quarta-feira, 13 de novembro de 2024

Diários com Machado de Assis (15)



Refeição Cultural 

Osasco, 13 de novembro de 2024. Quarta-feira.


Dormi pouco. Tenho dormido mal faz dias. Poucas horas e sem acordar bem-disposto. E olha que ontem caminhei 4 Km, era para ter dormido melhor. Suspeito de vários motivos para o sono pouco reparador. Problemas da família que me afetam, e sempre a política, sendo eu um animal político.

Tendo acordado cedo, me levantei. Me deu vontade de ler alguma coisa do Bruxo do Cosme Velho. Sempre me equivoco nesse apelido de Machado de Assis e escrevo Mestre do Cosme Velho. Tudo bem! Ele é tudo isso e muito mais.

Peguei o livro de contos do Machado organizado por John Gledson. Li o conto "Conto da escola", que está grafado de duas formas no próprio livro do Gledson: está escrito "Conto de escola" no índice e nas referências ao final do livro e "Conto da escola" na página 326. Evidente que essa diferença faz diferença no sentido semântico. Como o autor é estrangeiro, pode ser questão de tradução. 

Fui olhar na internet em uma página onde consulto todos os contos do Machado de Assis: esse conto está lá no livro "Várias histórias", de 1896, e está grafado "Conto de escola".

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CONTO DE ESCOLA (1884)

Vou ficar com a opção "Conto de escola". Ele foi publicado na Gazeta de Notícias em 8 de setembro de 1884 e depois no livro Várias histórias em 1895, segundo o livro de Gledson.

No enredo, um adulto faz referência ao passado, situa o caso que vai contar ao ano de 1840. Com uma memória incrivelmente detalhista, diz que o fato se passou numa segunda-feira do mês de maio. Pelo que pude perceber ao concluir a leitura do conto, o narrador teria motivos para guardar tantas lembranças do dia, pois teria sido um dia de aprendizado para toda a vida.

O garoto do ano de 1840 era peralta e inteligente, mas não ligava para a escola. Faltava às aulas ao sabor das escolhas diárias entre brincar em algum lugar ou ir para a escola. Ele teria menos de onze anos, pois faz referência a um menino bem mais velho de onze anos, o Curvelo.

No dia em questão, ele optou por ir à escola porque lembrou-se da sova que o pai havia lhe dado dias antes por alguma coisa que teria feito. Não fica claro se apanhou com vara de marmeleiro por ter faltado à escola ou não. Mas poderia ter sido esse o motivo da sova.

"(...) Ora, foi a lembrança do último castigo que me levou naquela manhã para o colégio. Não era um menino de virtudes."

Nosso narrador é chamado lá no passado por "Seu Pilar". O menino que dialoga com ele na cena da sala de aula se chama Raimundo e é filho do mestre, Policarpo. O narrador diz que o garoto não é muito inteligente e o seu pai é mais duro com ele do que com o restante dos alunos. Raimundo tem medo dos castigos do pai, o professor.

Seu Pilar nos conta que era um menino inteligente, mesmo sabendo que isso seria arrogante de se dizer. Acaba antes de todos as tarefas da escola (e faltava com frequência pelo que temos de informação no início do caso narrado).

O assunto da história que Seu Pilar está nos contando é sobre uma "troca de serviços", um "toma lá, dá cá" entre alunos. Foi uma proposta inédita para o garoto. Uma cola para uma lição de sintaxe a troco de uma pratinha (doze vinténs ou dois tostões). O garoto, Seu Pilar, se tinha dinheiro, era uns cobres (um cobre feio, grosso, azinhavrado...)

A causa do negócio, a "troca de serviços", era o medo que o Raimundo tinha do pai, o professor. Estamos no cenário do século 19 e a pedagogia do ensino é a violência, a temida palmatória, pendurada ao lado da janela da sala.

A história caminha para o seu desfecho, Seu Pilar pega a moeda, passa a cola e os dois são vistos pelo menino mais velho, o Curvelo.

Eu não gosto de dar spoiler em meus textos sobre romances, contos e filmes... 

Este conto em questão é de domínio público, qualquer pessoa pode lê-lo e ele é bem pequeno, de leitura rápida. 

Na página do blog, na versão para "web" (e não celular), tem um link para os contos do Machado na seção "Links a caminho da cultura". 

O final é bem ao estilo do escritor. O homem adulto que narra o "Conto de Escola" disse que aprendeu a lição naquele dia a respeito das consequências da corrupção e da delação. 

Mas o que realmente dominou seu coração no dia seguinte acabou sendo outra coisa, um encantamento que teve pelo caminho, que mudou seu foco e, quem sabe, até seu destino.

É isso! Eu não conhecia esse conto do Bruxo do Cosme Velho. Foi uma novidade para mim.

William


Post Scriptum: o texto anterior desta série sobre leituras de Machado de Assis pode ser lido aqui.


terça-feira, 12 de novembro de 2024

Ainda estou aqui, de Marcelo Rubens Paiva (2)



Refeição Cultural 

"A suspeita se confirmou. Rubens foi preso. Rubens foi internado. Rubens estava na mira. Todos estavam. Era a ditadura. Já tinham prendido velhos intelectuais, editores, jornalistas, humoristas, professores, sindicalistas, deputados, militares, cantores, músicos, atores, diretores de teatro, de cinema, escritores, estudantes, padres, freiras, juristas, freis. Tinha escuta telefônica por todo lado. Interceptação de cartas e telegramas. O cerco estava apertado. Rubens caiu. Rubens foi internado." (p. 126)


A Parte 2 do livro de Marcelo Rubens Paiva é dura, são lembranças que o escritor compartilha com os leitores de momentos dramáticos na vida da família.

No capítulo "Merda de ditadura" o escritor faz um apanhado do golpe de Estado, antecedentes, atos institucionais, a fuga de Rubens Paiva num primeiro momento e a volta. História do Brasil!

No seguinte, "É a peste, Augustin - Perdão, tenho que morrer", os primeiros anos no Rio de Janeiro, após o golpe.

E no capítulo "O telefone tocou", Marcelo nos conta o sequestro de seu pai pelos "gorilas" em pleno feriado ensolarado da cidade. A descrição dos agentes da ditadura na casa da família é incrível...

REDE DA LEGALIDADE 

A família só descobriu em 2014, por causa da Comissão Nacional da Verdade, uma gravação nos arquivos da Rádio Nacional com a voz de Rubens Paiva em um discurso convidando outras rádios a aderirem ao movimento. (p. 97)

Que história! Nossa história, do povo que sempre lutou por um país mais justo, com distribuição de riqueza e que respeite todas as pessoas. 

Seguimos na leitura.

William Mendes 


Ainda estou aqui, de Marcelo Rubens Paiva (1)



Refeição Cultural 

"A memória é uma mágica não desvendada. Um truque da vida. Uma memória não se acumula sobre a outra, mas do lado. A memória recente não é resgatada antes da milésima. Elas se embaralham..." (p. 18)


A MEMÓRIA É UMA MÁGICA 

Marcelo Rubens Paiva descreve com sensibilidade a questão da memória no começo do livro. Sua mãe, Eunice, está com Alzheimer no momento da enunciação do texto, por volta de 2014.

O escritor me pegou de jeito porque uma das coisas que mais temo é alguma doença ou evento que afete o que sou, um ser humano mortal com uma única vida vivida a partir das experiências de meu cérebro, esse organizador do que sou.

Na primeira sentada para ler, já se foram os primeiros três capítulos: "Onde é aqui?", "A água que não era mais do mar" e "Blá-blá-blá...". 

