segunda-feira, 5 de maio de 2014

Lula, o filho do Brasil - Aula de comunicação sindical



Esse trabalhador metalúrgico usou muito da criatividade para
organizar, mobilizar e trazer as massas para a luta sindical.

Capítulo: "E Luiz Inácio tornou-se Lula" parte III


COMUNICAÇÃO

Aqui nesta postagem sobre este capítulo do livro em que Denise Paraná entrevistou Lula em 1993 vai agora uma aula de como lidar com os trabalhadores nos locais de trabalho, como ser criativo para mudar hábitos e costumes de uma instituição que já não corresponde aos anseios de seus representados.

Lula vira presidente do sindicato dos metalúrgicos entre 1975 e 1981 e decide dar uma chacoalhada na diretoria e no dia a dia do sindicato. Leva a diretoria para a porta das fábricas, começa a fazer assembleias ali mesmo, percebe que ninguém lia o boletim sindical, mas o boletim era horrível, não aguçava a curiosidade do trabalhador em querer lê-lo.

Na atualidade (2014) vivemos algo muito parecido. Estamos hoje no mundo da rede mundial de computadores, a internet, e apesar de todo mundo viver plugado ou conectado como dizem, a classe trabalhadora é extremamente mal informada e, pelo contrário, é fortemente influenciada pela comunicação hegemônica da mídia dos donos do capital. Aliás, existe uma construção social do capital para que os trabalhadores odeiem ou não liguem para os seus sindicatos de categoria.

Hoje vivemos um contexto em que ninguém quer ler nada que tenha mais que alguns toques ou linhas de texto. O mundo é o da imagem, é o do vídeo curto. As pessoas leem através de telas de celulares.

O desafio do movimento sindical CUTista ou mesmo o meu desafio a partir do início do meu mandato como diretor eleito de saúde da Caixa de Assistência dos Funcionários do Banco do Brasil (Cassi), entre junho/14 a maio/18, é criar interesse na comunicação e no conteúdo do que informamos aos nossos representados.

Por outro lado, não podemos também deixar de incentivar leituras mais formativas para a classe trabalhadora. Eu faço mea culpa porque não produzo textos curtos. Na Contraf-CUT, por exemplo, faço textos bem completos porque o leitor principal deveria ser o dirigente sindical - são milhares no Brasil. O texto da confederação é informativo e formativo. 

Enfim... este blog de cultura, por exemplo, é lido por poucas pessoas... há anos. Mas não tem problema, nunca busquei neste espaço volume e sim qualidade nos leitores.


Com a palavra, Lula da Silva:



SINDICATO MUDOU LINGUAGEM E FOI PRA PORTA DAS FÁBRICAS

"A eleição de 1978 foi muito importante porque a gente estava realmente com um pique muito interessante no sindicato. Nós já tínhamos inclusive mudado a linguagem do sindicato. A gente já não ficava mais esperando o trabalhador vir no sindicato para fazer assembleia. A gente ia para a porta de fábrica de manhã, de tarde e de noite fazer assembleia. Ao invés de fazer aqueles boletins chatos, a gente fazia história em quadrinhos, que era para o trabalhador ler."


TRABALHADOR JOGAVA BOLETIM FORA SEM LER

"Eu fui um dia numa porta de fábrica e eu descobri... A gente pegava o boletim e entregava para o trabalhador e o trabalhador jogava fora. Não é que ele jogava fora na hora. Eu percebi que ele andava um pouco com o boletim na mão e depois jogava fora. Então eu peguei o boletim e fui andando e lendo para ver se dava tempo de terminar de ler até onde ele chegava (carregando o boletim, antes de jogar fora). E não dava tempo para acabar de ler. Ele só esperava ficar um pouco distante da gente para jogar fora. Ou seja: o boletim não trazia nenhuma esperança para ele, não trazia nenhuma motivação para ele.

O que nós começamos a perceber? Primeiro, a gente fazia um boletim [e perguntava]: 'O que que a gente queria? Queria convocar uma assembleia para o dia 24, por exemplo. Para que horas? Para as 19 horas. Só que isso a gente não dizia no começo, a gente dizia no final. Então para o cidadão saber que hora era a assembleia, o dia e o local ele tinha que ler o boletim inteiro. Como ele não estava habituado a ler, ele não lia. Jogava fora. Não ficava nem sabendo nem do dia, nem da hora, nem do objetivo do boletim."


COMECE DIZENDO O QUE QUER COMUNICAR AOS TRABALHADORES

"Eu fui andando atrás e percebi que não dava tempo de ler. Eles jogavam fora. Aí então nós resolvemos: primeiro, o que nós queremos dizer para o cara? Nós não queremos entregar boletim por entregar. Nós queremos dizer que tem uma assembleia. Então isto tem que estar em primeiro lugar no boletim. Segundo lugar: para ele ir na assembleia ele tem que saber o dia e o local, então nós temos que colocar: 'Dia tal, assembleia no sindicato às 19 horas'. Aí, embaixo, a gente coloca o assunto, porque se ele se interessar pela assembleia ele vai se interessar pelo assunto."


"DENISE: Seu sindicato tinha jornalistas contratados para fazer o boletim oficial da entidade. Eram profissionais. Descobrindo os furos de comunicação existentes no jornal, você acredita que 'deu um baile' nos jornalistas?

LULA: [rindo] Não. Foi só uma questão de constatação. O jornalista pode ficar dentro do sindicato... Não sei se por falta de hábito, às vezes não sai para ver se estão lendo o que ele escreve. O que eu sei é que isso era um equívoco nosso. Até hoje tem algumas coisas assim. Você pega o boletim do sindicato e o objetivo está colocado lá no final. A coisa principal é dita somente quando o cara já enjoou de ler."


