segunda-feira, 30 de junho de 2008

Lendo A Montanha Mágica - Thomas Mann



Refeição Cultural

Estou lendo este ano o grosso livro de Thomas Mann. Aliás, estou no ritmo em que ele comenta sobre narrar a história do jovem:

"Não será, portanto, num abrir e fechar de olhos que o narrador terminará a história de Hans Castorp. Não lhe bastarão para isso os sete dias de uma semana, nem tampouco sete meses. Melhor será que ele desista de computar o tempo que decorrerá sobre a Terra, enquanto esta tarefa o mantiver enredado. Decerto não chegará - Deus me livre - a sete anos."

Meu! O livro é fantástico!

Li o episódio "Pesquisas" do capítulo cinco. Fala sobre ciência, sobre a evolução. Questiona o que é a vida. Mesmo estando eu quase um século depois da reflexão e dos dados científicos de então, são fascinantes as elucubrações a respeito.

Sigo viajando nesta montanha...



Post Scriptum:

Terminei a leitura do livro em 09/1/10 (com arrepios no corpo).

domingo, 29 de junho de 2008

Sigo correndo... caminhando... refletindo...



As conchas do caminho.

Corrida de domingo.

O que dá prazer na vida? Fazer aquilo que se gosta é uma das respostas. Sem dúvida!

Adoro praticar esporte. Infelizmente tenho muito pouco tempo para praticá-lo e não o priorizo. Minhas últimas semanas foram muito cansativas por causa dos trabalhos de conclusão de disciplinas do semestre na faculdade, e também pela eleição em meu sindicato, e por meu trabalho na Contraf-CUT.

Andei cerca de 7 km em 70 minutos e corri 5 km em 31'30" e já fazia tempo que não corria esse percurso.

Bom, considero que hoje comecei meu treinamento físico para fazer minha caminhada em Minas Gerais, em agosto (85 km). Também comecei minha preparação para correr uma ou duas provas no segundo semestre (talvez a da AABB e mais uma de 10k). Além disso, pretendo correr pela segunda vez a São Silvestre. Quero fazer os 15 km em um tempo melhor que o do ano passado.

Vale lembrar que adiei minha ida para o Caminho de Santiago de Compostela este ano por comprometimento com o meu Sindicato, minha militância sindical e por minha faculdade. Mas sigo já fazendo o caminho, pois pretendo embarcar para a Espanha por volta de maio de 2009.

Sigo procurando, sigo refletindo sobre o que vale a pena na vida, refletindo sobre a minha vida... caminhando...

sábado, 21 de junho de 2008

Caminhos anteriores a Santiago



As conchas do caminho.

Minha chegada a solo Espanhol ainda demora.

Enquanto isso, tenho que seguir caminhando.

Em agosto, farei novamente minha caminhada de Uberlândia (MG) até a cidade de Água Suja (MG). São cerca de 85 km, feitos em um único dia.

Enquanto caminhamos, vamos escolhendo veredas que surgem a nossa frente. Muitas vezes nos deixamos levar por elas sem sabermos onde vão dar. A vida é exatamente isto: escolha de trilhas a todo instante que podem dar onde pensamos ou podem, ao contrário, nos levar ao oposto daquilo que mentalizamos.

Onde estarei daqui a pouco? A lógica da aparente estabilidade reconfortante que o bicho homem criou com o advento das cidades diz que estarei em casa para cumprir a rotina de minha existência já estabelecida como ator social. Será?

Não é tão simples assim. Por mais que isso assuste as pessoas em seus pseudo-mundos-estáveis-e-seguros, podemos encontrar o imponderável a qualquer minuto.

- Que bom que é assim!

Ao menos podemos lembrar, vez por outra, que somos mamíferos mortais e efêmeros.

Essa lembrança também é dialética porque tanto pode nos fazer egoístas para vivermos o carpe diem, a custo de não pensar ou lembrar do próximo, como também pode nos dar a sabedoria e discernimento de sabermos que todos são iguais dentro das leis naturais e caóticas que regem o mundo.

É... vamos caminhando...

quarta-feira, 18 de junho de 2008

Artigo: Pra que serve o Banco do Brasil?


Secretário de Imprensa
 entre 2006/09.
Por William Mendes*

Quem deve responder a essa pergunta é o funcionário e a sociedade porque se depender do Conselho de Administração e do Conselho Diretor do Banco e, consequentemente, do governo federal, não serve pra nada mais a não ser encher o bolso das empresas privadas que usam a estrutura do Banco (como a Brasilcap, Brasilveículos, Brasilprev e outras do gênero), além de gerar superávit primário a custo de fraude trabalhista e exploração dos funcionários e clientes com taxas e tarifas escorchantes.

Devemos refletir sobre o papel do Banco do Brasil porque a cada 4 anos entra o debate das eleições majoritárias e naturalmente vem a discussão de privatizar ou não o que ainda resta de coisa pública ou estatal.