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CANHOTOS ERAM UMA ABERRAÇÃO 

"(...) ela me contou que na escola seu apelido era Italianinha, o que a deixava furiosa, e que davam reguadas na mão esquerda para forçá-la a escrever com a direita, quando o mundo pedagógico achava que canhotos eram uma aberração e que deveriam ser destros." (p. 46/47)

Cara, a mãe do autor, Eunice, passou pelo mesmo caso que eu! Canhotos que foram impedidos de serem sinistros (rsrs) por serem considerados aberrações...

Quem descobriu que eu era canhoto foi a Maria Luíza, colega do Banco do Brasil, em meados dos anos noventa, na agência Rua Clélia. Depois, ao indagar sobre a questão, minha mãe me contou que na época era comum a sociedade tentar endireitar um canhoto.

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A PAZ QUE NUNCA MAIS ENCONTREI

"Minha rotina era de uma paz que nunca mais encontrei." (p. 66)

Cara, que descrição de uma época da vida!

Na hora, vi a vida que vivi até os dez anos de idade no Rio Pequeno, em São Paulo... 

Acho que nunca mais encontrei a paz...

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ADOLESCÊNCIAS: DIVERSAS E ÚNICAS, MAS IGUAIS

Os dois capítulos que fecham a Parte 1 do livro - "Cometas da memória" e "Mãe-protocolo" - me lembraram a infância e adolescência. 

Marcelo Rubens Paiva conta a vida dele, de jovem da classe média alta, diria, mas sua história é um pouco o espelho da história de todos nós, independentemente da classe social.

Os amores platônicos da infância e adolescência. Quase toda memória terá dos seus: Valéria, Márcia, Marael, Simone, Eliane, Ione.

O autor foi detido pela polícia numa moto 125 CC sem habilitação em 1976. Eu fui detido numa CG 125 sem habilitação voltando do trabalho de madrugada, mais ou menos no final de 1987. Trabalhava na lanchonete New Dog. 

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CONHECENDO EUNICE E MARCELO

O leitor termina a leitura da Parte 1 conhecendo bem Eunice, mãe de Marcelo Rubens Paiva, um dos cinco filhos do casal.

O pai, Rubens Paiva, desapareceu quando o autor-narrador tinha onze anos (1971), a família teve mudanças radicais na vida até o momento em que Marcelo sofre um acidente e fica tetraplégico em 1979. 

Que leitura até aqui! Me fez reviver minhas lembranças enquanto conhecia as lembranças de Marcelo, e enquanto conhecia também sua mãe, Eunice.

Sigamos na leitura...

William 


segunda-feira, 11 de novembro de 2024

Operação Cavalo de Tróia (15) - J. J. Benítez



Refeição Cultural 

Li mais algumas páginas do livro de J. J. Benítez.

O Diário do Major, que estava disfarçado como Jasão entre Jesus e seus discípulos, finalizou a descrição daquele sábado, dia 1° de abril do ano 30.

O astronauta alegou suspeitar por que motivo Judas Iscariotes teria traído Jesus de Nazaré. Ele teria se sentido humilhado ao ser repreendido em público e seria uma forma de vingar-se do Mestre.

"(...) Judas Iscariotes havia caído em um impenetrável silêncio. Seus olhos assustavam-me. Destilavam um ódio surdo e contido. Era visível que havia tomado aquelas palavras de Jesus como reproche pessoal e, sem dúvida, havia se sentido ridicularizado diante de toda aquela gente..." (p. 144)

O reproche foi porque Judas não achou certo Maria, irmã de Simão, gastar um produto fino e caro nos cabelos e pés de Jesus. Achava ele que o produto seria melhor utilizado se fosse vendido para alimentar os pobres.

Jesus deu-lhe um chega pra lá ao dizer que os pobres estarão sempre aí para serem alimentados, enquanto ele próprio, Jesus, logo logo não estaria mais entre eles...

Estamos falando aqui de falso moralismo, né não?

Seguimos na leitura. 

William 


Artigo - A Globo odeia o Lula



Refeição Cultural

Uma imagem vale por mil palavras


Opinião


"Não, o efeito mais forte não foi provocado por discursos isolados, nem por artigos ou panfletos, cartazes ou bandeiras. O efeito não foi obtido por meio de nada que se tenha sido forçado a registrar com o pensamento ou a percepção conscientes..." (Victor Klemperer, LTI Linguagem do Terceiro Reich)


A notícia deveria ser positiva: o Presidente Lula teve alta e está liberado por seus médicos para voltar a viajar após sofrer traumatismo craniano em consequência de uma queda.

A informação foi passada ao povo brasileiro pelo programa do Fantástico após uma boa matéria sobre o risco de quedas, principalmente em pessoas acima de 60 anos de idade.

Quem dá a boa notícia da plena recuperação de nosso Presidente Lula após o grave acidente doméstico é a simpática apresentadora Maju Coutinho.

Eu atuei com comunicação e jornalismo quando fui secretário de imprensa da confederação da categoria bancária. Foi uma oportunidade de estudar muito sobre tudo que se relaciona com o tema, inclusive sobre o Partido da Imprensa Golpista (PIG), como dizia o saudoso jornalista Paulo Henrique Amorim.

Acompanhei como dirigente sindical toda a construção do ódio ao Presidente Lula e ao Partido dos Trabalhadores após a chegada do torneiro mecânico e sindicalista à presidência do país em 2002. A construção do ódio e rejeição sempre teve estratégia e método por parte da mídia da casa-grande brasileira. 

Como gosto de História, também sabia da campanha da mídia da casa-grande contra Lula, o PT e a esquerda em geral desde sempre. No caso das Organizações Globo são décadas de construção de ódio e mentiras contra Lula e o PT. A Globo é a mãe das chamadas "fake news".

Uma imagem vale por mil palavras, diz o ditado popular.

Anos de ataques depois das operações midiáticas para tentar exterminar da vida pública Lula e o PT, anos depois do massacre midiático do Jornal Nacional falando sobre nosso presidente e o partido com a imagem de esgotos jorrando dinheiro ao fundo, seguimos na mesma.

Mesmo após Lula ser preso por 580 dias numa operação de lesa-pátria organizada por uma quadrilha e por um juiz suspeito, herói da Rede Globo, mesmo após a destruição do país pela ajuda que o PIG deu ao golpe contra Dilma e pela eleição de Jair Bolsonaro, seguimos na mesma.

A velha e odienta Rede Globo segue fazendo das suas para atacar a imagem do Presidente Lula, única liderança que foi capaz de nos salvar de mais um mandato daquele sujeito que poderia ter acabado de vez com a democracia brasileira caso vencesse as eleições de 2022.

A imagem que a Globo escolheu do Presidente Lula para dar a boa notícia de sua plena recuperação foi essa que ilustra minhas reflexões. Ela não é diferente dos canos de esgoto jorrando dinheiro que a emissora enfiou no subconsciente de dezenas de milhões de pessoas nas últimas décadas.

O mais comum é que a quase totalidade das pessoas veja a questão como minha companheira viu quando falei a respeito: não viu nada demais na imagem escolhida. Não culpo ela nem as pessoas que não atuam na área da comunicação.

Nas eleições de 2018, no auge da operação lesa-pátria orquestrada na República de Curitiba que prendeu Lula e possibilitou a ascensão da extrema-direita no país, me lembro bem de jovens de minha relação dizerem suas intenções de voto à esquerda e muitos não iam votar no PT. Era algo assim: sou de esquerda, mas PT não... Isso foi o processo de ódio e rejeição que explico neste artigo.

Quando li o livro de Victor Klemperer sobre a Linguagem do Terceiro Reich foi que compreendi o que estava acontecendo no Brasil após os primeiros meses do governo Lula a partir de 2003. 

Os principais veículos de comunicação de propriedade da casa-grande brasileira começavam ali uma nova estratégia de comunicação agressiva contra nós da esquerda e nossas instituições e lideranças: o ódio e a rejeição sem explicação racional.

