Brasília é coisa boa, é o céu azul, é a natureza com flores em todas as estações, são pássaros e mais pássaros; Brasília é o cerrado. É o pôr do sol deslumbrante. É o cheiro de mato ao abrir a janela e respirar fundo. Brasília é também o cidadão brasiliense que acolhe a gente no movimento sindical e social. Temos amigos e pessoas queridas em Brasília. Sou grato por isso.


Neste Eixão e nas alamedas da 110 Sul, fiz da corrida o suporte
para o equilíbrio de minha pressão arterial e de minha saúde.
Sem a corrida não suportaria a pressão que vivi por 4 anos.
 

A sensação de prazer da corrida só conhece quem corre

O ano não tem sido fácil em relação à condição de saúde para praticar minhas corridas. Como vinha sentindo dores desde o ano passado, fiz alguns exames e descobri que tenho que lidar com desgastes nos ossos e cartilagens na região do quadril e lombar. Amig@s, já lido com dores permanentes por causa do nervo ciático e outras desde agora. Que virá adiante?

A recomendação seria para que eu evitasse exercícios de impacto como corrida. É um dilema na vida. Difícil isso. Eu sonho em correr uma maratona (42K) e nunca corri uma porque nunca tive tempo para treinar por causa do trabalho e militância. Cheguei a correr uma meia maratona (21K) e várias São Silvestre (15K).

Eu faço caminhadas de introspecção (romarias) há décadas e elas têm um papel importante em minha psique. Que fazer? Sem contar que minha pressão arterial só abaixa com corrida, não adianta andar, não adianta pedalar. Nadar já exige uma estrutura para tal. Não gostaria de resolver isso com remédio de uso contínuo.

Minha decisão é a de seguir correndo. Aumentei o percurso das corridas nas últimas semanas, correndo entre 7 e 8 quilômetros no fim de semana e hoje corri meus primeiros 10K do ano, justo no Eixão de tantas corridas que desopilavam meu fígado do estresse da gestão na Cassi. Foi legal!

A visita à bela Brasília florida pelos ipês roxos foi para acompanhar meu filhão, que veio rever alguns amigos. Unimos o útil ao agradável, fiz companhia para o filho, visitei os amigos do movimento sindical no Congresso Distrital na sexta e sábado e fechei a estadia com a corrida no Eixão florido.

Até a próxima, Brasília! Volto ao Eixão qualquer dia desses!

William

domingo, 1 de abril de 2018

Simplicidade - Diário e reflexões - 010418


A simplicidade da natureza de Brasília
foi algo marcante e ficará em minha memória.

"Llaneza

                          A Haydée Lange

Se abre la verja del jardín
con la docilidad de la página
que una frequente devoción interroga
y adentro las miradas
no precisan fijarse en los objetos
que ya están cabalmente en la memoria.
Conozco las costumbres e las almas
y ese dialecto de alusiones
que toda agrupación humana va urdiendo.
No necesito hablar
ni mentir privilegios;
bien me conocen quienes aquí me rodean,
bien saben mis congojas y mi flaqueza.
Eso es alcanzar lo más alto,
lo que tal vez nos dará el Cielo:
no admiraciones ni victorias
sino sencillamente ser admitidos
como parte de una Realidad inegable,
como las piedras e los árboles."

(Jorge Luis Borges, Antología poética 1923-1977)


Refeição Cultural

Domingo, 1º de abril de 2018, Brasília (DF).

Começo a me despedir do Planalto Central, do cerrado, onde passei meus últimos quatro anos. Daqui algumas semanas volto para minha terra, o Mundo de Ozzz, Osasco (SP).

A natureza única em Brasília foi algo que me encantou profundamente nesses quatro anos que passei aqui a trabalho, como diretor de saúde na Caixa de Assistência dos Funcionários do Banco do Brasil.

Brasília com suas estações do ano bem definidas, as chuvas, a seca prolongada, as flores de cada época, os pássaros apaixonantes como as curicacas e o canto do urutau que aprendemos a amar. O céu mais azul do mundo! O pôr do sol de paralisar.

"Se abre la verja del jardín
con la docilidad de la página
que una frequente devoción interroga
y adentro las miradas
no precisan fijarse en los objetos
que ya están cabalmente en la memoria..."

O abrir a janela de onde morei era como ver um jardim, e acho que a beleza e a simplicidade da natureza e o canto dos pássaros, junto às luzes dos entardeceres, ficarão para sempre em minha memória.

