sexta-feira, 6 de maio de 2016

Diário - 060516




Sexta-feira, fim de noite e fim de semana de trabalho. Fim de semana de saudades o que vem aí.

Agora à noite, estávamos comendo uma pizza eu e esposa e pensamos em nosso filho distante 750 km de nós, lá no interior de São Paulo, onde estuda desde março.

Ligamos pra casa dele e disse que queria pagar uma pizza pra ele. Ele achou super legal e disse que vai pedir a pizza no fim de semana. Saudades de nosso filho.

Saudades de meus pais. Não vai dar pra ver a minha mãe no dia das mães. Apesar da distância ser menor, 425 km de Brasília a Uberlândia, não tenho como ir até lá. A vida é assim. No dia das mães, o nosso filho estará sozinho lá em Jaboticabal, nós estaremos em Brasília, sem ver filho e pais. A mãezinha de minha esposa também está lá em São Paulo. Mas os corações estarão todos aquecidos de amor.

Cheguei do trabalho por volta de 18 horas e trabalhei mais um pouco, até umas 20h. Fechei a semana. Por causa do meu problema de pressão alta, exigi de mim mesmo reduzir um pouco a jornada de trabalho durante essa semana. Trabalhei "só" umas 50 horas. Mas o estresse é mais difícil de evitar.

Corri agora à noite para tirar o trabalho da cabeça e das costas, 5k em 31' em noite candanga agradável de 20º.

Espero poder ler um pouco no fim de semana e descansar porque na próxima semana minha jornada será de mais de 80 horas de trabalho durante os 5 dias em que estarei em SP, DF, PI e PB.

Fim.

Abraços a tod@s os meus pares da classe trabalhadora.

William

quinta-feira, 5 de maio de 2016

Diário - 050516





Refeição Cultural - Balzac

"A obra do escritor não é menos atraente nem - como o pretendemos mostrar - menos enigmática do que a sua vida. Depois de uma estreia pouco promissora, emerge de repente como o criador de um gênero literário importantíssimo, o único que ainda hoje acaso participa da vida de quase todos nós: o romance moderno. Foi ele quem primeiro teve a ideia genial de basear a literatura de ficção em estudos e pesquisas, aplicando à sociedade de seu próprio tempo o método de documentação com que Walter Scott, em seus romances históricos, transfigurava o passado" (Paulo Rónai, Balzac e A Comédia Humana)


Acordei e peguei pela segunda vez o primeiro volume da coleção que ganhei da obra gigante de Honoré de Balzac, A comédia humana

Medi minha pressão arterial antes de pegar o pequeno volume extra que vem com os oito volumes que ganhei de minha esposa, porque o primeiro livro da coleção é de estudos de Paulo Rónai sobre Balzac e sua obra. A triste rotina de medir a pressão já se tornou obrigação nos últimos meses. Deu o mesmo, alta, mesmo tomando remédio regular.

Obras clássicas de séculos passados sempre nos deixam boquiabertos por imaginar o mundo de dificuldades que seus autores tiveram que superar para escrevê-las e publicá-las. 

Quando penso em Miguel de Cervantes escrevendo Don Quijote de La Mancha, num mundo do século 16 para o 17, sem computador, sem caneta e papel apropriado, fico estupefato, por ser algo fantástico.

Balzac passou mais de duas décadas escrevendo sua comédia humana no século 19.

Li uns 45 minutos pela manhã desta quinta-feira, dia de trabalho. Agora é hora de enfrentar os problemas do mundo Cassi até o dia acabar... meu primeiro compromisso de agenda é às 11h.


Meu mundo...

E olha que são tantas coisas que nem dá pra contar. São traições que nos decepcionam, hipocrisias e ilações plantadas no meio em que vivemos e envolvendo pessoas que conhecemos e com as quais temos relações de trabalho e ou políticas... O mundo em que estamos é um mundo que não permite pessoas sensíveis do estômago passarem por ele sem congestões e ânsias de vômito.

Mas o mundo humano tem seus momentos de altos e baixos ao longo dos séculos. O momento é de total inversão de valores, de baixa ética e pouco apego à verdade e ao caráter.

Balzac teria um excelente cenário para repetir seus estudos e sua obra analisando a atual sociedade brasileira do século 21.

William

terça-feira, 3 de maio de 2016

Diário - 030516



Meu presente de aniversário, A comédia humana, de Balzac.
Ai se eu pudesse ler com o tempo e o vagar...

Hoje, acordei cedo e fui medir minha pressão arterial. Eu pensei que ela fosse estar boa, tinha até tomado um chá para dormir à uma hora da manhã e não me sentia estressado demais (ou seja, só o normal para quem tinha trabalhado em 3 turnos no dia).

Quando medi e vi 136 x 105 mm/Hg fiquei entre revoltado e chateado. Pensei um minuto e coloquei um tênis, uma bermuda e saí para correr porque não me conformei com aquela pressão alta. O que fiz foi loucura, pois a atividade física naquele momento poderia me trazer alguma consequência grave.

Acabei saindo da Cassi por volta de 17h. Decidi que hoje só iria trabalhar umas 8 horas.

Durante o almoço com alguns companheiros de trabalho, ainda comentei alguma coisa a respeito desse problema de saúde que adquiri no último ano. O estresse ininterrupto em sua vida, em seu trabalho, acaba por afetar sua condição de saúde com o passar do tempo. 

Sinceramente, eu acredito que o mesmo que se passou comigo, se passa com os trabalhadores do Ramo Financeiro, com os colegas bancários. É por isso que dedico todas as minhas energias para tentar atuar em meu mandato para ampliar a cobertura do modelo de saúde da nossa Caixa de Assistência aos meus colegas bancários. Todos deveriam ter o direito ao acesso a uma equipe multidisciplinar de atenção primária e de acompanhamento de condições crônicas. Eu acredito naquilo que faço na Cassi e nossos funcionários da Cassi também são apaixonados pelo que fazem: cuidar das pessoas.


Bom, vejam a foto do meu presente de aniversário deste ano, quando completei 47 anos de idade. Minha esposa me deu os volumes da grande obra de Balzac, A comédia humana. É uma pena que não consigo mais tempo para ler como gostaria. Cada vez que lembro o quanto desejo dedicar um tempo de minha vida para a leitura dos grandes clássicos, mais me apego a querer viver para ler simplesmente pelo prazer de ler.

Só para fazer algo diferente hoje, parando de trabalhar no final da tarde, fiquei namorando e lendo algumas páginas do primeiro volume da coleção, com coletâneas de textos de Paulo Rónai sobre Balzac e sua obra de uma vida.

Vamos parar por aqui.

William
Amante da leitura sem tempo para o amor

Flávio Aguiar: Hitler também deu um golpe inteiramente “legal”, votado pelo Parlamento


Comentário do blog


Olá pessoal. O artigo do professor Flávio Aguiar expressa o que eu tento dizer desde que este processo golpista começou no Brasil. Óbvio que não tenho o conhecimento que ele transmite na comparação entre o lá (Alemanha, 1933) e o cá (Brasil, 2016).

Tive aulas de literatura brasileira com o professor Flávio, na USP. Hoje ele é uma grande liderança progressista que escreve para a Carta Maior.

Recomendo a leitura.

Abraços, William


Foto que ilustra o artigo de Flávio Aguiar no Vi o mundo, do Azenha.

Hitler deu um golpe inteiramente ‘legal’, através de uma votação no Parlamento, com o apoio da classe média alta. Se olharmos os métodos, como se parecem!


Flávio Aguiar em Carta Maior
“Nem sempre o que é, parece. Mas o que parece, seguramente é”. Ditado brasileiro.

Muito se tem escrito, contra e a favor, sobre semelhanças e diferenças entre o golpe nazista de 1933 e o que hoje está em curso no Brasil.

Bom, vamos começar por alguns personagens principais. Ninguém de bom senso vai comparar o tacanho e tragicômico Michel Temer com o trágico e sinistro Adolf Hitler. Nem um nem outro merecem tanto. Aquele, “do lar”, este, bem, também era “do lar”, abstêmio, vegetariano, fiel pelo que se sabe, mas, de qualquer modo e por exemplo, os penteados eram completamente diferentes. Além disto, Hitler ficou no poder durante doze anos, de 33 a 45, digamos. Temer não ficará tanto. No Inferno de Dante Hitler estaria na boca de Lúcifer, mascado com os grandes traidores da história. Onde estará Temer? Provavelmente na porta do Inferno. Nem lá ele será admitido. Na porta, sem direito nem a meia-entrada, estão os que carecem até mesmo de um forte caráter pecador. Para alegria dos pós-modernos, estão no não-lugar universal e eterno.

Também ninguém vai comparar o grotesco Cunha ao também grotesco Göring, que foi quem presidiu a sessão do Reichstag que começou o golpe de estado nazista em 23 de março de 1933. Se estivessem num romance de Dostoyevski, ambos seriam qualificados como psicopatas. Mas não esteve um, nem está o outro. Vamos aguardar para ver como a história qualificará o mais recente deles. Boa coisa não será.

Agora, se olharmos os métodos, como se parecem!

Em primeiro lugar, Hitler deu aquilo que a revista alemã qualificou, em relação ao Brasil, um “kalter Putsch”, um “golpe frio”, ou “branco”, na nossa tradição. Foi um golpe inteiramente “legal”, através de uma votação no Bundestag, o Parlamento, depois confirmado pelo Bundesrat, que equivaleria ao nosso Senado (como deve acontecer), assinado pelo presidente von Hindenburg, e largamente deixado correr ou apoiado pelo Judiciário.

