sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Vacaciones - viagem de férias (III)

A bela América do Sul no mundo em lapislazúli.

Nesta quinta-feira 12, o dia em Santiago foi mais tranquilo. Fizemos o city tour oferecido pelo pacote de viagem.

Voltamos em alguns lugares que havíamos ido no dia anterior. Mas foi bom da forma que fizemos, pois o roteiro com o grupo de turistas é aquele que não dá tempo de fazer nada porque são 20 ou 30 minutos em cada local. Ou seja, se não tivéssemos andado o dia todo ontem nos lugares que queríamos, hoje ficaríamos com raiva do city tour.


Palacio del Gobierno ou La Moneda. Local histórico onde Allende resistiu ao golpe.

As explicações da guia local, uma moça muito simpática e politizada, são muito interessantes. Soubemos de algumas características geográficas do Chile e também da história e da cultura do país.


Ione ao lado do homem-estátua rsrs... é um soldado da guarda.

A mineração é a principal atividade econômica. As pedras lapislazúli são muito raras e extraídas no Afeganistão e no Chile (duas vezes por ano). O cobre também é outra base da cultura chilena desde os povos da antiguidade andina.


Estátua sob uma Palmeira-do-Chile na Plaza de Armas, marco zero de Santiago.

Também nos foi falado sobre a Palmeira-do-Chile que é típica desta região da América do Sul. As plantas daqui devem se adaptar a um clima muito antagônico, porque em geral não chove por 9 meses do ano e tanto faz uns 40º em uma época como neva em outra.


Vista a partir do Cerro San Cristóbal. Um dos trocentos prédios espelhados e gigantes.

Após o passeio pelo centro da cidade, o city tour subiu uma bela serra aonde pudemos avistar Santiago e os montes nevados da Cordilheira dos Andes. Apreciamos o visual no mirante do Cerro San Cristóbal, que fica a 880 metros de altitude. Foi algo para não esquecermos que a capital chilena está ao pé dos Andes.

Picos nevados das Cordilheiras dos Andes. É comum a neblina dificultar a visão.

Após o passeio da manhã, almoçamos perto do bairro onde estamos hospedados, Las Condes. No dia de amanhã vamos fazer o passeio para Valparaíso e Viña del Mar.

Picos nevados das Cordilheira dos Andes.

DETALHES
É surpreendente saber que as construções da cidade têm resistido aos terremotos que ocorrem com certa frequência no Chile.

Nesta foto vemos os dois picos de neves nas cordilheiras.

A Catedral de Santiago, por exemplo, resistiu bem ao forte abalo sísmico de 8,8° na escala richter ocorrido em 2010. No entanto, entre as duas torres da fachada se percebe que falta uma parte da construção. Havia uma santa ali que despencou no momento do terremoto.

Interior da Catedral de Santiago. Essa maravilha tem resistido aos terremotos.

Mas fiquei olhando a catedral por dentro e fiquei estupefato de saber que toda aquela beleza resistiu e vem resistindo aos terremotos no país.

Havia uma santa entre as duas torres. Com o terremoto de 2010 ela não resistiu.

Segundo nos informamos, a grande maioria das construções daqui são feitas já com as tecnologias para suportar abalos sísmicos fortíssimos.

É isso. É madrugada de novo e vamos dormir...

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

Vacaciones - viagem de férias (II)

O segundo dia de nuestras vacaciones já foi mais característico, ou seja, nesta quarta 11/01 realmente saímos flanando pela cidade de Santiago para conhecer um pouco sobre nuestros hermanos chilenos.


Chegando na estação Tobalaba do metrô, linha vermelha.

Primeiro tomamos o café da manhã - não quisemos nenhum passeio que tivesse que acordar cedo. Saímos de metrô para irmos ao centro. O calor da cidade está muito forte. Ao anoitecer ainda estaria 37° nos termômetros da cidade.

Catedral de Santiago. Além da beleza externa, é impressionante por dentro.

Chegamos a Plaza de Armas, local com diversos prédios históricos e marco zero da cidade. Vimos com mais atenção as belíssimas construções da praça como o Correio Central, a Catedral de Santiago e o Museu Histórico Nacional.

O reflexo do passado no espelho do contemporâneo.

Entramos no prédio dos correios e depois na catedral. Ela é de uma imponência absurda. Realmente atinge um dos objetivos de colocar os homens bem pequenininhos perante a grandeza ou poder de Deus ou deuses.

Museu Histórico Nacional. Não vimos as coleções, mas apreciamos a obra arquitetônica.

Para um ateu como eu, o que vale é a admiração ao ser humano, único na capacidade de criar tecnologia e conhecimento. Respeito as opiniões de todas as religiões e a fé de cada um, mas a história da humanidade mostra o que já foi feito em nome Dele ou deles (deuses).

Prédio do Correio Central. É tão bonito quanto o Correio Central de São Paulo.

Depois de um bom tempo neste conjunto arquitetônico, fomos ao Mercado Central onde almoçamos. Comemos um prato caro de frutos do mar - caudillo, caro mas muito exquisito (delicioso).

Mercado Central. Muito legal como todos os mercados centrais do mundo.

