quinta-feira, 30 de novembro de 2017
Diário e reflexões - 301117 (Alguns números de um mês de lutas)
Refeição Cultural
Novembro - Números da agenda de lutas de um cidadão brasileiro, bancário, gestor eleito de saúde, pai de família, blogueiro, militante social por um mundo mais justo e solidário, sem exploração de alguns humanos sobre todos os outros bilhões de humanos.
Hoje termina o mês de novembro de 2017. Hoje completo 3 anos e meio de mandato como Diretor de Saúde da Caixa de Assistência dos Funcionários do Banco do Brasil, eleito pelos trabalhadores associados.
Tenho revisado minhas postagens nos blogs e com isso vejo nosso percurso de trabalho desde 2014 - foi o mais intenso de minha vida! Basta olhar os números deste mês e dá para se ter uma ideia do quanto nossa missão foi intensa e focada em nossas tarefas. Mas não podia ser de outro jeito.
Neste mês, meus compromissos de trabalho e representação como gestor da área de saúde da Cassi me levaram a algumas bases sociais.
Fui a Londrina (PR) e tive reuniões com os funcionários, com os participantes associados e com as lideranças do Sindicato. Fui ao Rio de Janeiro e conversamos com os funcionários da Cassi e os participantes de nossa autogestão. Em São Paulo capital idem, estivemos com centenas de associados da Cassi e almocei com a equipe de gestores da Unidade.
Voltei ao Paraná, desta vez em Curitiba, para dois dias de agenda de gestão e Conferência de Saúde, assim como as Conferências de SP e RJ.
Fui a São Paulo mais duas vezes, para eventos que debateram a nossa Cassi. Na capital, estive na Fetec SP reunido com representantes de sindicados do Estado (a convite das entidades). Fui a Ribeirão Preto para conversar com associados e participantes da Cassi, a convite das entidades de aposentados e associações.
Ontem, me reuni com os conselheiros de usuários da Cassi DF.
Ou seja, neste mês, tive o privilégio de prestar contas, tirar dúvidas, ouvir lideranças e associados de capitais e interiores de várias Unidades da Federação - SP, RJ, PR, DF.
Teve semana em que dormi menos de 20 horas, entre segunda e sexta.
Na parte de prestação de contas, informação, formação e comunicação, fizemos 10 matérias no Blog Categoria Bancária (acessar AQUI), o boletim do mês Prestando Contas Cassi (ler AQUI) e estou fechando novembro com 6 textos neste Blog.
Além dessa forma de fazer o mandato de representação, com presença na base social e prestando contas o tempo todo, tenho uma agenda pesada na rotina da governança.
Em novembro, tivemos 4 reuniões de Diretoria Executiva, onde estudamos e apreciamos 101 documentos técnicos com centenas de páginas e anexos. Tivemos oficina de trabalho da direção da Cassi com a consultoria contratada após o Acordo entre BB e entidades representativas do funcionalismo. E estamos com encontros de capacitação de gestores das unidades Cassi dos Estados e DF.
Eu juro pra vocês que essa agenda de novembro representa exatamente o que eu fiz ao longo desses 3 anos e meio. É só ler nas postagens dos dois blogs que mantenho.
E o cidadão?
Bom, como eu havia refletido no início do segundo semestre, não foi possível ler literatura e livros neste período, como havia feito no semestre anterior. Só alguns capítulos de alguns livros. O tempo livre que tinha em finais de semana estou usando para trabalhar nos blogs e reforçar a nossa memória das lutas vividas.
O saldo do afago familiar possível foi ter visto em novembro meus pais e familiares de Uberlândia em um fim de semana. Também só vi meu filho em um fim de semana. Vi minha esposa menos da metade do mês.
Para compensar e manter algo junto com meu filho querido, que estuda em outro Estado (SP), estamos assistindo juntos um anime (Naruto) em algumas noites e dias da semana. Enquanto eu e esposa conhecemos a saga do garoto ninja, meu filho mata saudades da infância. Chegamos a assistir um episódio eu num hotel (PR), ele na cidade que estuda e minha esposa em Brasília. Mas dessa forma (distantes) já vimos 31 episódios. Não basta ser pai, tem que participar...
Por fim, neste mês de novembro completaram 3 anos que voltei a correr com regularidade. Lá em novembro de 2014 vi que se não voltasse para as corridas, eu teria sérias consequências em minha saúde e na minha vida estressada e de lutas (ler postagem AQUI).
Ao correr hoje, completei 50k em 10 corridas no mês. Sei que isso é fundamental para salvar a minha vida e ter energia para suportar tudo que enfrento em um mês de lutas. Me virei pra correr:
6k no Eixão (dia 2), 4k DF (dia 4), 7k no Eixão (5), 7,5k na AABB SP (12), 2k no Pq. Continental SP (13), 2k e pedal no Eixão (15), 4k DF (17), 6k no Eixão (19), 8k no Pq. do Sabiá MG (26) e 4k DF (30).
O mundo está desabando para a classe trabalhadora à qual pertenço e represento após o Golpe de Estado em nosso querido Brasil. Mas desistir não é uma opção, por mais triste que estejamos ao longo de nossa jornada e existência.
Estou firme nas lutas!
William
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terça-feira, 28 de novembro de 2017
Artigo - Desastre anunciado, por Mino Carta
Apresentação do Blog:
Olá prezad@s leitores amigos.
Sou um admirador do jornalista Mino Carta, um dos grandes intelectuais da atualidade. Tenho a mesma leitura que ele em relação ao cenário colocado para nós quando se pensa perspectivas de futuro a partir do momento atual, da tragédia vivida por nós com mais este golpe de Estado no Brasil.
A pergunta que martela em meus miolos é a de sempre: por que o povo não reage, já que são suas vidas mesmas que são atingidas até a morte com as consequências dos abusos da casa-grande, o 1% que fode os 99%, por quê?
Boa leitura, William
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| Diante desta imagem, o leitor tire suas conclusões. Foto: Ricardo Stuckert. |
Com as quadrilhas no poder é impossível negociar, e peço perdão pela obviedade. Outra é a seguinte: não há saída afora um protesto popular maciço e destemido, como, em situações similares, se deu em outros países. Dói-me pronunciar a terceira obviedade: não há como esperar pela revolta do povo espezinhado no país da casa-grande e da senzala.
Creio firmemente que, de volta à Presidência, Lula saberia recolocar o País na rota certa. Está muito além de claro, contudo, que o objetivo principal do golpe de 2016 é alijar o ex-presidente da próxima etapa eleitoral.
A considerar o livre trânsito dos golpistas de exceção em exceção, não consigo imaginar que o tribunal de segunda instância de Porto Alegre deixe de confirmar a condenação da Corte do Santo Ofício de Curitiba.
De todo modo, das duas uma: ou as quadrilhas, nas quais incluo a mídia nativa e seus barões, encontram uma solução “legal” pelo retoque fatal da Constituição, de sorte a permitir a eleição que lhes convém, ou não haverá o pleito de 2018. Em um caso ou no outro, será golpe dentro do golpe. Temo ter deitado no papel a quarta obviedade.