O golpe ganhou o nome histórico de “Ermächtigungsgesetz”, que poderia ser traduzido por “Lei de Empoderamento”. Era muito breve, como o nosso Ato 5: tinha um preâmbulo de algumas linhas e cinco artigos. Em essência, dizia que o Gabinete Executivo – presidido por Hitler – tinha poderes para decretar leis sem aprová-las no Parlamento, e que estas leis estariam acima da Constituição, que não poderia ser invocada para contestá-las. Dizia que a exceção se referia ao Bundestag e ao Bundesrat, coisa que, evidentemente, foi desrespeitada depois.

Ou seja, como hoje no Brasil, rasgava-se a Constituição “legalmente”, e abria-se o período de exceção, diante de uma pequena burguesia (hoje diríamos alta classe média) gessificada pelo medo da ascensão dos “debaixo”. Mas tanto lá como hoje, nesta classe média isto não era unânime, diga-se de passagem. Por isto a repressão que se seguiu foi generalizada. E hoje, não será?

Mas houve também o processo de votação. Como o nosso presidente da Câmara, Göring se dedicou a criar regras próprias para a votação. Depois do incêndio do Reichstag, no final de fevereiro de 1933, Hitler desejou que na nova votação que haveria no começo de março ele tivesse assegurada uma maioria absoluta no Bundestag. Isto não aconteceu. O Partido Nacional-Socialista precisava ainda do apoio de partidos de coalizão (basicamente o Partido do Centro, católico – parecido com os evangélicos de hoje – e o Partido Nacional do Povo Alemão, coligado com os nazistas). Por isto os nazis decidiram adotar o caminho da Lei do Empoderamento, para prescindirem deste apoio futuramente. E os outros morderam a isca.

Mas houve mais. A Constituição alemã previa que para uma votação destas, que a modificava, era necessária a presença de dois terços dos deputados, ou seja, 432 dos 584 membros. Para vencer esta dificuldade, Göring inventou uma nova conta. Como os comunistas tinham sido acusados pelo recente incêndio do prédio do Reichstag (o Parlamento se reunia num teatro, a Casa da Ópera Kroll), os deputados do KDP (Kommunist Deutsche Partei) tinham sido presos, banidos, ou estavam foragidos. Assim, Göring simplesmente descontou os 81 que eles eram da soma geral, e o quorum ficou reduzido a 378. Boa matemática, não?

Além disto, Göring abriu as portas do Parlamento aos Nazisturmabtellung, os SA, Camisas-Pardas (que depois seriam sacrificados para ratificar o poder dos SS). Hoje, no Brasil, não há SA, mas há as tratativas entre a presidência da Câmara e a Rede Globo, fazendo a votação no domingo, com esta mudando horários de jogos… enfim, cada momento tem a SA que pode e merece.

O processo de votação foi uma farsa. Estaremos falando de 1933 ou de 2016? Tanto faz. Aquele não foi transmitido pela TV, porque TV não havia, pelo menos na escala de hoje. O de hoje foi, para vergonha dos deputados perante o mundo inteiro. Vários deputados do SPD tinham sido presos, ou já haviam fugido para o exterior. Mas o inventivo Göring criou uma nova cláusula, ad hoc: deputados que não comparecessem, mas que não tivessem apresentado uma justificativa por escrito, deviam ser contados como presentes, para garantir o quórum. (Lembram da alegação de um deputado pró-impeachment que os deputados ausentes teriam de apresentar atestado médico?).

Bom, na sessão, apenas o líder do que restava do SPD, Otto Wels, que terminaria morrendo exilado na França antes da ocupação, falou contra a nova Lei. Os outros discursos foram acachapantemente ridículos (alguma coincidência será mera semelhança?). Bom, ninguém invocou a mãezinha ou o vizinho, mas saíram coisas como a Pátria e a Ordem. Resultado: 444 a favor da nova lei, 94 contra, todos estes do SPD.

Um detalhe muito interessante: Hitler negociara com Ludwig Kaas, o líder católico, que respeitaria o direito da Igreja e os funcionários católicos nos cargos de Estado, além das escolas. No dia seguinte ao da votação, que foi logo aprovada no Bundesrat e assinada por Hindenburg, Ludwig Kaas foi despachado para o Vaticano para explicar a nova situação ao então Cardeal Pacelli, futuro Papa Pio XII, de triste memória (alguma semelhança com a viagem do ex-companheiro Mateus, hoje senador Aloysio Nunes Ferreira, despachado aos States logo depois da votação na Câmara?). Ele cumpriu a missão religiosamente, como o Mateus. Porém, Hitler lhe prometera (a Kaas) uma carta com as garantias. Ela nunca foi entregue.

Satisfeitas e satisfeitos? É, mas tem mais…

Porque ainda resta o triste papel do Judiciário. Em primeiro lugar, juízes alemães legalizaram a perseguição aos comunistas porque eram “traidores” incendiários do Reichstag. Depois, fizeram vista grossa para as demais perseguições que vieram. Quando não apoiaram. Deve-se lembrar que quem inaugurou a queima de livros em 10 de maio de 1933, na hoje Bebelplatz, foi o diretor da Faculdade de Direito, ao lado, trazendo uma braçada de livros “degenerados” da sua biblioteca.

Hitler acusou um comunista holandês, Marinus Van der Lubbe, e mais quatro outros militantes búlgaros pelo incêndio, que ocorreu em fevereiro de 1933, alguns dias antes da eleição de março. Eles foram levados a julgamento no segundo semestre de 1933. Lubbe foi réu confesso – sabe-se lá como sua confissão foi obtida, mas pode-se julgar pela declaração em juízo de um dos outros acusados, Georgi Dimitrov, de que passara sete meses acorrentado em sua cela, dia e noite. Bem, a gente pode pensar numa justificativa: naquela época não havia delação premiada… Era pancadaria mesmo. Os outros quatro foram absolvidos por falta de provas, mas Lubbe foi condenado à morte e executado no começo de 1934.

Farsa? Sim, mas o pior vem depois.

Em 1967 um juiz da Alemanha Ocidental, na reabertura do processo promovida pelo irmão do condenado, Jan, “comutou” a pena de van der Lubbe de condenação à morte para 8 anos de prisão (!), quando o réu já estava, bem, digamos, no outro mundo. Em 1980, novo julgamento anulou a decisão de 1933 e de 1967. Mas em 1983 nova decisão anulou a de 1980, a pedido do… Ministério Público (!). O caso só foi resolvido definitivamente em 06 de dezembro de 2007 (!), 71 anos depois da decisão original, quando o equivalente ao nosso Promotor Geral da República proclamou “o perdão” de van der Lubbe, com base em uma lei de 1998 que declarara todas os julgamentos da época do nazismo juridicamente nulos.

Até hoje as alegações de que o incêndio foi provocado pelos próprios nazistas para começar sua série interminável de desmandos nunca foi oficialmente investigada. É um bom exemplo para quem acha que o caso das omissões e vagarosidade do Judiciário brasileiro é algo único na história.

Depois deste exercício de história comparada, que as leitoras e os leitores tirem suas próprias conclusões.


Fonte: Vi o mundo, Azenha.

segunda-feira, 2 de maio de 2016

Diário - 020516



Golpistas querem levar o Brasil e as
condições de vida dos trabalhadores
a um mundo que vi e vivi e que
não quero de volta para o povo.

Não serei complacente com golpistas e oportunistas


Segunda-feira, início do mês de maio. 

Brasília, Capital Federal da República do Brasil, país com mais de duzentos milhões de pessoas, país que vive um Golpe de Estado liderado por um sindicato de corruptos que tomou de assalto, com apoio dos donos dos meios de comunicação (P.I.G.), não a totalidade mas a maior parte do Congresso Nacional e setores dos órgãos da Justiça, duas das instituições formais da República.

Neste domingo, enquanto fazia uma corrida de 9k no Eixão de Brasília, refletia sobre muita coisa, sobre como devo me comportar em relação aos tempos duros que virão de ataques aos direitos dos trabalhadores, inclusive aqueles que represento. Refleti como devo me comportar com os setores do próprio movimento social, principalmente o da "esquerda" que apoia o golpe, que somaram forças com os golpistas, que se aliaram a coisas como Força Sindical ou a discursos odientos do tipo "fora sindicalistas" ou "fora todos", enganando e manipulando os trabalhadores que representamos, usando da mesma tática da direita fascista, o ódio e a intolerância contra o que nós somos, representamos e por virmos do berço da maior central sindical da América, a CUT, com um histórico fantástico de conquistas para a classe trabalhadora nas últimas décadas.

Hoje não sou mais do movimento sindical, mas tenho muito respeito pelo que os sindicatos significam na vida e na proteção dos direitos dos trabalhadores. Enfraquecer os sindicatos em benefício dos golpistas é tirar ao menos a possibilidade de resistência ao massacre que vem aí contra o povo e aqueles que vivem do trabalho.

Apesar de minha saúde ter decaído por causa do estresse ininterrupto para defender os direitos dos associados na Cassi desde junho de 2014 até o momento, o que me levou a ganhar um problema de pressão alta insistente, eu corri ontem de forma intensa testando meus limites de resistência naquele asfalto quente. E fiz um percurso que não havia feito ainda neste ano. Ainda tenho energia suficiente para defender os direitos dos trabalhadores ao menos na tarefa onde sou eleito e tenho mandato.

Nesta manhã de segunda, logo cedo, iniciei o trabalho da semana na Cassi, que é quase de 3 jornadas diárias pela quantidade de coisas sob nossa responsabilidade. Mas vamos vencer a semana defendendo os interesses dos associados como fazemos desde que chegamos eleitos à entidade de saúde dos trabalhadores do Banco do Brasil.


