sábado, 14 de novembro de 2009

Refeição Cultural 38 - Simbolismo (III)

Parir um trabalho de Literatura Portuguesa

É amigos!, a questão é: parir um trabalho de Literatura Portuguesa ou desistir mais uma vez de terminar as matérias sempre começadas e nunca concluídas de meu sofrido percurso inútil de quase uma década na Universidade de São Paulo...

O que fiz mais uma vez neste semestre foi sindicalismo e não estudo de Letras.

Já não pretendo escolher um tema e fazer o trabalho final da matéria de Literatura Espanhola cujo tema interessantíssimo é a questão do exílio no temário dos autores do período da ditadura de Franco no pós Guerra Civil Espanhola.

Um tema possível a desenvolver no trabalho sobre o Simbolismo e a questão da Saudade e/ou Saudosismo seria uma leitura comparativa das definições de D. Duarte, infante e depois rei de Portugal e de Sigmund Freud, cientista, médico e psicanalista austríaco.

D. Duarte inova no século XV, em 1431, a língua romance, ou seja, a Língua Portuguesa em seu nascedouro, com uma obra que conceitua e interpreta os diversos sentimentos e questões d'alma, e inclusive, recomenda como evitá-las ou superá-las.

Quatro séculos depois, o psicanalista e cientista Sigmund Freud vai analisar a questão do luto e da melancolia de maneira mais correspondente aos avanços científicos e sociológicos do século XIX.

A obra de D. Duarte em questão é "Leal Conselheiro". Em seu Capítulo XXV - Do nojo, pesar, desprazer, avorrecimento e suydade - o autor nos explica as diferenças inerentes a cada sentimento.

Eu confesso que a leitura do capítulo é bastante interessante. Fiquei imaginando um jovem monarca filosofando sobre sentimentalidades e buscando interpretar os males d'alma da lusitaneidade. Quando lemos hoje, século XXI, os conceitos dados por ele ficamos estupefatos porque têm sentido ainda.

É isso! teria que ser sábio o suficiente para pôr em cinco folhas um ensaio convincente a respeito do assunto.

SERÁ?...

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Eleições 2006: por que votei em Lula

(publiquei o texto em 2006 e... acertei na escolha!)

Eleições 2006: por que voto em Lula

Já li mensagens emocionantes de pessoas dizendo por que votam em Lula. Também já li algumas escabrosas dizendo por que não votam nele.

Para mim é uma questão bastante clara: voto em Lula porque tenho lado.

Esta eleição, principalmente o 2o turno, trouxe à tona algo que andava meio disfarçado: a sociedade está em disputa. Não existe uma suposta harmonia de classe.

Voto em Lula pois:

Ao invés do privado, sou o público;
Ao invés do neoliberal, sou pelo Estado forte;
Ao invés da elite, sou o povo;
Ao invés do desemprego, sou o emprego formal;
Ao invés de criminalizar os movimentos sociais, sou o diálogo;

Em vez da "competência" em esconder a corrupção (e a midiaelite nem ligar);
Sou mais a competência de enfrentar o desafio da inclusão social mesmo com a má-vontade dos conservadores.

Enfim, chega dessa hipocrisia de se dizer imparcial, isento, neutro, apolítico etc.

Tudo e todos têm lado. O meu lado é o do trabalhador e do povo brasileiro.

William Mendes (bancário do BB, sindicalista, Secr. Imprensa da Contraf-CUT e estudante de letras)

Comentário sobre a carta do tal trabalhador a um presidente em vigor...

(publiquei o texto em 24.10.06)

Comentário sobre a carta do tal trabalhador ao presidente

Eu já conhecia o texto (logo abaixo) do tal trabalhador que propõe ficar com 27,5% do salário dele e o governo ficar com os 72,5% restante, que confesso ser interessante, mas queria fazer alguns comentários.

Um dos maiores problemas tributários do país tem que ver com o tipo de tributação que predomina em nossa legislação.

Do total da arrecadação tributária brasileira, ou seja, 37,37% do PIB em 2005 (PIB é toda a riqueza produzida pelo país), cerca de 60% correspondem a impostos indiretos, que incidem sobre o comércio de bens e serviços e que, portanto, quem paga a conta é o consumidor, pobre ou rico.

O governo Lula bem que tentou no início do mandato fazer uma reforma tributária, porém, com o congresso que tivemos (e que teremos novamente) é muito difícil, pois nenhum Estado ou grupamento ali representado quer ceder suas receitas e nem ser tributado.

Vale lembrar que quando nós sugerimos para as pessoas votarem em candidatos de esquerda ou partidos de esquerda para os parlamentos federal, estadual e municipal é para que haja correlação de forças nas votações dos projetos que beneficiam o povo versus os projetos que beneficiam os ricos, os empresários etc. Em 2007 teremos novamente uma câmara e um senado onde a grande maioria dos eleitos representam a elite.

O governo Lula tentou votar o imposto sobre grandes fortunas (citado na constituição desde 1988) e não foi possível.

Agora convenhamos: o tal cidadão que ganha acima de R$ 2512,08 (faixa de tributação da tabela do IR para 27,5% com redutor de R$ 502,58) está fazendo um belo exercício de retórica.

