sexta-feira, 17 de novembro de 2023

Vendo filmes (IX)



Refeição Cultural

Filmes que me fizeram refletir sobre o comportamento humano e que me deixaram em alerta sobre o presente e o futuro da sociedade humana e do planeta Terra.

Um dos filmes está em cartaz e assisti no cinema, dirigido por Martin Scorsese, sobre a história de assassinatos e manipulações do povo indígena Osage na região de Oklahoma, EUA, no início do século vinte.

O outro filme é do final da primeira década dos anos dois mil, dirigido por Clint Eastwood, e retrata um dos momentos da vida de Nelson Mandela, já liberto e eleito presidente da África do Sul.

Por fim, um filme do início do século, dirigido por Steven Spielberg, sobre um jovem norte-americano que acabou virando um dos maiores falsários e estelionatários dos Estados Unidos, e sua perseguição pelo FBI.

Os três filmes são baseados em fatos reais. Eu gostei de todos eles.

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FILMES

Assassinos da Lua das Flores (2023) - Direção: Martin Scorsese. Com Robert De Niro (interpreta o poderoso "político" William Hale), Leonardo DiCaprio (interpreta Ernest Burkhart, sobrinho de Hale) e Lily Gladstone (no papel da osage Mollie Kile). O filme é baseado numa história real dos anos 1920, em Oklahoma, história relatada em um livro de David Grann. Os indígenas da etnia Osage descobrem petróleo em suas terras e a partir daí os brancos farão de tudo para se apropriarem do ouro negro e das terras indígenas.

COMENTÁRIO: Assistimos ao filme no cinema e a história é tão envolvente que nem percebemos as mais de 3 horas de duração da sessão. A cada novo filme sobre a história dos norte-americanos e a essência do que seria a "América", mais me convenço do quanto os Estados Unidos não são referência alguma para a sociedade humana que vislumbro no planeta Terra. Senti a mesma coisa ao assistir ao filme de Scorsese O irlandês (comentário aqui). 

A violência no trato com o outro e a xenofobia, o desprezo pela vida humana e o foco absoluto na acumulação de propriedades ao invés de valorização dos seres humanos são bases sólidas da cultura norte-americana. Para aquele povo ou a maioria dele, tudo tem seu preço, tudo. Fiquei pensando na violência dramática que nós brancos invasores praticamos ao contatar povos originários em qualquer lugar do mundo. Triste demais o enredo do filme, principalmente porque sabemos que o genocídio de indígenas se deu ao longo de séculos de invasões. A direção de Scorsese é sensacional e as interpretações de DiCaprio, De Niro e Gladstone estão excelentes, dignas de premiação.

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Invictus (2009) - Direção: Clint Eastwood. Com Morgan Freeman no papel de Nelson Mandela e Matt Damon no papel do jogador de Rúgbi François Pienaar. Com o fim do regime racial do Apartheid, com eleições nacionais incluindo a participação de todos - brancos e negros -, a África do Sul elege Nelson Mandela presidente da república. O líder sul-africano enfrenta uma situação de crise em todas as áreas do país, incluídas as áreas econômica, política e social, e o racismo segue alimentando o ódio entre brancos e negros. Mandela vê no Rúgbi, um esporte nacional, uma oportunidade para unificar o país e quebrar a barreira racial do povo sul-africano.

COMENTÁRIO: Demorei para ver esse filme. Confesso que assistir em 2023 a esse filme que nos apresenta uma história real de Mandela me fez sentir um aperto no coração, me deixou emocionado e chorei algumas vezes. Por que? Além de ter lido a autobiografia de Mandela e passar a conhecer com mais detalhes a vida e a luta de Madiba e do povo negro sul-africano reunido através do Congresso Nacional Africano (CNA), avalio que homens pacifistas como Mandela, Gandhi e Lula, ainda vivo e maior estadista global, não teriam ou têm, no caso de Lula, espaço num mundo de humanos surdos e robotizados pela mudança de comportamento mental ocorrida nas últimas duas décadas pelas máquinas de redes sociais e suas parafernálias algorítmicas usadas em escala global para alterar o comportamento da espécie humana. 

Com a mudança de comportamento humano, o diálogo e a política que fizemos por milênios, ou pelo menos por séculos - que só ocorrem com humanos que ouvem, que se toleram, que estão abertos ao convencimento -, vão se esgotando. As relações humanas tendem a acabar, as amizades, o amor, a solidariedade, os sentimentos nobres. 

Ao não sabermos mais conviver com a divergência, voltamos a ser como os animais selvagens na natureza. Os tempos de destruição do cérebro humano são os tempos de canalhas e sofistas manipuladores de gentes ignorantes e abobalhadas, são tempos de trumps, bolsonaros e outros vigaristas como aquele que está disputando as eleições na Argentina neste fim de semana... muito triste tudo isso, vermos o fim de figuras como Mandela e Lula (algum tempo adiante) e não termos reposição de humanos como esses.

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Prenda-me se for capaz (2002) - Direção: Steven Spielberg. Com Leonardo DiCaprio, Tom Hanks, Christopher Walken e demais elenco. O agente do FBI Carl Hanratty (Hanks) persegue de forma obsessiva o vigarista Frank Abagnale Jr (DiCaprio) para colocá-lo atrás das grades. O rapaz é muito esperto e sempre passa a perna no agente do FBI.

COMENTÁRIO: É mais um filme baseado em fatos reais ocorridos nos anos sessenta nos EUA. Achei interessante relembrar como funcionavam os bancos e as formas de pagamento naquela época. O rapaz estelionatário, além de se passar por profissões complexas sem saber nada sobre elas - copiloto de avião, médico pediatra e advogado -, falsificava cheques como ninguém. 

Me lembrei do trabalho de bancário nos anos oitenta e noventa. Nós fazíamos cursos para conhecer sobre assinaturas, sobre formas de falsificar cheques e dinheiro etc. No filme, Frank passava cheques em tudo quanto é lugar sabendo até quanto tempo se demorava para compensar o cheque e descobrir que ele era falso. Nós caixas dos anos noventa tínhamos que saber até se o local de emissão do cheque (a praça) era feriado ou não porque isso influenciava em quantos dias o cheque seria pago ao recebedor daquela ordem de pagamento.

Gostei do filme. O jovem DiCaprio interpreta muito bem os papéis que representa desde quando era garoto.

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As sugestões anteriores sobre filmes podem ser lidas aqui.

É isso! Reflexões culturais compartilhadas.

Abraços aos leitores e leitoras!

William Mendes


domingo, 12 de novembro de 2023

Leitura: Os mortos vivos, de Peter Straub



Refeição Cultural

Osasco, 12 de novembro de 2023. Domingo. Um calor de 37º!


Terminei a releitura do clássico Os mortos vivos (1979), de Peter Straub. Esse livro marcou os anos oitenta. Pelo que pude apurar, até o mestre dos livros de suspense e terror, Stephen King, gostou da estória e faz comentários laudatórios a respeito desse livro de Straub.

O nome brasileiro da obra difere um pouco da lógica do título em inglês - Ghost Story - e eu diria que a tradução brasileira para a versão cinematográfica da obra seria melhor para o livro: Histórias de fantasmas (1981), dirigido por John Irvin. Eu não conheço o filme. A estória faz referências tanto a fantasmas e espíritos (Manitu) quanto a mortos vivos.

Nos anos oitenta, li dezenas de livros que saíam pelo Círculo do livro. Algumas leituras da adolescência me impactaram à época. Dos livros de suspense e terror, os de Stephen King eram os preferidos. Li Carrie, A incendiária, O cemitério, Zona morta, Christine, e tenho dele e não li ainda O iluminado

Outros de terror impactantes à época, foram A entidade, de Frank de Felitta, O exorcista, de William Peter Blatty, e os dois de Jay Anson, Horror em Amityville e 666 O limiar do inferno. Estes últimos, reli e comentei aqui no blog (ler aqui). 

Os mortos vivos, de Peter Straub, foi um dos livros que mais marcaram minha leitura de terror. Eu tinha menos de 17 anos quando o li, acreditava em coisas sobrenaturais e fiquei bem assustando durante a leitura da estória. 

Digo que o de Straub é um dos livros marcantes do gênero porque O cemitério também me marcou bastante! Até hoje defino um cansaço indescritível como o do personagem Louis Creed ao voltar do enterro do gato e cair prostrado na cama.

Na minha atual fase de leitor, às vezes pego para reler um livro lido décadas atrás para tentar avaliar como a leitura à época poderia ter impactado aquele leitor jovem com a visão de mundo que eu tinha como jovem no ambiente ao qual eu pertencia. Não é algo simples, mas acho interessante a tentativa de perceber o caminho que trilhei até aqui.

A leitura atual de Os mortos vivos foi absolutamente distinta da lembrança que tinha da leitura da adolescência. Imagino que o tenha lido em pouco tempo naquela época, porque eu lia rapidamente livros grandes. Me recordo que lia até centenas de páginas no mesmo dia. Desta vez, a leitura se arrastou por quatro meses. Lia nas madrugadas. E minha impressão da estória foi outra. Entendo que o livro é para ser lido de uma vez... como não fiz isso, o efeito foi outro.