Trabalhadores brasileiros da ativa e aposentados sofrerão com a pauta que golpistas estão encaminhando neste momento

Está em andamento um ataque avassalador nos direitos sociais, incluindo os trabalhistas e previdenciários, e os direitos políticos dos trabalhadores que representamos. São em momentos duros como esse que atravessamos, que separamos o joio do trigo como diz a parábola bíblica.

No segmento que atuo, alguns grupos menores que sempre foram sectários nos movimentos sociais, sindicais e de representação dos trabalhadores da ativa e aposentados, apareceram surfando na onda golpista como "salvadores da pátria"; algumas pessoas se dizem "lideranças" e estão se aproveitando dos ataques que os segmentos progressistas estão sofrendo e passaram a empunhar as bandeiras dos empresários do P.I.G/Fiesp e dos partidos que organizaram o golpe contra a democracia e os trabalhadores que representamos.

Eu aviso aos oportunistas com os quais estarei lidando no próximo período que não terão em mim nenhuma complacência, somente minha urbanidade institucional, que é uma obrigação ser educado e respeitoso (mesmo quando não o são conosco). 

Aqueles que estão de forma oportunista se aliando ao golpismo contra o Governo Dilma Rousseff (PT), contra o movimento sindical cutista, contra os movimentos sociais, políticos, artísticos e intelectuais que defendem neste momento a democracia vitimada pela mesma quadrilha secular, enfim, os oportunistas do meio em que atuo e que se aliaram ou que se aproveitaram do momento para tirar vantagens eleitorais, não terão flores de minha parte, não posso com tanta hipocrisia.

Estarei nestes anos adiante extremamente vigilante para apontar qualquer coisa que julgue ser prejudicial aos trabalhadores que represento a tanto tempo.

William Mendes
Cidadão sem nenhuma simpatia a golpistas e oportunistas

domingo, 1 de maio de 2016

Dilma Rousseff no 1º de maio no Anhangabaú (SP)


Presidenta Dilma Rousseff no 1º de maio no Anhangabaú (SP).
Foto do Tijolaço, Fernando Brito.

(síntese de algumas matérias)


O destino da presidente Dilma Rousseff já parece traçado: no próximo 11 de maio, a primeira mulher eleita presidente da República do Brasil deve ser afastada do poder por um Congresso corrupto, sem ter cometido crime de responsabilidade; mesmo que seja esse o desfecho, ela fez hoje, no Primeiro de Maio, um discurso histórico, em que merecem destaque os seguintes pontos: (1) o golpe fere não só a democracia, mas também direitos dos trabalhadores, que, em breve, serão suprimidos; (2) grande parte da crise econômica atual se deve à sabotagem de um Congresso, liderado por Eduardo Cunha, que apostou no 'quanto pior, melhor', provocando recessão e desemprego; (3) a luta, agora, é mais ampla: em defesa não só da democracia, como também das conquistas sociais dos últimos anos; (4) se a elite rouba a cadeira de uma presidente legitimamente eleita, o que fará com o povo?; assista


247 – Neste Primeiro de Maio, a presidente Dilma, primeira mulher eleita presidente da República, fez um discurso que ficará guardado como um importante registro histórico de um dos momentos mais tristes da história do Brasil.

Ao que tudo indica, no próximo 11 de maio, ela deve ser afastada do poder por um Congresso corrupto, sem ter cometido crime de responsabilidade.

Mesmo que seja esse o desfecho, ela fez um discurso histórico, em que merecem destaque alguns pontos:

1) o golpe fere não só a democracia, como direitos trabalhistas, que, em breve, serão suprimidos.

2) grande parte da crise econômica atual se deve à sabotagem de um Congresso, liderado por Eduardo Cunha, que apostou no 'quanto pior, melhor', provocando recessão e desemprego.

3) a luta, agora, é mais ampla: em defesa não só da democracia, como das conquistas sociais dos últimos anos.

4) se a elite brasileira é capaz de tomar o poder à força, suprimindo direitos de uma presidente legitimamente eleita, o que fará com o cidadão ou a cidadã anônima?


Leia, abaixo, texto de Fernando Brito, editor do Tijolaço, e assista o discurso:

Se Dilma falasse sempre as verdades como as disse hoje não haveria golpe


Por Fernando Brito, editor do Tijolaço

Deu gosto e desgosto ouvir o discurso de Dilma, hoje, no Vale do Anhangabaú

Deu gosto ver ali a mulher que já dividiu comigo, quando ambos fomos do PDT, brizolistas, a fé em que o povo, quando pode perceber claramente a verdade, não precisa que o guiem, sabe onde ir.

Gente que não era só de esquerda – e nem de esquerda era, para muito “punho de renda” arrogante – mas era antes apaixonada por seu povo.

Gente que falava uma língua que o povo entende, que nessa língua não tinha papas e que no que dizia tinha um lado, claro, límpido, transparente, evidente.

A força deste discurso, o espírito que se apossa de nós quando somos intérpretes da História é tão poderoso que até nossas próprias limitações oratórias desaparecem, os gaguejos são escorraçados pela fluidez das ideias, as vacilações se vão, tangidas pela certeza e pela convicção.

Não precisou sequer ter Lula ao lado, para traduzi-la ao povão.

Bastou-se, mergulhada no fervente borbulhar da história e, na linguagem campeira, meteu os peitos na porteira e foi rompendo os que os, perdoem, cagões prudentes acham bom por de cerca nos nossos próprios pensamentos.

Deu gosto ver uma Dilma de coração valente, que entendeu que a única força com que um governante popular pode contar, mesmo na pior das tempestades, é aquela parcela da população que, de tanto sofrer e perder ao longo de gerações, tornou-se invulnerável ao sofisticado discurso do inimigo.

Os tão badalados reajustes do Bolsa Família, quase serão usados como exemplo de “farra fiscal” pelos canalhas – que farra, hein, de R$ 15! Pagam três dúzias de ovos ou um quilo de músculo ou acém! – são uma miséria que só pode escandalizar quem tem a barriga cheia e já estavam mais que previstos.

E o que vão dizer do índice de 9% estes canalhas, que haviam proposto e aprovado 16,8% no Orçamento, forçando a Presidente a vetá-los?

E se tudo isso me deu gosto, o que desgosto deu?

Deu desgosto que tenha sido preciso sofrer tanto nas mãos dos falsos, dos inimigos, dos traidores, da gente que não pode nem quer falar assim ao povo brasileiro para descobrir aquilo que já se deveria saber: que é no meio deste povo, falando a ele de peito aberto, dizendo as verdades de forma crua e compreensível que está a nossa força, está o que nos faz invencíveis.

O lugar para onde vamos, quando estamos fracos, é o que sabemos que nos fortalece. O meio do povo, a língua do povo, as dores do povo são nossa seiva, o que não nos deixa secar, murchar, o que faz o nosso viço não ser fugaz como o de flores num jarro, mas perene como num campo.

Não costumo fazer isso, nem tenho procuração do além, mas sei que o velho Brizola, depois do teu discurso, te daria um abraço daqueles de quebrar costela.



(Site do PT)

Dilma: Esse golpe também é contra os trabalhadores

Em ato no Vale do Anhangabaú, presidenta reafirmou não haver razão para impeachment e que golpistas vão retroceder em conquistas sociais e trabalhistas


A presidenta lembrou que não possui conta no exterior, nunca recebeu propina ou foi acusada de corrupção e que, por isso, golpistas querem inventar um crime que nunca existiu.

Para Dilma, o deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) foi o principal agente na história para desestabilizar ao seu governo. Dilma recordou que, no ano passado, o Congresso comandado por Cunha trabalhou contra o Brasil ao não aceitar propostas essenciais para a estabilização econômica do país com o único intuito de prejudicar o seu governo. “Eles são responsáveis pelo fato da economia brasileira estar passando por grave crise e pelo aumento do desemprego”, disse ela.

“[Cunha e seus aliados] apostaram sempre contra o povo brasileiro. Ele queria que o governo convencesse seus deputados a votar contra sua cassação. Daí vem o impeachment. É mais do que uma chantagem. É desvio de poder”, reafirmou.

Perdas de direitos

A presidenta elencou todos os retrocessos previstos em um eventual governo de Michel Temer (PMDB), caso o golpe se concretize. “A CLT vai virar letra morta”, lembrou ela. Além disso, a presidenta lembrou que Temer pretende cortar recursos do Bolsa Família e que os maiores prejudicados serão as crianças. “Querem deixar só para os 5% mais pobres. E esses 5% mais pobres são 10 milhões de pessoas. Hoje, 47 milhões recebem o benefício. Serão 36 milhões entregues à livre força do mercado para se virar”, explicou.

Outro retrocesso pretendido por Temer é a privatização de empresas estatais. E Dilma lembrou que o pré-sal será o primeiro alvo dessa política. Dilma também lembrou que Temer é contrário à política de valorização do salário mínimo permitida a partir do governo do ex-presidente Lula. “Querem acabar também com o reajuste dos aposentados”, ressaltou.

“Além disso, há algo extremamente grave porque nós somos um País que ainda tem muito o que fazer, apesar de todas as conquistas, na área de educação e da saúde, eles querem acabar com a obrigatoriedade do gasto com saúde e educação”, advertiu Dilma.

A presidenta ainda frisou que o governo do golpe pode mexer em conquistas sociais e programas como o Pronatec e o Minha Casa, Minha Vida. “E aí sempre que vocês virem uma palavra que às vezes é ‘vamos focar’, ‘vamos revisitar’, ‘vamos reolhar’ certas políticas sociais, significa ‘vamos acabar com elas’. Eles estão falando do Pronatec, do Minha Casa, Minha Vida, e temos uma situação em que os programas sociais são olhados como responsáveis pelo desequilíbrio do País”, afirmou a presidenta.