COMENTÁRIO DO SINDICALISTA WILLIAM


Quando eu comecei a fazer base no Sindicato dos Bancários, eu pegava as Folhas Bancárias, lia completamente antes de ir para os locais de trabalho, e em cada banco que eu entrava, eu chamava a atenção do bancário para tal assunto antes de ele pegar a Folha, fazia isso mesa a mesa. Fiz isso nas três regionais do Sindicato por onde atuei - na Oeste, em Osasco e na Centro. Eu lidava com todos os bancários de todos os bancos.

Depois fui cuidar do Complexo São João (2004/05), com 22 dependências do BB e mais de 1.500 bancários. Também chamava a atenção do bancário ao invés de só deixar a Folha na mesa. Digo a vocês que o retorno é muito bom e dali surge o diálogo e a formação sindical para ambos - o dirigente e o trabalhador.


HISTÓRIA EM QUADRINHO - PERSONAGEM JOÃO FERRADOR

"E aí nós resolvemos fazer a história em quadrinhos. Vamos ver se a gente consegue despertar no povo o interesse de ler alguma coisa! O João Ferrador já existia. Mas ele não existia como história em quadrinhos, ele existia só enquanto personagem. Então ele virou uma espécie de 'Monica' dos metalúrgicos. Tudo o que a gente queria fazer girava em torno do João Ferrador. Artigos, editoriais... Nós começamos a bolar uma espécie de gibizinho, história em quadrinhos, para contar as coisas. Tivemos a participação do Laerte, do Henfil, foi muito importante. Tem até um material bom (que eu quero que você veja) que foi a cartilha que nós produzimos no III Congresso dos Metalúrgicos. Foi uma coisa fantástica, isso revolucionou a forma de ser do pessoal."


FAZENDO A CATEGORIA LER

"Nós ainda criamos uma coisa, isso foi sugestão do companheiro Gilson Meneses, em 1976. Nós sabíamos que o trabalhador não podia ler jornal porque não tinha dinheiro para comprar jornal. Então o máximo que ele fazia era ler as manchetes dos jornais pendurados nas bancas. A pedido do Gilson, a gente criou uma coisa chamada Boletim Diário em que a gente fazia em uma ou duas páginas um xerox das matérias mais importantes, a gente rodava [esse material] e os dirigentes levavam para dentro das fábricas. Então a gente estava reproduzindo aos milhares as notícias de jornal que nos interessavam...

E naquele tempo as empresas não deixavam o material entrar, então os trabalhadores amarravam na meia, na barriga, para entrar dentro da fábrica. E distribuíam milhares de materiais. Foi uma coisa muito importante também, foi uma coisa que... Na verdade a gente estava fazendo os trabalhadores lerem os jornais, mas era uma coisa em que nós estávamos dando uma certa direção. Era uma coisa bem-feita, que também mexeu muito com a categoria."


COMENTÁRIO DO SINDICALISTA WILLIAM: 


A criatividade aqui no fazer o trabalhador ler foi fantástica. Reparem que os jornais da época já eram das mesmas famílias de hoje (alguns fecharam e eram melhores), mas a ideia de fazer clipping com assuntos de interesse dos trabalhadores foi muito importante. Quando chegou a campanha salarial de 1978, o pessoal estava bem mais informado e mais politizado pelo sindicato.

Outra coisa: olha como é engraçado. Na atualidade, o Partido da Imprensa Golpista (P.I.G.) atua com a ideia de criar pauta e influenciar os trabalhadores a as massas com a criação de títulos e manchetes porque sabe que muito pouca gente lê as matérias em si. Então criam páginas e rostos nos jornais e nas revistas (nas bancas) e nos sites e páginas virtuais com manchetes escabrosas contra o governo do PT e contra os movimentos sociais e temos que alertar nossos trabalhadores contra essa lavagem cerebral e desinformação.



BASE E CONTATO COM TRABALHADORES - E como podemos fazer isso? Antes de mais nada, só é possível fazer algo se estivermos em contato com os trabalhadores... básico, não?

Temos que combater a pauta manipulada da grande imprensa da direita com informação de qualidade fornecida por nós que temos o viés da classe trabalhadora. Não é impossível, é só ter inventividade, algumas técnicas e gana em comunicar.

É isso! Espero estar contribuindo com os dirigentes sindicais e alguns militantes sociais e leitores que gostam do tema comunicação e que estão engajados nas lutas por um mundo mais justo e solidário.

William


Bibliografia:


PARANÁ, Denise. Lula, o filho do Brasil. Apresentação de Antonio Candido. Editora Fundação Perseu Abramo. 1ª edição: dezembro de 2002. 3ª edição, 3ª reimpressão: julho de 2009.

quinta-feira, 1 de maio de 2014

Corrida do 1º de Maio - VI Desafio do Trabalhador



Olha minha medalhinha da corrida
dos trabalhadores em Osasco.

Refeição Cultural

Depois de três dias trabalhando em Brasília (DF), cheguei tarde ontem à minha querida cidade de Osasco (SP) e, hoje bem cedinho, levantei-me para fazer uma coisa muito prazerosa: participar da corrida do trabalhador em homenagem ao 1º de Maio.

A corrida é promovida pela Prefeitura Municipal de Osasco em parceria com o Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e região, que inscreve 700 bancários sindicalizados. A prova contou com a participação de mais de dois mil corredores e caminhantes. Ela tem um percurso completamente plano, agradável e não teve nenhum problema de organização, não faltou água e correu tudo bem.

Corri 8 k em 50 minutos e para a minha condição física atual, fiquei muito feliz com a minha performance. Tenho tido muita dificuldade de rotina de treinamento em corrida já faz tempo, porque nosso mandato sindical é sempre de viagens. Adotei a alternativa - não ideal - de correr aos finais de semana um longa (longa pra mim). Fui fazendo isso nas últimas semanas, mesmo durante aquele período em que viajei de segunda a sexta pelo país em campanha pelas eleições da Cassi.