Quando faço reuniões com os colegas em agências e departamentos levanto a questão porque ela é decisiva para o corpo funcional:

- O Banco do Brasil deve transformar suas agências em lojinhas de venda de Ourocap, Brasilprev, Seguros, CDC crédito consignado a taxas de 1,75 a 3,10% ao mês para extorquir a população, e metas e metas e metas de cheque especial, cartão de crédito dentre outros "produtos"?

Ou 

- O Banco do Brasil deve ter agências com estrutura adequada para cada região com o intuito de ter bons profissionais recebendo bons salários - pisos maiores, adicionais de função adequados ao cargo e um plano de carreira, cargos e salários que lhes permitam pensar no futuro profissional?


- Deve ser um banco que atenda à sociedade não só em suas demandas diárias de pagamentos de contas, empréstimos pessoais e cartões, MAS SOBRETUDO, que ofereça crédito para projetos regionais (DRS), Proger e Finame a profissionais liberais e empresas que queiram expandir seus negócios a taxas de longo prazo competitivas?

Ou

- O BB deve concorrer com a Caixa Federal no crédito imobiliário ou ser o banco financiador da agricultura familiar para que o país consiga conter os riscos inflacionários puxados pelo preço dos alimentos e das commodities?


Estamos em campanha desde o início do ano por melhores condições de trabalho, mais contratações, volta do pagamento das substituições e menos metas e fim do assédio moral. No entanto, apesar da autorização do Dest na possibilidade de ter mais 2500 funcionários no teto nacional e de conseguirmos que o Banco chame algumas centenas de aprovados de 2006 em Brasília e São Paulo, o BB anuncia que seguirá reestruturando e copiando o que há de pior no mercado bancário.

O Conselho Diretor anunciou esta semana que vai aumentar a centralização dos serviços no CSO, pois diz que testou em São Paulo, Belo Horizonte e Natal e que isso melhora as condições de trabalho (!!). O BB está brincando com a inteligência das pessoas?

É chegada a hora de cada funcionário refletir se deve participar da luta para mudar os rumos do Banco ou deixar que caminhemos para uma futura privatização.

Quem vai a uma agência do BB e vê durante 30 minutos o descaso e humilhação por que passa um cidadão quando quer ou precisa utilizar o Banco, sabe que o governo e a atual diretoria estão criando uma bronca, um ranço contra nós como ocorreu na década de 90 quando havia uma estratégia de sermos odiados por todos para sermos privatizados.

Da parte do funcionalismo, o que percebemos ao conversar com nossos colegas é um desânimo total. NINGUÉM AGUENTA MAIS tanto assédio e pressão, tanto abuso como, por exemplo, trabalhar e não receber pela função exercida ou hora-extra realizada.

Quando superintendentes como o sujeito da SPI tira de sua imaginação brilhante que os gerentes de contas vendam R$ 50 mil em 8 dias úteis de BB Crédito Veículo, alegando que quem não cumprir tem que escrever dizendo o porquê, será que alguém lembra que a Brasilveículos é só 40% do Banco do Brasil e que o restante é de empresas privadas como a Sul América Seguros?

Volto a insistir com meus colegas que é preciso que os comissionados se envolvam nessa luta dos sindicatos contra os abusos e desgoverno deste Banco do Brasil 200 anos. A gerência média é linha de frente do Banco e com a mobilização de todos - escriturários, caixas, gerência média de varejo e atacado -, podemos chamar a atenção do Governo Federal para ver que seu maior banco estatal está tomando um rumo sem volta no sentido de não servir pra nada à sociedade brasileira.

Bancário do BB, discuta com seus colegas e seu sindicato da necessidade de fazer uma forte mobilização no próximo dia 25/06, dia de luta no BB.

Banco do Brasil 200 anos - terceirizado, fraudulento, sem papel social e que expulsa o cidadão de suas dependências... Fica a velha pergunta da música: "POIS É, PRA QUÊ?

* William Mendes é secretário de Imprensa da Contraf/CUT (2006/09) e funcionário do Banco do Brasil

Fonte: Contraf-CUT

domingo, 8 de junho de 2008

Crônica: O filho é o pai do homem II (2008)


Meu querido pai.
O filho é o pai do homem.
"Teus ombros suportam o mundo
e ele não pesa mais que a mão de uma criança...


(Poema: Os ombros suportam o mundo. Carlos Drummond de Andrade - in: Sentimento do mundo)


A minha transformação em pai foi uma das coisas mais custosas da vida. Nunca havia pensado nisso. É o peso do mundo em suas mãos.

Acho que sempre fui de coração empedernido, apesar de um quê de bondade herdado de minha mãe, além de minha criação cristã.

Tenho me esforçado nesses onze anos para estar nos momentos marcantes da vida de meu filho. Reflito o quanto isso balizará suas ações no amanhã e deixará marcas no homem que será para todos ao seu redor e para o mundo.