As duas décadas de envenenamento do povo brasileiro contra Lula e os partidos de esquerda, o maior deles o PT, nos foi inoculado como Klemperer explica na linguagem nazista que levou um povo culto e educado a apoiar incondicionalmente um dos maiores genocidas da história. Klemperer como filólogo foca a linguagem, mas o nazismo trabalhou fortemente a estética através das imagens.

A imagem que o Fantástico escolheu de nosso Presidente Lula para dar a singela e boa notícia da recuperação plena de sua saúde é da mesma qualidade simbólica dos dutos de petróleo jorrando dinheiro nos JN de sempre: é veneno puro contra nós.

Que merda isso! O povo brasileiro merecia uma imprensa decente e que informasse a população sem canalhice e manipulações. Na verdade, nós que estudamos o Brasil há tempo sabemos que a elite brasileira, a casa-grande que essa imprensa golpista representa, odeia o Brasil e o povo brasileiro.

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O PRESIDENTE LULA TEVE ALTA E ESTÁ BEM

Notícia que a Globo deu neste domingo no programa Fantástico

A emissora não precisaria usar imagem com a logo do partido, mas deveria ser menos canalha e usar qualquer imagem do Presidente Lula como ela faria com qualquer político que ela não odiasse.

Ainda bem que o nosso Presidente Lula está bem, recuperado da queda e do traumatismo craniano, um dos acidentes domésticos mais comuns entre os idosos e segue firme com suas agendas por um Brasil melhor para o povo brasileiro.

William Mendes


domingo, 10 de novembro de 2024

Diário e reflexões



Refeição Cultural

Osasco, 10 de novembro de 2024. Domingo.


CORRIDA DA AABB-SP

Dias atrás, ao reiniciar alguns trotes após um mês sem atividades físicas por causa da militância nas eleições municipais, corri 2K e 3K e vi que estava muito ruim de condicionamento físico. Temi não conseguir correr a prova de 5,1K na AABB-SP neste domingo. Felizmente, deu tudo certo. Fiz meu trotinho tranquilo pelas alamedas do clube e corri a prova em uns 37'.

Reencontrei no clube o grande amigo Ramon, presidente de nossa associação atlética. Nos conhecemos desde quando entrei no Banco do Brasil, em 1992, e Ramon foi um baita companheiro de gestão e lutas pelos direitos em saúde dos associados da Cassi durante nossa gestão eleita entre 2014 e 2018. O amigo me deu uma linda camisa comemorativa dos 90 anos de nossa AABB, entregue por sua esposa Viviane. Valeu, meus queridos! Vida longa e de sucesso à nossa AABB.

A deliciosa participação no circuito de corridas da AABB teve a participação decisiva de outro amigo do BB, o Roberto, que me inscreveu pela equipe Suçuarana: eu não tinha me atentado para o calendário de corridas e ele me fez o convite e a lembrança sobre a prova. Eu participo das corridas de nossa associação desde que elas começaram faz bastante tempo. Valeu, Roberto! O amigo não conseguiu vir para São Paulo hoje. 

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MANIFESTAÇÃO: NÃO AO TÚNEL SENA MADUREIRA!

Depois da participação bem cedinho na corrida da AABB-SP, fui me solidarizar e participar da luta contra a construção de um túnel na região da Sena Madureira, na Vila Mariana. 

Hoje teve um grande ato em defesa dos moradores da região da Sena Madureira, da comunidade Souza Ramos e do meio ambiente, pois a obra está destruindo um corredor verde com mais de 170 árvores enormes, saudáveis e muito antigas da região e ameaça retirar mais de 200 famílias do local.

A obra está envolvida em denúncias e irregularidades há mais de uma década e ela não resolve praticamente nada em termos de trânsito, além de ser ruim ambientalmente e urbanisticamente.

Participaram companheiras e companheiros nossos da região do Butantã, que também enfrenta obra danosa e destruidora: a Nova Raposo Tavares. Várias lideranças políticas estiveram presentes no ato.

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O DOMINGO FOI DE ATIVIDADES

Só uma reflexão antes de finalizar: tenho uma preocupação com a tendência de muita gente a não sair mais de casa, fato que aumentou após a pandemia e com a ampliação dos sistemas de entrega a domicílio. Acho importante o contato com as pessoas nas ruas e nos transportes públicos. Somos humanos, somos seres sociais, ainda. 

Hoje conversei com o motorista do uber, que fez uma fala de quem não votou no Boulos e duvidou da proposta do Poupatempo da Saúde. Expliquei a ele que trabalhei com gestão de saúde e falei o quanto a proposta era inovadora e necessária. Estávamos falando do tema porque citei os problemas do Hospital do Campo Limpo. 

Peguei várias linhas de metrô e trem, como faço desde adolescente. Hoje foi catraca livre por causa do Enem. O trem demorou pra caramba! 

É isso!

William Mendes


sábado, 9 de novembro de 2024

Enem 2024: provas eliminatórias não deveriam ter questões com respostas dúbias



Refeição Cultural


Opinião

Fiquei incomodado tanto com o artigo do colunista e escritor Julián Fuks, colunista da página do UOL, quanto com a questão do Enem 2024 mal formulada e com mais de uma alternativa viável para a questão feita.

A Questão 29 do Caderno Verde da Prova de Linguagens, Códigos e suas Tecnologias e Redação citou um trecho de um livro de Julián Fuks, "A Resistência", e formulou uma pergunta que até o autor alegou em artigo ter tido dificuldade de responder. E o problema não é esse, deixo claro.

Ao ler o artigo do autor comentando a questão, eu esperava que ele apontasse o cerne do problema, que é o fato que uma questão de vestibular, Enem ou concurso público não pode ser dúbia ao ponto de haver mais que uma alternativa correta. Isso acontece quando a questão exagera no quesito interpretativo. Não se faz isso com os participantes de um certame.

No artigo, Julián Fuks explica com toda a sua competência as características essenciais da literatura e dos textos ficcionais, que podem ter interpretações imprecisas e conter incertezas. Até aí, tudo bem. 

Num certo momento do artigo, ele diz:

"O receio se agravou quando enfim bati os olhos naquela questão 29 e me vi perdido entre suas opções de resposta, quase todas razoavelmente exatas, quase todas à sua maneira próximas do que eu desejara dizer naquela passagem."

O problema do artigo, na minha opinião, é quando o escritor começa a dar um jeito de ficar bem com todo mundo, incluindo críticos, examinadores e organizadores da prova etc.

Se fosse necessário discorrer sobre cada uma das 5 alternativas, não seria difícil justificar porque cada uma delas poderia estar correta de acordo com o texto. Estão interpretativas demais!

Pesquisando sobre a questão e a alternativa certa definida pelos produtores da prova, aliás, fiquei sem entender o próprio artigo de Fuks porque ele disse que a resposta não era a que ele achou que era, a "D" e no gabarito do Caderno Verde, Questão 29, a questão com o texto em análise, a resposta do gabarito é "D".

Mas repito, as outras alternativas não estão erradas! Nenhuma das outras.

Ele termina com uma reflexão que seria mais uma justificativa para que questões como essa, de leituras dúbias, não constassem em certames nos quais milhares ou milhões de pessoas estão participando para eliminarem uns aos outros.

"Estávamos apenas diante de mais uma manifestação da literatura em sua complexidade, em sua infinita nuance, em sua natureza insondável. Não se espera da literatura, nem das mensagens dos escritores, nem das interpretações dos críticos, nem das deduções dos examinadores, nenhum tipo de exatidão."

Ué, se fosse verdade essa afirmação, não haveria questões sobre textos literários e interpretativos em provas e concursos. Não é por aí. O problema é que a questão 29 foi mal formulada. 

