domingo, 31 de maio de 2015

Corridas - A saúde do Diretor de Saúde



Um ano à frente da Cassi.
Vamos correndo e lutando pela saúde
da entidade e nossa também.

Fechei o mês de maio com uma corrida de 10 km pelas ruas de Osasco (SP) neste domingo frio e de garoa.

Estou completando um ano de mandato na Cassi neste fim de semana. Minha vida teve uma mudança radical de 2014 para cá.

Passei a ter uma rotina de trabalho com um estresse maior ainda do que já tinha como dirigente nacional dos bancários.

Por entender a importância de minha tarefa durante este período de mandato na Cassi, tenho feito mudanças necessárias para tentar reequilibrar minha energia vital e minhas forças. 

Voltei a correr desde novembro do ano passado. No fim dos longos dias de trabalho e poucas horas de sono, quase parei de tomar cerveja e também optei por não cair prostrado no sofá ao chegar em casa, e decidi estabelecer uma rotina de colocar um tênis e sair para correr.

Sempre quis ser cadastrado na Estratégia Saúde da Família (ESF/CliniCassi), mas nunca deu certo quando vivia em Osasco com a família. Agora em Brasília, estamos cadastrados e já fiz dois exames de saúde no último ano.

Enfim, estou fazendo a minha parte porque isso é importante para minha família e para o trabalho que confiaram a mim.

Seguimos firmes encontrando energia para vencer os dias e lutar pelos projetos de saúde da classe trabalhadora que represento.

TREINAMENTO EM MAIO

1. Domingo 3 (DF).........................4,8 km / 30' com sol

2. Quarta 6 (DF)............................5,0 km / 30' noturna

3. Sábado 9 (DF)...........................3,0 km / 25' leve

4. Domingo 10 (DF).......................5,0 km / 29' baixei meu tempo

5. Terça 12 (DF)............................5,0 km / 28' baixei mais ainda meu tempo - show (noturna)

6. Domingo 17 (SP).......................4,0 km / 23'30" Pq. Continental

7. Quinta 21 (PE)...........................5,0 km / 32' Praia de Boa Viagem: noturna

8. Domingo 24 (DF).......................6,0 km / 37' de tarde

9. Segunda 25 (DF).......................5,0 km / 32' noturna

10. Domingo 31 (SP).....................10 km / 63' longão com muita subida, frio e garoa

O mês de maio foi diferente do anterior. Corri neste mês dez vezes, mas percursos menores. O longão deste domingo foi para não diminuir meus limites de distância. Neste mês corri em Brasília, Osasco e Recife.

Como foi um mês de muitas jornadas longas de trabalho e viagens, optei por não alongar as corridas. No entanto, fiquei muito feliz por fazer um percurso que estimo em 5k com o menor tempo dos últimos anos: 28'. Essa melhora tem sentido, porque no mês passado fiz um tempo muito bom para meu histórico na distância: foi na AABB SP.

No mês de abril corri sete vezes, mas fiz o maior longão do ano - 12 km em Uberlândia.

TREINAMENTO REALIZADO NO ÚLTIMO ANO

Novembro/2014 - 41,5 km em 9 corridas.

Dezembro/2014 - 62,5 km em 9 corridas, participei da 90ª Corrida de São Silvestre (15k).

Janeiro/2015 - 48,7 km em 9 corridas e participei da Night Run 10k do Costão do Santinho SC.

Fevereiro/2015 - 42,5 km em 8 corridas com um longão de 10k no fim do mês.

Março/15 - 51,59 km em 8 corridas, incluindo o 9º Circuito de Corridas AABB SP de 5,34k.

Abril/2015 - 46 km em 7 corridas, incluindo o longão de 12k em Uberlândia MG.

Maio/2015 - 52,8 km em 10 corridas, tendo feito uma 5k em 28' e um longão de 10k.

POR MINHA SAÚDE

Percorri correndo nos últimos 7 meses 345,59 km. No mínimo, isso me fez manter um pouco da condição cardio-respiratória e muscular nos membros inferiores, melhorei o sistema digestório e circulatório, mantive bons níveis de HDL no sangue e devo ter dormido um pouco melhor por isso. 

Se estou bem ou não de saúde, é coisa a se avaliar. Por exemplo, estou com o ombro esquerdo com muitas dores. Mas sem dúvidas, estaria pior se não fosse essa agenda de corridas que forcei acontecer até agora.

domingo, 24 de maio de 2015

Será que vamos voltar ao Estado de Natureza?



Desenhos... num momento, decidi ver como estava esse dom
que também tive em certo tempo em meu eu.

Refeição Cultural - Será que vamos voltar ao Estado de Natureza?

Fim de dia. Fim do domingo. Estou meio-que... o tempo necessário para descansar não foi suficiente. Cheguei ontem à noite do trabalho e vou madrugar para trabalhar. Mas... a vida é assim. Vou me concentrar em economizar energia porque a semana será longa até o fim do próximo sábado.

Corri pela tarde com temperatura de 24º e percebo a mudança do clima brasiliense em fim de maio; está ficando mais seco. Fiz um trote de 6k em 37'.

Reflexões a partir da observação da vida animal em estado natural

Faz algumas semanas que tenho assistido aos domingos programas abordando a vida na natureza. Isso me leva a reflexões constantes sobre a nossa vida humana neste momento em que estamos de nossa história.

A vida em estágio natural é uma eterna luta pela sobrevivência. Se mata para viver a todo instante. E sobrevivendo com água e comida, alguns seguem, outros viram comida do outro na cadeia alimentar. Nós humanos conceituamos a natureza de "bela" por suas cores, tons, animais, plantas, formações geológicas etc. Viver na natureza, sem regramento que limite ações, necessidades e desejos individuais, sem espírito de proteção e apoio coletivo em sua espécie, ou até em parceria com outras espécies, é muito difícil e com probabilidades bem menores.

Somos animais mamíferos. Simples assim. Como diz o documentário "Ilha das Flores" somos mamíferos bípedes, com polegar e telencéfalo altamente desenvolvido. Saímos do puro estado de natureza há alguns milhares de anos e paramos de viver como os animais vivem em meio à natureza selvagem.