Confesso excluir a possibilidade de que, mesmo neste momento, o povo lesado se disponha a reagir. Às vezes, ocorre-me pensar que o próprio Lula duvida, a despeito da sua extraordinária capacidade de dirigir-se aos desvalidos, à maioria humilhada e ofendida.
Ele sabe, tenho certeza, que uma coisa é convocar a massa para o voto, ou para uma festa sem riscos (e a massa é muito festeira), e outra é chamá-la ao confronto. Três séculos e meio de escravidão pesam na balança, mesmo porque a casa-grande e a senzala continuam de pé.
Os donos da mansão senhorial mudaram com o tempo, dos latifundiários à corporação financeira, a passar sempre pelo estamento burocrático, mas foram constantes e eficazes ao se manterem no poder, graças também à chibata que o povo teme até hoje. Faltou a reação capaz de ameaçá-los e manchar de sangue as calçadas. Ao sinal do mais tênue risco, deu-se o golpe de Estado, pontual e inexorável.
A nossa trajetória histórica explica. Não houve uma guerra de independência salutar, por mais sangrenta, na formação de muitas nações mundo afora. A nossa resultou de uma briga interna na Corte portuguesa e o povo não percebeu ter deixado de habitar uma colônia.
Nossos heróis não se confundem com os pais fundadores dos Estados Unidos, ou com nobres e desassombradas figuras latino-americanas, como San Martín, Bolívar, O’Higgins. Nas nossas praças galopa em bronze o Duque de Caxias, comandante do genocídio paraguaio no século XIX.
Os golpes por aqui acontecem sem conflito. A Argentina condenou torturadores e seus mandantes, nós perdoamos, a ponto de termos viadutos e galerias com o nome de alguns deles, sem contar a patética Comissão da Verdade que, com o beneplácito do STF, aceitou como legítima uma lei da anistia imposta pela ditadura.
Como se vê, somos bastante peculiares, entregues a um desequilíbrio social que nos coloca entre os países mais atrasados do mundo e nos incapacita à prática da democracia para realizar às vezes aquela sem povo, objetivo da casa-grande.
A situação atual, após um golpe perpetrado em admirável sintonia pelos próprios poderes da República, pela mídia e setores da Polícia Federal, exibe o resultado inevitável da história do País. De certa maneira, temos o que merecemos ao viver resignados nesta nossa singular Idade Média.
Se é impossível negociar com as quadrilhas, a vontade da casa-grande será feita e o Brasil terá a face que lhe compete ao sabor de um desastre anunciado. Inertes, em clangoroso silêncio, seremos espectadores do golpe dentro do golpe.
Receio ter pronunciado a sexta obviedade, ululante, como diria Nelson Rodrigues, aquele que me punha a gargalhar ao ler a Última Hora no bonde vazio, de volta para casa depois da aula noturna da Faculdade de Direito, para surpresa do cobrador e do motorneiro.
Fonte: Mino Carta, de CartaCapital.
domingo, 19 de novembro de 2017
Casa-grande & senzala - Será que um dia o povo brasileiro vai superar esse vício de origem?
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| Podemos não gostar do que Freyre descreve e opina, mas é só olhar ao nosso redor e vemos todo o lixo autoritário dominante dos membros da casa-grande prevalecendo... |
Refeição Cultural
Estava agora pela manhã de domingo lendo o segundo capítulo do ensaio de 1933 de Gilberto Freyre, Casa-grande & senzala. O capítulo "O indígena na formação da família brasileira" traz muitos aspectos interessantes e curiosidades culturais, se considerarmos que somos bichos urbanos do século 21 num mundo sem conexão com o passado, com o passado coletivo e comum do povo brasileiro.
Esses ensaios e estudos de grandes pensadores brasileiros como Gilberto Freyre, Darcy Ribeiro, Antonio Candido, Celso Furtado, Sérgio Buarque de Holanda, dentre outros, pensando os intelectuais da primeira para a segunda metade do século 20, são para serem lidos lentamente, refletindo, observando ao redor para ver o nosso mundo e comparar se tem sentido ou não o que eles nos apontam como origens, males e benefícios do povo brasileiro.
Eu não tive a oportunidade de ler e estudar como gostaria na adolescência e vida adulta por causa de minha própria origem, no mundo miserável da classe trabalhadora brasileira. Nós povo sem posses e meios de produção trabalhamos desde pequenos por alguns tostões e assim seguimos quase até a morte na idade adulta e madura.
Tivemos alguma esperança no início do século 21 com governos progressistas no Brasil e América do Sul e com olhares mais voltados ao povo excluído das riquezas do país. Vieram os golpes da casa-grande.
Neste momento de nossas vidas sul-americanas, após as quedas de governos progressistas e mais inclusivos como, por exemplo, os do Partido dos Trabalhadores, nos vemos numa hecatombe de retrocessos seculares nos direitos gerais do povo brasileiro em benefício de uma pequena casta da elite (a casa-grande de sempre).
Será que um dia vamos superar esse domínio dos senhores da casa-grande? O domínio da casa-grande envolve todos, todos, os espaços da sociedade constituída desde a origem, basta ver o exemplo do caso brasileiro, uma terra invadida para ser colônia de exploração em função do império invasor.
Mudaram os impérios que dominam nossa terra de exploração; mudaram os séculos e as formas de exploração dos povos; não mudaram as relações de domínio da casa-grande sobre a massa do povo brasileiro. Nossa pequena elite segue sendo lesa-pátria, canalha e vil. Não mudaram a injustiça e a iniquidade da casa-grande e seus lacaios e capitães do mato em relação ao povo, a nós excluídos daquele 1% detentor de tudo.
Esses lacaios e capitães do mato dos membros da casa-grande estão hoje com roupagem nova: nos executivos e legislativos, nos espaços do judiciário, nos espaços de reprodução da ideologia da casa-grande - os meios de comunicação de massa. E pouca gente tem consciência de classe para enfrentar isso de forma coesa e coletiva.
E eu que tenho plena consciência de classe trabalhadora, que sei de que lado estou, nem posso chorar, me lamentar, sequer desistir ou morrer, porque sei que desistir não é uma opção. Só a luta coletiva e unitária do meu povo é que garante um fio de esperança contra toda essa merda que voltou a dominar o nosso querido país.
É isso!
William
Post Scriptum:
Desde muito jovem tenho o hábito de escrever minhas opiniões e após o advento da internet criei blogs para partilhar conhecimento e opiniões. Ao reler diários, memórias, reflexões, e revisar meus registros nos blogs que mantenho, vejo lá vários sinais e impressões do que poderia ocorrer no Brasil tempos depois. Vejo também o quanto foi importante registrar meu olhar sobre os acontecimentos porque somos humanos e nosso passado histórico é fundamental para pensar o futuro da humanidade.
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quarta-feira, 15 de novembro de 2017
Poema - Saudades
Saudades de meu filho.
Saudades de meus pais.
Saudades de minha avó.
Saudades de minha tia.
Saudades de uma família.
Saudades do sindicalismo que vivi.
Saudades do país que ajudei a construir.
Saudades dos tempos de convívio estudantil.
Estou com saudades.