Fomos até o Palacio de Las Monedas e o cansaço com um sol de quase quarenta graus já fazia seus efeitos. Chegamos bem quebrados após a volta de metrô. O dia cultural foi muito bom.

O prato foi caro, mas estava muuiitoo bom!

DETALHES
Chama a atenção o quanto se vê jovens no Chile. Muitos jovens e muito bonitos. As meninas e meninos não fazem aquele esforço que os jovens de alguns países como Brasil, EUA e outros da Europa fazem em ficarem feios e com expressões (...) com trocentos piercings, tatuagens, cabelos horrorosos etc.

Palacio del Gobierno. La Moneda marca a tragédia da ditadura chilena e o assassinato de Salvador Allende.

Chamou-me também atenção uma atendente de um pequeno Market: na hora em que fui pagar um suco de caixinha, ela me sugeriu pegar outro suco na prateleira, pois era a metade do preço do que peguei primeiro. Dá pra acreditar?


Caprichei nesta foto. Salvador Allende e o... (m)istério da justiça.

CÂMBIO E MOEDA
Não acho que devo dar sugestões sobre moedas e câmbio. Posso contar minha experiência. Comprei um pouco de pesos argentinos (no Brasil) e chilenos (no aeroporto do Chile). Nos dois casos se é MUITO explorado pelo valor do câmbio. Ao experimentar usar meu cartão de crédito, mesmo com o tal do IOF de quase 7%, o valor em reais corvertido na fatura que aparece no celular assim que você usa é com um cambio muito menor. A diferença é de cerca de 20% em relação ao câmbio de comprar dinheiro.

SEDE INFINDÁVEL
Uma das coisas que mais quero fazer quando chegar em meu maravilhoso país é tomar muita ÁGUA. Mesmo tomando várias marcas de água daqui do Chile, a sede não passa. A água tem um gosto estranho. Vale lembrar que neste país quase tudo é privado após o neoliberalismo implantado na ditadura de Pinochet.

É isso. É madrugada e tenho que dormir.

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Vacaciones - viagem de férias (I)

Saímos de casa nesta madrugada do dia 10/01 para começar o primeiro dia de um desses tradicionais pacotes de férias a que a classe trabalhadora tem tido acesso depois do aumento da distribuição de renda no Brasil, ocorrido após as administrações do Partido dos Trabalhadores.

"Vacaciones" começa na madrugada, de Osasco a Guarulhos.

Como a maioria dos trabalhadores, comecei a pagar o pacote de férias em outubro e seguirei pagando depois de gozar o passeio.

O primeiro dia foi totalmente passado dentro de aeroportos e de aviões. Um horror!

Chegando a Buenos Aires. Já que o dia foi de voo...

Chegamos a Guarulhos às 5 horas da manhã sem ter dormido, pois saímos de Osasco às 4 h. O voo partiu às 7 horas com destino a Buenos Aires. Ficamos várias horas no aeroparque Jorge Newbery. Depois de uma hora de atraso, saímos em voo com "destino" a Santiago do Chile, PERO com uma escala em Mendoza.


Acá tenemos el "chistoso" aeropuerto "internacional" de Mendoza - ARG. Vale!

Chegando a Mendoza, ainda em solo argentino, e após ficar quase duas horas em um voo sem nos fornecerem sequer água, mandaram todos os passageiros descerem, mesmo aqueles que iam para o Chile. Já estávamos atrasados, mas dezenas de pessoas tiveram que pegar suas coisas, descerem do avião, entrarem no aeroporto "internacional" de Mendoza, passar por todos os constrangimentos de novo - inclusive com uma "vistoria geral" em homens e mulheres para poderem voltar ao avião e seguir viagem para o Chile.

Vale Encantado dos dinossauros... Aqui vemos o começo da travessia dos Andes

Depois de mais uma hora no referido aeroporto de Mendoza, levantamos voo pela terceira vez com destino final a Santiago, no aeroporto de Santiago.

Chegamos a Santiago do Chile por volta de 6 horas da tarde (19 h Brasília - Brasil). Pegamos um "taco" (trânsito) infernal nas ruas de Santiago, após o motorista nos dizer que a cidade estava "tranquila". Chegamos ao hotel quase 7 horas da noite e só então pudemos sair para comer alguma coisa com "sustância".

"taco" ou "embotellamiento" em Santiago. Trancón, atasco, cola...
TRÂNSITO mesmo!!

UFA! Trabalhador em férias tem que ter uma paciência do cacete e levar muita coisa na esportiva, senão volta mais cansado do que quando saiu de férias.

SALDO NA ESPORTIVA


Sobrevoando a Cordilheira dos Andes

Apesar disso, sobrevoar a Cordilheira dos Andes (pelo menos estávamos na janelinha!) foi algo muito interessante. QUE VISUAL!!

Também pagamos muito caro pra comer numa lanchonete perto do hotel Eurotel El Bosque, mas o lanche que comemos valeu a pena. Além do som ambiente com músicas dos anos 80 muito boas, nossa fome foi saciada com um belo lanche!

Vamos ficar na cidade numa boa para não estressar e visitar o que nos der vontade.

DETALHE
Estamos morrendo de sede, pois a água da Argentina e do Chile é MUITO RUIM e não mata a sede. QUE DIACHO É ISSO?