Avalio que a estória poderia ser escrita em umas duzentas páginas, e olha lá!, e não seria necessário arrastar a estória por mais de quinhentas páginas. Nessa questão de tamanho, Jay Anson acertou nos dois romances demoníacos que fez. Peter Straud e meu saudosismo que me perdoem, mas Horror em Amityville foi mais prazeroso de ler, a parada foi resolvida em 190 páginas. Li em dois dias.

Ainda que eu tivesse lido o romance rapidamente, o efeito gostoso de sentir medo ao ler um livro de terror não seria o mesmo de antes neste leitor que vos fala, porque hoje sou descrente de qualquer coisa mística. Já foi assim na releitura dos livros de Jay Anson. À época, eu acreditava em tudo, em qualquer teoria explicativa de mundo que a mente humana criasse.

Gostaria de assistir ao filme de 1981, que contou com a participação de Fred Astaire no papel de Ricky Hawthorne. 

Já escrevi várias vezes sobre meu respeito pela visão de mundo que cada ser humano tem. A concepção mística da vida fez parte da minha percepção de mundo por décadas. Após o meu percurso pela vida, não conseguiria abraçar nenhuma explicação mágica sobre a existência humana e sobre o Universo. No entanto, sei que cada pessoa tem a sua experiência de vida e devemos respeitar isso.

Me lembro perfeitamente da sensação e efeito das culturas místicas na pessoa que era até perto dos trinta anos. Quando assisti no cinema ao filme Ghost - Do outro lado da vida (1990), foi muito impactante aquele momento no qual o público percebe junto com o protagonista o que aconteceu após o assalto.

Enfim, mais um livro lido ou relido. Este foi o 30º livro do ano, sexto ou sétimo de romance ficcional. Deu trabalho a leitura! Achei que não acabaria nunca!

William


Post Scriptum: Fiz postagem sobre a leitura em andamento. Caso tenham interesse em ler, é só clicar aqui.


quarta-feira, 8 de novembro de 2023

Brasil, república que não é República



Refeição Cultural


A república brasileira nasceu para não ser República

Antonio Candido fala, em outubro de 2002, sobre a democracia e a educação pública no Brasil, o sistema republicano, o papel do governo no sistema público de ensino e o papel suplementar da educação privada. Entrevista muito didática, como era de costume ao ouvir ou ler o professor falar sobre temáticas desenvolvidas por ele como intelectual.


"Educação - É possível restaurar o espírito republicano?

Candido - A República é o regime de todos; o regime contra os privilégios. Claro que você tem repúblicas aristocráticas, como foi a de Veneza. Mas República vincula-se à ideia de democracia de direitos. No caso brasileiro, infelizmente, ela é muito ambígua porque nasceu em grande parte de um sentimento de revolta das elites por perda de privilégios. A elite perdeu seus escravos com a Abolição decretada pela Monarquia. Aderiu à República para se vingar do imperador. A República brasileira nasceu desse sentimento de revolta por perda de propriedade."


Comentário do blog: o destaque sublinhado é para reflexão sobre a história do Brasil e para pensarmos nos motivos de termos aqui uma das elites ou burguesias mais atrasadas do mundo, perversa, ignorante e violenta. E preconceituosa, é claro! No Brasil, a república é para manter privilégios e não para democratizar o acesso aos direitos para todos. A república não é o que deveria ser... desde a origem!


Fonte:

Revista Educação, Ano 6, Número 66, de outubro de 2002.


terça-feira, 7 de novembro de 2023

Leitura: Os Sertões, de Euclides da Cunha



Refeição Cultural

Osasco, 7 de novembro de 2023. Terça-feira.



"Fechemos este livro. Canudos não se rendeu. Exemplo único em toda a História, resistiu até ao esgotamento completo. Expugnado palmo a palmo, na precisão integral do termo, caiu no dia 5, ao entardecer, quando caíram os seus últimos defensores, que todos morreram. Eram quatro apenas: um velho, dois homens feitos e uma criança, na frente dos quais rugiam raivosamente 5 mil soldados." (from "Os sertões" by Euclydes da Cunha)


Depois de uma vida inteira, terminei aos prantos a leitura do clássico da literatura brasileira Os Sertões, de Euclides da Cunha, obra lançada em 1902, cinco anos após o genocídio do povo do Arraial de Canudos, comunidade coletivista massacrada pelo exército da chamada República Velha entre os anos de 1896 e 1897, regime republicano que se iniciou no Brasil com o golpe civil-militar de 1889, tirando do poder o imperador Dom Pedro II. 

O momento no qual termino a leitura de obra tão cercada de fama e polêmica é um momento estranho da sociedade humana, de certa forma é um momento condizente com a condição humana deste século presente, humanidade que observa a emergência climática e nada faz para interromper a destruição do planeta Terra, único lugar para se viver no Universo conhecido, destruição feita pelos donos do poder, os capitalistas, um grupo pequeno de humanos com a capacidade de inviabilizar milhões de formas de vida no planeta inteiro. No entanto, o eixo desta reflexão nem é sobre a destruição do planeta pelos senhores do capital, é sobre o massacre de gentes pelos senhores da guerra, que são por acaso os senhores do capital.

Qual o tema do livro Os Sertões

O livro aborda a Guerra de Canudos, a figura do beato Antônio Conselheiro, o sertão da Bahia, os milhares de homens, mulheres e crianças retirantes da seca e da miséria reunidos num pequeno pedaço de terra para lutarem pela sobrevivência numa região de poucos recursos naturais. Retrata o início do regime republicano, o exército brasileiro, o choque entre o povo sertanejo do interior do país e o povo do litoral, onde está a sede do governo. Retrata a forma como a classe dominante sempre tratou o povo brasileiro.

Vemos no livro um ensaio interpretativo do Brasil e do povo brasileiro por parte do engenheiro e jornalista Euclides da Cunha, e vemos o desenvolvimento de uma guerra civil motivada por questões sociais antigas, questões de reforma agrária e posse da terra, e motivada por muita desinformação e manipulação da informação por parte dos poderosos de sempre, os donos do poder: latifundiários, governo e igreja. Os golpistas no poder ("republicanos") alegaram que os miseráveis revoltosos queriam restabelecer o regime político antigo, a monarquia. Na disputa por hegemonia de poder, vale tudo, principalmente mentiras, hoje conhecidas pela alcunha de fake news.

Se fosse elencar todas as novidades que acrescentei em meu parco conhecimento a respeito do conflito, da obra, do autor e do contexto da época, meu texto ficaria enorme. Leiam o livro, é o que eu sugiro aos leitores. Eu penei pra ler, mas li. Façam o esforço, leiam e releiam, porque somos outra pessoa, com novas experiências e olhares de mundo a cada dia, o leitor de ontem não é o leitor de hoje. Comecei a ler Os Sertões antes dos quarenta anos. Ler agora, com mais de cinquenta, e vendo o mundo deste momento, a leitura é absolutamente diferente. Leiam!

Hoje, sei mais que antes sobre o conflito entre o governo brasileiro do final do século 19 e a multidão de brasileiras e brasileiros exterminada no sertão da Bahia, no Arraial de Belo Monte, atualmente Açude Cocorobó. Sei alguma coisa a mais sobre essa tragédia brasileira. Por mais triste que seja a tomada de consciência a respeito do assassinato em massa ocorrido à época, reforço a ideia de que ler é melhor do que não ler os clássicos, um conceito que aprendi na Faculdade de Letras da USP com a leitura de referência de Italo Calvino.

Imagem clássica de Canudos.


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"Custava-lhes admitir que toda aquela gente inútil e frágil saísse tão numerosa ainda dos casebres bombardeados durante três meses. Contemplando-lhes os rostos baços, os arcabouços esmirrados e sujos, cujos mulambos em tiras não encobriam lanhos, escaras e escalavros — a vitória tão longamente apetecida decaía de súbito. Repugnava aquele triunfo. Envergonhava. Era, com efeito, contraproducente compensação a tão luxuosos gastos de combates, de reveses e de milhares de vidas, o apresamento daquela caqueirada humana — do mesmo passo angulhenta e sinistra, entre trágica e imunda, passando-lhes pelos olhos, num longo enxurro de carcaças e molambos..." (from "Os sertões" by Euclydes da Cunha)

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UM SÉCULO DEPOIS, GOVERNOS SEGUEM BOMBARDEANDO CIVIS, MATANDO MULHERES E CRIANÇAS

Enquanto lia no último mês as centenas de páginas da 3ª parte - "A luta" - do livro de Euclides da Cunha - Os Sertões -, o Estado de Israel matava milhares de crianças e mulheres na Faixa de Gaza... notícias dão conta de que Gaza é uma espécie de campo de concentração com mais de dois milhões de pessoas sem acesso adequado a água, luz, internet, assistência médica e comida, região cercada pelo exército do governo de Israel. Fui lendo cada capítulo de Os Sertões e vendo no noticiário atual os informes de bombas que destruíram prédios residenciais, hospitais, ambulâncias do povo palestino etc. Canudos lá em 1897, Faixa de Gaza em outubro de 2023. Que dizer?

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SOBRE OS SERTÕES

Assim que terminei o livro de Euclides da Cunha, fui procurar nos guardados (williampédia) algumas mídias que falassem sobre a obra e sobre a história do conflito com o povo de Antônio Conselheiro no sertão da Bahia.