Pergunte se ele topa inverter a tributação brasileira? Pergunte se aceita diminuir a tributação sobre o consumo e aumentar a tributação sobre a renda e os bens de capital? Porque do jeito que está o Brasil hoje, cidadãos que ganham na faixa acima de 10 salários mínimos, normalmente, têm plano de saúde pago pela empresa (ou subsidiado por ela), seus filhos estão nas poucas vagas das universidades públicas e ainda conseguem fazer um belo malabarismo na declaração anual do IR onde fazem a mágica de pagar alguns reais, mesmo tendo vários imóveis, carros importados, aplicações financeiras etc.

Aqui é importante lembrar que a imensa maioria do povo brasileiro – cerca de 80% - tem renda inferior aos R$ 2512,08 tributado a 27,5% pelo imposto de renda.

Para finalizar o comentário, penso ser importante lembrar que o aumento da carga tributária brasileira tem o seguinte histórico recente:

2 governos FHC: aumentou de cerca de 23% para 35,5%
1 governo LULA: aumentou de 35,5 para 37,37%

Ou seja: a carga tributária subiu 54,3% no (des)governo do PSDB/PFL, enquanto no governo LULA (PT/PCdoB) aumentou 5,26%.

A grande diferença entre os governos foi com relação ao bom uso da arrecadação pública, pois no governo atual a pobreza caiu em quase 20%, as empresas públicas que sobraram do desmonte do Estado feito pela tucanagem são rentáveis e o lucro é reinvestido no Brasil e mesmo priorizando as políticas sociais, as empresas brasileiras públicas e privadas tiveram os melhores resultados dos últimos 20 anos, ou seja, o governo LULA foi bom tanto para o povo, quanto para a chamada classe média alta (apesar do preconceito da mesma para com o metalúrgico-presidente).

É isto,

Abraços a todo(a)s,

William Mendes (bancário, aluno de letras da Usp, sindicalista)

ANEXO:

CARTA AO PRESIDENTE
O negócio é repassar esse e-mail a 110.000.000 de eleitores. Duvido que a coisa não mude!!!!

Caro Sr. Presidente da República Federativa do Brasil.

Venho por meio desta comunicação manifestar meu total apoio ao seu esforço de modernização do nosso país. Como cidadão comum, não tenho muito mais a oferecer além do meu trabalho, mas já que o tema da moda é Reforma Tributária, percebi que posso definitivamente contribuir mais.

Vou explicar: Na atual legislação, pago na fonte 27,5% do meu salário. Como pode ver, sou um brasileiro afortunado. Sou obrigado a concordar que é pouco dinheiro para o governo fazer tudo aquilo que promete ao cidadão em tempo de campanha eleitoral. Mesmo juntando ao valor pago por dezenas de milhões de assalariados! Minha sugestão é invertermos os percentuais. A partir do próximo mês autorizo o Governo a ficar com 72,5% do meu salário. Portanto, eu receberia mensalmente apenas 27,5% do resultado do meu Trabalho mensal.

Funcionaria assim: Eu fico com 27,5% limpinhos, sem qualquer ônus. O Governo fica com 72,5% e leva as contas de:

-Escola,
-Convênio médico,
-Despesas com dentista,
-Remédios,
-Materiais escolares,
-Condomínio,
-Água,
-Luz,
-Telefone,
-Energia,
-Supermercado,
-Gasolina,
-Vestuário,
-Lazer,
-Pedágios,
-Cultura,
-CPMF,
-IPVA,
-IPTU,
-ISS,
-ICMS,
-IPI,
-PIS,
-COFINS,
-Segurança,
-Previdência privada e qualquer taxa extra que por ventura seja repentinamente criada por qualquer dos Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário.

Um abraço Sr. Presidente e muito boa sorte, do fundo do meu coração!

Ass: Um trabalhador que já não mais sabe o que fazer para conseguir sobreviver com dignidade.

PS: Podemos até negociar o percentual!!!

Agora vejam só a farra do Congresso Nacional:
Salário.......................................R$ 12 mil;
Auxílio-moradia................................R$ 3 mil;
Verba para despesas comprovadas.....R$ 7 mil;
Verba para assessores.......................R$ 3,8 mil;
Para 'trabalharem' no recesso...........R$ 25,4 mil;
Verba de gabinete mensal..................R$ 35 mil;
Transporte: Passagens aéreas de ida e volta a Brasília/mês;
Direito a "contratar" 20 servidores para seu gabinete;
13º e 14º salários, no fim e no início de cada ano legislativo e;
90 dias de férias anuais e folga remunerada de 30 dias.

ISSO PARA CADA UM DOS 513 DEPUTADOS !!!! Esse dinheiro sai dos cofres públicos, ou seja, do nosso bolso!!!

Treinamento São Silvestre (X)

Depois de uma semana sem fazer absolutamente nada de exercício físico, caminhei 70' hoje, sendo que fiz 3 tiros de 500m a 2'30", 2'40 e 2'15".

Agora, depois da corrida, estou tomando bastante "gatorade de cevada".

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Refeição Cultural 38 - Simbolismo (II)

Literatura Portuguesa IV - Poesia Simbolista

1-Conceito de simbolismo europeu. Simbolismo na literatura francesa: Baudelaire, Rimbaud, Verlaine e Mallarmé. Simbolismo e decadentismo. Dandismo fin-de-siècle.

