quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

O objeto das relações internacionais - três enfoques

Citando:

"O vasto campo de estudo das relações internacionais não é definido de forma consensual. Diferentes autores encaram de modo divergente - e muitas vezes conflitante - o objeto das relações internacionais. Grosso modo, é possível identificar três tradições divergentes que informam a produção acadêmica de teorias sobre as relações internacionais".

ESCOLA IDEALISTA
Sua fonte é baseada na noção do direito natural e implica a questão de justiça nas relações entre os Estados.

"All nations are... under a strict obligation to cultivate justice towards each other, to observe it scrupulously, and carefully to abstain from every thing that may violate it" (Jurista suíço Emmerich de Vattel 1714-1767 - autor de The Law of Nations)

Tradição que se desenvolveu no entre-guerras mundiais e ainda hoje assenta-se na ideia iluminista de sociedade perfeita.

A política do apaziguamento de Chamberlain e Daladier foi tributária dessa corrente de ideias.

Os realistas diziam que os EUA e Grã-Bretanha defendiam esta linha porque eram países insulares ou continentes. Era muito cômodo para eles.

"Enjoying the luxury of relative security provided by the English Channel in one case and the Atlantic Ocean in the other, British and American thinkers could offer prescriptions for reform of the international system that were perhaps less compelling for states surrounded by potential enemies" (Phil Williams e outros, Classic Readings of International Relations, Belmont, Cal., Wadsworth, 1993, p.7).

Vocabulário:
luxury (ious) = luxo\luxuoso
não confundir com
lust = luxúria
lust after\lust for cobiçar algo, alguém

ESCOLA REALISTA
Hans Morgenthau, autor de Politics Among Nations, é considerado o fundador do pensamento realista contemporâneo.

A Escola Realista enfatiza o potencial conflitivo entre as nações.

"Maquiavel sublinhou a importância da força na prática política liberta dos constrangimentos morais e conferiu legitimidade aos interesses do soberano. No seu pensamento, os fins condicionam os meios. O inglês Hobbes, como o italiano Maquiavel, nutria profundo pessimismo em relação à natureza humana"

Os realistas avaliavam haver uma ausência de um poder soberano e imperativo nas relações internacionais.

"Substituindo a meta moral da reforma do sistema internacional pela análise das condições objetivas que determinam o comportamento dos Estados, os pensadores realistas ancoraram a sua argumentação nas noções da anarquia inerente ao sistema e da tendência ao equilíbrio de poder como contraponto a essa anarquia"

ESCOLA RADICAL
Baseada na escola marxista, cujo objeto é o conflito entre as classes sociais - mas Marx não produziu uma teoria do sistema internacional.

Como o Estado é um elemento marginal no pensamento marxista, "o comportamento dos Estados, quando enfocado, surge apenas como veículo para interesses econômicos, políticos ou ideológicos de outros atores (classes sócio-econômicas, corporações industriais e financeiras etc)".

Também é baseada na teorização leninista sobre o imperialismo. O argumento original de Lenin abordava a ligação entre a prática imperialista e a guerra entre potências.


Bibliografia:
MAGNOLI, Demétrio. Questões Internacionais Contemporâneas - manual do candidato. Funag, IRBr. Brasília, 1995.

domingo, 29 de novembro de 2009

Estudo de francês - italiano

Foto de William Mendes: Torre Mole Antonelliana, Turim Itália, 2009.
(atualizado em 3/4/10)
FRANCÊS / ITALIANO
LE RELATIONS parentes I PARENTI

LE GRAND-PÈRE = IL NONNO
LE FRÈRE = IL FRATELLO
LA SOUER = LA SORELLA
LE PÈRE = IL PADRE
LA MÈRE = LA MADRE
LA GRAND-MÈRE = LA NONNA
LE FILS = IL FIGLIO
LA FILLE = LA FIGLIA

BEAU-PÈRE = sogro/a /padrasto/madrasta
I SUOCERI = sogros (parents in law)

LE MARI = IL MARITO
LA FEMME = LA MOGLIE

NOUS SOMMES MARIÉS = SONO SPOSATO/A

Estudo de francês, a partir de Raízes do Brasil



Refeição Cultural

Citação em francês do livro Raízes do Brasil, de Sérgio Buarque de Holanda. 