A necessidade de proteção grupal, estabilidade, provisão de víveres e o desejo de amor e companhia nos fez construir espaços comuns e estabelecer regras e limites individuais para o bem coletivo. Desenvolvemos tecnologia ao longo de nossa história para nos ajudar a dominar o espaço e prover todas as necessidades que tínhamos e as que fomos criando.

Nessa história ao longo do tempo e por todo o globo terrestre sempre houve momentos de ruptura dos contratos sociais que definiam regras e limites. As rupturas levaram a guerras e extermínios entre nós da mesma espécie. Não podemos esquecer que nossa espécie humana também teve e segue tendo uma capacidade impressionante de extermínio de todas as demais espécies por onde quer que decidamos nos instalar. Nós destruímos e alteramos tudo ao nosso redor.

Construímos ao longo de nossa história, várias experiências positivas e negativas de sociedades com mais igualdades de direitos e com menos igualdades de direitos entre todos os participantes dessa sociedade.

Ao estudar nossa história humana, ser participante da sociedade contemporânea e olhar ao meu redor, fico assustado com o rumo que estamos tomando, nós animais mamíferos que somos. Vejo que nosso futuro está em risco e tenho uma leitura de que estamos caminhando para voltar ao Estado de Natureza, sem regras e limites definidos para termos segurança, provimento, amor e melhor perspectiva de paz.

Inteligência Artificial pode por em risco a raça humana?

Vi também um programa que mostra a preocupação de grandes mentes do ramo dizendo que há sim um risco de alcançarmos nas próximas décadas um salto tecnológico que pode fazer com que a Inteligência Artificial se torne independente de nossas ordens e autônoma enquanto espécie. Ela teria a capacidade de se estabelecer no planeta Terra exatamente como nós fizemos até hoje e nós nos tornaríamos apenas mais uma raça animal sem estar no domínio das coisas.

E a pergunta que parte dos cientistas está fazendo é qual a necessidade de se seguir nessas pesquisas? Eu não vejo nenhum sentido nisso, francamente.

Qualquer tecnologia pode ser usada para o bem e para o mal. Desde sempre. Mas ela pode ameaçar a existência humana e de outras espécies também.

Eu tenho a preferência por tentar me manter humano, utilizando meu cérebro e minha capacidade acumulada de me importar mais com a vida em coletividade e com a busca de amor e felicidade para o conjunto dos animais mamíferos humanos em suas comunidades. E logicamente isso só é possível para a raça humana se nos atentarmos também para a conservação do planeta que nos abriga e sua biodiversidade, que é um achado no cosmos, com uma multiplicidade de casualidades naturais que geraram as condições de vida como a conhecemos.

É isso!

William Mendes

quarta-feira, 13 de maio de 2015

Diário - 130515


Brasília!

Madrugada de quarta-feira 13.

Mas vamos falar da terça-feira 12, que foi o dia da primeira mesa de negociação entre o Banco do Brasil e os representantes das entidades sindicais e associativas do funcionalismo para debater soluções para a sustentabilidade da Cassi - Caixa de Assistência, maior entidade de saúde no modelo de autogestão do país.

Como as partes definiram que os eleitos não estariam nesta primeira mesa, segui minha rotina de trabalho. Terça é dia de reunião da Diretoria Executiva da Cassi. Ou seja, saí de casa cedo e voltei cerca de 21h, seguindo a rotina de umas 12 horas de trabalho diário.

Eu teria ainda uma reunião com companheiros de trabalho e aliados a respeito da agenda da quarta-feira, quando realizaremos a Conferência de Saúde da Cassi no DF.

Me veio o convite: vamos conversar tomando uma cerveja e comendo alguma coisa? Meu organismo foi rápido na reflexão e na resposta. Me desculpei e preferi ir para casa descansar um pouco para a semana que ainda terá uma longa jornada com eventos públicos e viagens na quarta, quinta e sexta.

Enfim, cheguei quase 21:30h e o que decidi? Quedar no sofá ou sair para correr?

Coloquei um tênis, um calção e fui pra rua correr. Acho que estamos em um dia considerado frio para o pessoal de Brasília: 16º.

Corpo quebrado nos primeiros passos... fui aquecendo, as dores no corpo foram sumindo.

Fiz o circuito que calculo de uns 5k. Já fiz em até 36' o percurso. Nesta terça foi fan-tás-ti-co meu ritmo pós jornada de 12 horas de trabalho.

Fiz os 5k em 28'30". Acho que foi o meu melhor tempo para esse percurso em muitos, muitos anos.

Legal! Ainda mais considerando que comecei o mês de maio todo alquebrado fisicamente. Fiz um esforço tremendo para obter bom ritmo na corrida cada vez que fui pra rua.

Já corri 5 vezes nestes 12 dias do mês.

Estou me virando como posso para me fortalecer, não quebrar e ter estrutura para enfrentar a jornada física e psicológica que tenho tido desde que iniciei a nova missão de representação.

Vou dormir agora, quase duas da manhã e acordar às sete e meia para nossa Conferência de Saúde.

Mas tudo vai dar certo. Estamos no caminho com coração forte e firme nas convicções.

William Mendes

domingo, 3 de maio de 2015

Para sempre Alice - O risco de não sermos mais nós mesmos


Julianne Moore interpreta linguista com Alzheimer
no auge da carreira. Poster do filme (2014).

Refeição Cultural

Sinopse do filme:

A história aborda o surgimento precoce da doença de Alzheimer numa professora de linguística ainda no auge de sua carreira, aos 50 anos de idade, e os espectadores acompanham o drama que ela e a família vivem com o avanço da doença.

Comentário e reflexões

Ver esse filme me deixou muito reflexivo. Fiquei pensando sobre a vida e sobre a minha vida. 

Em relação à existência das pessoas, pensei o quanto nós somos frágeis e o quanto pode ser em vão, de certa forma, todos os nossos planejamentos, previsões e provisões para o amanhã. Por outro lado, não podemos abrir mão disso porque o que nos caracterizou como animais racionais tem muita relação com a questão do planejamento e da previsibilidade do amanhã para a comunidade e para seus indivíduos. Um dos males da atual fase do Capitalismo, a "flexível", é justamente a perda do conceito de "tempo longo" para as coisas. Richard Sennet aborda isso em seu ensaio "A corrosão do caráter".

