sábado, 12 de outubro de 2019

Teoria Literária II - Leitura Analítica, Leitura da Lírica (III)


Relógio da USP, na área em frente à FFLCH.


(Atualização em 14/10/19)

Refeição Cultural

Esta postagem se refere a anotações feitas por mim durante as aulas do Professor Ariovaldo Vital, da disciplina de "Teoria Literária II", matéria na qual estamos estudando a leitura de poesias ao longo do semestre.

A interpretação dos ensinamentos, consubstanciada nestas anotações, é de minha inteira responsabilidade. Qualquer equívoco conceitual que eu tenha cometido pode ser sanado pelo(a) leitor(a) buscando-se outras fontes para esclarecer a dúvida ou informação conflitante.

Este é um espaço de compartilhamento gratuito de conhecimento, informações e opiniões, dentro do conceito Wiki (What I Know Is).


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Aula de 08/10/19 (Continuação I)

Veja aqui a postagem anterior que tratou principalmente da questão do metro. Agora vamos ver alguns fenômenos de junção de sílabas e vogais nas poesias.

Retomando a estrofe do poema "Balada do morto vivo" (1954), de Vinicius de Moraes:


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"Um/ cons/tan/te/ bal/bu/ci/o = 7
Co/mo o/ de al/guém/ mui/to em/ /goa = 7
Pa/re/ci/a/ vir/ do/ ri/o" = 7

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Para as conceituações, recorro à Moderna Gramática Portuguesa, do Professor Evanildo Bechara, 37ª Edição Revista e Ampliada, Editora Lucerna, Rio de Janeiro, 2006. Alguns casos abaixo, utilizei também conceitos do site Recanto das Letras.


- CRASE = mo+o 

Fusão de dois ou mais sons iguais num só, como acima (Bechara).


- SINALEFA = de+al /deal/ e to+em /toem/

Junta-se as duas vogais e ouve-se os dois sons. 

Na gramática de Evanildo Bechara está dito que é a perda de autonomia de uma vogal para tornar-se semivogal e, assim, constituir um ditongo com a vogal seguinte.


- ELISÃO = é o desaparecimento de uma vogal quando pronunciada junto de outra vogal diferente:

O exemplo dado pelo Professor Ariovaldo foi um verso do poema "O elefante" de Drummond:

"Fabrico um elefante"

Fa/bri/co/ um/ e/le/fan/te = 7

Fa/bri/cum/e/le/fan/te = 6


- AFÉRESE = é a supressão de uma forma no início do vocábulo. Exemplo em Castro Alves:

"Es/ta/mos": em um verso de 11 sílabas poéticas, o verso ficaria com 10 sílabas com o uso da forma "'Sta/mos".


- SÍNCOPE = é a supressão de um fonema no meio do vocábulo. Um exemplo em Camões:

"inimigo" = "imigo" ou "maior" = "mor".

Também temos as proparoxítonas que perdem sílabas: "séculos" = "séc'los". Esses procedimentos foram mantidos pelos poetas do Modernismo Brasileiro.


- APÓCOPE = é a supressão de um fonema no fim do vocábulo. Um exemplo do Parnasianismo:

"mármore" = "mármor"

RESUMO: Supressão da vogal:

No início = Aférese
No meio = Síncope
No fim = Apócope

CURIOSIDADE: o poeta João Cabral de Melo Neto, no Modernismo, não suprime a vogal, mas ele não considera a sílaba.

CURIOSIDADE 2: proparoxítonas são palavras difíceis de serem pronunciadas. Por isso, muitas vezes a pronúncia é contada como paroxítona:

Ex: Lâmpada = Lâm / pada (não se considera "pada" como 2 sílabas e sim como uma só).


TENDÊNCIAS

O professor explica algumas tendências na língua portuguesa em relação aos versos:

2 vogais átonas = a tendência é de juntarem-se.

2 vogais, sendo uma tônica = a tendência é não juntarem-se. 

2 vogais tônicas = elas não se juntam.

DICA: Ao analisar os versos de um poema, veja primeiro os versos que não têm encontros vocálicos e depois veja os versos que têm esses fenômenos para avaliar caso a caso.

No Brasil, até o Modernismo, os poetas estavam obrigados à regularidade. Havia procedimentos e licenças poéticas para que os poemas estivessem dentro das normas de regularidade.

Drummond, por exemplo, seus versos têm regularidade, mas são irregulares quanto ao metro. Os poetas modernos têm ritmo muito marcante. Os poetas têm liberdades que antes não eram aceitas.

Na modernidade a preocupação passou a ser o ritmo.

Ao analisar um poema não metrificado com regularidade, identificar o que estaria "estranho", porque o diferente pode indicar coisas interessantes no plano dos sentidos.


QUANDO UM DITONGO VIRA HIATO E UM HIATO VIRA DITONGO

"hiato" é um hiato e "dói" é um ditongo. Mas há exceções diversas, licenças poéticas de autores e obras.

- SINÉRESE = quando um hiato é transformado em ditongo.

Ex: em Augusto Gil, poeta português do século XIX:

"mas/ o/ seu/ o/lhar/ ma/go/a/do, = 8 (7)
tão/ ma/go/a/do,/ tão/ lin/do," = 7

O hiato deve ser lido como ditongo no 1º ma/goa/do.

Por que? Vamos lembrar a dica de sempre verificar o verso no qual a metrificação está diferente da regularidade. Lembrar também o que o professor nos fala, que um poema é feito de sequências de equivalências.

O 2º verso é mais cadenciado, mais lento, temos até a palavra "tão". O 2º verso enfatiza o 1º verso, está no plano do sentido do poema:

tão ma/go/a/do
tão lin/do


- DIÉRESE = é quando um ditongo é transformado em hiato. É algo bem mais raro, o professor nos disse.

A palavra "sau/da/de", de 3 sílabas, pode ser usada pelo poeta com o som de 4 sílabas: "sa/u/da/de".

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A sequência final dessa aula vai tratar do ritmo. Será outra postagem: veja aqui.

William

121019 - Diário e reflexões (Fluxo de pensamento)



O céu. Sempre novo!