Avanços no governo Dilma

Ao mesmo tempo, a presidenta lembrou que seu governo acaba de garantir um reajuste no Bolsa Família, que vai resultar em um aumento médio de 9% para as famílias. “Esta proposta foi aprovada pelo Congresso e diante do quadro atual tomamos medidas que garantem o aumento na receita deste ano e dos próximos para viabilizar este aumento. Tudo isso sem comprometer o quadro fiscal”, garantiu.

Em seguida, Dilma divulgou a medida que altera a tabela do Imposto de Renda. “Estamos propondo uma correção no Imposto de Renda, uma correção de 5%”, disse.

Dilma afirmou que seu governo vai contratar 25 mil moradias pelo Minha Casa, Minha Vida e também está propondo a ampliação da licença paternidade para os funcionário públicos, de 20 dias.


Leia abaixo a íntegra do discurso de Dilma Rousseff no Dia do Trabalhador:

“Eu cumprimento cada mulher e cada homem que está aqui neste Primeiro de Maio, dia de luta do trabalhador, da trabalhadora. Cumprimento também o prefeito de São Paulo, Fernando Haddad. Eu queria iniciar dizendo para vocês que tem uma fala solta por aí de que impeachment não é golpe.

Impeachment está previsto, sim, na Constituição, mas o que eles nunca falam é que para ter impeachment não basta querer, não basta alguém achar que não gosta da presidenta, pois ela tem de ter cometido um crime de responsabilidade.

Como eu não tenho conta no exterior, como eu jamais utilizei recurso público em causa própria, nunca embolsei dinheiro do povo brasileiro, não recebi propina e nunca fui acusada de corrupção, eles tiveram que inventar um crime. Como estava difícil, muito difícil, de achar um crime, eles começaram dizendo que eu fiz seis decretos chamados de suplementação.

O Fernando Henrique Cardoso, no ano de 2001, fez 101 decretos de suplementação. Para ele não era golpe, não era nenhum golpe nas contas públicas. Para mim, é golpe nas contas publicas. Então, vejam vocês, um peso e duas medidas. Isso porque não tem do que me acusar, é constrangedor. E aí eu quero que vocês pensem comigo. Ora, se não tem base para um impeachment, o que é que está havendo?

[“golpe”, o povo grita]

Golpe!

Mas é um golpe muito especial, não é um golpe com armas, com tanques na rua, não é um golpe militar que nós conhecemos no passado, é um golpe especial: eles rasgam a Constituição do País. Mas por quê? Porque há 15 meses eles perderam uma eleição direta. Então, eles se alinharam, inclusive com traidores do nosso lado, para fazerem uma eleição indireta. Eles tiram de nós o direito de voto, tiram os meus 54 milhões de votos, mas não é só isso, naquela eleição em 2014, votaram 110 milhões de brasileiros e brasileiras, não são só os meus votos que eles praticamente roubam, são os votos de mesmo daqueles que não votaram em mim, mas acreditam na democracia e no processo eleitoral. Quando eles perderam as eleições, eles fizeram de tudo para o governo não poder governar.

Primeiro: eles disseram que os votos não tinham sido bem contados e pediram a recontagem. Perderam, não deu certo. E aí o que eles disseram? Ah, a urna, sabe a urna? ‘Tem erro na conta, alguém mexeu nessa urna, então eu quero auditoria da urna’. Foram e fizeram a auditoria da urna, e perderam. As urnas estavam perfeitas.

Ainda não tinham desistido e antes de eu tomar posse, entraram no TSE pedindo para que eu não fosse empossada, não tivesse meu diploma de presidente. O que aconteceu? Tornaram a perder. As minhas contas de campanha foram aprovadas.

Aí começou essa história do impeachment. Foram colocando impeachment no Congresso, e lá no Congresso tinham um grande aliado, que era o senhor presidente da câmara, Eduardo Cunha. Esse senhor Eduardo Cunha foi o principal agente na história de desestabilizar o meu governo. Ele levou a frente uma política do ‘quanto pior, melhor’. Como agia? ‘Quanto melhor para a gente, pior para o governo e pior para o povo brasileiro’. Não aprovavam nenhuma das reformas que nós propomos, não aprovavam os necessários aumentos de receita para que a gente pudesse continuar impedindo que a crise se aprofundasse. Eles apostaram sempre contra o povo brasileiro! São responsáveis pelo fato da economia estar passando por uma grave crise, são responsáveis pelo aumento do desemprego.

Então ele quer se ver livre do seu processo de cassação na câmara, que exige do governo que o meu partido, o PT, lhe desse três votos para impedir sua cassação. E como o PT se recusou, ele nos acenou com o impeachment. Aliás, o próprio autor do processo de impeachment, ex-ministro do senhor Fernando Henrique Cardoso, chamou a fala de Eduardo Cunha de ‘chantagem explícita’. É mais que chantagem, é desvio de poder, é usar o seu cargo para garantir a sua impunidade; é isso o que ele fez.

E aí o processo do impeachment teve lugar, e eu repito: do que eles me acusam? Eles não podem me acusar de ter contas no exterior, eu repito, porque eu não tenho; não podem me acusar de corrupção, porque eu não fiz. Então eles chegam ao absurdo de me acusar de algo que eu não participei, mas alegam que eu deveria saber porque eu conversava com as pessoas responsáveis. Chega a esse nível de absurdo!

Estou aqui porque é contra mim? Não. É que, se eles praticam isso contra mim, o que vão praticar contra o povo trabalhador? Contra as pessoas mais anônimas desse pais? Quando você rompe a democracia, você rompe para todos. Nós permitindo o golpe, permitimos que a democracia seja ferida.

Alerto: esse golpe não é só contra a democracia e meu mandato. É também as conquistas dos trabalhadores. E aí vocês me permitam, eu vou ler algumas das notícias e dos textos em que eles falam o que vai mudar no Brasil se por acaso eles chegarem lá. Propõem o fim da política da valorização do salário mínimo, essa política que garantiu 76% de aumento acima da inflação desde o governo no presidente Lula, passando pelo meu. Além disso, essa política que, pela lei que aprovamos logo no início do meu primeiro mandato, tem que durar até 2019, agora querem acabar com ela.

Querem acabar também com o reajuste dos aposentados, desvinculando esse reajuste da política do salário mínimo. Com isso, os aposentados não terão mais reajustes.

Querem transformar a CLT em letra morta. Como eles vão fazer isso? Como é que se faz isso com a CLT? Eles propõem algo que é o seguinte, o negociado pode viger sobre a lei, o negociado pode ser menos que a lei. Nós acreditamos que o negociado pode prevalecer desde que ele seja mais que a lei. Eles querem que seja menos, nós queremos que seja mais.

Prometem e dizem explicitamente: privatizar tudo o que for possível. Esta fala “tudo o que for possível” está escrita. Qual é a primeira vítima dessa lista? O pré-sal, a primeira vítima é o pré-sal.

Além disso, há algo extremamente grave porque nós somos um País que ainda tem muito o que fazer, apesar de todas as conquistas, na área de educação e da saúde, eles querem acabar com a obrigatoriedade do gasto com saúde e educação. E aí sempre que vocês virem uma palavra que às vezes é “vamos focar”, “vamos revistar”, “vamos reolhar” certas políticas sociais, significa “vamos acabar com elas”. Eles estão falando do Pronatec, do Minha Casa, Minha Vida, e temos uma situação em que os programas sociais são olhados como responsáveis pelo desequilíbrio do País. É mentira, o desequilíbrio do pais é a necessária reforma tributária que reforme toda a nossa estrutura que é extremamente regressiva contra os que menos ganham.

Eles falam em acabar com subsídios do Minha Casa, Minha Vida, o pessoal aqui dos movimentos de moradia tem que ter essa consciência, querem acabar com os movimentos.

Agora, das coisas propostas que ocuparam as primeiras páginas do jornal, a mais triste e mais perversa é acabar com uma parte do Bolsa Família. Como eles falam isso? Falam que vão dar bolsa família só para os 5% mais pobres e esses 5% da população brasileira são 10 milhões de pessoas. Sabe quantas milhões recebem hoje o Bolsa? 47 milhões. Serão 36 milhões que serão entregues às livres forças do mercado para se virar. Eles estão afetando não só adulto, porque quem mais se beneficia do Bolsa Família são nossas crianças e nossos adolescentes que têm assegurado o acesso à educação, alimentação e saúde.

Enquanto isso, mesmo eles falando que o governo acabou, eles fazem isso numa tentativa de nos paralisar. Mas não nos paralisam. Enquanto eles fazem isso, o governo está fazendo a sua parte.

Primeiro: eu quero aproveitar o Primeiro de Maio e dizer que nós estamos autorizando o reajuste do Bolsa Família com aumento médio de 9% para as famílias. Quero lembrar que esta proposta não nasceu hoje, ela estava prevista desde quando nós enviamos lá em agosto de 2015 o orçamento para o Congresso. Essa proposta foi aprovada pelo Congresso e diante do quadro atual nós tomamos medidas que garantem o aumento na receita deste ano e nos próximos para viabilizar esse aumento do Bolsa Família. Além disso, nós estamos propondo uma correção da tabela do imposto de renda, sobre a pessoa física, a correção é de 5% a partir do ano que vem.

No Minha Casa, Minha Vida nós vamos contratar mínimos de 25 mil moradias, com os movimentos do campo e da cidade. Vamos criar um conselho entre os trabalhadores, empresários e governo.