Em relação à minha vida, ufa, fiquei durante todo o feriado pensando sobre o meu amanhã incerto e a quantidade de coisas que eu me programei para fazer em relação aos desejos de meu próprio ser. Aquilo que não tenho conseguido fazer ao longo das décadas de minha vida por ser um proletário que vive da venda da força de trabalho desde os onze, doze anos de idade. Como, por exemplo, as dezenas de livros que sonho em ler e os desafios de esporte e viagens.

Estou com 46 anos e sei que não farei nada até próximo dos 50 anos em relação aos meus desejos e realizações pessoais, além do trabalho que estou destacado a fazer que me consome a vida diária, semanal e integral. Mas cumpro minha missão com diligência e dedicação, pois sei da importância coletiva dela.

Ver o filme e lembrar das casualidades da vida me assustou. E se amanhã acontecer comigo algo do gênero e eu deixar de ser eu mesmo? O que vai ficar?

Nesta semana, durante minhas jornadas extensas de trabalho com nível de estresse nas alturas, acabei tendo algum colapso físico que me deixou uma madrugada toda mal fisicamente, com o meu corpo cobrando os excessos de dedicação ao trabalho e o estresse gerado e estive mais frágil fisicamente os dias seguintes. Agora estou só resfriado e me recuperando, mas sei que fui alertado.

Tenho uma certeza e uma clareza como a água de Bonito (MS). Sei que somos hoje o que sobrou de ontem, com toda a carga de investimentos em saúde e excessos contra o corpo e mente que fizemos, ou que nos fizeram, desde que fomos gerados. Esse corpo e mente, além das cargas genéticas, traz muita carga de trabalho pesado, hormônios mil por raivas, tristezas e outros jorros hormonais de sentimentos extremados.

A história da professora de linguística Alice Howland (Julianne Moore) me serviu para pensar por esses dias em como devo tentar fazer a minha parte em cuidar de mim mesmo porque a carga genética e os acúmulos e excessos que já trago de meu duro percurso existencial podem me pegar a qualquer momento.

Se no trabalho político, fazendo o melhor de mim até o limite, já senti a diferença absurda em relação ao apoio, companheirismo e envolvimento coletivo de quase todos que me colocaram nesta missão - porque o cenário é de dificuldades - imaginemos se eu quebrar no caminho, com quantas pessoas vou poder contar além de três ou quatro que hoje dependem de mim como esteio de família?

O filme teve neste espectador o efeito catártico que se espera da sétima arte.

Vale a pena ver.

William

domingo, 26 de abril de 2015

Diário - 260415 (Preservando o caráter)





Refeição Cultural - Preservando o caráter

"Como se podem buscar objetivos de longo prazo numa sociedade de curto prazo? Como se podem manter relações sociais duráveis? Como pode um ser humano desenvolver uma narrativa de identidade e história de vida numa sociedade composta de episódios e fragmentos? As condições da nova economia alimentam, ao contrário, a experiência com a deriva no tempo, de lugar em lugar, de emprego em emprego. Se eu fosse explicar mais amplamente o dilema de Rico, diria que o capitalismo de curto prazo corrói o caráter dele, sobretudo aquelas qualidades de caráter que ligam os seres humanos uns aos outros, e dão a cada um deles um senso de identidade sustentável"

(A corrosão do caráter - consequências pessoais do trabalho no novo capitalismo. Richard Sennett)


Domingo à noite. Acabou o fim de semana em Osasco SP.

Cheguei muito cansado de Campo Grande, Mato Grosso do Sul, na sexta-feira à noite. Estive lá para a primeira Conferência de Saúde da Cassi deste ano. A semana foi extremada no trabalho e o desgaste psicológico me exauriu as energias.

No sábado pela manhã foi muito difícil levantar-me. Mas depois o corpo "pegou no tranco" (a frase tende a virar relíquia na língua portuguesa porque não se pode dar tranco nos carros atuais). Encontramos alguns amigos à tarde em um churrasco. Uma das coisas que fiquei pensando após isso foi no livro de Richard Sennett falando sobre a questão do caráter.

SENSO DE IDENTIDADE SUSTENTÁVEL

"O termo caráter concentra-se sobretudo no aspecto a longo prazo de nossa experiência emocional. É expresso pela lealdade e pelo compromisso mútuo, pela busca de metas a longo prazo, ou pela prática de adiar a satisfação em troca de um fim futuro..." (Sennett).

Eu sei que deveria investir um pouco mais na sanidade advinda da convivência social nas horas de lazer. Eu quase nunca vou a eventos sociais porque estou sempre escolhendo o parco tempo que me resta do trabalho (militância) para mim mesmo. Faz muitos anos que tenho jornadas de 12 horas ou mais desde que fui para a Contraf-CUT e atualmente como diretor eleito da Cassi. Quando sobra alguns minutos, durmo... tento descansar em casa com a família.

CORRENDO PARA NÃO ADOECER

Ao correr neste domingo 5 km no Parque Continental, ao lado de onde moro em Osasco, percebi que se eu ficar sem correr algumas semanas ficarei doente. O estresse que tenho durante a semana vai fazendo meu corpo pedrar, cheio de hormônios ruins, e começo a ter dores nos músculos, tendões, costas etc. Ao correr, desopilo o fígado e sai a carga ruim e oxigena a vida. Não dá pra ficar sem correr mais não, com essa vida que estou levando para cumprir até o fim a missão que me designaram...

LEITURAS QUE ALIMENTAM E ENRIJECEM O CARÁTER

Fui ler um pouquinho neste domingo. Além de umas dezenas de páginas do Sennett, li a citação do dia no livro do Eduardo Galeano, "Los hijos de los días", que ganhei do companheiro Carlão.

Vi que neste dia 26 de abril ocorreu em 1986 a catástrofe nuclear em Chernobyl, Ucrânia. Eu me lembro disso e tinha 17 anos de idade. Naquele ano, decidi deixar meus pais em Minas Gerais e voltar sozinho para São Paulo para tentar trabalhar e fazer a minha vida. 

Eu estava cansado de ser trabalhador braçal, de trabalhar sem carteira assinada, fazendo bicos, eu queria um emprego mais estável, queria uma vida que me permitisse uma narrativa, como diz Sennett. Quando passei em dois concursos ao mesmo tempo - Banco do Brasil e CET da Prefeitura de SP -, escolhi o que tinha jornada de 6 horas...