Li a matéria de capa da revista Educação, Ano 6, nº 66, de outubro de 2002. A reportagem aborda o centenário da obra Os Sertões. Achei interessante a matéria.

Das informações da revista, descobri que um dos últimos livros do escritor brasileiro José J. Veiga aborda o tema Canudos e Antônio Conselheiro. De uns anos para cá, decidi conhecer a obra completa do escritor goiano e praticamente consegui exemplares de todos os livros do autor. Como estou lendo as publicações por ordem cronológica, ainda não li A casca da serpente (1989). Essa forma de conhecer as coisas é muito legal, tenho em casa uma obra que retrata o conflito de Canudos e eu não sabia!

Outra informação da revista que me fez pesquisar na internet e reviver o passado foi a respeito de um dos maiores especialistas em Euclides da Cunha, um professor nosso da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP, a FFLCH. A pesquisa me levou ao cenário que marcou minha vida, onde fiz Faculdade de Letras. Roberto Ventura era professor de Teoria Literária e Literatura Comparada da FFLCH e estava finalizando um trabalho de pesquisa de dez anos sobre a biografia de Euclides da Cunha quando faleceu em um acidente de carro em agosto de 2002. A morte repentina do professor Roberto causou comoção no mundo acadêmico. Nós havíamos acabado de sair da maior greve da história da USP, 104 dias, e eu fui um dos que ajudaram a organizar a greve. O Guia de Leitura da edição que li de Os Sertões, da Coleção Grandes Nomes do Pensamento Brasileiro, da Publifolha, de 2000, foi feito pelo professor Roberto Ventura.

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A VONTADE É DE FALAR, MAS VER CANUDOS ONTEM E FAIXA DE GAZA HOJE NOS EMUDECE

Eu teria tanto para dizer com relação ao que vejo e interpreto neste momento de minha vida, e do mundo no qual vivo... porém, meu desejo de silenciar é enorme!

Vejo a política por trás do genocídio do povo palestino e não sei se as pessoas comuns (pouco estudiosas) conseguem entender as entrelinhas do conflito. O governo de Israel quer e vai anexar as terras palestinas e expulsar os povos de lá e o mundo vai assistir sem interferir. A gente vê daqui e sente uma impotência indescritível...


"A degola 

Chegando à primeira canhada encoberta, realizava-se uma cena vulgar. Os soldados impunham invariavelmente à vítima um viva à República, que era poucas vezes satisfeito. Era o prólogo invariável de uma cena cruel. Agarravam-na pelos cabelos, dobrando-lhe a cabeça, esgargalando-lhe o pescoço; e, francamente exposta a garganta, degolavam- na. Não raro a sofreguidão do assassino repulsava esses preparativos lúgubres. O processo era, então, mais expedito: varavam-na, prestes, a facão." (from "Os sertões" by Euclydes da Cunha)


Os jornalistas que foram cobrir o conflito em Canudos - jornalistas como Euclides da Cunha - e a imprensa da época silenciaram ao ver a execução de pessoas da forma mais covarde possível, cenas que se repetiriam durante a 2ª Guerra Mundial nos campos de concentração nazistas, os jornalistas sabiam que as pessoas eram mortas desarmadas, degoladas, eram mortas à faca para torturar os sertanejos de Canudos, que acreditavam não alcançar o céu se mortos por arma branca. Euclides só foi falar sobre isso 5 anos depois! Anos depois!

"Os próprios jagunços, ao serem prisioneiros, conheciam a sorte que os aguardava. Sabia-se no arraial daquele processo sumaríssimo e isto, em grande parte, contribuía para a resistência doida que patentearam." (from "Os sertões" by Euclydes da Cunha)

Talvez as pessoas se perguntassem por que os sertanejos não se entregavam para as autoridades do exército brasileiro, não é? As pessoas inocentes ou de boa-fé ficam perplexas ao verem grupos subjugados lutarem até a morte pela causa que acreditam, por sua existência com dignidade, por um pedaço de chão onde viver descentemente. Lá em Canudos, todos os homens e boa parte das crianças e mulheres foram barbaramente massacrados a canhão, balas, dinamites, a navalha...

Que dizer? A vontade é de calar. Não no sentido de pactuar com aquela banda de gente que se diz neutra, que não se compromete, apolítica e outras hipocrisias do tipo. Calar porque sinto uma impotência enorme. Por não vislumbrar uma ação eficaz contra as injustiças e merdas que nossa consciência percebe no mundo no qual vivemos.

Ao ler recentemente o livro de Eliane Brum (comentário aqui), sobre a destruição da Amazônia, e ao ler e me informar sobre o que os senhores da guerra, que são os mesmos senhores do capital, que são uma pequena parcela de homens brancos que estão exterminando o mundo e a vida, enfim, ao ler as denúncias da jornalista temos o reforço no sentimento de que deveríamos ter um exército do nosso lado e estar lá no front amazônico defendendo a floresta e os povos-floresta com a nossa própria vida. E ao analisar a realidade, vemos que não vou fazer mais do que ir a passeatas ou coisas do tipo, deixando momentaneamente o conforto de meu lar na vida urbana que levamos.

O pessimismo da razão nos invade, nos invade. Como parar a matança do povo palestino? Como parar as guerras que estão revigorando a economia dos senhores da guerra, que faturam com cada bomba jogada sobre crianças, mulheres, civis e ambientes repletos de vidas? Vamos parar as guerras que dão lucro sem discutir o capitalismo que visa lucro e fodam-se as gentes e o planeta no qual vivemos?

Paro por aqui. Mais um clássico da literatura mundial, mais um ensaio sobre o Brasil e o povo brasileiro. Mais um pouco da história do nosso país e do nosso mundo violento e injusto.

William


Post Scriptum: talvez eu inclua na postagem anterior (ler aqui), quando retomei a leitura de Os Sertões, mais algumas citações da obra, não muitas, algumas. Leiam a obra! Leiam todos os dias! A linguagem escrita está morrendo, leiam e ajudem a preservar essa invenção humana que nos ajudou a dar um salto evolutivo em nossos cérebros e em nossas características como ser humano.


Bibliografia:

CUNHA, E. Os sertões. [online]. Rio de Janeiro: Centro Edelstein de Pesquisas Sociais, 2010. 516 p.

CUNHA, Euclides da, 1866-1909. Os sertões: (Campanha de Canudos). 20ª ed. Rio de Janeiro: Ediouro, 1998.

CUNHA, Euclydes da, 1866-1909. Os sertões: campanha de Canudos / Euclydes da Cunha - 39ª ed. - Rio de Janeiro: Livraria Francisco Alves Editora; Publifolha, 2000. (Grandes nomes do pensamento brasileiro)

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sábado, 4 de novembro de 2023

Diário e reflexões



Refeição Cultural

Osasco, 4 de novembro de 2023. Sábado.


Leio sobre o massacre em Canudos enquanto ouço e leio sobre o massacre de palestinos em Gaza... Ontem e hoje, parece que não aprendemos nunca!

Achei que fosse acabar a leitura do livro de Euclides da Cunha, Os Sertões, e não consegui, mesmo lendo bastante nos últimos dois dias. Ô livro difícil da porra pra ler! 

A começar pela linguagem usada pelo escritor. Em uma frase com dez palavras, muitas são impronunciáveis e de semântica desconhecida para a maioria dos leitores, tanto os de hoje quanto os contemporâneos ao lançamento da obra. Que foda escrever assim!

Querem um exemplo, já da terceira parte "A luta"? Nem estou falando daquelas partes um e dois - "A terra" e "O homem" -, de linguagens pseudotécnicas e indecifráveis.

"Porque a ação se delongava. Delongava-se anormal, sem o intermitir das descargas intervaladas, o tiroteio cerrado e vivo, crepitando num estrepitar estrídulo de tabocas estourando nos taquarais em fogo... " (p. 463, edição Publifolha, 2000)

Aliás, ao falar de linguagem, de escolha de palavras e semântica etc, temos a questão do nome do escritor de Os Sertões: seria Euclydes ou Euclides? A polêmica já se arrasta há décadas entre nós das áreas das Letras. 

Em uma reportagem especial sobre os cem anos de Os Sertões, publicada no caderno Ilustrada da Folha de São Paulo, de 7 de dezembro de 2002, explica-se que a grafia antiga e original era com "y" e que regras da Língua Portuguesa posteriores a 1943 (Reforma Ortográfica) sugerem que palavras com o antigo "y" passem a ser escritas com "i". Na matéria, tem intelectuais que defendem se manter Euclydes e outros que defendem Euclides...

Eu não faço cavalo de batalha nisso não. A vida toda escreveram meu nome do jeito que sempre quiseram, e mesmo com o documento em mãos! Escrevem meu nome errado com a porra do documento em mãos. Com "n" no fim, com "m", mas com um "l" só, com "i" ou com "y", com "w" ou com "u"... Enfim, Euclydes ou Euclides dá na mesma para este blogueiro. Eu tenho edições da obra escritas dos dois jeitos, e aí, qual adoto? Escolhi Euclides de forma aleatória, não foi baseado em nenhum tratado ortográfico.