Seria hipocrisia se dissesse que não é um sacrifício muitas vezes estar presente nesses momentos. Mas a vida e as recompensas são feitas de sacrifícios.

O que doo para meu filho não é a mensalidade da escola ou os demais custos de se criar uma criança.

O que doo ao meu filho é a massagem que ele pede antes de dormir. Esse tato é um toque de amor (do meu jeito).

O que doo ao meu filho é estar na sua mudança de faixa de judô. É levantar cedo para ir a uma apresentação em sua escola. É prestar atenção no que ele fala de vez em quando, pois as crianças falam tanto e a gente nunca escuta.

Quando reflito sobre o filho ser o pai do homem penso muito em meu pai. Nossa relação foi muito dura. Os tempos eram outros (apesar das relações entre pais e filhos serem milenares).

Não nos compreendemos durante grande parte de minha vida. E meu pai é uma pessoa extraordinária. Me passou o que tenho de melhor no sentido de buscar o que acho justo. Brigar para mudar o mundo é o que herdei de meu pai.

Mas minha relação com meu pai não foi de tato. Foi de distância.

Superei isso no dia que lhe dei um beijo. Já ia para meus quase 30 anos. (Nunca esqueci a imagem do filho recruta de meu professor na Faculdade de Educação Física dando-lhe um beijo na frente de uns 40 alunos para esperá-lo terminar a aula. Ao bater à porta da sala, o professor havia lhe dito que entrasse e aguardasse para irem embora juntos)

Creio que esse negócio de pais e filhos é uma coisa de doação. De quebrar barreiras. De mudanças diárias. De novos homens a cada instante - os de ontem e os de amanhã.

O filho é o pai do homem...

William Mendes


COMENTÁRIO 1º/12/12: me emocionei muito relendo hoje as duas crônicas sobre pais e filhos. 

sábado, 7 de junho de 2008

Crônica: O filho é o pai do homem (2008)


Filhão com troféu do judô.
Acordar cedo no sábado não é uma coisa que gosto muito. Ainda mais quando se vai dormir depois das duas da manhã.

Para complicar, teria que fazer meus trabalhos de escola que deveriam ser entregues dias depois.

Alguns momentos na vida devem contar com um esforço extra, sob risco de arrependimento futuro, caso não se faça aquilo que deveria ser feito.

Sábado foi o dia do primeiro campeonato de judô que meu filho participou - uma espécie de festa-apresentação com combates entre dezenas de judocas de várias idades.

Essas atividades de nossos filhos são cansativas, mas compensadoras.

Depois de acordar às oito, ficar na quadra sentado no chão frio e aguardar 3 horas até a hora dos combates do filho, finalmente o moleque entrou para a primeira luta. Foi contra uma garota, pois meninos e meninas lutam juntos. O filhão venceu imobilizando a adversária. A carinha dele nos procurando na arquibancada foi inesquecível.

Mais um tempo e ele vai lutar novamente. O adversário é um menino de doze anos, muito maior que ele. Fiquei gritando para ele derrubar o moleque ao invés de tentar imobilizar alguém maior que ele. (era um tal de pai ou mãe gritando daqui e dali...)

E não é que o moleque venceu de novo!

A carinha dele era uma coisa de louco. Ele não se cabia.

Valeu a pena!

Meu filho tem 11 anos e tenho tentado estar em todos esses eventos de sua infância que não voltarão mais. É provável que serão flashes de suas lembranças daqui a muitos anos. É agora que construímos nossas memórias saudosas que tanto nos fariam falta, caso não existissem. (pensem nessas cenas de filmes e novelas do pai que nunca chega na hora em que o filho vai participar de um evento)

"O filho é o pai do homem"

William Mendes


COMENTÁRIO em 1º/12/12: Hoje me deu vontade de reler as duas crônicas que fiz sobre momentos de pais e filhos. Me emocionei!


Post Scriptum (9/08/15):

Ao reler, fiz uma consulta sobre ter crase ou não a frase "valer a pena". Sempre tive dúvidas ao escrever. Segundo o site que consultei, o verbo "valer" é transitivo direto e, sendo assim, não tem necessidade de preposição "a". Ou seja, a frase não tem o "a" com crase.

sábado, 24 de maio de 2008

A caminhada, a caminhada...


Caminhos... Parque das Aves em Foz do Iguaçu (PR).

Pois é!

Estou caminhando.
E sei que não há caminho.
Sigo caminhando diariamente.

Quando chegarei em Santiago de Compostela, não tenho ideia. Chegarei, espero.

Por enquanto, em meus passos, nos caminhos criados, vejo muita alienação. O que é um total contrassenso, visto que estamos no mundo da informação instantânea. Mas isso emburrece.