Já vi questões com menos problemas serem anuladas em certames. Essa está muito ruim, de verdade!

Quando se faz uma questão de vestibular e concurso, é necessário que as alternativas sejam claras: uma tem que estar de acordo com o texto e as outras, não. Se as outras alternativas também têm relação possível com o texto, a questão está mal formulada e deve ser anulada.

Por fim, acreditem, até o nome do autor citado na questão está grafado errado... francamente! Pelo que podemos ver nas colunas do autor, ele se chama FUKS e o Caderno disse que o texto em questão é de um tal FUCKS. E o escritor sequer falou a respeito em seu artigo.

É uma opinião. Eu gosto dos artigos de Julián Fuks, leio sempre. E sou grande defensor de concursos públicos e provas de conhecimentos para o preenchimento de vagas. E defendo políticas afirmativas por entender que as pessoas não estão na mesma condição de igualdade de oportunidades.

William Mendes

09/11/24


Dom Quixote de La Mancha - Miguel de Cervantes (Prólogo)



Refeição Cultural

Toda vez que pego um clássico da literatura mundial e o leio fico pensando na produção daquela criação humana, a condição em que ela foi feita, na pessoa que produziu aquela coisa, na época em que aquilo veio a público - ou não, só muito mais tarde -, tento imaginar o lugar do mundo onde aquilo foi produzido. Acreditem: um texto antigo tem muita história consigo, Alberto Manguel conta um pouco sobre essa história no livro "Uma história da leitura".

Quando li a história de Dom Quixote tinha pouco mais de trinta anos de idade. Havia acabado de entrar em uma faculdade de Letras e me atrevi a ler a obra em espanhol. Foi uma aventura marcante em minha vida de leitor. Eu ria, e chorava, e ficava puto, e depois inconformado, e ficava impressionado, surpreso com os ditados e sabedorias que lia, ria de novo, chorava, achava sacanagem alguns acontecimentos, outros achava inacreditáveis. Era como se não estivesse lendo uma obra ficcional. Foi uma aventura marcante a leitura do clássico de Miguel de Cervantes.

PRÓLOGO 

O prólogo da obra já é um acontecimento. A gente tenta imaginar as pessoas que sabiam ler e que tiveram acesso à leitura quatro séculos atrás lendo aquele prólogo "desocupado leitor...". 

O autor anuncia o que os leitores desocupados vão ler:

"y, pues, esta vuestra escritura no mira a más que a deshacer la autoridad y cabida que en el mundo y en el vulgo tienen los libros de caballerías..."

Cervantes faz o contrato com os leitores e avisa que a história é "una invectiva contra los libros de caballerías" e mesmo avisados de que a obra é feita para tirar um sarro daquelas histórias mirabolantes de cavaleiros da época, nós não conseguimos ver de forma fria o personagem Dom Quixote e seu fiel escudeiro Sancho Pança. 

São apaixonantes demais essas duas figuras! Nos envolvemos com elas, não tem jeito. Nos apaixonamos por aquele senhor e seu servidor e amigo, mesmo sendo eles criações para se tirar sarro dos cavaleiros ficcionais da época.

"Procurad también que, leyendo vuestra historia, el melancólico se mueva a risa, el risueño la acreciente, el simple no se enfade, el discreto se admire de la invención, el grave no la desprecie, ni el prudente deje de alabarla."

Olha eu aí na descrição de Cervantes. Ou facetas de mim, num momento ou outro da vida. Como falei no início, quando li a obra posso ter sido o melancólico que riu ou o prudente que a louvou, pois era visto pelos conhecidos como pessoa sisuda e que quase não ria.

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CONCEIÇÃO EVARISTO ME DEIXOU PENSATIVO

Enfim, fiquei pensando nas obras literárias e autores e autoras ao ver ontem uma entrevista da querida Conceição Evaristo. 

Imaginem vocês que momento ímpar eu vivi na minha vida ao passar três horas conversando com ela num voo entre o Panamá e Cuba... Foi um acontecimento na minha vida de fã e leitor.

William Mendes

09/11/24


Post Scriptum: a leitura com comentários segue aqui.


quinta-feira, 7 de novembro de 2024

Poema da realidade



POEMA DA REALIDADE

Trump eleito nos EUA.
Bacen aumentou a Selic.
Derrite disse: vitimismo barato!
(A morte por fuzil de uma criança de 4 anos)

Netanyahu segue matando gentes.
Tarcísio disse: no Boulos.
(PCC orientando voto)

Gonet não denunciou Bolsonaro.
Nunes eleito prefeito.

Brasil vetou a Venezuela nos Brics.

João Paulo quer Lira Ministro.
Tatto queria o PT com Nunes.
Melo eleito prefeito.

Paulo Freire: só se ensina gente!

Não há um futuro determinado.
Somos seres históricos e fazemos história.
A mudança depende de nós.

William Mendes

quarta-feira, 6 de novembro de 2024

Vendo filmes (XXII)


Imagem criada a partir de CartaCapital n.1321 

Refeição Cultural

ONDE ESTÁ A LOUCURA?

Os dois filmes se passam nos Estados Unidos da América. Um lançado no final dos anos noventa e outro no final da década seguinte, mas ambientado nos anos cinquenta, após a participação do país na 2ª Guerra Mundial.

As histórias abordam crimes e investigação criminal. O que me faz comentar juntos os dois filmes, a liga entre eles, é a questão da psicopatia, da loucura que leva à morte ou causada pela morte.

No filme O Colecionador de Ossos, há um assassino serial cometendo crimes e deixando sinais por algum motivo, quer chamar a atenção de alguém ou de alguma instituição. A solução do caso fica a cargo de uma jovem policial e um excelente detetive criminal preso em seu próprio corpo após acidente que o deixou tetraplégico.

A história do filme A Ilha do Medo é uma trama incrivelmente bem escrita, complexa em sua interpretação e cheia de detalhes que fazem a diferença na compreensão e solução do caso: um detetive que vai até uma ilha onde fica um sanatório para criminosos de alta periculosidade com problemas mentais. Ele deve desvendar o desaparecimento de uma paciente que assassinou os três filhos pequenos.

Vendo os dois filmes, a gente fica pensando nas complexidades da mente humana e as contradições inerentes ao que nós somos enquanto espécie animal que mesmo estando numa condição que a sociedade denomina como "normal" ou "sem moléstia mental" somos uma comunidade de gente insana, cuja loucura é normalizar as maiores bizarrices e atrocidades que se contraponham à tal racionalidade que dizemos ter.

Se nos filmes são considerados como anormais no comportamento ou loucos os personagens que mentem, manipulam pessoas, até tiram a vida de seres humanos, pessoas identificadas com psicopatias sérias e antissociais, na vida real no mesmo país onde se passam os filmes, os EUA, o povo acabou de eleger presidente do país alguém que mente, manipula pessoas, réu em diversos processos criminais e condenado em alguns deles. 

E aí, que dizer sobre isso?

A pessoa na função pública com maior poder de destruição e morte coletiva no planeta Terra é um sujeito que mente, manipula as pessoas, prega o ódio e a violência, caga para a questão ambiental no mundo, e terá um poder nunca visto pois detém maiorias em todas as instituições de poder no país.

Quem são ou doentes (ou loucos)? Se fôssemos usar a razão, a lógica, as estatísticas, as ciências em geral, para comparar as capacidades de destruição de um assassino serial, de alguém responsável por mortes na família por doença mental e uma pessoa que decide ao sabor do dia um bloqueio que traz miséria e morte a milhões de crianças, mulheres, idosos e civis na comunidade afetada pelo bloqueio, o que definiríamos como doença (ou loucura)?