Belíssimo!!

Fim do chamado "primeiro dia" que foi todo em trânsito. Paguei uma parcela do pacote de férias só para "passear" em avião e "aferir" alguns aeropuertos ou aeroparques (localizados em perímetros urbanos) por aí.

domingo, 8 de janeiro de 2012

Leitura de livros: Pedro Páramo (1955) - de Juan Rulfo


Juan Rulfo - autor mexicano.

Estava relendo meu trabalho a respeito do livro do mexicano Juan Rulfo e posso afirmar, sem dúvidas, que Pedro Páramo é um dos livros mais surpreendentes que já li, assim como foi ler Ulisses de Joyce.

Neste Blog é onde posso partilhar aquilo que mais gosto e ao que gostaria de ter me dedicado na vida: conhecimento literário e do mundo do saber.

O texto que apresento a seguir sobre Pedro Páramo é mais para as pessoas que já conhecem a obra, pois ele desvenda partes do enredo.

Leiam AQUI a análise sobre esta obra fantástica da literatura mexicana, hispano-americana e universal.

Abraços,

William

sábado, 7 de janeiro de 2012

Poema - Mamãe: um poema pueril


PAPÉIS VELHOS

Estou em Uberlândia. Olhando caixas de papéis velhos, encontrei na casa de meus pais um cartão feito de papel de caderno, do início dos anos oitenta, em homenagem ao dia das mães. (eu tinha uns doze anos)

Transcrevo abaixo o que encontrei surpreso:


"Para você mamãe, de coração.

Mamãe, eu não tenho o que lhe dar e o que tenho é o que a senhora quer, ou seja: amor, carinho, compreensão e outras coisas.

Não ligue por eu ser um menino levado, pois eu vou melhorar.

Mamãe, aqui vai uma simples poesia que saiu de meu pensamento e eu a transcrevi.

Feliz dia das mães!


MAMÃE

Quando eu era pequeno
mamãe sempre me deu valor.
Hoje eu sou um menino
que lhe dou todo amor.

Eu sempre estou com ela,
seja na tristeza ou na alegria.
Mesmo gostando dela
eu sempre estou na folia.

Mamãe a senhora gosta que eu vá à igreja,
mas quase nunca eu vou.
Mesmo que assim seja,
o dever, a senhora me ensinou.

Mas hoje nesse seu dia,
a professora nos ensina:
que devemos dar alegria
a uma mamãe tão divina.

Esse domingo de maio
eu vou lhe dedicar.
Mesmo que caia um raio,
eu quero lhe homenagear.


De: William a sua mamãe querida Dirce Mendes de Oliveira.

(pelos papéis que estavam juntos, calculo que seja de maio de 1982)

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Poema - A longa espera da pouca proposta dos putos banqueiros


Um dia inteiro...


A Aurora veio do oriente

puxada pela carroça dourada
com seus cavalos alados.
Passou por cima de nossas cabeças
brigando e se intercalando
com as nuvens cinzas e a chuva prateada.
Foi se deitar no ocidente
para saudar como Aurora o Oriente.

E nós aqui estamos,

sentados numa sala de subsolo de hotel,
amontoados e esperando um longo dia,
esperando por uma proposta que até agora não veio.
Uma proposta decente por parte dos banqueiros,
para finalizar uma greve que já dura dezoito dias.

Fico aqui pensando nas razões do ser.

Nas razões de ser sindicalista,
lutando por melhorar as relações de trabalho
entre os putos banqueiros
e os bancários de luta.
Fico aqui pensando no desfecho desta dura batalha.

A proposta virá alguma hora;

virá alguma proposta.
Sem dúvida virá indecente!
Virá insuficiente pela luta travada.
Banqueiro é uma classe ignóbil.
Putos chupins exploradores!
E sabemos que os bancários merecem muito mais.

São décadas de lutas e conquistas,

centenas de greves e lutas.
Mais conquistas em umas, menos em outras.
O que importa na luta de classes
é o acúmulo gerado no processo.

Findaremos mais esta greve, é certo.
O saldo será em parte financeiro,
mas o grande saldo será o acúmulo de forças
de uma categoria que não cansa de lutar,
de lutar e conquistar o seu lugar ao Sol,
que toda Aurora traz em sua carroça dourada.

Wmofox - Quando? 14/10/2011, na sala de espera por propostas dos banqueiros chupins.

CARRIE – Stephen king

Capa original da primeira edição americana.

CARRIE – Stephen king
CLÁSSICO AMERICANO de terror – 1974

Já comentei aqui no blog que comecei minha história de leitura com literatura de Best Sellers dos anos 70 e 80. Li alguns livros do escritor americano Stephen King na adolescência. Além dele, li outros livros de suspense e terror como Os Mortos Vivos de Peter Straub e li também dois livros de Jay Anson – Horror em Amityville e 666 no limiar do inferno.
Sem contar, é claro, que li o livro O Exorcista de William Peter Blatty.
Lembro-me que li Christine – o carro assassino, A Incendiária, A Zona Morta e Cemitério. Por incrível que pareça, acabei não lendo na época os dois mais famosos de King: Carrie e O Iluminado. Do primeiro, havia visto o filme e, do segundo, só fui assistir ao filme há pouco tempo.