Refeição Cultural

Que o novo não seja o velho. Que as renovações busquem as rupturas com o velho que não deu certo, ou que deu certo por um tempo até que não desse mais certo e viessem as derrotas múltiplas. Que os velhos que não são o novo se renovem e pratiquem o novo, a novidade que seja ruptura e não adaptações daquilo que ficou velho e não foi suficiente para impedir as múltiplas derrotas. Pelo amor dos deuses, inventados por nós como novidades (que sempre voltam, por mais velhas que sejam)! Que os novos não se apropriem dos hábitos ruins dos velhos e dos novos velhos! Que o novo seja mudança de rota, já que a rota está nos levando para o desfiladeiro, para a morte certa, sem ponte à frente, sem pinguela que nos leve a uma esperança de pisar terras novas cultiváveis. Os tempos são de gente comum, gente mediana, gente medíocre. Isso já vem de um tempo. Talvez de ancient times. Nós fomos gente comum. Mas o que pode ser um ponto fraco, pode ser um ponto forte: a humildade, a unidade que constrói coletivos fortes. Ao somarmos um monte de comuns, de medianos, de medíocres dedicados, esforçados, temos um coletivo, um feixe de gravetos amarrados e mais difícil de se partir. Nossos inimigos se apropriaram da técnica de reunir os medíocres, os comuns, e os medíocres nos derrotaram com o que há de pior por aí. Os medíocres deles foram reunidos, enfeixados, e agora gritam e se impõem ao restante, talvez à maioria, mas gritam e não têm nenhum daqueles freios e máscaras sociais que nós os comuns e medíocres de cá aprendemos a ter como referência dos limites sociais (os limites entre a civilidade e a barbárie). Um mundo de medíocres, é o mundo que vivemos. Vivemos e morremos. Desejo e torço para que o nosso lado esteja gestando e parindo os novos que sejam a ruptura com o velho que deu certo até um tempo e que já não dá mais para o momento. Não tem como torcer para que o nosso novo não dê certo, é a nossa existência que está colocada nesse jogo de novos e velhos disputando um mundo que só é, e só está aí, e nós nele. Boa sorte e boas atitudes aos nossos novos! Aos nossos novos velhos! Aos nossos velhos novos! Que venha o novo!

Desejo de um da câmara dos comuns.

Sobre as vanguardas latino-americanas - Alfredo Bosi



Professor Alfredo Bosi. Foto: ABL.

Refeição Cultural

Este texto do Professor Alfredo Bosi é a "Introdução" ao livro "Vanguardas Latino-Americanas - Polêmicas, Manifestos e Textos Críticos", de Jorge Schwartz, publicado em 1995 pela Edusp. Bosi apresenta de forma clara o quanto foram amplos, diversos e de difícil organização de pontos comuns os movimentos de vanguardas latino-americanas na primeira metade do século XX.

Estou estudando as vanguardas em uma disciplina do curso de graduação em Letras na Universidade de São Paulo e a reprodução de partes do texto do professor Bosi tem o intuito de compartilhar conhecimento e educação de forma gratuita e como referência para outros estudos e novos conhecimentos a partir daí.

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A Parábola das Vanguardas Latino-Americanas

Bosi inicia a introdução ao livro, destacando o trabalho fantástico desenvolvido pelo crítico argentino-brasileiro e professor de Literatura Hispano-Americana Jorge Schwartz.

Depois começa a dissertar a respeito das vanguardas em si.

"Consideradas por um olhar puramente sincrônico, isto é, vistas como um sistema cultural definido no espaço e no tempo, as nossas vanguardas literárias não sugerem outra forma se não a de um mosaico de paradoxos. Causa embaraço ao seu historiador atual qualquer tentativa de exposição sintética desses movimentos, pois a busca de traços comuns esbarra a cada passo em posições e juízos contrastantes. O leitor de hoje, se interessado em detectar o caráter dessa vanguarda continental, o quid capaz de distingui-la de sua congênere europeia, colhe os defeitos de tendências opostas e, muitas vezes, repuxadas para seus extremos: as nossas vanguardas conheceram demasias de imitação e demasias de originalidade.

Quem insiste em proceder ao corte sincrônico terá que registrar, às vezes no mesmo grupo e na mesma revista, manifestos em que se exibe o moderno cosmopolita (até à fronteira do modernoso e do modernóide com toda a sua babel de signos tomados a um cenário técnico recém-importado) ao lado de exigências convictas da própria identidade nacional, ou mesmo étnica, misturadas com acusações ao imperialismo que desde sempre massacrou os povos da América Latina.

Assim, no interior da mesma corrente, como por exemplo entre os modernistas brasileiros da fase mais combativa (de 22 a 30, aproximadamente), valores estetizantes mais protestos nacionalistas pedirão a sua vez impondo-se à atenção do pesquisador que se queira analítico e isento de preconceitos. A esse historiador caberá por fim adotar a linguagem resvalante das conjunções aditivas que somam frases semanticamente disparatadas embora sintaticamente miscíveis: 'o modernismo foi cosmopolita e nacionalista'; 'as vanguardas buscaram inspiração nos ismos parisienses bem como nos mitos indígenas e nos ritos afro-antilhanos', ou ainda, 'a arte latino-americana de 20 foi não só absolutamente pura como também radicalmente engajada'...

Essa leitura estática tenderia a cair por si mesma sob o peso das antinomias que pretendesse agregar. As vanguardas não tiveram a natureza compacta de um cristal de rocha, nem formaram um sistema coeso no qual cada face refletisse a estrutura uniforme do conjunto. As vanguardas devem ser contempladas no fluxo do tempo como o vetor de uma parábola que atravessa pontos ou momentos distintos."

Mas uma visão que persiga modos e ritmos diferentes não deverá, por sua vez, camuflar a imagem de uma outra unidade, sofrida e necessariamente contraditória: a unidade do processo social amplo em que se gestaram as nossas vanguardas. As diferenças entre movimento a e movimento b, ou entre posições do mesmo movimento, só são plenamente inteligíveis quando se consegue aclarar por dentro o sentido da condição colonial, esse tempo histórico de longa duração no qual convivem e conflitam, por força estrutural, o prestígio dos modelos metropolitanos e a procura tacteante de uma identidade originária e original.