Minha nossa! Nunca quis trabalhar tanto em minha vida... olha como está a minha vida hoje... as coisas são assim!

Todos somos filhos dos dias...

SENSO DE COMUNIDADE (AO VIVO)

"Rico me disse que ele e Jeannette fizeram amizade sobretudo com pessoas que viam no trabalho, e perderam muitas delas nas mudanças dos últimos doze anos, 'embora continuemos em rede'. Ele busca nas comunicações eletrônicas o senso de comunidade  que Enrico (seu pai) mais apreciava quando assistia às reuniões do sindicato dos faxineiros, mas o filho acha as comunicações on line breves e apressadas." (Sennett)

Por fim, queria deixar registrado que foi uma vitória poder falar com quase cinquenta pessoas em Campo Grande sobre a Caixa de Assistência dos Funcionários do Banco do Brasil. O Banco e seus representantes na Cassi não me liberaram a verba para realizar as conferências de saúde. Mas eu não aceitei isso e busquei na persistência pessoal e no apoio das entidades associativas do BB, como a Anabb e o Sindicato local, a forma de realizar o evento. Valeu a pena!

Eu disse para cada um dos colegas lá da nossa comunidade do funcionalismo, que eu posso até entender a importância das redes sociais virtuais, mas que nada substitui o olho no olho, o gesto, o tom de voz, a postura corporal de falar com as pessoas.

A humanidade vai sofrer muito com as consequências do esfriamento humano advindo com a vida virtual e o fim dos abraços, dos falares olho no olho. O mundo vai sofrer nas próximas décadas... (já está sofrendo).

Aos poucos que lerem essas palavras, deem um abraço humano nos seus próximos quando os encontrarem. Olhe para eles, ande olhando para a frente e não para a tela de seu mundo virtual.

William Mendes

segunda-feira, 20 de abril de 2015

Esporte e Saúde - Novos limites físicos em abril nas corridas de rua





Refeição Cultural

Voltei ao Parque do Sabiá, em Uberlândia, para correr meu longão do mês de abril. Retomei as corridas de rua em outubro de 2014 e prometi a mim mesmo que não quero e não posso parar mais.

Minha saúde tem sido destruída com velocidade crescente devido à rotina que passei a ter na minha função atual como gestor eleito pelos trabalhadores na Caixa de Assistência dos Funcionários do Banco do Brasil, a maior entidade de autogestão em saúde do Brasil.

Cheguei à gestão em 2014 num momento difícil da entidade, pois a empresa passa por desequilíbrio financeiro em seu principal plano de saúde e isso nos tem feito trabalhar muito desde junho do ano passado. Quando não são dezenas de horas de jornada semanal trabalhando sentado, estudando e lendo súmulas e documentos, escrevendo e em reuniões de trabalho, são viagens e horas e horas mal dormidas e alimentação irregular.

A volta às corridas de rua tem feito com que eu suporte a carga de trabalho. Tem a vantagem de melhorar minha circulação, respiração, diminui meu estresse, ajuda no sono reparador e evita que eu afunde de vez nos principais problemas de saúde da contemporaneidade: diabetes, pressão e colesterol altos. Estas são as chamadas doenças crônicas responsáveis por quase 80% dos agravamentos nas condições de saúde das populações.

Evidente que, mesmo correndo, começo a ter o problema clássico de volume abdominal irregular, tão preocupante para o coração e coluna. Como seria diferente para quem passa umas 14 a 16 horas sentado?

PENSEI EM CORRER 15K E ENTENDI QUE OS 12K QUE FIZ FORAM FANTÁSTICOS

Meu planejamento de corridas para 2015 prevê atingir o objetivo de estabelecer novos limites físicos e correr minha primeira meia-maratona (21k). Depois das reflexões e interpretações de meu corpo, já tenho claro que só no segundo semestre é que terei melhores perspectivas de treinamentos para tal percurso.

Estou correndo entre 40 e 50 km por mês em 8 a 10 treinos.

Cheguei ao parque neste domingo para correr 15k. Era algo meio ousado e exagerado. Percebi isso assim que comecei a corrida. Estava muito calor (28º) e senti cansaço na primeira volta de 5 km.

Não é sem motivo porque estou com um cansaço interior intenso. O trabalho intelectual é algo muito desgastante. E eu insisto em conciliar o esforço mental com o esforço físico. Isso vale a pena, mas tenho que ter a sabedoria e autoconhecimento dos meus limites.

Durante a segunda volta percebi que deveria reconsiderar o percurso de três voltas. Para estabelecer novo limite em treinos no ano, corri os 12 km e fiquei muito feliz porque me superei. Fiz os 12k em 80’.

Se pensar bem, o percurso do mês foi intenso porque com as corridas até hoje, já fiz 41 km em 6 treinamentos. Seguindo no ritmo em que estou, posso até fazer o meu melhor tempo na São Silvestre de 2015.

Eu estou fazendo o meu melhor, tanto na minha tarefa profissional à frente da Cassi, quanto no cuidado com minha saúde física e também mental, porque diariamente medito para suportar tudo quanto é situação limite sem me alterar ao extremo. 

Sigo firme!

Post Scriptum

TREINAMENTO EM ABRIL

1. sexta 3 (DF).............. 5k 32' (noturna)


2. domingo 5 (DF)..........8K 51' (com chuva)


3. quinta 9 (DF)..............5k 30' (noturna, feliz: tirei 1')


4. domingo 12 (DF)........6K 40' (noturna)


5. quinta 16 (DF)............5k 31' (noturna)


6. domingo 19 (MG).......12k 80' (Parque do Sabiá)


7. domingo 26 (SP).........5k (Pq. Continental: trote lento)


O mês foi difícil no trabalho. Consegui correr 46 km no mês e estabelecer o melhor longão do ano já em abril. Estou fazendo o possível por minha saúde.


sábado, 18 de abril de 2015

Sobre injustiças, ingratidões e oportunistas


O mínimo que um companheiro deve receber de outro
ao ser atacado é solidariedade e não o inverso.
Toda a minha solidariedade ao companheiro João
Vaccari Neto, preso sem provas e com critérios
estranhos perante outros suspeitos. (e isso não quer
dizer que eu pactue com irregularidades) Foto: 
William, Deli, Vaccari, Marcolino e Sasseron (2003, Pepe)

Lendo um excelente artigo do jornalista PML e alguns outros sobre o mesmo tema, me senti mais uma vez na obrigação de dizer algumas palavras do que penso a respeito do conjunto de fatos que têm acontecido na política brasileira e que têm sido responsáveis por atitudes injustas, ingratas e que são ótimas para identificar oportunistas de plantão dentro do movimento social dos trabalhadores.