HISTÓRICO E CARACTERÍSTICAS

A partir de 1881, na França, poetas, pintores, dramaturgos e escritores em geral, influenciados pelo misticismo advindo do grande intercâmbio com as artes, pensamento e religiões orientais - procuram refletir em suas produções a atmosfera presente nas viagens a que se dedicavam.

Marcadamente individualista e místico, foi com desdém apelidado de "decadentismo" - clara alusão à decadência dos valores estéticos então vigentes e a uma certa afetação que neles deixava a sua marca. Em1886 um manifesto traz a denominação que viria marcar definitivamente os adeptos desta corrente: simbolismo.

PRINCIPAIS CARACTERÍSTICAS

Subjetivismo

Os simbolistas terão maior interesse pelo particular e individual do que pela visão mais geral. A visão objetiva da realidade não desperta mais interesse, e sim está focalizada sob o ponto de vista de um único indivíduo. Dessa forma, é uma poesia que se opõe à poética parnasiana e se reaproxima da estética romântica, porém mais do que voltar-se para o coração, os simbolistas procuram o mais profundo do "eu", buscam o inconsciente, o sonho.

Musicalidade

A musicalidade é uma das características mais destacadas da estética simbolista, segundo o ensinamento de um dos mestres do simbolismo francês, Paul Verlaine, que em seu poema "Art Poétique", afirma: "De la musique avant toute chose..." (" A música acima de tudo..."). Para conseguir aproximação da poesia com a música, os simbolistas lançaram mão de alguns recursos, como, por exemplo, a aliteração, que consiste na repetição sistemática de um mesmo fonema consonantal, e a assonância, caracterizada pela repetição de fonemas vocálicos.

Transcendentalismo

Um dos princípios básicos dos simbolistas era sugerir através das palavras sem nomear objetivamente os elementos da realidade. Ênfase no imaginário e na fantasia. Para interpretar a realidade, os simbolistas se valem da intuição e não da razão ou da lógica. Preferem o vago, o indefinido ou impreciso.

O fato de preferirem as palavras névoa, neblina, e palavras do genêro, transmite a idéia de uma Obsessão pelo branco (uma característica não tão importante do simbolismo) como podemos observar no poema de Cruz e Sousa:

"Ó Formas alvas, brancas, Formas claras De luares, de neves, de neblinas!... Ó Formas vagas, fluidas, cristalinas... Incensos dos turíbulos das aras..." [...]

Dado esse poema de Cruz e Sousa, percebe-se claramente uma obsessão pelo branco, sendo relatado com grande constância no simbolismo.

COMENTÁRIO - não ouvi em minhas aulas nenhuma referência específica ao branco e sim ao VAGO, AO INDEFINÍVEL.


LITERATURA DO SIMBOLISMO

Os temas são místicos, espirituais, ocultos. Abusa-se da sinestesia, sensação produzida pela interpenetração de órgãos sensoriais: "cheiro doce" ou "grito vermelho", das aliterações (repetição de letras ou sílabas numa mesma oração: "Na messe que estremece") e das assonâncias, repetição fônica das vogais: repetição da vogal "e" no mesmo exemplo de aliteração, tornando os textos poéticos simbolistas profundamente musicais.

O Simbolismo em Portugal liga-se às atividades das revistas Os Insubmissos e Boêmia Nova, fundadas por estudantes de Coimbra, entre eles Eugênio de Castro, que ao publicar um volume de versos intitulado Oaristos, instaurou essa nova estética em Portugal. Contudo, o consolidador estará, a esse tempo, residindo verdadeiramente no Oriente - trata-se do poeta Camilo Pessanha, venerado pelos jovens poetas que irão constituir a chamada Geração Orpheu.O movimento simbolista durou aproximadamente até 1915, altura em que se iniciou o Modernismo.

Escritores simbolistas

Pode-se dizer que o precursor do movimento, na França, foi o poeta francês Charles Baudelaire com "As Flores do Mal", ainda em 1857.

Mas só em 1881 a nova manifestação é rotulada, com o nome decadentismo, substituído por Simbolismo em manifesto publicado em 1886. Espalhando-se pela Europa, é na França, porém, que tem seus expoentes, como Paul Verlaine, Arthur Rimbaud e Stéphane Mallarmé.

Portugal

Os nomes de maior destaque no Simbolismo Português são: Camilo Pessanha, António Nobre, e Eugénio de Castro. Eu destacaria também Teixeira de Pascoaes.

Brasil

No Brasil, dois grandes poetas destacaram-se dentro do movimento simbolista: Cruz e Sousa e Alphonsus de Guimaraens. No primeiro, a angústia de sua condição, reflete-se no comentário de Manuel Bandeira: "Não há (na literatura brasileira) gritos mais dilacerantes, suspiros mais profundos do que os seus".

Fonte: wikipédia

Refeição Cultural 38 - Simbolismo

Literatura Portuguesa IV - Poesia Simbolista

1-Conceito de simbolismo europeu. Simbolismo na literatura francesa: Baudelaire, Rimbaud, Verlaine e Mallarmé. Simbolismo e decadentismo. Dandismo fin-de-siècle.

Ao avaliar meus conhecimentos práticos e imediatos acerca do movimento simbolista, desde o conceito do que seja até o conhecimento de seus principais representantes, posso afirmar com tristeza que ainda não sei nada. Sou um ignorante no tema!

