sábado, 29 de setembro de 2018

#EleNão - O dia que as mulheres salvaram o Brasil


(De nosso querido e saudoso Henfil)

Diário e reflexões - 290918

Um dia feliz e histórico este sábado, 29 de setembro de 2018. 

Hoje, centenas de milhares de pessoas foram às ruas do Brasil e de diversos países do mundo para darem um contundente #ELENÃO ao candidato da extrema direita e o que ele e seu vice representam para o mundo, para nosso país e para o povo brasileiro: o atraso civilizatório e a barbárie.

O movimento organizado e liderado pelas mulheres uniu os mais diversos segmentos progressistas da sociedade brasileira, grupos das mais diversas preferências partidárias e visões de mundo, todos unidos para darem um basta à pregação de violência contra mulheres, contra pessoas com identidades de gênero distintas da heterossexual, um basta contra toda forma de racismo, intolerância e ódio. Um dia para dar um basta às ameaças aos direitos sociais, políticos; aos direitos humanos.

Um dia importante e que nos enche de esperança para acreditar que o golpe à democracia brasileira pode encontrar resistência nas ruas e no povo. Um dia daqueles que podemos considerar que "o imponderável" veio meio que de surpresa e pode mudar a tendência de algo na luta de classes e na disputa de hegemonia nos rumos de uma sociedade, via de regra dominada por uma pequena casta detentora de todos os meios e que subjuga a quase totalidade de seres humanos.

Vai que amanhã e nos próximos dias o povo continue despertando do automatismo cotidiano, se ligue um pouco mais nos efeitos de deixar a política de lado (hegemonizada pelo 1% e seus ideólogos manipuladores). Vai que as pessoas comecem a ter menos ódio, mais tolerância, mais solidariedade, mais amor...

Vai que a democracia volte em nosso país, e a justiça comece a funcionar, vai que...

Foi um bom dia este do #ELENÃO

Viva as mulheres e tudo o que a luta das mulheres e das minorias e da classe trabalhadora significa.

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Post Scriptum: é sabido que o esforço das mulheres e dos movimentos sociais foi válido, mas foi em vão. As máquinas de fake news bancadas com muito dinheiro ilegal de empresários e capitalistas fizeram prevalecer a pós-verdade da extrema direita e o verme fascista ganhou a eleição, inclusive levando consigo bancadas enormes de parlamentares da mesma laia dele. As manifestações do #ELENÃO foram convertidas em mentiras montadas com mulheres nuas e cenas absurdas inventadas para manipular setores da sociedade como mulheres e grupos conservadores e religiosos para votarem contra Haddad e candidatos do campo progressista...

terça-feira, 18 de setembro de 2018

Civilização ou barbárie? Paulo Nogueira Batista Jr.


Apresentação do blog:


Olá amig@s leitores. Nestes tempos sombrios de baixa empatia pela tolerância e diálogo entre os diferentes na sociedade, tenho evitado escrever como fiz ao longo de minha vida de representação da classe trabalhadora.

A tragédia do fascismo ronda nossa sociedade e a cada dia fica mais claro que é preciso que cada pessoa saia de seu automatismo diário para se posicionar em relação às eleições majoritárias no Brasil no próximo dia 7 de outubro. 

Pela primeira vez no país há risco de um candidato fascista, racista, misógino, defensor da violência (que ele mesmo foi vítima) chegar à presidência via eleições, após impedirem a participação do favorito Lula da Silva. Setores conservadores da elite ("mercado") podem optar pela candidatura fascista para impedir a vitória de uma candidatura do campo democrático-popular, criando possibilidades reais de reversão da retirada de direitos sociais (exemplo: Reforma trabalhista) e desfazendo a entrega do patrimônio público como, por exemplo, as reservas do Pré-sal.

Eu cidadão brasileiro golpeado pelo impedimento ilegítimo da presidenta Dilma Rousseff (2015/16) e todas as consequências malévolas advindas com o golpe e também golpeado pela prisão sem crime do ex-presidente Lula da Silva, maior líder do povo brasileiro e candidato preferido de quase metade dos eleitores, impedido de concorrer pelo consórcio golpista, avalio que essas eleições são uma fraude ("Eleição sem Lula é fraude"), pois o povo não pode votar em quem deseja. Mas elas vão acontecer e podem legitimar os representantes do golpe que destrói o país desde 2016.

Cada um de nós cidadãos brasileiros temos um compromisso no dia 7 de outubro com a vida em sociedade, com a construção de um mundo melhor, mais justo e igualitário, mais coletivo e menos individualista, com mais solidariedade na partição dos bens humanos, que hoje se concentram nas mãos de 1% da população, enquanto 99% mal conseguem sobreviver com as mazelas sociais da falta de recursos de toda ordem. Temos um compromisso de não permitir que a sociedade humana vire uma selva onde quase todos nós somos caça e aquele 1% siga sendo nosso predador, no Brasil cerca de 860 mil senhores da casa-grande, donos de nosso destino.

A eleição no Brasil é acompanhada pelo mundo progressista, que sabe que se o fascismo vencer no Brasil, um gigante que é referência para mais de uma centena de países menores na América Latina e demais continentes pobres e em desenvolvimento, o mundo todo sofrerá as consequências dessa fase capitalista de financeirização, onde poucos humanos e suas corporações destroem democracias, direitos sociais, Estados e culturas, patrimônios diversos e bilhões de seres humanos, tudo em benefício de poucos. E contam com sistemas nunca vistos de dominação e manipulação de massas, com sistemas legislativos, judiciários e de comunicação totalmente à serviço desses magnatas.

Leiam abaixo o pequeno artigo de Paulo Nogueira Batista Jr. e reflitam a respeito. Conversem com toda a família e grupos sociais que estão em seus convívios. Se posicionem. Votem no dia 7 de outubro. Não deixem que outros decidam sua vida, nossa vida. Só a política substitui a guerra, evita a eliminação do outro, e dá oportunidades às pessoas de melhorarem suas vidas com o Estado a serviço do povo. Diga não ao fascismo!

Abraços e boa leitura,

William

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Opinião


Civilização ou barbárie?


Por: Paulo Nogueira Batista Jr. — Publicado em Carta Capital, 17/09/2018.

É provável que o eleitor se defronte com a incômoda pergunta no segundo turno das eleições

Nós, economistas, somos extraordinários profetas – mas do passado, só do passado. E temos dificuldades até com o passado, pois no Brasil também o passado é muito difícil de prever.

Há exceções, porém. Em artigo publicado nesta coluna em junho, há três meses, arrisquei algumas previsões eleitorais. Escrevi o seguinte: 

Nenhum candidato remotamente associado a Temer e ao golpe de 2016 tem chances de vencer a eleição de outubro. (...) O favoritismo parece ser de candidatos de esquerda/centro-esquerda. Bolsonaro, único candidato competitivo pela direita, pode chegar ao segundo turno, mas dificilmente vencerá a eleição. (...)"

"Tudo indica que a candidatura de Lula não será permitida. Um candidato indicado por ele, porém, tende a ser forte (...) Ciro Gomes também é um candidato forte de oposição, tem vasta experiência, está com discurso afiado e evolui favoravelmente nas pesquisas de intenção de voto
”. (O Brasil não quebrou, 13 de junho de 2018)

Essas previsões sobreviveram bem até agora. Talvez parecessem otimistas na época, mas hoje são amplamente compartilhadas. Com Haddad indicado para cabeça de chapa pelo PT, completa-se o rol dos candidatos à Presidência. Ele entra tarde, mas com a força de quem representa Lula. Ciro também vem crescendo. Um dos dois enfrentará Bolsonaro no segundo turno.

Assim, é muito provável que o eleitor brasileiro se defronte com uma disjuntiva dramática: civilização ou barbárie? E é por isso que a eleição de outubro está sendo vista por muitos como a mais importante desde a redemocratização.

Antigamente, a esquerda, mais confiante, ousava proclamar em situações semelhantes: socialismo ou barbárie? Foi-se o tempo. O horizonte dos adversários da barbárie estreitou-se consideravelmente. As ambições são mais modestas. Civilização, não mais socialismo.