O caso em questão é sobre os critérios diferentes de tratamento por parte de um certo juiz responsável por uma operação da PF de cunho político-eleitoral e com características de golpe institucional contra a presidenta Dilma Rousseff e o Partido dos Trabalhadores para os casos de denúncias de supostas ilegalidades financeiras e políticas, mandando prender o tesoureiro do PT, João Vaccari Neto, e não mandando prender o presidente do PSDB, Aécio Neves. Ambos são citados por bandidos confessos que estão fazendo as chamadas delações premiadas. É mais ou menos assim, os ladrões presos falam nas “delações” o que algumas autoridades querem que eles falem, e então eles poderão ser liberados de seus crimes e podem até ficar com parte de seus produtos de roubos. É só devolver uma parte e dizer as palavras certas. 

Outra coisa cínica: ou a lei de financiamento eleitoral privado atual é válida ou não é (devolve aí, Gilmar Mendes!). Se os dinheiros oficiais doados por empresas são motivo de suspeição de crime para o tesoureiro do PT, que essa regra valha para TODOS os partidos e se coloque na mesma cela no Paraná os tesoureiros de TODOS os outros partidos que receberam os dinheiros oficiais doados. É brincadeira uma coisa dessas!

João Vaccari Neto (a Geni da vez)

Em 2002, fui convidado a participar de uma chapa na eleição do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região e fomos eleitos. O presidente eleito na chapa foi João Vaccari Neto. Neste mesmo mandato (2002/05) a diretoria do Sindicato me convidou para assumir função na executiva do Sindicato e convivi com o companheiro Vaccari. A mim não importa se ele simpatizava comigo ou não e o mesmo de mim para com ele. Aprendi a respeitá-lo e aprendi muito com ele em relação a estar numa posição de tomada de decisões em nome de dezenas de milhares de trabalhadores. Quem me conhece sabe o que penso sobre isso: na luta de classes, é até mais legal se os combatentes ao nosso lado forem amigos, mas eu defendo o meu lado do front contra os adversários e inimigos, gostando ou não dos combatentes do meu lado, meus companheiros.

Foi assim que sempre defendi meus companheiros perante os trabalhadores que representei, principalmente do Banco do Brasil. Tive o privilégio de atuar no movimento sindical tendo como presidentes Vaccari, Luiz Cláudio Marcolino e Juvandia Moreira Leite (Sindicato), Vagner Freitas e Carlos Cordeiro (Contraf-CUT). Repito: não importa as rusgas que tenha tido com eles. Em caso de ataques a eles por parte da direita, dos desgraçados da imprensa golpista - lacaios do sistema e integrantes do “clube”, processos judiciais estranhos e parciais contra meus companheiros de luta e outros líderes dos trabalhadores, independente do partido ou da corrente política, na dúvida e sem “provas”, estarei ao lado deles contra meus verdadeiros inimigos, a direita fascista instalada nas estruturas de poder. 

Caso se prove algo contra eles, que se aplique a lei (mas até isso caiu por terra depois da mentira e picaretagem da invenção “Mensalão” e aquela invenção burlesca chamada “domínio dos fatos” – só para inventar crime contra o PT, após não haver provas formais como o caso de Genoino e Dirceu, e que se apague a corrupção ou suspeição sobre os partidos da direita, como o PSDB). Covas, Fernando Henrique, Serra e Alckmin não sabiam de nada no caso trensalão. Por que não se aplica a teoria do "domínio dos fatos"?

Melhor que ser oportunista de plantão, é definir de que lado está na luta de classes

Eu venho do seio da classe trabalhadora, fui trabalhador braçal na adolescência até virar bancário em 1988, primeiro no Unibanco e depois no Banco do Brasil em 1992, por concurso público. Foi nessa época que conheci o pessoal combativo do Sindicato, meus companheiros, porque eles eram bancários como eu e estavam do meu lado como trabalhador. Conheci muita gente boa ainda no Unibanco como, por exemplo, o funcionário do Sindicato e atual Deputado Estadual por São Paulo, Marcos Martins, do Partido dos Trabalhadores. Eu me apaixonei pela profissão de fé que é ser dirigente sindical e pelo significado das organizações criadas pelos trabalhadores e para organizar as lutas dos trabalhadores contra o sistema desgraçado de exploração dos capitalistas. Exemplos dessas organizações: os sindicatos e os partidos de esquerda como o PT.

Eu tirei meu título de eleitor em 1987 e meu primeiro voto como trabalhador braçal foi no Partido dos Trabalhadores. Eu descarregava caminhões de cargas e era entregador de caixas de palmito numa empresa lá na Barra Funda, bairro paulista. Votei na Luiza Erundina. Acertei meu primeiro voto porque o mandato dela na prefeitura mudou a minha vida como trabalhador. A imprensa golpista já fazia lavagem cerebral nas pessoas como faz hoje. Disseram nas “pesquisas” que ela era a 4ª nas opções dos paulistas... 

A lembrança que eu tenho e que me emociona até hoje quando lembro, como agora que escrevo, é que eu não conseguia entrar nos ônibus lotados nas manhãs porque era muita gente trabalhadora para poucos ônibus. Morria muita gente que caía porque nos pendurávamos nas portas e janelas. Com a eleição da prefeita do PT, eu passei a entrar no ônibus e, pode parecer uma bobagem, mas isso foi tão bom e nunca me esqueci disso.