Não tenho saudades de minhas ignorâncias.
Não tenho saudades de minha alienação.
Não tenho saudades das ilusões.
Saudades é um sentimento.
Então vamos sentir.
E resistir.
A luta segue!
William
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William Mendes
domingo, 12 de novembro de 2017
Para onde caminha a humanidade?
(texto atualizado às 9h de 13/11/17)
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| Alvorecer de mais um dia. Não necessariamente novo... |
Refeição Cultural
Às vezes perco até o ânimo para registrar minhas reflexões e opiniões a respeito da sociedade humana.
Me lembro então de pessoas como Edward Said (ler AQUI), Victor Klemperer (ver AQUI), Gramsci (ler AQUI) e tantas outras que em seus tempos de vida tinham a clara consciência de que era necessário escrever, questionar, denunciar e se posicionar em relação ao que ocorria no mundo.
Para onde estamos caminhando? Talvez para a catástrofe final da existência humana.
Ao longo dos últimos milhares de anos, produzimos guerras avassaladoras de humanos contra humanos. Guerras de humanos contra outras formas de vida que coabitavam o mesmo espaço a ser conquistado pelo grupo humano que chegava. A diferença ao longo dos séculos foi a capacidade tecnológica cada vez maior para a matança e extermínio do outro.
Chegamos nesta quadra da história a uma condição humana que me desespera: eu não vejo neste momento muita perspectiva de resgatar o humano das máquinas que passaram a dominar esse mesmo ser humano. A mente humana, a psique humana, a consciência humana, os valores humanos, desenvolvidos em milhares de anos, estão sendo subutilizados a um limite perigoso.
Quantas pessoas no mundo passam boa parte de seus dias em função de zilhões de produções de imagens e vídeos em retransmissões em suas bolhas - as redes sociais em que estão - observando cenas de animais domésticos, fotos e textos com assuntos irrelevantes perto dos grandes problemas do mundo humano?
Quantas pessoas estão dedicando parte de seus dias em função da busca de soluções para os grandes problemas coletivos da sociedade humana? Um número ínfimo de pessoas.
Não sei se a sociedade humana já esteve mais ameaçada do que nesses tempos que vivemos. Mesmo comparando os riscos de extermínio humano como vimos nas matanças das grandes guerras mundiais, levadas adiante por questões econômicas e políticas de uns poucos homens de poder e suas corporações ao conseguirem levar multidões ao ódio e extermínio do outro.
Vivemos no Brasil e em outros países do mundo o clima construído por líderes políticos e elites poderosas que levaram e estão levando seus povos à guerra, à morte e às destruições sociais.
Os golpistas e seus veículos de comunicação sabem do amortecimento no qual colocaram as massas humanas brasileiras, entretidas em seus aparelhos celulares dentro de suas bolhas vendo os milhões de vídeos compartilhados de gatinhos cachorros tombos gozações xingos bundas e peitos e cantos e mensagens e correntes e fotos e violências que levam ao medo etc.
Neste momento e no amanhã todos os milhões de seres humanos estarão fazendo o mesmo diuturnamente e cotidianamente.
Enquanto isso, a reação das massas vitimas de todas as reformas e sacanagens feitas pelos golpistas segue pífia. Reação esforçada, mas sem capacidade de reversão do quadro avassalador.
Que tempos são esses? A moda é a injustiça, a iniquidade, a intolerância, a ignorância. O não é comigo
Não choca nem causa espanto, não coloca milhões de pessoas nas ruas, o fim dos direitos do trabalho, a imprensa golpista pedir a morte do maior líder popular que o país já teve (revista Istoé, nesta semana, e revista Veja, em 2016, em relação ao Presidente Lula).
A imparcialidade da justiça não incomoda e até gera juízes popstar. Nada leva milhões à rua. A não ser que um grande manipulador de massas como a golpista Rede Globo, dos Marinho, esteja nas convocações.
Mas lembrem-se que o que os donos do poder estão fazendo no Brasil e com o Brasil e os brasileiros estão fazendo com todos nós e com o futuro de nossos filhos. Após doação da Floresta Amazônica, do petróleo brasileiro, do solo brasileiro, o Brasil não voltará a ser o mesmo.
Amanhã é mais um dia... quantos estaremos resistindo à destruição de nosso mundo? Eu só vejo sentido na minha existência social se ela não for pensada só para mim.
Vou acordar e seguir fazendo a luta por um mundo melhor e contra esse mundo que me impuseram. Desistir não é uma opção.
William
Post Scriptum:
Acordei às 6h da manhã neste domingo e saí para uns instantes não-virtuais. Fui participar de uma corrida na AABB SP e tive a oportunidade de ver e conversar com amigos e conhecidos a respeito de várias coisas. Foi bom.
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| 11º Circuito de Corrida e Caminhada da AABB SP. Mais uma vez, a entidade está de parabéns pelo evento. A corrida de 7,5k e a caminhada de 5k foram prazerosas. |
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| A equipe da Central Cassi esteve presente no evento da AABB SP. Foi muito legal! Agradeço o convite para saborear o excelente churrasco feito pelo pessoal ao final da corrida. |
Post Scriptum 2:
Recebi posteriormente a foto com o pessoal da AABB SP. A gestão da entidade tem feito muitos progressos na associação em prol da comunidade que utiliza as dependências do clube.
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| Pessoal da AABB SP. |
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segunda-feira, 6 de novembro de 2017
Memórias e histórias de lutas sociais (I)
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| Estou revisando as 241 postagens do ano de 2014 em meus dois blogs. Os textos contêm muitas histórias de lutas e também muitos momentos simples de um cidadão bancário e militante. |
Refeição Cultural
Está acabando o feriado de Finados. Estamos no mês de novembro e caminhamos para terminar um ano terrível para o povo e a classe trabalhadora brasileira. O Brasil está sendo desfeito rapidamente após o Golpe de Estado executado no início de 2016. Me desespero ao ver que não há reação à vista por parte da população vítima das consequências dos retrocessos que vêm sendo implantados pelos golpistas instalados em setores dos três poderes.
No Dia de Finados, até comecei a leitura de um livro - As intermitências da morte, de José Saramago. Mas após ler cerca de 60 páginas, acabei guardando a obra para outra oportunidade. Não posso ler e não consegui tranquilidade para a leitura.
Após trabalhar bastante na sexta-feira na Cassi, soube da notícia naquele dia do decreto do Governo que põe à venda ativos e empresas públicas de economia mista.
Eu sou trabalhador do Banco do Brasil há 25 anos e já quase morro de dor ao ver o que os golpistas estão fazendo com a nossa Petrobras e o Pré-sal e agora vem numa canetada o desmanche de empresas públicas fundamentais para o país. Já estão ameaçando a nossa Caixa Econômica Federal, um patrimônio do povo. Não podemos permitir isso, nosso banco público tem mais de dois séculos de existência.
Como vocês sabem, sou um representante eleito por trabalhadores em entidades associativas e de lutas, constituídas pelos próprios trabalhadores. Após ser dirigente sindical por 14 anos - no Sindicato dos Bancários de São Paulo Osasco e região e na Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro da CUT, hoje estou como gestor de saúde na maior autogestão do país, a Cassi.