Nos escritores mais vigorosos que por sua complexidade interior se liberam mais depressa das palavras de ordem, é a busca de uma expressão ao mesmo tempo universal e pessoal que vai guiar as suas poéticas e as suas conquistas estéticas. As passagens, as mudanças aparentemente bruscas que se observam, por exemplo, em Mário de Andrade e em Borges, conheceram motivações de gosto e ideologia mais profundas do que o pêndulo das modas vanguardeiras. No entanto, como nada acontece fora da história (totalizante: pública e íntima), também as opções decisivas desses artistas tão diferenciados se inscrevem naquela dialética de reprodução do outro e auto-sondagem que move toda cultura colonial ou dependente.

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Sigo depois com o texto do Professor Bosi. Ele é muito esclarecedor para leitores amadores como nós.

É isso. Sigamos aprendendo algo novo, já que estamos vivos.

sexta-feira, 11 de outubro de 2019

Teoria Literária II - Leitura Analítica, Leitura da Lírica (II)



Ipês da FFLCH-USP, na
Av. Prof. Luciano Gualberto.

(Atualização do texto em 14/10/19)

Refeição Cultural

Esta postagem se refere a anotações feitas por mim durante as aulas do Professor Ariovaldo Vital, da disciplina de "Teoria Literária II", matéria na qual estamos estudando a leitura de poesias ao longo do semestre.

A interpretação dos ensinamentos, consubstanciada nestas anotações, são de minha inteira responsabilidade. Qualquer equívoco conceitual que eu tenha cometido pode ser sanado pelo(a) leitor(a) buscando-se outras fontes para esclarecer a dúvida ou informação conflitante.

Este é um espaço de compartilhamento gratuito de conhecimento, informações e opiniões, dentro do conceito Wiki (What I Know Is).

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Aula de 08/10/19 - Metro e Rima

Questões sobre os teorias do verso

Ritmo, sonoridade, metro, figuras de linguagem, dentre outras.

Post Scriptum: segundo Candido em - O estudo analítico do poema - os fundamentos do poema são: sonoridade, ritmo, metro e verso (CANDIDO, 3ª edição, pág. 9)

Metro - noções gerais

Metro e rima são duas questões que caminham juntas nos poemas, uma depende da outra.

O que é metro? É medida.

Por que falamos de metro? Há uma diferença básica entre prosa e verso. Diferentemente da prosa, o verso tem um metro, uma medida que contribui para o ritmo.

A prosa é contínua, não para, vai embora. É um movimento ininterrupto. 

COMENTÁRIO: pensando a respeito dessa explicação, lembrei-me do livro de Roberto Bolaño que estou lendo Nocturno de Chile (2000). O romance de ficção contém 2 (dois) parágrafos em sua estrutura, um com 111 páginas e outro com uma linha. Nenhum exemplo seria mais perfeito para entender como a prosa pode ser contínua, ir embora, nunca acabar.

O verso não. Ele é marcado. Ele tem medida, tem um metro. Isso favorece o ritmo.

Não é que a prosa não tenha ritmo, mas ele é menos expressivo por ser menos notado.

Na construção civil, o metro serve para medir espaço. Na poesia, serve para medir o tempo.

Vamos entender o metro, analisando uma estrofe do poema "Balada do morto vivo" (1954), de Vinicius de Moraes.

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"Um constante balbucio
Como o de alguém muito em mágoa
Parecia vir do rio"
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O verso do meio é evidentemente maior (se medirmos com o metro dos pedreiros), mas o que nos interessa é a temporalidade.

O metro do pedreiro é dividido em centímetros; o do poeta é a sílaba.

Escansão: ato de escandir o verso, dividir o verso em unidades silábicas. No dicionário a palavra está definida como ato de decompor um verso em seus elementos métricos.

Um/ cons/tan/te/ bal/bu/ci/o = 8
Co/mo/ o/ de/ al/guém/ mui/to/ em/ má/goa = 11
Pa/re/ci/a/ vir/ do/ ri/o = 8

De início, vemos que temos 8/11/8 sílabas gramaticais.

Porém, na tradição poética, não se conta a última ou últimas sílabas após a última sílaba tônica. É tradição! Ou seja, é uma convenção e não uma norma padrão, por assim dizer.

Contamos as sílabas métricas até a última tônica, e desconsideramos o que vem depois.

O professor comentou que há mestres da linguagem que consideram essa tradição e outros que não a consideram. Citou Manuel Said Ali como um dos grandes filólogos da língua portuguesa que não consideram essa contagem.

No curso, vamos seguir a tradição que predomina com mais vigor.

Um/ cons/tan/te/ bal/bu/ci/o = 7
Co/mo/ o/ de/ al/guém/ mui/to/ em/ /goa = 10
Pa/re/ci/a/ vir/ do/ ri/o = 7

Nesse momento, o professor leu os versos assim como contamos acima 7/10/7. O segundo verso não ficou bom. Ficou sem ritmo.

É necessário unir algumas sílabas gramaticais. Não é só uma questão de unir por unir. O 1º e o 3º verso não apresentam fenômenos passíveis de união como aqueles que veremos no 2º verso. Eles são mais regulares.

mo+o / de+al / to+em

Co/mo o/ de al/guém/ mui/to em/ /goa = 7

AGORA SIM, o verso é espacialmente maior, mas tem o mesmo número de unidades temporais; os 3 versos, agora, são regulares, têm o mesmo tempo.

Um/ cons/tan/te/ bal/bu/ci/o = 7
Co/mo o/ de al/guém/ mui/to em/ /goa = 7
Pa/re/ci/a/ vir/ do/ ri/o = 7

A estrofe agora tem o mesmo número de sílabas poéticas.

Agora, sabemos que os 3 versos têm uma certa regularidade, são de feição clássica. O que é clássico tende à regularidade.

LOGO, ao analisar essa estrofe do poema, temos que nos atentar para o que foge à regularidade. Dos 3 versos, qual seria o mais importante? O verso central, pois ele traz elementos de atenção.

O poeta deixou o verso maior para enfatizar o plano do sentido.