O treinamento que adotei deu certo porque nas últimas semanas acabei correndo entre 30 a 70 minutos, num ritmo de 7 minutos o Km e meu corpo foi suportando o aumento de percurso aos poucos. Na prova de hoje fiz o Km em 6'15". Olha, estou muito feliz com isso!


Não fui para as atividades da CUT em homenagem e reflexão sobre o 1º de Maio. Primeiro, porque o esforço físico e a concentração que fiz não me permitiria muitas horas fora de casa; segundo, porque sempre faço uma opção no movimento de luta que participo de estar com a família os poucos minutos em que tenho possibilidade, já que não é fácil levar uma vida de grande ausência em casa. 

O pessoal mais próximo já sabe que, em geral, eu opto por estar com a família em casa ao invés de participar das atividades mais sociais (festas, confraternizações, cervejadas etc). Explico, minha família não é do movimento e ir sozinho é ter menos tempo ainda com ela.


1º de Maio - Dia d@s Trabalhadores


Atividade do 1º de Maio da CUT e demais
centrais no Vale do Anhangabaú SP.
Foto: Vitor Nuzzi, da RBA.

Faço rápido comentário porque há excelentes textos nos sites progressistas como Carta Maior, Carta Capital, CUT, Rede Brasil Atual, dentre outros sites com o viés da classe trabalhadora, e com ponto de vista diferente da lavagem cerebral e da palhaçada que são os veículos de comunicação do P.I.G. das famílias midiáticas bilionárias do país (Marinho/Globos, Civita/Abril, Frias/Grupo Folha, Mesquitas/Estadão e porcarias do gênero) que fazem a vez de oposição partidária ao governo do PT já que os partidos de oposição são totalmente incompetentes e não têm programa algum ou não têm coragem de dizer que o programa deles é foder a classe trabalhadora e o povão (Desculpem, mas não tem palavra mais clara).

O 1º de Maio no mundo foi de luta e de reflexão do momento mundial de crise no emprego, nos direitos sociais para a classe trabalhadora e nos valores da democracia, da liberdade e da igualdade. Há um desemprego em massa nos países do mundo. No Brasil governado pelo Partido dos Trabalhadores não há...

Engraçado né! Existem problemas verdadeiros em nosso país como crise na segurança pública (que é responsabilidade principal dos Estados); temos o eterno problema em melhorar a saúde pública através do SUS - que é um Sistema Único de Saúde previsto na Constituição Federal de 1988 e que prevê atenção integral à saúde para a população. No entanto, o SUS tem muitos problemas porque os liberais vivem tirando ou desviando recursos deste setor para pagar juros aos rentistas (MAS não existe saúde pública gratuita, por exemplo, nos EUA e os capitalistas estão destruindo a que existe na Europa, em nome dos rentistas).

Bom, como disse no início, tem bons artigos nos sites progressistas para reflexão política sobre o 1º de Maio de 2014 no Brasil - governado nos últimos 12 anos pelo governo democrático e popular de coalizão liderado pelo PT - e o 1º de Maio no mundo, onde se esfacelam os direitos sociais e o emprego, principal fonte de cidadania e direitos sociais da classe trabalhadora.

Falo isso porque este é um ano de eleições em outubro e não há ninguém nem nada isento, neutro, imparcial ou bobagem parecida. Tudo são interesses e eu espero que vocês tenham posição política e participem porque já tenho visto conhecidos, leitores, colegas representados por mim e amigos dizendo que "estão de saco cheio de toda a nojeira da política e que vão votar nulo"... É tudo o que a direita e os rentistas querem... gente bem despolitizada, ou politizada mas muito frustrada, e a juventude e as novas classes B, C, D e E "não participando" da política!

É importante que aqueles e aquelas que têm mais de 30 anos falem aos mais jovens o que é viver num país sem emprego e sem perspectivas como era aquele que nós da casa dos 40 anos ou mais vivemos nos anos 90, 80 e 70. País que na época estava sob as administrações golpistas dos militares (com a elite) nos anos oitenta e setenta e estava sob administração dos partidos hoje claramente de direita PSDB, DEM, PPS da atual oposição ao governo federal sob administração do Partido dos Trabalhadores entre 2003/14. Inclusive parte do PMDB que é partido aliado ao projeto atual está sempre com a oposição.

Já disse algumas vezes, tenho muitas críticas à pusilanimidade do PT em não enfrentar com mais firmeza essa corja do P.I.G. - Partido da Imprensa Golpista - e dos rentistas, mas eu não sou alienado politicamente para não saber a diferença dos DOIS projetos que estarão em jogo nas eleições 2014. A oposição está defendendo redução de salários, corte nos empregos, privatizar e desfazer o Estado Nacional novamente (o que sobrou dos anos 90 e que foi revigorado nestes 12 anos de PT) e coisas do gênero... Fala sério!

Quem são os pulhas da oposição e do P.I.G. para falar da Petrobras que já estaria privatizada em mais um crime de lesa pátria como foi a doação da Vale, das elétricas, da Embraer etc. Quem são esses pulhas?

É isso!

domingo, 27 de abril de 2014

Lula, o filho do Brasil - Fazer política aberta e com a massa





Capítulo: "E Luiz Inácio tornou-se Lula" parte II

Aqui vou destacar as inovações que Lula trouxe para o Sindicato dos Metalúrgicos quando lá chegou nos anos 70. Primeiro Lula entrou no sindicato e depois virou presidente em 1975 e foi reeleito em 1978.

O contexto da época era de Ditadura Civil-Militar desde 1964. Recessão pesada para a classe trabalhadora. Salários de miséria que não davam sequer para alimentar a família. Frei Chico era do Partidão e Lula não tinha envolvimento com correntes políticas.