Ao longo de quase vinte anos de organização das lutas dos trabalhadores da categoria bancária, onde sempre atuei fortemente nas bases e depois em espaços de coordenação, passei a ter um olhar especial sobre a história, sobre comunicação e sobre a formação política dos trabalhadores. Essas 3 áreas são fundamentais para qualquer tipo de resistência à exploração dos capitalistas e donos do mundo.
Entre 2006 e 2007, já dirigente sindical nas coordenações nacionais das lutas dos bancários, criei dois blogs para experimentar as ferramentas do mundo das comunicações e da internet, que passava a se popularizar no mundo, junto com as redes sociais. Não foi uma criação inocente.
Meu objetivo era utilizar as ferramentas para informar, compartilhar conhecimento, opinar, disputar versões com a grande imprensa dos capitalistas e prestar contas de minha atuação como eleito.
Enfim, nós do campo popular chegamos a achar que poderíamos enfrentar os grandes meios de comunicação dos donos do mundo, dos donos do poder em cada espaço geográfico chamado de país etc. Não podemos. Eles detêm o poder de pautar, influenciar, de manipular, de esconder o que querem do povo e dos trabalhadores.
É muito desigual o poder que têm poucas famílias e poucas corporações capitalistas donas de TVs, rádios, jornais, revistas, sites - em propriedade cruzada - ao criarem pautas e divulgá-las impondo sua ideologia de classe dominante se compararmos à capacidade de comunicação das lideranças e entidades do campo popular, onde está a classe subjugada por esse 1% dono de tudo.
MEMORIAL DE LUTAS A PARTIR DE MINHAS EXPERIÊNCAS
Mesmo sabendo que não temos poder para enfrentar os grandes meios de comunicação e todo o embate que vem sendo feito no mundo contra os trabalhadores e suas entidades de classe, e a rápida tentativa de apagar nossas histórias de lutas, eu me sinto na obrigação de escrever, registrar, compartilhar minhas experiências e opiniões nesta jornada que venho empreendendo como mais um trabalhador nas lutas da classe trabalhadora brasileira.
Tenho dedicado quase que todas as minhas horas de folga, ou seja, finais de semana e algumas madrugadas, em reler os textos, atualizar imagens e diagramação, categorizar com marcadores temáticos (tags), todas as postagens que fiz como um cidadão bancário eleito por trabalhadores para atuar na organização e defesa de nossos interesses de classe. O cidadão que escreve no Blog Refeitório Cultural não se desassocia do cidadão que escreve no Blog Categoria Bancária. Os temas são diferentes, mas se completam.
Terminei a releitura dos 70 textos que fiz durante 2014 no Refeitório Cultural. Eu já havia feito a releitura das 88 postagens do Categoria Bancária desde o momento em que comecei o mandato na Cassi, de junho adiante. Agora estou terminando as 83 matérias que fiz entre janeiro e maio, período da campanha eleitoral da Cassi e enquanto eu era coordenador das negociações nacionais do BB.
Amig@S, os 241 textos contidos nos dois blogs são história pura, não só minha, mas dos bancários do Banco do Brasil e das lutas da categoria e suas entidades de classe. A pauta dos trabalhadores daquele Brasil antes do golpe era uma - mais conquistas e avanços -, e agora vejo com tristeza o quanto mudou a pauta - resistir à destruição total dos direitos e das nossas entidades de classe. É triste! Mas a experiência mostra que É POSSÍVEL DAR A VOLTA POR CIMA!
Eu pretendo disponibilizar minhas memórias de forma organizada para lideranças e sindicatos que tenham interesse. Depois que terminar 2014, farei o mesmo com 2015, 2016 e 2017.
Esta organização das memórias e registros está me dando muito trabalho, mas eu quero deixar minha contribuição para aqueles que gostam de história, que gostam de cultura, que se interessem por seguir organizando a resistência contra o que estão fazendo conosco, a classe trabalhadora.
É isso! Abraços a tod@s!
William
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segunda-feira, 30 de outubro de 2017
Diário e reflexões - 301017 (Lutar contra a manipulação dos povos)
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| Ler é um ato importante para se pensar o mundo. "Leer aunque sean los papeles rotos por las calles..." já dizia Miguel de Cervantes no século XVI. |
Refeição Cultural
"Os animais são as letras soltas do alfabeto; o homem é a sintaxe" (fala de um personagem de Machado de Assis)
Estamos fechando o mês de outubro nesta segunda e terça-feira que começam.
Descansei muito pouco no domingo, pois cheguei de viagem a trabalho no sábado por volta de meia-noite. Estive em um congresso de autogestões em saúde em Foz do Iguaçu, no Paraná.
Precisei diminuir neste semestre o prazer pessoal da leitura de livros em busca de conhecimento, por causa da intensificação das agendas de luta em meu trabalho de gestor eleito na caixa de assistência em saúde dos trabalhadores que represento.
Mesmo assim, não dou conta de ficar sem ler alguma coisa. A foto acima mostra o que tenho lido em conta gotas nos intervalos que arrumo no final de semana ou em algum voo por aí.
É necessário e urgente que a classe trabalhadora, ao menos suas lideranças, escarafunche nos alfarrábios da história humana experiências de resistência dos povos na luta de classes para conseguir reagir ao caos gerado pelo Golpe de Estado em nosso país e ao crescimento das ideias fascistas e conservadoras no mundo.
O Brasil pós golpe está sendo desmantelado para nunca mais ter um futuro nacional.
NOAM CHOMSKY
Li três capítulos de um livro que adquiri recentemente de nosso grande intelectual Chomsky. Ele não tem trava na língua ao falar do grande mal que os Estados Unidos fazem aos países e povos do mundo. É pavoroso ler as descrições de barbaridades cometidas em países sul-americanos, africanos e do Oriente Médio e demais povos orientais com o apoio e coordenação da CIA. Que lixo!
MACHADO DE ASSIS
"Os animais são as letras soltas do alfabeto; o homem é a sintaxe"
Li um conto do Mestre do Cosme Velho que é tão chocante, que acabei lendo duas vezes para ver se havia entendido direito o tema abordado por ele na ficção. Na segunda leitura, compreendi claramente a estória.
Machado é um mestre na ironia e esta figura de linguagem é uma das mais complexas na arte da literatura porque ela exige capacidades interpretativas dos leitores.
O "Conto Alexandrino" foi publicado por Machado em 1883 e traz a estória de dois filósofos que buscam a verdade universal. Um deles desenvolve uma teoria de que nos animais estariam todos os sentimentos e capacidades humanas.
A narrativa se passa na Alexandria durante a dinastia dos Ptolomeus (323 a 30 a.C.).
O conto é chocante! Aborda experiências com animais vivos e depois com seres humanos. Machado antecipou em décadas o que os nazistas fariam com os seres humanos que foram subjugados por eles, a partir da liderança de Adolf Hitler e um de seus médicos, Josef Mengele.