Vim a Brasília realizar a tarefa mais desafiadora de minha vida de lutas e de representação dos trabalhadores. Por mais que soubesse do trabalho que realizamos na defesa dos associados da Cassi e no fortalecimento da própria Caixa de Assistência e seu modelo revolucionário de saúde preventiva, havia externado para as pessoas mais próximas, meses atrás, o quanto seria difícil obter condições ideais de disputa para seguir com o trabalho que vinha sendo realizado (eu conheço muito os espaços de disputa de poder...).

"Conozco las costumbres e las almas
y ese dialecto de alusiones
que toda agrupación humana va urdiendo..."

Já vislumbrava a dificuldade em se obter a unidade necessária no campo progressista e de representação dos segmentos dos trabalhadores associados. Já estou nesse meio há vinte anos e sei que nas horas centrais, o que prevalece é a divisão, é o foco no poder, mais que o foco no projeto coletivo. É só ver no quadro político do Brasil na maior crise de sua história como estão se comportando as forças progressistas em relação às eleições majoritárias. Teremos quantas candidaturas do campo popular? Três ou quatro? Não adianta a história ensinar... ninguém olha ou considera a história da luta de classes!

Nos próximos dois meses, período final de registro do mandato e de prestação de contas que realizamos no blog Categoria Bancária, vou registrar tudo que for possível sobre a Cassi e as áreas que atuamos. E vou registrar minhas opiniões, afinal de contas fiz isso desde o primeiro dia e assim vou até 31 de maio de 2018. Não teria motivos para esconder minha avaliação sobre o resultado das eleições e o que vislumbro pela frente em relação à entidade que aprendi a amar durante o mandato.

"No necesito hablar
ni mentir privilegios;
bien me conocen quienes aquí me rodean,
bien saben mis congojas y mi flaqueza."

Eu tenho que ir me desligando da luta em defesa da Cassi e dos associados. Conheço profundamente a realidade que enfrentamos, o que evitamos e o que se desenha adiante com a mudança de rota.

Eso es alcanzar lo más alto,
lo que tal vez nos dará el Cielo:
no admiraciones ni victorias
sino sencillamente ser admitidos
como parte de una Realidad inegable,
como las piedras e los árboles."

Muitos de nós que vivemos juntos a realidade inegável do setor de saúde suplementar e da Caixa de Assistência nos últimos anos, que protegemos a entidade e associados revertendo quadros adversos, não soubemos nos unir em prol de algo coletivo maior. A responsabilidade do que vier de futuro talvez sirva de reflexão às gerações seguintes das lideranças do movimento social organizado porque a história humana tem diversos exemplos de consequências advindas da falta de unidade em momentos decisivos.

Sabemos que sem os princípios basilares e os paradigmas de consenso - manter a solidariedade no sistema de custeio, fortalecer as unidades de atendimento em saúde nos Estados, a atenção primária e medicina de família e a participação social - a Caixa de Assistência não será uma Cassi para todos, como deve ser.

Ainda farei dois meses de registros no blog Categoria Bancária. Registros com simplicidade e honestidade nas opiniões e dados que vamos apontar sobre esses quatro anos de história da nossa querida Caixa de Assistência. Segue firme o meu compromisso de deixar disponível o material que produzimos sobre a Cassi e o mandato para entidades sindicais, associativas e Conselhos de Usuários.

Abraços,

William

domingo, 25 de março de 2018

250318 - Diário e reflexões - O que o futuro me reserva?



Refeição Cultural

Domingo ensolarado em Brasília. Estou sozinho há semanas, longe da família. Estou aqui pensando na vida. Já li mais um pouco da história de Nelson Mandela, autobiografia de um grande líder do povo sul-africano. Ouvindo Pink Floyd, Metallica e outras bandas que gosto.

Estive envolvido nas últimas semanas na campanha das eleições da Caixa de Assistência dos Funcionários do Banco do Brasil, a Cassi, a maior autogestão em saúde do país. Coloquei meu nome à disposição para o processo democrático, juntamente com outras lideranças que compõem a nossa Chapa 1 Em Defesa da Cassi. As votações vão até quarta-feira, dia 28 de março, e o resultado sai após as 18 horas desse dia.