Se, por um lado, há um exagero do Lula em falar pra fazer tudo aberto e público quando os milicos e DOI-CODI e DOPS estavam de olho, por outro lado, a crítica que o Lula faz é ao modo dos comunistas e classistas de fazer tudo em cúpula ao invés de fazer o diálogo aberto e franco com a massa.


"E aí na minha cabeça começou a vir a seguinte questão: qual era a lógica de prender um cara como o Frei Chico? Qual era a lógica de prender um trabalhador pelo simples fato de ele ser contra as injustiças sociais do país? E aí, quando eu fiquei sabendo que o Frei Chico tinha sido torturado, tinha sido massacrado, aí deu até uma revolta por dentro! Um pai de família, um cara que trabalhou desde os 10 anos de idade, se ferrou a vida inteira, um cara que não tinha nada a não ser a família dele e as ideias dele, de repente chega um troglodita de um milico qualquer e manda prender esse cara? E tortura esse cara? Em nome do quê? Em nome de que ordem? Isso me criou uma revolta interior!"


"Aí eu passei a não ter medo mais. Porque se eu tivesse que ser preso pelo que eu pensava, então que eu fosse!"



DAR PUBLICIDADE, CONVERSAR COM A MASSA

"Denise: Você soube de detalhes da tortura sofrida pelo Frei Chico?

Lula: Ele me contou. Agora eu também fiquei puto com o Frei Chico. Porque o cara era vice-presidente de um sindicato, tudo o que eu fazia em São Bernardo ele poderia fazer em São Caetano. Faz uma assembleia e fala as coisas na frente de 500 pessoas, na frente de mil pessoas, na frente de 2.000! Ele não, ele preferia fazer reuniãozinha no fundo do quintal, com duas pessoas e de preferência numa sala escura para ninguém ver. Sabe aquela mania de perseguição política? Eu falava: 'Faz as coisas abertas, Frei Chico! Faz a coisa aberta: abre o salão do sindicato, convoca mil trabalhadores e esculhamba com quem tiver que esculhambar! Pelo menos, se der alguma coisa, todo mundo está vendo por que você está sendo preso'. Eu tinha divergência com ele por isso. Eles gostavam de uma reunião escondida. Eu não gostava."


FAZER AS COISAS ABERTAMENTE AJUDOU FORMAÇÃO DE LULA

"Um dia, o pessoal da oposição lá de São Bernardo me convidou para uma reunião na casa de um companheiro. Era a casa do Mário Ladeia, que depois foi vice-prefeito de São Bernardo. A gente estava reunido de noite, todo mundo assustado. Aí de repente vem um carro e pára perto do portão. Aí tem sempre alguns doentes mentais e começam: 'É a polícia! Não sei o quê, não sei o que lá...'. Todo mundo ficou deitado no chão... e nem respirava! Sabe, diziam que era a polícia... E o táxi estava descarregando passageiro e não desligava o motor do carro, obviamente. Aí, a partir daquele dia eu falei: 'O que é que eu estou fazendo para me submeter a isso? Vou ficar com essa psicose, esse medo? Assim ninguém consegue viver, me desculpem!'. Nego andava assustado na rua. Eu falava: 'Não, se eu tiver que ser preso eu vou ser preso pelo o que eu faço publicamente, abertamente. Os negos me pegam logo no sindicato'. Essas coisas ajudaram muito na minha formação."


FAZER POLÍTICA NO SINDICATO E COM OS TRABALHADORES

"O Frei Chico já me convidava para ir em reunião. Ele dizia: 'Vamos lá num apartamento em São Paulo, vai vir um companheiro do Rio de Janeiro fazer uma palestra para nós... Vamos em tal lugar...'. E eu respondia: 'Frei Chico, eu vou fazer reunião em um apartamento escondido? Para ser preso sem saber por quê? Não, Frei Chico! Se seu amigo quer conversar comigo, manda ele vir no sindicato. Eu sou o presidente do sindicato e eu atendo quem quiser falar comigo, não tem nenhum segredo'."


CHEGA DE REUNIÃO DISFARÇADA COM JORNAL EM BANCO DE PRAÇA

"Uma vez, em 1974, eu fui na praça da Matriz encontrar com um cara chamado Emílio Bonfante, ele tinha o codinome de Ivo. Era o momento das eleições de 1974. Aí eu chego na praça e sento de um lado do banco, o cara senta do outro. Cada um com um jornal na cara... [ri]. Aí o cara perguntava: 'Como é que você está vendo a situação do país?'. Eu respondia: 'Estou vendo assim, assim e assado.'. E ele: 'O que é que você acha do Marcelo Gato?'. E eu: 'Eu acho que o Marcelo Gato é um cara legal.'. E aí ficava naquela conversa, e eu dizia que também achava o outro legal. Aí, passada uma meia hora, o cara foi embora eu esperei um pouco e depois fui embora. Então eu falei para o Frei Chico: 'Frei Chico, eu não tenho a minha mãe na zona! Nem meu pai é corno!... Eu vou ficar fazendo essas reuniões assim? Não tem essa, não, Frei Chico, a partir de agora em diante quem quiser fazer reunião comigo é pública e não tem segredo'."


LULA AFIRMA QUE EXPERIÊNCIAS COM O PARTIDÃO MUDARAM SUA CABEÇA

"Tudo isso mudou a minha vida. Essas coisas e a prisão do Frei Chico para mim mudaram a minha cabeça para melhor. Até porque alguns companheiros que foram presos eu conhecia. E, do ponto de vista da agitação, eles não faziam muita coisa. Talvez tivessem feito no passado, mas não faziam nada naquele instante. Então eu ficava pensando: 'O que estas pessoas fizeram para serem presas?'. Sabe, então isso para mim foi muito bom, foi muito bom isso."