Portugal e a colonização das terras tropicais 

Pioneiros da conquista do trópico para a civilização, tiveram os portugueses, nessa proeza, sua maior missão histórica. E sem embargo de tudo quanto se possa alegar contra sua obra, forçoso é reconhecer que foram não somente os portadores efetivos como os portadores naturais dessa missão. Nenhum outro povo do Velho Mundo achou-se tão bem armado para se aventurar à exploração regular e intensa das terras próximas à linha equinocial, onde os homens depressa degeneram, segundo o conceito generalizado na era quinhentista, e onde – dizia um viajante francês do tempo – “LA CHALEUR (calor) SI VÉHÉMENT(E?) DE L’AIR LEUR TIRE (?) DEHORS (adv.: fora, exterior), LA CHALEUR NATURELLE, ET LA DISSIPE (adj.: distraído/a, v. dissipar-se), ET PAR AINSI (adv.: assim, dessa forma) SONT CHAULDS (?) SEULEMENT (adv.: só, apenas, somente) PAR DEHORS ET FROIDS (?) EN DEDANS (no interior)”, ao contrário do que sucede aos outros, os habitantes das terras frias, os quais “ONT (têm) LA CHALEUR NATURELLE SERRÉE (apertado?) ET CONSTRAINTE (contraído, constrangido?) DEDANS PAR LE FROID EXTÉRIEUR QUI LES REND AINSI ROBUSTES ET VAILLANS, CAR (conj. pois) LA FORCE ET FACULTÉ DE TOUTES LES PARTIES DU CORPS DÉPEND DE CETTE (pron. dem. esta, essa aquela) NATURELLE CHALEUR.”. 

(André Thevet, Les singularitez de la France Antarctique – Paris, 1879) 

COMENTÁRIO: Como se pode ver, não é fácil como o italiano, o espanhol e o inglês. UFA! Tem que ser teimoso... Entendi pouca coisa da citação. 

COMENTÁRIO 2: recebi hoje (2/2/10) a grata ajuda de um internauta que nos traduz e explica as citações acima. Que coisa fantástica isso, não é? Valeu!! 

José Marcos disse... 

Acho que a citação diz mais ou menos o seguinte: "o calor tão veemente (forte, intenso) do ar extrai (tira para fora) deles o calor natural e o dissipa; e dessa forma são quentes somente (só, apenas) por fora e frios por dentro (no interior)." 

Trata-se de uma afirmação de um viajante francês que acreditava que os homens que morassem nas terras quentes depressa se degenerariam por perderem o calor natural do interior de seus corpos mais rapidamente. 

A outra citação refere-se aos habitantes das terras frias: "têm o calor natural fechado e reprimido no interior pelo frio exterior que os torna assim robustos e valentes, porque a força e a faculdade de todas as partes do corpo dependem deste calor natural."

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Post Scriptum em 2025:

É interessante observar a passagem do tempo em certas coisas humanas. Ao receber um comentário de um internauta sobre a questão de ler e entender citações em outras línguas, no caso o francês, e fazer um esforço para aprender outro idioma por conta própria, joguei os excertos no aplicativo de tradução da big tech Google e em segundos veio a versão da máquina para saber o que o autor citou. A tradução que recebi de um internauta no passado (escrita acima) foi satisfatória à época e segue sendo.

Tradução do Google em 2025:

“O calor intenso do ar os atrai para fora e dissipa o calor natural, de modo que eles ficam apenas quentes por fora e frios por dentro.”

e

“Têm seu calor natural reforçado e restringido internamente pelo frio externo, o que os torna tão robustos e valentes, porque a força e a faculdade de todas as partes do corpo dependem desse calor natural.”

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Treinamento São Silvestre (XIV)

Hoje saí para uma corrida até que boa. Fiz cerca de 6 km em 34' em uma tarde abafada. Agora é só correr umas 3 vezes essa distância e estarei pronto para a corrida daqui a um mês... (rsrs)

Noção de texto e variações linguísticas

Alguns excertos sobre a leitura de uns textos que focam o Texto, as variações linguísticas e a importância de saber adequar texto e contexto.