Eu só me filiei ao Partido dos Trabalhadores em 2002 quando o movimento sindical e os movimentos de esquerda fizeram campanha com o fim de fortalecer o partido, após a eleição do metalúrgico Luiz Inácio Lula da Silva. Todos sabíamos que a direita secular brasileira, patriarcal, branca, escravagista, burguesia vira-latas que gosta de ser cachorra de imperialista americano e inglês, enfim, o movimento dos trabalhadores brasileiros sabia que seria dureza o governo de Lula do PT chegar ao fim dos 4 anos de mandato.

Não deu outra. Em 2004 apareceu o primeiro “escândalo” sobre as lotéricas da Caixa Federal. Depois criaram o “mensalão” porque era o ano anterior às eleições presidenciais de 2006. Toda a farra, o rega bofe do ataque ao PT foi baseado no apoio das famílias da imprensa, que apoiaram a ditadura civil-militar de mais de duas décadas. Naquela época, um senador de direita disse que o objetivo dos ataques conjuntos da direita e imprensa era “extinguir aquela raça” se referindo ao PT nos mesmos padrões do Nazismo de Adolf Hitler em relação aos judeus. E assim seguiu, de “escândalo” em “escândalo” contra Lula, contra o PT... depois vieram os “aloprados” e a combinação do delegado com a Globo e a pilha de dinheiro na mesa na véspera da eleição 2006.

Durante todos esses anos de “escândalos” contra o partido “demoníaco” do PT, a imprensa golpista foi escondendo merdas e mais merdas envolvendo os governos e as famílias seculares da burguesia vira-latas. Os ataques contra o PT foram ocorrendo, independentemente de qualquer acerto do governo e, principalmente, porque ao mesmo tempo a classe trabalhadora foi mudando de patamar, saindo da miséria e ascendendo aos bens de consumo e oportunidades antes somente dos filhos dos ricos brancos, da burguesia chinfrim brasileira. Foram dezenas de milhões de gente como eu e minha classe que mudaram de patamar.

Odeio oportunismo, injustiças e ingratidões

Acabei fazendo esse histórico do País, do PT, da classe trabalhadora nestes últimos 13 anos porque eu os vivi como ator. 

Eu posso ter sido maltratado por lideranças do movimento dos trabalhadores no último período. Posso até estar sentindo que recebo pouco apoio na tarefa que estou desempenhando porque as mesmas lideranças do movimento insistiram para que eu aceitasse participar do processo que me levou à tarefa atual de gerir a Caixa de Assistência dos Funcionários do Banco do Brasil em um momento que culmina em crise em 2015 após mais de uma década de acúmulos de problemas não resolvidos na entidade de saúde. 

Mas eu jamais vou concordar com a postura desprezível de lideranças do PT ou do movimento social e de esquerda em colocar primeiro sob suspeição seus companheiros quando sofrem ataques de nossos inimigos de classe. 

Eu disse o mesmo quando fizeram isso com Genoino e Dirceu. Isso não é papel de liderança verdadeira do movimento social. Há que se ver como liderança e saber o que a direita está fazendo com o maior cinismo de classe (dominante). Sinto nojo disso!

Finalizo citando trecho da música de Chico Buarque “Geni e o Zepelim”:

"Acontece que a donzela
(E isso era segredo dela)
Também tinha seus caprichos
E ao deitar com homem tão nobre
Tão cheirando a brilho e a cobre
Preferia amar com os bichos..."

Mensagem final aos oportunistas: 

Eu prefiro amar e estar ao lado dos bichos do que as globos, folhas, vejas, estadões, juízes parciais pró-burgueses, burgueses vira-latas, fascistas, patrões e outros lixos, partidos de direita tipo PSDB, aécios, bolsonaros, caiados, gilmares, barbosas e lixos do tipo...


William Mendes
Cidadão da classe trabalhadora brasileira

domingo, 12 de abril de 2015

Diário - 120415 (O valor das ideias)





Refeição Cultural

O valor das ideias



Fechando mais um fim de semana. Escrever é uma necessidade. Eu quis ser professor, escritor, intelectual, filósofo, historiador e acabei não sendo nada disso. As veredas de meu sertão me levaram para onde estou.

Este espaço virtual que criei faz alguns anos é importante para mim porque além de escrever e partilhar o que penso ou o que aprendi com meus estudos vários, me obriga a manter o cérebro e meus pensamentos em funcionamento.


UM DOMINGO ENSOLARADO

O dia em Brasília, Capital do Brasil, foi de Sol. Ao acordar, abri a janela e fiquei vendo e ouvindo os pássaros nas árvores. As leituras e o filme que vi na noite anterior ficaram em minha cabeça.

Embalei uma boa sequência de páginas na obra de Victor Hugo, "Os miseráveis". Mas estou no começo e sei que a história se repetirá com a leitura: não vou terminá-la por prioridades no trabalho.

Busquei pães. Tomamos café. Acabei contaminando meu domingo vendo um pouco na internet do efeito melancólico da lavagem cerebral capitaneada pela direita brasileira, manipulando parte do povo em prol de golpismos e reacionarismos contrários aos avanços conquistados por esse mesmo povo com os governos do Partido dos Trabalhadores nos anos recentes.

Almoçamos. Assisti Planeta Terra e corri à noite. O programa mostrou a maravilha das regiões inóspitas do Canadá Setentrional. Esses programas me põem a pensar muito!


CORRIDA: MESCLA DE PRAZER E OBSTINAÇÃO

Senti um cansaço físico grande neste fim de semana. Eu tenho uma leitura do porquê. É um misto do esforço que fiz na corrida de quinta-feira com a insistência de investir energia em estudos e coisas do intelecto.

Na quinta-feira, cheguei tarde da noite de meu trabalho na Cassi e fui cumprir minha meta de treinamento. Fiz uma corrida muito prazerosa porque corri contra o relógio e diminui mais um minuto no percurso de 5 km. Parece fácil, mas não é.

Eu insisto em querer ler com intenção de estudar e acabo esgotando mais minhas energias, ao invés de descansar nos finais de semana - haja vista que meu trabalho à frente da gestão na Caixa de Assistência me exige uma energia sobre-humana, tanto nas lutas e raivas que passamos, quanto nos estudos e leituras com cargas diárias de mais de 14 horas.

Resultado: procrastinei para correr no fim de semana até à noite deste domingo. Saí e corri 6 km, num trote lento e meu corpo estava numa leseira só. Haja obstinação para completar o percurso em 40 minutos. 