COMENTÁRIO

Este capítulo é muito interessante porque enquanto vemos Lula falar em 1993 retrospectivamente aos anos 70/80, ele está descrevendo e fazendo uma espécie de referência ao que seria a gênese de concepção e prática do movimento sindical organizado a partir da criação da Central Única dos Trabalhadores (1983), que seria criada após a Conclat (1981) como um Novo Sindicalismo de massa, classista, democrático, autônomo e organizado a partir da base.

Fazer um sindicalismo mais no dia a dia nos locais de trabalho, falando abertamente com os trabalhadores em assembleias e na porta das fábricas, é a melhor opção para politizá-los sobre todos os temas do mundo do trabalho e da vida política e cidadã como um todo.

Eu acredito muito nisso enquanto dirigente sindical e secretário de formação. Busquei fazer isso até de forma intuitiva desde que cheguei ao Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e região em 2002. Se o sindicalista está constantemente em diálogo com os trabalhadores, ele tem respaldo e representatividade para organizar, para concordar e até para discordar da posição dos seus representados.

Pra ver como são as coisas e os contextos históricos... Hoje, 2014, temos uma democracia em construção no Brasil. Temos as mesmas conversas pequenas aqui a ali. Uma central sindical buscando tomar espaço de outra. Uma corrente tentando derrubar a outra. Grupos rivais se organizando uns contra os outros dentro das centrais e sindicatos... gente que se diz de "esquerda" aliada a grupos ultraconservadores e reacionários. Gente que se diz "combativa" e que faz cada coisa pelega que assustaria os antigos pelegos. E La Nave Va...

E também temos gente defendendo que deveria voltar a ditadura... é mole? Assisti ao depoimento do coronel reformado Malhães, que confessou para a Comissão da Verdade que eles matavam e torturavam mesmo. É chocante vê-lo falando. Ele apareceu morto nesta semana após as confissões que fez...

É isso. Na próxima postagem sobre este capítulo, irei abordar as mudanças na comunicação com os trabalhadores feita por Lula no Sindicato dos Metalúrgicos após virar presidente entre 1975 e 1981.

Tchau!

William


Bibliografia:


PARANÁ, Denise. Lula, o filho do Brasil. Apresentação de Antonio Candido. Editora Fundação Perseu Abramo. 1ª edição: dezembro de 2002. 3ª edição, 3ª reimpressão: julho de 2009.


Post Scriptum (21/10/17):

Oh vida dura! Ao reler esta postagem do primeiro semestre de 2014, o mundo desabou, virou do avesso. O país sofreu um golpe de Estado, os golpistas tomaram praticamente os 3 poderes, Executivo, Legislativo e Judiciário. Os empresários mandam no país, a começar pelos da comunicação como os Marinho, Frias, Civita, Mesquita e gente do tipo. Os direitos em geral do povo já foram eliminados. O patrimônio público está sendo extinto e doado para corporações estrangeiras de países que apoiaram o golpe como, por exemplo, os Estados Unidos. Que coisa, heim!

segunda-feira, 21 de abril de 2014

Lula, o filho do Brasil - "E Luiz Inácio tornou-se Lula" (I)



Lula é uma referência importante para a
Concepção e Prática Sindical da CUT.

Este capítulo do livro de Denise Paraná, com uma entrevista do Lula em dezembro de 1993, é para mim um capítulo muito especial. Desde que o li pela primeira vez, pensei nele como um texto teórico para debater formação sindical com dirigentes e trabalhadores sobre ser um militante CUTista e também da Articulação Sindical.

O ideal é ler o capítulo todo. Aqui na postagem tenho que escolher frases e algumas partes e nunca é a mesma coisa. Apesar do trabalho que dá, quero deixar registrado no Blog alguns excertos desta entrevista do presidente Lula da Silva e alguns comentários meus.


QUE TIPO DE SINDICATO?

Lula: "Há uma dinâmica na categoria. À medida que a categoria ia exigindo, você ia... Na medida em que nós fizemos uma opção de que o sindicato não seria o tutor da categoria, mas seria uma espécie de caixa de ressonância da categoria, cada vez que os trabalhadores exigiam, ao invés da gente represá-los, a gente soltava. Então eles queriam mais boletim; era mais boletim, mais atividade, era mais atividade, mais curso de formação política, era mais curso de formação política. Eles queriam que a gente radicalizasse mais, a gente radicalizava mais. A gente passou a viver muito por conta do próprio crescimento da própria categoria. Por isso que eu digo sempre que eu sou o fiel resultado do crescimento da minha categoria. Nem mais nem menos. À medida que ela avançava, eu avançava, na medida em que ela não avançava, eu não avançava. Eu não era representante de mim mesmo, era representante deles. No mínimo eu teria que ser fiel àquilo que eles queriam..."


PRIMEIRO DE MAIO

Lula: "A gente fez um grande Primeiro de Maio. Em 1976 a gente já começou a fazer os primeiros Primeiros de Maio de protesto. Porque antes os Primeiros de Maio eram quase que festa. Em 1977 o pessoal trotskista ligado à Libelu, ou sei lá se a própria Convergência, chamava a gente de 'neopelego'. Esse termo 'neopelego' queria dizer que a gente era um tipo de pelego novo, que era pelego, só que não era o tradicional. Mas com este tipo de comportamento a gente nunca se preocupou..."


OPOSIÇÕES E CORRENTES POLÍTICAS NO SINDICATO

Lula: "A gente tinha oposição dentro das fábricas. Nesta época, em 1976, 1977, começaram a vir grupos de esquerda para dentro da categoria: eram estudantes que se disfarçavam de trabalhadores e vinham para dentro da categoria. Era da Universidade de São Carlos, gente que vinha da Universidade do Paraná... Foi um momento em que os estudantes começaram a imaginar que poderiam, entrando numa categoria importante como a nossa, que eles poderiam liderar a classe operária brasileira.