(AS PARTES DO TEXTO NÃO SÃO MINHAS, SÃO DA APOSTILA DA FUNAG, autores Francisco Savioli e José Luiz Fiorin)

Um texto possui coerência de sentido, ele é um tecido, não um aglomerado desconexo de fios. Todo texto está inserido em um contexto, explícito ou implícito.

Dois fatores de textualidade importantes são a COERÊNCIA E A COESÃO.

"Um texto será coerente, quando nele não houver nada ilógico, desconexo, contraditório, não solidário; quando suas partes mantiverem compatibilidade, continuidade de sentido umas em relação às outras".

A coerência tem estreita relação com a SEMÂNTICA. Já a coesão tem relação com a SINTAXE. Um texto pode não ter coesão e ter coerência em determinado contexto.

"A coesão, por sua vez, diz respeito à ligação das frases ou orações do texto, por elementos que garantem sua concatenação ou retomam o que foi dito"

Outras características do texto é ser "delimitado por dois brancos, isto é, por dois espaços de não sentido" e ser "produzido num dado tempo e num determinado espaço".

CONCLUSÕES:
"Um texto é um todo organizado de sentido, delimitado por dois brancos, que manifesta um ponto de vista social sobre uma dada questão.

Desse conceito de texto pode-se concluir que:
a) a leitura de um texto não pode basear-se em fragmentos isolados; produzir um texto não é amontoar frases sem qualquer relação entre elas;
b) a leitura de um texto deve, de um lado, levar em conta aquilo que ele diz, e, de outro, a relação entre o ponto de vista social que ele expressa e aquele em oposição ao qual se constitui; produzir um texto é adotar uma posição sobre um dado assunto e argumentar em favor dela".

VARIAÇÃO LINGUÍSTICA
A variação é inerente ao fenômeno linguístico. Todas as línguas têm variantes, até mesmo os idiomas antigos.

O uso de uma dada variante linguística confere uma identidade ao falante, porque o inclui num grupo social bem específico.

Há variações nos planos fônicos, morfológicos, sintáticos e lexicais.

DIATÓPICAS são as variações regionais.
Ex: "cueca" em portugal quer dizer "calcinha" em brasileiro; "bicha" que dizer "fila"; "camisola" quer dizer suéter.

DIASTRÁTICAS são as variações que marcam os grupos sociais.
É a questão da linguagem culta, popular, junenil, sindicalista etc.

DIAFÁSICA é a variação que se adapta às diversas situações de fala.
É a questão de saber adaptar a linguagem ao contexto. Não se deve falar em um bar da mesma maneira que se fala no Congresso Nacional e vice-versa.

SER POLIGLOTA NA PRÓPRIA LÍNGUA!

DIACRÔNICA é a variação da linguagem no tempo.
Uma linguagem da mesma língua é uma no século atual e outra em cada século anterior.

DIFERENÇAS ENTRE A MODALIDADE ESCRITA E FALADA

Na oralidade estão presentes o EU, TU, AQUI, AGORA. É a cena enunciativa. Situação de interlocução. Como isso não está presente no texto escrito, é necessário recriá-la na escrita.

Existem estratégias diversas na criação de texto oral. Já no escrito várias marcas presentes na conversação desaparecem. De quase todas as estratégias usadas na fala, somente a variante lexical é aceita no texto escrito formal. O restante seria considerado erro. O ideal é tratar o tema das variações como ADEQUADO/INADEQUADO mais do que como CERTO/ERRADO.

Na FALA temos como UNIDADES DE SENTIDO os TURNOS e os TÓPICOS.

Já na ESCRITA temos os PARÁGRAFOS e os CAPÍTULOS.

CONCLUSÃO:
"É preciso compreender o fenômeno da variação e entender que escrita e fala são duas modalidades diferentes da linguagem, para daí tirar duas conclusões a respeito da produção dos textos escritos:

1. a menos que o texto escrito queira simular a fala, não deve aparecer nele nenhuma característica do texto falado: frases truncadas, marcas da presença de um interlocutor, sinais do planejamento e da elaboração, etc;

2. os textos científicos, técnicos, jornalísticos só admitem a chamada norma culta; outros textos, para marcar a identidade de narrador ou de personagens, permitem o uso de outras variantes, desde que elas sejam adequadas à identidade que se quer construir (não se pode fazer um baiano falar como um gaúcho)".