Além de não ter conseguido ler praticamente nada da bibliografia básica do curso, estive ausente das aulas por cerca de dois meses, período em que estive em um curso da OIT na Itália e Espanha sobre a crise mundial e os reflexos para os trabalhadores. Depois disso, estive na coordenação de um dos complexos do Banco do Brasil em São Paulo durante a greve dos bancários deste ano, que durou quinze dias para os bancos em geral.

Este dilema de ser sindicalista e estudante de Letras da Usp me perseguiu desde 2002, quando fui eleito diretor do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e região. A partir de então, foi natural que eu buscasse me dedicar mais ao sindicato e aos trabalhadores do que ao curso de Letras. Posso afirmar que foi minha natureza que determinou esta tendência de escolha de prioridade.

Bom, vendo agora o programa da matéria de Literatura Portuguesa do semestre, faltando uma aula para terminar o curso e um trabalho a entregar, percebo o meu total fracasso no desejo que alimentei em ser professor de Letras - "um acadêmico".

Vamos ligar o computador - após o apagão de horas e horas da última noite em 18 estados do País - então, vamos à internet - que é útil quando bem aproveitada - consultar no wikipédia (What I Know Is...) o que tem sobre este primeiro item do programa - Simbolismo Europeu, conceito e autores franceses.

terça-feira, 10 de novembro de 2009

Simbolismo Português (II)

Simbolismo. Com relação à Literatura Portuguesa.

Se não é o dinheiro que me interessa,
Por que a pressa?
É porque as contas clamam, pipocam, inflamam.

Mas eu queria tempo livre...
...o meu tempo livre.
Pra fazer o que bem entender.

Sempre quis ser pensador, escritor, professor...
wmofox


(aulas de 2003 - a interpretação é de minha responsabilidade)

Tenho gostado do Simbolismo. Seu significado. Seu momento.

O clamor dos autores em oposição ao fetichismo da matéria, à reificação de tudo e de todos.

Sinto que caso tivesse tido contato com esse conhecimento na época, teria me considerado um simbolista. Sou fragmento. Sempre me achei fragmento. Penso até que em alguns textos escritos por mim, como aquele do objeto inanimado fazendo suas reflexões e conjeturas acerca de voltar à natureza enquanto fragmento, tem muito dessa filosofia.

Continuando a análise do poema “Correspondência” de Baudelaire, vemos que no primeiro terceto há uma quebra daquela ligação mais pura e espiritual causada (evocada) pela natureza para começar uma ligação mais carnal: “Há perfumes tão frescos como a jovem carne,”. Ocorre um apelo sexual.

Há dois perfumes: um mais sensível, mais material. Outro, mais espiritual, que mesmo corrompido canta o arroubo da alma.

Tudo que está no mundo material está corrompido, porque nos lembra que somos fragmentados.
Spleen – o homem no século XIX é melancólico, desiludido, desencantado. Então, diziam que o baço produzia um líquido negro que, no sangue, causava um desencanto absoluto. Dominava seu espírito.

Lembrar que no Simbolismo toda palavra é escolhida de forma que seu significado tenha mais de uma leitura, que evoque estados de alma, que coloque o homem em contato com o mundo espiritual. (sentido, aliás, diferente do tradicional de símbolo, que nos remete a um significado mais imediato, o qual se opõe ao de alegoria)

Para os simbolistas, quanto mais for sugerido e evocado para o leitor, maior sucesso alcançado.

Esse uso da palavra enquanto símbolo, é uma ruptura com a tradição. Aqui, ela não tem objetivo clarificador. Consequentemente, ela se torna excluidora e não reificadora, ou seja, é feita só para pessoas especiais, preparadas.

A obra simbolista, mais refinada, não é passível de fácil coisificação, é dessa forma, tornada mais aristocrática, elitizada. Não é facilmente tornada mercadoria.

Essa concepção é oposta ao Romantismo, que queria democratizar a arte através do uso de palavras mais populares. No Simbolismo, através do sentido das palavras, somos evocados, ocorre sugestão para um mundo espiritual e então, vemos a correspondência entre o mundo físico e aquele outro metafísico.

Meio - Fim
Relação entre
Matéria e espírito

Os simbolistas criaram o alexandrino trímetro (4a, 8a, 12a) que é diferente do tradicional.

Música -> gera sugestão -> percepção sensorial

A música

Arrasta-me por vezes como um mar, a música!
Rumo à minha estrela,
Sob o éter mais vasto ou um tecto de bruma,
Eu levanto a vela;

Com o peito pra frente e os pulmões inchados
Como rija tela,
Escalo a crista das ondas logo amontoadas
Que a noite me vela;

Sinto vibrar em mim as inúmeras paixões
De uma nau sofrendo;
O vento, a tempestade e as suas convulsões

Sobre o abismo imenso
Embalam-me. Outras vezes é a calma, esse espelho
Do meu desespero!


(BAUDELAIRE, Charles. As flores do mal. Lisboa: Assírio & Alvim,1996)

Alguns simbolistas alternavam versos inteiros com seus quebrados: octossílabos-tetrassílabos; decassílabos-redondilhas menores.

Aqui, Baudelaire alterna o mais tradicional com o mais popular: o alexandrino e a redondilha menor. E é ainda um soneto.

Os simbolistas inovaram tanto (renovando a Lírica, com os princípios de construção do poema, mas, com relação ao passado) que abriram caminho para os modernistas.