Enquanto tento acabar a leitura de Os Sertões, leitura que comecei em 2007... juro pra vocês, eu li as duas primeiras partes naquela época, depois me deu uma má vontade do caramba pra acabar o livro, pois eu já sabia do genocídio que a história iria mostrar. 

Francamente, ter lido quase 170 páginas daquela descrição preconceituosa das partes um e dois já foi uma façanha e tanto! Me martirizar lendo quase 300 páginas de genocídio era muito pra mim à época. Parei a leitura. Só fui retomar agora por causa do curso "13 livros para compreender o Brasil", do ICL.

E não é que o livro nos ajuda mesmo a compreender o Brasil! Enquanto leio sobre o genocídio dos favelados em Canudos, leio na imprensa o genocídio do povo palestino na ex-terra deles, a Palestina. Em 1947, os impérios vencedores da 2ª Guerra Mundial decidiram dar a metade da Palestina para os povos judeus e o que era para ser um espaço geográfico com dois povos convivendo juntos se transformou no que vemos hoje. 

Ler sobre o massacre dos miseráveis que viveram no Arraial de Belo Monte em 1896/97 pelo governo brasileiro é entender como governos e donos do poder massacram e eliminam grupos inteiros de pessoas dos espaços geográficos no mundo.

O exército brasileiro usou canhões apelidados de "matadeiras" e um canhão maior, um Withworth 32, para mandar bombas sobre um arraial com mais de 5 mil casebres e com cerca de 20 mil pessoas vivendo de forma comunitária, coletivista, sob a liderança de um beato, Antônio Conselheiro. 

Nestes dias do século 21, um governo despeja bombas em abrigos de refugiados, ambulâncias, hospitais, e demais áreas onde vivem milhões de civis palestinos, na Faixa de Gaza. E hoje, o governo de Israel bombardeou uma universidade... quase 100% dos milhares de mortos na Faixa de Gaza são crianças e mulheres e idosos...

Aff...

Vou me juntar aos povos do mundo que hoje vão se manifestar pelo fim do genocídio, pelo cessar-fogo e por um processo de paz e respeito ao povo palestino. Aqui em São Paulo o ato será na região da Paulista.

Eu estou tão triste, com uma tristeza tão profunda... mas fui triste a vida inteira e isso não me impediu de fazer grandes coisas e coisas importantes coletivamente.

A tristeza não pode ser desculpa para o marasmo e para o conformismo.

William


terça-feira, 31 de outubro de 2023

Diário e reflexões - Outubro



Refeição Cultural - Outubro

Osasco, 31 de outubro de 2023. Terça-feira.


Opinião


INTRODUÇÃO

Nada no horizonte indica a interrupção das guerras e uma pausa na destruição da natureza. As relações humanas utilitárias seguem destruindo o que nos constituía como os tais seres sociais humanos. Temos que mudar essa realidade. 


Este mês de outubro foi um mês de bad, de um forte banzo apertando o peito. Eu não me lembro nos estudos de história da civilização humana de um Estado mandar assassinar crianças em massa, milhares de crianças, como o Estado de Israel vem fazendo desde o início da guerra na Palestina. Pelo menos de forma pública e aberta como estão sendo assassinadas as crianças palestinas.

Estamos assistindo ao assassinato de crianças, mulheres, idosos e civis por um Estado, na maior cara de pau e tudo ao vivo e à cores. Israel tem um governo sionista de extrema-direita. Tudo indica que Israel quer se apropriar totalmente das terras palestinas da Faixa de Gaza e da Cisjordânia expulsando milhões de palestinos que já ocupavam o território antes de 1947. E o império decadente norte-americano foi lá para apertar as mãos do genocida e dizer que apoia incondicionalmente o extermínio da população civil.

Sim, temos outros assassinatos em massa de crianças na história e nas tradições culturais. É de conhecimento da história o Estado da Alemanha mandar assassinar crianças judias durante o governo nazista de Adolf Hitler (1933-45). Também é conhecida a história bíblica, nos relatos de Mateus, sobre o assassinato de bebês pelo rei da Judeia Herodes, o Grande. Ao se sentir enganado pelos Reis Magos, que não disseram a ele quem era o recém-nascido que seria "Rei dos Judeus", Herodes mandou matar todos os meninos com até dois anos de idade em Belém e região.

Enfim, nosso mês de outubro tem sido assim... dezenas de pessoas no mundo mortas diariamente, centenas e milhares, crianças e pessoas indefesas sendo trucidadas por bombas por ordem de alguns homens brancos donos do poder. Difícil alguém consciente sentir uma felicidade pessoal plena como ser humano... o mundo humano tá uma merda!

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EMERGÊNCIA CLIMÁTICA (O CAPITALISMO CONSUMINDO O MUNDO)

A Amazônia enfrenta uma seca violenta neste momento. Rios seculares e caudalosos estão praticamente secos. Incêndios consomem biomas importantes. As camadas de gelo derretem onde elas existem há milhares de anos. A temperatura do planeta Terra aquece perigosamente. Bilhões de seres humanos estão sob risco de morte por absoluta falta de condições de sobrevivência. Estamos presenciando uma extinção em massa de seres vivos na Terra. E o sistema responsável por isso, que consome o planeta em benefício de alguns milhares de homens e suas famílias e agregados não é sequer citado pelas esquerdas e pelos povos do mundo como o responsável por tudo isso. Não se aponta o culpado e não se muda a rota do fim... o capitalismo é o monstro mais poderoso que já apareceu no planeta Terra. Não há conciliação nem reforma no capitalismo que impeça o fim da Terra e, no entanto, vai falar isso com a "esquerda" que você conhece... vai falar de socialismo...

Sem perspectivas de mudança à vista...

Mas não podemos desistir de mudar pessoas e mudar a rota do mundo para o fim.

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IMPACIÊNCIA COM O DESPREZO E A INGRATIDÃO

Em meio a tudo isso que descrevi acima, o mundo no qual vivemos, estou menos resiliente em relação ao desprezo pelo qual todas as pessoas acabam passando em determinados momentos de suas vidas. A forma utilitarista pela qual as relações humanas passaram a se balizar na sociedade me incomoda, me enoja, e até sei que temos que continuar fazendo cara de paisagem ao sermos desprezados, mas o incômodo começa a exigir de mim mudanças para que eu continue a caminhada por esse mundo mundo vasto mundo drummondiano.

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SÃO SILVESTRE, SAÚDE E CONDICIONAMENTO FÍSICO

No início de outubro, decidi me inscrever e correr na 98ª edição da Corrida de São Silvestre (comentário aqui). Ao finalizar o primeiro dos três meses de treinamento, percebi que a realização deste objetivo será mais complicada do que imaginei.

Desenhei uma estratégia de fazer oito treinos de corrida em cada um dos três meses. Deu errado! Já na segunda corrida, dia 8 de outubro, senti uma lesão na parte posterior da perna direita. Foi uma tristeza geral, fiquei bem decepcionado comigo mesmo.

Fechando o mês, analisei a situação, avaliei a mim mesmo, e redefini a estratégia de treinamento possível para atingir um condicionamento físico que me permita percorrer em trote leve os 15 Km da prova no dia 31 de dezembro.

Tenho que diminuir um pouco meu peso porque minha estrutura óssea e muscular do aparelho locomotor não é mais a mesma. A tarefa é difícil porque tenho um peso estável há décadas. Teria que emagrecer uns 3 Kg que adquiri nos últimos anos. Vou fazer um esforço para isso. 

Está difícil lutar contra minha genética (natureza). Tenho que diminuir o volume do abdômen (98 cm) e reduzir meus 76,2 Kg. Preciso mudar minha alimentação, meus horários cotidianos e rotinas. Meus hábitos são muito ruins, durmo tarde, durmo pouco e os horários das refeições são pouco usuais.

Vou estabelecer uma rotina de caminhadas contra o relógio, diminuir o tempo dos quilômetros na caminhada. Isso vai melhorar meu condicionamento cardiorrespiratório e vai me fazer queimar calorias. E vou manter um pouco de musculação para a região do tronco (core) e pernas. Estou saindo de 13' o Km para 10' e isso dá uma diferença grande na caminhada.

Até dezembro, calculo correr umas 12 vezes, ao invés das 24 vezes que havia pensado para os três meses, mais ou menos a metade das corridas, do final do mês de novembro até perto da prova. Vou tentar nadar uma vez por semana também para melhorar o condicionamento físico geral.

Vamos ver o que rola nesta nova estratégia.

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LEITURAS E DEMAIS EXPERIÊNCIAS CULTURAIS

As leituras de livros estão mais lentas em relação ao primeiro semestre deste ano. Eu havia previsto isso.

Já finalizei neste ano a leitura de 28 livros, e não considero isso pouca coisa. Li livros difíceis, densos, que mudam a visão de seus leitores. Quando penso nas leituras políticas que fiz, compreendo por que estou tão modificado em relação ao que avalio que era tempos atrás.

Terminei a leitura de Abdias Nascimento (comentário aqui) e li uma obra sobre Luiz Gama (comentário aqui). Se somar os conhecimentos dessas leituras ao que aprendo com o intelectual Jessé Souza (ler aqui), fica claro por que não consigo mais manter certa inocência que até nós do movimento sindical tínhamos no desempenho de nossos papéis de organizadores e representantes de classe.