Bibliografia:
SAVIOLI, Francisco e FIORIN, José Luiz. Manual do candidato - Português. IRBr/Funag, Brasília, 1995.

Línguas estrangeiras


Acho que o ideal é pensar positivamente em relação ao estudo de línguas. Por exemplo, hoje não sei quase nada de italiano e francês. Mas, sei alguma coisa, algumas palavras de italiano e francês, ou seja, o estado do momento é melhor que ontem. Tenho que aprender novas palavras e questões de linguagem a cada minuto vago para acumular nova informação.

Objetivos:

Ser poliglota, conhecer INGLÊS, ESPANHOL, FRANCÊS e ITALIANO.

Não tenho, nos dias que correm, muitos objetivos claros como este dos idiomas. Também preciso passar em um concurso para ter uma condição financeira e social nos próximos vinte anos. Tenho preferência pela CARREIRA DE DIPLOMATA, mas estou a anos-luz do necessário...

Diria que estes são os objetivos pessoais para ocupar-me fora dos horários de trabalho sindical. O estudo técnico e de conhecimentos gerais em cada minuto vago deve ser este.

Nós que aqui estamos por vós esperamos, de Marcelo Masagão, 1998



Refeição Cultural

Hoje, assisti novamente a este filme. Ele é baseado no livro “A era dos extremos” de Eric Hobsbawm. O filme me emociona sempre. Ele é todo expressão, sem palavras. E nem é preciso tê-las. Está tudo dito ali. Filme fantástico!! Recomendo a quem não o conhece e não o viu ainda.

Como ando meio sem palavras, segue um texto do professor Sevcenko, que fala sobre o filme.

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"Nós que aqui estamos por vós esperamos" 

por Nicolau Sevcenko

Com base na história e na psicanálise, Marcelo Masagão compôs um complexo mosaico de memórias do século 20. Seu recurso à justaposição de imagens e sequências fragmentadas, ao invés de uma narrativa contínua e linear, capturou o âmago mesmo desse tempo turbulento. A irrupção nele da cultura moderna indicava precisamente isso: a ruptura de todos os elos com o passado; o imperativo da supremacia tecnológica; a penetração ampla e profunda em todas as dimensões, macro e micro, da matéria, da vida e do universo; o anseio da aceleração, da intensidade, e da conectividade; a abolição dos limites do tempo e do espaço. O que mais marca este momento portanto, é justamente essa multiplicação de energias, a pluralidade das sensações e das experiências, o esfacelamento da consciência e a interação com os mais diversificados contextos.

A história se pulveriza numa miríade de registros e o inconsciente aflora, magnificado pela potência das novas fontes de estimulação sensorial, bem como pelo choque traumático das forças destrutivas deslaçadas sobre a humanidade.

Sensível e ponderado foi também o seu modo de jogar com as perspectivas de gentes simples e anônimas, nascidas no torvelinho das grandes transformações, dragadas pelas engrenagens dos gigantescos complexos industriais, as linhas de montagem, o lazer massificado, a publicidade, os apelos do consumo, as alegrias da dança e do corpo liberado, os rigores trágicos das crises e da guerra. Dando nome a essas criaturas minúsculas, ele ao mesmo tempo devolve o quinhão de humanidade que lhes foi negado, como destaca o modo pelo qual a dinâmica social opera através da modulação dos comportamentos, a rotinização do cotidiano e a galvanização das mentes.

Dentre a massa de personagens anônimos ressaltam alguns rostos e nomes famosos: artistas, cientistas, intelectuais, líderes políticos e espirituais. Eles funcionam como chaves que articulam tendências de ampla configuração em diferentes níveis da experiência social e cultural. Catalisando processos em andamento, eles ao mesmo tempo dão voz às minorias silenciosas, como sinalizam alternativas ou consolidam estados latentes de aspiração, conformação, revolta ou ressentimento. A história é tramada nessa imprevisível dialética entre pressões estruturais, decisões individuais, desejos, pavores e projeções subconscientes, tensões sociais e a polifonia de vozes que dão forma e expressão às conjunturas.