Este "wired world" traz como consequência a alienação, o nivelamento de tudo: o belo e o feio, o culto e o popular; dividem uma página de site um poema de Drummond com um assassinato de criança. As grandes maiorias ainda são manipuladas pelo grande show midiático de meia dúzia de milionários donos de toda a mídia global.

Mas há esperanças. Ao menos no que diz respeito ao baixo custo de se criar alternativas de redes de contrainformações às grandes mídias.

Estou caminhando, mas não sei que dia chego em Santiago de Compostela.

Estou caminhando.


Post Scriptum (2/08/15):

Poxa! Relendo anos depois, como a postagem está atual em relação ao cenário mundial. Sigo longe de Santiago de Compostela, mas o mundo segue alienado e próximo a uma crise humana sem precedentes...

terça-feira, 13 de maio de 2008

Sobre o conceito de História (1940) - Tese VII [excerto] - Walter Benjamin


Walter Benjamin, em 1928. Foto: Wikipedia.


"Todos os que até hoje venceram participam do cortejo triunfal em que os dominadores de hoje espezinham os corpos dos que estão prostrados no chão. Os despojos são carregados no cortejo, como de praxe. Esses despojos são o que chamamos bens culturais.

O materialista histórico os contempla com distanciamento. Pois todos os bens culturais que ele vê têm uma origem sobre a qual ele não pode refletir sem horror. Eles devem a sua existência não só aos esforços dos grandes gênios que os produziram, mas também à anônima servidão dos seus contemporâneos.


Não há documento da cultura que não seja ao mesmo tempo um documento da barbárie. E, assim como a cultura não é isenta de barbárie, não o é, tampouco, o processo de transmissão da cultura. Por isso, na medida do possível, o materialista histórico se desvia dela. Considera sua tarefa escovar a história a contrapelo".


(os sublinhados são destaques meus - William)

(Foram aproveitadas as traduções de Sérgio Paulo Rouanet e de Flávio R. Kothe.)


BENJAMIN, Walter. "Sobre o conceito de história". In: Obras Escolhidas I. Trad. Sérgio P. Rouanet. São Paulo: Brasiliense, 1985.

BENJAMIN, Walter. "Teses sobre a filosofia da história". In: Walter Benjamin: Sociologia. Org. Flávio R. Kothe. São Paulo, 1991.

quarta-feira, 7 de maio de 2008

Poema - Verbo iludir conjugado


Eu me iludo.
Tu te iludes.
Será que eu te iludo?

Muitos não se iludem.
Melhor se se iludissem...
Quem se ilude, sonha.

Mas vós que sonhais,
Não vos iludais...
Praticai...

Pois, normalmente...

Eles sonham,
Não praticam...
E se iludem.


Wmofox, 13.09.2002

sexta-feira, 2 de maio de 2008

Poema à Língua Portuguesa - Oldney Lopes


Estava procurando sobre a conjugação padrão do verbo repelir na internet, pois escrevi em meu texto a expressão "que a repila" (fiquei em dúvida) e achei um poema que adorei a respeito da nossa Língua Portuguesa.


POEMA À LÍNGUA PORTUGUESA

A língua portuguesa que amo tanto
Que canto enquanto encanto-me ao ouvi-la
Em cada canto é fala, é riso, é pranto
E nada há que a cale e que a repila.

É essa língua tórrida e faceira
Inebriante e meiga e doce e audaz
Que envolve e enleia a gente brasileira
E quem a utiliza é quem a faz.

É a língua dos domingos, no barzinho
A mesma das segundas, no escritório
A que fala o andrajoso, no caminho
E o cientista, no laboratório.

É a mesma língua, embora evoluída,
Que veio de outras terras com Cabral
Escrita por Caminha, foi trazida
Na descoberta do Monte Pascoal

Não há quem fale errado ou fale mal
De norte a sul, é belo o que é falado
Na língua de Brasil e Portugal.
Para julgar quem fala certo ou fala errado

Não há no mundo lei, nem haverá:
Quem faz da fala língua, é quem a fala
Gramática nenhuma a calará
Gramático nenhum irá cegá-la!


Oldney Lopes

Fonte: www.oldney.net

Pois é, prá quê? - MPB4


Pois é, estava hoje mesmo escrevendo sobre isso quando lembrei da música do MPB4 - fantástica!

Me sinto assim.



Pois é, Prá Quê?

MPB4
Composição: Sidney Müller

O automóvel corre
A lembrança morre
O suor escorre
E molha a calçada
A verdade na rua
A verdade no povo
A mulher toda nua
Mas nada de novo
A revolta latente
Que ninguém vê
E nem sabe se sente
Pois é, prá quê?

O imposto, a conta
O bazar barato
O relógio aponta
O momento exato
Da morte incerta
A gravata enforca
O sapato aperta
O país exporta
E na minha porta
Ninguém quer ver
Uma sombra morta
Pois é, prá quê?