A LEITURA
Fui ver qual a sensação de ler após os quarenta anos um dos livros de minha adolescência: gostei. É meio hilário, mas foi divertido e leve.
O livro é dividido em três partes:
-SANGUE E DIRVERTIMENTO
-A NOITE DO BAILE
-ECOS E ESCOMBROS
A história é sobre uma garota em início de adolescência que sofre bulling na escola e sofre horrores na mão de sua mãe, uma fanática religiosa como tem aos montes entre o Tea Party dos republicanos atuais.
O pano de fundo da estória é o fenômeno da telecinésia – TC – ou capacidade de movimentar ou alterar as coisas com o poder da mente. O autor envereda por uma tese na ficção de que a telecinésia é transmitida às filhas de alguns casais como um gene raro. Da mesma forma que outras doenças congênitas ou hereditárias.
Sissy Spacek:
Uma jovem garota como outra qualquer...

Na verdade, o leitor fica o tempo todo torcendo por Carrie porque é revoltante ver a menina sofrer nas mãos das colegas da escola e em casa.
Todo mundo gostaria de ter o poder que a garota tem para dar o troco na hora quando alguém sacaneia sem mais nem menos qualquer pessoa.
Imaginem os funcionários de bancos com poder de telecinésia para enfrentar o assédio moral e as metas absurdas e abusivas nos locais de trabalho... (brincadeirinha!).
Literatura de ficção é algo muito bom porque é... ficção. Ali se permite tudo que não se pode na vida real.

Um dos poster do filme

O FILME de 1976
Logo após ler finalmente o livro de Stephen King, embarquei novamente no filme que vi há muitos e muitos anos.
Cara, o filme é muito legal.
A direção é de Brian De Palma e a interpretação de Sissy Spacek é FANTÁSTICA!
Como sempre ocorre, o filme é uma adaptação do livro. É uma versão. Os finais são diferentes. Mas tudo bem porque não ficou ruim no filme.
O final do livro é melhor, isso eu não posso deixar de comentar.
Ah, e para terminar, afirmo categoricamente que o livro e o filme são clássicos!

Bibliografia:
KING, Stephen. Carrie. Editora Abril, 1983 SP.

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

Capitães da Areia (1937) – Jorge Amado


Imagem do filme Capitães da Areia.

CAPITÃES DA AREIA – Jorge Amado

CLÁSSICO BRASILEIRO de 1937

“Companheiros, vamos pra luta...”

Antes de iniciar esta obra prima de Jorge Amado, a única experiência com o autor foi a leitura de Mar Morto de 1936. Leitura que fiz na adolescência, quando vivia em Uberlândia. Aliás, recuperei o volume original de minha leitura, pois meu primo mo deu.
Estou chegando à metade da leitura e o livro já me emocionou várias vezes. Já me fez parar a leitura e ficar pensando em minha infância e adolescência lá em Minas Gerais. Também já me fez ficar pensando nos sentimentos que sempre tive.
Hoje, li um capítulo chamado Família e fiquei pensando a respeito. Eu torci para que o desfecho fosse outro. Fiquei confuso pensando em meu papel social e a torcida que tive e que não se realizou. Fui buscar pão para o café da manhã e fiquei me questionando enquanto caminhava.

A DIFÍCIL DECISÃO DE Sem-Pernas

- O ÓDIO QUE NOS MOVE...

“Mas desta vez estava sendo diferente. Desta vez não o deixaram na cozinha com seus molambos, não o puseram a dormir no quintal. Deram-lhe roupa, um quarto, comida na sala de jantar. Era como um hóspede. Era como um hóspede querido. E fumando o seu cigarro escondido (o Sem-Pernas pergunta a si mesmo por que está se escondendo para fumar), o Sem-Pernas pensa sem compreender. Não compreende nada do que se passa. Sua cara está franzida. Lembra os dias na cadeia, a surra que lhe deram, os sonhos que nunca deixaram de persegui-lo. E, de súbito, tem medo de que nesta casa sejam bons para ele. Sim, um grande medo de que sejam bons para ele. Não sabe mesmo por quê, mas tem medo. E levanta-se, sai do seu esconderijo e vai fumar bem por baixo da janela da senhora. Assim verão que ele é um menino perdido, que não merece um quarto, roupa nova, comida na sala de jantar. Assim o mandarão para a cozinha, ele poderá levar para diante sua obra de vingança, conservar o ódio no seu coração. Porque se esse ódio desaparecer, ele morrerá, não terá nenhum motivo para viver. E diante dos seus olhos passa a visão do homem de colete que vê os soldados a espancar o Sem-Pernas e ri numa gargalhada brutal. Isso há de impedir sempre o Sem-Pernas de ver o rosto bondoso de dona Ester, o gesto protetor da mão do padre José Pedro, a solidariedade dos músculos grevistas do estivador João de Adão. Será sozinho e seu ódio alcança a todos, brancos e negros, homens e mulheres, ricos e pobres. Por isso teme que sejam bons para consigo.”
Vi em Sem-Pernas todo o ódio que senti na adolescência e que sempre me moveu...