A singela fórmula "nós que aqui estamos, por vós esperamos", gravada no portal do pequeno cemitério de província, é outro dos achados cintilantes deste filme. Por um lado, ela oferece um contraponto tocante às ambições grandiloquentes do século 20 e de sua modernidade. Evoca a fragilidade e os estreitos limites da condição humana, os quais têm sido sistematicamente ignorados por poderes e ambições que atravessaram o período impondo demandas e sacrifícios exorbitantes. Por outro lado, apresentada no final do filme, a frase ressoa e opera como um feixe que conecta todos os fragmentos dispersos, nos transportando para dentro daquele mundo, como mais uma memória que irá se somar a esse painel dramático, ligada a cada detalhe dele por vínculos de solidariedade e compaixão. Os temas compulsivos e recursivos das músicas de Wim Mertens funcionam como o nexo emotivo que, se instila ritmo e vibração às imagens, também nos põe em sintonia com os sonhos profundos que animaram nossos irmãos e irmãs nessa aventura histórica ainda mal entendida e certamente inacabada, mas que obras como essa nos ajudam a vislumbrar e a compreender melhor. Creio que é isso também que eles, lá na sombra discreta do cemitério, esperam de nós.


Nicolau Sevcenko
São Paulo, 22 de dezembro de 1999
Professor de História da Cultura USP-SP

Fonte: com Uol.com.br

Leitura: Raízes do Brasil, de Sérgio B. de Holanda



Refeição Cultural

Estou lendo o segundo capítulo. A linha interpretativa do autor é brilhante. 
Ao ler, você vai vendo a gênese de nosso povo e vai visualizando as características dos povos ibéricos em relação aos europeus. 

Como seria bom se os brasileiros tivessem a oportunidade de lerem já na adolescência os livros de nossos pensadores e ensaístas. Livros de Caio Prado Jr, Sérgio Buarque de Holanda, Darcy Ribeiro, Antonio Candido, Celso Furtado, Gilberto Freire, Raymundo Faoro, dentre outros. 

Eu sei que os livros estão aí em algumas bibliotecas e nos sebos e muitos ainda têm edições para aquisição em lojas e livrarias. Mas, falo de oportunidade verdadeira, ou seja, que as obras fizessem parte da bibliografia e das referências das escolas e das demais práticas de ensino, não como algo obrigatório e maçante (e nem isso ocorre) e sim com programas de incentivo à leitura de forma descontraída, com mídias modernas para aliviar o peso da leitura, seminários a respeito das obras, grupos de leitura, etc. 

Capítulo 2 

TRABALHO & AVENTURA 

- Portugal e a colonização das terras tropicais 
- Dois princípios que regulam diversamente as atividades dos homens 
- Plasticidade social dos portugueses 
- Civilização agrícola? 
- Carência de orgulho racial 
- O labéu associado aos trabalhos vis 
- Organização do artesanato; sua relativa debilidade na América portuguesa 
- Incapacidade de livre e duradoura associação 
- A "moral das senzalas" e sua influência 
- Malogro da experiência holandesa 

Há um texto do autor, anexo ao capítulo: Persistência da lavoura de tipo predatório 


Bibliografia: 

HOLANDA, Sérgio Buarque. Raízes do Brasil. Companhia das Letras, 26ª edição, 27ª reimpressão 2007.

Treinamento São Silvestre (XIII)

Infelizmente, estou com pouco tempo e, o que é pior, com indisposição para o treinamento físico. Por falta de ânimo para correr, apenas caminhei neste sábado por 60 minutos.

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

Leitura: Raízes do Brasil, de Sérgio B. de Holanda



Refeição Cultural

“E assim, enquanto povos protestantes preconizam e exaltam o esforço manual, as nações ibéricas colocam-se ainda largamente no ponto de vista da Antiguidade clássica. O que entre elas predomina é a concepção antiga de que o ócio importa mais que o negócio e de que a atividade produtora é, em si, menos valiosa que a contemplação e o amor.”


COMENTÁRIO: Após a leitura do prefácio de Antonio Candido, li o primeiro capítulo do ensaio de Holanda. Posso afirmar uma coisa com tranquilidade: o intelectual é ousado! Fiquei surpreso com a linha de argumentação dele. 