Que rapaz é esse?
Que estranho canto
Seu rosto é santo
Seu canto é tudo
Saiu do nada
Da dor fingida
Desceu a estrada
Subiu na vida
A menina aflita
Ele não quer ver
A guitarra excita
Pois é, prá quê?

A fome, a doença
O esporte, a gincana
A praia compensa
O trabalho a semana
O chopp, o cinema
O amor que atenua
Um tiro no peito
O sangue na rua
A fome, a doença
Não sei mais porque
Que noite, que lua
Meu bem, prá quê?

O patrão sustenta
O café, o almoço
O jornal comenta
Um rapaz tão moço
O calor aumenta
A família cresce
O cientista inventa
Uma flor que parece
A razão mais segura
Prá ninguém saber
De outra flor
Que tortura...
Pois é, prá quê?

No fim do mundo
Tem um tesouro
Quem for primeiro
Carrega o ouro
A vida passa no meu cigarro
Quem tem mais pressa
Que arranje um carro
Prá andar ligeiro
Sem ter porque
Sem ter prá onde
Pois é, prá quê?
Pois é, prá quê?


Fonte:

O vídeo é disponibilizado pelo YouTube, com os direitos e regras do MPB4 e da empresa que controla esses direitos.

domingo, 27 de abril de 2008

Ainda o "Instinto de nacionalidade" - Machado de Assis





Aula do prof. Hansen em 20.9.07 (USP)


Esse texto machadiano é escrito em 1873.


Machado escreve para os estrangeiros (norte-americanos) e para falar de literatura contemporânea (1836-1873).


Ele nunca escreve de forma vulgar. Ele alude, sugere, mas nunca escreve vulgaridades. (ele até parodia o naturalismo; ele critica muito a vulgaridade de Eça de Queiroz e outros)


Analisemos os termos:


"instinto": termo tirado da biologia. É um termo técnico. A natureza fornece aos animais - no sentido de uma força irracional, incontrolável e natural.


"nacionalidade": não é natural. É política. Os homens estão programados para se agregarem enquanto nação?


De onde viria essa ideia de que uma nação tem um "Ethos", um caráter?


É histórico, muito em voga nos séculos XVIII-XIX, principalmente com os primeiros românticos alemães: o professor citou Friedrich Schlegel "Athenaum". (Explanação da ideia de nacionalidade a seguir):

Poesia: universal progressivo - teoria que ela é progresso. A poesia não admitiria cânone, pois teria que sempre inventar o novo.



Schlegel em 1812-1814 cria uma disciplina chamada "História das literaturas".


Homero - gregos (Ilíada/Odisseia) mitos e regras sociais

Virgílio - romanos - criação de Roma
Dante - língua italiana
Camões - Europa cristã

Descobre os poemas medievais. Descobre a ideia da germanidade - "tradição guerreira do povo alemão". Vai buscar manifestações do Ethos alemão nos momentos em que obras significativas mostraram esse espírito nacional alemão. Esse seria o papel da história da literatura para pregar a ideia do caráter do Estado Nacional.


A literatura alemã seria o item de coesão do povo na guerra, nos costumes, na cultura etc. A literatura é civilização pela própria sistematização da cultura, da língua e da nacionalidade.


(Hansen diz que vários filósofos associam o nazismo, o antissemitismo e seus ideais aos princípios românticos)



É um projeto autoritário. A literatura será um cimento ideológico obrigatório para adultos e crianças. (cita Mme de Staël "De l'Alemagne"). Ela foi lida no Brasil.


Em Paris, "Nicteroy" é publicado em 1836. Magalhães escreve nessa revista: "Discurso sobre a literatura brasileira" - fala em um organismo que tem um Ethos e que está em evolução contínua.




Alegoria de uma montanha: os autores contemporâneos a ele têm uma "missão" e têm que apresentar ao povo a natureza de seu país. A literatura "educa", tem papel de formação. No começo, seria importante a cor local. Representação "Indígena Civilizado".

Quem vai realizar esse projeto é José de Alencar com o idealismo romântico alemão. Fará através da literatura toda uma construção social com o objetivo de formar nossas elites, na nossa cultura local, associada aos ritos da Corte:


XV - Ubirajara, duas tribos...; XVI - Iracema, índio + branco...; XVII - O Guarani, a formação do brasileiro... etc.


Machado diz que esse "Instinto" é que todos querem falar da nação, do Brasil que se constituía.


(O professor diz que ser ingênuo hoje (2007) é ser "cínico". Diz que não dá pra ser romântico idealizador depois de Auschwitz)



No texto de Machado, professor diz que há uma organicidade na nossa literatura. Ideia de progressão evolutiva autêntica brasileira.


"Telos": racionalidade no fim. Após 1822, voltamos ao XVI e professor defende que já éramos brasileiros.


A literatura = projeto canônico. Destaca onde, nos 4 séculos, apareceu o nosso Ethos.