Também estamos propondo a ampliação da licença paternidade para os funcionários públicos, para quem temos essa competência, de 20 dias. Com isso nós estamos incentivando os homens desse País a ajudar as mulheres principalmente nessa questão fundamental que é criança nascida nos primeiros dias.

Vamos lançar terça-feira o plano safra da agricultura familiar, vamos garantir recursos tanto para o programa de alimentos como para assistência técnica.

Sintetizando, porque eu já estou falando há muito tempo, nós fizemos uma coisa que é muito importante para 63 milhões de brasileiros, nós prorrogamos o programa Mais Médicos por mais três anos.

E isso porque 70% dos médicos que estão nesse programa, dos mais de 18 mil e 200 médicos, tinham seu contrato vencido agora em agosto e isso prejudicaria milhares e milhões de pessoas. O programa Mais Médicos é justamente um programa contrário ao que eles propõem.

Nós propomos assegurar e manter a assistência nas periferias das grandes cidades, aqui em São Paulo, na periferia, e no estado de São Paulo, que é onde uma parte, a maior parte desse 18 mil médicos estão. Porque não tinha médicos nas regiões mais pobres e mais habitadas no interior também, nas regiões indígenas. Vocês sabem que os índios no Brasil morriam por falta de assistência técnica? Então é muito importante a prorrogação desse programa.

E por isso eu digo para vocês: o golpe é um golpe contra a democracia, contra conquistas sociais, um golpe que é dado também contra investimentos estratégicos do País, como o pré-sal. Quero dizer que o mais grave de tudo o que eles fizeram foi o dia em que o Brasil tivesse combatido a crise econômica e impedido o crescimento do desemprego, porque esse é o objetivo principal de qualquer governo com o trabalhador. Eles vão rasgar e ferir a Constituição, maculando-a.

Eu vou resistir, eu vou resistir! E estou aqui neste Primeiro de Maio porque ele é historicamente uma data, uma luta pela resistência contra a perda de direitos, uma luta a favor de conquistas sociais. E aqui hoje no nosso País é uma luta pela democracia e por todas as conquistas e muito mais conquistas que nós ainda temos que alcançar.

Quero dizer ainda que eu lutei como vocês a minha vida inteira. É verdade que eu fiquei presa durante três anos, é verdade que eu lutei e resisti à ditadura. Mas quero dizer a vocês que a luta agora é muito mais ampla, é uma luta que nós vamos levar em favor de todas as conquistas democráticas da luta contra a ditadura e de todos os ganhos que nós tivemos nos últimos anos com o governo do Lula e do meu, é sobre isso que se trata defender um projeto.

Não é a minha pessoa, o meu mandato, não é de uma pessoa individual, é um mandato que me foi dado por 54 milhões de pessoas que acreditavam em um projeto. Agora esse projeto que eles querem impor ao Brasil não é o vitorioso nas urnas em 2014. Se querem esse projeto, vão às urnas em 2018! Se coloquem sobre o crivo do povo brasileiro. Se forem eleitos, que consigam legitimamente!

Mas na forma como eles querem, sem voto, numa eleição indireta sob o disfarce de impeachment, não passarão!”

[Transcrição: Alessandra Vespa]

Assista ao discurso na íntegra aqui:





Fonte: com informações do site Brasil247, Tijolaço, PT.

A Sereníssima República - Conto de Machado de Assis, 1882


A aranha e seu universo, foto de William Mendes.
Machado usa de forma metafórica
 o universo das aranhas neste conto.

(Publicado originalmente em Gazeta de Notícias, 20 de agosto de 1882 e depois incluído na coletânea Papéis Avulsos no mesmo ano)


A SERENÍSSIMA REPÚBLICA*

(Conferência do cônego Vargas)

(*nota de John Gledson no livro de coletâneas de contos de Machado: "Em nota publicada em Papéis Avulsos, Machado diz que este é o único conto do livro 'em que há um sentido restrito: - as nossas alternativas eleitorais'. Em 9 de janeiro de 1881, havia sido aprovada a Lei Saraiva, que, numa tentativa de sanear o sistema representativo do Império, ao mesmo tempo estabelecia eleições diretas e restringia o eleitorado a 1,5 por cento da população")


Meus senhores,


Antes de comunicar-vos uma descoberta, que reputo de algum lustre para o nosso país, deixai que vos agradeça a prontidão com que acudisses ao meu chamado. Sei que um interesse superior vos trouxe aqui; mas não ignoro também, — e fora ingratidão ignorá-lo, — que um pouco de simpatia pessoal se mistura à vossa legítima curiosidade científica. Oxalá possa eu corresponder a ambas.

Minha descoberta não é recente; data do fim do ano de 1876. Não a divulguei então, — e, a não ser o Globo, interessante diário desta capital, não a divulgaria ainda agora, — por uma razão que achará fácil entrada no vosso espírito. Esta obra de que venho falar-vos, carece de retoques últimos, de verificações e experiências complementares. Mas o Globo noticiou que um sábio inglês descobriu a linguagem fônica dos insetos, e cita o estudo feito com as moscas. Escrevi logo para a Europa e aguardo as respostas com ansiedade. Sendo certo, porém, que pela navegação aérea, invento do padre Bartolomeu, é glorificado o nome estrangeiro, enquanto o do nosso patrício mal se pode dizer lembrado dos seus naturais, determinei evitar a sorte do insigne Voador, vindo a esta tribuna, proclamar alto e bom som, à face do universo, que muito antes daquele sábio, e fora das ilhas britânicas, um modesto naturalista descobriu coisa idêntica, e fez com ela obra superior.

Senhores, vou assombrar-vos, como teria assombrado a Aristóteles, se lhe perguntasse: Credes que se possa dar um regime social às aranhas? Aristóteles responderia negativamente, com vós todos, porque é impossível crer que jamais se chegasse a organizar socialmente esse articulado arisco, solitário, apenas disposto ao trabalho, e dificilmente ao amor. Pois bem, esse impossível fi-lo eu.

Ouço um riso, no meio do sussurro de curiosidade. Senhores, cumpre vencer os preconceitos. A aranha parece-vos inferior, justamente porque não a conheceis. Amais o cão, prezais o gato e a galinha, e não advertis que a aranha não pula nem ladra como o cão, não mia como o gato, não cacareja como a galinha, não zune nem morde como o mosquito, não nos leva o sangue e o sono como a pulga. Todos esses bichos são o modelo acabado da vadiação e do parasitismo. A mesma formiga, tão gabada por certas qualidades boas, dá no nosso açúcar e nas nossas plantações, e funda a sua propriedade roubando a alheia. A aranha, senhores, não nos aflige nem defrauda; apanha as moscas, nossas inimigas, fia, tece, trabalha e morre. Que melhor exemplo de paciência, de ordem, de previsão, de respeito e de humanidade? Quanto aos seus talentos, não há duas opiniões. Desde Plínio até Darwin, os naturalistas do mundo inteiro formam um só coro de admiração em torno desse bichinho, cuja maravilhosa teia a vassoura inconsciente do vosso criado destrói em menos de um minuto. Eu repetiria agora esses juízos, se me sobrasse tempo; a matéria, porém, excede o prazo, sou constrangido a abreviá-la. Tenho-os aqui, não todos, mas quase todos; tenho, entre eles, esta excelente monografia de Büchner, que com tanta sutileza estudou a vida psíquica dos animais. Citando Darwin e Büchner, é claro que me restrinjo à homenagem cabida a dois sábios de primeira ordem, sem de nenhum modo absolver (e as minhas vestes o proclamam) as teorias gratuitas e errôneas do materialismo.

Sim, senhores, descobri uma espécie araneida que dispõe do uso da fala; coligi alguns, depois muitos dos novos articulados, e organizei-os socialmente. O primeiro exemplar dessa aranha maravilhosa apareceu-me no dia 15 de dezembro de 1876. Era tão vasta, tão colorida, dorso rubro, com listras azuis, transversais, tão rápida nos movimentos, e às vezes tão alegre, que de todo me cativou a atenção. No dia seguinte vieram mais três, e as quatro tomaram posse de um recanto de minha chácara. Estudei-as longamente; achei-as admiráveis. Nada, porém, se pode comparar ao pasmo que me causou a descoberta do idioma araneida, uma língua, senhores, nada menos que uma língua rica e variada, com a sua estrutura sintáxica, os seus verbos, conjugações, declinações, casos latinos e formas onomatopaicas, uma língua que estou gramaticando para uso das academias, como o fiz sumariamente para meu próprio uso. E fi-lo, notai bem, vencendo dificuldades aspérrimas com uma paciência extraordinária. Vinte vezes desanimei; mas o amor da ciência dava-me forças para arremeter a um trabalho que, hoje declaro, não chegaria a ser feito duas vezes na vida do mesmo homem.

Guardo para outro recinto a descrição técnica do meu arácnide, e a análise da língua. O objeto desta conferência é, como disse, ressalvar os direitos da ciência brasileira, por meio de um protesto em tempo; e, isto feito, dizer-vos a parte em que reputo a minha obra superior à do sábio de Inglaterra. Devo demonstrá-lo, e para este ponto chamo a vossa atenção.

Dentro de um mês tinha comigo vinte aranhas; no mês seguinte cinquenta e cinco; em março de 1877 contava quatrocentas e noventa. Duas forças serviram principalmente à empresa de as congregar: — o emprego da língua delas, desde que pude discerni-la um pouco, e o sentimento de terror que lhes infundi. A minha estatura, as vestes talares, o uso do mesmo idioma, fizeram-lhes crer que era eu o deus das aranhas, e desde então adoraram-me. E vede o benefício desta ilusão. Como as acompanhasse com muita atenção e miudeza, lançando em um livro as observações que fazia, cuidaram que o livro era o registro dos seus pecados, e fortaleceram-se ainda mais na prática das virtudes. A flauta também foi um grande auxiliar. Como sabeis, ou deveis saber, elas são doidas por música.