“Arrasta-me” – já traz toda a força semântica do verbo.

A música tem esse poder de arrastar o homem para seu interior, para suas percepções sensoriais.

O formato dos versos (expansão, retração) também acaba apresentando materialmente aquilo que se quer sugerir. Temos também palavras cujo significado semântico também nos lembra expansão e retração: na primeira estrofe – mar (com seu movimento constante); na segunda estrofe – peito (com seu vai e volta que nos dá a vida).

A música vai causando um desligamento lento e também um religamento mais extra-sensorial.

O homem fica sujeito às intempéries da vida e do destino, assim como a nau às tempestades. O homem está perdido no contexto simbolista como a nau na imensidão do mar (sob as forças que os submetem)


Sobre o texto de Walter Benjamim, algumas frases marcam bem o seu significado para uma reflexão quase que imediata do que foi e é até hoje o entrelaçamento do capitalismo burguês com a arte.

“...a arte põe-se a serviço do comerciante”, referindo-se a Paris ser a capital do século XIX e sobre a criação das galerias parisienses de ferro e vidro em seus centros.

“Cada época sonha a seguinte”, de Michelet . Aqui também vemos um quadro que começou no passado e que é a pura realidade nos dias atuais. A propaganda cria as necessidades de consumo e cria o sonho de consumo de amanhã, já que tudo é mercadoria.

“As Exposições Universais transfiguram o valor de troca das mercadorias. Criam uma moldura em que o valor de uso da mercadoria passa para segundo plano. Inauguram uma fantasmagoria a que o homem se entrega para se distrair. A indústria de diversões facilita isso, elevando-o ao nível da mercadoria. O sujeito se entrega às suas manipulações, desfrutando a sua própria alienação e a dos outros”.

“...a moda prescreve o ritual segundo o qual o fetiche mercadoria pretende ser venerado. Grandville estende tal pretensão aos objetos de uso cotidiano e inclusive ao cosmos”.

“Em Baudelaire ou as ruas de Paris, vemos o engenho dele, nutrindo-se da melancolia. É alegórico. Pela primeira vez, com Baudelaire, Paris se torna objeto da poesia lírica. O flâneur ainda está no limiar tanto da cidade grande quanto da classe burguesa. Nenhuma delas ainda o subjugou. Em nenhuma delas ele se sente em casa. A multidão é o véu através do qual a cidade costumeira acena ao flâneur enquanto fantasmagórica. Na multidão, a cidade é ora paisagem, ora ninho acolhedor. O decisivo em Baudelaire, no entanto, um substrato social, no ‘idílio fúnebre’ da cidade: o moderno. O moderno é um acento primordial de sua poesia. Como o spleen ele deixa o ideal em pedaços”. (tudo citações de Benjamim)

No último poema das Flores do mal, “a viagem”, vemos a derradeira viagem do flâneur: a morte. Sua meta: o novo. “Ao fundo do desconhecido para encontrar o novo!”

Haussmann deu a si mesmo o nome de “artista demolidor”. Sentia-se como que chamado para a sua obra, o que enfatiza em suas memórias. Assim, ele faz com que Paris se torne uma cidade estranha para os próprios parisienses. Não se sentem mais em casa nela. Começa-se a tomar consciência do caráter desumano da grande metrópole.

Wmofox, 14.9.03

Simbolismo Português

Simbolismo em Literatura Portuguesa

(aulas da profa. Annie em 2003 - a interpretação é de minha responsabilidade)


Experiência supernatural das coisas, palavras consideradas sempre enquanto símbolo, ou seja, significado e significante. Temos então, no simbolismo, duas vertentes da palavra: uma, como poder de evocação, sugestão; outra, como poder de musicalidade da palavra.

Toda palavra é um símbolo.

Normalmente, em literatura, símbolo é o oposto da alegoria, ou seja, o símbolo tem valor imediato, é pronto e acabado. Seu significado está em si próprio. Ex: cruz = Cristo; balança = justiça.

Já na alegoria, o significado vai se construindo. É preciso somar passagens para se chegar ao significado (idéia-mãe).

No Simbolismo, a palavra evoca. O sentido é bem maior que o símbolo oposto ao da alegoria. A imagem não é tão imediata assim.

Correspondências

A Natureza é um templo onde vivos pilares
Pronunciam por vezes palavras ambíguas;
O homem passa por ela entre bosques de símbolos
Que o vão observando em íntimos olhares.

Em prolongados ecos, confusos, ao longe,
Numa só tenebrosa e profunda unidade,
Tão vasta como a noite e como a claridade,
Correspondem-se as cores, os aromas e os sons.

Há perfumes tão frescos como a jovem carne,
Doces como oboés e verdes como prados,
- E há outros triunfantes, ricos, corrompidos,

Que se expandem no ar como coisas sem fim
Como o âmbar, o almíscar, o incenso e o benjoim,
E cantam os arroubos da alma e dos sentidos.

(BAUDELAIRE, Charles. As Flores do Mal. Lisboa: Assírio & Alvim, 1996)

Este poema é como que um manifesto simbolista.

A Natureza aqui, como substantivo próprio e não comum, tem um significado bastante amplo. É o mundo no sentido de universo. É um templo.