Estou terminando um mandato de quatro anos à frente da Diretoria de Saúde da entidade, e minha vida mudou completamente nesse período. Nunca me dediquei de forma tão intensa e integral ao longo de anos por uma causa como esta de defender os direitos em saúde dos associad@s e o modelo assistencial de Atenção Primária e Medicina de Família. 

Não que eu não me dedicasse com a mesma intensidade quando fui dirigente sindical eleito pelos trabalhadores, mas é que para ser o melhor representante que eu pudesse ser, sabia que teria que estudar e mergulhar nas questões técnicas da área, além de manter o punho firme que sempre tive para enfrentar patrões e capitalistas e seus representantes. A intensidade do esforço ao longo do mandato foi semelhante a tocar uma greve de 30 dias ininterruptamente por quatro anos. Minha luta foi de manhã, tarde, noite, madrugadas e finais de semana. Não poderia ser de outra forma.

O período foi de tantas mudanças que quando começamos o mandato o Brasíl não havia sofrido o golpe de Estado, as condições econômicas, políticas e sociais do país eram outras. O setor de saúde suplementar tinha mais de 52 milhões de usuários de planos de saúde. Hoje tem pouco mais de 47 milhões. Grandes do setor faliram, como a Unimed Paulistana, ou estão mal das pernas. As despesas com a compra de serviços de saúde no mercado quase cartelizado crescem cerca de 15% ao ano. As receitas dos planos de saúde não acompanham nem de perto essa conta de despesa operacional. Os patrões tentam repassar os custos somente aos trabalhadores beneficiários dos planos, tentam se ver livres dos aposentados (aqueles planos que ainda incluem aposentados), se aproveitam do desconhecimento técnico da área para estimular lugares comuns e informações equivocadas sobre a eficiência das entidades de saúde de autogestão.

No entanto, os associad@s da Cassi não perderam nenhum direito histórico em saúde. A Cassi não fez reduções de sua estrutura própria de atenção à saúde, o que seria um erro fatal, porque provamos que a estrutura própria de Atenção Primária e Medicina de Família faz mais com menos. Todo o mercado está tentando fazer o que a Cassi faz. A solução para usar melhor os recursos arrecadados pelo sistema de saúde Cassi é investir mais em promoção e prevenção, programas de saúde e monitoramento de populações assistidas ao longo do tempo. Desfizemos interpretações equivocadas e lugares comuns faladas sobre a Caixa de Assistência por total desconhecimento da área. Incomodamos bastante o outro lado da representação, a patronal.

Bom, minhas reflexões não são sobre o que fizemos pela Cassi e pelos associad@s. Estou aqui pensando no momento seguinte após o resultado das eleições. Estarei à frente da Diretoria de Saúde da Cassi no período mais desafiador de sua história ou não estarei.

Fico pensando em minha família, fico pensando em minha visão de mundo social mais justo e solidário, voltado para o povo brasileiro e não para uma pequena parcela de privilegiados (o 1% dono de tudo). Fico pensando em como aguentar tanta iniquidade, tanta injustiça contra o povo. A Cassi foi minha cachaça nestes últimos 4 anos. Não fiz outra coisa que lutar para defender a entidade e seus associados.

Amanhã cedo estarei junto aos associad@s nas bases fortalecendo a democracia na Cassi e estimulando tod@s a votarem porque a participação massiva vai fortalecer as negociações sobre o futuro da entidade e dos direitos dos trabalhadores associados.

Quinta-feira 29 verei minha família. Depois vem o feriado (ufa!). Depois vem a segunda-feira 2 de abril. E depois vêm os meses seguintes. Meu futuro será de lutas, isso eu sei, afinal de contas eu pertenço à classe trabalhadora. O que não faltam são frentes de lutas, a da Cassi que estamos preparados, e as diversas frentes de lutas por uma vida melhor das pessoas.

Boa semana a todas e todos.

William

sábado, 10 de março de 2018

Eleições Cassi - Diário de campanha (II)



Veredas candangas: às vezes, os caminhos são verdejantes;
mas onde nos levarão as veredas?
Cada escolha, um destino; cada caminho, um caminhar.
Veredas candangas: às vezes, os caminhos são secos e gris.
A vida é assim.
Caminhos a seguir, em contextos diferentes, sempre.
Onde vão nos levar os caminhos? Eis a questão!


Sábado, Brasília, DF.

Acordei com o corpo tão quebrado de cansaço que só um banho quente para me recolocar em pé. Faz parte.