LIBERDADE, DEMOCRACIA, BUROCRACIA... CONCEITOS PODEM SER DETURPADOS E MANIPULADOS POR PESSOAS, GOVERNOS E CORPORAÇÕES
Ler a opinião de Mikhail Gorbachev, em 1987, dizendo o que o PCUS tinha planejado para tentar salvar o socialismo da União Soviética (e que deu errado pouco tempo depois) é interessante para mim.
Ver a posição de Rosa Luxemburgo quase um século antes de Chomsky reforçando o papel do intelectual que deve dizer a verdade e lutar contra a enganação e empulhação feita pelos poderosos com o apoio de "intelectuais" é muito bom. O mesmo que Said afirmava em suas teses sobre o papel dos intelectuais em relação a se contrapor ao poder.
PESSIMISMO DA RAZÃO
Estou pessimista em relação à sobrevivência dos seres humanos. Pessimista em relação ao domínio da tecnologia da comunicação (manipulação) de massas nas mãos de poucos humanos e suas corporações. Pessimista em relação ao que estão escondendo do povo internamente nas grandes corporações que já subjugam países, governos e povos do mundo.
O planeta Terra é um verdadeiro tabuleiro de guerra como no jogo War, onde alguns participantes pensam estratégias para dominar o mundo. Pensando só o mundo ocidental, as pessoas não têm a menor noção do poder de influência de empresas como, por exemplo, Google e Facebook na vida de bilhões de pessoas. Os humanos são quase NADA para esses sistemas, além de banco de dados para comércio. E todas as nossas informações estão disponíveis na rede mundial.
Mas desistir da luta por um mundo melhor, mais humano, mais inclusivo e solidário, mais sustentável com valores coletivos, enfim, desistir não é uma opção para aqueles que se libertaram da manipulação e devem usar sua consciência pessoal e de classe para lutar pela libertação dos povos.
É isso! Seguimos nas lutas!
William
Post Scriptum
Para fazer minha parte em salvar minha vida para continuar lutando, me esforcei sobremaneira para correr um pouco neste mês, mesmo com o cansaço de prostração que tenho experimentado às vezes. Corri neste mês 5k (1/10, DF), 3,5k (7/10, DF), 4k (8/10, DF), 6k (15/10, SP), 4,5k (21/10, DF), 5k (29/10, DF). Pouco, mas melhor que nada.
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quarta-feira, 25 de outubro de 2017
Diário e reflexões - 251017 (Extinção do Brasil)
Quarta-feira, fim de noite.
O Congresso Nacional, com votos pagos a bilhões de dinheiros, segundo a imprensa, livrou mais uma vez o golpista mor de acusações de corrupção.
Minha agenda de trabalho e luta em defesa da Caixa de Assistência dos Funcionários do Banco do Brasil, a Cassi, não foi diferente no dia de hoje. Estou trabalhando há mais de 3 anos entre 12 e 14 horas por dia. Para fortalecer a maior autogestão em saúde de nosso país e defender os direitos dos trabalhadores associados que represento, só me dedicando como se estivesse num front de batalha para criar alguma condição de êxito naquilo a que nos dispusemos.
O meu país, o Brasil, está passando por um processo de desfazimento após o golpe de Estado aplicado em 2016 para interromper o período de avanços realizados pelos governos do Partido dos Trabalhadores após as eleições de Lula da Silva no início do século 21. Entre 2003 e 2014, o país e o povo brasileiro haviam experimentado o período mais exitoso de nossa história. O Brasil havia se tornado referência no mundo - num mundo em caos após a crise do subprime americano.
Hoje, o país está sendo esfacelado, desmanchado, por um Congresso Nacional eleito em 2014 já sob os ares do golpe que começou a ser realizado a partir das manifestações de junho de 2013, um movimento construído de fora para dentro, exatamente como aconteceu em países do Oriente Médio, países detentores de poços de petróleo, as tais "primaveras árabes". Que azar do Brasil... tinha o Pré-sal pra chamar a atenção dos EUA. Idem Venezuela. Nós não temos bomba atômica como o Irã tem.
Mais de 400 elementos ocuparam as cadeiras do Congresso para destruir um país para o qual eles nunca ligaram. São representantes da casa-grande.
Deu certo para a oligarquia da casa-grande! A cleptocracia brasileira. Deu certo para os golpistas! O Brasil está sendo desfeito. Os direitos do povo estão sendo desfeitos. Não há reação. Não há movimento. Não há revolta e destruição dos agentes causadores do golpe. Nosso patrimônio está sendo entregue para as corporações internacionais que financiaram o golpe.
Não há nenhum sinal de guerra civil. Só a guerra civil das favelas, das periferias, do tráfico. Da polícia que mata negros e pobres, que bate em trabalhadores, estudantes e idosos. Que protege bandidos da casa-grande.
Mas a Globo está por aí, em todas as paredes, bares, hall de hotéis, taperas do norte e nordeste, dos rincões. Tem novelas. Tem gente andando e olhando pra tela de celular. Tem um mundo inteiro de brasileiros que vivem no Facebook como se esta rede social do garoto inventor dela fosse a própria rede mundial de computadores.
Eu fico dividido entre ter pena ao ver um país se desfazer para sempre e ter raiva de cada um, cada uma, que foi marionete dos empresários que organizaram o golpe. Marionetes da Globo, da Folha, do Estadão, da Band, da Editora Abril. Daquele sujeito da República de Curitiba.
Não posso considerar inocente cada cidadão que fez papel de idiota, que mesmo não fazendo parte do 1% da casa-grande e, sendo da classe trabalhadora, aceitou ir pra rua derrubar um governo de uma mulher honesta, de um partido que mudou para melhor a vida de dezenas e dezenas de milhões de pessoas que dependiam do trabalho e de oportunidades para serem protótipos de cidadãos num futuro que podia chegar e agora nunca mais!
Os bandidos lesas-pátrias dão risadas da cara dos idiotas úteis, agora perplexos, riem do povo nas telas do mundo digital. E o meu povo não esboça nenhuma reação.
O Brasil nunca mais será o mesmo. Meu mundo Brasil acabou (não terá volta após o desfazimento).
Enquanto isso, eu sigo obstinadamente focado na entidade de saúde de autogestão de trabalhadores, para a qual estou designado para atuar por ela e pelos direitos de seus participantes. Se a Cassi não fosse a minha cachaça, eu já teria ficado louco, ou com depressão profunda, ao ver tudo ao meu redor se esvaindo.
Mas como diz o poeta maior, Drummond, chegou um tempo em que a vida é uma ordem, a vida apenas, sem mistificação. Tenho consciência disso. Lembro a cada um que conheço algo básico de um lutador: desistir não é uma opção!
William
Cidadão
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sábado, 21 de outubro de 2017
Diário e reflexões - 211017 (Resistência e luta)
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| Primaveras em Florianópolis. Apreciar o belo na natureza ainda é um atributo humano, demasiado humano. Apreciemos. |
Refeição Cultural
Acordei nesta manhã de sábado em Brasília com aquele cansaço físico e mental já característico nos finais de semana, devido aos últimos anos de lutas que empreendo como tarefa atual - ser gestor eleito em uma autogestão em saúde pertencente aos trabalhadores do Banco do Brasil.