Quando alguém no Ocidente fala em “civilização”, subentende-se, de alguma forma, o conceito iluminista de civilização e organização da sociedade. A concepção moderna de civilização tem suas raízes principalmente nos filósofos franceses do século XVIII e na Revolução de 1789.

O que impressiona, leitor, é a resiliência do iluminismo. Desde o século XIX, forças tremendas ergueram-se contra ele, com a pretensão de fazê-lo recuar, de restaurar o passado, ou – os mais ambiciosos – de ultrapassá-lo.

Todo o romantismo foi, na essência, uma apaixonada rebelião contra o iluminismo. Marx pretendia superar o iluminismo burguês. Nietzsche desconstruiu, de forma brilhante, muitas das ilusões e simplificações iluministas.

E, no entanto, a verdade é que os diferentes adversários do iluminismo tiveram, digamos, algumas dificuldades históricas. Marx, os românticos e Nietzsche não têm muita culpa pelo que fizeram em seus nomes.

Mas o marxismo desembocou em Stalin e, mais tarde, no colapso do socialismo real. Nietzsche e os românticos acabaram associados ao nazismo. Por mais brilhantes e fascinantes que as diferentes alternativas ao iluminismo tenham sido, os seus resultados foram bem problemáticos, para dizer o mínimo. De todas essas aspirações nascemos órfãos.

Há 60 anos, Sartre ainda se sentia em condições de declarar, taxativamente: “O marxismo é a filosofia insuperável do nosso tempo”. Hoje, com muito mais razão, poderíamos parafraseá-lo e dizer: “O iluminismo é a filosofia insuperável do nosso tempo”, com tudo que ele inclui ou lhe foi acrescentado nos últimos dois séculos: democracia representativa, sufrágio universal, separação dos poderes, Estado de Direito, garantias individuais e direitos sociais básicos.

Digo isso com uma ponta de tristeza. Afinal, é lamentável que, depois de dois séculos de reflexão, experiência e aventuras, o iluminismo, mesmo aperfeiçoado e desenvolvido, ainda tenha o papel que tem. Sabemos das suas limitações, da sua estreiteza, conhecemos os seus pontos cegos, as suas lacunas. Ele promete pouco e entrega pouco.

Mas é o que temos. Um iluminismo tardio, maduro, desencantado é o anteparo contra as hordas bárbaras – não só no Brasil, mas em grande parte do mundo ocidental, acossado pela degeneração da democracia, pelo populismo de direita, pela xenofobia e pela regressão cultural.

Paro e releio o que escrevi. Acho que viajei. Não era para falar tanto e nem ir tão longe. Eis, em resumo, o que é preciso dizer agora: Fora Bolsonaro!

Fonte: Carta Capital

quarta-feira, 12 de setembro de 2018

Eleições 2018 - Carta de Lula ao povo brasileiro


“Nosso nome agora é Haddad”: em carta, Lula e PT indicam candidato

Anúncio foi feito nesta terça (11), em um ato emocionante em frente à sede da Polícia Federal em Curitiba com a presença de líderes e militantes



Carta de Lula ao Povo Brasileiro

“Por isso, quero pedir, de coração, a todos que votariam em mim, que votem no companheiro Fernando Haddad para Presidente da República”


Meus amigos e minhas amigas,

Vocês já devem saber que os tribunais proibiram minha candidatura a presidente da República. Na verdade, proibiram o povo brasileiro de votar livremente para mudar a triste realidade do país.

Nunca aceitei a injustiça nem vou aceitar. Há mais de 40 anos ando junto com o povo, defendendo a igualdade e a transformação do Brasil num país melhor e mais justo. E foi andando pelo nosso país que vi de perto o sofrimento queimando na alma e a esperança brilhando de novo nos olhos da nossa gente. Vi a indignação com as coisas muito erradas que estão acontecendo e a vontade de melhorar de vida outra vez.

Foi para corrigir tantos erros e renovar a esperança no futuro que decidi ser candidato a presidente. E apesar das mentiras e da perseguição, o povo nos abraçou nas ruas e nos levou à liderança disparada em todas as pesquisas.

Há mais de cinco meses estou preso injustamente. Não cometi nenhum crime e fui condenado pela imprensa muito antes de ser julgado. Continuo desafiando os procuradores da Lava Jato, o juiz Sérgio Moro e o TRF-4 a apresentarem uma única prova contra mim, pois não se pode condenar ninguém por crimes que não praticou, por dinheiro que não desviou, por atos indeterminados.

Minha condenação é uma farsa judicial, uma vingança política, sempre usando medidas de exceção contra mim. Eles não querem prender e interditar apenas o cidadão Luiz Inácio Lula da Silva. Querem prender e interditar o projeto de Brasil que a maioria aprovou em quatro eleições consecutivas, e que só foi interrompido por um golpe contra uma presidenta legitimamente eleita, que não cometeu crime de responsabilidade, jogando o país no caos.

Vocês me conhecem e sabem que eu jamais desistiria de lutar. Perdi minha companheira Marisa, amargurada com tudo o que aconteceu a nossa família, mas não desisti, até em homenagem a sua memória. Enfrentei as acusações com base na lei e no direito. Denunciei as mentiras e os abusos de autoridade em todos os tribunais, inclusive no Comitê de Direitos Humanos da ONU, que reconheceu meu direito de ser candidato.

A comunidade jurídica, dentro e fora do país, indignou-se com as aberrações cometidas por Sérgio Moro e pelo Tribunal de Porto Alegre. Lideranças de todo o mundo denunciaram o atentado à democracia em que meu processo se transformou. A imprensa internacional mostrou ao mundo o que a Globo tentou esconder.

E mesmo assim os tribunais brasileiros me negaram o direito que é garantido pela Constituição a qualquer cidadão, desde que não se chame Luiz Inácio Lula da Silva. Negaram a decisão da ONU, desrespeitando o Pacto Internacional dos Direitos Civis e Políticos que o Brasil assinou soberanamente.

Por ação, omissão e protelação, o Judiciário brasileiro privou o país de um processo eleitoral com a presença de todas as forças políticas. Cassaram o direito do povo de votar livremente. Agora querem me proibir de falar ao povo e até de aparecer na televisão. Me censuram, como na época da ditadura.

Talvez nada disso tivesse acontecido se eu não liderasse todas as pesquisas de intenção de votos. Talvez eu não estivesse preso se aceitasse abrir mão da minha candidatura. Mas eu jamais trocaria a minha dignidade pela minha liberdade, pelo compromisso que tenho com o povo brasileiro.

Fui incluído artificialmente na Lei da Ficha Limpa para ser arbitrariamente arrancado da disputa eleitoral, mas não deixarei que façam disto pretexto para aprisionar o futuro do Brasil.

É diante dessas circunstâncias que tenho de tomar uma decisão, no prazo que foi imposto de forma arbitrária. Estou indicando ao PT e à Coligação “O Povo Feliz de Novo” a substituição da minha candidatura pela do companheiro Fernando Haddad, que até este momento desempenhou com extrema lealdade a posição de candidato a vice-presidente.

Haddad e Lula. Foto: Ricardo Stuckert.

Fernando Haddad, ministro da Educação em meu governo, foi responsável por uma das mais importantes transformações em nosso país. Juntos, abrimos as portas da Universidade para quase 4 milhões de alunos de escolas públicas, negros, indígenas, filhos de trabalhadores que nunca tiveram antes esta oportunidade. Juntos criamos o Prouni, o novo Fies, as cotas, o Fundeb, o Enem, o Plano Nacional de Educação, o Pronatec e fizemos quatro vezes mais escolas técnicas do que fizeram antes em cem anos. Criamos o futuro.

Haddad é o coordenador do nosso Plano de Governo para tirar o país da crise, recebendo contribuições de milhares de pessoas e discutindo cada ponto comigo. Ele será meu representante nessa batalha para retomarmos o rumo do desenvolvimento e da justiça social.

Se querem calar nossa voz e derrotar nosso projeto para o País, estão muito enganados. Nós continuamos vivos, no coração e na memória do povo. E o nosso nome agora é Haddad.

Ao lado dele, como candidata a vice-presidente, teremos a companheira Manuela D’Ávila, confirmando nossa aliança histórica com o PCdoB, e que também conta com outras forças, como o PROS, setores do PSB, lideranças de outros partidos e, principalmente, com os movimentos sociais, trabalhadores da cidade e do campo, expoentes das forças democráticas e populares.