O homem em sua existência terrena é um exilado. Está sempre a buscar sua origem, o divino. Está exilado da condição original (na perspectiva cristã).

No Simbolismo existe a condição primacial, primigênica. Antes de nascermos, estamos em comunhão perfeita com o universo. Estamos diluídos no mundo natural.

Ao sairmos desta condição plena primigênica, entramos num mundo marcado pela tragicidade. Então, a existência é a busca de se voltar à condição de comunhão com o universo.

Parece antagônico, mas, a existência terrena, na perspectiva simbolista, causa um individualismo que nos torna seres fragmentados.

O texto de Schopenhauer “O mundo como vontade e representação” foi o texto filosófico fundamental do Simbolismo. O homem é um exilado que busca sua condição primigênica. Ele é um ser fragmentado.

O que move o homem é recuperar a condição primeira e não, aquele monte de vontades, que pensamos que temos”. Essas são pequenas representações de vontade. A única vontade verdadeira é deixar a existência e voltar ao mundo natural.

“Bosques de símbolos” são coisas naturais que mostram ao homem a possibilidade de reintegração (elementos que evoquem aquele mundo primeiro – a água e a terra).

Qual a forma de deixar a existência?

Morrendo.

Ao sermos enterrados, somos amparados pela terra. Nossa mãe. (tem-se aqui a reintegração)
Os nossos românticos queriam a morte para se livrar da existência trágica. Os simbolistas, não. Estes, queriam a reintegração à natureza.

A morte na água era a maior possibilidade de reintegração. Ofélia com sua morte na água, tem esse sentido. Essa falta de adaptação à sociedade. Por isto, os simbolistas tomaram Ofélia em pintura como o ideal de decomposição e reintegração no Simbolismo (nesta morte já se refaz em natureza).

Vigora a idéia de desaparecimento do fragmentário e a união na totalidade cósmica.

Fragmentário/totalidade
Cisão/união

Não é antítese, é um processo.
No iluminismo, tínhamos o seguinte silogismo:

Mais ciência = iluminação = mundo melhor = mais encantamento = mundo mais igualitário

No Romantismo e no Realismo isso se mostrou o inverso do ideal. A ascensão da burguesia mostrada na literatura, seja num Almeida Garret ou num Eça de Queiroz (“Viagens da minha terra” ou “O crime do padre Amaro”, respectivamente), busca-se mostrar a decepção, por isso expressões como “regeneração” bastante comum em Portugal na segunda metade do século XIX. Temos então, nesse século, um homem desencantado, seja no período romântico, seja no realista e naturalista.

A Revolução Industrial trouxe a fragmentação e uma reificação do ser (processo pelo qual se objetivam as relações sociais, as relações humanas, os produtos do trabalho, transformando-os efetivamente em “coisas sociais” – conceito introduzido por Marx).

Antes, o homem participava de todo o processo de criação e produção. Depois, o homem foi retirado do processo totalitário e se tornou apenas uma engrenagem. Agora, o homem só vale pelo que produz e pode ser vendido.

Perdemos o conceito humanista do homem e a totalidade. O homem se tornou uma coisa facilmente substituível. Um fragmento.

O homem vai, então, se tornando cada vez mais fechado em si mesmo.

Encanto – (des) encanto
Ilusão – (des) ilusão

Aquela ilusão de que a Revolução Industrial traria mais felicidade aos homens foi pro espaço.
O homem do Simbolismo é o homem do desencanto, da desilusão. Já viu tudo isso e já passou por tudo isso.

Mas o suicídio não serve para o simbolista. Isto seria a desistência. Ele, então, se fecha em suas “torres de marfim” e procura no mundo natural sua reintegração, ou, busca nas coisas naturais a evocação deste mundo primevo que espera voltar um dia. Ele espera passivamente pela sua reintegração (pela morte). Busca no mundo natural, coisas que sugiram aquele estado natural primeiro e universal.

“Em prolongados ecos, confusos, ao longe,”

Existem elementos no mundo material (ecos, cores, aromas, sons) sempre em correspondência, e, que evocam unidade com o universo, com o mundo natural.

Sensações cinestésicas (constatações materiais) que são apreendidas pelos sentidos. Quanto mais se misturar essas sensações, mais evocações para o mundo integral.

Temos nos dois primeiros quartetos uma referência aos desejos íntimos dos humanos. Depois, no primeiro terceto, já aparece uma perspectiva mais sensual, mais material. Há uma queda: primeiro, ascensão mais metafísica. Depois, queda ao desejo mais carnal, material (necessidades materiais da existência – representação da vontade superficial) em detrimento da vontade verdadeira (reintegração universal).

Há um movimento de ascensão e queda e, no fim, nova ascensão “E cantam os arroubos da alma e dos sentidos”

Wmofox, 6.9.03

Poema - Simbolismo


Simbolismo...
diferente dos outros ismos (como as escolas políticas
[ideolossociais)
este tem a ver com o movimento literário
              [do 19º para o 20º século,
desencanto, desilusão, des des des... (tão atual!)

Inconformados com a modernidade 
                                               [chegante e reinante,
alguns...
diferentemente dos românticos que viam na
         [trágica morte uma solução,
viam na vida uma espera (sem suicídios)
viam na morte uma solução...
mas diferente.
Para essa, esperavam... eram ânsias.

A morte, o fim... o começo.
O desintegrar-se para a integração... total.