Nesta semana, por causa de minha agenda de gestão e lutas, dormi pouco mais de 20 horas em 120 horas de dias úteis. Em duas noites só dormi 3 horas e pouco. Mas estive com a base social na segunda em São Paulo e na quarta no Ceará. Fiz dois textos que exigem pesquisa e concentração. Foram várias horas de estudos e debates na governança da Cassi na Diretoria Executiva e no Conselho Deliberativo. Muito desgaste físico e psicológico.
O planeta Terra passa por um dos cenários mais ameaçadores da vida humana dos últimos milênios. O sistema de organização social mundial hegemonizado por alguns humanos e suas corporações - comumente chamado de capitalismo -, já suplantou até países e culturas instituídas.
As ameaças são de guerra nuclear, domínio de máquinas e Inteligência Artificial, devastação ambiental e miséria para bilhões de pessoas, enquanto poucas detenham todos os meios de sobrevivência.
Poucas pessoas do povo ou pertencentes às camadas sociais mais populares têm noção de tudo que se passa neste exato momento em que escrevo. As ferramentas de manipulação e idiotização nunca foram tão avassaladoras como neste século 21.
Os mesmos detentores de tudo, detêm todos os veículos de comunicação que pautam a vida dos seres humanos. Sistemas como o Facebook têm como estratégias capturar pessoas para que a vida seja baseada naquele sistema.
A dificuldade para organizar a classe trabalhadora por parte de pessoas na posição em que me encontro - um militante social que vive em função de defender os direitos dos trabalhadores -, nos faz titubear se devemos seguir ou largar tudo. Pensem se é fácil todos os dias do ano lutar contra a ignorância e contra um sistema de burocracias a favor dos donos do mundo.
Nosso compromisso com a vida do povo e da classe trabalhadora não nos permite esmorecer ao final de todos os dias de nossa existência. Desistir não é uma opção. Hoje, tenho claro que a vida apenas é, e que para estar nela devemos fazer o que deve ser feito. Mesmo cansado, muitas vezes com tristeza, e baqueado pelas constantes decepções com os seres humanos.
Para resistir e lutar é preciso se cuidar, ter um corpo e estar vivo. Apesar do cansaço, saí e corri por quase meia hora. Estou fazendo isso sempre que possível. Para resistir e defender os direitos e patrimônios dos trabalhadores é preciso ler, estudar, pensar e criar ideias novas e conhecer tudo que for possível. Faço isso em nome dos meus pares.
É preciso também ultrapassar as barreiras que estão sendo montadas pelos sistemas dos donos do mundo para que o meu lado não consiga organizar o povo para conscientizá-lo e trazê-lo para as lutas.
Eu acredito nas lutas por um mundo mais justo, mais solidário. É possível os meus pares da classe trabalhadora virem para o nosso lado a qualquer momento, todos os dias. Para isso, temos que ir até eles e organizá-los, de preferência olho no olho. Faço isso há quase 20 anos. As ferramentas de comunicação virtual devem ser acessórias.
Se você que às vezes nos lê ou nos acompanha também achar possível nos unirmos para defender os direitos do povo contra um sistema de poucos, compartilhe nossos textos e pensamentos.
Os capitalistas donos das redes sociais e ferramentas de comunicação estão fechando os sistemas para opiniões diferentes das deles. São ferramentas de Inteligência Artificial e algoritmos que vão dificultar cada vez mais nosso lado acessar os leitores e pessoas nas redes sociais privadas.
Temos que pegar o hábito de visitar as páginas dos blogs e sites mais vinculados aos trabalhadores e ao povo digitando diretamente o endereço e salvando em seus favoritos.
Eu escrevo em dois blogs, este de cultura e reflexões e o de prestação de contas dos mandatos que exerço em nome dos trabalhadores, o Categoria Bancária (acessar AQUI).
Abraços e vamos firmes na luta por um mundo melhor.
William
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domingo, 15 de outubro de 2017
Liberdade e consciência de classe são bases das lutas em defesa dos direitos dos trabalhadores
(atualizado às 19h35 do mesmo dia)
Refeição Cultural
Domingo de descanso em Osasco. Manhã fria, a temperatura mudou de mais de 31° para 16° de um dia para o outro. São Paulo é assim.
O dia deveria ser de descanso de uma jornada intensa de trabalho e lutas pela causa que defendo há pouco mais de três anos: ser gestor eleito de uma autogestão em saúde, cujos associados são os próprios trabalhadores da empresa pública à qual pertencemos, o Banco do Brasil.
Quanto mais avançam minha idade e experiência nesta breve existência, mais sinto necessidade de autoconhecimento. Meu desejo e necessidade de estudar e de preencher todas as lacunas culturais que tenho em todas as áreas do conhecimento humano me pressionam a não querer sequer deixar o corpo físico descansar. Porque a vida é um instante e somos muito ignorantes sobre quase tudo.
Tenho maltratado meu corpo na jornada que estou empreendendo na defesa da Caixa de Assistência dos Funcionários do Banco do Brasil e na defesa dos direitos em saúde dos trabalhadores que represento. A tarefa que percebemos que teríamos pela frente era a mais desafiadora de nossa vida de representação, quando realizamos no início do mandato o diagnóstico da situação que encontramos e planejamos os objetivos centrais a empreender em quatro anos. A Cassi era uma total desconhecida dos intervenientes do sistema em relação à sua essência.
Como disse no início, meu corpo fica me pedindo que eu durma quase que o dia todo nos finais de semana, porque estou cansado. Mas eu brigo com ele e fico acordado e tento estudar, encontrar novas ideias, explicações e experiências de nossos antepassados nas lutas sociais que possam balizar minhas estratégias em defesa das causas que defendo.
Nunca li e estudei tanto quanto nestes últimos três anos. Por mais que não tenha tempo livre porque desde o primeiro dia de mandato na Cassi trabalho ininterruptamente quase que as 24 horas do dia, porque mesmo em finais de semana, à noite, nas madrugadas, estamos usando nossa inteligência para criar estratégias de lutar contra gigantes, contra o sistema, contra a ignorância. Estudei para lutar contra o desconhecimento e a falta de consciência que podem favorecer o aniquilamento das conquistas sociais e de classe pelas quais lutamos.
Peguei para ler neste sábado um livrinho sobre Rosa Luxemburgo. Li umas cinquenta páginas, entre o sono e a atenção à esposa e filho. E também entre as tristezas que sentimos por sermos humanos e termos problemas pessoais como qualquer cidadão. Um militante de esquerda e dirigente eleito de trabalhadores não é uma máquina, é uma pessoa.
Nesse parco tempo que li umas cinquenta páginas sobre Rosa Luxemburgo também dediquei um tempão ao meu trabalho de gestor da Cassi, pois fiz um esforço para responder participantes em diversos grupos em redes sociais (sei que não deveria fazer isso nas "folgas").