Loucura maior é a escolha dos milhões de norte-americanos nesta semana, ao colocar na função mais poderosa do país um sujeito que mente, que manipula, que prega o ódio aos outros e declara a supremacia do seu grupo em relação ao restante dos seres vivos no planeta.

Um mundo doente é o que temos na vida real. Os filmes com personagens acometidos com algum tipo de doença mental só nos fazem refletir que o problema maior é quando a doença mental não é mais episódica, pontual e sim sistêmica e coletiva.

O mundo tá f...

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FILMES

O Colecionador de Ossos (The Boner Collector), de 1999. Direção: Phillip Noyce, com roteiro de Jeremy Iacone, baseado no romance "The Boner Collector", de Jeffery Deaver. Com: Denzel Washington, Angelina Jolie e Queen Latifah.

SINOPSE: O detetive criminalista Lincoln Rhyme (Washington) se une a uma policial novata, Amelia Donaghy (Jolie), para investigar os crimes de um assassino serial que deixa sempre sua assinatura nas cenas dos crimes: um fragmento de osso de suas vítimas. Rhyme está numa cama imobilizado após um acidente que o deixou tetraplégico e ele já se decidiu pelo suicídio assistido, porque seu corpo está morrendo e ele pode virar um ser vegetativo a qualquer momento. Ele não quer chegar a essa situação. O contato entre ele e a novata Amelia se dá pela boa percepção dela ao encontrar as primeiras vítimas do assassino: ela não destruiu as pistas e ainda fez bom uso delas, o que chamou a atenção de Rhyme. Ele solicitou a convocação de Amelia por seu excelente instinto forense.

COMENTÁRIO: Uma trama muito bem desenvolvida e dirigida por Phillip Noyce. Uma cena que chama a atenção na atualidade é a cena de Amelia na janela olhando o horizonte... e lá estão as Torres Gêmeas, que iriam abaixo dois anos depois do lançamento do filme.

A trama policial faz justiça à safra de filmes que saíram naquela época. O ano de 1999 presenteou os amantes do cinema com filmes como Matrix, O Sexto Sentido, Beleza Americana e Clube da Luta, para citar alguns que gostei bastante.

O final é eletrizante! Imagino que poucos espectadores desvendaram a trama e imaginaram quem seria o assassino serial.

Passado um quarto de século, tenho a opinião de que o filme resistiu bem ao tempo, vale a pena sentar-se e apreciar O Colecionador de Ossos.

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Ilha do Medo (Shutter Island), de 2010. Direção: Martin Scorsese. Com: Leonardo DiCaprio, Mark Ruffalo, Ben Kingsley, Max Von Sydow e Michelle Williams.

SINOPSE: Em 1954, os agentes federais Edward "Teddy" Daniels (DiCaprio) e seu novo parceiro Chuck Aule (Ruffalo) viajam para o Hospital Ashecliffe - para criminosos insanos - na Ilha Shutter. Eles devem investigar o desaparecimento de uma paciente que afogou seus três filhos pequenos. Os agentes não conseguem a cooperação do psiquiatra responsável, Dr. John Cawley (Kingsley) e de ninguém na ilha. Após uma tormenta danificar bastante a ilha, inclusive os equipamentos de segurança, a dupla começa a descobrir coisas muito estranhas.

COMENTÁRIO: Uma sonoplastia assustadora. Tentei ver o filme de madrugada, mas o som inicial me incomodou como se eu estive atrapalhando a tranquilidade dos vizinhos. Então, assisti ao filme em outro horário. 

O começo da história é impactante. O mar, a ilha no horizonte, a chegada ao porto, os guardas carrancudos e armados com cara de assustados... Tudo muito cinza e escuro. 

Como o personagem principal, Teddy Daniels, foi soldado na 2ª GM e vivenciou a libertação dos sobreviventes dos campos de concentração nazistas, a história segue num tom sombrio, pois Daniels se lembra o tempo todo das cenas do Holocausto. 

O detetive Daniels também vive um conflito psicológico trágico: disse ao novo parceiro, Chuck, que perdeu a esposa num incêndio provocado por um lunático, Andrew Leaddis. 

O médico responsável pela Ilha-presídio, Cawley, diz que a fugitiva matou os filhos afogados, mas nada se encaixa na história, ela não conseguiria fugir daquele local. Na cela dela, um bilhete encontrado diz: "A lei dos 4, quem é o paciente 67?"

À medida que a história avança, mais confusos ficam os personagens e os espectadores. Aí o filme entra na fase de solução e o final é surpreendente!

Amig@s, pensem um filme exigente e que tem final surpreendente! Inclusive a frase final do protagonista...

Gostei bastante! Faz a gente pensar sobre nós e nossas complexidades da mente. 

O ator Leonardo DiCaprio é um dos melhores atores de sua geração! E Martin Scorsese é um diretor genial!

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É isso! Espero que tenham gostado das reflexões e que se sintam incentivados a ver esses filmes que comentei. 

O texto anterior sobre filmes pode ser lido aqui.

William Mendes 


terça-feira, 5 de novembro de 2024

Opinião - Os significados por trás das desfiliações partidárias e sindicais



Os significados por trás das desfiliações partidárias e sindicais


Opinião

O peso de uma desfiliação na vida pessoal e da instituição que perdeu aquela militância


1a parte

Fiquei refletindo por um tempo para avaliar a melhor forma de abordar a simbologia da perda de um companheiro valoroso de nosso Partido dos Trabalhadores nesta semana. O amigo e colega do Banco do Brasil, Daniel Kenzo, presidente do Diretório Zonal do Butantã, informou ontem que se desfiliou do Partido. Entendo que sua saída foi uma perda imensa para o PT. 

Quem de nós militantes sindicais ou partidários já não pensou alguma vez em se desfiliar do sindicato ou do partido por motivações diversas? Quando uso o termo "militante" estou indo um pouco além da relação formal entre a pessoa e a instituição à qual se associou. Militância é um grau acima na relação. Já tem coração envolvido naquela filiação, tem sentimento de pertencimento.

Até mesmo as motivações para se filiar ao sindicato ou ao partido são diversas, é verdade. Algumas são até descompromissadas, episódicas, sem um conteúdo ideológico. No entanto, avalio que uma das questões centrais de uma filiação seja o sentimento de confiança nos propósitos, nas práticas e nas pessoas que lideram aquela instituição de luta política. (falarei a respeito disso na 2ª parte desta reflexão)

Como afirmo em minhas reflexões, sempre recorro às experiências que acumulei na luta política para analisar e tentar compreender o mundo. Respeito as avaliações teóricas baseadas nos estudos, acredito na ciência e na capacidade da mente humana em analisar situações e criar soluções para os problemas do mundo.

O peso da experiência - No entanto, tem um ditado muito válido que aprendi no movimento sindical que carrego comigo desde o contato com ele: "a prática como critério da verdade". Desde que compreendi a ideia por trás desse conceito, tentei exercer os mandatos de representação baseados nesse princípio ético.

O companheiro e militante Daniel Kenzo desempenhou na presidência do Partido e nos movimentos populares em nossa região esse princípio ético da prática como critério da verdade. E sob sua liderança, a militância viveu intensamente o sentimento de confiança nos propósitos, nas práticas e nas pessoas que lideram nossas frentes de lutas.

Na última vez que conversamos, no dia da foto acima, lutando para eleger nosso projeto para a cidade de São Paulo, falamos um pouco sobre nossos sentimentos em relação ao Partido e à linha política mais ao centro e liberal que as direções do PT vêm tomando. Não concordamos com o afastamento do Partido dos princípios, concepções e práticas basilares da esquerda e da busca por uma sociedade socialista, ou pelo menos de combate ao capitalismo. 