O desfazer-se para se refazer na totalidade
                                              [da natureza,
lugar benfazejo,
lugar das sensações totais... abissais... florais...
                                      [podridões sensacionais...

Enquanto o eu-puro de Fitche era 
                                     [o absinto dos românticos;
o desmanchar-se para a interação 
                                     [ontológica dos simbólicos
(que nem deveriam ser simbólicos, haja vista que as construções 
nada instantâneas e nada coletivas tudo levavam de pessoais, desvirtuando o próprio princípio simbológico)

E hoje...
Século depois...
Desilusão, desencanto, des des des...
(e ainda bem que a esperança venceu o medo!)

Mesmo assim...
desesperança.
São tantas mortes, tantas vidas-subvidas, vidas 
                                                    [severinas...
mas também tantas gravatas... (pensam com as 
                      [gravatas – não importa a idade...)
pensam com o ódio, com a não-vida, com o ópio,
com o ócio, com o sem-valor (sem calor)
na verdade... sem amor.

Eh!
A continuar...
O debate... o embate...
Vida e morte, morte e vida...
Ter ou ser, ser sem ter?! (será possível?)
...


Wmofox (13.11.03)

domingo, 8 de novembro de 2009

Estudos de italiano

Verbos ESSERE e AVERE:

IO SONO
TU SEI (informal)
LEI È (formal)
LUI/LEI È
NOI SIAMO
VOI SIETE
LORO SONO

DI DOV'È? de onde o senhor é?
DI DOVE SEI? de onde você é?
SIAMO INGLESI. somos ingleses.
È CONTENTA? a senhora/ela é feliz?

IO HO
TU HAI (informal)
LEI HA (formal)
LUI/LEI HA
NOI ABBIAMO
VOI AVETE
LORO HANNO

HAI FRATELLI? você tem irmãos?
HA FRATELLI? o senhor tem irmãos?
QUESTA È MIA MOGLIE. esta é minha mulher.

sábado, 7 de novembro de 2009

Tristeza

Ia escrever um texto da categoria Refeição Cultural e parei imediatamente. Não era nada de digestão cultural o que já ali iniciava. Eram lamúrias. Não tenho que publicar isso. Não quero escrever merda nenhuma!

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Treinamento São Silvestre (IX)

Hoje pela manhã fiz uma caminhada leve de uns 5 km. Estou muito cansado para me exercitar e meus dias não têm sido fáceis.

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Literatura Espanhola - Sobre a Guerra Civil Espanhola


(Releitura em 04/9/16 - texto original de nov/2009)

Foto famosa de Robert Capa de um soldado legalista.
Fonte: Wikipedia.

A GUERRA CIVIL ESPANHOLA

Lendo um livro de Paul Preston sobre a Guerra Civil Espanhola, trago aqui alguns dados que eu particularmente não conhecia, até porque sou ignorante no tema ainda e preciso de mais conhecimento para fazer a escolha de meu trabalho de conclusão na matéria que estou cursando este semestre.

(COMENTÁRIO POSTERIOR AO POST: era uma matéria que tratava da Literatura Espanhola de exílio, mas acabei não concluindo naquele semestre, pois não consegui ir às últimas aulas)


FRANCO, PARTIDO ÚNICO E A DATA DO GOLPE

-O partido único de Franco era o "Movimiento" que dominava a gigantesca burocracia oficial do governo ditador.

-A data de 18 de julho é considerada pelos direitistas espanhóis ("los franquistas intransigentes, dispuestos a seguir combatiendo por los valores de la Guerra Civil desde los sótanos de la Cancillería") como uma data comemorativa por ser "la fecha del alzamiento militar de 1936".


VERSÕES PÓS-GUERRA CIVIL

A versão dos franquistas prevaleceu no país, pois havia um trabalho conjunto entre as forças e posições nacionalistas militares e da elite conservadora. Já os derrotados nunca tiveram uma explicação comum e, pelo contrário, sempre se culparam uns aos outros, o que dificultou a construção histórica de uma versão comum.

"Más allá de las fronteras herméticamente cerradas de la España de Franco, los derrotados republicanos y sus simpatizantes extranjeros rechazaban la interpretación franquista de que la Guerra Civil había sido una batalla de las fuerzas del orden y la verdadera religión contra una conspiración judeo-bolchevique-masónica. Por el contrario, sostenían que la guerra había sido la lucha de un pueblo oprimido en busca de una calidad de vida decente contra la oposición de las atrasadas oligarquías españolas terrateniente e industrial y de sus aliados nazis e fascistas. Por desgracia, las opiniones profundamente divididas sobre las razones de su derrota les impedían presentar una visión monoliticamente coherente de la guerra, como hicieron sus oponentes franquistas".


OS RESPONSÁVEIS PELA VITÓRIA NACIONALISTA

Existe uma discussão antiga sobre os motivos que teriam levado os republicanos a perderem a guerra. Após a 2ª Guerra Mundial, até a CIA incentivou a tese de que a URSS de Stalin teria sido a responsável pela derrota.

"El éxito de la antinatural alianza entre anarquistas, trotskistas y los partidarios de la guerra fría ha oscurecido el hecho de que Hitler, Mussolini, Franco y Chamberlain - y no Stalin - fueron responsables de la victoria nacionalista".