Mais uma vez, ao seguirmos lendo e tentando conhecer as teses e linhas de pensamento da intelligentsia brasileira, compreendemos os porquês daquilo que somos e de porque não chegamos ainda aonde achamos que merecemos estar. 

Quase sempre, nossa realidade e nossa situação presente é o resultado de nosso passado, de nossa gênese. Ah! E como é triste o fato de nossos jovens viverem numa espécie de “presente contínuo”, como diz Hobsbawn, e não se interessarem por conhecer o passado para compreender que o tecido do presente é o resultado da tecelagem do ontem, para o bem e para o mal. 

Às vezes, fica fácil até para compreender o porquê de nossa elite branca ser tão desgraçadamente egoísta e de pensamento medíocre. Às vezes, fica fácil até para compreender por que os cidadãos pobres e humildes paulistas votam nos candidatos da direita reacionária e conservadora, elite essa que segue adestrando a massa em escolas técnicas somente para que os futuros trabalhadores não estraguem suas máquinas industriais. 

O capítulo primeiro apresenta o seguinte temário, que fala por si mesmo:

FRONTEIRAS DA EUROPA 

- Mundo novo e velha civilização 
- Personalismo exagerado e suas consequências: tibieza do espírito de organização, da solidariedade, dos privilégios hereditários 
- Falta de coesão na vida social 
- A volta à tradição, um artifício 
- Sentimento de irracionalidade específica dos privilégios e das hierarquias 
- Em que sentido anteciparam os povos ibéricos a mentalidade moderna 
- O trabalho manual e mecânico, inimigo da personalidade 
- A obediência como fundamento de disciplina 

Bibliografia: 

HOLANDA, Sérgio Buarque. Raízes do Brasil. Companhia das Letras, 26ª edição, 27ª reimpressão 2007.

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Rio Branco (Biografia), de Álvaro Lins


OIT, Turim - Itália, 2009. 
Foto de William Mendes.


Lendo o primeiro capítulo do livro de Álvaro Lins, ele nos diz que D. Pedro era contrário a ideias de anexação dos países do Prata ao território brasileiro.

"Os estadistas mais novos, como Paranhos, achavam, ao contrário, que a intervenção seria a única maneira de obter a paz entre o Brasil e os seus então turbulentos vizinhos da Argentina e Uruguai. Também este era o pensamento do jovem Imperador. A sua orientação está por inteiro nesta frase: 'Protesto contra qualquer ideia de anexação de território estrangeiro'. Completada com outra dirigida ao Ministro Quesada: 'Nenhuma mudança na geografia política da América do Sul' ".

ROSAS E A IDEIA DO VICE-REINADO DO PRATA

"Alteração da geografia política da América do Sul era sem dúvida o sonho imperialista de Rosas: a constituição do vice-reinado do Prata, com a Argentina, o Uruguai, o Paraguai e a Bolívia".

BRASIL AO LADO DE MITRE E SARMIENTO

"O papel da diplomacia seria dispor os problemas e os quadros de tal modo que ficasse evidente que agíamos no sentido da libertação e da maior autonomia da Argentina e do Uruguai, e não da sua escravização. Consistiu a tática da diplomacia imperial em obter alianças poderosas dentro da própria Argentina. Ligado aos governadores de Entre-Rios e Corrientes contra o de Buenos Aires, o governo brasileiro não contribuía só para libertar a Argentina de um governo tirânico, mas também concorria para a sua unificação, para a sua unidade nacional. Lançava-a ao encontro de Mitre e Sarmiento".

LIMITES BRASIL-URUGUAI: UTI POSSIDETIS

"Só a 22 de abril de 1853 Paranhos conseguiu a assinatura do Acordo, complemento do Tratado de 15 de maio de 1852, pelo qual 'sendo o uti-possidetis a cláusula que deveria determinar o traço da linha divisória entre Chuí e São Miguel, essa linha devia correr entre os passos gerais dos mesmos arroios, descendo pela margem direita do São Miguel até a Lagoa Mirim, e que, por conseguinte, não tinha lugar o traço que pretendera o comissário oriental' ".


Bibliografia:

LINS, Álvaro. Rio Branco (Biografia). Editora Alta-Omega. Funag, 1995.


A geografia na história da Alemanha

Estudo da apostila do concurso de diplomata, material que adquiri do IRBr/Cespe UnB.