Vejamos as nasais: Mo/ guéM/ Mui/ eM/ Má/ (criam uma espécie de imitação do som - m m m m m)

DICA: sempre que observarmos irregularidades na leitura do poema, é bom verificarmos se não é possível ligá-las ao plano do sentido no poema, como ocorre no verso central em análise.

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A aula seguirá numa próxima postagem onde o professor vai descrever alguns fenômenos de junção de sílabas e vogais. Leia a sequência aqui.

William

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Post Scriptum: as releituras da postagem são importantes, além de poder revisar os conceitos, já que estou estudando eles, é possível corrigir erros na língua padrão. Ao reler o texto pela enésima vez em 14/10/19, encontrei um erro de português. Não sou infalível, sou um aprendiz até o último dia de minha vida.

quarta-feira, 9 de outubro de 2019

¡El enemigo del negro es el negro! (1924) - Ejalves



Página de frente de O Clarim da Alvorada,
publicado em 24 de maio de 1924.

Refeição Cultural

Esta é uma versão em espanhol de um manifesto publicado no periódico paulista O Clarim da Alvorada nº 5, de 13 de maio de 1924. Este texto é citado como um manifesto importante do movimento de vanguardas latino-americanas das primeiras décadas do século XX, na temática "Negrismo y Negritud". Está no livro "Las vanguardias lationamericanas - Textos programáticos y críticos", de Jorge Schwartz.

As leituras sobre as vanguardas estão sendo feitas por mim no contexto de estudos de graduação em Letras, na disciplina Vanguardia y contemporaneidad, com a Doutora Professora Idalia M. Arnaiz. Este blog é um espaço de compartilhamento gratuito de informações, estudos, textos e cultura em geral.

Como nos ensina o professor Ladislau Dowbor, ao compartilhar conhecimento nós possibilitamos novos conhecimentos e todos ganham com isso.

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¡El enemigo del negro es el negro!

EJALVES


Leyendo uno de los últimos números de Getulino, órgano de los hombres negros de Campinas, para la defensa de esa clase, un artículo en bastardilla y a doble espacio, lo que evidentemente demuestra su valor no sólo por el hecho de ser su autor un conocido periodista paulista, uno de los redactores de la Folha da Noite, sino también por su sustanciosa demostración.

A pesar de que ya han salido diversos periódicos de la clase, algunos, lamentablemente, de muy breve existencia, parece que hasta ahora no ha sido ventilado este tema de acuerdo con su real importancia.

Bien dice Moacyr Marques en su artículo, al agradecer el envío de un ejemplar de Getulino, que, por lo leído, encontraba que sus hermanos de Campinas aún no habían descubierto el punto en que se revela nuestro problema.

- En el Brasil hay dos clases que combaten cuerpo a cuerpo, mas no son la blanca y la negra, sino el capital privilegiado y el trabajo esclavo.

Es necesario que nosotros, los negros, nos olvidemos del color y pensemos que somos los productores, los esclavizados, los infelices, en fin, que somos los que trabajamos para la grandeza de la patria, pero, en primer lugar, para el enriquecimiento de media docena de explotadores privilegiados, sean blancos o negros.

Puede que el lector diga: ¡Qué exageración decir que hay explotadores privilegiados negros! Y bien digo, porque si acaso existiese, tratará por todos los medios de probar que aunque sea negro, por la piel no puede negarlo, es extranjero o hijo de extranjero, así que no se mezclará (con raras excepciones).

Por experiencia hablo así, porque, a pesar de que puede no existir ni un explotador negro en esta capital que represente a nuestro enemigo, conozco algunos negros que sólo por tener un empleíto público e incluso particular, o poseer algunos bienes, ya tratan de escapar de sus hermanos negros; muchas veces, empleados de la misma repartición, sólo por el hecho de ser inferiores en categoría, se amigan con los blancos, amarillos, etc., basta con que sean de igual o mejor posición, instigando muchas veces a otros, casí siempre blancos, que suelen convivir bien en sociedad de los negros más simples, hablando de esta forma: ¡Fulano!, deje a los negros, no se meta con ellos, nada se puede conseguir; ¿acaso ellos algo que consiguen no lo deben a esa desgraciada clase que es la explotada?

Esto que acabo de afirmar, de que el enemigo del negro es el propio negro, se verifica hasta en el mismo seno de la familia, entre hermanos legítimos.

Por eso, nosotros los trabajadores debemos unirnos para luchar contra los que gozan el capital privilegiado, aunque sean de nuestro color.

Debemos luchar contra todos los que construyen su riqueza con las piedras de nuestras miserias, que nos dan a ganar el pan y nos chupan la sangre, y más todavía, nos chupan la leche con que amamantamos a nuestros hijos, y nos dan casa para vivir cobrando precios exorbitantes, lo que es una verdadera injusticia, ¡y todo eso practica indistintamente!...

También dice el digno redactor de la Folha da Noite, único órgano independiente de esta capital, que nosotros, los trabajadores negros, debemos formar al lado de nuestros hermanos blancos, para la conquista de la libertad que no nos llegó en el 88* y que sólo podrá ser conquistada a golpes de pensamiento, de dedicación, de sacrificios, hasta con la propia sangre.


*Data formal da abolição da escravidão no Brasil.

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Comentário do blog: quase um século depois deste manifesto, vimos que a afirmação do movimento negro de 1924 - "que o inimigo do negro é o próprio negro" - ainda gera reflexões profundas para todos nós da classe trabalhadora brasileira. Segundo o censo do IBGE, negr@s e pard@s correspondiam em 2014 a 54% da população brasileira. Ou seja, o golpe de Estado em 2016 e a "eleição" de um fascista racista para a presidência da república em 2018 seria muito difícil sem que parte d@s afrodescendentes votassem naquele sujeito (mesmo sabendo que a eleição tem sido amplamente questionada por causa do uso de mecanismos ilegais como disparos em massa de fake news e possível caixa dois, o fato é que sem votos de homens e mulheres de pele negra, o Brasil dificilmente estaria vivendo esse processo acelerado de destruição de todos os direitos do povo em geral e d@s negr@s de forma exponencial). Triste isso!

091019 - Diário e reflexões (Fluxo de pensamento)



Meu fígado, num momento
de extremo estresse...