Francamente, ao conhecer a história do povo afrodescendente sequestrado e escravizado no Brasil e nas Américas por séculos, ao conhecer as artimanhas dos brancos da casa-grande brasileira ainda hoje, é impossível continuar acreditando de forma quase pueril na conciliação de classes que meu querido presidente Lula acredita, um pacifista que sempre foi uma referência para mim. 

E, no entanto, não temos correlação de forças para mudar o status quo pela força... foda isso! Nossos inimigos de classe detêm todas as formas de violência estatal e privada.

E o livro da jornalista, escritora e documentarista Eliane Brum (comentário aqui)? Impossível não sentir o banzo que havia aprendido com a leitura de nossa querida Conceição Evaristo (comentário aqui). Banzeiro òkòtó é uma catarse só, nos modifica a cada capítulo do livro-denúncia, do livro-diário, do livro-chamamento para salvar o mundo. O desejo de mudança que falo na introdução fica patente ao ler cada página de Brum. Algo tem que mudar, tem que ser feito!

Enfim, tenho lido obras que gostaria que todas as pessoas deste país lessem, livros que fossem lidos pelas lideranças do movimento dos trabalhadores, lidos pela esquerda e pelos progressistas. Lidos pelas pessoas comuns, pela classe trabalhadora... 

Infelizmente, a imensa maioria só faz trabalhar ininterruptamente de manhã, tarde e noite em trabalhos precários para comer e morar e comprar os itens básicos do viver. Como um motoboy iria ler se trabalha umas 18 horas por dia?

Cada leitura e cada nova tomada de consciência me obriga a ficar vivo! Me obriga a seguir porque é uma ética e uma responsabilidade seguir vivendo e contribuindo de alguma forma para salvar a humanidade e o planeta Terra e até a mim mesmo, um ser vivo. 

Cada dia de estudo me obriga a amar as pessoas, a ser solidário e querer que a vida seja melhor para todas e todos. Me dá consciência e obrigação moral de ser contra a continuidade do capitalismo! Como pode não ser mais o horizonte de lutas da esquerda o fim do capitalismo e a luta pelo socialismo?

Sobre leituras e cultura é isso.

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CONCLUO

Sempre se tem o que dizer sobre mais coisas relevantes do mundo. O Brasil, por exemplo, muito se poderia dizer sobre ele. 

A postagem, no entanto, fica por aqui, já está de bom tamanho para quando olhar para trás, num futuro incerto, aquele outubro de 2023.

Sobre a política, só registro minha tristeza pela entrega da direção da Caixa Econômica Federal aos corruptos do Congresso. Por duas décadas, só havia visto nossa empresa pública nas mãos da direita - parceira da "governabilidade" dos governos do PT - durante os governos dos golpistas, entre 2016 e 2022.

Lula faz o que pode, eu sei. Nós não temos apoio na sociedade para quase nada. A esquerda não tem neste momento capacidade de conquistar maioria neste lugar do mundo, um dos países de formação mais violenta no mundo, racista, misógino, xenófobo e com uma elite branca que odeia a classe trabalhadora e o próprio país.

Viver é uma necessidade! Sigamos!

William


segunda-feira, 30 de outubro de 2023

Vendo filmes (VIII)


O sol que dá a vida é o mesmo
que pode causar a morte.

Refeição Cultural

Catarses através da sétima arte...


Nesta postagem faço breves comentários sobre três filmes bem diferentes um do outro. 

Um filme antigão que só fui ver agora e que me impressionou pela ousadia do tema e da produção: O império dos sentidos.

Um filme muito interessante sobre a história de um rapaz com autismo ou Transtorno do Espectro Autista (TEA) em busca de uma realização. Temática atual de O milagre de Tyson.

E um filme encantador e assustador ao mesmo tempo: Finch. Uma história de amor e amizade entre um homem e um cachorro num mundo apocalíptico.

Todos eles me fizeram refletir sobre os temas e sobre a vida.

William

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FILMES

O império dos sentidos (1976) - Japão e França. Direção: Nagisa Ôshima. Com Eiko Matsuda no papel da ex-prostituta Sada e Tatsuya Fuji no papel de Kichizo. Filme conta a história de amor e paixão de Sada e Kichizo no Japão dos anos trinta. É um filme erótico, mas é considerado um filme de arte e marcou época.

COMENTÁRIO: Nos anos oitenta ouvia-se muito falar sobre esse filme japonês, eu era adolescente e fiquei curioso por muito tempo. Acabou que a vida foi passando e eu nunca vi o filme. A cena do ovo na vagina da atriz era uma das referências desse clássico. Dias atrás, acabei conhecendo finalmente O império dos sentidos, dirigido por Nagisa Ôshima e estrelado pela bela Eiko Matsuda no papel de Sada. Que filme doido! Imagino como deve ter causado impacto nos anos oitenta onde pôde ser visto. O casal de amantes vai se entregando compulsivamente aos novos prazeres que o sexo pode proporcionar a eles e a situação vai ficando cada dia mais extravagante. É doido! Finalmente conheci O império dos sentidos! Nunca é tarde para se conhecer coisas velhas (novas)!

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O milagre de Tyson (2022) - EUA. Direção e roteiro: Kim Bass. Com Major Dodson no papel do jovem Tyson Hollerman. Garoto com TEA (Transtorno do Espectro Autista), educado em casa por sua mãe e filho de um famoso treinador de futebol americano do Estado passa a frequentar a escola onde o pai é técnico e após sofrer bullying decide que quer correr e vencer uma maratona para ser aceito pelo pai. Ele contará com o apoio do maratonista Aklilu (Barkhad Abdi).

COMENTÁRIO: Gostei do filme! É mais comum em filmes que apresentam personagens com algum grau de deficiência física ou intelectual abordar as habilidades desenvolvidas pelos PcD em áreas da cultura ou das intelectualidades. Rain Main (1988) foi um dos filmes que marcaram época com a interpretação do autista Raymond por Dustin Roffman. O filme sobre o jovem Tyson Hollerman tem uns clichês básicos como o pai de Tyson querer ser o pai da moral e dos bons costumes, coisa ridícula sendo ele um típico personagem que caracteriza bem o que é o cidadão médio norte-americano. No entanto, acompanhar o dia a dia do garoto superando o bullying e as dificuldades inerentes à sua condição de não atleta de alta performance na corrida de longa distância é emocionante. Vale a pena ver o filme!

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Finch (2021) - EUA. Direção de Miguel Napochnick. Com Tom Hanks. Num futuro pós-apocalíptico, homem doente cria um robô com a intenção de cuidar de seu cachorro. O filme teria outro nome, Bios, quando foi anunciado em 2017 e produzido em 2019, antes da pandemia de Covid-19, e só foi lançado dois anos depois ao ser vendido para uma empresa de streaming, Apple TV.

COMENTÁRIO: Assisti ao filme em um ônibus de viagem. O enredo é excelente! Tom Hanks interpreta Finch, sobrevivente humano de um mundo superaquecido durante o dia por causa da destruição da camada de Ozônio do planeta Terra. O roteiro é muito bem-feito e deixa o telespectador envolvido na trama do início ao fim. O cenário é assustador e muito realista para as pessoas minimamente informadas sobre as consequências da emergência climática vivida por nós nesta quadra da história. É impossível não nos encantarmos com o cachorro Goodyear, companheiro de Finch naquele mundo quase sem vida e o pequeno robô Dewer. E para completar a equipe que luta pela vida temos Jeff, robô criado para cuidar do cachorro na ausência de Finch. É um road movie que nos deixa pensativos. E muito! A história tem amor, amizade, confiança e momentos de suspense e é difícil não se emocionar. Recomendo. Gostei demais e a trilha sonora é espetacular!

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Post Scriptum - Caso tenham interesse em ler comentário anterior sobre filmes é só clicar aqui.


sábado, 28 de outubro de 2023

Diário e reflexões



Refeição Cultural

Jaboticabal, 28 de outubro de 2023.


Impotência e desprezo

Fim de noite de sábado. Acabamos de ouvir a vocalização do urutau aqui no quarto de hotel onde estamos. O urutau deve estar nesse bosque da foto acima. Que cantar mais exótico esse do urutau!

Outra coisa prazerosa é acompanhar o casal de quero-quero chocando dois ovinhos na grama do hotel, no meio do descampado, e dá até agonia ver os pássaros desesperados quando carcarás e urubus estão voando acima das cabeças deles. O casal fica num piado só ao redor do ninho protegendo suas crias de teiús e outros predadores.

No lago municipal, aqui perto, é uma cantoria só no final da tarde, alguns tipos de garças, maritacas, papagaios, bem-te-vis, joões-de-barro, curiós e outros pássaros que não sei o nome ficam voando ao redor e andando pela relva e se preparando para a noite que se aproxima. Ia me esquecendo das curicacas, encantadoras ao vocalizarem quando voam.

Esse cenário em meio à natureza de uma cidade do interior paulista não alivia a tristeza e amargura que aperta meu peito. Não alivia. 

Tentei ler e não consegui. Trouxe um livro de romance para tentar terminar a leitura e não rolou. Tentei ver algum filme ou documentário e também não estou com cabeça para isso.