Estamos no meio do processo de consulta ao corpo social da Caixa de Assistência dos Funcionários do Banco do Brasil para eleger um(a) dos quatro diretor@s da autogestão em saúde e parte dos conselheiros deliberativos e fiscais. Faço parte de uma das quatro chapas inscritas no processo democrático da comunidade de trabalhadores do maior banco público do país.

Já foram três semanas de campanha. Fizemos um percurso grande e o corpo começa a sentir o roteiro, porque todo dia tem o cansativo ir e vir de viagem e se dorme pouco também. Já conversamos com trabalhadores associados à Cassi de diversas partes do país: Ceará, Piauí, Distrito Federal, Goiás, Tocantins, Paraíba, Pernambuco, São Paulo, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Paraná e Rio de Janeiro.

A política e a democracia são meios desejáveis como forma de solução pacífica das controvérsias, como mediadoras para a convivência das opiniões diferentes, estabelecendo decisões que definem os rumos das coisas de interesse coletivo, e também definindo maiorias e minorias, que devem ser respeitadas, mesmo após as definições dos processos democráticos.

Eu aprendi a fazer política quando conheci o movimento estudantil e depois o movimento sindical. Minha formação política no movimento foi algo marcante em minha vida porque eu tinha pouca tolerância ao diferente, ao outro. A política melhorou a minha pessoa ao longo de duas décadas de participação no movimento dos trabalhadores.

Um dos ensinamentos da formação política que tive foi orientar minha energia e inteligência para construir unidade e consenso entre os pares da classe trabalhadora, e depois buscar conciliar saídas que trouxessem avanços para aqueles que representamos nas mesas de negociações. 

Do nosso lado, o dos trabalhadores, quanto mais se investisse tempo para construir consensos, melhor. Melhor inclusive do que simplesmente ver qual argumento/tese teria maioria e votar (ou qual "líder" tinha mais "garrafinhas"), porque se não fosse feito um esforço de convencimento do grupo, ganhava-se a votação, mas perdiam todos, pela desagregação do grupo político, pela desunião de classe. Boa parte do que tenho visto no último período tem sido isso. Sem unidades, perdem os trabalhadores.

Ao aprender essa forma de fazer política buscando o consenso progressivo ou a inclusão dos diferentes nos mesmos processos políticos para estabelecer unidade de nosso lado, o lado da classe trabalhadora, aprendi que fazer política assim nos dá melhores perspectivas para enfrentar os grandes, os maiores desafios, que estão na disputa entre capital versus trabalho, entre o 1% que manda em tudo versus os 99% que são explorados e vítimas de um mundo injusto para o lado mais fraco do estrato social.

Eu estou muito tranquilo com o resultado que for apontado nas eleições Cassi no dia 28 de março. Fiz um mandato republicano e inclusivo que está terminando no dia 31 de maio, onde atuei exatamente como aprendi a fazer política. Busquei a todos e todas durante o exercício de representação dos associados da Caixa de Assistência. Nunca discriminei ou tratei diferente nenhuma força política, liderança ou entidade representativa que existe no espectro político da comunidade Banco do Brasil. Aliás, discordei das teses dos representantes do patrão com urbanidade, porque somos colegas de banco, mas eu represento os interesses do outro lado, os trabalhadores.

O desafio daqueles que estiverem na direção da Cassi nos próximos anos será maior do que aquele que enfrentamos nos últimos quatro, que já foram desafios existenciais, porque foram quatro anos impedindo que os associados perdessem direitos, que a Cassi se desfizesse de sua essência de Caixa de Assistência solidária e inclusiva para o conjunto de trabalhadores da ativa, aposentados, pensionistas e dependentes. E ainda colocamos em alta o modelo assistencial da entidade - Atenção Integral à Saúde via Atenção Primária, Estratégia Saúde da Família, programas de saúde e CliniCassi -, modelo que vinha desacreditado em anos anteriores.

É isso, já falei demais para o cansaço que estou.

Bom fim de semana aos leitores que leram essas breves reflexões.

William


Post Scriptum: saudades da família que só verei ao final desse processo.

Post Scriptum II: Diário de campanha I (AQUI)

domingo, 10 de dezembro de 2017

Na vida e nas lutas, desistir não é uma opção!



(atualizado em 11/12/17, às 13h)

Naruto Uzumaki, garoto órfão não se deixa abater
pelas adversidades da vida em momento algum.