A nossa lealdade, minha, do Haddad e da Manuela, é com o povo em primeiro lugar. É com os sonhos de quem quer viver outra vez num país em que todos tenham comida na mesa, em que haja emprego, salário digno e proteção da lei para quem trabalha; em que as crianças tenham escola e os jovens tenham futuro; em que as famílias possam comprar o carro, a casa e continuar sonhando e realizando cada vez mais. Um país em que todos tenham oportunidades e ninguém tenha privilégios.

Eu sei que um dia a verdadeira Justiça será feita e será reconhecida minha inocência. E nesse dia eu estarei junto com o Haddad para fazer o governo do povo e da esperança. Nós todos estaremos lá, juntos, para fazer o Brasil feliz de novo.

Quero agradecer a solidariedade dos que me enviam mensagens e cartas, fazem orações e atos públicos pela minha liberdade, que protestam no mundo inteiro contra a perseguição e pela democracia, e especialmente aos que me acompanham diariamente na vigília em frente ao lugar onde estou.

Um homem pode ser injustamente preso, mas as suas ideias, não. Nenhum opressor pode ser maior que o povo. Por isso, nossas ideias vão chegar a todo mundo pela voz do povo, mais alta e mais forte que as mentiras da Globo.

Por isso, quero pedir, de coração, a todos que votariam em mim, que votem no companheiro Fernando Haddad para Presidente da República. E peço que votem nos nossos candidatos a governador, deputado e senador para construirmos um país mais democrático, com soberania, sem a privatização das empresas públicas, com mais justiça social, mais educação, cultura, ciência e tecnologia, com mais segurança, moradia e saúde, com mais emprego, salário digno e reforma agrária.

Nós já somos milhões de Lulas e, de hoje em diante, Fernando Haddad será Lula para milhões de brasileiros.

Até breve, meus amigos e minhas amigas. Até a vitória!

Um abraço do companheiro de sempre,

Luiz Inácio Lula da Silva


Fonte: site do PT

sábado, 1 de setembro de 2018

A indescritível sensação de impotência ao viver ou presenciar a injustiça





Quando me pego pensando na amarga e dolorosa impotência que sentimos ao viver ou presenciar a injustiça, tento abstrair do fato e desviar os pensamentos para seguir respirando e buscando motivos que façam valer a pena estarmos vivos. Quase sempre temos alguém ou algo que nos vincule à vida. Falo em tentar abstrair ou desviar o pensamento da injustiça quando não vemos possibilidade de corrigi-la ou interrompê-la na hora, no instante em que ela ocorre.

A impotência causada pela injustiça que amargura meu ser neste momento é em relação ao que estão fazendo com o cidadão Luiz Inácio Lula da Silva e com o povo brasileiro. Falo dos 208,5 milhões de brasileiros (estimativa do IBGE) que estão sofrendo as consequências do golpe de Estado aplicado em nosso país por uma pequena casta que detém os poderes e as ferramentas do mundo capitalista. Obviamente excluo do sofrimento da injustiça as 860 mil pessoas citadas recentemente pela revista CartaCapital (edição 1009), cuja capa falava sobre "A turma do 1%". Ler matéria AQUI.

Quem nunca sentiu a dor, a humilhação, o sentimento de impotência do não se ter o que fazer quando se é assaltado ou furtado, ou agredido fisicamente, ou assediado e torturado das mais diversas formas físicas e psicológicas, ou quando se é injustiçado por alguém ou algo mais potente que si? De algum abuso de poder do ente estatal ou de uma empresa ou de uma pessoa em posição de poder? Quase todo mundo já passou por isso na atualidade, independente de sua crença, origem, característica ou posição social, de seus valores éticos ou morais. 

Me lembro de várias passagens em minha vida de brasileiro nascido fora da casa-grande que me fizeram viver a dor da injustiça e a impotência. Eu tinha bem uns 12 anos quando coloquei pra secar no varal o primeiro tênis um pouco melhor que tive, depois das congas e kichutes de toda a vida infantil, e o tênis foi roubado. Tive que ficar vendo ele no pé de um sujeito maior e mal encarado do bairro porque as coisas eram assim onde morava em Uberlândia (MG). Eu criança senti uma impotência cruel... sentimento de criança que foi sacaneada. Ainda em Uberlândia, tive bicicleta furtada e para todo mundo a bicicleta era o meio de transporte para trabalhar e estudar. E eu já trabalhava desde os onze anos.

Já em São Paulo e Osasco, após os 17 anos, foram tantas as vezes que experimentei a sensação de impotência ao ser roubado ou furtado, que foi preciso ter uma cabeça boa para não fazer uma besteira pela revolta. Já trabalhava no Unibanco aos 20 anos quando arrombaram a casa de fundo que morava de aluguel e me roubaram as coisas que ainda estava pagando. Depois fui assaltado a mão armada com arma na cara para me roubarem a bicicleta. Depois me deram de presente de aniversário, dia 3 de abril, o furto de uma CB 400 TR, branquinha, linda, que eu tinha acabado de pagar. Não estava segurada. Eu só me sentei na rua às 3 horas da manhã e chorei. A impotência que a gente sente é indescritível!

Anos noventa, já trabalhando no Banco do Brasil, tive mais experiências de assaltos ou tentativas de assaltos. O cotidiano nos impõe a sensação de impotência pelo medo e pela violência contra as pessoas comuns que somos. Na agência da Rua Clélia (uma das centenas fechadas após o golpe de 2016) vivenciamos um assalto com um bando de brutamontes com metralhadoras dizendo que matariam todos se alguém reagisse. Tudo correu bem (quis dizer sem tiros). 

Tivemos arma na cabeça eu e minha companheira em tentativa de assalto ao nosso carro, um carro velho. Reagimos estupidamente, sem explicação, e não atiraram em nós. Fiquei gritando com os bandidos enquanto o carro descia a ladeira no ponto morto e por algum motivo saímos ilesos.

No último assalto que sofri, alguns anos atrás, voltava de uma atividade do movimento dos sem-mídia, realizada no vão do Masp na Avenida Paulista, numa tarde de sábado, quando um bando assaltou um monte de gente na passarela da CPTM da estação Presidente Altino, onde moro em Osasco, e eu fiquei por segundos negociando com os bandidos. Entreguei relógio e celular; não entreguei carteira e máquina fotográfica com as fotos da atividade. Coisa de maluco! Mas a sensação de humilhação e impotência em não poder fazer nada nessas horas é difícil de descrever.

Ainda sobre injustiça e sensação de impotência ao lidar com poderes desproporcionais e coisas do estado de exceção em que nos pegamos no país após 2016, sofri forte assédio moral no último período e isso me sensibiliza muito mais ao ver qualquer pessoa sendo injustiçada ou sofrendo processos violentos de exceção aos seus direitos como cidadão e ser humano. E eu já lutava contra injustiças desde muito jovem, seja individualmente de forma espontânea, seja coletivamente de forma organizada em movimentos sociais.

Por que citei essas passagens de um único cidadão, coisas que acontecem todo dia, toda hora, com gente como a gente? E que os meios midiáticos comerciais têm preferência em noticiar para alimentar o medo e gerar o ódio, e a sede de vingança tanto cidadã quanto estatal? 

Citei essas passagens porque lembrei que mesmo sendo mais um que viveu esse cotidiano de violências e injustiças, desde a tenra infância e adolescência, depois na vida adulta, acabei me pegando sempre envolvido em alguma causa ou mobilização que tivesse como origem a injustiça, a indignação, alguma situação que deixasse claro que algo ou alguém mais poderoso estava prejudicando algo ou alguém mais fraco, mais vulnerável. E assim me peguei organizando estudantes no ensino fundamental, no ensino médio, nas faculdades que frequentei. Assim me vi fazendo algo contra a injustiça, contra a impotência individual que sentimos com o que fazem conosco. Assim virei dirigente sindical bancário por vários anos de minha vida e representante de trabalhadores até bem recentemente.