Mas é isso, senti um prazer imenso na quinta e cumpri meu compromisso comigo mesmo hoje.


O VALOR DAS IDEIAS

Os dois livros que estou lendo e o filme que assisti têm relação e lidam com a questão da importância das ideias e a influência delas nas sociedades.

Na parte que li ontem do livro Ideologia e Contraideologia, saí melhor após um conceito aprendido ali. 

Quando alguns pensadores do passado se posicionaram e escreveram suas teses, defendendo posições ideológicas em prol dos status quo estabelecidos ou contrários a eles, o fizeram com muita técnica, oratória, interesses pessoais e coletivos; o fizeram com paixão, e certamente tiveram boas e más defesas de "suas" teses. As aspas é porque alguns deles defendiam as teses da classe dominante, eram ideólogos dessa classe.

Alguns filósofos e pensadores foram defensores de modelos de sociedades com poder central, monárquico, divino. Outros defenderam administrações a partir de coletividades, o povo ou parte do povo; diretamente ou por representação.


ESTADO NATURAL - SOCIEDADE CIVIL

Uma das coisas que achei interessante foi a mudança construída por nós humanos ao decidirmos sair do Estado Natural (de natureza) para o Estado Civil. O Contrato Social de Rousseau aborda isso. O Leviatã, de Thomas Hobbes também.

O percurso das sociedades ocidentais entre os séculos XV e XXI tem uma relação profunda com a história do pensamento e das ideologias e contraideologias pró-governantes no poder e contra governantes no poder.

O filme V de Vingança também aborda a questão do valor das ideias - se matam homens, mas não se matam ideias. 

A história se passa numa Inglaterra do futuro (2020), uma sociedade distópica, com um governo totalitário, que usa dos veículos de comunicação para manipular o povo, e que vai enfrentar através de um homem a volta dos ideais de quatro séculos antes de libertar o povo da tirania do governo, evento conhecido como "Conspiração da Pólvora", ocorrido em 1605, e que teve como mártir Guy Fawkes.

A parte da leitura de "Os miseráveis", de Victor Hugo, está apresentando o Bispo de Digne e seus fortes ideais de bondade absoluta, dedicação aos pobres e a Deus.


COMENTÁRIO FINAL

De minhas reflexões neste fim de semana, e mediante tudo o que tenho vivido e que vou viver no próximo período como gestor da Caixa de Assistência, eleito e representante dos trabalhadores, fica a certeza de que eu não vou desviar de minhas ideias, meus ideais, meus compromissos assumidos com os associados e com as entidades associativas que me colocaram nesta tarefa e que me apoiaram.

Eu acredito no valor das ideias. Minhas ideias são contra hegemônicas (são contraideológicas). Mas eu luto pelo que acredito ser o melhor para os trabalhadores que represento.

William

domingo, 5 de abril de 2015

Diário - 050415


Vale ou não vale a pena correr embaixo de
 uma floresta como essa?

Domingo à noite.

Acabou o feriado de Páscoa. Estive em Brasília nestes dias.

Hoje tomei chuva duas vezes. A primeira quando fui comprar pão pela manhã. Assim que saí de casa e andei uns 50 metros, tibum! Chuva forte me ensopou. Relaxei e fui fazer o que tinha que fazer. Aqui em Brasília a chuva é assim, de repente.

À tarde, saí para correr. Minha meta hoje era um longão. No meio da corrida, tibum! Uma chuvona da hora. Segui correndo até completar o percurso mentalizado - 8 km, que fiz em 51'. Fiz um percurso entre as alamedas perto de casa embaixo de muito verde. 


Curicaca comum como as que vi hoje.
Foto de Flávio Brandão (internet)

Um casal de pássaros que nunca tinha visto me chamou a atenção durante as quatro voltas. Pesquisando depois, soube que se tratava de curicacas comuns. Já tinha curtido muito as revoadas de maritacas pela manhã. Mas as curicacas comuns foram meu deslumbramento do domingo.

A corrida é uma coisa interessante. Sabe quando você está com o diabinho no cérebro falando "não corre não" ou "pra que fazer o percurso todo... já tá bom!".

Na hora que começou a chover, o bichinho ficou assim na minha orelha. Mas a pessoa que sou e que estou diariamente alimentando, não desiste de nada e não tem espaço para preguiças ou coisas do gênero.

Completei e depois a sensação é de um prazer tão grande que só quem não desiste das coisas sabe o que é isso.

Li um pouco de Alfredo Bosi e seus profundos ensinamentos sobre ideologia e contraideologia. Vivo as consequências dessa coisa de gente sendo influenciada e defendendo os interesses dos outros, que não são os de si próprios enquanto classe trabalhadora. Vivo isso o tempo inteiro!

Ao fim da tarde, assisti ao programa Planeta Terra, na TV Cultura. Foi sobre caranguejos aranha gigantes na Austrália. Eu tenho uma formação pessoal cuja forma de ver o mundo tem muita relação com a percepção do mundo animal.

SOBREVIVÊNCIA DAS ESPÉCIES TEM MELHOR PERSPECTIVA COM APOIO MÚTUO - UNIÃO GARANTE PERPETUAÇÃO DA ESPÉCIE

Quando reflito a respeito de nós, mamíferos humanos, sempre relaciono com o restante da fauna animal no planeta Terra.


Os caranguejos gigantes da Austrália se reúnem uma vez por ano nas áreas mais rasas e próximas ao litoral, no dia da lua cheia porque as ondas mais fortes serão fundamentais para o processo que vão passar de troca das cascas.

Eles se encontram às dezenas de milhares, cobrindo o fundo do mar, para poderem trocar suas cascas e perpetuarem sua espécie, porque durante uma hora eles ficam frágeis e são refeição de um sem número de predadores. Mas por uma questão de volume, se aglomeram e cumprem sua função vital e depois voltam às suas vidas por mais um ano.

Será que é tão difícil o ser humano conseguir se ver como uma espécie animal e entender que o que nos mantém, assim como a história da vida no planeta, é o trabalho em coletivo e pelo bem comum?

O ser humano se achar como o suprassumo do poder e da independência enquanto mamífero é de uma burrice e estupidez dantesca! Basta um resfriado, uma caganeira, um mosquito Aedes Aegypti para o ser humano ver como que sozinho ele não é nada!