Partilhei com ele minha opinião de que seria interessante tentar um pouco mais a luta interna pelos rumos do Partido, pois sua liderança poderia nos ajudar pelo respeito que ele tem da militância e dos outros diretórios. Mas só a pessoa para saber os seus limites e o que já vem enfrentando no cotidiano como membro da direção partidária.

Desejo que o amigo Daniel siga firme nas lutas por um mundo mais justo e solidário porque sabemos que ele é um militante de esquerda apaixonado, mas desejo sobretudo que o companheiro encontre um pouco de paz de espírito e alegria na militância, porque queremos mudar o mundo e não deixá-lo como está. Tamo junto, compa! Você tem o meu apreço e carinho e você é um exemplo de liderança!

(Post Scriptum: espero que lideranças partidárias consigam convencer o companheiro a permanecer no Partido)

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2a parte

SINDICALIZAÇÃO E FILIAÇÃO PARTIDÁRIA

"Avalio que uma das questões centrais de uma filiação seja o sentimento de confiança nos propósitos, nas práticas e nas pessoas que lideram aquela instituição de luta política"


Tenho inúmeras lembranças da vida de trabalhador bancário, memórias tanto como trabalhador de base como de dirigente do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e região e da Confederação da categoria, a Contraf-CUT.

No Unibanco, nos anos oitenta, fui sindicalizado pelo pessoal da Regional Osasco do Sindicato. Eu trabalhava no Centro Administrativo (CAU) na Raposo Tavares. Os dirigentes e funcionários do Sindicato me convenceram da importância de ser associado para fortalecer as lutas da categoria. Até ajudei a organizar uma das greves da época. O companheiro Marcos Martins sempre foi minha referência de liderança sindical e política.

Dois anos depois que fui demitido do Unibanco, voltei a ser bancário do Banco do Brasil, entrei por concurso público em 1992. Assim que vi a atuação do Sindicato na região da Lapa, onde trabalhava, voltei a me sindicalizar, e lá se vão mais de três décadas de filiação ao Sindicato de nossa categoria profissional. A companheira Deise Lessa foi a minha primeira referência de liderança sindical e política do BB.

Por ter sido convencido pelas lideranças sindicais, por ter visto a prática cotidiana do Sindicato e por acreditar nos propósitos das lutas coletivas que nós fazíamos, me filiei e passei a ser um incentivador das filiações ao Sindicato. Eu não largava do pé do colega enquanto ele não preenchesse a ficha de sindicalização e me devolvesse, tanto quando estava na base quanto após virar diretor eleito.

As histórias de sindicalização são muitas e dariam crônicas bem legais. Eu gosto de citar a sindicalização de um colega do BB que conheci na agência Pinheiros, ele não gostava de sindicalista nem de sindicato. Não aceitava nem pegar a Folha Bancária. Foi um trabalho persistente de aproximação e construção de confiança no que representávamos. A vida seguiu e um tempo depois eu entro em outra agência em Osasco e ele me chama do fundo da dependência me pedindo uma ficha de sindicalização. Disse que após me conhecer e ver a condução do Sindicato na campanha salarial ele tinha mudado de opinião e aquilo me marcou profundamente. Filiação a um sindicato ou partido é um pouco isso: compartilhar dos propósitos e práticas e confiar nas lideranças!

Minha filiação ao Partido dos Trabalhadores foi uma espécie de formalização de algo que para mim já era um pertencimento de classe. Tirei meu título de eleitor em 1988 e meu primeiro voto foi para eleger Luiza Erundina prefeita de São Paulo. Sempre votei no PT por entender que trabalhador vota em trabalhador e me filiar em 2002, quando o movimento sindical fez uma campanha para fortalecer o partido que tinha acabado de eleger o primeiro presidente vindo das classes populares, o metalúrgico e sindicalista Lula, foi algo mais que natural formalizar a filiação ao PT.

O movimento contrário, desfiliar do partido ou não querer mais ser sócio do sindicato, precisa ser avaliado e considerado com muito peso pelas direções do movimento. Ainda mais quando se trata de um militante, alguém que tem relação mais orgânica com a instituição, como disse no início do texto.

Entendo que evitar uma desfiliação de um militante ou liderança deveria ser algo de extrema relevância pelas instâncias partidárias e sindicais. Não considero adequadas avaliações burocráticas do tipo "vida que segue" ou "isso é assim mesmo, uns entram, outros saem" etc.

Para um militante decidir sair de um movimento ao qual dedica sua vida e suas melhores energias é porque algo não vai bem, porque existe um processo de decepção e sofrimento em curso e muitas vezes a liderança é um reflexo do que muitos militantes estão sentindo. Por isso entendo que nosso Partido e ou nosso Sindicato deveria envidar esforços para acolher lideranças querendo se expressar na instituição, lideranças muitas vezes forjadas nas lutas e com histórico de contribuições coletivas às causas da instituição e do movimento.

A saída do Partido ou de uma corrente política é um processo que causa grande dor e sofrimento, muitas vezes, porque a pessoa tem um forte espírito de pertencimento àquela organização de luta. Sei bem o que é o processo. Mais recentemente, eu fui encontrar pertencimento nas lutas que o Daniel e companheir@s do Butantã e Zona Oeste vinham realizando desde a pandemia mundial de Covid-19. 

Com a saída do Daniel, um amigo de longa data, não sei como ficará minha participação, porque o Diretório não era burocrático, era aberto e acolhia militância para além da formalidade, eu sou de Osasco, por exemplo. Enfim, incertezas...

À ESQUERDA OU À DIREITA?

Para concluir, avalio que o momento histórico pelo qual passa a esquerda no Brasil e no mundo é complexo e todo esforço no sentido de construir unidade deveria ser feito pelas direções partidárias, sindicais e das demais lutas populares. 

No PT e na CUT há uma clara divisão entre aqueles que desejam resgatar as bandeiras históricas da esquerda para cobrar do governo e da política avanços para o povo e há aqueles que sugerem que se dobre ao centro e à direita, abandonando qualquer reivindicação histórica em nome de uma ilusória governabilidade e hipotética reeleição de Lula em 2026, algo que só se realizará se as condições políticas estiverem construídas para tal.

William Mendes
Ex-dirigente nacional dos bancários


Post Scriptum (6/11/24):

Trump é eleito nos EUA - Com a vitória da extrema-direita norte-americana, e global, fica o alerta para a necessidade da unidade da esquerda em torno de pautas que representam  a luta de classes. Ir para o "centro" ou para a direita não fará o povo na condição miserável em que se encontra votar no PT e em Lula. Não fará! Unidade entre nós e tolerância para ouvir e aceitar a diferença de ideias na esquerda é urgente para construirmos uma pauta unificada de uma frente ampla de esquerda.

domingo, 3 de novembro de 2024

Serra da Bodoquena - Encontro de culturas, histórias, biomas e ecossistemas



Refeição Cultural 

Livro editado pelo Instituto das Águas da Serra da Bodoquena - IASB (2015)

Autores:

Franciéle Pereira Maragno

Jeferson Aparecido Almeida da Silva

Liliane Lacerda


Tive a oportunidade de visitar a região da Serra da Bodoquena duas vezes, com um intervalo de vinte anos. Fui a Bonito nos anos noventa e em 2018.

É um dos locais mais bonitos do Brasil, um paraíso de águas cristalinas em todos os rios da região. Ê um lugar de grande biodiversidade também. 

Em termos turísticos, dizemos que viajamos para a cidade de Bonito, Mato Grosso do Sul. 

Se estudarmos um pouco mais a ida a Bonito, veremos que os atrativos turísticos - os rios de águas cristalinas - estão situados em uma área do Planalto da Bodoquena, e os passeios se dão nos municípios de Bonito, Bodoquena, Jardim, Porto Murtinho e outros, dependendo da escolha da atividade.