PACTO DO ESQUECIMENTO TÁCITO E COLETIVO

Após o fim do período de Franco, existiu uma espécie de pacto de "não-provocação" coletivo na sociedade espanhola entre os dois lados da guerra civil, por ser algo que dividiu sobremaneira a população.

"Era una contribución a lo que se ha llamado el pacto del olvido, acuerdo tácito y colectivo de la gran mayoría del pueblo español de renunciar a cualquier ajuste de cuentas tras la muerte de Franco. Un rechazo de la violencia de la Guerra Civil y del régimen surgido de ésta, prevaleció sobre cualquier sentimiento de venganza".


Bibliografia:

PRESTON, Paul. La Guerra Civil Española. Edición DeBolsillo, 6ª edición 2009.

terça-feira, 3 de novembro de 2009

Literatura Portuguesa IV - A questão da Saudade

Textos de referência:

- "Psicanálise mítica do destino português", de Eduardo Lourenço;
- "Saudosismo como movimento", de Afonso Botelho;
- Trechos de Leal Conselheiro, de D. Duarte (século XV);
- Poemas de Teixeira de Pascoaes;
- Teixeira de Pascoaes, "As sombras".

Aula do professor doutor Horácio de 3/11/09
(a interpretação é de minha responsabilidade)

TÓPICOS:
- Saudade
- Saudosismo
(Os termos não se confundem)

A questão da Saudade existe há 600 anos como forma conceitual na Língua Portuguesa (na verdade, a busca da forma conceitual). Para uma língua que tem cerca de 1000 anos é muito tempo para se buscar o conceito de um tema.

É natural que uma hora ou outra o tema iria se encontrar com o movimento simbolista, pois ambos trabalham com o inefável, o indefinível, aquilo que é difícil de se descrever.

(Perguntei se a questão da definição semântica e conceitual da palavra "saudade" é uma temática especificamente da Língua Portuguesa porque em outras línguas como, por exemplo, o inglês o termo usado é "missing", o que seria algo bem mais definido como "sentir falta de")

O professor explicou que sim, que a busca do conceito é algo bem marcado na história da nossa língua. Veja o caso do país vizinho a Portugal - a Espanha-, onde um termo em castelhano que se aproximaria da nossa palavra "saudade" seria a palavra "nostalgia". Mesmo assim, o conceito que esta palavra castelhana carrega é diferente de "saudade". Tanto que em português temos as duas: "saudade" e "nostalgia".

Já a questão do Saudosismo é outra coisa.

O Saudosismo em Portugal é um movimento para além da questão poética. É cultural, é filosófico e também político.

A QUESTÃO POLÍTICA
O ditador Antônio Salazar usou o Saudosismo como algo que definiria a "lusitaneidade", a raça portuguesa.

Durante boa parte do século XX houve um movimento por parte da intelectualidade em Portugal anti- várias coisas: antiSalazar, antiEstado, antiguerras coloniais, anticolônias etc.

Com isso, o uso político do termo por Salazar atrelou de certa forma aos poetas criadores do Movimento Saudosista uma pecha de serem estes de direita, por falarem de temáticas como raça portuguesa, lusitaneidade etc.

Teixeira de Pascoaes é um desses casos.

O professor citou como referência ao termo "saudade" no Brasil, a mesma questão do seu significado meio vago, sem definição muito clara. A música "Chega de saudade", um hino da Bossa Nova, quer dizer o que? Que quer dizer essa "saudade" que se quer findar?

ORIGEM DA PALAVRA, APARIÇÃO

O professor nos cita a obra de D. Duarte - Leal Conselheiro, de 1431 -, como sua primeira aparição na língua Portuguesa (língua que na época ainda estava em formação).

Literatura Portuguesa IV - A questão da Saudade

Teoria Ontológica

Queda e esperança

(texto de Teixeira de Pascoaes: "Os Poetas Lusíadas". Porto, 1919. Cap. VI)

A Saudade inclui a esperança; e por isso, a lembrança visa também o futuro. Estas duas forças (uma criadora e outra perpetuadora) são a essência e o corpo da Saudade. Várias vezes aludimos a este facto que nos deixa pressentir o sentido da nossa Elegia nevoenta e misteriosa, como a ilha do Encoberto. Sendo a Saudade uma força criadora (esperança) e perpetuadora (lembrança) a Saudade é a própria Natureza afeiçoada ao sentimento lusitano, porque esta é absolutamente redutível àquelas duas forças, razão e efeito de tudo quanto existe. Em tudo se revela uma força invisível, num sentido superior e divino, mas logo decaída e aprisionada em aparências inertes e corpóreas. É a esperança e a sua materialização ou decadência em formas de lembrança: a Aparição e a Aparência, Deus e o Mundo.

Se o Universo é a infinita lembrança da esperança, ele é, por isso mesmo, a expressão cósmica da Saudade.

Também a consciência humana resulta dum movimento reflexo do espírito criador sobre as suas formas já criadas, da esperança espiritual sobre a lembrança espiritual , da imaginação revolucionária sobre a memória conservadora. E, por isso, a alma, como síntise daquelas duas forças, é a expressão transcendente da Saudade.

(segue...)

Bibliografia:
DALILA L. P. da Costa e PINHARANDA Gomes. "Introdução à Saudade" (antologia Teórica e Aproximação Crítica). Lello & Irmão - Editores. 1976, Porto.