Cara, o que estão fazendo com o presidente Lula é algo que me dilacera todos os dias. Estabeleci uma quarentena de silêncio em tempos em que as palavras e o debate de ideias foram superados pela intolerância, mas é muito difícil ficar calado diante de tanta injustiça. Minha leitura política me dava a certeza há dois anos, desde o golpe contra os 54,5 milhões de brasileiros que votaram em Dilma Rousseff, que aquele processo de impor ao Brasil a agenda que o povo não elegeu - de entregar o patrimônio brasileiro e acabar com os direitos sociais - não seria para tudo voltar ao normal em 2018. Eu não tinha ilusão alguma que o povo poderia reverter o golpe e as consequências do golpe logo depois de abril e agosto de 2016 pelas vias "institucionais". Ora, as "instituições" participaram do golpe.

É absurdamente escandaloso o processo parcial contra Lula e o Partido dos Trabalhadores para excluir o candidato da preferência do povo das eleições presidenciais, processo feito por uma casta que perdeu a vergonha de sua imoralidade (na verdade, são sujeitos amorais os privilegiados do 1%). Fico estupefato ao ver que pessoas que a gente conhece da família, colegas de trabalho e de convivência consigam lidar com todos os abusos contra Lula com naturalidade, endossando ou fazendo de conta que não é com eles, por mais que não gostem ou odeiem Lula, o PT, a luta dos movimentos sociais etc. Como pode cada qual levar sua vida como se nada estivesse acontecendo de injusto no mundo onde vivemos?

O que estão fazendo com o povo e a classe trabalhadora brasileira é algo que esmaga meu coração diariamente. Eu passei quase vinte anos de minha vida participando das lutas coletivas da classe trabalhadora de nosso país como dirigente eleito por meus colegas trabalhadores. Conheci profundamente o processo democrático e de lutas de classe e os sistemas que temos que enfrentar de manipulação e alienação de meus pares. Mesmo assim, é impressionante ver em menos de dois anos a destruição de um século de direitos políticos, sociais e humanos no Brasil, conquistados com muita luta, suor, sangue e lágrimas de um povo sofrido contra os abusos da casa-grande.

Esse assalto ao meu direito político de votar no homem que mais fez pelo nosso povo na história do Brasil supera a sensação de impotência que senti todas as vezes que fui violado em meus direitos e pertences materiais e imateriais ao longo desta vida de quase meio século. 

Eu tenho um misto de raiva, de tristeza, de perplexidade ao sair à rua, ir ao shopping, e ver as pessoas andando como se nada estivesse acontecendo. São 208,5 milhões de pessoas... como é que não temos 10% nas ruas do país indignadas com esse processo injusto contra Lula e contra a classe trabalhadora neste momento? Após a entrega do patrimônio nacional, após a terceirização total, após o fim dos direitos do trabalho, após a lei de destruição do SUS, após a impunidade contra tucanos e membros com mau caráter dos órgãos da justiça, enfim, toda a destruição do país feita ou endossada a toque de caixa por um pequeno grupo de 860 mil privilegiados?

Como pode tudo isso? Como andar na rua e ver tudo "normal" para as pessoas ao meu redor? Como suportar essa realidade com a consciência política que a vida de proletário me deu?

Difícil! Que sentimento de impotência!

William

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Post Scriptum:

Segue a nota do Partido dos Trabalhadores sobre a cassação da candidatura de Lula à Presidência da República nesta sexta, 31 de agosto.


Contra a cassação política, com Lula até o fim: Nota da Comissão Executiva Nacional do PT


Diante da violência cometida hoje (31) pelo Tribunal Superior Eleitoral contra os direitos de Lula e do povo que quer elegê-lo presidente da República, o PARTIDO DOS TRABALHADORES afirma que continuará lutando por todos os meios para garantir sua candidatura nas eleições de 7 de outubro.

Vamos apresentar todos os recursos aos tribunais para que sejam reconhecidos os direitos políticos de Lula, previstos na lei e nos tratados internacionais ratificados pelo Brasil. Vamos defender Lula nas ruas, junto com o povo, porque ele é o candidato da esperança.

É mentira que a Lei da Ficha Limpa impediria a candidatura de quem foi condenado em segunda instância, como é a situação injusta de Lula. O artigo 26-C desta Lei diz que a inelegibilidade pode ser suspensa quando houver recurso plausível a ser julgado. E Lula tem recursos tramitando no STJ e no STF contra a sentença arbitrária.

É mentira que Lula não poderia participar da eleição porque está preso. O artigo 16-A da Lei Eleitoral prevê que um candidato sub judice (em fase de julgamento) pode “efetuar todos os atos relativos à campanha eleitoral, inclusive utilizar o horário eleitoral gratuito no rádio e na televisão e ter seu nome mantido na urna eletrônica”.

A Justiça Eleitoral reconheceu os direitos previstos nestas duas leis a dezenas de candidatos em eleições recentes. Em 2016, 145 candidatos a prefeito disputaram a eleição sub judice, com registro indeferido, e 98 foram eleitos e governam suas cidades. É só para Lula que a lei não vale?

O Comitê de Direitos Humanos da ONU determinou ao Brasil garantir os direitos políticos de Lula, inclusive o de ser candidato. E o Brasil tem obrigação de cumprir, porque assinou o Protocolo Facultativo do Pacto Internacional de Direitos Civis e Políticos. E o Congresso Nacional aprovou o Decreto Legislativo 311 que reconhece a autoridade do Comitê. O TSE não tem autoridade para negar o que diz um tratado internacional que o Brasil assinou soberanamente.

É falso o argumento de que o TSE teria de decidir sobre o registro de Lula antes do horário eleitoral, como alegou o ministro Barroso. Os prazos foram atropelados com o objetivo de excluir Lula. São arbitrariedades assim que geram insegurança jurídica. Há um sistema legal para os poderosos e um sistema de exceção para o cidadão Lula.

Em uma semana que envergonhará o Judiciário para sempre, a cúpula desse Poder negociou aumento de 16,4% nos salários já indecentes de ministros e juízes, sancionou a criminosa terceirização dos contratos de trabalho e, agora, atacou frontalmente a democracia, os direitos dos eleitores e os direitos do maior líder político do país. É uma cassação política, baseada na mentira e no arbítrio, como se fazia no tempo da ditadura.

A violência praticada hoje expõe o Brasil diante do mundo como um país que não respeita suas próprias leis, que não cumpre seus compromissos internacionais, que manipula o sistema judicial, em cumplicidade com a mídia, para fazer perseguição política. Este sistema de poder, fortemente sustentado pela Rede Globo, levou o país ao atraso e o povo ao sofrimento e trouxe a fome de volta.

A candidatura do companheiro Lula é a resposta do povo brasileiro aos poderosos que usurparam o poder. Lula, e tudo o que ele representa, está acima dos casuísmos, das manobras judiciais, da perseguição dos poderosos.

É com o povo e com Lula que vamos lutar até o fim.

Lula Livre!

Lula Candidato!

Lula Presidente!

COMISSÃO EXECUTIVA NACIONAL DO PARTIDO DOS TRABALHADORES

domingo, 12 de agosto de 2018

Romaria de Uberlândia a Água Suja (MG) - Reflexões



Igreja N. Sra. da Abadia. Foto: William Mendes.

Refeição Cultural

Todos os anos, a região do Triângulo Mineiro vivencia entre julho e agosto uma festa popular e religiosa que envolve milhares de pessoas e que tem seu ápice no dia 15 de agosto, dia da festa de Nossa Senhora da Abadia, no pequeno município de Romaria, também conhecido pelas pessoas da região como Água Suja.

Participar desta festa religiosa é uma experiência ímpar, seja como romeiro (independente da religião que se tenha ou não), seja ajudando os romeiros dando assistência ao longo de dezenas de quilômetros, dependendo de onde a pessoa saiu. Uma das questões que mais intrigam qualquer observador atento é como uma pessoa consegue percorrer distâncias absurdas à pé, não apresentando preparação física adequada.

Mesmo para o romeiro experiente, é possível afirmar que a caminhada de um ano nunca é igual à experiência do ano anterior. Nunca. Eu fiz minha primeira caminhada quando tinha uns 16 anos de idade, lá nos anos oitenta, quando morava em Uberlândia. Em 2018 fiz a caminhada aos 49 anos e confirmo o que disse: nunca é a mesma coisa.