Não bastava associá-las; era preciso, dar-lhes um governo idôneo. Hesitei na escolha; muitos dos atuais pareciam-me bons, alguns excelentes, mas todos tinham contra si o existirem. Explico-me. Uma forma vigente de governo ficava exposta a comparações que poderiam amesquinhá-la. Era-me preciso, ou achar uma forma nova, ou restaurar alguma outra abandonada. Naturalmente adotei o segundo alvitre, e nada me pareceu mais acertado do que uma república, à maneira de Veneza, o mesmo molde, e até o mesmo epíteto. Obsoleto, sem nenhuma analogia, em suas feições gerais, com qualquer outro governo vivo, cabia-lhe ainda a vantagem de um mecanismo complicado, — o que era meter à prova as aptidões políticas da jovem sociedade.

Outro motivo determinou a minha escolha. Entre os diferentes modos eleitorais da antiga Veneza, figurava o do saco e bolas, iniciação dos filhos da nobreza no serviço do Estado. Metiam-se as bolas com os nomes dos candidatos no saco, e extraía-se anualmente um certo número, ficando os eleitos desde logo aptos para as carreiras públicas. Este sistema fará rir aos doutores do sufrágio; a mim não. Ele exclui os desvarios da paixão, os desazos da inépcia, o congresso da corrupção e da cobiça. Mas não foi só por isso que o aceitei; tratando-se de um povo tão exímio na fiação de suas teias, o uso do saco eleitoral era de fácil adaptação, quase uma planta indígena.

A proposta foi aceita. Sereníssima República pareceu-lhes um título magnífico, roçagante, expansivo, próprio a engrandecer a obra popular.

Não direi, senhores, que a obra chegou à perfeição, nem que lá chegue tão cedo. Os meus pupilos não são os solários de Campanela ou os utopistas de Morus; formam um povo recente, que não pode trepar de um salto ao cume das nações seculares. Nem o tempo é operário que ceda a outro a lima ou o alvião; ele fará mais e melhor do que as teorias do papel, válidas no papel e mancas na prática. O que posso afirmar-vos é que, não obstante as incertezas da idade, eles caminham, dispondo de algumas virtudes, que presumo essenciais à duração de um Estado. Uma delas, como já disse, é a perseverança, uma longa paciência de Penélope, segundo vou mostrar-vos.

Com efeito, desde que compreenderam que no ato eleitoral estava a base da vida pública, trataram de o exercer com a maior atenção. O fabrico do saco foi uma obra nacional. Era um saco de cinco polegadas de altura e três de largura, tecido com os melhores fios, obra sólida e espessa. Para compô-lo foram aclamadas dez damas principais, que receberam o título de mães da república, além de outros privilégios e foros. Uma obra-prima, podeis crê-lo. O processo eleitoral é simples. As bolas recebem os nomes dos candidatos, que provarem certas condições, e são escritas por um oficial público, denominado "das inscrições". No dia da eleição, as bolas são metidas no saco e tiradas pelo oficial das extrações, até perfazer o número dos elegendos. Isto que era um simples processo inicial na antiga Veneza, serve aqui ao provimento de todos os cargos.

A eleição fez-se a princípio com muita regularidade; mas, logo depois, um dos legisladores declarou que ela fora viciada, por terem entrado no saco duas bolas com o nome do mesmo candidato. A assembleia verificou a exatidão da denúncia, e decretou que o saco, até ali de três polegadas de largura, tivesse agora duas; limitando-se a capacidade do saco, restringia-se o espaço à fraude, era o mesmo que suprimi-la.

Aconteceu, porém, que na eleição seguinte, um candidato deixou de ser inscrito na competente bola, não se sabe se por descuido ou intenção do oficial público. Este declarou que não se lembrava de ter visto o ilustre candidato, mas acrescentou nobremente que não era impossível que ele lhe tivesse dado o nome; neste caso não houve exclusão, mas distração. A assembleia, diante de um fenômeno psicológico inelutável, como é a distração, não pôde castigar o oficial; mas, considerando que a estreiteza do saco podia dar lugar a exclusões odiosas, revogou a lei anterior e restaurou as três polegadas.

Nesse ínterim, senhores, faleceu o primeiro magistrado, e três cidadãos apresentaram-se candidatos ao posto, mas só dois importantes, Hazeroth e Magog, os próprios chefes do partido retilíneo e do partido curvilíneo. Devo explicar-vos estas denominações. Como eles são principalmente geômetras, é a geometria que os divide em política. Uns entendem que a aranha deve fazer as teias com fios retos, é o partido retilíneo; — outros pensam, ao contrário, que as teias devem ser trabalhadas com fios curvos, — é o partido curvilíneo. Há ainda um terceiro partido, misto e central, com este postulado: — as teias devem ser urdidas de fios retos e fios curvos; é o partido reto-curvilíneo; e finalmente, uma quarta divisão política, o partido anti-retocurvilíneo, que fez tábua rasa de todos os princípios litigantes, e propõe o uso de umas teias urdidas de ar, obra transparente e leve, em que não há linhas de espécie alguma. Como a geometria apenas poderia dividi-los, sem chegar a apaixoná-los, adotaram uma simbólica. Para uns, a linha reta exprime os bons sentimentos, a justiça, a probidade, a inteireza, a constância etc., ao passo que os sentimentos ruins ou inferiores, como a bajulação, a fraude, a deslealdade, a perfídia, são perfeitamente curvos. Os adversários respondem que não, que a linha curva é a da virtude e do saber, porque é a expressão da modéstia e da humildade; ao contrário, a ignorância, a presunção, a toleima, a parlapatice, são retas, duramente retas. O terceiro partido, menos anguloso, menos exclusivista, desbastou a exageração de uns e outros, combinou os contrastes, e proclamou a simultaneidade das linhas como a exata cópia do mundo físico e moral. O quarto limita-se a negar tudo.

Nem Hazeroth nem Magog foram eleitos. As suas bolas saíram do saco, é verdade, mas foram inutilizadas, a do primeiro por faltar a primeira letra do nome, a do segundo por lhe faltar a última. O nome restante e triunfante era o de um argentário ambicioso, político obscuro, que subiu logo à poltrona ducal, com espanto geral da república. Mas os vencidos não se contentaram de dormir sobre os louros do vencedor; requereram uma devassa. A devassa mostrou que o oficial das inscrições intencionalmente viciara a ortografia de seus nomes. O oficial confessou o defeito e a intenção; mas explicou-os dizendo que se tratava de uma simples elipse; delito, se o era, puramente literário. Não sendo possível perseguir ninguém por defeitos de ortografia ou figuras de retórica, pareceu acertado rever a lei. Nesse mesmo dia ficou decretado que o saco seria feito de um tecido de malhas, através das quais as bolas pudessem ser lidas pelo público, e, ipso facto, pelos mesmos candidatos, que assim teriam tempo de corrigir as inscrições.

Infelizmente, senhores, o comentário da lei é a eterna malícia. A mesma porta aberta à lealdade serviu à astúcia de um certo Nabiga, que se conchavou com o oficial das extrações, para haver um lugar na assembleia. A vaga era uma, os candidatos três; o oficial extraiu as bolas com os olhos no cúmplice, que só deixou de abanar negativamente a cabeça, quando a bola pegada foi a sua. Não era preciso mais para condenar a ideia das malhas. A assembleia, com exemplar paciência, restaurou o tecido espesso do regime anterior; mas, para evitar outras elipses, decretou a validação das bolas cuja inscrição estivesse incorreta, uma vez que cinco pessoas jurassem ser o nome inscrito o próprio nome do candidato.

Este novo estatuto deu lugar a um caso novo e imprevisto, como ides ver. Tratou-se de eleger um coletor de espórtulas, funcionário encarregado de cobrar as rendas públicas, sob a forma de espórtulas voluntárias. Eram candidatos, entre outros, um certo Caneca e um certo Nebraska. A bola extraída foi a de Nebraska. Estava errada, é certo, por lhe faltar a última letra; mas, cinco testemunhas juraram, nos termos da lei, que o eleito era o próprio e único Nebraska da república. Tudo parecia findo, quando o candidato Caneca requereu provar que a bola extraída não trazia o nome de Nebraska, mas o dele. O juiz de paz deferiu ao peticionário. Veio então um grande filólogo, — talvez o primeiro da república, além de bom metafísico, e não vulgar matemático, — o qual provou a coisa nestes termos:

— Em primeiro lugar, disse ele, deveis notar que não é fortuita a ausência da última letra do nome Nebraska. Por que motivo foi ele inscrito incompletamente? Não se pode dizer que por fadiga ou amor da brevidade, pois só falta a última letra, um simples a. Carência de espaço? Também não; vede: há ainda espaço para duas ou três sílabas. Logo, a falta é intencional, e a intenção não pode ser outra, senão chamar a atenção do leitor para a letra k, última escrita, desamparada, solteira, sem sentido. Ora, por um efeito mental, que nenhuma lei destruiu, a letra reproduz-se no cérebro de dois modos, a forma gráfica e a forma sônica: k e ca. O defeito, pois, no nome escrito, chamando os olhos para a letra final, incrusta desde logo no cérebro, esta primeira sílaba: Ca. Isto posto, o movimento natural do espírito é ler o nome todo; volta-se ao princípio, à inicial ne, do nome Nebrask. — Cané. — Resta a sílaba do meio, bras, cuja redução a esta outra sílaba ca, última do nome Caneca, é a coisa mais demonstrável do mundo. E, todavia, não a demonstrarei, visto faltar-vos o preparo necessário ao entendimento da significação espiritual ou filosófica da sílaba, suas origens e efeitos, fases, modificações, consequências lógicas e sintáxicas, dedutivas ou indutivas, simbólicas e outras. Mas, suposta a demonstração, aí fica a última prova, evidente, clara, da minha afirmação primeira pela anexação da sílaba ca às duas Cane, dando este nome Caneca.