E os estudantes encontraram uma categoria disposta a brigar inclusive com eles..."

(Lula fala de um militante da Convergência preso ao fazer atividade para a corrente e não para o sindicato):

Lula: "Mas aí o pessoal da Convergência vinha conversar comigo para fazer uma nota de solidariedade. Eu falava: 'Olha, a gente faz a nota de solidariedade. Agora, é importante a gente frisar na nota que ele não estava cumprindo a atividade sindical. É importante para não confundir. Eu não vou passar por mentiroso'...

(...) E naquela época a Convergência começou a aparecer muito fortemente na categoria, empregando gente em várias empresas para tentar ter uma atuação no sindicato. O pessoal do MR-8, o pessoal do 'Partidão' começou a levar gente para São Bernardo. E outras organizaçõezinhas de esquerda, a Ala Vermelha, estava todo mundo lá. Virou uma 'federaçãozinha de esquerda'.


E é engraçado porque a diretoria nunca perdeu o controle. A gente se relacionava bem com todos eles, mas nunca perdemos o controle, todos eles acatavam as decisões da categoria, da diretoria. A gente às vezes ia para o enfrentamento com eles nas assembleias porque eles radicalizavam e sectarizavam e a gente ia duro para cima deles. Mas a gente sempre manteve uma relação política respeitosa."


APRENDIZADO NA CONVIVÊNCIA COM AS CORRENTES POLÍTICAS

Lula: "Aí eles tiveram um papel importante nesse processo todo. Eu acho que a gente não pode dizer que não tiveram. Tiveram um papel importante no aumento do nível de consciência desse pessoal, dos operários. Acho que várias pessoas da Convergência tiveram essa participação. Tudo isso foi evoluindo para aprimorar a minha cabeça política..."


FALHAS NA QUESTÃO DA IGUALDADE DE GÊNERO

Lula: (falando dos problemas ocorridos no Congresso da Mulher Metalúrgica e das feministas):

"O pessoal era muito radical, muito radical. E esse foi um congresso muito importante. É uma pena que a gente não deu sequência ao trabalho na questão da mulher como merecia. Às vezes a gente relaxava e não compreendia as dificuldades [da mulher]. Não basta aprovar num documento que a mulher é igual e não sei o quê... É preciso saber se a gente cria condições para que a diversidade do mundo da mulher possa ser assimilada. Quando você fala: 'Tem que participar de uma assembleia homem e mulher...', se é um casal que tem três ou quatro filhos e alguém tem que fazer a janta para as crianças e [o casal] não pode ter empregada, alguém vai ter que ficar em casa. Então os dois não podem ir. É preciso saber como é que compatibiliza isso. No PT, por exemplo, eu tenho dito: 'Não adianta dizer que a mulher tem que participar. Quando a gente faz um encontro e passa o domingo inteiro juntos, a gente estabeleceu condições de ter creche para os casais deixarem as crianças? Alguém vai cuidar de fazer almoço para estas crianças? Porque é assim que a gente vai dar condições'.

Então, eu acho que a gente falhou. Essa é uma das coisas em que nós falhamos: não dar sequência a esse trabalho com as companheiras mulheres, que na época chegavam a ser 20 e poucos por cento da categoria. A gente não soube trabalhar corretamente isso. É um dado concreto, eu assumo a responsabilidade. Apesar desse congresso ter sido um grande sucesso, a gente não deu uma sequência do ponto de vista de trazer a mulher para dentro do sindicato mesmo. Agora, obviamente que melhorou muito a participação [das mulheres] nas assembleias. Mas a gente não conseguiu o grau de militância que a gente imaginava que poderia conseguir."


COMENTÁRIO RÁPIDO


O capítulo é longo e tem muitos ensinamentos. De maneira geral, nascia ali no período em que Lula está falando (entre anos 70 e 80), nossas concepções e práticas da Central Única dos Trabalhadores.

Alguns trechos que sublinhei considero importantes. Nós não somos representantes de nós mesmos quando estamos em um sindicato de trabalhadores. O sindicato não é prestador de serviço, é local de organização e ressonância dos trabalhadores.

Na medida do possível, um dirigente e uma categoria têm que evoluir juntos, ou então partilharem e viverem juntos os mesmos dramas. O dirigente deve estar ao lado de seus representados.

Ter uma convivência respeitosa com as correntes políticas que militam no movimento é importante e traz crescimento político para todo mundo.

Não adianta falar de igualdade de oportunidades sem criar as oportunidades para a igualdade.

É isso. Seguimos depois com o capítulo.

William Mendes
Secretário de Formação da Contraf-CUT


Bibliografia:


PARANÁ, Denise. Lula, o filho do Brasil. Apresentação de Antonio Candido. Editora Fundação Perseu Abramo. 1ª edição: dezembro de 2002. 3ª edição, 3ª reimpressão: julho de 2009.

Pensando a CUT a partir do filme "ABC da Greve" - Leon Hirszman




A fonte do vídeo é um canal 
no youtube chamado caovidaloca.

O FILME É UMA LIÇÃO PARA SINDICALISTAS CUTISTAS

Lendo o capítulo "E Luiz Inácio tornou-se Lula", do livro de Denise Paraná - Lula, o filho do Brasil, acabei por buscar o filme de Leon Hirszman porque ele aborda o mesmo período que o capítulo do livro aborda. O filme nos apresenta cenas e momentos da greve de 1979 dos metalúrgicos do ABC Paulista.