- O AFETO QUE NOS MOVE...

“- Não precisa, dona Ester, aqui tá muito bom.
Ela se acercou dele e o beijou na face:
- Boa noite, meu filho.
Saiu, cerrando a porta. O Sem-Pernas ficou parado, sem um gesto, sem responder sequer o boa-noite, a mão no rosto, no lugar em que dona Ester o beijara. Não pensava, não via nada. Só a suave carícia do beijo, uma carícia como nunca tivera, uma carícia de mãe. Só a suave carícia no seu rosto. Era como se o mundo houvesse parado naquele momento do beijo e tudo houvesse mudado. Só havia no universo inteiro a sensação suave daquele beijo maternal na face do Sem-Pernas.”

EXCEÇÃO AO ÓDIO: SEUS PARES

“E se para alguém o Sem-Pernas abria exceção no seu ódio, que abrangia o mundo todo, era para as crianças que formavam os Capitães da Areia. Estes eram seus companheiros, eram iguais a ele, eram as vítimas de todos os demais, pensava o Sem-Pernas. E agora sentia que os estava abandonando, que estava passando para o outro lado (...).”

OUTRA EXCEÇÃO AO ÓDIO: DONA ESTER

“Seu ódio para todos não desaparecera, é verdade. Mas abrira uma exceção para a gente daquela casa, porque dona Ester o chamava de filho e o beijava na face. O Sem-Pernas luta consigo mesmo (...).”

QUEDEI CISMANDO

Fiquei incomodado com o desfecho do capítulo. Fiquei pensando no tema Igualdade de Oportunidades e outras questões que levantamos no movimento sindical a respeito de dar oportunidades iguais a todas as crianças e deixar que o restante venha com o tempo.
Me coloquei no lugar do Sem-Pernas e vi que tomaria outra decisão. Acho que por isso fiquei incomodado.
Talvez a minha posição tenha a ver com um de meus desejos mais antigos, desde o tempo em que torcia muito para o dia duro do trabalho braçal acabar para ir dormir e descansar física e mentalmente para um novo dia de labuta na adolescência inteira. Sonhava em encontrar Paz.
Um pouco de paz. A vida diária de grande parte das crianças, jovens e adultos pobres e miseráveis sempre foi uma guerra diária pela sobrevivência, por um lugar ao sol. Acho que no fundo, eu sonho com isso desde que me entendo por gente.
É isso, o livro de Jorge Amado já me levou várias vezes a pensamentos e lembranças profundas sobre a vida e sobre a minha vida.

Capa da edição que li.

A IGREJA E O PODER CONTRA OS “COMUNISTAS”

Neste trecho, vemos o padre amigo dos Capitães da Areia sendo fortemente repreendido por seus chefes da igreja.

“- Que Deus seja suficientemente bom para perdoar seus atos e suas palavras. O senhor tem ofendido a Deus e à igreja. Tem desonrado as vestes sacerdotais que leva. Violou as leis da igreja e do Estado. Tem agido como um comunista. Por isso nos vemos obrigados a não lhe dar tão cedo a paróquia que o senhor pediu. Vá (agora sua voz voltava a ser doce, mas de uma doçura cheia de resolução, uma doçura que não admitia réplicas), penitencie-se dos seus pecados, dedique-se aos fiéis da igreja em que trabalha e esqueça essas ideias comunistas, senão, teremos que tomar medidas mais sérias. O senhor pensa que Deus aprova o que está fazendo? Lembre-se que a sua inteligência é muito pequena, o senhor não pode penetrar nos desígnios de Deus...

COMPANHEIROS

Este capítulo é muito legal.
Cito um trecho abaixo:
“Na madrugada que nasce, as estrelas começam a desaparecer do céu. Mas Pedro Bala parece ver numa estrela que corre a estrela de Dora que o alegra. Companheira... Também ela tinha sido uma companheira boa. A palavra brinca na sua boca, é a palavra mais bonita que ele já viu. Pedirá a Boa-Vida que faça um samba dela, um samba para um negro cantar à noite no mar. Vão como se fossem para uma festa. Armados com as mais diversas armas: navalhas, punhais, pedaços de pau. Vão para uma festa, porque a greve é a festa dos pobres, repete Pedro Bala para si mesmo.
No pé da ladeira da montanha se dividem em três grupos. João Grande chefia um, Barandão vai com outro, o maior vai com Pedro Bala. Vão para uma festa. A primeira festa verdadeira que têm aquelas crianças. Ainda assim é uma festa de homens. Mas é uma festa dos pobres, dos pobres como eles.”

Jorge Amado - Grande escritor brasileiro.

COMENTÁRIO FINAL

O livro me causou um impacto muito grande. Ao longo de sua leitura nesta semana, me peguei várias vezes pensando no passado, na minha infância e adolescência difícil – apesar de sempre ter tido uma família e pais maravilhosos -, nas crianças em situação de rua da atualidade.
A maior mudança das crianças dos Capitães da Areia e das crianças em situação de rua de hoje é a potência das drogas atuais, que destroem os usuários e os transformam em zumbis.
No século XX, as drogas que circulavam nos trapiches da vida eram a cola e a maconha. Outras mais potentes eram muito caras e circulavam nas camadas de maiores recursos.
As crianças e adolescentes em situação de rua que são fisgados pelo crack são destruídos em pouquíssimo tempo.
O livro é maravilhoso e me emocionei várias vezes ao longo da leitura. MUITO BOM. Irei buscar formas de ler mais obras deste imortal brasileiro Jorge Amado.
Fica o convite para a leitura deste clássico da literatura brasileira.