Um genocídio está acontecendo neste momento e como um cidadão do mundo me sinto responsável e impotente ao saber - todos nós sabemos! - que o Estado sionista de Israel está assassinando milhares de crianças palestinas, todos sabemos! 

Minha impressão coincide com a leitura daqueles que veem na ação do governo racista dos sionistas a intenção de tomar as terras que eram dos palestinos, ao invés de cumprir as resoluções criadas após a 2ª Guerra Mundial. O que fazemos para frear o extermínio dos palestinos?

Sinto uma impotência que me tira o ar, que causa uma coisa estranha no fígado e na vesícula, um mal-estar ruim de explicar. A impotência que já venho sentindo faz tempo por não conseguir influenciar sequer meia dúzia de pessoas que amo se soma agora à impotência de sabermos que o mundo está sofrendo as piores injustiças da história e não posso fazer nada para mudar isso.

A floresta Amazônica também está sendo assassinada e junto com ela todas as formas de vida que lá existem, inclusive a espécie humana, os povos originários, povos-floresta como nos ensina Eliane Brum. Poucos caras mandam e poucos caras executam a destruição de tudo. A gente fica aqui no nosso mundinho nos centros urbanos tocando nossas vidas e a destruição segue.

A gente vê por não ser cego o que os canalhas corruptos do capital e da casa-grande estão fazendo, a gente vê os meios de comunicação que pertencem a eles manipulando as massas ignorantes (não sabem por que não tiveram oportunidade de saber), massas humanas ocupadas trabalhando ininterruptamente para ganhar uns tostões em trabalhos precários. Enquanto poucos caras do agro - latifundiários e grileiros -, dos bancos e dos mercados de capitais - putos que não produzem uma agulha -, poucos caras donos de tudo, gozam, riem, comemoram o fim do mundo.

Além da impotência, tem o desprezo, tem aquele sentimento que também aperta nossos órgãos sensíveis aos hormônios corporais. O desprezo é uma arma implacável da sociedade humana. É só tentar pensar no sofrimento das vítimas de injustiças como estas que estão sendo eliminadas, colocadas na condição de desaparecimento enquanto o mundo vê e nada faz.

Se eu fosse o que era décadas atrás, dificilmente teria estrutura para lidar com tanta coisa que vejo ao meu redor. Felizmente sou quem sou e os mantras do poeta Drummond acabaram por se fixarem em minhas abstrações mentais. Viver é essencial! Não adianta morrer! Viver apenas, sem mistificação!

Mas a impotência e o desprezo não podem continuar a causar tanta coisa indescritível dentro de meu reles corpo mortal. Mudança. Sei que preciso de mudança. Não sei ainda como ou o que mudar, mas se não mudar, a natureza vai se encarregar de mudar comigo daqui. Sabedoria, se revele para mim.

William


Post Scriptum: o texto foi atualizado após a leitura de minha esposa, que me lembrou dos teiús e das curicacas, presenças marcantes no cenário dessas reflexões.


terça-feira, 24 de outubro de 2023

Leitura: Banzeiro òkótó: uma viagem à Amazônia centro do mundo - Eliane Brum



Refeição Cultural

Osasco, 24 de outubro de 2023. Terça-feira. (as guerras seguem: na Ucrânia, na Palestina, na Amazônia...)


"Aqueles que têm se mostrado tão competentes em imaginar o fim do mundo — do apocalipse bíblico aos filmes de zumbi, dos vírus a ataques alienígenas, do domínio da inteligência artificial ao holocausto nuclear e agora climático — precisam se tornar capazes de imaginar o fim do capitalismo. Temos de nos tornar capazes, principalmente, de imaginar um futuro onde possamos e queiramos viver. Imaginar é ação política. Imaginar é instrumento de resistência. Imaginar o futuro é agir sobre o presente." (from "Banzeiro òkòtó: Uma viagem à Amazônia Centro do Mundo" by Eliane Brum)

A leitura de Banzeiro òkótó (2021), da escritora, jornalista e documentarista Eliane Brum, foi difícil para mim. Cada capítulo era uma porrada e tinha que parar para recuperar o fôlego e o ânimo. Foi uma leitura deprê. No entanto, foi uma leitura necessária! Terminei a jornada emocionado, com lágrimas nos olhos.

A indicação de leitura do livro foi do curso"13 livros para compreender o Brasil", curso presencial que fiz no Instituto Conhecimento Liberta (ICL). Agradeço aos professores Suze Piza e Lindener Pareto pela referência de leituras que eu não escolheria por conta própria. Estou lendo cada um dos livros que não havia lido ainda. E a cada leitura, mudo, saio diferente.

O primeiro excerto que citei acima, é central! Ou a gente imagina um mundo livre do capitalismo ou não haverá mais mundo para vivermos, nem nós, nem as formas de vida que habitam o planeta Terra.

Eliane Brum nos mostra tanta coisa, tanta coisa, que a gente fica tonto! 

Durante os anos trágicos do mandato canalha e genocida do clã miliciano do Rio de Janeiro, eu pensava em termos exércitos armados para lutar contra os destruidores da Amazônia e Pantanal e biomas do litoral brasileiro. A guerra sempre foi desproporcional, os defensores dos biomas entram com os corpos e os exploradores entram com as balas. Só morrem pessoas de um lado. Matam indígenas, quilombolas e brancos que defendem a natureza. Depois destroem a natureza para sempre... e fica por isso mesmo!

Durante a leitura do livro-denúncia de Brum, a gente descobre que tem parlamentar petista que homenageia o maior grileiro do Brasil... puta que pariu! A gente descobre a extensão da destruição da usina hidrelétrica de Belo Monte, não feita durante a ditadura e feita por governos de esquerda de Lula e Dilma... puta que pariu!

O mundo é um lugar foda! E nem dá para desistir de lutar ou de viver porque ao desistir o inimigo do mundo, dos povos e da natureza ganha sem a gente lutar, ganha por WO, que foda!

Amig@s leitores, não adiantaria eu ficar falando sobre o livro ou os capítulos do livro de Eliane Brum. O que posso dizer é que a leitura deveria ser obrigatória para gerar algum incômodo e constrangimento em cada pessoa que lesse o que ela nos conta ali.


"É necessário agora redesenhar o movimento feito ao longo deste livro, para que o conceito seja estabelecido. O banzeiro dá mais algumas voltas, mas agora no sentido de “òkòtó”, palavra na língua iorubá que compõe o título deste livro. Ela me foi dada num jogo de búzios com Pai Rodney de Oxóssi, babalorixá, antropólogo e escritor. Ela veio e tomou conta de minha percepção sobre o movimento e também da capa deste livro. Assoprada por Exu, esta foi mais do que uma volta. Òkòtó é um caracol, uma concha cônica que contém uma história ossificada que se move em espiral a partir de uma base de pião. A cada revolução, amplia-se “mais e mais, até converter-se numa circunferência aberta para o infinito”. Amazônia Centro do Mundo é banzeiro em transfiguração para òkòtó." (from "Banzeiro òkòtó: Uma viagem à Amazônia Centro do Mundo" by Eliane Brum)

É isso! Abaixo cito algumas passagens que marcaram este leitor que vos fala.

Leiam o livro, se revoltem, saiam do conforto que talvez tenham adquirido. Poucos brancos bilionários estão destruindo o mundo de bilhões de pessoas humanas e bilhões de outres seres.

A vontade de mudar o rumo do mundo é enorme depois que lemos Banzeiro òkótó... não é possível se sentir à vontade com essa merda toda que está rolando neste exato momento.

William

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BANZEIRO ÒKÓTÓ

O privilégio e a violência por ser um branco no Brasil


"Por mais éticos que nós, brancos, possamos ser no plano individual, a nossa condição de brancos num país racista nos lança numa experiência cotidiana em que somos violentos apenas por existir. Quando eu nasço no Brasil, em vez de na Itália, porque as elites brasileiras decidiram branquear o país importando homens e mulheres brancos como meus bisavós, já sou violenta ao nascer. Quando ao meu redor os negros têm os piores empregos e os piores salários, a pior saúde, o pior estudo, a pior casa, a pior vida e a pior morte, eu, na condição de branca, existo violentamente mesmo sem ser uma pessoa violenta." (from "Banzeiro òkòtó: Uma viagem à Amazônia Centro do Mundo" by Eliane Brum)

Ao ler essa afirmação de Brum, fiquei pensando nas pessoas do meu cotidiano, estejam elas nas ruas e nos faróis pedindo uma ajuda, ou nos postos de trabalho que me atendem de alguma forma, peles de tons diversos entre o pardo e o preto. Brasil.