Às vezes, chego a pensar que a tradição da Romaria na região do Triângulo Mineiro pode acabar algum dia, por diversos fatores como, por exemplo, questões econômicas e comerciais, ou mesmo políticas. Mas logo em seguida, ao participar da festa, vejo que ela segue firme e forte, independente das dificuldades para sua manutenção. Bastou ver o acostamento lotado de romeiros no sábado pela manhã, quando eu voltava de minha caminhada, para perceber que a tradição vai longe.

Neste ano, peguei a estrada na sexta-feira, saindo do Trevo de Uberlândia para Araxá, e caminhei cerca de 75 Km. Contei com a assistência de meu cunhado ao longo da jornada, e posso afirmar que ser acompanhado por alguém dando apoio faz uma diferença enorme, facilita bastante a vida do romeiro. Até porque o caminhante pode se dar ao "luxo" de não levar todos os apetrechos do romeiro na mochila nas costas.

Para a ampla maioria das pessoas que saem de suas casas para irem à pé até a cidade de Romaria os apoios ficam por conta de barracas de ajuda aos romeiros, montadas ao longo da estrada na BR 365. A mais conhecida e frequente todos os anos é a barraca da Antena, distante 47 Km do Trevo de Uberlândia para Araxá. Outras barracas também prestam apoios importantes aos romeiros, como a barraca Betânia, próxima ao Rio Araguari. Nada como chegar a uma barraca e tomar uma sopa ou comer um pãozinho com café e frutas.


Um homem na estrada, ipê amarelo
e o pensamento no filho amado.

Leituras

Ser romeiro ou fazer a romaria pode suscitar as mais diversas leituras, tanto dos próprios caminhantes quanto de seus amigos e conhecidos. O ato de caminhar dezenas de quilômetros é algo extraordinário, independente dos motivos pessoais para tal feito.

Se o caminhante pertence a uma comunidade ou região que não tem o hábito de caminhadas como essa, o romeiro pode ser considerado uma pessoa ousada, louca, forte, fraca das ideias etc. Se o romeiro é da própria região onde a tradição existe, ele é só mais um na estrada, simples assim.

Todos os anos, eu fico estupefato, intrigado, admirado com a grandeza das pessoas que fazem a caminhada. É um verdadeiro exercício de humildade para mim, saber o quanto a caminhada é difícil e ver que, mesmo assim, milhares de pessoas em condições menos favoráveis que a minha completam e chegam à cidade e à igreja. É impressionante!

Neste ano, cheguei a Uberlândia com dores no quadril e na perna esquerda, dores que estão me incomodando há semanas. Receei até não conseguir fazer a caminhada. Porém, peguei a estrada e fui caminhando, caminhando, fiz os 15 Km até o Rio Araguari, depois a subidona de 10 Km após o rio, e fui dialogando com meu corpo até a Antena, quase 50 Km depois. Cheguei lá por volta de 23h e estava bem. Tomei a sopa e nem parei para cochilar um pouco, segui direto.

Tem ano que os pés dão bolhas, tem ano que não. Isso porque eu sei preparar meus pés com proteções de esparadrapos. Neste ano, já cheguei à Antena sentindo bolhas nos dois calcanhares. Paciência! Da barraca da Antena até o destino final são mais quase 30 Km. Para cada caminhante, a experiência da caminhada dá o tom. Para uns, chegar à Antena é ânimo para continuar, para outros é o ponto final, por não dar mais.

Da Antena adiante, no meu caso, é que a caminhada tem se tornado difícil nos últimos anos. O corpo cansado passa a dificultar a etapa final. Neste ano, fez um frio incomum na estrada durante a madrugada. Depois das duas horas da manhã, fez cerca de 7 graus, segundo a meteorologia. Se eu não tivesse pego uma blusa a mais, emprestada de meu cunhado, eu estava lascado.

Não tive sono na madrugada. A semana de lua minguante mudando para lua nova no dia da caminhada significa breu total na estrada sem lua. Mas o céu estrelado é impressionante. Magnífico! Zilhões de estrelas até o alvorecer. Ao percorrer a etapa final, fora da estrada, na parte de terra e mato, cerca de 8 Km, os campos congelados foram uma novidade neste ano. Não tem mais o Atalho entre os eucaliptos. Ele foi fechado pelo novo dono.

Cheguei à cidade às 8h da manhã. Mais um ano, mais uma caminhada. Junto comigo, foram chegando dezenas de romeiros. Idosos, jovens, homens, mulheres, corpos que nos fazem duvidar que aquelas pessoas poderiam caminhar dezenas de quilômetros. Caminharam. Isso nos dá uma humildade tremenda. Fui só mais um na multidão. Mas cada um de nós é único! O ser humano é incrível!

Todos os romeiros foram e são incríveis. Os que chegam caminhando, pedalando; os que não chegam caminhando porque o corpo não permitiu; os que dão assistência e apoio. Todos compõem a mesma tradição, o mesmo rito. Cada um no seu tempo e na sua possibilidade. Todos na mesma tradição da Romaria.

Ano que vem tem mais.

William Mendes
Romaria 2018

segunda-feira, 6 de agosto de 2018

Em busca da História


Luar pós eclipse de 27 de julho de 2018
a partir de meu mundo, Osasco.

Refeição Cultural

Quem sou, o que sou, por que as coisas são como são, por que vemos o mundo da forma como vemos - através de conceitos e valores que variam no tempo e no espaço, e de pessoa a pessoa -, o que aconteceu que nos levou aonde estamos neste momento da História, o que podemos aprender com as experiências do passado em todas as áreas e dimensões humanas e em relação ao próprio planeta que habitamos e suas mudanças, enfim, pensar e refletir questões como essas são evidências de que somos seres humanos e não somente animais irracionais, reles mamíferos bípedes como os demais no reino animal.

Após quase cinco décadas de existência, uma vida quase toda dedicada à sobrevivência pessoal e familiar e a lutas coletivas e movimentos sociais, tenho o desejo de abraçar uma busca por mais conhecimento humano através da História, quero ser menos ignorante nas coisas do mundo e da vida humana. Não sei ainda qual será a melhor estratégia e alternativa para alcançar esse objetivo de busca do conhecimento, mas vou achar a forma adequada para isso.

Quando criei este blog Refeitório Cultural tinha o desejo de compartilhar de forma gratuita aquilo que aprendia sobre as mais diversas áreas de conhecimento. A falta de tempo e o envolvimento cada vez maior com as lutas sociais às quais estava engajado sempre foram empecilhos para uma produção textual da forma como gostaria. Eu ainda estava sob o efeito do conceito WIKIpedia, ou seja, What I Know Is... e queria fazer a minha parte para compartilhar conhecimento humano, até com minha opinião sobre as coisas.

O mundo mudou rápido em menos de duas décadas em relação à tecnologia, ao mundo virtual, às redes sociais, à produção e distribuição de ciência e informações. Mas o resultado das mudanças, na minha opinião, é preocupante. Não vejo o mundo melhor para os seres humanos nesse início de século 21. Vejo com pessimismo o que vem por aí em relação a um mundo melhor para todos.

Meu desejo é conhecer mais sobre a História e, se for bem-sucedido e me sentir menos ignorante sobre as coisas, ainda gostaria de desenvolver uma estratégia para compartilhar para outras pessoas o que aprendi.

É isso que tenho refletido recentemente.

William

segunda-feira, 30 de julho de 2018

Conhecendo animes perto dos 50 anos




Refeição Cultural

Num esforço para ampliar minha capacidade de comunicação com os mais jovens, em especial com o meu filho, tenho procurado conhecer novas linguagens e meios expressivos como os animes e mangás.

Minha primeira experiência em animes foi assistir a Death Note (2006), com 37 episódios, e depois passei a assistir aos animes de Naruto (que estreou no Brasil em 2006) e atualmente está na Netflix. Os animes são sugeridos pelo meu filho e acabam sendo uma forma de vermos algo juntos. 