Sobre ideias de Rosa Luxemburgo
"Na questão parlamentar, Rosa Luxemburg sentia-se próxima de Friedrich Elgels, que considerava o Parlamento uma tribuna para a propaganda revolucionária, e nada mais. Para ela a sociedade só podia se emancipar se o proletariado se emancipasse. Emancipação pela prática, por uma modificação progressiva na correlação de forças, era segundo ela o único caminho que fazia sentido para a emancipação. No que Rosa Luxemburg desejava era central não o permanente crescimento numérico dos membros das organizações proletárias e dos eleitores, e sim o crescimento da autoconsciência e da capacidade de ação política. O partido devia fazer propostas à classe trabalhadora e deixar que ela decidisse, mesmo correndo o risco da rejeição, e isso tinha de ser aceito em cada caso específico."
Interessante essa visão que Rosa Luxemburgo nos dá sobre construir a autoconsciência nas pessoas participantes de um sistema social.
Um dos objetivos centrais que empreendemos neste mandato de gestor da Caixa de Assistência foi percorrer as bases sociais da autogestão - a comunidade Banco do Brasil - e levar ao conjunto de participantes e lideranças do sistema informações básicas sobre direitos e deveres no uso da Cassi e para a tomada de decisões enquanto associados da autogestão em saúde. Eu trabalhei esse objetivo com o nome de "pertencimento".
Já que não teria condições de estar e falar com centenas de milhares de participantes do sistema Cassi ao longo do mandato, minha estratégia foi trabalhar com uma rede de conhecimento, que poderia levar o autoconhecimento aos demais usuários em sistema de teia. Foquei os Conselhos de Usuários, entidades sindicais e associativas e as lideranças do Banco do Brasil nos Estados e na Direção da empresa, o que inclui seus representantes na gestão da operadora de saúde.
A tarefa era muito desafiadora. Não havia uma cultura de informação na comunidade BB para esclarecer o que era, como funcionava, quais os problemas centrais, como resolvê-los, quais os objetivos que a Cassi tinha como missão, os deveres e obrigações de todos os intervenientes, além dos direitos. Não havia.
Se havia cultura de informação, era algo esparso e não sistêmico. Era um trabalho voluntarioso e local de pessoas abnegadas com consciência e conhecimento a respeito da Cassi, principalmente dos funcionários das áreas de atividade-fim na sede em Brasília e nas unidades administrativas e de saúde nos Estados/DF.
Ao estar no 4° e último ano de mandato, é natural que façamos um pouco de balanço sobre os objetivos que alcançamos e os que não alcançamos, inclusive por causa de todas as dificuldades e crises que permearam todo o período.
Eu tenho um sentimento e uma leitura de que VALEU A PENA o esforço de lutar por levar mais informações de qualidade sobre o sistema de saúde Cassi e os problemas todos que o envolvem, agregando consciência e espírito de pertencimento senão ao conjunto dos participantes ao menos para as lideranças dos associados e suas entidades representativas.
Nós vencemos uma batalha na questão do déficit entre 2014 e 2016, ao fazer o patrocinador BB colocar recursos também no sistema de saúde Cassi, junto com os associados, por não ser justo que só o lado dos trabalhadores fosse onerado. E nenhum direito social foi perdido naquela crise do déficit.
Com mais pertencimento e autoconhecimento dos trabalhadores do Sistema Cassi teremos melhores perspectivas de sustentabilidade e manutenção dos direitos em saúde
As batalhas seguem neste exato instante porque a defesa dos direitos em saúde dos trabalhadores brasileiros em suas mais diversas frentes e etapas é uma guerra, uma guerra de extermínio, onde nós somos o alvo.
Só para situar os leitores, há riscos na existência de operadoras de saúde no modelo de autogestão por diversos fatores inviabilizantes como, por exemplo, tratamento não adequado de autogestões por parte da ANS; abusos nos valores cobrados pelo sistema privado na venda de serviços de saúde - hospitais, profissionais de saúde, materiais e medicamentos -; o sistema está sendo destruído por judicialização abusiva e irracional; risco de privatização e desmantelamento de empresas públicas que mantêm os planos de saúde em modelo autogestão etc, infelizmente!
Nosso papel neste pequeno espaço de luta por direitos em saúde de trabalhadores (a autogestão Cassi dentro do todo) tem sido o de informar e organizar os participantes de um magnífico sistema de autogestão baseado em Atenção Integral, com Atenção Primária (APS), medicina de família (ESF) e monitoramento de participantes acometidos de doenças crônicas e outros riscos através de programas de saúde. Já fazemos isso em mais de 180 mil pessoas do sistema Cassi.
A partir de diversos estudos internos na Diretoria de Saúde e Rede de Atendimento, construímos neste mandato para todos da Caixa de Assistência conhecimentos que facilitam o olhar técnico dos resultados em saúde, que mostram que a Cassi é muito eficiente em relação ao seu modelo de promoção e prevenção.
Um estudo sobre os vinculados ao nosso modelo assistencial demonstrou que esse grupo tem mais qualidade de vida e usa melhor os recursos do sistema quando precisa da rede prestadora comparado a grupo nas mesmas condições de grau de complexidade e que ainda não está na Estratégia Saúde da Família (ESF), ou seja, o grupo não vinculado usa a rede prestadora sem orientação racional da ESF. Mas preciso de recursos de investimento para ampliar a cobertura do modelo para a conjunto dos assistidos.
Atuamos com respeito às diferenças, com muita dedicação em intercalar as milhares de horas de estudos e debates na sede da entidade, onde deliberamos semanalmente sobre a gestão, com a visita presencial à base dos trabalhadores que representamos, que na Cassi é o Brasil. Todos os meses estive prestando contas, esclarecendo, mobilizando e chamando para a luta milhares de participantes, contribuindo para a consciência de classe e valorizando a liberdade que todos devem ter.
A luta tem que seguir sempre, não esmoreçam!
Abraços,
William
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domingo, 8 de outubro de 2017
Casa-grande & Senzala - O indígena na formação da família brasileira
Refeição Cultural
Aproveitei o sábado de descanso de meu mandato em defesa da autogestão em saúde e dos direitos dos trabalhadores do Banco do Brasil para estudar e refletir um pouco sobre a história de nosso querido Brasil, que vive sob Golpe de Estado desde 2016 e hoje tem parte da máquina pública dominada por gente lesa-pátria, destruindo o patrimônio público e social do povo brasileiro.
Ao acordar ainda cansado de uma semana em que dormi muito pouco como ocorreu nas anteriores, fiquei pensando em qual autor eu pegava para ler. Pensei em contos de Machado de Assis ou Guimarães Rosa, mas achei melhor pegar o Casa-grande & Senzala (1933), de Gilberto Freyre.
Antes, porém, li alguns artigos jornalísticos. Tem me chamado a atenção o quanto textos que deveriam ser considerados de linguagem padrão estão sendo publicados e divulgados com erros de digitação, de sintaxe, de ortografia, de concordância etc. Eu não tenho crítica a textos informais ou com dialetos em escrita não-padrão como blogs. Toda vez que reviso meus textos, por exemplo, acabo encontrando uma digitação errada ou coisa do tipo. Mas jornais e revistas e sites institucionais são outra coisa.