Refeição Cultural

Está terminando o domingo. Estou em casa com a família, que bom! Momentos juntos não são comuns em minha atual jornada de lutas.

Não estou lendo literatura neste semestre com a frequência que gostaria porque minhas demandas no trabalho tomam conta de minha agenda praticamente em todos os dias do mês. Mas a dedicação é necessária e tudo bem, é por uma boa causa: a Cassi e os associados.

Neste sábado, trabalhei em casa até umas 19 horas. Estudei toda a pauta da reunião de Diretoria Executiva do início da semana. Teremos uma agenda bem cheia na segunda e terça-feira. Inclusive com reunião prévia das entidades representativas e mesa de prestação de contas sobre o Memorando de Entendimentos acordado entre o BB e os associados.


Três coisas que me levaram à reflexão neste fim de semana

Desde o ano passado, tenho visto alguma série ou anime com meu filho. Mesmo estando distantes, temos algo para vermos juntos e comentarmos. Tem sido bem legal isso.

Depois de assistir ao anime Death Note (ler comentários AQUI), começamos a ver agora Naruto. Meu filho conheceu a história do garoto ninja e seus amigos quando ele tinha uns dez ou onze anos. Diferente do Death Note, que contém 37 episódios, esse anime vai demorar muito tempo para vermos tudo, porque são centenas de episódios. Mas eu e minha esposa estamos indo bem, já chegamos ao 40.

Para dizer da impressão ou da mensagem que mais me chamou atenção até agora na história do garoto sem família, e que sofre com a forma como as pessoas de sua aldeia o tratam - com preconceito e discriminação - foi que ele não vive de chororô pelos cantos e não deixa que nada o impeça de olhar para a frente e seguir com determinação seu objetivo de ser o melhor ninja da aldeia. 

Apesar do garoto não ser um destaque na escola e na academia de artes marciais, suas atitudes perante a vida são algo a se pensar.


Um homem em situação de rua
e seus companheiros, seus animais.
Aí, entre o sábado e o domingo, fiquei muito pensativo ao observar uma pessoa em situação de rua, um sem-teto, que estacionou (com sua carroça) em frente do prédio onde moramos em Brasília no final da tarde de sábado e só foi embora no domingo pela manhã.

O homem chegou, arriou o seu cavalo, fixou a carroça na árvore e aos poucos fomos vendo seus amigos e companheiros. A cena chamou a nossa atenção. Além de seu cavalinho simples, ele tinha 3 cachorros, sendo um filhote em fase de adestramento, 3 galinhas e um gatinho filhote. Todos ficaram soltos ao redor dele e de sua carroça, brincando, ciscando, exceto o cachorro filhote, que corria atrás de quem passava perto, latindo e com intenção de brincar. Acho que alguns moradores não gostaram. Seu dono, mancando bastante, ia atrás dele e dizia "- vem com o papai". Mas, em momento algum, ele bateu nos seus animais. Quando anoiteceu, todos se recolheram dentro da carroça e, pela manhã, já haviam partido. 

Imaginem quantas pessoas em nosso mundo estão nessas condições. O que eles comeram? Como se viram diariamente? Quando começou a chover, todos ficaram quietinhos dentro da carroça. Todo ser humano tem direitos. Onde estão os dele?

Eu pensei muito a respeito e não concordo com o rumo que nosso país tomou após o Golpe de Estado, nem concordo com a forma como o mundo está hegemonizado pelo sistema e modelo capitalista. Outro mundo é necessário, com melhores condições de existência para todos e todas.

Em relação ao título desta reflexão, em que afirmo que desistir não é uma opção na vida ou nas lutas, esse homem que vimos por algumas horas está lutando, está sobrevivendo. Aliás, está cuidando de seus companheiros.

Por fim, neste domingo, fiz uma corrida que me deixou satisfeito. Ao longo deste ano que está terminando, tive muita dificuldade de correr com a regularidade que gostaria. Mas corri o possível. 

Agora, terminando o ano, entre novembro e dezembro, já consegui voltar a correr mais de 5k. Corri recentemente 6k, depois 7,5k, depois 8k (dias atrás) e hoje fui para o Eixão quase deserto, por causa das chuvas, e corri 9k. Foi muita concentração e fiquei feliz comigo mesmo. Sei que isso é bom para fortalecer não só minha resistência física e minha saúde, mas minha mente e minhas energias.

Fim do domingo, vamos pras lutas nesta segunda-feira.

William