Conceito de espaço, por Milton Santos:

"O geógrafo Milton Santos define espaço como acumulação desigual de tempos. Nessa perspectiva, o espaço geográfico é coagulação do trabalho social, materialização de ideias e de ações das sociedades sobre a natureza. O espaço materializa diferentes tempos sociais; sua gênese e evolução constituem o objeto da geografia"

A GEOGRAFIA NA HISTÓRIA DA ALEMANHA

A questão fundamental para a Alemanha do século XIX é a Unidade Nacional.

Alguns temas situam bem a questão:

-a disparidade e a falta de articulação entre as várias regiões de fala alemã, cada uma organizando-se enquanto Estado autônomo e possuindo dinâmica social autônoma;
-a ausência de uma centralidade geográfica organizadora do espaço alemão, cujo único vínculo é a comunidade linguística;
-a existência de disputas fronteiriças com países não germânicos.

SOCIOLOGIA - CIÊNCIA AUTÔNOMA DA FRANÇA
"país onde, mais de que qualquer outro lugar, as lutas de classe sempre foram levadas à decisão final".

GEOGRAFIA - CIÊNCIA AUTÔNOMA DA ALEMANHA
"onde a questão espacial ou territorial se colocava no centro dos problemas da sociedade".

Importância de Humboldt e Ritter - apreço destes por Herder - proximidade com o movimento "sturm und Drang" - identidade cultural dos alemães pela língua.

Ritter = debate mais político = tradição teológica.
Humboltd = questão da identificação da unidade nacional pela língua = traços mais românticos.

ORDENAÇÃO CIENTÍFICA DA GEOGRAFIA
"Ritter realiza toda uma padronização conceitual que interessa, não apenas à Geografia (cuja primeira formulação sistemática de objeto e método foi obra sua), mas a qualquer descrição da Terra".

UNIFICAÇÃO E PROBLEMÁTICA ESPACIAL ALEMÃ
"[...] De todo modo, no que interessa diretamente à prática social alemã, as formulações desses autores servem para dar status de ciência ao debate da unificação, e principalmente de sua problemática espacial".

LEGITIMAÇÃO DA PROPOSTA EXPANSIONISTA

"A efetivação da unidade alemã em 1871 não redundou na superação da problemática espacial pela sociedade da nascente nação; ao contrário, vai reforçá-la e redefini-la pela inclusão de novos elementos [...] A Geografia vai ocupar papel destacado na legitimação da proposta expansionista [...] As questões do domínio do espaço, dos recursos naturais e sua relação com o desenvolvimento econômico, das fronteiras, das raças, entre outras, fluem diretamente da situação prática vivenciada pela sociedade alemã".

RATZEL - SEGUNDO REICH - BISMARCK

"Essa síntese ampliadora da discussão geográfica vem aflorar com a obra de Ratzel, publicada basicamente entre 1870 e 1900. Como se pode observar, este autor vivencia diretamente o período de constituição do Segundo Reich, a era bismarckiana".

Ratzel introduz o temário da Geografia do Homem. "O período bismarckiano se singulariza por um acirramento do nacionalismo e, associado a este, uma apresentação clara de um projeto imperial [...] Nesse processo foram recuperadas as teorias da tradição filosófica alemã que interessavan aos objetivos prussianos, porém tais teorias foram articuladas por uma influência dominante do positivismo"

CIENTIFICISMO: DAR UM CARÁTER DE NEUTRALIDADE

Foi buscado para a Geografia uma linguagem objetiva e formalista do cientificismo positivista. Isso para dar um caráter de "neutralidade" as ideias expansionistas alemãs.

"as formulações de interesse do projeto alemão deveriam cobrir-se com uma aura de universalidade".

TEORIZAÇÃO DA "NATURALIDADE EXPANSIONISTA" DOS POVOS

"A tematização do expansionismo é abertamente formulada por Ratzel, porém é discutida num plano universal, onde emerge a artimanha do argumento de sua justificação: a naturalização, a expansão posta como característica natural da história dos povos".