Mas vai falar isso para os super ultra liberais que acham que o mundo gira ao redor deles...

Vamos para mais uma semana de luta em prol da nossa Cassi e por um mundo mais justo e solidário porque eu e todos nós somos animais e precisamos uns dos outros em nossa espécie.

William Mendes

Ideologia e Contraideologia - Rousseau





Alguns excertos interessantes no capítulo que aborda Rousseau

"Do homem natural ao pacto social"


"Rousseau começa a desenvolver a tese que lhe será sempre cara: a humanidade piorou à medida que a civilização foi produzindo e reproduzindo as condições de desigualdade econômica e política que, em proporções diversas, continuam vigorando em todas as sociedades".

"Em 1753 a mesma Academia lançou novo concurso, cujo tema era a pergunta: 'Qual é a origem da desigualdade das condições entre os homens? Ela é autorizada pela lei natural?'. A resposta de Rousseau está no Discurso sobre a origem da desigualdade, que não obteve o prêmio, mas, publicado em 1755, pode ser considerado o texto-matriz do pensamento democrático radical que irá inspirar os revolucionários de 1789...".

"O pensamento de Rousseau é movido por uma paixão polêmica: acusar os males da sociedade francesa, que, por sua vez, eram justificados por uma ideologia iníqua, fundamentalmente o estilo de pensar do Antigo Regime, que cristalizava os estamentos, divinizava o poder monárquico e se mostrava indiferente à distância entre o luxo dos ricos e as carências dos pobres. Contra esse estado de violenta assimetria, mascarado pelo brilho de uma civilização refinada, o pensador esboça o quadro de uma sociabilidade ideal que ama a liberdade, a igualdade e a simplicidade dos costumes.

Percorrer a obra de Rousseau é acompanhar o processo de um homem contra uma sociedade, cujos modos de pensar contrariam tanto a imagem do homem natural como o ideal do cidadão virtuoso, que só consegue viver livre e feliz na vigência plena do pacto social..."


"O sistema político dominante nos meados do século XVIII francês é hierárquico. Os estamentos ou estados (État, termo usado desde o século XIII para designar a nobreza, o clero e o povo, o qual incluía burgueses, artífices e camponeses) eram desiguais no que tocava aos bens materiais, aos privilégios e às regalias concedidas pelo tesouro real. A desigualdade é o alvo central do Contrato Social (1762)..."


DESIGUALDADE COMO TRANSGRESSÃO ÀS LEIS NATURAIS

"No Discurso sobre a desigualdade, a existência de classes opostas é vista como transgressão das leis naturais, o que parece ser uma leitura democrática em polêmica com inflexões aristocráticas do jusnaturalismo de Grotius: 'É manifestamente contra a Lei de Natureza, seja qual for a maneira como se defina, que uma criança comande um ancião, que um imbecil conduza um homem sábio, e que um punhado de gente transborde de objetos supérfluos, ao passo que falte o necessário à multidão faminta..."


ORIGEM DAS DESIGUALDADES E ASSIMETRIAS POLÍTICAS ESTÁ NA INVENÇÃO DA PROPRIEDADE PRIVADA

"Em outra passagem, conceitualmente mais densa, Rousseau estabelece firmes conexões entre as assimetrias políticas e a desigualdade socioeconômica:

              'Se nós seguirmos a progressão da desigualdade nessas diferentes revoluções, constataremos que o estabelecimento da Lei e do Direito de propriedade foi seu primeiro termo; a instituição da Magistratura, o segundo; que o terceiro e último foi a mudança de poder legislativo em poder arbitrário; de sorte que o estado de rico e de pobre foi autorizado pela primeira época, o de poderoso e de fraco pela segunda, e pela terceira o de Senhor e de Escravo, que é o último grau da desigualdade, e o termo no qual desembocam todos os outros, até que novas revoluções dissolvam completamente o governo, ou o aproximem da instituição legítima'.


A PROPRIEDADE PRIVADA NÃO É UM DIREITO PRIMITIVO, NÃO É ESTADO DE NATUREZA

"A propriedade privada não seria, portanto, um direito primitivo, inerente ao estado de natureza, mas uma instituição tardia, uma 'impostura' que acabaria sendo, por necessidade, legitimada pela 'sociedade civil' com todo o seu cortejo de desigualdades. Provavelmente nenhuma outra denúncia da ideologia liberal burguesa terá sido lançada, antes do Manifesto Comunista, de Marx e Engels, com a mesma veemência dessa diatribe do segundo Discurso".


COMENTÁRIO

Da leitura, tiro proveito em fortalecer o que tenho definido como ideologia e os porquês de minhas posições no palco social.

Sou contrário à naturalização da desigualdade social, política e econômica. Tenho claro que fatores ideológicos e ferramentas fortíssimas de manipulação colocam nosso povo defendendo os interesses dos capitalistas. Essa manipulação atinge inclusive os componentes de nossa classe social - os trabalhadores e até nossos familiares.


LEI NÃO SE DISCUTE? E ESCRAVIDÃO?

Outra coisa que sempre tive opinião clara e que a mantenho até hoje: eu não concordo com as posições que afirmam que "lei não se discute, se cumpre". Há leis iníquas, feitas em contextos contrários à classe trabalhadora a qual pertenço e não acho que leis assim devem ser cumpridas.

Quer um exemplo: a lei da propriedade de um ser humano sobre outro (escravidão).


PL 4330 DA TERCEIRIZAÇÃO TOTAL

Quer outro exemplo: se esse congresso brasileiro da legislatura 2015/18, a mais direitosa e contrária aos trabalhadores em décadas, aprovar a terceirização total que vai ser colocada em pauta nessas semanas, sou favorável a uma completa rebelião da classe trabalhadora brasileira contra os patronatos e seus lacaios no Congresso Nacional. É a minha opinião e tenho o direito de expressá-la aqui.

É isso! Acabou o fim de feriado de Páscoa e o meu direito aos estudos e às leituras.

(Isso acaba comigo, mas sigo cumprindo meu papel social enquanto for preciso)


Bibliografia:

BOSI, Alfredo. Ideologia e Contraideologia. Companhia das Letras. 2010.