A lei emendou-se, senhores, ficando abolida a faculdade da prova testemunhal e interpretativa dos textos, e introduzindo-se uma inovação, o corte simultâneo de meia polegada na altura e outra meia na largura do saco. Esta emenda não evitou um pequeno abuso na eleição dos alcaides, e o saco foi restituído às dimensões primitivas, dando-se-lhe, todavia, a forma triangular. Compreendeis que esta forma trazia consigo, uma consequência: ficavam muitas bolas no fundo. Daí a mudança para a forma cilíndrica; mais tarde deu-se-lhe o aspecto de uma ampulheta, cujo inconveniente se reconheceu ser igual ao triângulo, e então adotou-se a forma de um crescente etc. Muitos abusos, descuidos e lacunas tendem a desaparecer, e o restante terá igual destino, não inteiramente, decerto, pois a perfeição não é deste mundo, mas na medida e nos termos do conselho de um dos mais circunspectos cidadãos da minha república, Erasmus, cujo último discurso sinto não poder dar-vos integralmente. Encarregado de notificar a última resolução legislativa às dez damas incumbidas de urdir o saco eleitoral, Erasmus contou-lhes a fábula de Penélope, que fazia e desfazia a famosa teia, à espera do esposo Ulisses.

— Vós sois a Penélope da nossa república, disse ele ao terminar; tendes a mesma castidade, paciência e talentos. Refazei o saco, amigas minhas, refazei o saco, até que Ulisses, cansado de dar às pernas, venha tomar entre nós o lugar que lhe cabe. Ulisses é a Sapiência.

FIM


COMENTÁRIO BREVÍSSIMO

Lendo o conto hoje, planeta Terra, Brasil, 1º de maio de 2016, com um Golpe de Estado sendo aplicado em nossa sereníssima república (que provou ser de bananas), golpe aplicado por um bando de ladrões e contra uma presidenta eleita com 54,5 milhões de votos em outubro de 2014 e sem crime algum, só posso pegar esse conto metafórico e aplicá-lo hoje.

De fato, a eleição foi ganha pelos derrotados - tucanagem aeciana e asseclas, marinhos e p.i.g.uistas, tecnocratas e juristas que reimplantam nestes dias de votações no Congresso Nacional o voto censitário na república brasilnanas.

Caralho! Nos quatro partidos do conto machadiano temos tipos como o PT, o PSDB, o PMDB e tem até os partidos a la PSTU, que negam tudo.

Que merda de vida, de mundo! (eu não tenho que rodear para usar o linguajar de Osasco ao invés do linguajar do Bruxo do Cosme Velho).

Os sublinhados no texto são meus, para chamar a atenção àquelas passagens.

William
Cidadão da república de bananas brasilnanas

sábado, 30 de abril de 2016

Diário - 300416 (Desabafo)





Acabou o mês de abril de 2016.

Este mês ficará marcado na história de meu país. Quer dizer, pode ser que fique na história ou não, porque "quem controla o presente, controla o passado", como diz George Orwell no totalitário "1984".

Fiquei em casa prostrado neste sábado pelo cansaço do trabalho da semana. Não consegui ler porque cochilava na segunda página. Não consegui fazer exercício físico nenhum também pelo cansaço. Não suportei ver nada na TV porque é quase tudo do Grande Irmão e já mudaram a pauta manipuladora de acordo com a fase do Golpe de Estado aplicado dia 17 de abril numa sessão escatológica do fim da "democracia representativa" no Congresso Nacional. Hoje, nosso país é sinônimo do ridículo perante o mundo. Um sindicato de bandidos está instalado na câmara de representação do povo e os corruptos iniciaram a cassação do mandato da presidenta Dilma Rousseff (PT) sem crime algum.

Minha decepção desde o fatídico dia 17 de abril é tão grande porque tive a expectativa de que o povo reagiria imediatamente e com intensidade daquele momento em diante. Vão me dizer que há movimentos reagindo. Sério mesmo? Talvez tenha lá nas ruas de Honduras e do Paraguai alguns movimentos "reagindo" até hoje... (e o bonde já passou).

Estou de saco cheio de todo mundo saber que é golpe, prêmio Nobel da Paz fulano de tal, liderança internacional ciclano de tal, instituições não sei o quê, o papa argentino bonzinho, os intelectuais, blá blá blá. Todo mundo sabe que é golpe, mas está em andamento...

Enquanto isso, a pauta das teletelas do Grande Irmão Globo/P.I.G. já está em outra onda. As fases dos golpes atuais, midiático-jurídico-parlamentares, têm procedimentos com etapas cartesianas. As operações safadas montadas pelos meios de comunicação com juízes e procuradores mancomunados com o golpe já atuaram parando a economia do país, desacreditando o governo e criando ódio contra ele, e quebrando setores inteiros da indústria brasileira. A discussão da pauta plantada na "normalidade" das teletelas é o governo Temer e Cunha: os ministros, o que privatiza, o que corta de direitos trabalhistas e sociais em nome da volta do crescimento.

E o desemprego que era cerca de 5% em 2014 e eles conseguiram foder o país e a economia e agora é de 10%? Para esses golpistas desgraçados, danem-se os trabalhadores que sofrem na pele com a destruição do país causada só para não deixar a presidenta eleita e o partido dela governarem.

Eu tô de saco cheio desta merda toda!

Todo mundo sabe que o Senado vai votar o afastamento da presidenta sem crime na próxima semana. Aí os derrotados, nós, ficamos inventando alternativas tipo, novas eleições (então o Golpe deu certo!); o Temer não vai ter sossego (então o Golpe deu certo!); vão tentar afastar o ladrão presidente do Congresso porque esse novo vice-presidente é sujinho demais (então o Golpe deu certo!); Dilma e Lula vão fazer um governo paralelo (então o Golpe deu certo!); vão implantar o parlamentarismo no Brasil (então o Golpe deu certo!).

Odeio me sentir um banana e representar pro mundo sermos um povo de bananas.

Eu não vou amanhã nas mobilizações do 1º de maio. Não vou! Não vou porque estou prostrado em minha casa (nem é minha casa, estou de passagem em Brasília dando minha vida em um mandato eletivo de 4 anos).

Completei neste abril 47 anos de idade. Vi e vivi a infância e adolescência no Brasil em estado de exceção, em ditadura civil militar onde os desgraçados da Fiesp, da família Marinho, Frias, Civita, Mesquita e todos os salafrários do mesmo golpe perpetrado por eles mais os militares e o governo americano, tudo junto e misturado em 1964, esses mesmos desgraçados daquele golpe que nos fodeu durante todos os anos 60, 70 e 80, pasmem, são os mesmos de hoje que armaram e efetivaram o Golpe deste abril de 2016.

Depois de viver aqueles anos 80 desgraçados como subproletário, subgente sem emprego de carteira assinada, fazendo o que os da elite desse pra gente fazer e pelo que eles quisessem pagar, depois dos 80 vieram os 90. Os fernandos (Collor e Cardoso). Esse FHC filho de uma mãe, que fez dezenas de colegas meus do BB se suicidarem entre os anos de 1995 a 1999. Caralho, o FHC e os tucanos de merda são os mesmos caras que vi foderem o meu país duas décadas atrás! Dá pra acreditar que eles estão de novo por trás da porra toda?

Completei 23 meses de mandato eletivo na empresa de saúde que administro. Minha vida talvez tenha mudado mais (ou sentido mais os efeitos) nesses 23 meses que nos 12 ou 13 anos que passei nas lutas sindicais.

Não vou ao 1º de maio porque estou cansado. Porque os finais de semana não estão sendo suficientes para eu me recuperar integralmente para a batalha de 3 jornadas diárias pela entidade que sou responsável e pela defesa dos direitos dos associados que represento. E olha que tem setores ou algumas pessoas deste mesmo mundo em que atuo que são hipócritas, gente mau caráter, pessoas que não têm o mínimo respeito por um trabalho sério e dedicado, tem alguns seres que dedicam parte de seu tempo a fazerem maledicências e ilações a nosso respeito, dizem que a gente só trabalha 4 dias por mês ou que trabalhamos pouco.

Eu não faço outra coisa da minha vida nestes últimos 23 meses completados neste abril que não seja pensar as melhores estratégias (no plano intelectual) e estar no máximo de lugares possíveis deste país continental levando para milhares de associados e suas representações as informações necessárias sobre o que é, como funciona, quais problemas tem e as possíveis soluções em relação a entidade de saúde de autogestão que administro junto com outros indicados pelo patrão e eleitos como eu mesmo.

Neste mês de abril completei 47 anos de idade e 35 anos de trabalho não comprovados para a Previdência Social porque subproletário trabalha parte da vida sem carteira assinada, e nesta longa jornada a partir da meninez, como mostra minha carteira de trabalho tirada em 1982 com aquela carinha de pirralho de 12 anos, muita coisa já vi nesta vida.

Nunca se imagina na vida que aos 47 anos iríamos vivenciar tudo o que o nosso país está atravessando com a volta ao poder daquele mesmo segmento social das elites brancas corruptas, com nojo de povo, não se prevê facilmente que eles voltariam a dar a linha décadas depois. Apesar de ser sempre a tendência mais lógica no mundo capitalista.