Refeição Cultural

E o tempo passa. Passa a cada segundo. E não volta mais. O coração batendo do jeito que pode. Não sabemos se as artérias e veias estão nos seus perfeitos estados de dutos que transportam as matérias necessárias a nossa vida a todos os pontos do corpo que alimentam: células das mais diversas funções. Ter estudado por quase dois anos as matérias teóricas e práticas das áreas biológicas de um curso de graduação de Educação Física foi algo revelador a respeito da natureza humana para este ser animal que reflete neste instante. Muito do que sou foi forjado naquele período de experiência prática da vivência diária. Quando as aulas começaram, eu não me lembrava de absolutamente nada dos velhos estudos de ciências do colegial. Já estava com vinte e sete anos e trabalhava como bancário. Havia me formado em Ciências Contábeis. Ao ouvir uma aula sobre célula fiquei perdido. Mas o ser humano é capaz de fazeres espetaculares. Qualquer ser humano. Eu busquei em casa um livro antigo daqueles de biologia para o 2º grau e li as centenas de páginas como se fosse um livro de ficção científica, um romance literário. Em poucos dias, eu já estava acompanhando as aulas no mesmo nível ou melhor um pouco em relação aos meus colegas de classe, a maioria na faixa etária dos vinte anos. Mitocôndrias, núcleo da célula, ribossomos, lisossomos e elementos do tipo já não eram bichos estranhos para mim. Depois fui conhecer o corpo humano, aprender de verdade sobre a vida de um ser animal humano. Foi algo modificador do que eu era até aquele instante. Eu me lembro da primeira vez que entramos no laboratório de anatomia. O professor fez um discurso inicial para nós, e havia um cadáver em cima de uma mesa. Estava coberto com um plástico e não dava para vê-lo. O professor nos disse que teríamos que ter muito respeito pelo corpo que ali estava. Aquele corpo havia sido uma pessoa que viveu como qualquer um de nós e que era necessário muito respeito ao estudarmos nele para conhecer o corpo humano. O professor retirou o plástico e nos deixou à vontade durante aquela primeira aula prática para tocarmos o corpo, para nos acostumarmos com aquele ambiente onde passaríamos o ano estudando anatomia humana. Quando eu olho para trás, acho que aqueles momentos foram marcantes para mim em relação a me modificar como ser humano. Eu não fazia parte ainda do movimento sindical de forma orgânica e nas aulas de Educação Física comecei a me humanizar mais que antes daquela experiência. Eu era muito duro, muito rude, como a vida havia me feito. Quanto tempo! Já se passaram mais de duas décadas. Diversas mudanças de rotas fizeram parte da minha jornada. Diversas mudanças de rotas fizeram parte da jornada do Brasil e dos brasileiros. Diversas mudanças de rotas estão a caminho de minha vida e da vida do país e do povo deste país. E isso tudo não é nada para a grandeza do planeta que habitamos, para a grandeza do tempo, para a grandeza do Universo. Tudo isso é um nada. Mas eu estou aqui. Ainda estou aqui. O sangue circula nas minhas artérias e veias. É provável que esteja mais espesso. Não sei como andam minhas células, o número de mitocôndrias nelas. Meu coração bate umas sessenta e cinco vezes por minuto. A gente diz que o coração está triste, mas na verdade esse sentimento vem de outros órgãos. Mas também é verdade que esse e outros sentimentos afetam o bater do coração e as condições das artérias e veias que transportam os materiais necessários ao funcionamento do corpo que nos mantém como seres vivos. Essa reflexão foi um pouco parecida com o fluxo de pensamento que alguns escritores diferenciados produzem com seus personagens em obras fantásticas de ficção. James Joyce fez isso em Ulisses (1922), quando Molly Bloom, a esposa de Leopold Bloom, colocou-se a pensar por quase cinquenta páginas em algo nunca visto numa obra literária. Agora estou lendo o mesmo procedimento noutra obra de um autor também diferenciado, Roberto Bolaño. Lá se vão mais de cinquenta páginas de fluxo de pensamento de um personagem na obra Nocturno de Chile (2000). Sebastián Urrutia Lacroix está refletindo sem parar, buscando lembranças e explicações nos cantos da memória ("rebuscaré en el rincón de los recuerdos aquellos actos que me justifican..."). Enfim, o sangue circula, ainda que mais espesso, circula porque o coração bate, ainda que mais triste. Estou vivo! E aprendendo ainda... quiçá buscando justificativas nos rincões da memória...

William

segunda-feira, 7 de outubro de 2019

Non Serviam (1914) - Vicente Huidobro



Vicente Huidobro. Foto de autor desconhecido.

Refeição Cultural

Este manifesto de Vicente Huidobro foi lido em 1914. O poeta chileno foi um dos autores que mais contribuiu com textos, manifestos e documentação a respeito das vanguardas latino-americanas.

Estamos estudando as vanguardas em uma disciplina de graduação de Letras, na Universidade de São Paulo. O intuito do blog é postar anotações de aulas, comentários sobre leituras, excertos de algumas obras ou de produções históricas, sempre de forma gratuita e de compartilhamento de conhecimento.

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NON SERVIAM*

Y he aquí que una buena mañana, después de una noche de preciosos sueños y delicadas pesadillas, el poeta se levanta y grita a la madre Natura: Non serviam.

Con toda la fuerza de sus pulmones, un eco traductor y optimista repite en las lejanías: "No te serviré".

La madre Natura iba ya a fulminar al joven poeta rebelde, cuando éste, quitándose el sombrero y haciendo un gracioso gesto, exclamó: "Eres una viejecita encantadora".

Ese non serviam quedó grabado en una mañana de la historia del mundo. No era un grito caprichoso, no era un acto de rebelbía superficial. Era el resultado de toda una evolución, la suma de múltiples experiencias.

El poeta, en plena conciencia de su pasado y de su futuro, lanzaba al mundo la declaración de su independencia frente a la Naturaleza.

Ya no quiere servirla más en calidad de esclavo.