A leitura do capítulo do livro, seguida do filme, é uma aula emocionante e contextualizada do que são as dificuldades enfrentadas pelas lideranças sindicais em momentos cruciais do embate entre o capital e os trabalhadores. Aqui estava nascendo o que seria a concepção e prática sindical da Central Única dos Trabalhadores (CUT) - ser classista, de massas e democrática. Principalmente no que balizou a forma de atuação da Articulação Sindical.

Aqui nascia a característica de um sindicato cutista que é pensar a categoria acima de tudo porque fazer greve pela própria greve e não pensar a consequência dela para os trabalhadores não é papel de um dirigente sindical cutista.

Eu me emocionei muito com as imagens do filme. Muitos de nós que nos tornamos sindicalistas cutistas temos momentos em nossa vida militante e de liderança que nos deixaram em situações como essa de avaliar se devemos continuar na greve ou se devemos proteger os trabalhadores e encerrar o movimento sob risco de derrota.

O contexto do que vocês vão ver no filme é que Lula e a diretoria do Sindicato dos Metalúrgicos precisaram defender o fim da greve por ter a real noção de que seguir naquela greve a partir da segunda-feira seria uma derrota fragorosa para a categoria.


LEMBREI-ME DO CONTEXTO DA GREVE 2003 NO BB

É evidente que nada é comparado ao que foi o movimento de massas e o nascimento do Novo Sindicalismo surgido no ABC Paulista entre os anos 70 e 80. Mas a nossa geração viveu um momento de ressurgimento do movimento de massas no início dos anos dois mil, após a eleição de Lula da Silva e após uma década de massacre neoliberal aos trabalhadores e aos seus sindicatos.

Eu vivi um contexto parecido ao ter que falar com os trabalhadores em assembleia que precisávamos aceitar a proposta e finalizar a greve do Banco do Brasil em 2003, após conquistar várias propostas com a primeira greve forte em mais de uma década.

Era meu primeiro ano liderando os bancários em uma greve e eu estava aprendendo a ser um dirigente sindical e após uma forte mobilização em 3 dias de greve, com crescimento diário do movimento e conquista de vários direitos em nova proposta patronal após esses dias de greve, tivemos que ir para uma assembleia lotada na quadra dos bancários e dizer a eles que era a hora de encerrar a greve porque havíamos conquistado muitas das reivindicações que nos levaram à greve e que continuar nela poderia nos levar à derrota com consequências para as próximas lutas.

Uma das pessoas que seria grande referência para mim naquele início de vida sindical foi Deli Soares. Naquele dia, ele me disse que começar greve era fácil, o difícil era liderar os trabalhadores e lhes dizer quando era a hora de parar. Ali comecei meus onze anos liderando as assembleias do Banco do Brasil no Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e região entre 2003 e 2013.

A proposta foi aprovada pela massa e após a assembleia caí em choro pela emoção que acabava de viver naquele momento. Muitos bancários que estiveram comigo naqueles dias de greve não compreenderam na hora e ficaram chateados com a minha posição de direção do movimento e após o calor daquele momento me procuraram e elogiaram a minha postura no diálogo travado na assembleia.

A proposta conquistada no BB naquele ano era a seguinte, se não me falha a memória:

- o cumprimento da proposta de índice conquistada pelos bancários em geral (Fenaban) porque o governo tinha proposto menos;
- um acordo de PLR nos moldes do da categoria (não havia no BB);
- a conquista do abono de 5 dias para os colegas que entraram no BB a partir de 1998 (isonomia);
- aumento na cesta alimentação, vale refeição e auxílio creche, igualando com os da categoria (isonomia, pois eram menores);
- a volta do direito de eleger delegados sindicais (perdido desde o governo do PSDB), e
- anistia dos dias parados.

O filme é emocionante e nós não podemos nunca perder as nossas referências e princípios, estejamos onde estivermos fazendo a luta.

É isso!

Feriado de corridas, filmes e leituras


Refeição Cultural


Neste feriado de Páscoa, de Dia do Índio, de Tiradentes, aproveitei para descansar, refletir, e curtir coisas que gosto como correr, ler e ver alguns filmes. Joguei videogame com o filho e fiquei com a família.

Estou relendo a parte que já havia lido do livro sobre a história de vida de Lula. Li cento e poucas páginas em 2011 e estou relendo agora no feriado. 

Minha esposa tem um pouco de razão quando diz que eu deveria ter lido outra coisa que não fosse política. Mas fazer o que, né? Estou vivendo o fim de semana que antecede o resultado das eleições da Cassi e, após o ano tumultuado que tive, nada mais será o mesmo. Vou pra Cassi ou vou fazer outra coisa da vida porque não tenho mais mandato no meu Sindicato de base.

É um fim de semana diferente neste sentido da política, da minha vida política.

Em relação às corridas, corri e caminhei todos os dias do feriado, a começar pela quinta-feira. Corri na quinta uns 2k, corri na sexta 3k, andei no sábado uns 6k e no domingo, fiz um longão muito importante para restabelecer limites ao meu corpo. Corri mais de uma hora. Fiz 72' de corrida em trote, com muitas subidas e administrando as dores que sinto faz tempo em meus tendões de Aquiles. Fiquei muito feliz de ultrapassar meus limites atuais em corrida. Isso dá uma energia de poder pessoal interessante!

Assisti filmes também. Dois do Hitchcock, ontem, que foram fantásticos: Os pássaros (1963) e Janela indiscreta (1954). Os filmes do cara são diferentes do que estamos acostumados. Também assisti ao filme Amigo Oculto (2005). O filme aborda questões de psicologia. Os filmes foram muito bons.

É isso. Estou com vontade de escrever sobre um capítulo inteiro do livro sobre o Lula, abordando o quanto se é possível tirar lições de um bom sindicalismo daquele capítulo, principalmente em relação à forma CUTista de ser e da Articulação Sindical. Mas fico pensando também em pra que escrever? Pra quem? De certa forma, acho que seriam palavras ao vento, como o que estou fazendo agora.