Gruta do Lago Azul.
Foto: William Mendes.

São vários rios com passeios: Rio Formoso, Rio da Prata, Rio Sucuri, Rio Salobra, Rio Aquidabã, Rio Miranda - mais conhecido pela pesca -, dentre outros. Sem contar outras atrações da região, por exemplo, as grutas e cavernas como a "Gruta do Lago Azul" e dolinas como o "Buraco das Araras".

A leitura do livro "Serra da Bodoquena" e as duas aulas de Geografia do Brasil (que vi no ICL) sobre formação de relevos contribuíram muito para a minha compreensão sobre a riqueza daquele bioma e as ameaças à sua existência por parte dos humanos. 

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O AGRO VAI PRESERVAR O BIOMA DA SERRA DA BODOQUENA?

Tive a curiosidade de pesquisar os resultados das eleições municipais recentes (2024) nas cidades de Bodoquena, Bonito, Jardim e Porto Murtinho: 

Todas as cidades eram e seguirão governadas pela direita e extrema-direita e as câmaras de vereadores são compostas com praticamente todas as representações de partidos políticos do mesmo segmento. Vi uma representação de esquerda em Bonito (do PT) e uma em Porto Murtinho (do PT). Só. 

Vocês acham que os interesses que prevalecerão nessas cidades serão os dos preservacionistas ou os dos coronéis do agro, que plantam soja e põem gado em cada palmo de terra disponível?

Em 2018, uma das questões que mais preocupavam os guias turísticos eram ligadas ao assoreamento dos rios por causa das lavouras de soja, e a turbidez das águas por causa das plantações e destruição das matas ciliares.

Imaginem como não deve ter sido o efeito após quatro anos de bolsonarismo...

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Enfim, a leitura sobre a Serra da Bodoquena, um bioma espetacular, foi muito esclarecedora para mim. O conhecimento é fundamental para que possamos tomar as decisões mais adequadas na vida.

William 


ICL - Estudando Geografia do Brasil (2)



Refeição Cultural

AGENTES EXÓGENOS NA FORMAÇÃO DO RELEVO


Vivemos numa época na qual boa parte do conhecimento humano está disponível a um clique. No entanto, talvez nunca tenhamos vivido numa época com tanta ignorância e desconhecimento humano de forma proposital. É como se houvesse um incentivo à ignorância por parte das autoridades constituídas em uma determinada comunidade. Dureza, isso!

O Instituto Conhecimento Liberta (ICL) tem como propósito oferecer uma gama enorme de cursos nas mais diversas áreas do saber para que as pessoas possam acessar esses conhecimentos. O investimento é equivalente a um lanche em um shopping center ou numa noite de rolê: cerca de 60 reais.

Assisti à segunda aula do professor Hugo Anselmo - Geografia do Brasil - e a didática utilizada é incrível, é uma aula leve, de fácil compreensão e ao final a pessoa sai com boas noções do tema abordado.

INTEMPERISMO E EROSÃO

Intemperismo: são os processos de degradação das rochas, processos químicos (água), físicos (quebras das rochas por variação de temperatura - termoclastia) e biológicos (por ação de seres vivos, tipo raízes e microorganismos).

Erosão: são processos de transporte de sedimentos: pluvial (ação da água da chuva), fluvial (água dos rios), eólica (ação dos ventos), marítima (ação das ondas e glacial (abrasão do gelo).

As referências reais deixam muito claros para os leitores os fenômenos explicados antes. Fiordes, por exemplo, ocorrem pela ação do gelo ao longo de milhões de anos. O Grand Canyon é uma grande erosão fluvial, do rio Colorado.

ROCHAS

Rochas são associações naturais de dois ou mais minerais.

Depois nos são apresentadas as características de distintas rochas de acordo com as suas origens: magmáticas/ígneas, sedimentares e metamórficas. Não sabia, por exemplo, que ardósia vem da argila.

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SERRA DA BODOQUENA - MATO GROSSO DO SUL

Estou terminando a leitura de um pequeno livro que trouxe de uma viagem a Bonito (MS), e com as duas aulas de Geografia que vi na plataforma do ICL a leitura ficou muito mais clara para mim. 

Vários conceitos abordados nas aulas foram citados na caracterização da região onde se localiza Bonito e outras cidades que compõem aquela maravilha de fauna e flora do Brasil.

Sigamos estudando e aprendendo coisas novas todos os dias, pois só o conhecimento liberta, como disse José Martí.

William


Post Scriptum: os comentários sobre a primeira aula de Geografia do Brasil podem ser lidos aqui.


sábado, 2 de novembro de 2024

Diário e reflexões



Refeição Cultural

Osasco, 2 de novembro de 2024. Sábado de Finados. Dia chuvoso.


Opinião


INSTANTES DO VIVER

Corridas

Ontem, dia primeiro, saí para uma corrida de pequena distância na região onde moro. Semanas atrás, aceitei um convite de um amigo corredor e acabei me inscrevendo em uma corrida de 5,1 Km que se realizará na próxima semana na AABB-SP e não estou com o condicionamento físico adequado para tal corrida. O período de militância nas eleições municipais me fez passar mais de um mês sem praticar atividade física. 

Minha ideia de "treinamento" para a participação na prova de nossa associação atlética é tentar fazer uns 3 ou 4 treinos para saber se o corpo aguenta o percurso em trote. Dias atrás, corri 2K e foi tudo bem. Ontem, com forte calor, fiz a corrida de 3K e foi difícil... Olha, como a gente perde rápido a condição física aos 55 anos quando não prática esporte com regularidade! Pretendo fazer mais um trote de 4K daqui a uns dois dias e ver o estado precário no qual me encontro. 

Às vezes, penso nas pessoas em geral, no "corre" de suas vidas, sem tempo para nada de atividades físicas ou intelectuais... e com alimentações bastante prejudiciais à saúde com excessos do que faz mal e nada que faz bem. Foda! 

(a bela árvore, ou o tronco dela, que ilustra a postagem é um admirável ser vivo que namoro toda vez que passo por ele nas caminhadas e corridas no Parque Continental)

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Eleições na Anabb

Faz semanas que recebi pelo correio um material sobre as eleições na Associação Nacional dos Funcionários do Banco do Brasil. Sou associado. Só hoje resolvi folhear a revista e os anexos. O tempo passa, o tempo voa, mas as caras em disputa nas entidades do funcionalismo do BB continuam as mesmas... incrível isso!

A absoluta maioria das candidaturas é de direita e extrema-direita, gente conservadora, reacionária, pessoas e grupos que defendem um tipo de sociedade humana diametralmente diversa da que penso e luto por ela. Um mundo elitista, não igualitário, capitalista, liberal ou neoliberal. Sem direitos sociais, civis e políticos para o povão.

A direção da associação é composta por 21 conselheiros e conselheiras deliberativos eleitos e o CD elege a direção executiva entre os membros eleitos pelos associados. Também são eleitas 3 pessoas para o Conselho Fiscal e representações regionais. Os associados podem votar em até 21 pessoas para o CD, até 3 para o CF e votam em alguém para a regional onde moram.

Para o CD são 70 pessoas concorrentes. Eu fui dirigente eleito de nossa comunidade BB por duas décadas. Mesmo estando afastado das disputas eleitorais há seis anos, conheço a maior parte das pessoas que se colocaram à disposição dos associados. E mesmo estando distante da política do BB, conheço também boa parte das pessoas que concorrem ao CF e nos Estados e DF. Ou seja, a renovação será muito pequena na direção, se houver renovação.

Cadê as mulheres e o pessoal de esquerda?