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Os capitalistas responsáveis pela destruição do mundo


"Quando a pandemia começou, apenas 2153 pessoas — às vezes esquecemos que bilionários são pessoas, têm nome e sobrenome — concentravam mais riqueza material do que 60% de quase 8 bilhões de seres humanes que habitam o planeta. Bilionários representam uma fração tão insignificante no conjunto da população global que os números falham em torná-los visíveis como porcentagem: menos de 0,00003% — ou 1 bilionário para cada 3,7 milhões de pessoas. A desigualdade racial, social, de gênero e de espécie que provocam, porém, é brutalmente visível." (from "Banzeiro òkòtó: Uma viagem à Amazônia Centro do Mundo" by Eliane Brum)

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Nós somos a maior praga do planeta Terra


"Diz Antonio Nobre: 'A floresta sobreviveu por mais de 50 milhões de anos a vulcanismos, glaciações, meteoros, deriva do continente. Mas em menos de cinquenta anos, encontra-se ameaçada pela ação de humanos.'" (from "Banzeiro òkòtó: Uma viagem à Amazônia Centro do Mundo" by Eliane Brum)

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O negacionismo ao lidar com a questão da emergência climática


"O que nos causa mais terror, porém, é o fato de que mesmo diante de evidências tão eloquentes, da enormidade da ameaça, a maioria da população siga negando a realidade que também construiu. Mesmo com a água faltando nas torneiras, com a temperatura mais alta a cada ano, com a vida sendo mastigada dia a dia, a alienação é assombrosa. Padecemos de desconexão com o mundo justamente na época mais conectada da história humana, na qual a maioria vive em rede quase todas as horas de vigília." (from "Banzeiro òkòtó: Uma viagem à Amazônia Centro do Mundo" by Eliane Brum)

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Eliane Brum assumiu seu posto na guerra climática e foi para o front de batalha onde se definirá a história da humanidade e do planeta Terra. Que ato nobre da porra!


"Eu escolhi meu lado na guerra climática, o que levou meu corpo a Altamira, uma das múltiplas linhas de frente do planeta. Meu desafio, como branca, é aprender a pensar e me pensar a partir de relações radicalmente diferentes com humanes e mais-que-humanes. Meu desafio é me desbranquear — ou fazer o movimento do desbranqueamento, que nunca serei capaz de completar. É essa travessia que vocês fizeram comigo no lento caminhar deste livro. Busquei compartilhar o processo que me trouxe até o agora, que me lançou no banzeiro e talvez me lance no òkòtó." (from "Banzeiro òkòtó: Uma viagem à Amazônia Centro do Mundo" by Eliane Brum)

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O fim do mundo não é um fim, mas um meio


"Altamira é uma ruína. É, como o Brasil, uma constante construção de ruínas sobre a mais monumental de todas as ruínas, a da floresta que antes havia ali. Como toda fronteira simbólica, Altamira é vanguarda do mundo. Finalmente compreendi ali, com todo o meu corpo, que o fim do mundo não é um fim, mas um meio." (from "Banzeiro òkòtó: Uma viagem à Amazônia Centro do Mundo" by Eliane Brum)

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Gaúchos: gafanhotos da Amazônia: onde pousam, não sobra nada vivo na natureza...


"Na conversa, apresentou-me, e eu disse, toda animada: 'Ah! Eu também sou gaúcha. De onde tu é?'. A conversa foi rápida e, quando seguimos pelas prateleiras, meu companheiro de compras informou: 'É um grileiro'. E eu, ainda ingênua: 'Puxa, um gaúcho, que vergonha'. Ele então esclareceu: 'É importante que você entenda que os gaúchos são conhecidos como os gafanhotos da Amazônia'." (from "Banzeiro òkòtó: Uma viagem à Amazônia Centro do Mundo" by Eliane Brum)

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O planeta Terra não é nem uma fazendona nem uma espaçonave. O único caminho é se florestar


"Suspeito que todo astronauta será caubói um dia, e não o contrário. Minha proposta e de outras pessoas é que viremos todes indígenas, no sentido de nos compreender como parte orgânica de um planeta vivo e compreender a vida como essa relação fascinante de intercâmbios e de dependência mútua entre diferentes formas de ocupar o mesmo corpo. Me parece que o único caminho é se florestar." (from "Banzeiro òkòtó: Uma viagem à Amazônia Centro do Mundo" by Eliane Brum)

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De novo: a Terra não é um pasto para bandeirantes e terraplanistas explorarem


"O economista inglês, naturalizado estadunidense, Kenneth Boulding (1910-93) criou uma distinção entre o que chamou de a economia do caubói e a do astronauta. Os caubóis — e claramente ele fazia referência aos homens que colonizaram o Velho Oeste dos Estados Unidos e foram mitificados por Hollywood — enxergam o planeta como terra plana: vastos espaços abertos com recursos infinitos, à espera de que os mais fortes os dominem, destruindo os povos originários, os não gente, e a natureza. No Brasil, esse conceito poderia ser chamado de economia do bandeirante e apelidado de Borba Gato. Ou então de economia do pioneiro e apelidada de gafanhoto. Podemos pensar que não é um acaso que na época de déspotas eleitos como Bolsonaro o terraplanismo esteja tão em voga." (from "Banzeiro òkòtó: Uma viagem à Amazônia Centro do Mundo" by Eliane Brum)

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Maior grileiro do país homenageado por parlamentar do PT do Paraná é excomungado por padre na Amazônia


"Padre Patrício foi particularmente iluminado naquela festa. Em seu sermão evocou toda a história de resistência da comunidade na Terra do Meio e excomungou o grileiro Cecílio do Rego Almeida sem nenhuma misericórdia. Lá do fundo um beiradeiro gritou para atualizar o piedoso sacerdote: 'Ele já morreu, padre!'. E padre Patrício ecoou em altos brados, com as mãos levantadas para o céu em júbilo divino: 'Graças a Deus!'." (from "Banzeiro òkòtó: Uma viagem à Amazônia Centro do Mundo" by Eliane Brum)

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Os piores destruidores do mundo são os maiores "cidadãos de bem" do mundo...


"A Amazônia é destruída primeiro para especular, depois, ocasionalmente, alguns vão cogitar produzir soja para o gado comer ou gado para os humanes comerem. O roubo, devidamente lavado e legalizado, vira então “agronegócio”, os criminosos se tornam “cidadãos de bem”, alguns se tornam prefeitos, são reconhecidos nas sociedades locais como “pioneiros” e, com algum empenho, quando morrem, viram nome de rua e estátua na praça." (from "Banzeiro òkòtó: Uma viagem à Amazônia Centro do Mundo" by Eliane Brum)

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O que é um desgraçado de um grileiro?


"Grileiros são pessoas que tomam ilegalmente, em geral pela força, milhares, às vezes milhões, de hectares de terra pública. Na Amazônia, para consolidar seu domínio, usam milícias formadas por pistoleiros para expulsar os povos-floresta — indígenas, beiradeiros e quilombolas. Nesse processo, povos-floresta são assassinados, dando ao Brasil, ano após ano, o pódio dos países onde mais morrem defensores do meio ambiente. Os grileiros derrubam as árvores chamadas nobres, por ter valor no mercado nacional e internacional, e queimam o restante da vida, provocando as queimadas que assombraram o mundo em 2019. Depois, colocam bois apenas para garantir a posse. Com frequência, o trabalho ilegal é realizado por homens escravizados. Caso se revoltem, são enterrados ali mesmo, em covas que jamais serão encontradas." (from "Banzeiro òkòtó: Uma viagem à Amazônia Centro do Mundo" by Eliane Brum)

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Por que "grileiros"? Porque colocam grilos para cagarem em papéis para parecerem papéis antigos e velhos


"A especulação com a terra é o principal objetivo de parte dos grileiros, que ganharam esse nome porque no passado a fraude era consumada colocando-se papéis novos com grilos vivos numa caixa. Os excrementos desses insetos tão mimosos nas produções da Disney, mas conhecidos na Amazônia por outros talentos, forjavam a aparência amarelada típica de antigos títulos de terra, tornando-os portanto mais verossímeis." (from "Banzeiro òkòtó: Uma viagem à Amazônia Centro do Mundo" by Eliane Brum)

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Povos indígenas, beiradeiros e quilombolas são povos da resistência


"É preciso subverter esse olhar para enxergar melhor. O que chamamos de Brasil é um monumental exemplo de resistência. Ou, dito pelo avesso para voltar ao lado certo, o Brasil foi jogado contra indígenas — e os negros foram jogados no Brasil. E ainda assim indígenas e negros têm resistido por séculos. Não só têm resistido, como têm desformado o Brasil." (from "Banzeiro òkòtó: Uma viagem à Amazônia Centro do Mundo" by Eliane Brum)

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As resistências possíveis contra o fim do mundo


"Mas não é sobre isso que escrevo — ou é, mas não principalmente. Escrevo sobre resistência. Sobre como tornar a vida possível apesar de todas as formas de morte — ou, no caso dos povos originários no Brasil, apesar de tentarem matá-los de todas as formas há mais de quinhentos anos. Essa jornada pela Amazônia, para muito além da geografia, é também uma investigação sobre as resistências possíveis no momento em que vivemos o impossível da emergência climática e da sexta extinção em massa de espécies." (from "Banzeiro òkòtó: Uma viagem à Amazônia Centro do Mundo" by Eliane Brum)

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Bibliografia:

BRUM, Eliane. Banzeiro òkótó: uma viagem à Amazônia centro do mundo. Companhia das Letras: 2021.


sábado, 21 de outubro de 2023

Diário e reflexões


Pôr do sol em Uberlândia.

Refeição Cultural

Osasco, 21 de outubro de 2023. Sábado.