Bibliografia:
AMADO, Jorge. Capitães da Areia. Companhia de Bolso. 12ª reimpressão.


Post Scriptum (24/jan/17):

Ao reler a postagem para depois escrever a respeito de minha releitura do romance Mar Morto, chorei copiosamente. Acredito que foi devido ao contexto atual de meu País, agora sob estado de exceção, após golpe em 2016. A perspectiva de melhora da condição de vida dos "capitães da areia" espalhados Brasil afora, era perspectiva lenta, mas existia sob os governos do PT. Agora, aprofunda-se a volta de um país desgraçado, injusto, desigual para os 99% da população... muito triste tudo isso!

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

Hoje morreu o nosso Tuckinho

(02.01.12) Chegamos hoje à tarde em casa e nosso esquilinho da mongólia estava morto. Por mais que já esperássemos que nosso Tuckinho morresse a qualquer momento, encontrá-lo morto em sua gaiolinha foi muito triste. Muito triste mesmo! A vida é sempre cheia de momentos opostos: alegria e tristeza, perdas e ganhos.


Em 2009, com uns 6 meses. Ele adorava roer papelão.

Meu filho ganhou seu gerbil em 2008, no dia das crianças. Batizou o bichinho com o nome de Bidoof, em referência a um programa infantil - Pokemón - com vários personagens. Mas sempre o chamamos de Tuck.

Bidoof em 2009 com um ano, após um cafuné do Guto.

O esquilinho esteve conosco por mais de três anos. Meu filho foi de criança a adolescente enquanto o esquilinho chegava a sua expectativa de vida.

Foi importante para meu filho ter um bichinho de estimação nessa fase de sua vida, pois ele sempre quis um cachorro e não foi possível por morarmos em um apartamento - apto. muito pequeno, por sinal. O esquilinho da Mongólia supriu esse desejo infantil de se ter um animalzinho em casa.

Com 2 anos. Ele preferia coçar e desgastar seus dentes aí.

A morte do Tuckinho me doeu muito também. Em outubro passado, morreu a nossa hamster anã russa - Titch -, e agora morre o Tuck.

Durante dois anos, meu hábito sempre foi chegar em casa e, já da porta, chamá-los e pegá-los na mão. A Titch, doidinha para ser pega na mão e ganhar sementes de girassol ou outra guloseima. O Tuckinho me via como um pão ambulante, pois ele vinha na minha mão comer casquinhas de pão. Era só chamá-lo ou ele me ver passando perto da gaiola que já levantava a cabeça e ficava me esperando.

Olha nosso xodozinho comendo pãozinho em 2010.

Nos últimos meses, o esquilinho deu uma espécie de tumor na barriguinha e a feridinha foi piorando nas últimas semanas. Ele já estava com a idade acima da expectativa média de vida dos esquilinhos da Mongólia. Fizemos o que entendemos ser possível: gaiola sempre limpinha, proteções para ele não cair do andar de cima, carinho e cafuné sempre que possível. O bichinho se desmanchava em prazer quando recebia cafuné na cabeça e no pescocinho.

Nosso velhinho tomando água. Está com 3 anos na foto.

Após enterrá-lo ao lado da Titch, saí para correr e espairecer a cabeça. Fiquei pensando sobre as últimas vezes em que sua ferida sangrou e ele não morreu. A gente sempre estava ao lado para um cafuné, para por uma comidinha na boca dele e para animá-lo. Nas últimas duas vezes - véspera do natal e antes de eu ir para a praia - achamos que ele morreria, mas ele resistiu. Em segundos, já recebia um cafuné para acalmar e umas guloseimas nas patinhas para mastigar.

Eu não quis ficar a semana toda na praia com a família porque tinha que trabalhar; porque precisei acompanhar meu pai ao médico; e porque não queria deixar o Tuckinho sozinho muitos dias.

Final de 2011, nosso velho Tuckinho brinca com papel.

DILEMA
Eu só o deixei sozinho por três dias porque também não seria justo, depois de um ano todo ausente em casa com minhas viagens de trabalho, não estar ao menos três dias com a família na colônia de férias em que eles estiveram por uma semana.

Dormindo todo relaxado em minha mão, algumas semanas atrás.

Mas bateu uma tristeza muito grande quando refletia sobre a morte do bichinho. Apesar de um vizinho amigo cuidar dele nesses três dias, ele ficou sozinho em casa. Ficou sem o pãozinho. Ficou sem os chamamentos constantes e ficou sem os cafunés que ele adorava. Morreu sozinho em casa à tarde, pouco antes de chegarmos.

Por um lado, me parece que alongamos a vida dele nas últimas semanas com o carinho necessário e revigorante a um bichinho idoso e no fim da vida. Mas, por outro, me parece também que ele não resistiu à falta desse carinho por três dias seguidos.