El poeta dice a sus hermanos: "Hasta ahora no hemos hecho otra cosa que imitar al mundo en sus aspectos, no hemos creado nada. ¿Qué ha salido de nosotros que no estuviera antes parado ante nosotros, rodeando nuestros ojos, desafiando nuestros pies o nuestras manos?

"Hemos cantado a la Naturaleza (cosa que a ella bien poco le importa). Nunca hemos creado realidades propias como ella lo hace o lo hizo en tiempos pasados, cuando era joven y llena de impulsos creadores.

"Hemos aceptado, sin mayor reflexión, el hecho de que no puede haber otras realidades que las que nos rodean, y no hemos pensado que nosotros también podemos crear realidades en un mundo nuestro, en un mundo que espera su fauna y su flora propias. Flora y fauna que sólo el poeta puede crear, por ese don especial que le dio la misma madre Naturaleza a él únicamente a él."

Non serviam. No he de ser tu esclavo, madre Natura; seré tu amo. Te servirás de mí; está bien. No quiero y no puedo evitarlo; pero yo también me serviré de ti. Yo tendré mis árboles que no serán como los tuyos, tendré mis montañas, tendré mis ríos y mis mares, tendré mi cielo y mis estrellas.

Y ya no podrás decirme: "Ese árbol está mal, no me gusta ese cielo..., los míos son mejores".

Yo te responderé que mis cielos y mis árboles son los míos y no los tuyos y que no tienen por qué parecerse. Ya no podrás aplastar a nadie con tus pretensiones exageradas de vieja chocha y regalona. Ya nos escapamos de tu trampa.

Adiós, viejecita encantadora; adiós, madre y madrastra, no reniego ni te maldigo por los años de esclavitud a tu servicio. Ellos fueron la más preciosa enseñanza. Lo único que deseo es no olvidar nunca tus lecciones, pero ya tengo edad para andar solo por estos mundos. Por los tuyos y por los míos.

Una nueva era comienza. Al abrir sus puertas de jaspe, hinco una rodilla en tierra y te saludo muy respetuosamente.


*Este manifesto foi lido no Ateneo em 1914, em Santiago do Chile. Foi reproduzido nas Obras Completas 1, de Vicente Huidobro.

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Nacionalismo y vanguardismo en la literatura y en el arte - José Carlos Mariátegui



Foto de José Carlos Mariátegui.

Refeição Cultural

Muito interessante o texto de José Carlos Mariátegui, ao apontar o apreço dos escritores vanguardistas hispano-americanos pelos avanços tecnológicos da modernidade e das grandes metrópoles europeias, sem com isso deixar de tematizar as questões de suas terras natais. Este texto foi publicado em Mundial, em 4 de dezembro de 1925. 

A reprodução de excertos de obras, manifestos e outros textos históricos neste blog tem objetivos educativos e para gerar reflexões a partir deles. Este é um blog de cultura no conceito Wiki (What I Know Is) de compartilhamento gratuito de conhecimento.

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"Nacionalismo y vanguardismo en la literatura y en el arte

Mariátegui, 4/12/1925, Mundial

I

En el terreno de la literatura y del arte, quienes no gusten de aventurarse en otros campos percibirán fácilmente el sentido y el valor nacionales de todo positivo y auténtico vanguardismo. Lo más nacional de una literatura es siempre lo más hondamente revolucionario. Y esto resulta muy lógico y muy claro.

Una nueva escuela, una nueva tendencia literaria o artística busca sus puntos de apoyo en el presente. Si no los encuentra perece fatalmente. En cambio las viejas escuelas, las viejas tendencias se contentan de representar los residuos espirituales y formales del pasado.

Por ende, sólo concibiendo a la nación como una realidad estática se puede suponer un espíritu y una inspiración más nacionales en los repetidores y rapsodas de un arte viejo que en los creadores o inventores de un arte nuevo. La nación vive en los precursores de su porvenir mucho más que en los supérstites de su pasado.

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"Lo más nacional de una literatura es siempre lo más hondamente revolucionario."
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Demostremos y expliquemos esta tesis con algunos hechos concretos. Las aserciones demasiado generales o demasiado abstractas tienen el peligro de parecer sofísticas o, por lo menos, insuficientes.
[...]"


ARGENTINA

O intelectual vai dar exemplos sobre a questão de ser vanguarda e ser nacionalista citando alguns casos de nossa América. No exemplo da Argentina, temos os escritores e poetas do periódico Martín Fierro.


"III

Pero para establecer más exacta y precisamente el carácter nacional de todo vanguardismo, tomemos a nuestra América. Los poetas nuevos de la Argentina constituyen un interesante ejemplo. Todos ellos están nutridos de estética europea. Todos o casi todos han viajado en uno de esos vagones de la Compagnie des Grands Exprès Européens que para Blaise Cendrars, Valery Larbaud y Paul Morand son sin duda los vehículos de la unidad europea además de los elementos indispensables de una nueva sensibilidad literaria.

Y bien. No obstante esta impregnación de cosmopolitismo, no obstante su concepción ecuménica del arte, los mejores de estos poetas vanguardistas siguen siendo los más argentinos. La argentinidad de Girondo, Güiraldes, Borges, etc., no es menos evidente que su cosmopolitismo. El vanguardismo literario argentino se denomina "martinfierrismo". Quien alguna vez haya leído el periódico de ese núcleo de artistas, Martín Fierro, habrá encontrado en él, al mismo tiempo que los más recientes ecos del arte ultramoderno de Europa, los más auténticos acentos gauchos.
[...]"


PERU

No caso peruano, Mariátegui aponta um academicismo insistente no começo, depois há uma esperança com o movimento "Colónida", no qual o crítico destaca o escritor e poeta Valdelomar. Por fim, Mariátegui fala do poeta César Vallejo, dizendo ser emocionante os traços da cultura indígena em sua obra.

Primeiro coloco a fala de Mariátegui sobre César Vallejo e logo em seguida uma breve apresentação de Valdelomar, pois eu não havia ouvido falar dele antes do estudo dessa disciplina sobre as vanguardas latino-americanas.