De um tempo pra cá, uns dois anos, passamos a ver os episódios à noite, cada um num lugar físico, mas vendo ao mesmo tempo. Foi comum assistirmos Naruto eu num lugar, meu filho noutro, e a mãe dele num terceiro lugar. Mas unidos ao longo de dezenas de episódios. Estamos terminando mais de uma centena de episódios de Naruto, praticamente só faltam alguns episódios da saga "clássica" (a parte na qual os personagens ainda são pré-adolescentes).

Nestes dias de férias escolares de julho, em que estamos juntos no recesso da faculdade de meu filho, assistimos aos 13 episódios de Angel Beats (2010). No início foi difícil pegar o ritmo, a ação do anime era muito doida, mas aos poucos a estória começou a ter sentido. Ao caminhar para o fim foi ficando emocionante, e a cada episódio, o anime nos deixou mais reflexivos sobre a vida e a morte.

Em um dos episódios, em que o enredo encaminha o desfecho relativo a uma das personagens principais, Yuri (ou Yurippe), me peguei pensando no que foi a minha vida nos últimos anos e como está sendo difícil o desapego da missão que eu tinha e que movia toda a minha existência até o final de maio passado. Mas é preciso se deixar "obliterar" e seguir para outra etapa das existências.



Por fim, ainda na linguagem de animes, vimos o longa-metragem Your Name (Kimi no na wa, 2016). Novamente, que produção linda, emotiva, que nos põe a refletir. A estória tem amor, tradição, medos e dilemas dos jovens, e beleza no desenho, nas paisagens, nas personagens. Bem ao estilo do diretor Makoto Shinkai, de obras como Jardim das palavras (2013), que também assistimos.

Após assistir a esses dois animes, ainda vi, de quebra, ao filme Gênio Indomável (1997). Que soco no estômago. Me lembro de ter sido muito impactado pela estória do jovem Will (Matt Damon) quando eu mesmo era um jovem revoltado no final dos noventa e início dos anos dois mil.

Como escrevi na última postagem dias atrás (ler AQUI), não sei ainda o que vou fazer com meus blogs após o fim de um ciclo de quase duas décadas de vida política e representativa como eleito por trabalhadores em mandatos sindicais e de gestão em saúde.

Essa foi minha refeição cultural. Apesar do silêncio autoimposto e pela decepção que me domina em relação ao fim da democracia brasileira e a destruição de meu país após o golpe de Estado, ainda busco um sentido para escrever.


domingo, 22 de julho de 2018

A necessidade de estudar e ser politizado para lutar pela libertação


Ler e se educar, buscar conhecimento e ter
melhores subsídios para analisar o mundo
é tarefa de qualquer um na sociedade humana.

Refeição Cultural

"- Tens de te convencer que precisas de estudar. Como serás útil depois da luta? Mal sabes ler... onde vais trabalhar?
- Fico no exército - disse Lutamos.
- E julgas que para ficar no exército não tens de estudar? Como vais aprender artilharia ou tática militar ou blindados? Precisas de Matemática, de Física...
- Ora! Eu não quero ser oficial.
- E quem vai ser oficial, então? Esses que se formam no exército tuga, sem formação política, que um dia tentarão dar um golpe de Estado? É isso que queres? Que depois da Independência haja golpes de Estado todos os anos, como nos outros países africanos? Precisamos de ter um exército bem politizado, com quadros saídos da luta de libertação. Como vamos fazer, se os guerrilheiros não querem estudar para serem quadros?

Lutamos encolheu os ombros. Contemplou o grupo de jovens que cambalhotavam por terra, suando, o suor agarrado à lama do Mayombe, e o Comandante, de tronco nu, cambalhotando também, levantando-se para em seguida rolar pelo solo, misturando explicações a encorajamentos e gritos." (Mayombe, Pepetela, 1980, Angola)


Depois de tanto tempo focado em tarefas coletivas que exigiam muito conhecimento técnico, específico e muita dedicação política, algo muito trabalhoso e de pouco reconhecimento social nos tempos que correm, o momento é de tentar readaptar o cérebro para novos aprendizados, para a volta do estímulo aos mais diversos temas culturais, sobretudo relacionados à história da humanidade e das sociedades humanas.

Os materiais e fontes de conhecimento com viés progressistas são alternativas importantes para que uma pessoa possa se informar, sem ser manipulada de forma exagerada pelas fontes de conteúdos. Qualquer texto tem a posição de sua fonte, não há texto isento ou neutro, mas há texto honesto em seu posicionamento, inclusive aqueles que se arvoram como textos "técnicos".

Livros clássicos de literatura universal e local, livros de ensaios, filosóficos e com características históricas, livros de autores contemporâneos que se coloquem contrários à ordem hegemônica do mundo capitalista dominado por corporações e seu 1% de humanos donos de tudo, revistas que deem visibilidade às causas populares, combatidas nos meios midiáticos dos donos de tudo, enfim, ter boas fontes de conteúdo sem se colocar à mercê da idiotização global a partir dos oligopólios midiáticos é possível, basta querer.

A revista CartaCapital é um exemplo de meio de informação que me agrada. Ela faz jornalismo de qualidade, traz conhecimentos gerais aos seus leitores, não tem a manipulação como objetivo central da publicação como ocorre com quase todas as revistas dos empresários donos de jornais e revistas comerciais chamados por nós da esquerda de PIG - Partido da Imprensa Golpista. 

Voltei a assinar a revista já faz algum tempo, principalmente para atender ao chamado de Mino Carta para ajudar a revista a se manter viva, porque eu não conseguia ler as edições semanais por falta de tempo e outras prioridades. Agora que li 4 edições (1009 a 1012), vi o quanto alimentei meu conhecimento geral. Recomendo aos amig@s leitores que assinem a revista, pois além de contribuir para a manutenção da mesma, a assinatura custa o mesmo que algumas cervejas no boteco. Dá até para continuar bebendo socialmente, serão só algumas garrafas ou copos a menos. Reflitam a respeito.

OPINIÃO - é necessário que os cidadãos do povo e da classe trabalhadora determinem em suas jornadas diárias de vida uma obrigação de buscar conhecimentos históricos, sobre a luta dos povos contra a subjugação de outros sobre si mesmos, de dominações e imperialismos, explorações estrangeiras, de tragédias humanas, de exemplos históricos advindos da falta de democracia, solidariedade, excesso de egoísmo, de totalitarismos vários e suas consequências para os povos do mundo. Bons romances e bons ensaios podem contribuir para esse tipo de conhecimento. 

- Jovens, por favor, busquem informações históricas! A vida não é um eterno presente contínuo, sem passado público e coletivo, como nos alerta Eric Hobsbawm no prefácio da Era dos Extremos. O que vocês podem contribuir para o presente e o amanhã coletivos deste nosso mundo, mundo vasto mundo?

Ainda estou pensando o que fazer com os meus blogs Refeitório Cultural e Categoria Bancária, blogs que alimentei com regularidade por mais de uma década como representante político de trabalhadores, que prestava conta do que fazia, pensava, defendia, e que buscava partilhar conhecimento para convencer pessoas e alterar contextos sociais. 

Talvez eu passe a atuar só com o passado, só com o ontem, e não mais com o momento presente, além de literatura, filmes e conhecimentos gerais. Estou avaliando o que fazer para não perder meu gosto pelo ato de escrever e compartilhar o que sei (ou acho que sei) e as opiniões que tenho.

Abraços,

William

quarta-feira, 4 de julho de 2018

Mensagem do Presidente Lula (Preso político no Brasil pós-golpe)


(reprodução de texto com comentário do blog no final)

Foto do Instituto Lula

"Meus amigos e minhas amigas,

Chegou a hora de todos os democratas comprometidos com a defesa do Estado Democrático de Direito repudiarem as manobras de que estou sendo vítima, de modo que prevaleça a Constituição e não os artifícios daqueles que a desrespeitam por medo das notícias da Televisão.

A única coisa que quero é que a Força Tarefa da Lava Jato, integrada pela Polícia Federal, pelo Ministério Público, pelo Moro e pelo TRF-4, mostrem à sociedade uma única prova material de que cometi algum crime. Não basta palavra de delator nem convicção de power point. Se houvesse imparcialidade e seriedade no meu julgamento, o processo não precisaria ter milhares de páginas, pois era só mostrar um documento que provasse que sou o proprietário do tal imóvel no Guarujá.