A vida é assim. Hoje morreu o nosso Tuckinho.

Tristeza!

sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

Vidas secas (1938) – Graciliano Ramos


Desenho: Aldemir Martins

CLÁSSICO BRASILEIRO de 1938

MINHAS LEITURAS


INTRODUÇÃO

Este livro é uma das obras mais marcantes que já li. Neste ano, fiz minha quarta leitura. A primeira vez que o li foi no ano 2000. Eu já tinha mais de trinta anos de idade e as mazelas do Nordeste eram quase as mesmas das décadas e séculos anteriores. Nada, nem ninguém, dava jeito naquele mundo. Na verdade, nenhum político ou política havia tido um foco sério naquele mundo.

Os poucos compromissados com a causa do povo do Nordeste, como Celso Furtado, não lograram êxito devido aos vícios da política, tanto local quanto nacional.

Uma das coisas mais marcantes para mim, ao ler a obra hoje, é em relação àquele Brasil descrito por Graciliano Ramos quando comparado com o Brasil atual, após os dois mandatos do presidente Lula da Silva do Partido dos Trabalhadores. A diferença é fantástica!

Hoje, o Nordeste é pujança e a esperança é real e já é presente – é a região com o maior crescimento do PIB no País. A esperança é real e extrapola aquela que o povo simples brasileiro já carrega em seu DNA.

O livro serve de denúncia e de aviso. Vale a pena investir na política focada na solução dos problemas do povo de um país. Vale a pena. O Brasil provou isso no século XXI.

Qualquer região do mundo habitada pelos humanos tem possibilidades promissoras quando a política é focada na busca de soluções para melhorar a vida daquele povo e daquela comunidade. A inteligência humana, quando canalizada para o bem comum, é ilimitada.


VIDAS SECAS

A primeira coisa admirável é a linguagem ímpar de Graciliano. A obra é uma ficção em prosa, mas poderia ser construída em versos. O ritmo do autor é muito característico. Seco e direto, porém sensibilizador.

Vejam como poderíamos ler poesia em Vidas Secas. Coloco em verso o início da obra.


MUDANÇA

Na planície avermelhada

os juazeiros alargavam duas manchas verdes.
Os infelizes tinham caminhado o dia inteiro,
estavam cansados e famintos.

Ordinariamente
andavam pouco,
mas como haviam repousado bastante
na areia do rio seco,
a viagem progredira bem três léguas.
Fazia hora que procuravam uma sombra.
A folhagem do juazeiro apareceu longe,
através dos galhos pelados da catinga rala.

Arrastaram-se para lá,
devagar,
sinhá Vitória com o filho mais novo
escanchado no quarto
e o baú de folha na cabeça.

Fabiano sombrio,
cambaio,
o aió a tiracolo,
a cuia pendurada numa correia
presa ao cinturão,
a espingarda de pederneira no ombro.

O menino mais velho
e a cachorra Baleia
iam atrás.


O PAPAGAIO: ESPELHO DA LINGUAGEM DA FAMÍLIA

“Despertara-a um grito áspero, vira de perto a realidade e o papagaio, que andava furioso, com os pés apalhetados, numa atitude ridícula. Resolvera de supetão aproveitá-lo como alimento e justificara-se declarando a si mesma que ele era mudo e inútil. Não podia deixar de ser mudo. Ordinariamente a família falava pouco. E depois daquele desastre viviam todos calados, raramente soltavam palavras curtas. O louro aboiava, tangendo um gado inexistente, e latia arremedando a cachorra.”

O papagaio acabou aprendendo a repetir o som de quem “falava” pela família: a cachorra Baleia.


ERAM COMO COISAS, MAS QUERIAM VIVER

“Aquilo era caça bem mesquinha, mas adiaria a morte do grupo. E Fabiano queria viver (...) Pensou na família, sentiu fome. Caminhando, movia-se como uma coisa, para bem dizer não se diferenciava muito da bolandeira de seu Tomás...”


FABIANO: HOMEM OU ANIMAL?

“- Fabiano, você é um homem, exclamou em voz alta.

Conteve-se, notou que os meninos estavam perto, com certeza iam admirar-se ouvindo-o falar só. E, pensando bem, ele não era homem: era apenas um cabra ocupado em guardar coisas dos outros. Vermelho, queimado, tinha os olhos azuis, a barba e os cabelos ruivos; mas como vivia em terra alheia, cuidava de animais alheios, descobria-se, encolhia-se na presença dos brancos e julgava-se cabra.”

“Chape-chape. As alpercatas batiam no chão rachado. O corpo do vaqueiro derreava-se, as pernas faziam dois arcos, os braços moviam-se desengonçados. Parecia um macaco.”


NA PRISÃO INJUSTA, LEMBROU-SE DA FAMÍLIA

“Lembrou-se da casa velha onde morava, da cozinha, da panela que chiava na trempe de pedras. Sinhá Vitória punha sal na comida. Abriu os alforjes novamente: a trouxa de sal não se tinha perdido. Bem. Sinhá Vitória provava o caldo na quenga de coco. E Fabiano se aperreava por causa dela, dos filhos e da cachorra Baleia, que era como uma pessoa da família, sabida como gente.”