Eu sei da péssima qualidade do jornalismo brasileiro, mas ao ler dois artigos em jornais espanhóis, a partir de leituras na página da RAE (La Real Academia Española) vi os mesmos tipos de erros. Acredito que nossos cérebros estão se diluindo com a comunicação e a informação mundial a partir da velocidade das redes sociais. Acho que estamos ficando menos inteligentes.
Quando penso na perspectiva de estar aproveitando menos as possibilidades de minha inteligência, da minha capacidade de pensar, me exaspero e busco uma forma de pegar algo complexo para ler e estudar. Faço isso nas horas de folga, mesmo sabendo que meu trabalho de gestor em saúde já é uma mescla entre a técnica e a política, ou seja, já exige capacidade intelectiva o tempo todo.
Lendo Casa-grande & Senzala
Capítulo II - O indígena na formação da família brasileira
Iniciei neste sábado o capítulo II do ensaio de Gilberto Freyre. A leitura foi de muita curiosidade, pois não sabia de várias coisas que são narradas ali pelo autor. No entanto, me incomodam bastante as adjetivações do ensaísta ao comparar os povos de cá das terras invadidas e os povos trazidos da África com os europeus, mas fazer o que, né?
Freire apresenta sua leitura das diferenças de colonização portuguesa e espanhola nas Américas, inclusive em relação aos ingleses e demais europeus. Ao encontrar povos mais ou menos organizados em relação à cultura e às tecnologias, os espanhóis agiram de forma a exterminar maias, astecas e incas, para roubar seus minerais. Já os portugueses encontraram povos em geral mais dóceis e com culturas mais rústicas, e o primeiro período de colonização foi, via de regra, de convívio.
"Os portugueses, além de menos ardentes na ortodoxia que os espanhóis e menos estritos que os ingleses nos preconceitos de cor e de moral cristã, vieram defrontar-se na América, não com nenhum povo articulado em império ou em sistema já vigoroso de cultura moral e material - com palácios, sacrifícios humanos aos deuses, monumentos, pontes, obras de irrigação e de exploração de minas - mas, ao contrário, com uma das populações mais rasteiras do continente..."
E segue comparando os cenários diferentes encontrados por espanhóis e portugueses:
"De modo que não é o encontro de uma cultura exuberante de maturidade com outra já adolescente, que aqui se verifica; a colonização europeia vem surpreender nesta parte da América quase que bandos de crianças grandes; uma cultura verde e incipiente; ainda na primeira dentição; sem os ossos nem o desenvolvimento nem a resistência das grandes semicivilizações americanas..."
Ao enfrentar as rebeliões dos indígenas do solo brasileiro, os portugueses não precisaram exterminar completamente os povos, como fizeram os espanhóis com maias, incas e astecas.
"(...) mesmo quando acirrou-se em inimigo, o indígena ainda foi vegetal na agressão: quase mero auxiliar da floresta. Não houve da parte dele capacidade técnica ou política de reação que excitasse no branco a política do extermínio seguida pelos espanhóis no México e no Peru..."
Essas questões iniciais, mais a questão do papel das mulheres indígenas na relação com os colonizadores portugueses em solo brasileiro, vão definir de forma permanente as características dos nascidos aqui nos dois primeiros séculos de dominação portuguesa.
"Híbrida desde o início, a sociedade brasileira é de todas da América a que se constituiu mais harmoniosamente quanto às relações de raça dentro de um ambiente de quase reciprocidade cultural que resultou no máximo de aproveitamento dos valores e experiências dos povos atrasados pelo adiantado; no máximo de contemporização da cultura adventícia com a nativa, da do conquistador com a do conquistado. Organizou-se uma sociedade cristã na superestrutura, com a mulher indígena, recém-batizada, por esposa e mãe de família; e servindo-se em sua economia e vida doméstica de muitas das tradições, experiências e utensílios da gente autóctone..."
A geração de filhos portugueses com índias e depois com as mulheres negras vindas do continente africano, apesar de ser consequência mais de satisfação biológica que outra coisa, se mostrou estratégica com o passar do tempo naquele primeiro século de colonização portuguesa por causa da questão da necessidade de ocupação espacial do continente.
"Observou Southey que o sistema colonial português se revelara mais feliz do que nenhum outro no tocante às relações do europeu com as raças de cor; mas salientando que semelhante sistema fora antes 'filho da necessidade' do que de deliberada orientação social ou política (...) Para a formidável tarefa de colonizar uma extensão como o Brasil, teve Portugal de valer-se no século XVI do resto de homens que lhe deixara a aventura da Índia..."
Algumas explicações de Freyre nos fazem refletir bastante e olhar para nosso passado. Das conclusões do pensador, vemos a alimentação que temos hoje, as diversas formas de cultura oriundas dessa mistura de culturas distintas adaptadas para sobreviver nesta nossa terra.
"À mulher gentia temos que considerá-la não só a base física da família brasileira, aquela em que se apoiou, robustecendo-se e multiplicando-se, a energia de reduzido número de povoadores europeus, mas valioso elemento de cultura, pelo menos material, na formação brasileira..."
Leitura de Casa-grande & Senzala se dá num triste momento brasileiro do século XXI, com retrocessos sociais enormes no pós golpe
Enfim, essas citações que postei são somente pitadas de toda a curiosidade que li através das interpretações de Gilberto Freyre na primeira parte do capítulo (que é grande).
Muitas das explicações sobre a formação social brasileira têm sentido e nos fazem compreender um pouco do que vivemos neste momento como a geração que está vendo o Brasil pós golpe se tornar mais intolerante e preconceituoso, mais desigual e injusto com os povos oriundos das senzalas ou dos quintais e arredores das casas grandes.
Após quase 13 anos de governos mais voltados para prioridades populares como os de Lula e Dilma, do Partido dos Trabalhadores, e mesmo após mais de 25 anos de conquista da Constituição Federal de 1988, dita "constituição cidadã" porque foi fruto de lutas e mobilizações sociais nos anos oitenta após mais de duas décadas de ditadura civil-militar, vemos um ataque virulento e rápido dos golpistas em destruir décadas de conquistas do povo.
Onde vamos parar? Se o povo brasileiro demorar um pouco mais para reagir e retomar o Estado e suas instituições para si, o Brasil se perderá para sempre. As entregas lesas-pátrias do patrimônio público para corporações estrangeiras estão sendo feitas a cada semana desde o golpe porque se acredita que o povo não lutará para retomar o patrimônio doado quando a democracia voltar, se voltar.
É isso! O tempo de reagir é curto, mas cadê a reação dos milhões e milhões de cidadãos que num curto espaço de tempo histórico (anos) acessaram tantas conquistas sociais e agora num tempo muito mais curto ainda (de meses) veem seus direitos sociais escoarem pelo ralo sem reação à altura, mesmo que seja através de insubordinação ou guerra civil contra os da casa grande instalados nos aparelhos do Estado (em estado de exceção) que aí está?
William
Um brasileiro
Post Scriptum:
Por falar em língua padrão e não-padrão, eu não gosto de algumas mudanças do Novo Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa, em vigor desde 2009, que mexeu em acentos, hífen, trema e outras coisas. Quando me apetece, eu não respeito o que está determinado. Como disse acima, sei que não posso fazer isso num ofício, mas posso fazer nos meus blogs...
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