Anchieta/Nobrega > Gregório > Durão > Alencar > Machado > M. Andrade > A. Candido... = A Literatura Brasileira > documentar a realidade brasileira


Antonio Candido segue linha de Mário de Andrade, diz o prof. Hansen, quando fez Formação da Literatura Brasileira.



Atualmente, a globalização acaba com a ideia de nação. Hoje, seria difícil pensar esse projeto romântico de construção nacionalista.



Uma possível conclusão:

LITERATURA = IDEOLOGIA DE CLASSE (sempre foi usada assim).


Só lendo Machado de Assis...




Quando leio os bons jornalistas de nosso país como Renato Rovai, Paulo Henrique Amorim, Mino Carta e mais alguns, fico ao mesmo tempo informado de fato e... como diria... abestalhado e perplexo pela compreensão do lugar em que vivo.

É tanta podridão e nojo por trás do verniz e capa grã-fina das coisas que nos cercam, e para piorar, é tanta subserviência até daqueles que esperávamos mais "culhão" para fazerem o enfrentamento com o status quo, que só lendo nosso mestre maior Machado de Assis para suportar o modo como a nossa sociedade está organizada.

A diferença entre o mestre da literatura e grandes jornalistas está na linguagem literária do Mestre do Cosme Velho e na metalinguagem dos nossos bons jornalistas progressistas. Ambos têm a capacidade de descrever, narrar, criticar ou abrir feridas, mas Machado traz uma sutileza ímpar nas ironias rabugentas. Frases curtas e certeiras. Agudas. Inteligentes.

Bom, sigo em meu objetivo de ler, reler e conhecer toda a obra machadiana. Já li quase todos os seus romances - os da chamada primeira fase, até 1880, e agora estou lendo Esaú e Jacó, o penúltimo antes de Memorial de Aires.

Confesso que quanto mais descubro alguma coisa a respeito da forma de fazer-literário do mestre Machado, mais quero reler o que já conheço para captar tudo o que perdi antes. É, no mínimo, instigante.


SUTILEZAS MACHADIANAS:

"... Eis aí vinha a realidade do sonho de dez anos (Natividade estava grávida dos gêmeos), uma criatura tirada da coxa de Abraão, como diziam aqueles bons judeus, que a gente queimou mais tarde, e agora empresta generosamente o seu dinheiro às companhias e às nações. Levam juro por ele; mas os hebraísmos são dados de graça..."

In: Esaú e Jacó, capítulo VI, Maternidade

"... Santos falava em fazer um deles (filhos) banqueiro, ou ambos. Assim passavam as horas vadias."

In: Esaú e Jacó, capítulo VIII, Nem casal, nem general


Post Scriptum (5/08/15):

A última citação, sobre os banqueiros, tem sentido dúbio, para quem não conhece o contexto. Tanto pode parecer que o sentido semântico é que o personagem Santos quer que os filhos sejam banqueiros para terem suas horas vadias, quanto que o casal, em sua morada, em horas vadias, pensava o futuro profissional dos filhos que viriam adiante.

sexta-feira, 25 de abril de 2008

Instinto de nacionalidade - Machado de Assis




Leitura de textos

Machado avalia de forma positiva o esforço feito pelos autores nacionais para dar um colorido próprio à literatura nacional.

Elogia precursores como Basílio da Gama e Santa Rita Durão e critica Gonzaga que não soube desligar-se das faixas da arcádia nem dos preceitos do tempo.

Acha injusto, todavia, criticar os poetas coloniais, pois crê não ter sido possível para eles lutarem por independência literária se nem a política tínhamos.

Quando elogia Basílio da Gama e Durão, é por darem uma cor local às obras e não independência.

Assim como pensa que a civilização brasileira não está ligada ao elemento indígena e que nem dele recebeu influxo algum, também não acha correto excluí-los da poesia contemporânea (da época) como pensava Varnhagen.

Era 1873, e Machado afirma ainda não existir Literatura Brasileira.

Achava um exagero buscar os títulos da nossa personalidade literária entre as tribos vencidas. Ex: “Timbiras”, “Juca-Pirama” e “Tabira” (Gonçalves Dias).

Uma opinião importante de Machado e que marcaria toda a sua obra é de que a literatura para ser nacional não tem, necessariamente, que falar de assunto local, pois isso limita a literatura:

... não há dúvida que uma literatura, sobretudo uma literatura nascente, deve principalmente alimentar-se dos assuntos que lhe oferece a sua região; mas não estabeleçamos doutrinas tão absolutas que a empobreçam”.

O autor comenta com pesar que sente muito não ter bons críticos no país.


Romance

O romance e a poesia lírica são as formas mais encontradas, cultivadas e vendidas no Brasil. Diz não termos aqui livros de filosofia, linguística (isso em 1873), de crítica histórica, de alta política etc.

Os costumes do interior são o que melhor dão o colorido da nação. (na capital do país havia grande influência europeia)

O espetáculo da natureza dá páginas animadas e pitorescas, mas pensa que os escritores exageram na descrição e pecam em outras qualidades essenciais.