"IV

Y ahora el fenómeno se acentúa. Lo que más nos atrae, lo que más nos emociona tal vez en el poeta César Vallejo es la trama indígena, el fondo autóctono de su arte. Vallejo es muy nuestro, es muy indio. El hecho de que lo estimemos y lo comprendamos no es un producto del azar. No es tampoco una consecuencia exclusiva de su genio. Es más bien una prueba de que, por estos caminos cosmopolitas y ecuménicos, que tanto se nos reprochan, nos vamos acercando cada vez más a nosotros mismos."

Bibliografia das citações:

SCHWARTZ, Jorge. Las vanguardias latinoamericanas - Textos programáticos y críticos. Fondo de Cultura Económica. México.

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Abraham Valdelomar (Wikipedia)

Pedro Abraham Valdelomar Pinto (Ica, 27 de abril de 1888-Ayacucho, 3 de noviembre de 1919). Fue un narrador, poeta, periodista, ensaysta y dramaturgo peruano. Es considerado uno de los principales cuentistas del Perú, junto con Julio Ramón Ribeyro.

Sus cuentos se publicaron en revistas y periódicos de la época, y él mismo los organizó en dos libros: El caballero Carmelo (Lima, 1918) y Los hijos del Sol (póstumo, Lima, 1921). En ellos se encuentran los primeros testimonios del cuento neocriollo peruano, de rasgos posmodernistas, que marcaron el punto de partida de la narrativa moderna del Perú. En el cuento El caballero Carmelo, que da nombre a su primer libro de cuentos, se utiliza un vocabulario arcaico y una retórica propia de las novelas de caballerías para narrar la triste historia de un gallo de pelea, relato nostálgico ambientado en Pisco, durante la infancia del autor. En Los hijos del Sol, busca su inspiración en el pasado histórico del Perú, remontándose a la época de los incas.

Su poesía también es notable por su evolución singular del modernismo al postmodernismo, teniendo incluso atisbos geniales de vanguardismo. Aquella es de una sensibilidad lírica extraordinaria que tiene como máxima expresión la de ser un vuelco hacia su interioridad. Pero esta interioridad debe entenderse como una expresión directa e íntima (por tanto, creativa) de la realidad. Esta poesía tiene como ejemplos fulgurantes a Tristitia y El hermano ausente en la cena de Pascua, los cuales presentan a su autor como un poeta dulce, tierno y profundo, saturado de paisaje, de hogar y de tristeza. Es imposible no relacionar su poesía con la de su compatriota César Vallejo, sobre todo con el primer poemario de éste, Los Heraldos Negros, y en especial la sección "Las canciones del hogar", en que el tema familiar, asumido con amorosa filiación a la vez de hijo y hermano, emparentan estrechamente sus poéticas. De hecho Vallejo admiraba vivamente a Valdelomar, que era mayor que él, al punto de que lo entrevistó cuando llegó a Lima e incluso le pidió que prologara Los Heraldos Negros, lo que nunca llegó a concretarse.


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domingo, 6 de outubro de 2019

Poesía Nueva - César Vallejo



César Vallejo, em 1929.
Foto de domínio público.

Refeição Cultural

Este pequeno texto programático e crítico do poeta e escritor peruano César Vallejo foi publicado na revista Amauta nº 3, de novembro de 1926. Esta versão postada é do livro Las vanguardias latinoamericanas - Textos programáticos y críticos, de Jorge Schwartz, publicado pelo Fondo de Cultura Económica, México.

Estou estudando as vanguardas latino-americanas na disciplina Vanguardia y Contemporaneidad, na graduação de Letras, e estamos conhecendo diversos manifestos e textos de apresentação dos movimentos de vanguarda na primeira metade do século XX.

As postagens neste blog com temáticas educativas têm caráter de compartilhamento gratuito de informações e conhecimentos.

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Poesía Nueva

Poesía nueva ha dado en llamarse a los versos cuyo léxico está formado de las palabras "cinema, motor, caballos de fuerza, avión, jazz-band, telegrafía sin hilos", y en general, de todas las voces de las ciencias e industrias contemporáneas, no importa que el léxico corresponda o no a una sensibilidad auténticamente nueva. Lo importante son las palabras.

Pero no hay que olvidar que esto no es poesía nueva ni antigua, ni nada. Los materiales artísticos que ofrece la vida moderna han de ser asimilados por el espíritu y convertidos en sensibilidad. El telégrafo sin hilos, por ejemplo, está destinado, más que a hacernos decir "telégrafo sin hilos", a despertar nuevos temples nerviosos, profundas perspicacias sentimentales, amplificando videncias y comprensiones y densificando el amor; la inquietud entonces crece y se exaspera y el soplo de la vida, se aviva. Ésta es la cultura verdadera que da el progreso; éste es su único sentido estético, y no el de llenarnos la boca con palabras flamantes. Muchas veces la voces nuevas pueden faltar. Muchas veces un poema no dice "cinema", poseyendo, no obstante, la emoción cinemática, de manera oscura y tácita, pero efectiva y humana. Tal es la verdadera poesía nueva.

En otras ocasiones el poeta apenas alcanza a cambiar hábilmente los nuevos materialies artísticos y logra así una imagen o un rapport más o menos hermoso y perfecto. En este caso, ya no se trata de una poesía nueva a base de palabras nuevas como en el caso anterior, sino de una poesía nueva a base de metáforas nuevas. Mas también en este caso hay error. En la poesía verdaderamente nueva pueden faltar imágenes o rapports -función ésta de ingenio y no de genio-, pero el creador goza o padece allí una vida en que las nuevas relaciones y ritmos de las cosas se han hecho sangre, célula, algo, en fin, que ha sido incorporado vitalmente en la sensibilidad.

La poesía nueva a base de palabras o de metáforas nuevas se distingue por su pedantería de novedad y, en consecuencia, por su complicación y barroquismo. La poesía nueva a base de sensibilidad nueva es, al contrario, simple y humana y a primera vista se la tomaría por antigua o no atrae la atención sobre si es o no moderna.

Es muy importante tomar nota de estas diferencias.

César vallejo

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Vanguardas e contemporaneidades hispano-americanas (II)


Veredas uspianas. Foto de William.