Eu só fico me perguntando, e me revolto por isso, como pode os Irmãos Marinho ainda estarem dando as cartas 50 anos depois do golpe de 64 e mandando no país de 200 milhões de animais mamíferos "com telencéfalo altamente desenvolvido e polegar opositor (Ilha das Flores)? Como pode os mesmos Civita, Mesquita (há mais de um século), os empresários da Fiesp, os mesmos banqueiros estarem dando as cartas em 2016 e nenhuma reação popular ou progressista foi capaz de demovê-los? Como pode?

Aos meus 47 anos de idade, tendo 35 anos de trabalho como subproletário e proletário, eu aprendi a ser um sobrevivente, um lutador, ser o mais radical possível numa vida humana em cumprir os compromissos assumidos em sociedade e mantendo minha ética e meu caráter. Eu estive cumprindo, estou e vou cumprir até a última gota de sangue nas veias, meus compromissos com a entidade que me colocaram gestor, com os associados e com os funcionários da entidade.

E peço perdão aos meus entes queridos por todas as mazelas que reverberam neles como consequência do cumprimento de minhas tarefas sociais assumidas.

Na segunda, estarei pronto para as 3 jornadas diárias em defesa de meus compromissos como gestor eleito em entidade de saúde dos trabalhadores. Mas neste domingo 1º de maio, seguirei prostrado em casa.

William

quinta-feira, 28 de abril de 2016

Diário - 280416


E essas flores? Após ver o programa
que abordou a vida e obra do escritor
Luis Sepúlveda, ficou em mim a questão
do exílio e lembrei dessas flores de
minha Osasco querida!

Estamos em Maceió, Alagoas. Final de noite.

Estou em um quarto de hotel após um dia de trabalho muito positivo em busca do fortalecimento de nossa Caixa de Assistência dos Funcionários do Banco do Brasil, onde sou gestor eleito pelos bancários. Estivemos minha equipe da Cassi Alagoas e eu em reunião com as lideranças do Banco aqui no Estado e com as lideranças do Sindicato. Fizemos diversos acordos de parcerias para fortalecer o modelo assistencial e a própria Cassi. Fiquei feliz pela reunião.

Quem disse que eu pude descansar ao chegar ao hotel? Minha natureza me impulsionou a sentar no computador e trabalhar. Fiz liberações de documentos, algumas leituras obrigatórias e escrevi, escrevi e escrevi.

Para distrair um pouco, liguei a TV (calma, pessoal, não foi no P.I.G. e lixos golpistas do gênero). Coloquei em um canal de cultura e vi três programas.

Foi encantador ver um programa sobre Mário de Andrade e a maravilhosa obra Macunaíma, obra que sou apaixonado.

Depois vi e me emocionei com um programa falando do escritor Luis Sepúlveda. Minha nossa! Como pode minha ignorância? Eu não o conhecia e fiquei louco para comprar suas obras e ler tanto elas quanto ler a respeito da vida do homem que esteve com Allende até o último instante naquele 11 de setembro fatídico. Ele próprio no programa falou muito sobre o tema Exílio. Lembrei de uma matéria que fiz na USP sobre exílio e literatura.

Mas hoje não posso nada a respeito de leituras e literaturas... sou todo Cassi.

Enfim, vamos dormir. Mas ao menos escrevi muito hoje.

William Mendes

quarta-feira, 27 de abril de 2016

Diário - 270416


Final de dia de fortes emoções e pressão alta na Cassi.

Medi minha pressão arterial ao chegar em casa agora à noite. O aparelho acusou 141 x 101 mm/Hg. É uma pressão bastante alta. E eu já estou tomando remédio diariamente faz mais de 45 dias. É uma tristeza saber que você virou um hipertenso.

Fui ler novamente a respeito de possíveis causas e as graves consequências da pressão alta. É foda! Eu não sou gordo, aliás, emagreci quase 4 kg nos últimos meses. Não exagero no sal. Estou comendo comidas mais apropriadas. E o principal: estou correndo feito um louco para combater o estresse e a hipertensão. Nada está adiantando.

Acredito que a causa da pressão alta seja meu trabalho; é o que faço, como faço e o significado de tudo que insisto em fazer. Ou seja, difícil será alcançar a cura ou a estabilidade para esse mal que me acometeu de certo tempo pra cá. Se parar para pensar nos meus rins, cérebro, visão, coração e artérias, vou deprimir.

Saí para correr imediatamente na noite candanga fria (17º) e corri 5k em 31'. Não adianta aumentar o percurso e o esforço porque já estou correndo umas dez vezes por mês, estou batendo no limite do meu sistema muscular atual. Mas se não corresse poderia ser bem pior.


Reflexões nesta corrida e durante a tarde de hoje na Cassi

Não consegui parar de pensar nos acontecimentos do dia nem durante a corrida noturna. Acontecimentos atuais, conjunturais, dos meus espaços sociais e do meu mundo.

O que me move é minha ética, meus compromissos, meus valores. Eu cago pra dinheiro. Eu cago pra poder. Cago pra bem material. Não ligo pra carro, roupa, aparência de moda. Fiz ao longo da vida algumas vítimas por isso, porque as pessoas de nossa vivência não são obrigadas a pensar como nós e nem sofrer as consequências de nossa forma de viver.

Mesmo sem me oferecer, me peguei sendo pessoa pública e já sou há um bom tempo representante de pessoas. Por meus princípios, acabei definindo um estilo de representação por entender ser o correto: ser transparente, estar sempre na base que represento e pensar os projetos coletivos em que estou inserido ao invés de pensar em mim mesmo.

A mesma ética que tive nos movimentos estudantis que participei e liderei, trouxe para o movimento sindical quando cheguei eleito em 2002 no Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e região. Eu tinha acabado de participar e ser um dos organizadores da maior greve que a FFLCH/USP tinha vivido (2002): foram 104 dias de greve com a conquista de 99 professores novos para os onze cursos. Eu era da Faculdade de Letras.

Quando cheguei ao movimento sindical bancário, entrei num mundo gigante, importante, com tudo que há de bom e ruim nos seres humanos. Um movimento que enfrenta os patrões, no nosso caso, os banqueiros, os poderosos banqueiros. Um movimento que contrata direitos e interfere na vida real de milhares de trabalhadores.

Eu tenho uma característica que algumas pessoas próximas sempre me disseram. Eu sou oito ou oitenta. Quando entro em alguma coisa, uma tarefa, uma missão, entre de cabeça. Foi assim no movimento dos bancários. Com poucos meses de liberado do Banco do Brasil para a atividade sindical (05/08/2002), eu já passava o dia todo em função dos bancários e do Sindicato. Faço com paixão o que tenho que fazer.

Uma coisa que defini para mim logo que comecei como sindicalista, ao ver os grandes oradores das correntes políticas, foi que eu queria ser um bom orador. Mas defini outra coisa naquele momento de início de movimento sindical. Vi bons oradores que me encantaram e vi bons oradores que me enojaram.

Passei a estudar na Letras ao mesmo tempo que virei sindicalista e fui entender as várias técnicas do discurso, da oratória, da retórica, fui ler os sofistas etc. Eu via companheiros novos de movimento que "pagavam pau" para oradores de outras correntes além da qual participávamos. Mas esses oradores mentiam para os bancários. Omitiam informações totais e usavam fragmentos para inflamar a massa. Manipulavam meus colegas bancários.

Eu jurei pra mim desde 2002 que jamais seria como aqueles oradores manipuladores. Me esforcei para ser um orador que dialogasse com meus colegas, mas passei uma vida sindical não dizendo só aquilo que os colegas queriam ouvir, as facilidades e modismos ou tendências da época. Os lugares-comuns. Aliás, comprei muita briga interna no movimento bancário e na tendência em que militei porque não fui de falar amém e não pactuei com discursos fáceis ou centralistas.

Eu acho que vou falar e escrever muito neste espaço que criei de blogs nos próximos dois anos. Eu estou vivendo num mundo em crise, sem lideranças com capacidade de construir pontes ou que tenha grande representação. Estamos no momento da super fragmentação. Na incomunicabilidade. As crises trazem isso. Estamos num mundo sem interlocução entre os lados.

Hoje foi o primeiro dia de muitos que virão (provavelmente), em que o lado dos indicados do Banco do Brasil aprovou deliberações em disputa com eleitos por 5 x 3 no órgão máximo de decisão interna da entidade de saúde que participo como um dos gestores eleitos pelos associados. Os próximos dois anos prometem... mas eu vou definir uma forma de atuar em relação a isso. Vou definir a forma de falar aos 31.545 associados que votaram em mim para representá-los na gestão da entidade de saúde deles/nossa.

Eu consegui resistir fisicamente à 12 anos de representação no movimento sindical. Quase todo mundo do movimento sabe o quanto minha dedicação foi grande e de longas jornadas. Mas havia durante os meses os chamados picos e vales, ou seja, alguns dias mais amenos nas tarefas e outros mais estressantes. Na Cassi, desde o dia que cheguei em junho de 2014 não tive picos e vales no mandato, cheguei em meio a crises, estou em meio a crises. Eu juro pros poucos que me leram aqui. E continuo não tendo picos e vales. E sei que não terei picos e vales até o final de minha missão.

Eu sei disso. E tenho que aceitar isso.

Aceito. É minha missão.

Mas eu carrego hoje todos aqueles valores e princípios que citei aqui. Estamos vivendo a época da mentira, da manipulação, do fim da ética e caráter. Eu não vou vergar a favor desse modismo.

William