Também pensa faltar ainda competência aos escritores para tratar de análise de paixões e caracteres.

Com relação às tendências morais do romance brasileiro, acha que são boas. (critica a escola francesa)

Com respeito às tendências políticas e sociais, os escritores brasileiros passam longe do ideal: “... seus principais elementos são, como disse, a pintura dos costumes, luta das paixões, os quadros da natureza, alguma vez o estudo dos sentimentos e dos caracteres; com esses elementos, que são fecundíssimos, possuímos já uma galeria numerosa e a muitos respeitos notável.”.

Nos contos, elogia o Sr. Luís Guimarães Junior – folhetinista elegante e jovial.


A poesia

Elogia Castro Alves, considerando-o eterno e um incentivo às vocações nascentes.

À poesia já não faltavam fogo nem estro. Também não faltava sentimento de harmonia exterior.

Mas pecava na correção e no gosto. Faltava ser intrépida na expressão, pecava pela impropriedade das imagens, na obscuridade do pensamento.

Para construir painéis de cenas majestosas da natureza americana, há de serem expressos com simplicidade.

Cita Bernardo Guimarães, Varela e Álvares de Azevedo:

Um poeta não é nacional só porque insere nos seus versos muitos nomes de flores ou aves do país, o que pode dar uma nacionalidade de vocabulário e nada mais”. É preciso toques naturais.


O teatro

Não há!


A língua

Machado não gosta do uso dos solecismos da língua comum, mas acha pior a “exageração de princípio” no uso da influência da língua francesa.

Aceita mudanças no tempo a que a língua está sujeita mas acha que “a influência popular tem um limite”.

Cada tempo tem o seu estilo”.

Nem tudo tinham os antigos, nem tudo têm os modernos; com os haveres de uns e outros é que se enriquece o pecúlio comum”.


Veja AQUI a sequência do texto na postagem: Ainda o instinto de nacionalidade.

sexta-feira, 18 de abril de 2008

Crônica - Primeiro dia como ajudante de encanador



Introdução

Lendo “Angústia” de Graciliano Ramos (1936)...

Estou no capítulo 33 (ou fragmento, pois a numeração é minha). O personagem, Luís da Silva, está em transe refletindo sobre o passado. De suas reflexões, tiro algumas frases acerca de Julião Tavares - personagem safado que lhe tira a noiva, a vida etc.

...costume que os cangaceiros têm de marcar os inimigos com ferro quente”.

Pensando em matar Julião: “que é que me podia acontecer? Ir para a cadeia, ser processado e condenado, perder o emprego, cumprir sentença. A vida na prisão não seria pior que a que eu tinha”.

Mais à frente: “lavo as mãos uma infinidade de vezes por dia... preciso muita água e muito sabão. Viver por detrás daquelas grades, pisar no chão úmido, coberto de escarros, sangue, pus e lama, é terrível. Mas a vida que levo talvez seja pior”.

um crime, uma ação boa, dá tudo no mesmo. Afinal já nem sabemos o que é bom e o que é ruim, tão embotados vivemos”.


TÃO EMBOTADOS VIVEMOS

Tão embotados vivemos” é uma boa frase. Foi escrita por Graciliano Ramos há quase setenta anos. E acho que já vivíamos embotados há muito tempo. Pegávamos homens negros quinhentos anos atrás e tínhamos a eles como animais, macacos. Mas... lendo livros duros, secos, como esses de Graciliano, pego-me lembrando instantes, tempos remotos de minha vida.


Primeiro dia como ajudante de encanador

Naquele dia em que estava quebrando aquele esgoto, com ponteiro, talhadeira e marreta, sentia um milhão de sentimentos. Sentimentos duros, secos. Um dos mais fáceis de definir era o de ódio, raiva. Raiva de tudo, da vida. Era ajudante do seu Joaquim, encanador. Ele até que era um velho simpático, teve paciência comigo. Aquele moleque de uns quinze anos, de mãozinha fina, não tinha cara de quem aguentava cortar concreto. Me lembro do primeiro dia...

Levantei-me cedo, peguei a bicicleta e fui para o trabalho. Era uma casa em construção. Era muito grande. Chegando lá, fiz de conta que era durão. Seu Joaquim me deu as ferramentas e entramos na obra. A peãozada me olhava com olhos que me intimidavam. Acho que viam e achavam que eu não tinha jeito pra aquilo. Seu Joaquim me mostrou o banheiro e me disse que deveria quebrar ali do canto, onde ficaria o vaso, até o outro lado. Dava mais ou menos um metro e meio de corte no concreto. Me olhou meio duvidoso e disse que precisava sair para ir em outra obra. Lá estava eu, só, naquele banheiro em construção, com talhadeira, ponteiro e marreta para trabalhar. Nunca pensei (pensaria) que quebrar concreto fosse tão difícil. O concreto era muito forte, pois era o segundo piso e este tinha que ser reforçado.