ESPAÇO VITAL
"Naturaliza-se a própria política exterior expansionista, como uso de uma concepção evolutiva da história, posta como tendo por motor a 'luta das nações'; nesse particular a Geografia desponta com excepcional peso ao discutir, por ex., a problemática do 'espaço vital'. Todos esses argumentos se articulam na ideologia nacionalista do 'destino alemão', da 'glorificação do Reich', da 'superioridade ariana'. Aqui, na finalidade de popularização, mistura-se o cientificismo legitimador com o destino romântico de elevada penetração popular".

CONCLUSÃO DO AUTOR
"Sintetizando o que foi apresentado, reafirma-se a ideia de que o afloramento do processo de sistematização da Geografia, especificamente na Alemanha, ocorreu em virtude das condições particulares de desenvolvimento das relações capitalistas nesse país, que colocavam a questão espacial (logo, o temário dessa disciplina) no centro do debate político. Tal importância advinda da fragmentação nacional vivenciada pelos alemães e do caráter tardio de sua unificação. A discussão geográfica no século XIX avançou alimentando e sendo alimentada, dentro desse processo de unificação, e foi obra de pensadores alemães. A justificativa dessas afirmações pede o concurso de uma análise mais detalhada dos principais representantes desse movimento genético da Geografia moderna: Humboldt, Ritter e Ratzel [...]".

Bibliografia:
MORAES, Antônio Carlos Robert. A Gênese da Geografia Moderna. HUCITEC/EDUSP, São Paulo, 1989, pp 66-75. IN: Manual do candidato - Geografia, de Regina Célia Araújo. Funag/IRBr, 1995.

O conceito de espaço geográfico, Milton Santos

Estudo da apostila do concurso de diplomata, material que adquiri do IRBr/Cespe UnB em 1995.



Conceito de espaço, por Milton Santos:



"O geógrafo Milton Santos define espaço como acumulação desigual de tempos. Nessa perspectiva, o espaço geográfico é coagulação do trabalho social, materialização de ideias e de ações das sociedades sobre a natureza. O espaço materializa diferentes tempos sociais; sua gênese e evolução constituem o objeto da geografia"

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Estudo de italiano

Foto de William Mendes: Torre Mole Antonelliana em Turim - Itália, 2009.
(atualizado em 3/4/10)
LORO
pron. pl. 1. eles, elas 2. os,as 3. lhes, a eles, a elas 4. os senhores, as senhoras 5. aos senhores, às senhoras.
pron. 1. seu, seus, sua, suas, deles, delas 2. dos senhores, das senhoras.

IL LORO fig. os seus bens, os bens deles/delas
I LORO fig. os seus (parentes), os parentes deles/delas

LORO
sujeito: LORO SONO VENUTI eles/elas vieram
O.D.: PAOLO VEDE LORO Paolo os/as vê
após prep./adv.:
SCRIVI A LORO escreva para eles/elas
PARLO COME LORO eu falo como eles/elas
O.I.: LA SEGRETARIA SCRISSE LORO a secretária escreveu para eles/elas

modo cortês: LORO SONO BRAVI PROFESSORI os senhores são bons professores

LUI
pron. m. sg. 1. ele 2. o, lo

sujeito: LUI È VENUTO ele veio
O.D.: MARIA VEDE LUI Maria o vê
após prep./adv.: SCRIVI A LUI escreva para/a ele
PARLO COME LUI eu falo como ele

Fonte:
MICHAELIS. Dicionário escolar italiano. Ed. Melhoramentos.

Estudo de inglês

Fundamentalism has one interesting insight. It perceives the science-based, libertarian, humanist culture of the modern era as being itself a kind of new religion - and its deadly enemy.

O fundamentalismo tem uma argúcia/perspicácia interessante. Ele percebe/nota a cultura da era moderna - cultura libertária, humanista e baseada na ciência - como sendo ela mesma uma espécie de nova religião - e sua inimiga mortal.

Insight: the power to understand and weigh up a problem.

Fonte:
Don Cuppitt. The sea of faith. London: British Broadcasting Corporation, 1985, p. 181 (adapted) Retirado da prova objetiva - primeira fase - do concurso de admissão à carreira de diplomata, do Instituto Rio Branco (8.03.09). Cespe/UnB.
Dicionário Oxford escolar. Oxford University Press.
Elt Pocket Dictionary. Edited by Ronald Rodout