Refeição Cultural

Esta postagem se refere a anotações feitas por mim em sala de aula, aulas com a Professora Doutora Idalia Morejón Arnaiz, da disciplina de Vanguardia y Contemporaneidad, matéria na qual estudaremos um panorama crítico da narrativa e da poesia hispano-americana, desde as vanguardas dos anos 1920 até o presente, através da leitura e análise de textos literários e ensaísticos que colocam em evidência as propostas de ruptura e continuidade estética e cultural ao longo de um século.

As anotações são de minha inteira responsabilidade. Qualquer equívoco conceitual pode ser corrigido pelo(a) leitor(a) buscando outras fontes sobre o tema conflitante. Aqui é um espaço de compartilhamento gratuito de informações e conhecimento, dentro do conceito Wiki: What I Know Is.

Durante as postagens, vou variar os textos entre português e espanhol, e as não conformidades formais das duas línguas são de minha responsabilidade também. Combinado?


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Aula de 20/8/19

Esta foi a segunda aula que pude assistir. A professora nos falou um pouco a respeito da geração de escritores latino-americanos e suas obras do período conhecido como o "Boom", dos anos 60 a 80. Fiz uma pesquisa a respeito para complementar meus parcos rabiscos durante a aula.

Assim como as vanguardas latino-americanas da primeira metade do século XX vieram depois de autores como José Martí e Rubén Darío, o Boom também teve uma referência nesses autores da segunda metade do século XIX e, claro, são autores herdeiros das vanguardas latino-americanas.

O "Boom" Latino-Americano

Características gerais:

- tratamento do tempo de forma não linear, os romances começam pelo fim, pelo meio, vão e voltam, pode-se ler capítulos e segmentos de forma aleatória etc.
- utilização de várias perspectivas ou vozes narrativas.
- uso de neologismos, jogos de palavras e toques de fantasia.
- circularidade narrativa e polifonia.
- predominância de histórias que se passam em espaços urbanos ou rurais, influenciadas pelas condições sociais e políticas locais.
- histórias com expressão ou manifestação de identidades regionais ou nacionais.
- utilização de linguagens não-padrão e blasfêmias.
- os autores combinam dados reais com ficcionais, gerando dúvidas nos leitores a respeito das histórias serem verídicas ou apenas obras de ficção.
- formas fantasiosas ou irreais como estratégias narrativas de explicação de eventos sociais, políticos e econômicos nas histórias dos romances, contos e novelas (realismo mágico). 

Contexto histórico:

- período da Guerra Fria, polarização entre sistemas capitalista e socialista, Estados Unidos e aliados de um lado e União Soviética e demais países socialistas de outro.
- vários países da América Latina e Caribe estão sob regimes ditatoriais.
- momento de muita agitação política e social.
- Revolução Cubana em 1959.

Principais autores e algumas obras:

- "Rayuela" (1963), do argentino Julio Cortázar, traduzida como "O Jogo da Amarelinha" no Brasil.
- "Cien Años de Soledad" (1967), do colombiano Gabriel García Márquez. Outra obra dele importante é "Crónica de una muerte anunciada" (1981). Essa obra, por ser menor em número de páginas, será lida no contexto da disciplina cursada.
- "La ciudad e los perros" (1963), do peruano Mario Vargas Llosa.
- "Aura" (1962), do mexicano Carlos Fuentes. Ele foi também um grande ensaísta latino-americano. Também iremos ler esta obra para a discussão em sala de aula.

Outros autores: Jorge Luis Borges, Jorge Amado, Miguel Ángel Asturias, Alejo Carpentier, Juan Rulfo, Juan Carlos Onetti, dentre outros.

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O "Boom" é uma onomatopeia de explosão. O período entre os anos sessenta e setenta vivia um "Boom" econômico, era o período posterior à 2ª Guerra Mundial. Foi um período de "Boom" demográfico também. Aliás, o mercado editorial e literário vivia um bom momento, um "Boom" na época.

Foi um período que contou com muitos escritores e intelectuais de língua espanhola vivendo na condição de exilados de seus países. De outras nacionalidades também.

Os jornais e diários contavam com cadernos especiais de cultura e grandes escritores e poetas publicavam nesses periódicos. Esses veículos de comunicação eram portas de entrada para intelectuais e literatos.

O romance "Cem anos de solidão" (1967) de G. G. Márquez foi lançado em Buenos Aires pela Editorial Sudamericana.

Julio Cortázar publicou "Rayuela" (1963) com diversas inovações na obra. A possibilidade de leitura tanto de forma linear, do primeiro ao último capítulo, como também com outras trajetórias de leituras pelo leitor. O cenário da história é Paris e o enredo apresenta diversas temáticas como ocultismo, arte, tarô, as vivências dos povos de língua espanhola exilados em Paris, dentre outras.

Cortázar nasceu na Embaixada da Argentina na Bélgica. Foi com 3 anos para a Argentina e viveu lá até o início dos anos 50. Mudou-se para Paris por divergências com o governo de Perón.

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"GRAN TOUR" francês: na época, a formação cultural da juventude burguesa latino-americana se dava em Paris.
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A professora nos fala de algumas obras da época como "Aura" de Carlos Fuentes, com uma narrativa atípica e um relato bem interessante. Fala também de "Bestiário", livro de contos de Cortázar. "Crônica de uma morte anunciada" de García Márquez. Nesta última, o nome "crônica" já remete ao periodismo.

Arte contemporânea

O valor das obras de arte não se dá mais pela obra de arte em si e sim pelo valor das ideias, pelo ato de fazer arte. Uma obra muito conhecida e polêmica foi "Fonte" (1917), na qual Marcel Duchamp utiliza um mictório ou urinol com a assinatura R. Mutt 1917. Nela temos o conceito dos "ready-made" (já pronto) nas obras de arte.

A arte contemporânea busca romper com as linguagens tradicionais tanto nas técnicas, quanto nas formas, nas temáticas, nos materiais etc.

Vários autores e estéticas foram citados ainda na aula e serão retomados depois, inclusive nos textos críticos que vamos avaliar.

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(Postagem difícil de se fazer porque são diversas citações em uma aula e para não escrever coisas sem sentido algum é preciso pesquisar minimamente cada autor ou movimento para fazer essa síntese de fixação dos conceitos que estamos vendo)