Nas primeiras marretadas que dei, tudo que saía do chão era faísca. Após alguns minutos, comecei a sentir um calor percorrer meu corpo. Era o calor da vergonha, da humilhação. Se alguém entrasse e visse aquele chão intacto e aquele pivete suando, eu não teria onde enfiar a cabeça. Comecei a bater com força, com sede de orgulho. Não queria e não podia desistir. Comecei a errar o ponteiro e a marretar minha mão, meus dedos. Aquilo doía pra burro. Comecei a tirar algumas lascas do chão. Até me animei. -Ah! Mas esse nosso corpo adaptado à vida cotidiana! Essas mãos de pele fina que não conhecem o peso de movimento repetitivo! Estavam já a bulir comigo.

Uma hora depois, já havia conseguido fazer um pequeno buraco no concreto. Faltava agora só alargá-lo (para caber um cano de esgoto) e levá-lo um metro e meio adiante. Minha mão esquerda estava muito doída, pois já havia levado muita porrada. Mas a direita... a direita é que era o problema. Eu tinha bolhas grandes. Grandes e cheias de líquido. Era uma na parte interna do dedão; duas no indicador – uma em cada dobra; duas na palma da mão – no início do indicador e do maior de todos. Estava doendo muito pra segurar a marreta. Juro que não me lembro se chorei ali. Até porque algum peão-de-obra poderia me ver ou o velho poderia retornar. Chorar não dava. Só por dentro. Já vinha sendo assim desde que cheguei em Minas Gerais – menino branquelo, raquítico e que era mal-acostumado a só brincar e ir para a escola.

Nós mudamos nossa vida e nos mudamos ao toque daquilo que temos que enfrentar. Nunca deixei de ser aquele garoto, aquele adolescente que viveu momentos de ânsia de força para não dar o braço a torcer. E que cada vez que superava a dor e o choro, voltava diferente para casa, para o mundo, para a vida.

Aquela manhã de meu primeiro dia de ajudante de encanador me ajudou a ser o que sou. É assim nas passagens da vida de todos. Depois daquela experiência, tive tantas outras...

A superação da dor, me parece que ocorre por dois motivos: por amor ou por ódio. Quanto mais doía, mais fui pegando a marreta e mais fui endurecendo. Força e dor. Vergonha e dor. Quase gritava. Consegui bater com muita força e comecei a furar, vencer aquele concreto. Não deixei de acertar a mão esquerda de quando em quando. É que, às vezes, vacilava. Voltava a ser aquele que entrou às oito da manhã para trabalhar.

Hora do almoço. Hora do rango, do bagerê.

Quando cheguei a minha casa, minha mãe (mãe é mãe) começou a chorar. Desabei – chorei também. Acho que doía olhar para minhas mãos. E pareciam enormes. Estavam inchadas. Choramos. Dores. Dor de mãe. Dor de filho... Meu pai chorou. Se sentiu um fracassado. Não era isso que ele queria dar aos filhos. Dores...
Almoçamos.

Minha mãe pediu para que eu não voltasse. Choramos.

Eu tinha uma decisão a tomar. Orgulho. Dor. Precisão. O cara que saiu não era o cara que voltou. Para que teria valido tudo o que já tinha feito se não voltasse? (ora, trabalhei meio período!). Nossa situação estava feia. Precisávamos de dinheiro. Adolescente não consegue emprego fácil. Interior... pior.

Choramos.

Voltei do almoço.

Foi um dos dias mais... doloridos de minha vida.

Voltei no dia seguinte.

Trabalhei a semana toda. Recebi um vale.


Trabalhei muitos meses com seu Joaquim. Às vezes, tinha moleza. Era o dia em que ele me pedia para lavar o seu carro, um corcel.

O esgoto que comecei quebrando neste texto, não foi o da construção. Foi um esgoto com muitos anos de uso. Foram meses de trabalho duro. Muito fedor. Muito. Não posso dizer que estive na merda. Eu mexia, às vezes, com ela. Mas era o meu trabalho.

Trabalhei.

Endureci.

Interessante que hoje, tantos trabalhos desse depois, parece que estou amolecendo. Deve ser a experiência do tempo. É uma sensação tão estranha! Mas a maneira como vejo a vida, a morte, a miséria, é muito particular.

Houve tempos em que me perguntava, assim como Luís da Silva, “que é que me podia acontecer?

Maneiras de viver.

Maneiras de ver o mundo.

Modos de crescer, de sobreviver.

É isso.


Wmofox, 20.11.2002


Post Scriptum: 

Interessante o que diz o crítico espanhol José Bergamin em sua teoria do romance: “o leitor perde-se no romance para esquecer o seu mundo, mas reencontra-se lá, reconhecendo que o seu próprio mundo está chamado a desaparecer: perder-se para encontrar-se, para perder-se”.