Ao avaliar as candidaturas à direção da Anabb, fiquei pensando com os meus botões por que quase não tem colegas mulheres concorrendo às eleições. O mesmo em relação às pessoas progressistas e do campo da esquerda. E não é que não tenhamos gente de esquerda no funcionalismo do BB. O que se passa? Desinteresse na gestão da associação? Não acreditam no processo eleitoral em questão? Não saberia dizer.

De 70 pessoas concorrentes ao CD, para se eleger 21 delas e depois as suplências que subirão ao se eleger a direção, só temos 17 mulheres concorrendo. Dessas, nem 5 são de esquerda, ou não são de direita! Do total de candidaturas, pessoas que são conhecidas pelo funcionalismo como do campo progressista, de esquerda e que têm história no movimento sindical ou em defesa de um mundo socialista ou mais igualitário, dá pra contar nos dedos das mãos. 

Questões como essas são questões do nosso tempo. Temos que evoluir e superar essa descrença na política e na mudança. A experiência é muito importante na política, principalmente quando mesclada com a renovação e com novas ideias para o presente e o futuro.

Ah, só para não parecer uma contradição, dias atrás fiz um artigo sobre as eleições brasileiras (ler aqui), afirmando que, na minha opinião, o povo não é nem de direita nem de esquerda, o povo é prático ao se posicionar nas urnas de acordo com determinadas questões locais, culturais, de contexto etc. 

Em eleições da comunidade BB como esta da Anabb, é outra lógica: quando digo que não vejo nem dez pessoas de esquerda é porque conheço há décadas as mesmas figuras que se apresentaram no processo. Uma coisa é o povão, outra são os políticos profissionais de sempre.

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Mundo em disputa: temos algo com isso?

Aproveitando que comentei acima sobre eleições na comunidade Banco do Brasil, sigo no tema da política.

Nos próximos dias, os Estados Unidos vão eleger o seu presidente ou presidenta. É a maior plutocracia do mundo. Não há democracia lá. A escolha da pessoa que vai figurar como presidente(a) é feita pelos bilionários e suas corporações. Nem voto direto existe lá. Para ser candidato(a), então, só se os endinheirados autorizarem. Depois do dia 5/11 saberemos o "resultado". 

Como disse no dia seguinte ao resultado das eleições venezuelanas (ler aqui), vou assistir da poltrona comendo pipoca o comportamento da diplomacia brasileira, não mais "Ativa e altiva". Uma das maiores decepções políticas em relação ao nosso governo foi a posição vergonhosa do Brasil desrespeitando a Venezuela e a nossa Constituição Federal, em seu artigo 4º. 

Quero ver como o Brasil vai lidar com eventual contestação interna dos resultados nos EUA. É provável que vá ser da mesma forma que vem se comportando com os países do Norte, com Israel que pode nos humilhar, com a França que não reconhece as eleições no país etc. Não vamos exigir as atas... certeza!

Aliás, não acho correto o presidente de nosso país declarar apoio a candidaturas de lá dos Estados Unidos, é péssimo isso! De novo, me parece que o artigo 4º da CF virou letra morta. Leiam os incisos III, IV e V.

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São alguns instantes de meus pensamentos. Num certo momento do dia, fiquei admirado com a magia de uma aula de geografia, que assisti no Instituto Conhecimento Liberta (ICL). Adoro estudar e conhecer coisas novas todos os dias.

Fico por aqui no registro de instantes.

William


quinta-feira, 31 de outubro de 2024

Diário e reflexões


Nossa homenagem e gratidão a Isabel Suarez,
que faleceu dia 27/10 em Havana, Cuba.
Nossa solidariedade ao amigo Luis Caballero e família.

Refeição Cultural

Osasco, 31 de outubro de 2024. Noite de quinta-feira.


OUTUBRO

Mais um mês se passou em nossas vidas. Mais um mês se passou em minha existência. Como vivi este mês? Espero ter vivido de forma digna e ter tentado contribuir para o bem comum nos 31 dias do mês.

Para tentar mudar o mundo, me uni a diversas pessoas ao longo do mês para abordar cidadãs e cidadãos nos espaços públicos em São Paulo e Osasco no intuito de eleger projetos e representantes políticos com propostas humanistas, inclusivas e que transformariam as comunidades onde vivemos.

Exerci uma militância voluntária em portas de metrôs, feiras e ruas conversando com a população para que o povo paulistano votasse em nossa candidata a vereadora, Luna Zarattini, e Guilherme Boulos para prefeito de São Paulo. A jovem Luna foi eleita e conseguimos levar Boulos para o 2º turno. Infelizmente, não conseguimos maioria no dia 27 e o povo elegeu o candidato que representa tudo o que não queríamos para a maior cidade do país.

Foi bonito ver tanta gente somando para defendermos
nosso projeto de uma cidade mais humana e acolhedora.
A professora Ione passou horas na militância no Rio Pequeno.

Em Osasco, aconteceu a mesma coisa. Nosso projeto para a cidade não foi eleito. Felizmente, elegemos nossa representação para a Câmara Municipal, os jovens do Coletivo JuntOz - Heber, Gabi e Matheus. Ficamos felizes pela conquista dessa candidatura do campo progressista.

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No mês de outubro não consegui me dedicar à saúde. Aliás, foi positivo ter encontrado energia para a dedicação que tive na militância política sem sentir dores na região do quadril e lombar. Não posso reclamar de nada.

A família passou uns sustos, mas estão todos bem. Meu pai e meu cunhado estão bem após sofrerem acidentes de carro lá em Minas Gerais. Minha irmã está se recuperando da cirurgia no ombro. Sigo sendo uma pessoa de sorte.

No dia do resultado das eleições municipais, além da tristeza de ver nossas candidaturas progressistas serem derrotadas em diversas cidades do país, soube do falecimento de nossa querida companheira Isabel Suarez, revolucionária cubana. Ela estava em casa com o senhor Luis quando faleceu. Fiquei muito triste com a perda de nossa amiga e companheira.

A Casa de Isabel sempre acolheu centenas de brasileiros em Cuba e todos nós seremos eternamente gratos a querida Isabel, que estará sempre em nossas memórias e em nossos corações.

Companheira Isabel, presente!

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Consigo apreciar mais o instante do viver?
A florada de um ipê branco é um instante, horas.
Quem tiver a sorte de apreciar esta beleza, que aprecie!

CARPE DIEM

Sinto uma grande necessidade de mudança. Por ter consciência política, por ter alguma experiência de vida, sinto dentro de mim que não podemos desistir do mundo. 

Parece que quanto mais desesperança vejo ao meu redor, mais sinto que é minha responsabilidade fazer algo pela mudança, minha e de todas as pessoas que tiveram a oportunidade de estudar e de evoluir a consciência.

E a mesma consciência que avalio que tenho me lembra o tempo todo que a vida é um instante, que num segundo ela existe, no instante seguinte pode não existir mais. 

Que farei para mudar as coisas a partir das próximas horas do viver? Fiquei pensando nas palavras de Pepe Mujica, em documentário que assisti no ICL agora no final da noite de quinta-feira. 

Não podemos perder tempo com coisas que não são importantes para nós. A vida é muito preciosa para perdermos tempo sem fazer o que nos dá prazer e alegria por estarmos vivos.

Preciso viver cada instante com mais percepção e atenção ao instante vivido. 

O que importa realmente para a minha pessoa neste momento da existência? Como encontrar algum prazer ou motivação no dia que vou vivenciar?

Pense, William! Viva o dia intensamente, mesmo que a intensidade seja observando com prazer uma flor ou uma borboleta. A água que cai do chuveiro em contato com a pele. Um copo de água para matar a sede.

Terminou mais um mês no calendário da vida humana. Começa já um novo dia e um novo instante.

Consigo alguma paz e um Carpe Diem?

William