Com base em uma mentira publicada pelo jornal O Globo, atribuindo-me a propriedade de um apartamento em Guarujá, a Polícia Federal, reproduzindo a mentira, deu início a um inquérito; o Ministério Público, acolhendo a mesma mentira, fez a acusação e, finalmente, sempre com fundamento na mentira nunca provada, o Juiz Moro me condenou. O TRF-4, seguindo o mesmo enredo iniciado com a mentira, confirmou a condenação.

Tudo isso me leva a crer que já não há razões para acreditar que terei Justiça, pois o que vejo agora, no comportamento público de alguns ministros da Suprema Corte, é a mera reprodução do que se passou na primeira e na segunda instâncias.

Primeiro, o Ministro Fachin retirou da Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal o julgamento do habeas corpus que poderia impedir minha prisão e o remeteu para o Plenário. Tal manobra evitou que a Segunda Turma, cujo posicionamento majoritário contra a prisão antes do trânsito em julgado já era de todos conhecido, concedesse o habeas corpus. Isso ficou demonstrado no julgamento do Plenário, em que quatro dos cinco ministros da Segunda Turma votaram pela concessão da ordem.

Em seguida, na medida cautelar em que minha defesa postulou o efeito suspensivo ao recurso extraordinário, para me colocar em liberdade, o mesmo Ministro resolveu levar o processo diretamente para a Segunda Turma, tendo o julgamento sido pautado para o dia 26 de junho. A questão posta nesta cautelar nunca foi apreciada pelo Plenário ou pela Turma, pois o que nela se discute é se as razões do meu recurso são capazes de justificar a suspensão dos efeitos do acordão do TRF-4, para que eu responda ao processo em liberdade.

No entanto, no apagar das luzes da sexta-feira, 22 de junho, poucos minutos depois de ter sido publicada a decisão do TRF-4 que negou seguimento ao meu recurso (o que ocorreu às 19h05m), como se estivesse armada uma tocaia, a medida cautelar foi dada por prejudicada e o processo extinto, artifício que, mais uma vez, evitou que o meu caso fosse julgado pelo órgão judicial competente (decisão divulgada às 19h40m).

Minha defesa recorreu da decisão do TRF-4 e também da decisão que extinguiu o processo da cautelar. Contudo, surpreendentemente, mais uma vez o relator remeteu o julgamento deste recurso diretamente ao Plenário. Com mais esta manobra, foi subtraída, outra vez, a competência natural do órgão a que cabia o julgamento do meu caso. Como ficou demonstrado na sessão do dia 26 de junho, em que minha cautelar seria julgada, a Segunda Turma tem o firme entendimento de que é possível a concessão de efeito suspensivo a recurso extraordinário interposto em situação semelhante à do meu [caso]. As manobras atingiram seu objetivo: meu pedido de liberdade não foi julgado.

Cabe perguntar: por que o relator, num primeiro momento, remeteu o julgamento da cautelar diretamente para a Segunda Turma e, logo a seguir, enviou para o Plenário o julgamento do agravo regimental, que pela lei deve ser apreciado pelo mesmo colegiado competente para julgar o recurso?

As decisões monocráticas têm sido usadas para a escolha do colegiado que momentaneamente parece ser mais conveniente, como se houvesse algum compromisso com o resultado do julgamento. São concebidas como estratégia processual e não como instrumento de Justiça. Tal comportamento, além de me privar da garantia do Juiz natural, é concebível somente para acusadores e defensores, mas totalmente inapropriado para um magistrado, cuja função exige imparcialidade e distanciamento da arena política.

Não estou pedindo favor; estou exigindo respeito.

Ao longo da minha vida, e já conto 72 anos, acreditei e preguei que mais cedo ou mais tarde sempre prevalece a Justiça para pessoas vítimas da irresponsabilidade de falsas acusações. Com maior razão no meu caso, em que as falsas acusações são corroboradas apenas por delatores que confessaram ter roubado, que estão condenados a dezenas de anos de prisão e em desesperada busca do beneplácito das delações, por meio das quais obtêm a liberdade, a posse e conservação de parte do dinheiro roubado. Pessoas que seriam capazes de acusar a própria mãe para obter benefícios.

É dramática e cruel a dúvida entre continuar acreditando que possa haver Justiça e a recusa de participar de uma farsa.

Se não querem que eu seja Presidente, a forma mais simples de o conseguir é ter a coragem de praticar a democracia e me derrotar nas urnas.

Não cometi nenhum crime. Repito: não cometi nenhum crime. Por isso, até que apresentem pelo menos uma prova material que macule minha inocência, sou candidato a Presidente da República. Desafio meus acusadores a apresentar esta prova até o dia 15 de agosto deste ano, quando minha candidatura será registrada na Justiça Eleitoral.

Luiz Inácio Lula da Silva
Curitiba, 3 de julho de 2018"



Comentário do blog

As arbitrariedades cometidas contra Lula já passaram dos limites, da razoabilidade e devem cessar. Não é possível que um cidadão continue sofrendo a perseguição do poder estatal por parte de grupos que pouco se importam com o povo, com a democracia e com a verdade.

Nós que acreditamos na democracia defendemos a participação política de todos os cidadãos e cidadãs e que as consequências do processo democrático sejam arcadas pelos eleitores e aceitas pelos derrotados.

Eu me coloquei à disposição dos eleitores recentemente após dedicar 4 anos de minha vida de forma absolutamente integral à defesa da causa que representava. Os eleitores fizeram outra escolha. Isso é democrático.

Mas não permitir que Lula se coloque à disposição dos eleitores para que eles decidam o que querem pra si é um absurdo, é injusto, é imoral.

É o que eu penso como cidadão.

William

sábado, 26 de maio de 2018

Não se deve condenar um inocente




Assisti novamente ao filme "12 homens e uma sentença", na versão de 1957 com Henry Fonda. Tenho me manifestado pouco publicamente, em face dos acontecimentos em que temos vivido nestes tempos difíceis. Mas quis dizer aos amigos leitores do blog que este filme é necessário nos tempos que correm.

Assisti ao filme em prantos. Na minha opinião, o filme "12 angry men" é um dos filmes mais indicados do mundo para levar cada telespectador à reflexão sobre justiça, igualdade de condições, sobre intolerância, sobre preconceitos e pré-julgamentos, sobre questionamentos às conclusões fáceis, sobre a responsabilidade de se condenar indevidamente uma pessoa, um ser humano.

O respeito aos direitos de uma pessoa, em qualquer condição que ela se encontre, seja ela do topo da pirâmide social, seja ela da base da pirâmide, tenha ela as opiniões que tiver sobre diversos temas, situe-se ela onde achar melhor no espectro político, enfim, cada um de nós é um ser humano, é uma história de vida, é uma possibilidade de presente e futuro.

Um garoto está no banco dos réus, acusado de ter assassinado o pai. Após os seis dias de julgamento no júri popular, doze homens devem se reunir numa sala e decidir se ele é culpado ou inocente. Como se trata da vida do rapaz, que pode ser absolvido ou condenado à cadeira elétrica, o juiz avisa que a decisão deve ser unânime, e que ele deve ser inocentado se houver dúvida razoável, e condenado se todos tiverem certeza de sua culpa.

Senti a necessidade de rever esse filme ao acordar neste sábado. Julgamentos e acusações, e condenações, viraram a tônica dos momentos que vivemos no Brasil. Pesos e medidas diferentes para casos semelhantes em avaliação também marcam os duros tempos. E isso está ocorrendo nos espaços públicos e privados, os tempos são de julgamentos, de condenações, de caça às bruxas, de destruição de reputações. De arbítrios.

Nós não podemos esmorecer, desanimar com toda essa crise ética e de valores que ronda nossos espaços sociais. Temos que acreditar no ser humano, na força da verdade, e lutar para que prevaleça o respeito e a justiça para todas as pessoas, todas. Se uma sociedade não acreditar mais na justiça e na solução pacífica das controvérsias, ela toda, a sociedade, irá ruir para o caos e todos perderão, independente do locus onde estejam.

Eu estou me esforçando para acreditar que é possível encontrar justiça nos homens e nas coisas dos homens. Fica difícil viver em sociedade se não acreditarmos na justiça, nas pessoas que decidem sobre a vida dos outros o tempo todo.