Reflexões a respeito da não esperança e a ética de lutar assim mesmo pela vida e por um mundo melhor para a coletividade ao ler Banzeiro òkòtó: uma viagem à Amazônia centro do mundo


"(...) pela primeira vez na trajetória humana, o futuro, em grande medida, está dado. Sabemos que viveremos num planeta muito pior..." (Eliane Brum, em Banzeiro òkòtó)


Essa constatação citada acima, da escritora e jornalista Eliane Brum, de que o amanhã será pior que o presente, por causa do colapso ambiental no planeta, é ousada e chocante, e também responsável. Alguém tem que dizer sem meias palavras algumas verdades factuais para a humanidade. Nós e nossos jovens e crianças de hoje estamos todos fodidos no amanhã por causa do que fizemos ao planeta Terra.

Aliás, os responsáveis diretos por destruírem as condições de vida no planeta podem até ser poucos caras - em geral homens brancos -, os donos do poder real, os capitalistas e endinheirados do mundo e seus lacaios no poder estatal, mas não fazer nada ao termos a consciência da realidade e ficarmos em nosso mundinho pessoal levando a vida nos faz cúmplices da destruição do único mundo possível para se viver.

A leitura desse livro-denúncia de Eliane Brum é uma leitura motivada pela minha busca de conhecimento, pela minha participação no Instituto Conhecimento Liberta (ICL). Por fazer parte dos coletivos de humanes que não desistiram de estudar e aprender novos saberes e por fazer o curso "13 livros para compreender o Brasil" me peguei lendo livros que eu não escolheria para ler caso estivesse somente por minhas listas de desejos de leitura. 

O livro é denso demais, doloroso demais. Eu particularmente não consigo embalar a leitura em uma centena de páginas porque a cada capítulo fico mal, pensativo, indignado, querendo abrir a porta de casa e sair para fazer alguma coisa pelo mundo. 

Alguém rapidamente pode pensar: mas então pra quê ler um troço tão deprê desses? Porque é nossa obrigação ética de ser humano politizado e educado estudar e pensar a respeito dos problemas que afetam a vida humana e a vida no único lugar no universo onde há formas de vida desenvolvidas como na Terra. (nunca me esqueci das palavras de Carl Sagan falando sobre o pálido ponto azul visto do espaço)

O capítulo "68. a esperança é superestimada" é muito intenso. Os seguintes também, quando Brum aborda a questão do suicídio dos jovens na região de Altamira. Em certo momento, a escritora vai abrindo o coração para os leitores e nos vemos nela, eu me vi nela. Imagino que cada leitora e leitor se verá nela, se verá no espelho do presente ou do passado de sua própria vida. Eu me vi em Eliane Brum ao ler uma sequência de capítulos duríssimos como os que estou neste momento da leitura.

Eu já sofria com a impotência de indivíduo atomizado no mundo ao ver a mortandade na região da Ucrânia, numa guerra onde os civis são bucha de canhão da disputa hegemônica pelo poder do mundo, sempre com os Estados Unidos por trás das guerras, e agora estamos assistindo ao genocídio do povo palestino por parte do Estado sionista de Israel. E aí fico pensando no relato de Eliane Brum nos contanto sobre a guerra que os humanes estão travando contra a Amazônia e os demais biomas do mundo...

Registro triste. Registro necessário. A gente fica triste, mas não desiste de lutar e de viver e de se envolver em algo que possa contribuir para mudar essa realidade. Estudar e escrever é uma forma de atuar. Sigamos.

É preciso tolerância e unidade para pararmos as guerras, contra pessoas humanas e contra a natureza.

William


terça-feira, 17 de outubro de 2023

Diário e reflexões



Refeição Cultural

Osasco, 17 de outubro de 2023. (pensando os dias passados, nos quais não tive nem tempo nem ânimo para registrar nada)


Estivemos em Uberlândia, Minas Gerais, no fim de semana de feriado. Na quinta-feira 12 foi Dia de Nossa Senhora Aparecida, padroeira do Brasil, e Dia das Crianças. Na sexta-feira aconteceu o casamento de minha sobrinha. Foi um dia feliz para a nossa família. Correu tudo bem. Foi uma alegria imensa ver os familiares e matar saudades das pessoas que amamos.

Enquanto olhava (observava) a natureza no Parque do Sabiá, depois das correrias comuns do casamento, pensava na nossa participação na natureza do planeta Terra e na nossa natureza animal. Tenho tido a oportunidade de ler reflexões e ensinamentos de intelectuais que transmitem grandes lições sobre a vida e o mundo.

Sábios como o filósofo indígena Ailton Krenak nos alertam para a nossa real condição de animal humano: nós apenas compomos a natureza, não somos donos dela ou estamos acima das demais formas de vida na natureza, nós compomos a natureza. Se, por um lado, temos uma capacidade maior de alterar a natureza e de destruí-la também, por outro, a natureza é e seguirá sendo natureza, independente de existirmos ou deixarmos de existir. Aliás, é um fato concreto que se deixássemos de existir (os destrutivos homo sapiens), talvez a natureza e as demais formas de vida e biomas tivessem melhores chances sem a nossa presença destrutiva.

A cada dia que passa, mais penso a respeito dos ensinamentos do neurocientista Miguel Nicolelis que vem estudando o cérebro humano há quarenta anos e nos explica "como o cérebro humano esculpiu o universo como nós o conhecemos" no livro O verdadeiro criador de tudo (comentário aqui). A leitura dessa obra mudou minha forma de compreender a vida e o mundo. Não só esse livro de ciências melhorou minha compreensão, é claro!, pois tenho lido textos esclarecedores de diversas áreas do saber e a cada leitura percebo mais por que as coisas são como são. Entretanto, o livro de Nicolelis foi como um abrir de cortinas para uma nova forma de ver as coisas.

Entender o funcionamento do cérebro do homo sapiens nos ajuda muito na hora de buscar explicações para fenômenos como as religiões e o poder de influência delas, o capitalismo e sua máquina ideológica que destrói o mundo e impede as pessoas de reagirem a isso. Me ajuda a entender coisas banais do cotidiano como a imbecilidade de pessoas beberam até vomitarem, virarem corpos ambulantes e zumbis sem domínio da razão, fazerem merdas por aí e causarem problemas às vezes sem retorno para si e para os outros. 

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Temos que debater urgentemente a cultura do álcool! Inclusive pensar em limitar as propagandas como fizemos no Brasil em relação ao cigarro. O consumo de álcool no Brasil já é um sério problema de saúde pública!

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Compreendo cada dia mais como funciona a cultura do álcool, o consumo de bebida alcoólica que alimenta a riqueza de poucos caras e destroem as pessoas, as famílias, a sociedade humana, inclusive o sistema de saúde. Mas alerto aos leitores que compreender não é perdoar... já dizia Hobsbawm em seu livro A era dos extremos (comentário aqui). E ao ver tanta falta de sabedoria e irresponsabilidade nos homo sapiens a gente acaba sentindo aquele famoso "pessimismo da razão". E por isso preciso buscar entusiasmo diariamente para seguir esperançando com ações. Ler e estudar diariamente é uma forma de seguir lutando porque escrevo baseado no que penso e reflito, e baseado nas minhas experiências de vida.

Enfim, agradeço ao professor Miguel Nicolelis por nos fazer entender melhor nosso cérebro humano e como criamos o mundo no passado e no presente. Agradeço ao professor Eric Hobsbawm por nos fazer conhecer um pouco do passado da sociedade humana. Até entendo os mecanismos que fazem as pessoas beberem de forma estúpida e não pensarem nas consequências nefastas oriundas do uso da droga álcool. Entendo do ponto de vista dos ensinamentos da ciência. Mas penso como Hobsbawm: "o difícil é compreender". 

Neste fim de semana andei pelo Parque do Sabiá, eu amo aquele parque e aquela natureza. Vi curicacas, carcarás, peixes, árvores maravilhosas, ouvi cantos diversos dos pássaros - em especial os pássaros-pretos do Sabiá. Somos natureza! 

Como nem tudo são flores e amores, além da felicidade de ver o casamento de minha sobrinha e do encontro com a família amada, vi também as cenas comuns do consumo do álcool em excesso.

Neste fim de semana, vi pessoas beberem mais que o razoável, é o cotidiano do mundo atual, em qualquer ambiente social. Que dureza isso! É muito comum um instante de embriaguez destruir vidas e relações de toda uma vida. Qual família e qual grupo de amigos já não viu isso? As pessoas precisam refletir sobre o quanto estão exagerando no álcool! Tá foda todo dia ver alguma notícia trágica ligada ao consumo de álcool. Tá foda isso!

E ainda temos as guerras atuais, os ódios, as ganâncias e as intolerâncias do mundo humano. Hoje vivemos sob máquinas de manipulação em massa. E tem muita gente para ser manipulada por aí. Quanto mais se investe na desinformação, na destruição da educação e da cultura, mais ignorantes (não sabedoras) estarão as pessoas para caírem nas manipulações daqueles que detêm o poder de manipular.

Temos a destruição acelerada da condição da vida no planeta Terra. A emergência climática, que é uma guerra da espécie humana contra o planeta todo, nos impõe uma tarefa urgente: interromper o processo de destruição do planeta. E aí? O que vamos fazer individual e coletivamente para alterar a rota do fim do mundo?

É isso. Registro feito de algumas impressões deste blogueiro que lê, vê, pensa e escreve neste livro virtual.

William