Escrever no Blog ou no meu diário dá quase que no mesmo. É lógico que no Blog é confissão pública e no diário é coisa só minha.

Sei lá, quando vejo política e quando vejo sindicalismo e lembro do quanto vivi nele estes 12 anos, dá uma gana tão grande de continuar... Mas em momentos seguintes, dá vontade de ir fazer outra coisa. Vamos ver o que me reserva a vida a partir de quarta-feira (23), após o resultado das eleições da nossa Caixa de Assistência dos Funcionários do BB.

William

domingo, 20 de abril de 2014

Fotografias: Estação de trem de Toledo - Espanha


Quando: setembro de 2009

Estive na Espanha naquele ano a trabalho. Fui a um curso internacional promovido pela OIT (Organização Internacional do Trabalho) com sede em Turim, Itália. O curso levou representantes de entidades sindicais de vários países da América Latina e região do Caribe para avaliar os impactos da crise mundial, iniciada entre 2007/2008 nos Estados Unidos. Fui representando a Contraf-CUT e a nossa Central Única dos Trabalhadores.


Estación Ferrocarril de Toledo - España.
Fotos de William Mendes.

Estivemos por duas semanas em Turim, Itália, e uma terceira semana em Madri, Espanha. A experiência foi muito enriquecedora.

Aqui, apresento algumas fotos que fiz em um rápido passeio de ida e volta no mesmo dia a Toledo, Espanha. A cidade é milenar e maravilhosa e nesta postagem destaco a Estação Ferroviária de Toledo (Estación de Ferrocarril).

Fomos eu e uma companheira do Chile a Toledo
em um trem de alta velocidade.

A ida para Toledo foi em um trem de alta velocidade, chamado AVE (línea de Alta VElocidad). Saímos de Madri no horário que vocês veem acima. Chegamos em pouco mais de meia-hora.

Olha o trem que nos levou a Toledo. O conforto nele
 é muito grande.

Passamos pela região que já é considerada como pertencente às planícies de La Mancha. O trem passa ao lado de uma estrada que nos dias úteis tem um tráfego intenso, pelo que pude pesquisar no endereço que fala sobre a Estação de Trem de Toledo.

Veja a primeira visão que temos 
da Estação quando chegamos.

A Estação foi inaugurada em 1919, segundo o site da própria Estação (ou 1920, segundo o livro que adquiri sobre a cidade de Toledo). Ela foi construída em estilo mudéjar ou neomudéjar, que conjuga arquitetura e arte dos muçulmanos que viveram por séculos na Espanha. O estilo arquitetônico é conjugado com o dos cristãos espanhóis.

Plataforma de chegada dos trens de alta velocidade a Toledo.

O estilo de arte mudéjar é encontrado por toda a cidade, que é uma espécie de cidade fortaleza rodeada pelo Rio Tajo por leste, oeste e sul e com o norte ligando a cidade pela planície. Veja abaixo um dos estilos de arco de ferradura que há na arquitetura mudéjar.

Belíssimo estilo mudéjar de arco em ferradura.

A torre do relógio é uma exceção em estações de trens na Espanha. Ela é mais comum nas construções de igrejas em estilo mudéjar. Mas é muito bonita!

Torre do relógio da 
Estação de Trem de Toledo - ESP.

Abaixo, vemos a parede da Estação com a torre do relógio. O sortudo aqui pegou um belo dia de céu azul na bela região de La Mancha.

Vista lateral da Estação de Trem de Toledo, a partir
do lado externo da plataforma de trem.

Agora, vemos a outra metade da Estação de Trem. Quando vi esta estação, me lembrei na hora da Estação da Luz em nosso país, em São Paulo. A nossa foi projetada lá na metade do século XIX. Esta também teve seu primeiro projeto mais funcional no mesmo período (1858).

As obras desta construção se iniciaram em 1917, sob ordem
 do arquiteto Narciso Clavería, que foi um incentivador do
renascimento mudéjar na Espanha.

Janelas em arco de ferradura com vitrais. A construção é feita em tijolos, cimento, pedra e ferro.

Sem dúvida, o estilo na Estação 
nos lembra um palácio árabe.

Agora, vemos abaixo, a parte interna da Estação de Trem de Toledo.

Parte interna da Estação de Trem de Toledo - Espanha.

Olha que lindo teto da Estação. Todo trabalhado.

Teto da Estação em estilo mudéjar.

Detalhe interno dos vitrais nas janelas em arcos.

Belíssimos arcos de ferradura com vitrais.

Mais um destaque para o arco e o vitral.

Janela em arco e vitrais da 
Estação de Trem de Toledo - Espanha. 

O piso é todo desenhado, também, além dos belos acabamentos em madeira nas bilheterias da Estação.

Acabamentos em madeira nas bilheterias.

Um close, uma aproximação maior de um arco com os vitrais.

Um close do arco com vitrais.

E, por fim, uma foto do livro que adquiri lá, contendo a história de Toledo, mostrando a Estação de Trem, em vista aérea, do lado de fora da estação.

Foto do livro "Todo Toledo", coleção 
produzida por Escudo de Oro.
Foto de Joan Oliva.

Neste rápido passeio que fiz à cidade de Toledo, fui a alguns dos principais pontos como El Alcázar e La Catedral. Voltei para a Estação para pegar o trem de volta a Madri ainda de dia (17:30h).


Fim da caminhada pela cidade de Toledo e volta
à estação às 17:30h.

Seria muito bom poder visitar com mais calma a cidade e ir aos museus como o de El Greco. Mas a caminhada pela cidade milenar já valeu muito a pena.

É isso!


Fonte de informações:

http://www.laestaciondetren.net/