William (cidadão, bancário)

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Post Scriptum (9/06/19):

Quando revi este clássico que aborda a questão mais importante da justiça, que deve ser nunca condenar uma pessoa e tirar dela a liberdade se não houver a certeza da culpa, eu estava movido por forte emoção. 

Lula havia sido preso sem nunca cometer crime algum, em processos inventados pelos inimigos políticos por ele ser quem era. E o pior é que esse homem inocente segue preso até hoje. Dilma havia sido afastada e roubaram-lhe o mandato de presidenta do país, dado a ela por 54,5 milhões de brasileir@s em um processo vil, inventado e encaminhado por uma camarilha de corruptos que assumiram o poder e destruíram o país. Eu estava passando por um processo absurdo de assédio moral onde atuava em um mandato eletivo em nome dos trabalhadores, baseado em um processo vil montado contra mim, também inventado e sem provas materiais e sem que eu tivesse descumprido qualquer norma da entidade (processo movido por causa de uma carta anônima muito suspeita).

Neste domingo, dia 9 de junho de 2019, praticamente um ano depois desta postagem, o site The Intercept divulgou denúncias materiais sobre a condenação sem provas do presidente Lula, condenação e prisão a partir de um conluio do próprio juiz responsável pelo caso e os procuradores do ministério público, caso que nem era para ser em Curitiba, mas o conluio tinha o objetivo de impedir Lula e o PT de chegar ao poder após ser retirado por golpe ilegítimo contra a presidenta Dilma.

Será que agora o povo acorda? Será que as instituições honestas que embarcaram nessa manipulação para fraudar as eleições gerais no Brasil em 2018 vão se reposicionar e ficar ao lado da democracia e do povo e da verdade?

Vamos ver.

#LulaLivre
#LulaInocente
#NovasEleições

domingo, 13 de maio de 2018

Poema - Constatações instantâneas do Brasil




O Presidente Lula está preso.
O Paulo Preto está solto.
O Alckmin está solto.
O Serra está solto.
Aécio está solto.

A Presidenta Dilma foi impedida.
O presidente Temer refez o Brasil.
O Parente é presidente da Petrobras.

O Moro é um juiz do Brasil.
A Cármen é uma juíza do Brasil.
A Globo é uma organização do Brasil.
A Abril é uma editora do Brasil.
O Itaú é um banco do Brasil.

A Folha disse que a ditadura foi branda no Brasil.
Vários generais foram 'presidentes' do Brasil.
Presidentes autorizavam matar no Brasil.

O Vargas está morto.
O Juscelino está morto.
João Goulart está morto.

O Brasil é o país do futebol.
O Brasil é o país do Carnaval.
O Brasil é o país da Floresta Amazônica.

(O Brasil era o país do pré-sal)

O país da casa-grande.
O país das senzalas, morros, favelas.
Lula está preso: a jato.

E o povo brasileiro?
Quede o povo brasileiro?
Existe o povo brasileiro?
Brasil? Brasileiro?
?

Tem hora que dá vontade de...
Desistir?


William Mendes

domingo, 29 de abril de 2018

Diário e reflexões - 290418 (Há que se ter esperança e solidariedade para lutar pelo justo)


Almoço no acampamento Marisa Letícia, em solidariedade ao
presidente Lula, preso político do estado de exceção pós golpe.

Refeição Cultural

O mês de abril está terminando. Os tempos para mim são de mudanças.

Ao mesmo tempo em que estou sem nenhuma vontade de falar ou escrever, sinto uma obrigação de falar e de escrever. Dar testemunho, deixar registros dessa época, desse momento de nossa vida, que é pessoal e coletiva. Por isso escrevo neste blog há mais de uma década.

Estou muito decepcionado com o nosso mundo, com o locus onde vivemos como cidadão. Estou trabalhando meu eu interior para uma mudança radical de vida em poucas semanas. Vou me reinventar após quase duas décadas de envolvimento com o movimento sindical e social.

Mas diferente de décadas atrás, minha decepção com o mundo é diferente. Não é totalizadora, não me leva à depressão. Não me leva à desistência de nada. Hoje tenho uma estrutura psicológica mais preparada que no passado. Prezo por mim, sei meu valor e sei de minhas responsabilidades sociais. Por isso vou me reinventar, porque é preciso.

A vida simplesmente é e temos que fazer o que precisa ser feito. Isso vale até para nós mesmos e nossas obrigações com a sobrevivência. Tenho sonhos diversos, e energia interior para novos projetos. E sempre estarei fazendo o bem para a sociedade que habito.

Por duas décadas ajudei a construir a maior central sindical do país, a CUT. Contribuí para organizar uma das categorias mais relevantes da classe trabalhadora brasileira, a bancária. Nela, participei de mais de duas décadas de lutas dos bancários do BB, o maior e mais antigo banco público brasileiro.

Ainda lembrando os mais de vinte anos de história de lutas coletivas, também deixei minhas contribuições em uma das correntes políticas do campo sindical cutista que ajudaram a definir os rumos dos direitos dos trabalhadores brasileiros, a Articulação Sindical.

Agora encerro uma participação na história da maior autogestão em saúde do país, a Caixa de Assistência dos Funcionários do Banco do Brasil. Foi um dos mandatos mais desafiadores de minha vida de representação. Temos a convicção e a tranquilidade de consciência que construímos a unidade nacional, fortalecemos o modelo assistencial e a participação social. Mantivemos todos os direitos dos associados no período.

Meu querido país Brasil, e eu amo meu país, está sendo desfeito, dizimado pelos golpistas que rasgaram a Constituição Cidadã de 1988, conquista do período posterior à ditadura civil-militar dos anos sessenta a oitenta. Estão desfazendo o patrimônio público. Os direitos históricos do povo. Na construção do golpe, como ferramenta do processo de manipulação de massas, estimularam o ódio, a intolerância e abriram a Caixa de Pandora. Poucos empresários da comunicação mandam no país, nos poderes instituídos.


"República de Curitiba": no fim da rua, o líder brasileiro e mundial
Luiz Inácio Lula da Silva está preso sem crime, numa masmorra ao
molde dos séculos passados, na volta da idade média no século 21.

Nesta semana, quando cumpri agenda de trabalho em Curitiba, senti um aperto no coração e precisava visitar o acampamento da resistência, constituído pelo povo brasileiro, para prestar solidariedade a Lula e lutar contra o absurdo da prisão política da maior figura da história recente do Brasil. O que estão fazendo com ele, encarcerado numa masmorra sem direito a visitas, mostra o momento de degeneração política, social e humana em que nos colocaram pós-golpe de 2016.

O Brasil virou uma coisa, uma terra sem lei, um local onde impera o arbítrio dos poucos poderosos e seus lacaios modernos que tomaram os espaços de poder estatal. Virou a terra de uma casta sem moral, sem ética e sem vergonha, que barbariza contra o povo, contra as massas, contra os trabalhadores e seus líderes e organizações. 

Cada um de nós, duzentos milhões de joões, está à mercê do arbítrio do poder e de processos injustos, estranhos, que não ocorreriam num Estado Democrático de Direito. Eu mesmo estou sendo vítima de processo político por ter dado o melhor de mim na defesa da entidade de saúde que geri. E nossa contribuição foi importante para a entidade no período mais difícil de sua história.

É isso. Apesar de muita coisa a dizer sobre vários acontecimentos desse momento bárbaro por que passa nosso país, chega por hoje.

Abraços aos leitores amig@s, e tenham energia e esperança. Não podemos desistir da solidariedade, da justiça, da igualdade, da liberdade, da tolerância entre os povos, da democracia e da política como solução pacífica das controvérsias, da distribuição de rendas e de um mundo mais inclusivo.

Mais uma reflexão: não podemos pactuar com o fascismo, com a violência contra o povo, contra os mais fracos. O estímulo ao fascismo já chegou aos atentados contra nós do campo da esquerda. Estão matando nosso povo. Não é justo nem admissível fatiar um país como o nosso para umas milhares de famílias, uma pequena casta, menos de 1%, e deixar à mercê da miséria total mais de duzentos milhões de brasileiros.

Pensem nisso!

William