Desenho de Aldemir Martins

TRAÇOS MARCANTES NA OBRA

Algumas características de Vidas Secas são bem conhecidas do público leitor.

- a não linguagem dos humanos;

- as características antropomórficas da cachorra Baleia, o ente da família mais “humano” e “inteligente”;

- as personagens humanas da família de retirantes são caracterizadas o tempo inteiro como animais. Os meninos não têm nome, não usam roupas. A família mais grunhe do que fala. Os meninos têm que aprender com Baleia várias coisas.

- o capítulo sobre Baleia nasceu como um conto e depois foi incluído no livro. O livro foi feito ao redor de Baleia. Não quero comentar sobre os acontecimentos finais em relação aos personagens. Prefiro que leiam a obra e descubram.

- os ciclos viciosos que se repetem desesperançosamente: a violência da “lei” contra os humildes; a sabida retirada e fuga da seca mais cedo ou mais tarde; a tendência das proles dos sertanejos serem rudes e não verem um destino melhor do que o de seus pais.


MINHA IMPRESSÃO DAS LEITURAS ATÉ 2002

Escrevi no livro o que havia sentido nas três leituras que eu fizera até a eleição para presidente do Brasil do metalúrgico Lula da Silva, filho de retirantes nordestinos como a família de Fabiano e Sinhá Vitória.

Que situação infeliz! Isto acontecia em 1938. Isto acontece em 2002. São tantos homens, mulheres e crianças que sofrem com a seca no Nordeste.

2002: são tantos homens, mulheres e crianças que sofrem fome nas favelas de nosso País. Casas de madeira e latão. Casas de papelão. Crianças cheirando cola e crack nas praças. Homens defecando nas ruas. Andem nas metrópoles e vejam isto. 1938/2002 – sertão nordestino... São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte...

E as produções mundiais a cada dia batem novos recordes. E a fome a cada dia bate novo recorde.

Sempre assim. E os fabianos não atinam que têm direitos. Os homens brancos ficam nervosos e ameaçam só de ouvir grunhidos “hum, hum” dos fabianos reclamando.

O coração está apertado e mofino!


Capa da primeira edição de Vidas Secas.

CONCLUSÃO

Minha reflexão após tudo isso está no início, em minha introdução:

Qualquer região do mundo habitada pelos humanos tem possibilidades promissoras quando a política é focada na busca de soluções para melhorar a vida daquele povo e daquela comunidade. A inteligência humana, quando canalizada para o bem comum, é ilimitada.

Não era sonho aquilo que sempre buscou nosso mestre e sábio Celso Furtado. Ele faleceu ainda no início das transformações por que passaria o Nordeste brasileiro neste século XXI sob a batuta do metalúrgico retirante Lula da Silva.

Falta muito ainda, tanto para o nordeste quanto para os milhões de fabianos e família. Mas há esperanças quando há foco na política de desenvolvimento com distribuição de renda e riquezas.

Sigamos buscando o fim das vidas secas. Vimos que é possível.


William Mendes


Bibliografia:

RAMOS, Graciliano. Vidas Secas. 80ª edição. Editora Record. 2000.

quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

A Partida - 2008, Japão.



Foto de divulgação

A PARTIDA
Um filme dirigido por Yôjirô Takita.
Vencedor do Oscar de melhor filme estrangeiro de 2009.

A beleza deste filme japonês, na minha opinião, só se equipara à beleza do filme americano Uma história real. Leia aqui.
O filme nos traz uma lição de vida a cada caso de morte. Temos a relação entre pais e filhos. Temos a questão da aceitação ou não dos pais que têm os filhos diferentes. Temos muitas questões de preconceito.
O filme é uma bela lição de vida, apesar de ser um filme sobre a morte.

OS MOMENTOS PESAM
Rever o filme A Partida, neste momento, tocou-me profundamente. Vi algumas “partidas” nos últimos meses que me entristeceram muito.
Ver a dona Irene, que nos vendia pãezinhos na frente do condomínio, morrer de câncer em poucas semanas, foi algo triste e chocante.
Ver o meu vizinho e colega Rogério, bancário do Bradesco, morrer na véspera do Natal, de maneira tão boba, após uma cirurgia de estômago, e deixar dois filhinhos de menos de dois anos, é muito triste.
Ver uma família de amigos de infância sofrer pela morte prematura de uma filha de 22 anos, na mesma semana de Natal da morte do Rogério, é também tristeza pura.
Fiquei pensando na família do companheiro Edmundo, ex-presidente do Sindicato dos bancários de Alagoas, que morreu prematuramente neste semestre.
Alguns filmes são feitos para serem vistos várias vezes. A Partida é um deles.

COM A IDADE, TORNA-SE COMUM VER “PARTIDAS”
Tantas Partidas virão em minha vida, pois já estou na fase de ver pessoas próximas e da família, muitas delas mais velhas, partindo – ou morrendo -, haja vista que sou ateu e não acredito em nenhuma sequência, porta ou passagem para outra vida.
A Partida pra mim é só passagem para a volta à natureza.

Recomendo muito a toda pessoa que ainda não tenha visto este filme, que o faça, pois ele é de uma beleza incrível e trata a morte com um respeito absurdo!